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                  <text>Relato de experiência - Ações para criação de uma biblioteca
particular mista

Debora Zamban (UDESC) - debora_zamban@hotmail.com
Daniela Capri (CESUSC) - dccapri@gmail.com
Morena Pereira Porto (UFSC) - morenaporto@gmail.com
Juliana Frainer (UFSC) - jujufrainer@gmail.com
Resumo:
Com a criação das Diretrizes e Bases da Educação Nacional, muitas Instituições de Ensino
ampliaram os serviços em educação, não se limitando apenas ao nível básico e ou superior, e
sim na oferta dos dois níveis de ensino. Isso implicou em uma reestruturação dos serviços
oferecidos por essas Instituições, incluindo os serviços oferecidos pelas bibliotecas. A
biblioteca deve suprir as necessidades informacionais, promover o incentivo à leitura e
fomentar a pesquisa e, considerando a diversificação do público que atendem, a implantação
das Bibliotecas Mistas começaram a ser mais recorrentes nas instituições. Mediante essa
contextualização, tem-se o desafio encontrado por uma Biblioteca de uma Instituição de
Ensino, que precisou readequar os serviços quase exclusivos para o público universitário, para
a inclusão de serviços com foco no público escolar, experenciando uma Biblioteca Mista. Neste
sentido, o objetivo deste trabalho é de relatar as ações efetivadas para inserir o público
infantil e infanto-juvenil em uma biblioteca predominantemente universitária. Sendo assim,
houveram muitas ações implementadas para atrair o público escolar, como a readequação do
espaço físico, ampliação do acervo infantil e infanto-juvenil, novas formas de classificação do
acervo, projeto de contação de histórias que tiveram boa aceitação e desde então, estão sendo
efetivados. Todas essas ações estiveram diretamente vinculadas ao desafio de não alterar
significativamente os serviços oferecidos ao público universitário e que fossem ações
sustentáveis. Esse relato de experiência se vislumbra como uma possibilidade de efetivar a
essência e função das bibliotecas independentemente do formato ou público que atendem.
Palavras-chave: Biblioteca mista. Relato de Experiência. Serviço de referência.
Eixo temático: Eixo 2: 3º Fórum Brasileiro de Biblioteconomia Escolar: pesquisa e prática.

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RELATO DA EXPERIÊNCIA: A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA TRANSFORMADA
EM BIBLIOTECA MISTA

INTRODUÇÃO

A partir da implementação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
– LDB, na década de 90, muitas Instituições de Ensino da rede privada reformularam
suas propostas e ampliaram os serviços educacionais oferecidos, não se limitando
apenas ao nível básico e/ou superior, e sim na oferta dos dois níveis de ensino 1
simultaneamente. Como consequência, foram necessárias diversas readequações,
como por exemplo, atendimento da secretaria, da estrutura física e dos serviços da
biblioteca, para que as instituições pudessem atender às demandas dos diferentes
públicos.
As bibliotecas, em sua essência, devem suprir as necessidades informacionais,
promover o incentivo à leitura e fomentar a pesquisa, para isso vários ajustes devem
ser feitos a fim de que possa acolher um público misto. Neste sentido, a implantação
das denominadas ‘Bibliotecas Mistas’, começaram a ser mais frequentes nas
instituições de ensino. Mattos e Pinheiro (2006, p. 1) definiram o termo ‘biblioteca
mista’ para conceituar bibliotecas que atendem ao público escolar e universitário
simultaneamente. As autoras afirmam que na união desses dois tipos de biblioteca
“cabe a cada administração verificar as reais necessidades do seu público para assim
criar ou melhorar sua estrutura e serviços prestados”.
Administrar essas novas demandas foi um dos desafios encontrados pela
equipe da biblioteca de uma Instituição de Ensino que precisou readequar suas
rotinas, antes exclusivas ao público acadêmico universitário, para incluir serviços
voltados também ao público escolar, experenciando uma Biblioteca Mista. Neste
sentido, o objetivo deste trabalho é relatar as ações efetivadas para inserir e atrair o
público

infantil

e

infanto-juvenil

em

uma

Biblioteca

com

características

predominantemente universitárias.
A complexidade de viabilizar espaços e serviços que atendam um público tão
amplo, e a carência de pesquisas que apresentam ações para criação de bibliotecas
mistas são aspectos relevantes para o desenvolvimento dessa pesquisa. Além
“I - educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior” (Título V, Cap. I, art. 21 da Lei de Diretrizes Básicas da Educação Nacional)
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dessas, o relato dessa experiência serve como modelo para que outras bibliotecas
com as mesmas necessidades possam reestruturar os seus serviços.
RELATO DA EXPERIÊNCIA

A Biblioteca, na qual acontece o relato de experiência aqui descrito, pertence a
uma Instituição da rede de ensino particular na cidade de Florianópolis, em Santa
Catarina, e possuía, em sua primeira estrutura de funcionamento, um acervo e espaço
físico idealizados para atender o público da educação superior, contemplando
periódicos científicos, legislações, livros técnicos, de referência e de literatura voltados
para o público adulto. Além disso, o atendimento e o serviço de referência também
eram focados para as necessidades dos alunos dos cursos de graduação e pósgraduação ofertados pela instituição.
Por questões administrativas, alguns espaços físicos e serviços utilizados para
o público da Faculdade foram reorganizados para receber e atender uma parceria com
uma Instituição de Ensino fundamental e médio também da rede privada de educação
de Florianópolis. Assim, a biblioteca que foi idealizada com características
estritamente universitárias passou a atender, a partir de 2002, o público escolar,
incorporando em um segundo momento, as características de uma biblioteca mista.
Em uma biblioteca mista o acervo, os produtos e os serviços precisam estar
alinhados, simultaneamente, ao que é proposto no projeto político pedagógico da
instituição, nos critérios de avaliação estabelecidos pelo Ministério da Educação MEC e da comunidade escolar (MATTOS; PINHEIRO, 2006). Foi utilizando esses
parâmetros que a equipe da Biblioteca iniciou as mudanças para se tornar mista.
Inicialmente, o Colégio ofertava do sexto ano do ensino fundamental ao terceiro
ano do ensino médio. As primeiras ações realizadas para inserção deste novo público
na Biblioteca foram a seleção e aquisição de livros infanto-juvenis e de literatura
indicados pelos professores para leitura complementar em sala de aula. Também foi
adotada uma classificação diferenciada para esse acervo que foi alocado em um
espaço específico da biblioteca. Segundo Oliveira (2012, p. 1) “[...] o acervo é um dos
principais focos da mudança, pois ele deverá ser adequado ao público que também
mudou”.
Além da readequação do acervo, também foram oferecidos novos serviços
como “A hora de leitura” que consiste na realização da leitura, na biblioteca, mediada

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por um professor, mas, mesmo assim, nesse período ainda era evidente a pouca
utilização da biblioteca pelos alunos.
Em 2010 ocorreu a implementação do Ensino Fundamental I (2º a 5º ano).
Nesta mesma época, houve uma mudança na equipe da biblioteca, a qual sentiu a
necessidade de inserir, cada vez mais, o público escolar nas ações e atividades
realizadas pela biblioteca, sem que os serviços e o atendimento aos alunos da
Faculdade

sofressem significativa

alteração.

Para isso

foi realizada

uma

reorganização do espaço físico, atendimento e acervos oferecidos pela biblioteca.
A primeira ação implementada pela nova equipe foi a reestruturação do espaço
infantil e infanto-juvenil, com a aquisição de estantes de tamanhos adequados para
acesso dos alunos do ensino fundamental I aos acervos, utilização de puffs e tapetes,
dispostos de forma a criar um ambiente mais reservado, colorido e aconchegante para
esses usuários. De acordo com Mattos e Pinheiro (2006) é fundamental assegurar
uma estrutura física planejada para cada perfil, disponibilizando um espaço com
materiais e mobiliário próprios para a faixa etária infantil até a 4a série (atual 5o ano);
para alunos de 5a série (atual 6o ano) ao ensino médio, cujas dinâmicas de trabalho
geralmente são realizadas em grupo e, usuários de nível superior, que geralmente
trabalham individualmente e exigem um ambiente exclusivamente silencioso.
As ações seguintes foram a ampliação do acervo, com a aquisição de novas
obras para o público infanto-juvenil e juvenil, a criação de um acervo de literatura
infantil e de uma gibiteca. Para facilitar o acesso dos alunos a esses livros, adotou-se
a classificação identificada por cores no acervo infantil; e foi criada uma classificação
diferenciada também para os gibis. Mattos e Pinheiro (2006, p. 1) ressaltam que “é
muito importante que o material seja separado nas estantes de acordo com o nível de
ensino” e afirmam que para a classificação do acervo, por exemplo, pode-se fazer uso
de códigos junto a recursos como o de cores.
Nesse processo de readequação não só a estrutura física e o acervo devem
ser revistos, já que o grande desafio nas bibliotecas mistas é o atendimento e a
interação com os diversificados tipos de usuários e demandas. Mattos e Pinheiro
(2006) indicam que é necessário um treinamento para habilitar a equipe no
atendimento de crianças a adultos, focando na necessidade de cada faixa etária. No
entanto, pouco se fala sobre como poderia ocorrer a adaptação da equipe no
atendimento para o público misto.

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Tendo em vista essa lacuna, a equipe da biblioteca fez diversas reuniões para
debater estratégias que poderiam atrair o público escolar. Tomando por base ações
realizadas pelos professores da faculdade, como visitas guiadas com os alunos,
utilização do espaço da biblioteca para ministrar a aula e orientação especializada,
foram sugeridas e estabelecidas práticas semelhantes para o colégio.
Reforçando a parceria com os professores, principalmente das disciplinas de
português e literatura foi reestruturado o Projeto Hora da Leitura no qual,
semanalmente, todas as turmas utilizam a biblioteca no período de aula, para
experienciar o hábito da leitura. Além disso, houve a tentativa de iniciar o Clube de
Leitura, mas por dificuldades de encaixe de horário, o projeto não se efetivou.
Para as turmas de Ensino Fundamental I, a Biblioteca idealizou um Projeto de
Contação de Histórias, que inicialmente ocorria uma vez por ano. Essa ação teve boa
recepção por parte dos alunos e professores do Colégio, e a partir do ano de 2016 o
projeto foi estruturado e apresentado para a coordenação, e, desde então, as
contações de histórias acontecem mensalmente, realizadas com a participação das
turmas do infantil ao 5º ano do colégio. Esse projeto tem como objetivo disseminar a
literatura por meio de contação de histórias, apresentando-as como uma forma
prazerosa e lúdica de aprendizagem, estimulando o hábito de leitura dos alunos. É
realizado por meio da atividade com modalidades variadas como leitura, teatro,
fantoches, com música e apoio material.
Ainda, em parceria com os professores do Colégio, foram realizadas exibições
de filmes, contextualizando e fazendo relações diretas e indiretas com disciplinas e
matérias estudadas. Para isso, foram feitas novas aquisições para o acervo de
multimeios (como CD’s e DVD’s), com o intuito de incentivar e aumentar o fluxo de
empréstimos de materiais para esses alunos.
Além disso, uma das ações mais recentes foi a criação de uma ludoteca
disponibilizando jogos educativos, tanto para o público acadêmico quanto o escolar,
com intuito de os alunos utilizarem a biblioteca em horários vagos.
Ademais, a medida que as ações para os usuários do Colégio foram efetivadas,
os usuários vinculados a Faculdade também foram envolvidos por essa reestruturação
e se adequaram às mudanças nas rotinas e nos espaços físicos. Grande parte do
envolvimento dos alunos, especificamente da Faculdade, nessa reestruturação foi
efetivada com as visitas guiadas realizadas a cada semestre no período de recepção

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dos alunos e em conversas com os veteranos na própria biblioteca, expondo as ações
realizadas para os alunos do Colégio que caracterizam a biblioteca como mista.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo deste relato de experiência foi compartilhar o processo de transição
de uma biblioteca universitária para uma biblioteca mista. Diversas ações foram
desenvolvidas, adaptadas e aperfeiçoadas buscando inserir os alunos do Colégio em
um ambiente idealizado inicialmente para um público universitário. Simultaneamente,
os alunos da Faculdade foram inseridos em todo o processo que tem funcionado de
maneira sustentável e contínua, sendo integrados nas ações relatadas, e como
consequência respeitando, por exemplo, compartilhando ambientes e a existência de
um espaço não mais tão silencioso.
É válido ressaltar que o processo de adaptação depende da realidade em qual
a biblioteca está inserida e cabe a equipe acompanhar este processo que deve estar
em constante avaliação, alinhando as ações e considerando as demandas tanto do
público escolar, quanto do público acadêmico.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Casa Civil. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as
diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em:
&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm&gt;. Acesso em 10 jul. 2017.
MATTOS, Ana Luiza de Oliveira; PINHEIRO, Michele. O perfil das novas bibliotecas
escolares-universitárias (bibliotecas mistas) nas instituições de ensino privado no
estado de Santa Catarina. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina,
Florianópolis, v.11, n.1, p. 171-184, jan./jul., 2006. Disponível em:
&lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/474/601&gt;. Acesso em 10 jun. 2017.
OLIVEIRA, Anelise de Moraes. Política de desenvolvimento de coleções para
bibliotecas mistas: gestões de coleções a partir de uma política única para um
novo modelo de biblioteca. 2002. 69 f. Trabalho de Conclusão de curso (Graduação
em Biblioteconomia) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre,
2002.

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