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                  <text>O papel social das bibliotecas do Senac SP
Vera Lucia Marques (SENAC SP) - veracantoia@gmail.com
Ana Claudia Martins Rosa (Instituição - a informar) - ana.mrosa@sp.senac.br
Gilberto Bazzarelo Caires de Lima (Instituição - a informar) - gilberto.bclima@sp.senac.br
Izete Malaquias Silva (SENAC) - izete@sp.senac.br
Cristiane Camizão Rokicki (Instituição - a informar) - ccamizao@sp.senac.br
Ana Martins Rosa (SENAC SP) - ana.cmrosa@sp.senac.br
Resumo:
Este relato expõe como bibliotecas institucionais podem promover inclusão social por meio de
suas ações culturais. Apresenta cinco relatos de experiência de ações culturais de cunho
social, realizadas por diferentes bibliotecas da rede Senac SP. Considera que ações de cunho
social, promovidas pelas bibliotecas auxiliam no desenvolvimento de uma sociedade melhor e
criam possibilidades para consolidar as estratégias e a missão institucional.
Palavras-chave: bibliotecas; ação cultural; inclusão social; Senac São Paulo
Eixo temático: Eixo 4: Bibliotecas para todos: Acessibilidade para pessoas com deficiência,
inclusão social, enfoque de gênero, bibliotecas como espaço de
aprendizagem. Biblioteconomia Social.

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�XXVII Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação
Fortaleza, 16 a 20 de outubro de 2017.

INTRODUÇÃO
Em um panorama onde se discute o papel das bibliotecas para o desenvolvimento
sustentável, é importante a reflexão sobre o alcance das ações culturais, enquanto
movimentos que promovem o acesso à cultura, a aprendizagem e a sociabilidade.
Sobremaneira, dentro de ambientes institucionais e educacionais, onde o papel social
das bibliotecas tem potencial para ser consolidado e instituído.
Por exercer o papel fundamental de tornar disponível o conhecimento à sua
comunidade, as bibliotecas hoje tem o desafio de otimizar seu universo informacional e
tecnológico e também de abrir suas portas às questões sociais, desenvolvendo por
meio de ações, um canal de acesso igualitário a todos.
Entendendo comunidade como grupos com interesses em comum, no local onde
moram, na escola, ou na organização onde trabalham, Lankes, (2019 p.67) nos
esclarece que esses grupos esperam que as bibliotecas sejam “espaços para criação e
compartilhamento de conhecimento, não somente um espaço para consumo e
empréstimo de livros”.
Cientes do quadro social dramático, onde a sociedade precisa cada vez mais de
acesso à informação e a cultura para superar carências, algumas instituições
consideram e ressaltam o papel social das bibliotecas, além de suas funções
educativas e informacionais para que, conforme ressalta Milanesi (1990 p. 89), elas
possam estar “assentadas da na ideia de educação como fator de segurança para o
indivíduo na sociedade e para a sociedade como um todo, inclusive garantida pela
Constituição”.
O Senac São Paulo estimula que suas bibliotecas sejam como laboratórios e espaços
de aprendizagem, que possam exercer na vida do cidadão um papel importante
diminuindo lacunas deixadas pela sociedade. A rede de bibliotecas do Senac São
Paulo, que é composta por 57 unidades, tem por objetivo ser um ambiente de
desenvolvimento educacional e cultural e este trabalho relata, por meio de alguns
exemplos, o que tem sido feito pelas bibliotecas desta rede para alcançar a sua
missão institucional de proporcionar um ambiente de aprendizagem e de acesso
democrático à informação, contribuindo para a inclusão social e cultural do cidadão.

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Fortaleza, 16 a 20 de outubro de 2017.

RELATOS DE EXPERIÊNCIA
1. Bibliodiversidade
Em setembro de 2016, na biblioteca do Senac Unidade Francisco Matarazzo, foi
promovida como ação cultural aberta e gratuita, uma roda de conversa com o tema
Bibliodiversidade. Fizeram parte da roda de conversa para contar suas experiências os
convidados Lindalva Feitosa, representante de um coletivo editorial da periferia
chamado ​Me Parió Revolução​, que edita livros artesanais, Cesar Mendes, filósofo e
fundador da editora-livraria-biblioteca ​Filoczar​, Ubirajara Dias de Melo, representante
da ​Editora Senac, Sueli Nemen Rocha, docente na área de Educação no Senac;
Guilherme Fuoco, autor independente, que editou um livro através de Crowdfunding.
Estiveram presentes também profissionais de bibliotecas, alunos e ex alunos da
Unidade, além de pessoas da comunidade.
Com a contribuição de todos os presentes a roda de conversa levantou assuntos
como a produção e distribuição de livros por pequenos e grandes editores; Sobre como
são publicados os livros e literaturas de autores das comunidades de periferia, qual a
representatividade destas obras e como elas são acessadas. Discutiu-se sobre o papel
das bibliotecas e profissionais em relação a Bibliodiversidade que é um dos pilares do
PMLLLB (Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas) que em São Paulo
tornou-se a Lei 16.333/2015.
Ao obter conhecimento sobre o mundo editorial, sobre como a cultura de
diversos países e comunidades são representadas pelo livro, a responsabilidade sobre
aquisições para o acervo e as ações de incentivo à leitura ganham força, e ampliam o
olhar para a necessidade de representatividade cultural, social e ideológica entre as
publicações que são disponibilizadas nos acervos.
2. Sarau
No mês de maio de 2017, na biblioteca do Senac Unidade Penha, foi promovida
uma ação cultural cujo tema foi sarau com temática na periferia. Para esta ação foi
convidado o Sarau dos Mesquiteiros, grupo de adolescentes e jovens da Zona Leste de
São Paulo, que por meio do Sarau espalham a arte e a cultura da periferia pela cidade.
O evento cultural, gratuito, foi aberto à comunidade e contou com participação ativa de
jovens aprendizes do Senac Penha, alunos de cursos técnicos e livres, docentes,
funcionários e estudantes de uma ETEC ( Escola técnica estadual) da mesma região.
O escritor e historiador Rodrigo Ciríaco, que idealiza projetos de sarau, com
objetivo de disseminar a arte sobretudo em escolas públicas das periferias paulistanas,
também foi convidado e puxou o coro junto com o grupo e foram recitados poemas,
poesias, todas em torno de temas como o empoderamento feminino, a crítica social e
aguda ao machismo, a lógica do consumo, o combate à misoginia e ao quadro político
atual que realça as diferenças entre opressor e oprimido.

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Os jovens do Sarau dos Mesquiteiros sortearam livros de própria autoria para o
público e o ponto alto da ação se deu quando alunos, docentes e funcionários não
exitaram em empunhar o microfone para darem seus recados, com teor transformador.
Ações culturais dessa natureza, faz despertar nos profissionais da informação e
mediadores de leitura um olhar mais crítico e levanta o questionamento sobre o que
seria um acervo ideal, voltado para as características do público que se atende. Diante
dessa inquietude, percebeu-se um aumento da demanda entre os jovens da unidade
Penha por livros de literatura marginal-periférica o que acabou por forçar a revisão da
política de aquisição e desenvolvimento de coleções. Essa situação possibilitou a
incorporação de livros dessa temática ao acervo. Portanto, ações culturais podem e
devem visar o incentivo a leitura, o estímulo pela escrita e a difusão literária e poética.
3. A comunidade e suas diversidades acolhidas na biblioteca
Desde 2011, quando foi inaugurada a Biblioteca do Senac Unidade Aclimação,
ela possui uma sala de Acessibilidade para o atendimento à pessoa com deficiência
visual, que tem o objetivo de dirimir as barreiras de acesso à informação e também
colocar à disposição da comunidade recursos da Tecnologia Assistiva para a sua
inserção na vida cultural e cidadã.
Quando se fala sobre acessibilidade em uma biblioteca, visando o público com
alguma deficiência, geralmente se pensa em recursos e serviços que serão
demandados somente por assuntos educacionais e pode se escapar, a princípio, a
necessidade que se faz presente também em outras esferas da vida.
Neste espaço de acessibilidade, realiza-se a transcrição da tinta para o braille, fonte
ampliada e áudio alunos e colaboradores, porém o mais desafiador e fascinante são as
solicitações por parte da comunidade externa, com demandas inusitadas, fugindo dos
padrões “normais”.
Em 2012 uma pessoa da comunidade do entorno a unidade procurou ajuda da
biblioteca para realizar a impressão em braille de folhetos litúrgicos: Povo de Deus e
até hoje trabalha-se com esta demanda, que atende a comunidade de uma paróquia
na região do Ipiranga, São Paulo. São cinco exemplares semanais colocados à
disposição do público cego, para que possam participar inteiramente como outro
cidadão qualquer, no que diz respeito a sua fé e religiosidade e fortalecer seus
vínculos com a sua crença e com seus pares. Também dentro da esfera religiosa,
atende-se a solicitação de um catequista, morador na região de Osasco, que tem seus
materiais para a catequese transcritos em braille.
No campo cultural a biblioteca atende a demanda relacionada a uma das
maiores festas brasileiras - o Carnaval, e realiza a transcrição de tinta para braille dos
sambas enredos de uma escola de samba de São Paulo.
A Sala de Acessibilidade, além de meio de acesso para que o público cego e
com baixa visão possa usufruir plenamente dos acervos e ter acesso à leitura cumpre
também o papel social de facilitar o acesso a conteúdos que os aproximem de

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atividades que queiram exercer e usufruir, tornando assim possível na vida de cada um
a liberdade de participar de quaisquer convenção social em igualdade de condições.
4. Semana Senac de Leitura
A mais de 10 anos as bibliotecas do Senac São Paulo promovem eventos
pontuais abertos à comunidade interna e externa. No início chamada de Feira de Troca
de Livros, a atual Semana Senac de Leitura , tem edições anuais, onde além de
realizar troca de livros e gibis, promove atividades culturais diversas gratuitamente,
cumprindo um importante papel de levar cultura e lazer para alunos, funcionários e
comunidade a qual está inserida.
Uma das ações de destaque dentro deste evento foi a exposição itinerante
Aprendendo com Anne Frank – histórias que ensinam valores, ​que após ser recebida
por todas as 57 unidades, em dois anos, foi encerrada deixando impactos importantes,
que superaram as expectativas. Junto a exposição foram oferecidas pela biblioteca
atividades educativas, artísticas e culturais que sensibilizaram os visitantes, formados
principalmente por alunos de escolas públicas do entorno das unidades, membros da
comunidade, representantes de ONGs, além de familiares de alunos. A ação atraiu
mais de 82 mil visitantes e impulsionou reflexões em prol da cultura de paz e também
despertou grande busca pela leitura da obra O Diário de Anne Frank, que por seu
conteúdo aproximou muito o público da ação.
Com o objetivo de estimular em alunos e visitantes a construção de valores de
convivência, como a diversidade, a empatia, a tolerância, o respeito mútuo, os direitos
humanos, a democracia e principalmente o incentivo a leitura, as ações promovidas
através da biblioteca, pela Semana Senac de Leitura, ganhou destaque e se tornou um
evento institucional, envolvendo várias frentes de trabalho para sua execução.
​ 5. Pé de Livro - Para colher e saborear histórias com gosto de fruta madura
Em novembro de 2016, o Senac Sorocaba realizou o Circuito Cultural, um
evento idealizado pelo núcleo de Economia Criativa da Unidade que tem como objetivo
envolver as áreas trabalhadas pela unidade, como artes cênicas, arquitetura e design,
fotografia, hotelaria, publicidade, radialismo, nutrição e empreendedorismo. A Biblioteca
foi convidada a levar para este evento uma atividade que envolvesse a comunidade
local de forma autônoma, para que se redescobrisse o prazer da leitura.
Pensou-se então em um Pé de livro, isso mesmo que você leu, um pé de livro, já
que deitar-se embaixo da sombra de uma árvore seria algo prazeroso e que poucas
pessoas hoje podem ter o privilégio de fazer, devido a vida moderna e
consequentemente o avanço de novas tecnologias. A ação que iniciou sem grandes
pretensões tornou-se uma das atrações do evento, tanto para leitura, como para fotos,
afinal não é todo dia que se encontra um pé de livro.

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A proposta inicial foi de que as pessoas repensem nos frutos que uma árvore
pode dar, com a árvore do conhecimento. No último dia do evento os livros foram
colhidos por alunos, jovens do curso de Aprendizagem, que ficaram encantados com a
possibilidade de colher os livros.
Em outro evento, o Casa Aberta, que comemorou os 70 anos do Senac São
Paulo a unidade mais uma vez abriu suas portas, e a ação do Pé de livro também foi
desenvolvida, desta vez com a ‘colheita’ estendida a comunidade, os visitantes
ganharam os livros que colheram e ficaram encantados com a possibilidade de uma
árvore dar frutos do conhecimento.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A cada ação cultural de cunho social promovido na rede, reforça-se o conceito de
biblioteca aberta para atender as demandas de suas comunidades internas e externas,
promove-se o incentivo a leitura e o reconhecimento da responsabilidade na formação
de acervos diversificados e acessíveis, construindo assim um panorama onde a
biblioteca institucional tenha reforçado o seu papel educativo e social e trabalhe em
prol de sua missão.
Em todas das ações realizadas, puderam ser observados avanços em relação a
proximidade com comunidade local e o protagonismo da biblioteca, como espaço que
facilita o acesso ao conhecimento, que agrega e que compartilha saberes. Com isso, a
biblioteca vai se consolidando como um importante espaço social e um marco
estratégico para os resultados institucionais.
Espera-se, por meio do compartilhamento de ações como estas,
inspirar o
engajamento de instituições e de bibliotecários na missão de pleitear e justificar
investimento em ações culturais de cunho social, pois bibliotecas que trabalham no
desenvolvimento de uma sociedade melhor criam possibilidades para que sua
comunidade obtenha conhecimento de maneira ativa, onde mais do que ler sobre
assuntos é possível ouvir, debater, experimentar e explorar todas as formas de
aprendizado e desenvolvimento.

REFERÊNCIAS
LANKES, R. David. ​Expect More: melhores bibliotecas para um mundo complexo.
São Paulo: Febab, 2016
MILANESI, Luis. ​Centro de cultura: forma e função.​ São Paulo: Hucitec, 1989

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