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                  <text>Contar, Encantar e Educar: aprendizagem através da hora do conto
- Relato de experiência da Biblioteca do IFFAR Campus Santo
Augusto

Daniela Cristina Paulo d'Acampora (IFFAR) - daniela.dacampora@iffarroupilha.edu.br
Resumo:
Relatar a experiência vivenciada através de projeto de extensão intitulado Biblioteca em ação:
Contar, encantar e Educar, desenvolvido no Instituto Federal de Educação, ciência e
Tecnologia Farroupilha (IFFAR) através de uma de suas bibliotecas. Apresentar através do
projeto a premissa de um processo educativo, cultural e científico articulando o ensino, a
pesquisa e a extensão, proporcionando uma relação transformadora entre a instituição e a
sociedade.
Palavras-chave: Biblioteca. Biblioteconomia Social. Projeto de Extensão. Hora do Conto.
Leitura.
Eixo temático: Eixo 4: Bibliotecas para todos: Acessibilidade para pessoas com deficiência,
inclusão social, enfoque de gênero, bibliotecas como espaço de
aprendizagem. Biblioteconomia Social.

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�Contar, Encantar e Educar: aprendizagem através da hora do conto - Relato
de experiência da Biblioteca do IFFAR Campus Santo Augusto
Daniela Cristina Paulo d’Acampora1
“O livro é aquele brinquedo, por incrível que pareça, que, entre um mistério e um segredo,
põe ideias na cabeça” Maria Dinorah

1 INTRODUÇÃO
Desde a antiguidade, contar histórias está intimamente relacionado ao reunir. Através
deste costume milenar, que precede os registros impressos, nossos antepassados repassaram
tradições, costumes, e valores capazes de estimular a formação do cidadão. Logo após nosso
nascimento, o primeiro contato com o texto é feito de forma oral através da voz da mãe e
familiares através dos contos de fada, trechos da Bíblia, histórias inventadas com personagens
fictícios ou não. (ABRAMOVICH, 1993).
Contar histórias é conduzir ao universo imaginário. É uma ação socializante que
através do lúdico tem um valor formativo, pois prende a atenção de quem ouve, informa,
socializa, educa. Ao contar histórias o narrador empresta seu entusiasmo a narrativa. Sua
tarefa é escolher bem o texto e recria-lo na linguagem oral.

Ouvir histórias contribui para

formação de atitudes sociais como respeito às diferenças, solidariedade, consideração pelo
outro, além de desenvolver todo um potencial crítico. Em se tratando das crianças, já que para
ouvir histórias não existe idade, elas assimilam, aprendem e reproduzem suas vivências.
Transformam o imaginário de acordo com seus interesses e desejos.
A história permite a auto identificação, favorecendo a aceitação de situações
desagradáveis, ajuda a resolver conflitos, acenando com a esperança. Agrada a
todos, de modo geral, sem distinção de idade, de classe social, de circunstância de
vida (SILVA, 1999, p. 12).

Diante do exposto, observa-se que, através da hora do conto a criança edifica a sua
realidade. O encantamento, a magia e a fantasia das histórias favorece o desenvolvimento de
uma mente criativa e escutá-las é um incentivo para tornar-se leitor. Se as crianças ouvirem
histórias desde cedo, provavelmente despertarão o gosto pelos livros, pois farão a relação de
que para mais histórias fascinantes o endereço são estes exemplares de mistérios segredos,
romances, poemas... A procura por aquelas histórias que lhes eram contadas será inevitável.

Ah, como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas, muitas
histórias... Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter
__________

no Instituto Federal Farroupilha – Campus Santo Augusto RS. Especialista em
Educação de Jovens e Adultos com ênfase em Educação Rural. Mestranda do curso de Formação de
Educação de Adultos pelo Instituto Politécnico do Porto - Portugal
1Bibliotecária

�um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo...

(ABRAMOVICH, 1993, p.16).
A estrela do espetáculo sempre é a história. Não existe certo e errado quando o assunto
é hora do conto. O narrador vai encontrar a forma em que se sentirá confortável para estes
momentos de troca. Podem-se pontuar algumas observações para que o momento alcance os
objetivos almejados. Há quem se aproprie das histórias para transmitir conhecimentos,
enfatizar mensagens, ensinar e até mesmo corrigir. A escolha da história, o espaço, a idade e
quantidade de espectadores são os primeiros e principais cuidados para o sucesso do
momento. Ler uma história usando o livro como apoio, teatralizar, usar de tecnologias ou
simplesmente resgatar a tradição oral são formas que podem ser utilizadas, destacando a
importância da última, que em meio a tanta tecnologia dia a dia vai se perdendo. Cada
situação e cada público determinará qual forma será mais eficaz. A criança sempre sabe dar
“conta da moral da história”. O encantamento está justamente aí: contar e encantar. O que
vem depois, cada um vai criar e imaginar à sua maneira.
Quanto menor for a preocupação do narrador em “impor” seus objetivos
categoricamente, maior será sua influência ao narrar a história. A conclusão deve ficar a cargo
dos

ouvintes,

que

no

máximo,

devem

ser

questionados

sobre

como agiriam se fossem os personagens, sem que o contador aplique lições ou aponte a moral
da história (SILVA, 1999).

2 RELATO DA EXPERIÊNCIA
Pretende-se, neste artigo, relatar a experiência vivenciada através de projeto de
extensão intitulado Biblioteca em ação desenvolvido no Instituto Federal de Educação,
ciência e Tecnologia Farroupilha (IFFAR) através de uma de suas bibliotecas. O IFFAR é
composto atualmente por onze campi: Campus Alegrete, Campus Frederico Westphalen,
Campus Jaguari, Campus Júlio de Castilhos, Campus Panambi, Campus Santa Rosa, Campus
Santo Ângelo, Campus Santo Augusto, Campus São Borja, Campus São Vicente do Sul,
Campus Avançado Uruguaiana, além da Reitoria , Centros de Referência e Polos de Educação
à Distância.
O IF FARROUPILHA é uma instituição de educação superior, básica e profissional,
pluricurricular e multicampi, especializada na oferta de educação profissional e
tecnológica nas diferentes modalidades de ensino. Equiparados às universidades, os
institutos são instituições acreditadoras e certificadoras de competências
profissionais, além de detentores de autonomia universitária. (INSTITUTO
FEDERAL FARROUPILHA, [2016]).

�2.1 Local no qual a experiência ocorreu
O Projeto Biblioteca em Ação aconteceu através do Instituto Federal Farroupilha IFFAR – Biblioteca Mario Quintana - Campus Santo Augusto – Rio Grande do Sul.

2.2 Período de realização da experiência
O projeto ocorre desde o ano de 2011. Cada ano é relançado com modificações no
formato, porém, a Hora do Conto está sempre como tema central. Tendo em vista a
particularidade e detalhes de cada ano, decidiu-se aqui relatar a experiência como um todo,
desde o lançamento, a fim de proporcionar um panorama geral.

2.3 Detalhamento
A Partir do ano de 2011, através de um projeto intitulado Biblioteca em Ação: contar,
encantar e educar, a Biblioteca Mario Quintana do Instituto Federal Farroupilha - Campus
Santo Augusto incentiva a leitura e promove cultura entre as crianças e demais envolvidos do
município de Santo Augusto- RS

e região, através de contações de histórias. Os projetos

de extensão tem a premissa de um processo educativo, cultural e científico articulando o
ensino e

pesquisa proporcionando uma relação transformadora entre a instituição e a

sociedade. Em vista disto, objetivou-se auxiliar na formação de leitores em forma de lazer. O
projeto modifica-se a cada ano. Aconteceram contações nas escolas, auditórios, ao ar livre,
através da rádio local, para alunos das séries iniciais, fundamentais, adolescentes, adultos e
idosos. Levamos as histórias para a praça, APAE, feiras, semana da criança, Hallowen, dia do
livro entre outros eventos. E através de oficinas formativas, direcionadas principalmente aos
docentes da educação das séries iniciais como também monitores de Centro de referência de
assistência social e demais interessados em replicar o conhecimento para que esta arte
continue encantando, resgatando o lúdico, o gosto pela expressão oral, o gosto pela leitura.
Em sua primeira edição (2011), a ideia foi montar um grupo de contadores de histórias
com alunos do IFFAR (em sua maioria adolescentes) e servidores. Uma oficina com um
contador foi promovida para que os envolvidos fossem introduzidos neste mundo mágico.
Posteriormente, os adolescentes após escolherem, lerem, estudarem e prepararem as histórias
a serem contadas, as crianças de todas as escolas do município de Santo Augusto – RS foram
convidadas a participarem das sessões de contações. Mesmo limitando, em um primeiro
momento, a idade das crianças entre 4 a 8 anos, após a participação da escola, havia a
solicitação para que as demais também participassem. Em função de tempo e outros
compromissos dos envolvidos, nem sempre foi possível atender a todos os pedidos. Naquele

�ano, em torno de 800 crianças puderam experimentar algo tão antigo e ao mesmo tempo, para
elas tão novo, principalmente pela ausência da tecnologia.
Na sua segunda edição (2012), os contadores continuaram a atender as demandas que
não pararam mais de chegar. E, paralelamente, o projeto modificou-se. Naquele ano a
contação foi realizada em parceria com uma rádio local. Uma vez por semana, durante todo o
ano, um dos contadores comparecia em horário já destinado para a contação e uma história
era contada ao vivo, no estúdio. Quando, por algum motivo não era possível, gravávamos.
Logo após a contação, realizávamos o sorteio de livros entre os ouvintes. O alcance das
histórias, neste ano, foi ainda maior, pois cativamos os ouvintes daquela estação de rádio e
não foi incomum as pessoas de mais idade relatarem que seus filhos, netos, sobrinhos entre
outros, também já aguardavam pela hora do conto.
Em 2013 resolvemos fazer a hora do conto transmitida pela rádio local, porém com
ouvintes também assistindo as histórias de forma presencial. Para que isto fosse possível o
projeto Biblioteca em ação, de parceria com a Secretaria Municipal de Educação, mobilizou
as escolas do município e regiões vizinhas, para que, cada escola ficasse responsável por uma
contação de histórias. Após a formação através de oficinas ministradas pela bibliotecária do
IFFAR Campus Santo Augusto, cada escola escolhia o mês de sua participação. Na data
combinada a rádio comparecia na escola e transmitia dali, ao vivo, a hora do conto. Ao
mesmo tempo, em que os alunos da escola assistiam, de forma presencial a rádio transmitia
aos seus ouvintes ao vivo. Está experiência diferenciada e pouco comum, para não dizer
inédita, repercutiu de forma muito positiva, divertida e mais uma vez o alcance foi além das
nossas expectativas. Cada escola teve a liberdade de contar através dos docentes ou formar
contadores entre seus alunos.
De 2014 a 2016 o projeto acontece principalmente em outubro, mês em que a
demanda de solicitações aumenta significativamente, em função do mês da criança.
A hora do conto passou a ser vista pela sociedade como um evento tão bem aceito,
principalmente pela carência em função de tratar-se de um município de interior, onde as
opções de lazer e cultura são limitadas, que assume um patamar de espetáculo. Em virtude
desta precariedade, ofertamos além da hora do conto, uma sessão de cinema e um piquenique
nas dependências do IFFAR.
Nesta altura, os alunos que até então integravam o grupo contar, encantar educar se
formam e vão em busca de seus sonhos deixando sua contribuição através de suas narrativas.
Constituir novos grupos requer tempo e dedicação. E o tempo e demais tarefas da
biblioteca impedem que o projeto siga no formato de 2011. Porém, mesmo com apenas um

�contador (a bibliotecária), dificilmente as solicitações que surgem durante todo o ano formam
negadas.
2017 será o ano em que o Biblioteca em Ação apresentará: Biblioteca em ação Festival de Histórias. Para isto pretende-se mobilizar crianças, adolescentes e adultos e
formar novos grupos de contadores de histórias com objetivo de atender as demandas de
solicitação para esta atividade. Com isto, serão promovidos encontros para aproximar os
envolvidos com a biblioteca, com os livros e com as histórias. Através de oficinas, os grupos
serão formados e preparados. E o resultado culminará em um Festival de histórias apresentado
em outubro para as crianças do município e região.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
O envolvimento dos contadores de histórias e ouvintes resulta em incentivo à leitura e
escrita. Promove momentos de lazer e prazer proporcionado por uma arte tão antiga, e ao
mesmo tempo, pouco explorada em virtude do avanço das tecnologias. Produz integração das
escolas, organizações, comunidade e ouvintes buscando a continuidade das atividades após o
término do projeto.
Desde o seu nascimento, o Biblioteca em Ação: Contar, Encantar e Educar busca
estimular a leitura, a criatividade, a expressão corporal, o trabalho em grupo e a generosidade,
através desta nobre e mágica atividade que precede a leitura da palavra: a Hora do conto.
As bibliotecas são o coração das instituições, independente se são escolas,
universidades, institutos entre outros. E as práticas de extensão por meio de projetos como
este, caminham para auxiliar nas aprendizagens ao longo da vida, proporcionando uma
enriquecedora troca de experiências, revelando a importância das bibliotecas, como agentes
facilitadores na formação de leitores. Lendo, a sociedade tem acesso à informação, o que
permite a tomada de decisões conscientes, auxiliando na busca de vidas melhores.

REFERÊNCIAS
ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. São Paulo: Scipione,
1993.
SILVA, Maria Betty Coelho. Contar histórias: uma arte sem idade. 10. ed. São Paulo:
Ática,1999.
INSTITUTO FEDERAL FARROUPILHA. [2016]. Disponível em: &lt;
http://www.iffarroupilha.edu.br/portal?view=default&gt;. Acesso em: 29 jun. 2017.

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