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                  <text>A relevância das mídias sociais para os estudos de usuários em
bibliotecas especializadas em saúde

Leila Morás Silva (UFRGS) - leilacaxias@yahoo.com.br
Gonzalo Rubén Alvarez (UFRGS) - gonzalorubenalvarez@gmail.com
Rubens da Costa Silva Filho (UFRGS) - rubens.silva@ufrgs.br
Resumo:
A evolução tecnológica da Internet e suas ferramentas vêm se propagando em diferentes tipos
de dispositivos eletrônicos, passando pelos tradicionais computadores pessoais, smartphones e
smart TVs, contribuindo significativamente para o aumento e transformação do acesso ao
conhecimento, a inclusão social por meio da alfabetização tecnológica e a interatividade
instantânea. A pesquisa desenvolvida é um estudo de caso sobre a Biblioteca da Escola de
Enfermagem (BIBENF) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Com uma
proposta exploratória da realidade quanto à abordagem, a pesquisa possui um caráter
quali-quantitativo Foram utilizados dados disponibilizados pelo instrumento webmétrico do
próprio Facebook para levantar evidências sobre o comportamento informacional dos usuários
junto à fanpage da unidade de informação. O período analisado foi de 01 de janeiro de 2016 a
31 de dezembro de 2016. Durante o período analisado, a BIBENF realizou um total de 586
postagens em sua fanpage no Facebook. Quanto às atividades realizadas pelas conexões nas
postagens da biblioteca na rede social, verificou-se um total de 895 atividades de engajamento
dos seguidores. A ferramenta métrica do Facebook também permitiu a biblioteca descobrir
dados como sexo, faixa etária e a localização geográfica de suas conexões. A pesquisa
conseguiu demonstrar a efetividade da utilização de mídias sociais por parte da biblioteca
universitária híbrida no estudo de usuários em benefício do desenvolvimento de produtos e
serviços de qualidade. Portanto, estudos de usuários virtuais são importantes ferramentas de
gestão para as bibliotecas, pois permitem conhecer com antecipação as demandas
informacionais e tecnológicas dos seus usuários.
Palavras-chave: Mídias sociais. Estudos de usuários. Biblioteca especializada em saúde.
Eixo temático: Eixo 3: Gestão de bibliotecas: aquisição e tratamento de materiais no
ambiente físico e virtual, curadoria digital, coleções especiais,
desenvolvimento de serviços e produtos inovadores, bibliotecas digitais e
virtuais, portais e repositórios, acesso aberto.

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�1 INTRODUÇÃO

A evolução tecnológica da Internet e suas ferramentas vêm se propagando
em diferentes tipos de dispositivos eletrônicos, passando pelos tradicionais
computadores pessoais, smartphones e smart TVs, contribuindo significativamente
para o aumento e transformação do acesso ao conhecimento, a inclusão social
por meio da alfabetização tecnológica e a interatividade instantânea.
Uma vez, que a informação só poderia ser compartilhada de forma física,
no atual contexto tecnológico, ela pode ser armazenada, buscada, compartilhada
e comentada de forma instantânea e com maior alcance do que antes. O Comitê
Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), aponta em suas pesquisas sobre o uso das
Tecnologias de Informação e Comunicação no Brasil (TICs) pela população e por
instituições, desde 2005, uma crescente utilização de mídias sociais pela
sociedade como meio de acesso a produtos e serviços disponíveis na Internet.
Nesses ambientes virtuais, os estudos de usuários surgem como uma
ferramenta indispensável para os centros de informação. Nesse contexto de
desenvolvimento tecnológico e transformações, o objetivo deste trabalho é discutir
a relevância da Web 2.0 para os estudos de usuários em bibliotecas
especializadas na área da Saúde, investigando o comportamento informacional
dos usuários. O presente trabalho pretende contribuir para a melhoria das
ferramentas e dos produtos e serviços oferecidos pelas bibliotecas e centros de
informação.

2 REFERENCIAL TEÓRICO
Estudos de usuários se caracterizam como “[...] uma investigação que
objetiva identificar e caracterizar os interesses, as necessidades e os hábitos de
uso de informação de usuários reais e\ou potenciais de sistema de informação.”
(DIAS; PIRES, 2004, p. 11) ou ainda como um “conjunto de estudos que trata de
analisar, qualitativa e quantitativamente, os hábitos de informação dos usuários.”
(SANZ CASADO, 1994, p. 205).

�Nesse contexto, a expansão do uso de ferramentas da Web 2.0 para
publicar, compartilhar e produzir informações incentivou às bibliotecas para
utilizarem esses ambientes virtuais como canais de interação e para investigar
necessidades e comportamentos informacionais dos seus usuários. Jesus e
Cunha (2012, p. 130) reconhecem que “[...] as bibliotecas podem e devem utilizar
a Web 2.0 para oferecer produtos e serviços a seus usuários. Acompanhar a
tecnologia faz parte do processo de evolução de qualquer instituição”. Além disso,
surge como oportunidade para promover a biblioteca como instituição educacional,
compartilhando conteúdos em prol de uma maior visibilidade através da
disseminação da informação. Mídias sociais como o Facebook permitem ao
administrador da página traçar o perfil dos seus usuários, possibilitando coletar
dados acerca das características deles (sexo, idade, cidade, estado, país etc.),
além de monitorar as suas ações na página em termos de curtidas,
compartilhamentos, comentários, evidenciando o engajamento dos seguidores na
rede.
Deste modo, percebe-se que o uso de redes sociais pelas bibliotecas, além
de potencializar a interação e o estudo de usuários, permite uma maior
disseminação das informações de interesse a partir das conexões estabelecidas
com eles. A adoção de mídias sociais pelas bibliotecas, como por exemplo, em
atividades ligadas ao serviço de referência e atendimento ao público, podem trazer
maior qualidade a estes serviços agregando-lhes valor. (BARBOSA; FRANKLIN,
2011, p. 91).

3 METODOLOGIA

A pesquisa desenvolvida é um estudo de caso sobre a Biblioteca da Escola
de Enfermagem (BIBENF) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(UFRGS). Com uma proposta exploratória da realidade quanto à abordagem, a
pesquisa possui um caráter quali-quantitativo Foram utilizados os dados
disponibilizados pelo instrumento webmétrico do próprio Facebook para levantar
evidências sobre o comportamento informacional dos usuários junto à fanpage da

�unidade de informação. O período analisado foi de 01 de janeiro de 2016 a 31 de
dezembro de 2016.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Durante o período analisado, a BIBENF realizou um total de 586 postagens
em sua fanpage no Facebook. Do total de postagens realizadas pela biblioteca,
128 tiveram como tema a UFRGS (notícias sobre eventos, informações gerais
etc.). Foram realizadas 80 postagens cujo assunto tratava da biblioteca, tais como
(avisos, oferta de bolsas, eventos, treinamentos etc.). Foram postadas 136
postagens sobre a temática da Saúde, com foco nas áreas da Enfermagem e
Saúde Pública, sendo um dos objetivos de divulgação da biblioteca o de fomentar
a promoção da saúde junto a seus usuários. Também foram realizadas postagens
sobre campanhas governamentais referentes à prevenção de doenças e às
práticas de saúde, permitindo-lhe à BIBENF desempenhar um papel social junto
aos seus seguidores. Temáticas diversas foram abordadas em 242 publicações,
incluindo desde anúncios sobre oportunidades de trabalho até temas referentes à
área da Ciência da Informação e assuntos potenciais de interesse geral sobre
Política, Economia, Filosofia etc.
Quanto às atividades realizadas pelas conexões nas postagens da
biblioteca na rede social, verificou-se um total de 895 atividades de engajamento
dos seguidores. A atividade mais frequente foi o número de curtidas, 724 curtidas
nas publicações no perfil da biblioteca, representando uma média de duas curtidas
por publicação. Houve 148 compartilhamentos das postagens da BIBENF,
significando que a publicação realizada pela biblioteca foi tão relevante para o
seguidor que o mesmo compartilhou a postagem em sua própria linha do tempo.
De acordo com os resultados do estudo, metade das postagens foi compartilhada
pelos usuários, o que demonstra a relevância das informações lançadas na
fanpage da unidade de informação. Quanto aos comentários realizados pelos
seguidores da biblioteca, 23 conexões comentaram as publicações da biblioteca.
Entende-se que quanto maior for o número de comentários nas postagens maior é

�o feedback que a biblioteca recebe de quem a acessa. Os comentários permitem
que a biblioteca identifique os temas de interesse dos seus seguidores, fazendo
com que posteriores postagens tenham um enfoque maior nas necessidades
informacionais deles.
As postagens da biblioteca alcançaram em média 376 conexões no período
analisado. Outros dados complementares relevantes referem-se ao serviço de
referência virtual prestado pela biblioteca. Durante o ano de 2016 foram realizados
ainda atendimentos de referência virtual utilizando o recurso Messenger do
Facebook. Os tipos mais comuns de atendimento foram com relação a dúvidas
sobre normalização de trabalhos acadêmicos e sobre o horário de funcionamento
da biblioteca dentre outros. Durante o período analisado, a biblioteca efetivou 191
novas conexões ao seu perfil na rede social, totalizando 1370 conexões e 1352
seguidores.
A ferramenta métrica do Facebook também permitiu a biblioteca descobrir
dados como sexo, faixa etária e a localização geográfica de suas conexões. Os
dados apontaram que 35% possuem idades entre 25-34 anos, sendo 81% do sexo
feminino. Quanto a localização geográfica das conexões, 98% são brasileiras e
2% estrangeiras (16 países do exterior). Também foi constatado que 61% das
conexões são de Porto Alegre e 39% de outras cidades e Estados do País.
Percebe-se que o uso de mídias sociais em bibliotecas como, por exemplo,
o Facebook propicia o conhecimento do comportamento informacional dos
usuários, possibilitando a interação e a troca de informações entre a unidade de
informação e seus seguidores. Dentro dos estudos de usuários, tal perspectiva
permite o maior conhecimento dos perfis dos usuários das bibliotecas, podendo
ser desenvolvidos meios para possíveis mudanças ou melhorias dos serviços
oferecidos pelas unidades de informação.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que a influência das mídias sociais nos estudos de usuários
acrescenta possibilidades para conhecer melhor os usuários das bibliotecas,

�traçando seus perfis de forma mais detalhada, identificando necessidades
informacionais e compreendendo o comportamento perante a informação
divulgada pelas unidades de informação. Ao mesmo tempo, a interação entre a
biblioteca e seus seguidores é evidenciada, contribuindo para aperfeiçoamento
dos produtos e serviços oferecidos, assim como com um maior comprometimento
na disseminação da informação. A pesquisa conseguiu demonstrar a efetividade
da utilização de mídias sociais por parte da biblioteca universitária híbrida no
estudo de usuários em benefício do desenvolvimento de produtos e serviços de
qualidade. O conhecimento dos usuários reais e potenciais nas mídias sociais
possibilita também o mapeamento das necessidades informacionais deles.
Portanto, estudos de usuários virtuais são importantes ferramentas de gestão para
as bibliotecas, pois permitem conhecer com antecipação as demandas
informacionais e tecnológicas dos seus usuários, ao mesmo tempo em que
permitem direcionar os produtos e serviços oferecidos às necessidades do
público, garantindo, dessa maneira, maior eficácia e fidelização.

REFERÊNCIAS
BARBOSA, M.; FRANKLIN, S. Controle, avaliação e qualidade de serviços em
unidades de informação. In: LUBISCO, N. (Org.). Biblioteca universitária:
elementos para o planejamento, avaliação e gestão. Salvador: UFBA, 2011. p. 89137.
DIAS, Maria Matilde Kronka; PIRES, Daniela. Usos e usuários da informação.
São Carlos: EdUFSCar, 2004.
JESUS, D. L.; CUNHA, M. B. Produtos e serviços da web 2.0 no setor de
referência das bibliotecas. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo
Horizonte, v. 17, n. 1, p. 110-133, jan./mar. 2012. Disponível em:
&lt;http://www.dgz.org.br/out12/Art_03.htm&gt;. Acesso em: 12 fev. 2017.
SANZ CASADO, E. Manuel de estúdios de usuários. Madrid: Fundacion
German Sanchez Ruiperez, 1995.

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