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                  <text>Novas tecnologias e acessibilidade nas bibliotecas do Instituto
Federal do Espírito Santo

Rosilene Supriano de Jesus Rosa (Ifes) - rosisuprianorosa@gmail.com
Resumo:
O presente trabalho analisa como as Tecnologias de Informação e Comunicação –
TIC’s estão ajudando as bibliotecas no desenvolvimento de ações que surgem como
necessárias para atender as demandas dos usuários do século XXI. Mostra como
estão sendo utilizadas pelas bibliotecas do Ifes ajudando na realização e promoção
de suas atividades, produtos e serviços e contribuindo para a inclusão de pessoas
com necessidades específicas. A pesquisa bibliográfica apresenta algumas ações
realizadas em instituições brasileiras apresentando tendências do uso das novas
tecnologias. O estudo de caso envolvendo os coordenadores das bibliotecas do Ifes
e os alunos da instituição que se declararam portadores de necessidades educacionais
específicas investiga se critérios de acessibilidade arquitetônica ou física, de
acessibilidade de conteúdo e de acessibilidade tecnológica são atendidos por suas
bibliotecas e o que vem sendo feito para melhorar esse atendimento. A pesquisa
conclui que na escola do futuro a biblioteca deve estar cada vez mais voltada à utilização
de novas tecnologias procurando atender as novas demandas informacionais
de seus usuários através de um ambiente acolhedor e de produtos e serviços inovadores.
Palavras-chave: Biblioteca. Aprendizagem. Tecnologia de Informação e Comunicação.
Acessibilidade
Eixo temático: Eixo 4: Bibliotecas para todos: Acessibilidade para pessoas com deficiência,
inclusão social, enfoque de gênero, bibliotecas como espaço de
aprendizagem. Biblioteconomia Social.

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�NOVAS TECNOLOGIAS E ACESSIBILIDADE NAS BIBLIOTECAS DO INSTITUTO
FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO
Rosilene Supriano de Jesus Rosa
Especialista pelo Instituto Federal do Espírito Santo

1 INTRODUÇÃO
Vemos, no século XXI, o rápido e enorme surgimento das Tecnologias de
Comunicação e Informação - TIC's, levando a mudanças nas áreas sociais,
econômicas, políticas, institucionais e exigindo o surgimento de um novo homem:
competente, habilidoso, criativo, inovador, interativo.
A escola, assim como o Estado, as instituições e a família são responsáveis pela
constituição desse novo indivíduo, que deverá ser capaz de, além de lidar com as
novas tecnologias, saber utilizá-las em prol de seu crescimento pessoal e
profissional de forma ética e sábia.
No entanto, o sucesso do processo de ensino-aprendizagem não depende apenas
da tecnologia: além de todo aparato tecnológico disponível, o professor, o aluno,
enfim, toda comunidade acadêmica devem fazer parte do conjunto e estar
integrados ao processo.
Reis (2014, p. 55) cita que
[...] torna-se relevante discutir a interação entre biblioteca e educação,
uma vez que se compreende que esta interação não só, beneficiaria
as áreas envolvidas como, em termos globais, se constituiria em um
importante subsídio para o processo educacional.

Este autor coloca, ainda, que os profissionais de ambas as áreas concordam com a
necessidade de reflexões dessa integração, no qual se destacam as afirmativas de
positividade quanto à importância da biblioteca no processo pedagógico, as
necessidades de interação entre educadores e bibliotecários e a oportunidade de
avanço na construção do conhecimento.
Além disso, um olhar especial deve estar voltado à acessibilidade de pessoas com
necessidades especiais. A importância da educação inclusiva para o sucesso da
integração das crianças e jovens com necessidades educacionais especiais deve
mobilizar a sociedade organizada, as instituições e os poderes governamentais a
ampliarem os conceitos e entendimentos em prol da educação, onde todos
aprendam juntos, independente das dificuldades e diferenças que possuam.
Tomando por base a forte presença das Tecnologias de Informação e Comunicação TIC's nas relações humanas do século XXI, os ambientes tecnológicos de
aprendizagem que fazem parte de uma estrutura educacional, os interesses dos
usuários deste século, como os nativos digitais, e ainda, o atendimento aos que
possuem necessidades educacionais especiais queremos investigar Qual o papel
da biblioteca na escola do futuro?
Pretendemos, através desse trabalho, analisar como as TIC’s estão sendo utilizadas
nas bibliotecas do Instituto Federal do Espírito Santo – IFES de forma a contribuir na
realização de suas atividades e promoção de seus produtos e serviços, auxiliando o
processo de ensino-aprendizagem e de construção do conhecimento, inerentes às
1

�funções educativas da biblioteca escolar e universitária. Apresentaremos, também,
as tendências na utilização de novas tecnologias em instituições brasileiras que
podem ser trabalhados pelas bibliotecas do Ifes. Pretendemos, ainda, mostrar como
está sendo o atendimento aos alunos que possuem necessidades especiais
verificando se critérios de acessibilidade arquitetônica ou física, de conteúdo e
tecnológica são atendidos em suas bibliotecas e evidenciando as tecnologias
assistivas que podem ser utilizadas.
2 OBJETIVOS
Para isso, definimos como objetivo geral: Analisar a utilização das novas tecnologias
de informação e comunicação, nas bibliotecas do Ifes, como facilitadoras do
processo de ensino-aprendizagem e do acesso dos usuários que possuem
necessidades especiais às suas instalações e às informações físicas e virtuais, além
de auxiliar no desenvolvimento e promoção de suas atividades, produtos e serviços.
E como objetivos específicos: Identificar os ambientes tecnológicos de
aprendizagem e suas características; Conhecer ações realizadas por bibliotecas
brasileiras e pelas bibliotecas do Ifes com a utilização das novas tecnologias;
Pesquisar aplicativos educacionais e de tecnologia assistivas que possam ser
utilizados em bibliotecas; Analisar critérios de acessibilidade arquitetônica ou física,
de conteúdo e tecnológicas nas bibliotecas do Ifes.
3 METODOLOGIA
Para atender aos objetivos pretendidos acima realizamos uma pesquisa bibliográfica
exploratória de abordagem quantitativa e qualitativa onde utilizamos autores na área
de Educação, Biblioteconomia e Ciência da Informação e Tecnologia. As Tecnologias
de Informação e Comunicação – TIC’s e sua utilização no cotidiano das relações
humanas são evidenciadas através de autores como Carvalho (2004), e Brito (2014).
Estes e também Caldas e Gomes (2011), Campello (2012), entre outros, nos
ajudaram a mostrar a relação da tecnologia com a educação, principalmente através
da visão desses autores sobre a situação atual das escolas brasileiras. Bernadete
Santos Campello, mestre, doutora e estudiosa da temática biblioteca escolar, em
trabalhos realizados em 2003, 2012 e em 2013 (neste junto a outros autores), além
de Corrêa et al (2002) e Mota (2006) nos ajudaram a delinear a função educativa da
biblioteca escolar e Carvalho (2004), Sanches (2013), entre outros, a função
educativa da biblioteca universitária. Para tecer considerações sobre a relação das
bibliotecas com as novas tecnologias utilizamos os autores Moran (2004), Kuhlthau
(2013), entre outros, (para falar sobre tecnologias educacionais) e Caldas e Gomes
(2011), Cunha e Cavalcanti (2008), entre outros, (para falar sobre acessibilidade e
tecnologias assistivas).
Além disso, realizamos um estudo de caso onde levantamos dados de dois públicos
diferentes: os coordenadores das bibliotecas do Ifes (o Ifes possui 21 bibliotecas,
portanto, 21 coordenadores) e os alunos do Ifes com necessidades especiais
(selecionados no Sistema Acadêmico do Ifes – semestre 2016/1). Aos
coordenadores enviamos questões referentes às atividades da biblioteca com foco
nas tecnologias utilizadas, no trabalho conjunto com os professores e questões
referentes à acessibilidade. Todos os 21 coordenadores responderam às questões
perfazendo um total de 100% da população pesquisada. Aos alunos, questões
referentes à acessibilidade arquitetônica ou física, de conteúdo e tecnológicas.
2

�Enviamos o formulário a 106 alunos aos quais tínhamos acesso aos endereços de emails e obtivemos o retorno de 30 questionários respondidos, perfazendo um total
de 28,30% da população pesquisada.
4 RESULTADOS
Atividades das bibliotecas: função educativa
Campello (2003) diz que, para auxiliar na aprendizagem, a biblioteca escolar deve
ter suas atividades centradas na leitura, na pesquisa escolar e na cultura. Quanto à
biblioteca universitária, Carvalho (2004) coloca que seu compromisso deve ser com
a produção, transmissão e socialização do conhecimento que se realiza tanto na
pesquisa quanto no ensino e extensão. Nas bibliotecas do Ifes coletamos os dados
seguintes:
- 55% das atividades – Processamento técnico
- 15% das atividades – Atividades culturais
- 30% outros
- Apenas uma biblioteca possui projetos de extensão
- Oito já participaram de projetos de outros setores
Relação biblioteca x ensino-aprendizagem
Mota (2006), Campello (2010, 2012), Campello et al (2013), Carvalho (2004),
Sanches (2013) afirmaram em seus trabalhos que, é primordial, para a biblioteca
atender a sua função educativa um trabalho conjunto entre biblioteca e a docência,
representados pelos bibliotecários, professores e equipe pedagógica. Seguem os
dados das bibliotecas do Ifes:
- 7 dos 21 coordenadores das bibliotecas participam de reuniões pedagógicas
- 15 das bibliotecas já participaram de atividades colaborativas com os professores
- mais da metade das bibliotecas nunca foi solicitado auxílio por parte dos
professores e que as atividades auxiliadas foram, em sua maioria, relacionados à
normalização de trabalhos acadêmicos e científicos.
Relação biblioteca x novas tecnologias
Tecnologias educacionais
Os autores pesquisados colocam em seus trabalhos que para a biblioteca ter uma
verdadeira aproximação com os seus usuários, além de uma prática voltada a ser
um recurso de aprendizagem ela deve estar totalmente inserida no ambiente das
novas tecnologias. Nas bibliotecas do Ifes:
- 65% não utilizam outros softwares a não ser o Pergamum
- 80% não conhecem softwares ou aplicativos que poderiam ser utilizados em
bibliotecas que tenha a aprendizagem por finalidade
- Tecnologias como redes sociais, dispositivos móveis, livros eletrônicos, repositórios
institucionais, plataforma Ead
. apenas as redes sociais são utilizadas pelas bibliotecas
Relação biblioteca x novas tecnologias
Acessibilidade e tecnologias assistivas (utilizados os critérios de acessibilidade
definidos pelo Inep no Censo da Educação Superior de 2015)

Uma atenção especial deve ser dada às questões de acessibilidade e ao processo
de inclusão na escola do futuro. Sartoretto (2011) e Caldas e Gomes (2011) falam
3

�sobre isso e colocam a importância do sistema educacional, da família, dos órgãos
governamentais de todas as esferas e, também, da sociedade em ajudar na
mobilização e sensibilização das pessoas para que um trabalho de implantação de
uma estrutura física, arquitetônica e tecnológica nas instituições possa ser realizado
de forma a atender a todos.
Acessibilidade arquitetônica ou física
- as bibliotecas do Instituto possuem ao menos um dos itens analisados;
- cinco bibliotecas não possuem nenhum item atendido.
- o item entrada/saída com dimensionamento é entendido em 14 das 21 bibliotecas.
- Infelizmente nenhuma delas possui sinalização sonora
Acessibilidade de conteúdo
- sete coordenadores declararam que suas bibliotecas não possuem itens atendidos
nesse critério
Acessibilidade tecnológica
- 17 (dezessete) coordenadores declararam que suas bibliotecas não possuem itens
atendidos nesse critério, ou seja, apenas quatro bibliotecas atende a algum item.
NAPNE
Cada campus do Ifes possui um núcleo de atendimento a pessoas com
necessidades específicas, o NAPNE que agrupam profissionais de várias áreas.
Nesse núcleo há equipamentos diversos de tecnologias assistivas como DosVox;
MecDaisy; Jaus; Virtual Vision; livros em formato digital acessível, além de outros
equipamentos. Existe ainda o FONAPNE que é um fórum por meio do qual esses
profissionais se comunicam.
Algumas sugestões dos alunos
- Livros de literatura em Braille ou com letras ampliadas
- Ledor ou acervo em formato de vídeo/ áudio
- Aparelho que traga livro até o alcance do cadeirante
- Sinalização com relevos táteis e com placas em Braille
- Software pra atendimento a disléxico e pessoas que possuem discalculia
5 CONCLUSÕES
Apesar da atuação do NAPNE na instituição, nas bibliotecas do Ifes, muito ainda
deve ser realizado para torná-las realmente acessíveis no que diz respeito à
infraestrutura física, de conteúdo e tecnológica, conforme critérios de acessibilidade
definidos pelo Inep no Censo da Educação Superior de 2015.
Com tudo isso, concluímos que na escola do futuro as bibliotecas devem, aliadas às
novas tecnologias de comunicação e informação:
- Modernizar suas atividades, produtos e serviços para se manterem atraentes aos
usuários deste século;
- Facilitar o processo de ensino-aprendizagem tornando-se, realmente, um recurso
pedagógico junto à equipe pedagógica da escola;
- Preocupar-se com as questões de acessibilidade de forma a melhorar as
condições arquitetônicas, de conteúdo e tecnológicas em sua estrutura.
REFERÊNCIAS
CALDAS, Wagner Kirmse; GOMES, Vitor. Acessibilidade e informática na escola
inclusiva. p. 187-204. In: NOBRE, Isaura Alcina Martins (org.). Informática na

4

�educação: um caminho de possibilidades e desafios. Serra, ES: Instituto Federal do
Espírito Santo, 2011. cap. 8, p. 187-204.
CAMPELLO, Bernadete Santos. Situação das bibliotecas escolares no Brasil: o que
sabemos? Bibl. Esc. em R., Ribeirão Preto, v. 1, n. 1, p. 1-29, 2012. Disponível em:
&lt;www.revistas.usp.br/berev/article/view/106555/105152 &gt;. Acesso em: 04 maio
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______. A função educativa da biblioteca escolar no Brasil: perspectivas para o seu
aperfeiçoamento. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA
INFORMAÇÃO, 5., 2003, Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte: Escola de Ciência
da Informação da UFMG, 2003. Disponível em:
&lt;http://www.ancib.org.br/media/dissertacao/ENAN054.pdf&gt;. Acesso em: 20 abr.
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CARVALHO, Isabel Cristina Louzada. A socialização do conhecimento no espaço
das bibliotecas universitárias. Niterói: Intertexto ; Rio de Janeiro: Interciência,
2004.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO
TEIXEIRA. Censo da Educação Superior 2015. Disponível em:
&lt;http://sistemascensosuperior.inep.gov.br/censosuperior_2015/&gt;. Acesso
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REIS, Alcenir Soares dos. Biblioteca e educação em interlocução: repatriar
luz/esperança. Perspect. ciênc. inf.; 19(spe); 48-63; 2014-12. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S141399362014000500006&amp;lang=pt&gt;. Acesso em: 04 maio 2015.
SANCHES, Tatiana Luena Baptista e. O contributo da literacia de informação
para a pedagogia universitária: um desafio para as bibliotecas acadêmicas. Tese
orientada pelo Professor Doutor Justino Magalhães, especialmente elaborada para a
obtenção do grau de Doutor em Educação, na área de especialidade de História da
Educação. 302p. 2013. p. 77-89. Disponível em:
&lt;http://oasis.ibict.br/vufind/Record/RCAP_ba9a9bf9205ca2eaf7f2ac56529b2d18&gt;.
Acesso em: 04 maio 2016.
SARTORETTO, Mara Lúcia. Os fundamentos da educação inclusiva. 2011.
Disponível em: &lt; http://assistiva.com.br/Educa%C3%A7%C3%A3o_Inclusiva.pdf&gt;.
Acesso em: 05 jun. 2016.
SISTEMA ACADÊMICO DO IFES. Q-Acadêmico 3.0.

5

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