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                  <text>INTERNET DAS COISAS (IoT) EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
BRASILEIRAS: DIAGNÓSTICO SITUACIONAL

Thiago Lima Souza (UFS) - thiagolimasouz@gmail.com
Telma de Carvalho (UFS) - carvalhotel@gmail.com
Resumo:
A internet tornou-se um marco na sociedade contemporânea e impactou as diversas áreas,
principalmente relacionadas às inovações e, nesse sentido, começa a despontar na literatura,
especialmente na internacional, a utilização de sensores e objetos inteligentes conectados a
uma rede, a chamada Internet das Coisas (Internet of Things - IoT). Compreende-se a IoT
como a tecnologia que visa interação e dinamismo na comunicação de forma inteligente e
precisa no processo de obtenção, uso, localização e recuperação da informação, por meio da
tecnologia móvel e de sensores inteligentes instalados nos diferentes dispositivos. A partir
desses avanços tecnológicos nos debruçamos na busca das possibilidades de implantação da
tecnologia IoT em bibliotecas, onde sua implantação se vislumbra através de aplicações e
ferramentas, como: RFID para atividades como inventário, controle de usuário, empréstimos,
Geolocalização dos itens, sem mencionar os óculos inteligentes que permitem gravar e
registrar eventos ocorridos, tradução simultânea de um livro, o que facilita o acesso à
informação para os portadores de deficiências. No presente artigo objetivamos trazer, à luz a
IoT e no viés da Biblioteconomia, um diagnóstico situacional sobre o conhecimento dos
bibliotecários sobre a temática, as ferramentas disponíveis e suas aplicações. Trata-se de
pesquisa exploratória e de revisão de literatura publicada sobre o tema nos canais formais e
informais de comunicação. A partir dos resultados obtidos na pesquisa pode-se observar a
fragilidade do assunto IoT na área da Biblioteconomia e Ciência da Informação, considerando
o desconhecimento dos bibliotecários quanto às possibilidades inovadoras de serviços para as
bibliotecas brasileiras.
Palavras-chave: Internet das Coisas. Bibliotecas Universitárias. Tecnologia da Informação e
Comunicação. Sensores Inteligentes. RFID.
Eixo temático: Eixo 3: Gestão de bibliotecas: aquisição e tratamento de materiais no
ambiente físico e virtual, curadoria digital, coleções especiais,
desenvolvimento de serviços e produtos inovadores, bibliotecas digitais e
virtuais, portais e repositórios, acesso aberto.

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

�XXVII Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação
Fortaleza, 16 a 20 de outubro de 2017.

Introdução
As tecnologias, desde sempre, em muito contribuíram para os avanços em
todas as áreas do conhecimento e, de maneira muito rápida mudou procedimentos e
processos, otimizando atividades e resultados. Atualmente fala-se da Internet das
Coisas (IoT) que conforme Santos et al. (2016) o termo foi utilizado inicialmente por
Kevin Ashton em 1999. Na época, a IoT era associada ao uso da tecnologia RFID e
não existiam grandes pesquisas nas áreas. Segundo Valente (2011, p.2) a IoT pode
ser entendida como “um novo paradigma que tem como objetivo mediar o espaço
existente entre o mundo real e o mundo digital, através da integração do contexto do
mundo, descrito pelo estado das coisas, em aplicações de software”. A OCLC (2015)
dedicou todo um fascículo com a temática sobre bibliotecas e IoT, o que,
conseqüentemente, trouxe inquietações, relacionadas ao seu significado para as
bibliotecas uma vez que estando todas as coisas e objetos conectados, de que
maneira isso mudaria a forma de atuar das bibliotecas?
Metodologia
Trata-se de pesquisa exploratória realizada com bibliotecários que atuam
em bibliotecas universitárias brasileiras e de levantamento bibliográfico publicado
sobre o tema, tanto nos canais formais quanto informais de comunicação.. Para
obtenção dos dados utilizou-se o questionário, elaborado a partir do Google Forms o
que possibilitou o envio de um link para que os pesquisados pudessem respondê-lo.
Foi composto por 7 (sete) perguntas, com questões abertas e fechadas e dividido em
4 (quatro) partes, sendo: a) sobre o conhecimento dos bibliotecários acerca da
Internet das Coisas; b) sobre a infraestrutura necessária, c) sobre aplicações e
ferramentas de IoT e d) obre a participação da Universidade em comitês nacionais.
Resultados e discussões
A pesquisa contou com a colaboração de 32 bibliotecários respondentes,
sendo todos de bibliotecas universitárias, discriminados a seguir: 2 (duas)
universidades da Região Norte, 5 (cinco) do Nordeste, 10 (dez) do Sul, nenhuma do
Centro Oeste e 15 (quinze) do Sudeste.
A pesquisa revelou, em relação ao conhecimento dos bibliotecários sobre o
assunto IoT que 53,1% a conhecem de forma razoável e 46,9% não a conhecem.

�Considera-se, desta maneira, que a IoT é um assunto novo e que merece maior
aprofundamento e conhecimento do bibliotecário, o que corrobora com os resultados
do trabalho da OCLC (2015).
A seguir questionou-se se os bibliotecários conheciam alguma aplicação de
IoT em bibliotecas brasileiras, onde 81,3% informaram não conhecer e 18,8%
conhecer. Dentre as aplicações conhecidas destacaram-se a RFID e a
Geolocalização. Tem-se, desta maneira, que apesar das possibilidades que a IoT
traz, ainda há um longo caminho a ser trilhado para que as bibliotecas a entendam e a
utilizem como uma ferramenta de apoio (DUTRA, 2016,PUJAR; SATYANARAYANA,
2015).
Sobre a infraestrutura necessária e, especialmente, se a universidade onde
a biblioteca está inserida teria suporte para a implementação de IoT, a pesquisa
revelou que 59,4% dos respondentes afirmaram que sim e 40,6% que não. Isso
demonstra, mais uma vez que as bibliotecas universitárias têm aporte necessário para
implementação de novas tecnologias, possibilitando o crescimento em inovação e nos
serviços prestados a comunidade acadêmica. (PUJAR; SATYANARAYANA,
2015;WÓJCIK, 2016).
Por sua vez, perguntados se a biblioteca teria condições de implantar
serviços de IoT com o apoio do setor de informática da instituição, 86,7% dos
respondentes informaram que sim enquanto 13,3% que não. Entretanto, nenhum dos
respondentes sugeriu o tipo de apoio necessário e sabe-se que para que a IoT
funcione é necessário a implementação de um servidor em nuvem, sensores, internet
de alta velocidade, política de privacidade e segurança, (ATZORI et al., 2010,GUBBI
et al. 2013).
Em relação às aplicações e ferramentas de IoT elencadas no questionário
(RFID, Google Glass e Geolocalização), os bibliotecários foram indagados se
conheciam suas possibilidades e, em caso afirmativo, quantas delas, entre: todas,
apenas duas, apenas uma ou nenhuma. Destes, 40,6% informaram que conheciam
apenas uma, 18,8% que conheciam duas, 34,4% que conheciam todas e 6,3%
nenhuma. Diante o cenário, RFID, Google Glass e Geolocalização foram indicados
como conhecidos por todas, enquanto RFID e Google Glass, foram mencionadas
como as duas ferramentas mais conhecidas, seguida de Geolocalização, como
apenas uma conhecida. Isto denota que o uso das ferramentas da IoT fortalece o
menu de serviços oferecidos dentro das bibliotecas, (STEFANIDIS;TSAKONAS, 2015,
ATZORI et al., 2010,OCLC, 2015).
A pesquisa também buscou verificar se os bibliotecários respondentes
possuíam conhecimento de outra aplicação de IoT que as bibliotecas poderiam
adaptar e utilizar em inovação de produtos e serviços, sendo obtido o resultado de
90,6% para não conhecer e 9,4% sim, sugerindo sua aplicação para inventário do
acervo, kinécts e rastreamento de itens. Esse dado demonstra que potencialmente as
bibliotecas podem se apropriar das tecnologias associadas a IoT, visto a sua
amplitude de dispositivos e possibilidades,assim vem corroborar com os trabalhos da
OCLC (2015) e de Stefanidis e Tsakonas (2015).

�Finalizando os questionamentos buscou-se verificar a participação da
universidade em comitês nacionais. Nesse caso 96,9% não participam de nenhuma
atividade nesse sentido e 3,1% informaram participar através de mailing em grupo de
discussão. O resultado demonstra a fragilidade e conseqüentemente distanciamento
no escopo da IoT, uma vez que esta participação de modo ativo, nas discussões
tendem a possibilitar melhorias nos serviços das bibliotecas, conforme salientam
Massis(2016), Pujar e Satynarayana(2015) e Wójcik (2016).
Solicitados a deixarem comentários adicionais, os bibliotecários
pesquisados salientaram a importância da discussão do assunto IoT para a
biblioteconomia e informaram que as ferramentas de Geolocalização e RFID podem
ser bastante utilizadas em bibliotecas de grande porte. Outro destaque interessante
diz respeito ao comentário sobre a percepção de que o índice de usuários está
diminuindo atualmente nas bibliotecas e que a IoT possibilitaria maior aproximação do
público com seus serviços. Os respondentes também salientaram que a IoT é pouco
utilizada no Brasil, especialmente em bibliotecas, o que vem a corroborar com o
pensamento dos autores desta pesquisa e temos aí um potencial muito grande a ser
explorado.
Conclusões
Pode-se considerar, pelos resultados da pesquisa realizada, que os
objetivos propostos foram atingidos uma vez que foi possível identificar a percepção
dos bibliotecários sobre a possibilidade de implementação e utilização dos recursos
da IoT nas bibliotecas universitárias.
Nesse cenário, foi possível verificar que o conhecimento dos bibliotecários
que atuam em bibliotecas universitárias a respeito da IoT, é insipiente e em alguns
casos inexistente, o que revela a relevância de maior exploração do tema. Em relação
à identificação de aplicações e ferramentas possíveis para uso nas bibliotecas
destacaram-se: inventário de acervo, rastreamento de itens e Kinect, na composição
de atividades nas bibliotecas. Vale ressaltar que a IoT, por sua vez, possibilita a
interação com diversas aplicações e ferramentas capazes de elevar a oferta de
produtos e serviços oferecidos e, em outros aspectos, melhorar os resultados para
processos já existentes além de disponibilizar novos meios de acesso à informação.
Finalmente, em relação ao envolvimento das universidades brasileiras em comitês
nacionais, os dados indicaram a participação de apenas uma universidade e
desconhecimento dos demais.
Por fim, pode-se concluir que dentro da seara da IoT, há muito o que se
discutir em termos de aplicações, principalmente para as bibliotecas universitárias.
Sugere-se que os bibliotecários visualizem mais fortemente o quão importante são as
tecnologias inteligentes, que tendem a cooperar para as inovações num mundo de
avalanche de dados e informações.
REFERÊNCIAS
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http://www.ala.org/transforminglibraries/future/trends/IoT. Acesso em: 10 maio 2016.

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http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1389128610001568&gt;. Acesso em:
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&lt;https://www.oclc.org/publications/nextspace/articles/issue24/librariesandtheinternetoft
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São Paulo: FEBAB, v. único, 2016. p. 86-92 (Cap.4). Disponívelem:
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MASSIS, Bruce, The Internet of Things and its impact on the library,New
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PUJAR, SHAMPRASAD M.; SATYANARAYANA, K. V. Internet of things and
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SANTOS, Bruno Pereira et al. Internet das coisas: da teoria à prática. XXXIV
Simpósio Brasileiro de Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos. Salvador, 30
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http://www.sbrc2016.ufba.br/minicurso/minicurso-1/ (Minicurso 1).
STEFANIDIS, K; TSAKONAS, G. Integration of Library Services with Internet of
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Disponivel em:http://search-ebscohostcom.ez20.periodicos.capes.gov.br/login.aspx?direct=true&amp;db=lih&amp;AN=111927101&amp;lan
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VALENTE, B. A. L. Um middleware para a Internet das coisas. (Mestrado em
Informática. Departamento de Informática. Faculdade de Ciências). Universidade de
Lisboa, 2011.
WELBOURNE, Evan et al. Building the Internet of Things Using RFID The RFID
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