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                  <text>Comunicação acessível aos usuários surdos e com deficiência
auditiva em bibliotecas: uma análise das normas brasileiras

Sulamita Nicolau de Miranda (UFRJ) - sulamitandmiranda@gmail.com
Resumo:
Aborda a comunicação visual em bibliotecas de forma a atender aos usuários surdos e com
deficiência auditiva. Analisa a questão da sinalização em bibliotecas a partir das normas da
Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT – NBR 15599/08 e NBR9050/15 e do
documento Fortalecimento de Bibliotecas Acessíveis e Inclusivas (Manual orientador). O
objetivo do estudo é reunir os aspectos comuns das referidas normas facilitando aos
profissionais da informação a organização, planejamento e implantação de projetos de
sinalização em bibliotecas. Conclui-se que adoção da sinalização adequada permitirá aos
usuários surdos e com deficiência realizarem suas pesquisas com autonomia garantindo-lhes o
acesso à informação.
Palavras-chave: Comunicação visual ; Acessibilidade comunicacional; Acessibilidade em
bibliotecas; Usuários surdos; Comunicação acessível
Eixo temático: Eixo 4: Bibliotecas para todos: Acessibilidade para pessoas com deficiência,
inclusão social, enfoque de gênero, bibliotecas como espaço de
aprendizagem. Biblioteconomia Social.

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�Introdução
A surdez e a deficiência auditiva são consideradas deficiência sensorial,
porque ocorre “perda da capacidade de receber mensagens por um, ou mais
de um, dos órgãos de percepção [...]” (ABNT, 2008, p. 2).
Essa definição remete à reflexão de como as pessoas surdas e com
deficiência auditiva percebem o mundo sem a presença do som em uma
sociedade na qual a comunicação entre seus membros é majoritariamente
sonora.
De acordo com PERLIN (2013, p.56 apud SKLIAR, 2013) “[...] ser surdo
é pertencer a um mundo de experiência visual e não auditiva”.
“Os sujeitos surdos, com a sua ausência de audição e do som,
percebem o mundo através de seus olhos e de tudo o que ocorre ao redor
deles [...]” (STROBEL, 2013, p.45).
Essas citações das autoras surdas Perlin e Strobel contribuem para a
compreensão do universo das pessoas surdas e convida a refletir sobre a
questão da acessibilidade em bibliotecas, que como será apresentado nesse
estudo vai bem além das rampas de acesso na entrada.
Nesse sentido, quais medidas precisam ser adotadas pelas bibliotecas
para superar a barreira da comunicação com os usuários surdos e garantir-lhes
o acesso à informação? Há na literatura brasileira uma série de orientações
com enfoque na comunicação visual, mas qual o significado dessa
terminologia? De acordo com a NBR 15599/08 a comunicação visual ocorre [...]
“por meio de imagens e requer a percepção visual para sua recepção.” (ABNT,
2008, p.2).
O objetivo do presente trabalho é analisar normas e documentos
nacionais de forma a contribuir para com os profissionais da Biblioteconomia e
Ciência da Informação para que estes possam colocar em prática as
orientações previstas nesses documentos eliminando as barreiras de
comunicação garantindo as pessoas surdas e com deficiência auditiva a
autonomia e igualdade ao direito de acesso à informação nas bibliotecas.
Método da pesquisa
Adota-se a metodologia da análise documental para verificar as
orientações das normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas
– ABNT NBR 15599/08 e NBR 9050/15 e do recém-publicado “Fortalecimento
1

�de Bibliotecas Acessíveis e Inclusivas” (Manual orientador), doravante
designado como Manual orientador, no que se refere à comunicação visual
para garantir o acesso à informação aos usuários surdos e com deficiência
auditiva nas bibliotecas.
Resultados e discussão
A NBR 9050/15 estabelece que a sinalização “deve ser autoexplicativa,
perceptível e legível para todos, inclusive para às pessoas com deficiência.”
(ABNT, 2015, p.30).
A sinalização visual é “composta por mensagens de textos, contrastes,
símbolos e figuras.” (ABNT, 2015, p.31).
“A sinalização deve ser localizada de forma a identificar claramente as
utilidades disponíveis dos ambientes”. Devem seguir uma sequência lógica de
orientação podendo ser repetida sempre que houver alterações de direção.
(ABNT, 2015, p.32).
A sinalização deve ser posicionada a uma altura que possa ser lida com
clareza por pessoas sentadas, em pé ou caminhando e a redação dos textos
deve ser objetiva, com sujeito, verbo e predicado, na voz ativa em sentenças
afirmativas que enfatizem a sequência das ações. (ABNT, 2015, p.33).
O tamanho e a fonte das letras e números também são estabelecidos
pela NBR 9050/15. A informação visual deve ser legível e seguir padrões que
permitam a visualização e entendimento da sinalização, padrões estes
relacionados no item 5 da norma referentes ao contraste (cores do texto e
fundo), iluminação do ambiente, estilo de redação, tamanho da fonte, distância
entre outras especificações.
As placas devem respeitar os parâmetros visuais dispostos em 4.8 da
NBR 9050/2015, que dispõe sobre os ângulos de alcance visual em “diferentes
distâncias horizontais, a aplicação dos ângulos de alcance visual para pessoas
em pé, sentadas e em cadeiras de rodas.” (ABNT, 2015, p.26).
A adoção de símbolos de padrão internacional é recomendada. No caso
da surdez e deficiência auditiva, deve-se utilizar o símbolo internacional de
pessoas com deficiência auditiva “em todos os locais que se destinem
equipamentos, produtos, procedimentos ou serviços para pessoas com
deficiência auditiva [...]” (ABNT, 2015, p.41), por exemplo, identificar a
localização do intérprete de Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS com esse
sinal (item 5.3.2.8.1.6 NBR 9050/15).
2

�As orientações quanto ao desenho, posição do desenho, cores e
proporções para a representação desse símbolo estão dispostas no item 5.3.4
da NBR 9050/15 e item 6.1.3 da NBR 15599/08. Havendo a presença do
intérprete de Libras, o posicionamento desse profissional deve ser indicado
com esse símbolo, conforme o item 5.2.8.1.6 da NBR 9050/15.
A utilização de outros símbolos internacionais, tais como informação,
telefone com teclado e telefone com amplificador sonoro também é indicada
pelas referidas normas, devendo ser identificados conforme item 5.3.5.5 da
NBR 9050 (ABNT, 2015, p.43) e itens 6.2.1.1 e 6.2.1.2 e para os telefones para
surdos nos item 6.2.2.1, conforme NBR 15599/08 (ABNT, 2008, p. 23).
A NBR 15599/08 apresenta no anexo A3 alguns recursos de
comunicação visual que possibilitam a captação da mensagem por pessoas
com percepção visual, dos quais destacamos: e-mail, imagens, legendas em
texto, internet, material gráfico impresso, pictogramas com ou sem texto,
sinalização luminosa de alerta, textos escritos, telefone para surdos, webcam
etc. (ABNT, 2008, p.35-37).
Em 2016 foi publicado, pela OSCIP Mais Diferenças, o Manual
orientador e de acordo com esse documento protocolos de atendimento aos
usuários devem ser elaborados “[...], pois torna o ambiente e os serviços mais
acessíveis

a

todo

o

tempo,

e

não

em

um

único

momento.”

(FORTALECIMENTO, 2016, p. 34).
Nos diferentes espaços, as informações devem ser transmitidas por
meio de sinalizações visuais, táteis e sonoras, sendo autoexplicativas,
perceptíveis e legíveis para todos. Existem sinalizações de localização,
advertência e instrução. Recomenda-se que elas sejam complementadas com
símbolos. (FORTALECIMENTO, 2016, p. 48).
O Manual orientador indica a consulta ao site do Portal Aragonês de
Comunicação Alternativa e Ampliada – ARA SAAC1 como fonte de pesquisa de
pictogramas e imagens que facilitam a comunicação com pessoas com algum
tipo de necessidade especial.
Outra indicação importante trazida pelo Manual orientador são os
exemplos de placas de sinalização que podem ser consultados no site da Mais

1

Disponível em: &lt; www.arasaac.org&gt;

3

�Diferenças2, de forma que independentemente da “capacidade sensorial ou de
condições ambientais” a comunicação ocorra e o usuário tenha acesso aos
produtos e serviços oferecidos pela biblioteca. (FORTALECIMENTO, 2016, p.
43-44).
O item 6.4.6 apresenta a importância e as especificações da LIBRAS e o
item 6.4.7 explica as diferenças entre a legenda subtitulação e a legenda oculta
(closed caption) para as pessoas surdas.
Conteúdo audiovisual acessível é o tema do item 6.4.8 “Vídeos
acessíveis – peças audiovisuais acrescidas de legenda, audiodescrição e
interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras)” (FORTALECIMENTO,
2016, p. 94), além de aproveitar as novas tecnologias que estão à disposição
para facilitar a comunicação.
O tópico 6.5 “Como trabalhar a acessibilidade na comunicação em seu
dia a dia” apresenta como sugestão fazer uso da internet com sites que sigam
as normas de acessibilidade em ambientes virtuais. No caso das pessoas
surdas, sites com tradução em LIBRAS, links para VLIBRAS, ou uso de
tradutores automáticos de LIBRAS, por exemplo, ProDeaf e o HandTalk.
(FORTALECIMENTO, 2016, p. 110)
No item “Auxílios para pessoas surdas ou com deficiência auditiva” o
Manual orientador indica o uso de LIBRAS de forma presencial, gravada ou por
meio de interfaces (avatar, app) vários equipamentos (infravermelho, FM),
aparelhos para surdez, telefones com teclado — teletipo (TTY), sistemas com
alerta tátil-visual, entre outros.” (FORTALECIMENTO, 2016, p. 124).
Quanto ao uso de tecnologia assistiva aplicada em bibliotecas o Manual
orientador lembra que “[...] nada adianta ter os equipamentos se eles de fato
não

estão

acessíveis,

inclusive

do

ponto

de

vista

espacial.”

(FORTALECIMENTO, 2016, p. 125).
Considerações finais
Da

análise

das

normas

propostas

verificou-se

que

existem

especificações precisas que norteiam o processo de comunicação visual,
cabendo aos profissionais da informação criar meios para viabilizar na prática
essas orientações.

2

Disponível em : &lt;http://acessibilidadeembibliotecas.culturadigital.br&gt;

4

�Espera-se que a reunião dos aspectos em comum dos documentos
abordados em relação à comunicação visual possa contribuir para que os
profissionais de bibliotecas busquem elaborar os projetos de comunicação
visual que atendam as necessidades dos usuários surdos e com deficiência
auditiva, permitindo a esses usuários utilizarem a biblioteca com autonomia
para realizarem suas atividades de estudo e lazer contribuindo para a inclusão
desses usuários na sociedade garantindo-lhes o acesso à informação.
Cabe ressaltar a importância para o profissional em manter-se
atualizado, buscando cursos de capacitação e trocando experiências com seus
pares para que se possa oferecer produtos e serviços que atendam as
necessidades dos usuários.
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050.
Acessibilidade a edificações, espaço, mobiliário e equipamentos urbanos. 3.ed.
Rio de Janeiro: ABNT, 2015.
__________________. NBR 15599. Acessibilidade: comunicação na prestação
de serviços. Rio de Janeiro: ABNT, 2008.
FORTALECIMENTO de bibliotecas acessíveis e inclusivas (Manual orientador).
São Paulo: Mais Diferenças, 2016. Disponível em:
&lt;http://www.maisdiferencas.org.br/site/noticias/?id=245&gt;. Acesso em: 14 maio
2017.
PERLIN, Gladis T. T. Identidades surdas. In: SKLIAR, Carlos (org.). A surdez.
Porto Alegre: Mediação, 2013. p. 51-73.
STROBEL, Karin Lilian. As imagens do outro sobre a cultura surda. 3.ed.,
rev. Florianópolis : Ed. da UFSC, 2013.

5

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Documentação&#13;
Ciência da Informação</text>
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