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                  <text>Desvendando relações entre a Biblioteca e a sala de aula: da Série
Game of Thrones para o livro.

Rosângela Silva de Carvalho (IF Sertão-PE) - rosangelarscj@gmail.com
Antonise Coelho De Aquino (IF SERTÃO PE) - antonisecoelho@hotmail.com
ANA RITA LEANDRO SANTOS (IF SERTÃO PE) - ana.leandro@ifsertao-pe.edu.br
Resumo:
O trabalho discorre sobre as dificuldades apresentadas no âmbito escolar relacionadas à
leitura e escrita pelos estudantes na realidade brasileira. As bibliotecas e professores, em
parceria, podem contribuir para articular eventos de cunho cultural além de mediarem o
incentivo e motivação pelas variadas formas de leitura, que surgem em decorrência das
mudanças dos suportes do texto escrito. Relata a experiência da biblioteca em conjunto com
professores na organização de eventos artísticos e culturais como forma de incentivo à leitura
para toda comunidade acadêmica.
Palavras-chave: Incentivo à leitura. Biblioteca. Eventos culturais.
Eixo temático: Eixo 4: Bibliotecas para todos: Acessibilidade para pessoas com deficiência,
inclusão social, enfoque de gênero, bibliotecas como espaço de
aprendizagem. Biblioteconomia Social.

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�1 INTRODUÇÃO

Por meio de diversos estudos realizados por instituições de pesquisas e
resultados dos sistemas nacionais de avaliação são evidenciadas as dificuldades dos
jovens em suas competências no âmbito da leitura e escrita. No cenário escolar de várias
realidades brasileiras percebemos que é comum o fato de muitos alunos não gostarem
de ler. Nesse contexto, Yunes (1995) aborda que chega a ser dramático a ausência da
leitura no meio escolar e social, que muitos estudantes vão à escola para aprender a ler e
saem de lá detestando tudo o que se relaciona com ela, ou seja, o estudo, a pesquisa, a
redação, etc.
Dentro da escola, a biblioteca pode ser compreendida como uma importante
ferramenta para apoiar práticas pedagógicas que visam a cultura escrita e oral, um
espaço articulador para promoção da formação de leitores, ela é uma extensão da sala de
aula. Além de proporcionar junto aos alunos atividades direcionadas às pesquisas, o
acesso às fontes de informação, ferramentas de busca na internet, normalização de
trabalhos, entre outras, é importante ressaltar a importância do envolvimento da
biblioteca em projetos educativos na escola (CAMPELLO, 2009). A parceria entre
bibliotecário e professor é essencial nesse sentido, como agentes mediadores com o
intuito de contribuir para ampliar a formação dos estudantes.
Ao relembrarmos as cinco leis da Biblioteconomia elaboradas pelo bibliotecário
Shialy Ramamrita Ranganathan – 1. Os livros são para usar; 2. A cada leitor seu livro;
3. A cada livro seu leitor; 4. Poupe o tempo do leitor; 5. A biblioteca é um organismo
em crescimento – percebemos a sua atualidade, especialmente aqui nesse contexto, a
segunda e a terceira lei, onde estão incluídos os aspectos de incentivo à leitura. Sobre a
biblioteca como um centro social, Ranganathan (2009, p. 206) aponta que “sua
finalidade consiste em transformar não-leitores em leitores, criar e estimular o desejo
pela boa leitura e reunir o livro ao leitor.
Contudo, outro fator importante que não podemos deixar de considerar aqui são
as mudanças dos suportes do texto escrito, que acompanham as transformações e
inovações das tecnologias, assim como suas relações com um novo conceito de leitura e
de leitores que despontam. Santaella (2004) questiona o fato de que junto com estes
atuais suportes eletrônicos e estruturas híbridas do texto escrito, quais seriam as novas
disposições, habilidades e atribuições de leitura, assim também como o novo perfil do

�leitor que surge nas redes e conexões eletrônicas. É pertinente, então, ampliar o conceito
de leitura, de leitor de livros para o de imagens, de formas híbridas de signos e
linguagens, integrando nesses moldes o leitor da cidade, da TV, do cinema e do
ciberespaço. A partir de exemplos como o livro ilustrado, jornais e revistas, que
mostram as relações entre palavras e imagens, desenhos, textos e diagramações; o ato de
ler não se restringe apenas a decifrações de letras. Freire (1992, p. 19) já abordava a
respeito da temática quando dizia que “a leitura do mundo precede a leitura da palavra,
daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele.
Linguagem e realidade se prendem dinamicamente”. Dessa forma, Santaella (2004)
comenta que como o ato de ler se expandiu para outras situações, é natural que o
conceito do que seja a leitura também acompanhe essa expansão.

2 RELATO DA EXPERIÊNCIA
O Instituto Federal de Educação do Sertão Pernambucano (IF SERTÃO – PE)
encontra-se

inserido

no

semiárido

nordestino,

nas

mesorregiões

do

sertão

pernambucano e sertão do São Francisco pernambucano onde possui sete campi. O
campus zona rural está localizado no perímetro rural da cidade de Petrolina – PE,
distante 25 km do centro urbano deste município, cercado pela imensa vegetação típica
do local, a caatinga, no semiárido nordestino. É nesse ambiente que se situa a biblioteca
do campus, que atende a toda comunidade acadêmica e também a comunidade externa e
adjacências, oferecendo diversos serviços e produtos a estas.
A semana nacional do livro e da biblioteca, instituída de acordo com o decreto nº
84.631, de 12 de abril de1980, onde orienta as comemorações e festejos de caráter
cultural e popular, tem sido uma ótima oportunidade para desenvolver atividades
artísticas e educacionais na biblioteca do campus zona rural, voltadas para toda a
comunidade acadêmica. Já foram realizadas diversas atividades de cunho cultural, como
contação de histórias para jovens, exibição de filmes, painéis literários, semana do
perdão solidário e café literário. Em todos estes, as figuras da biblioteca e dos
professores foram essenciais no que tange a organização, disseminação e contribuições
culturais significativas para alcançar o objetivo desejado, que foi incentivar e motivar o
gosto pela leitura e contribuir para a formação de cidadãos críticos e criativos.

�Em sua quarta edição, o evento trouxe o café literário, com espaço destinado
para discussão acerca dos diversos gêneros literários. Foi promovido um recital de
poesias feito pelos próprios alunos, no hall de entrada do prédio, que apresentaram ao
público composições próprias e também tiveram a liberdade de escolher quais autores
poderiam se inspirar para declamar ou comentar suas obras. Foi também realizado um
bate-papo sobre a temática literária da série “Crônicas de Gelo e Fogo”, que deu origem
ao seriado televisivo mundialmente conhecido Game of Thrones, do autor George R. R.
Martin. Foram convidadas uma pedagoga e uma professora da área de agronomia,
ambas fãs e apaixonadas pela série, para conversarem sobre a trama que tem despertado
o entusiasmo de milhares de pessoas em todo o mundo. A plateia participante, formada
por alunos e professores, não desviou a atenção da apresentação, onde foram explanados
o enredo, os personagens, formas narrativas e relações entre os episódios televisivos e
os livros da série. Mesmo os que não conheciam, ficaram bem atentos à história que
contempla temas como filosofia, política, relações humanas e suas consequências, um
enredo rico com muitos detalhes técnicos, emocionais, muito conhecimento incluído
tanto na produção quanto na narrativa do livro e do seriado. Ao final, foram sorteados
entre o público os cinco volumes da série, como uma forma de estímulo à leitura entre
os participantes.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Percebemos a importância de repensar nas práticas pedagógicas na escola, que
precisam motivar o interesse do aluno pela leitura e pela escrita, quer seja o texto
literário ou não. Nessa concepção, os professores e bibliotecas que atuam juntos podem
assumir uma postura mediadora, com a finalidade de incentivar todas as formas de
leitura, a fim de contribuir para o acesso e também a escolha, pelos alunos, a uma
multiplicidade de material textual, fato capaz de influenciar a função social da leitura e
a produção da escrita na formação de leitores e escritores com perfil crítico, autônomo e
criativo.
É importante ressaltar que todos os alunos são leitores em potencial, vivem em
um ambiente multicultural e que têm acesso às mais diversas quantidades de
informações ao mesmo tempo, o aparecimento de um não exclui o outro e nem faz com
que este deixe de existir, mas sim que haja uma reciprocidade e convivência entre eles.

�Percebemos que essa ação comemorativa à semana nacional do livro e da
biblioteca, organizada pela biblioteca e professores, muito contribuiu para incentivar e
também motivar esse novo conceito de leitura e de leitor que está diante de nós e do
mundo, que lê as imagens, a TV, o cinema e o ciberespaço.

REFERÊNCIAS
BRASIL. Decreto nº 84.631, de 12 de abril de 1980. Institui a “Semana Nacional do
Livro e da Biblioteca” e o “Dia do Bibliotecário”. Brasília, DF, 1980.
CAMPELLO, B. S. Letramento informacional: função educativa do bibliotecário na
escola. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.
FREIRE, P. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez, 1992.
RANGANATHAN, S. R. As cinco leis da biblioteconomia. Brasília, DF: Briquet de
Lemos, 2009.
SANTAELLA, L. Navegar no ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. São
Paulo: Paulus, 2004.
YUNES, E. Pelo avesso: a leitura e o leitor. Letras, Curitiba, n. 44, p. 185-196. 1995

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