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                  <text>A CONTRIBUIÇÃO DO “ESPAÇO CULTURAL NOSSA BIBLIOTECA”
PARA O DESENVOLVIMENTO SOCIOCULTURAL DA COMUNIDADE
DO GUAMÁ EM BELÉM DO PARÁ

Mariza de Nazaré Rodrigues Da Costa (UFPA) - mariza.costa@yahoo.com.br
LETÍCIA LIMA DE SOUSA (UFRA) - llsleticia.sousa@gmail.com
Resumo:
Realiza um estudo de caso no serviço “Círculo da leitura” oferecido à comunidade do bairro do
Guamá, em Belém do Pará, no “Espaço Cultural Nossa Biblioteca”. Mostra a contribuição
desta biblioteca comunitária para o desenvolvimento sociocultural do usuário. É uma pesquisa
de natureza qualitativa. Utiliza a observação não participante para verificar se a biblioteca
comunitária tem cumprido seu papel de formação social e cultural da comunidade na qual está
inserida. Realiza o relato de experiência para mostrar de que forma a biblioteca tem
contribuído para a sua formação sociocultural. Conclui que o “Espaço Cultural Nossa
Biblioteca” contribui para o desenvolvimento social e cultural da comunidade do bairro do
Guamá na qual está inserida.
Palavras-chave: Biblioteca comunitária. Formação Social – Comunidade do Guamá. Formação
cultural - Comunidade do Guamá.
Eixo temático: Eixo 4: Bibliotecas para todos: Acessibilidade para pessoas com deficiência,
inclusão social, enfoque de gênero, bibliotecas como espaço de
aprendizagem. Biblioteconomia Social.

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�1 INTRODUÇÃO
A biblioteca deve ser vista como um local interativo e dinâmico com atividades
bem diversificadas, tais como: apresentação de palestras, debates, congressos, hora do
conto, encontro de escritores e especialistas de diferentes áreas, para informar aos
usuários assuntos relevantes, sobre saúde, legislação, estética, meio ambiente, dentre
outros.
Com base nestas considerações, é importante dizer que a biblioteca deve
desempenhar seu papel de forma mais significativa na sociedade e, assim a mesma deve
ser considerada como centro sociocultural, responsável pela inclusão social, bem como
a formação do usuário como cidadão ciente dos seus direitos e deveres.
Convêm ressaltar que o interesse de falar acerca do assunto surgiu, motivado
pela observação das diversas atividades desenvolvidas no Espaço Cultural Nossa
Biblioteca (ECNB), uma biblioteca comunitária localizada no bairro do Guamá, situada
na cidade de Belém do Pará, a qual disponibiliza a comunidade, serviços que estimulam
à leitura e também à cultura, visando formar uma comunidade de leitores.
Neste sentido, foi escolhida, como problematização, a seguinte pergunta: a
biblioteca tem cumprido o seu papel social e cultural na comunidade onde está
inserida? Sendo assim para responder a esta indagação foi feito um relato de
experiência ao longo de um semestre no círculo de leitura, um dos serviços oferecidos
pelo ECNB, para verificar se a biblioteca contribui, realmente, para o desenvolvimento
social e cultural do seu público alvo, a comindade do bairro do Guamá.
O objetivo geral do trabalho é identificar a contribuição do ECNB, para a
formação sociocultural do usuário. Já no que diz respeito aos objetivos específicos:
a) Identificar a importância de uma biblioteca interativa e dinâmica;
b) Mostrar como funciona o serviço círculo de leitura que o ECNB oferece à
população;
c) Verificar a contribuição do ECNB para o desenvolvimento social e cultural da
comunidade atendida.
2 BIBLIOTECA COMUNITÁRIA
Existem diferentes tipos de bibliotecas, tais como: universitárias, comunitárias,
especializadas, públicas, etc. Cada uma delas tem sua função e importância no ambiente
onde atua, podendo servir tanto a um público mais amplo, como também, mais
segmentado. No trabalho focou-se a atenção, particularmente, no papel da biblioteca
comunitária, pois conforme Blank e Sarmento (2010) uma das principais características
desta biblioteca é a proximidade com a comunidade usuária a qual serve. E, além disso,
para Queiroz (2006, p.33) “A biblioteca comunitária deve ser vista como instrumento
capaz de atender e dar suporte cultural diante da complexidade socioeconômica, politica
e educacional, [...]”.
Partindo destas considerações iniciais, a biblioteca comunitária segundo Blank e
Sarmento (2010) pode ser entendida como espaços localizados, geralmente, em bairros
pobres ou situadas em regiões periféricas de nosso país, tendo como principal finalidade
proporcionar à população carente e excluída o acesso à informação, cultura e lazer,
sendo um excelente espaço para a inclusão social. Os autores também destacam que a
administração da biblioteca comunitária é feita pelos próprios membros da comunidade,
a maioria delas não têm o patrocínio do governo, nem a presença do bibliotecário.
Wessfll (2011, p. 24) tem a seguinte concepção sobre a biblioteca comunitária:

�Finalmente, entendemos que as bibliotecas comunitárias constituem-se em
mais do que uma nova tipologia de unidade de informação, que pretende
propiciar acesso aos mais variados tipos de informação em comunidades
carentes, periféricas, excluídas. As bibliotecas comunitárias são o resultado
da união de um grupo de pessoas, que em uma iniciativa local, sem apoio
governamental, desejam a criação de um espaço, que intenta a autonomia do
indivíduo, bem como a sua dignidade, participação e emancipação social.

Então, neste sentido, a criação da biblioteca comunitária é considerada um
fator decisivo para a redução das desigualdades sociais, pois ela tornou-se um meio
encontrado pelas classes baixas para aprendizagem e lazer promovendo assim, a
diminuição de qualquer forma de exclusão social:
As relações que permeiam as bibliotecas comunitárias e a cidadania são
aquelas que visam à inclusão social do individuo, seja conscientizando-o dos
seus direitos e deveres ou fomentando a sua participação na sociedade, seja
auxiliando-o na melhoria da educação formal ou construção de sua identidade
coletiva. (WESSFLL, 2011, p. 32).

A autora citada faz uma relação entre a biblioteca comunitária e a construção
da cidadania, por meio das ações sociais e culturais desenvolvidas nestas instituições,
alcançando assim, as pessoas mais pobres e sem acesso à informação utilitária,
educação básica, cultura geral e lazer.
Wessfll (2011) lista algumas ações praticadas pela biblioteca comunitária que
auxiliam na formação do cidadão, tais como: atividades de leitura, contação de histórias
para o público em geral, aulas de reforço escolar, reuniões com o propósito de discutir e
resolver problemas frequentes na comunidade como: saúde, educação, segurança,
transporte público, saneamento básico, dentre outros e mutirões variados (limpeza do
bairro, casamento coletivo, vacinas para prevenir doenças, preparação de documentos
dentre outros).
Para Laipelt et. al. (2005) a biblioteca comunitária, enquanto instituição social
tem a responsabilidade de promover a transformação da comunidade onde está
localizada, através do livre acesso aos recursos informacionais. É importante apresentar
as seguintes atividades desenvolvidas neste tipo de biblioteca: serviços culturais aos
membros da comunidade (teatro, aulas de músicas, oficina de artes, entre outros),
incentivo ao voluntariado, doações e estímulo à cultura e transformação social (a
diminuição do analfabetismo funcional, a inclusão digital, a criação de uma identidade
cultural, etc.), parcerias com entidades públicas e particulares com intuito de intensificar
os trabalhos desses centros comunitários.
Machado (2008) fala acerca da dificuldade em definir a expressão biblioteca
comunitária, porque este espaço tem sido visto pela população como se fosse
semelhante à biblioteca pública. No entanto, a mesma autora destaca as principais
diferenças entre as bibliotecas públicas e comunitárias. Enquanto as bibliotecas públicas
são mais rígidas, dependentes e burocráticas, as comunitárias são mais flexíveis,
autônomas e dinâmicas. Neste sentido, as comunitárias têm mais possibilidades de se
adequarem e satisfazerem as reais necessidades dos usuários, observando mais as
questões sociais do que os procedimentos técnicos.

�3 RELATO DE EXPERIÊNCIA NO CÍRCULO DE LEITURA DO ECNB
Este relato foi desenvolvido a partir de uma experiência realizada no círculo de
leitura, um dos muitos serviços oferecidos pelo ECNB. O primeiro semestre do círculo
de leitura teve inicio no dia 27 de fevereiro de 2016 e o seu término no dia 11 de junho
do mesmo ano, o relato de experiência abrange este período. O referido serviço é
oferecido pelo ECNB para a comunidade onde está inserida bem como, a quaisquer
outras pessoas que moram em lugares mais distantes. As equipes de trabalho que
participaram da mediação de leitura são formadas por voluntários que têm a
responsabilidade de mediarem às histórias contidas nos livros para o público leitor.
As turmas foram divididas por faixas etárias dos 7 aos 17 anos. Os encontros
com os leitores são feitos aos sábados a cada 15 dias, o horário de funcionamento é de 9
às 11 da manhã, com atividades lúdicas e empréstimos de livros, e cada leitor tem a
tarefa de ler o livro em casa e no próximo encontro fazer comentários a respeito do
assunto tratado na obra, como por exemplo: a experiência com a leitura, o autor, o
título, o resumo, ilustrador, dentre outros aspectos. Logo a seguir fazem as tarefas
propostas pelos mediadores e ao final dos trabalhos as crianças lancham e retornam as
suas casas.
Antes de iniciar as atividades, foi desenvolvido um planejamento do círculo de
leitura com as diretrizes gerais servindo como base para as práticas de leitura, o plano
também tem como objetivo geral:
1. Proporcionar a reflexão crítica acerca do tema proposto e o seu papel individual em
relação a sua inserção na sociedade atual, ressaltando seus aspectos positivos no
âmbito das relações interpessoais e construção do mundo.
Objetivos específicos:
1. Mediar livros presentes no acervo.
2. Relacionar textos transversais aos textos literários e não literários promovendo
debates para o desenvolvimento de suas capacidades críticas, de modo a possibilitar
novos horizontes da criticidade.
3. Dimensionar participação em relação aos temas expostos e seu desenvolvimento na
leitura e suas buscas literárias.
Em relação à experiência no círculo de leitura, foi escolhida a turma da faixa
etária de 10 a 11 anos (fotografia 1), o quantitativo de alunos matriculados foi de 15
crianças. No entanto, frequentavam as atividades, geralmente, sete a doze deles. Nos
dias marcados para o círculo foram desenvolvidas diferentes atividades de incentivo a
leitura, nas quais aconteciam às rodadas de leitura com todas as crianças que levavam os
livros para lerem em seus lares e, posteriormente, relatavam o seu entendimento a
respeito do material. Depois do comentário de cada leitor, os mediadores começavam a
ler os livros que, comumente, falavam sobre assuntos da nossa região, como lendas
típicas da Amazônia, como por exemplo, a obra intitulada: “A árvore de tamoromu” e
outras narrativas que contam os costumes dos povos indígenas.

�Fotografia 1 – Turma de 10 a 11anos

Fonte: ECNB (2016).

O dia da mulher foi lembrado no círculo de leitura com conversas e debates
feitos com os alunos para falar sobre o papel da mulher na sociedade e na família. Eles
relataram um pouco da vida das mulheres de suas famílias, contando como é a
convivência com suas mães, irmãs, tias e avós, no que elas trabalham, se é dentro ou
fora de casa, e se eles ajudam com os afazeres do cotidiano familiar. Logo após a roda
de conversa foi realizada a leitura de um texto que falava da origem do dia 8 de março,
comentando com os alunos o que os fatos retratados no texto representavam para aquela
sociedade e para a nossa nos dias de hoje e foram também dados exemplos de algumas
mulheres que marcaram a história, todos participaram com entusiasmo.
Em uma determinada atividade utilizou-se a literatura de cordel como uma
forma das crianças se envolverem com a poesia popular, e mostrar a eles que também
em nossa região existem cordelistas (poetas populares) como é o caso de Juraci
Siqueira, inclusive utilizou-se um dos seus poemas denominado “o chapéu do boto”
como base para a mediação e foram desafiados a lerem as poesias de maneira rápida e
cantada. Foi realizada declamação de poesias de diversos escritores conhecidos.
Após a mediação as crianças tinham tarefas práticas a realizar aplicando-se
atividades didáticas, a fim de ajudá-las no seu aprendizado. Em uma delas eles
receberam uma folha com a orientação para escrever um final da história contada na
mediação, ou seja, eles deveriam criar a conclusão de uma história com suas próprias
palavras, além disso, tinha interpretação de texto, criação de bilhetes, exercício com
pinturas, palavras cruzadas, dentre outras. No final as crianças escolhiam, livremente,
os seus livros preferidos nas estantes da biblioteca para emprestá-los, eram os
mediadores de cada classe que faziam o registro de empréstimos dos alunos.
Observou-se o envolvimento de todas as crianças nas atividades, existiam
crianças mais participativas e também as mais tímidas, contudo estimulou-se a presença
de todas nas tarefas do círculo de leitura. Convém citar que certa criança da idade de 11
anos, em uma das atividades não queria ler, só depois se descobriu que a mesma não
sabia. Então os mediadores discutiram entre si, em reuniões acerca da importância do
letramento para estes pequenos leitores, com intuito de estimulá-los a ler e escrever
adequadamente, pois foram observadas dificuldades escrita durante as tarefas práticas
como, por exemplo, ter de se comunicar por meio de bilhetes, ou cartas.
Na última atividade do círculo de leitura realizaram-se exercícios baseados no
“sítio do pica pau amarelo”, de Monteiro Lobato, tais como: interpretação de texto,
pintura e palavras cruzadas, todos sobre as personagens da obra. Mas tiveram menor
tempo para concluir os trabalhos, pois na última hora foi realizada uma contação de

�história, com um contador profissional que viaja pelo Brasil, conhecido por Joca
Monteiro, o qual deixou todos os ouvintes fascinados, crianças, adolescentes e adultos.
Assim finalizou-se o primeiro semestre do círculo de leitura no ECNB.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por meio do relato de experiência no círculo de leitura foi possível perceber que
este espaço é um exemplo de uma biblioteca que se preocupa com a formação social e
cultural do seu usuário. Também, notou-se que no momento não existe a presença do
bibliotecário no ECNB. Sendo assim, é fundamental maior participação do profissional
nas bibliotecas comunitárias aplicando seus conhecimentos e ao mesmo tempo,
adquirindo valiosas experiências ao trabalhar em conjunto com a comunidade.
Constatou-se, no decorrer do semestre, que as crianças com mais facilidade com
a leitura e escrita, também eram mais comunicativas e interativas, eram justamente
aquelas que já frequentavam o círculo de leitura há bastante tempo. Todavia,
percebemos que os novos alunos que começaram a participar recentemente das
atividades de leitura, tiveram uma atuação mais tímida nas tarefas do círculo. Observouse como é importante que as crianças se expressem de maneira espontânea nas
atividades de leitura colocando seu ponto de vista sobre a temática apresentada, ou seja,
de forma convidativa e sem interferência dos mediadores da leitura.

REFERÊNCIAS
BLANK, Cintia Kath; SARMENTO, Patrícia Souza. Bibliotecas comunitárias: uma revisão de
literatura. Biblionline, João Pessoa, v. 6, n.1, p. 142-148, jan./jun. 2010. Disponível em:
&lt;revihttp://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/biblio/article/view/4909&gt;. Acesso em: 8 jan. 2016.
LAIPELT, Rita do Carmo Ferreira et al. Biblioteca comunitária e telecentro: unidos na busca da
inclusão social. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA,
DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 21, 2005, Curitiba. Anais... Porto
Alegre: Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, 2005. Disponível em:
&lt;http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/10286&gt;. Acesso em: 4 jan. 2016.
MACHADO, Elisa Campos. Bibliotecas comunitárias como prática social no Brasil. 2008.
184 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) - Escola de Comunicações e Artes,
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008. Disponível em:
&lt;http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27151/tde-07012009-172507/pt-br.php&gt;. Acesso
em: 8 jan. 2016.
QUEIROZ, Antônia Maria Carvalho de. A biblioteca, uma organização sociocultural e
instrumento a serviço da educação e cidadania. 2006. 53 f. Monografia (Especialização em
Metodologia da Educação Superior) – Faculdade Batista Brasileira, Salvador, 2006.
WESSFLL, Cyntia Silva. Bibliotecas comunitárias e cidadania: uma aproximação teórica.
2011. 44 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Biblioteconomia) – Faculdade de
Biblioteconomia e Comunicação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre,
2011. Disponível em: &lt;http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/37502&gt;. Acesso em: 5 jan.
2016.

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