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                  <text>RECONFIGURAÇÃO DO ESPAÇO FÍSICO DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS ALINHADAS ÀS NOVAS TENDÊNCIAS EM
METODOLOGIAS ATIVAS DE ENSINO

Luana Priscila Costa (UNESP) - luana@reitoria.unesp.br
Resumo:
Estudo teórico desenvolvido sobre revitalização do espaço físico de bibliotecas no processo de
alinhamento as novas metodologias de ensino, onde a biblioteca perde seu caráter de
depositária e passa a ser vista como um ambiente de aprendizagem ativo. Ao final
apresentam-se sugestões de mudanças no espaço físico e uma reflexão sobre questões que
envolvem o acervo, a mobilidade e liberdade.
Palavras-chave: Espaços de aprendizagem; Biblioteca universitária;
Revitalização; Metodologias ativas de ensino

Espaço

físico;

Eixo temático: Eixo 4: Bibliotecas para todos: Acessibilidade para pessoas com deficiência,
inclusão social, enfoque de gênero, bibliotecas como espaço de
aprendizagem. Biblioteconomia Social.

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�Resumo expandido de comunicação científica
Eixo Temático: 4 Bibliotecas para todos: bibliotecas como espaço de
aprendizagem.
Introdução:
Com a popularização e o desenvolvimento das tecnologias de
informação, as bibliotecas tendem a perder seu caráter de depositárias do
conhecimento e, junto a novas tendências construtivistas advindas da área da
educação, tomam um caráter muito mais próximo dos indivíduos e começa a
enxergar a interação como fator considerável no processo de ensino e
aprendizagem. Para tal, necessitamos de uma mudança de cultura de paradigmas
que envolvem não só as bibliotecas, sendo imprescindível a adesão dos
professores à necessidade de trazer à comunidade acadêmica uma educação
informacional mais efetiva.
Essas iniciativas devem ser implantadas no sentido de trazer um
sentimento de pertencimento da biblioteca, instigar o espírito investigativo, fazer
da pesquisa parte substancial do processo de ensino e aprendizagem onde o
aluno toma posição ativa e não mais passiva diante do conteúdo apresentado.
Alinhados nessa empreitada, a equipe da Coordenadoria Geral de Bibliotecas da
Unesp passou a realizar estudos sobre novos conceitos de biblioteca de acordo
com as novas tendências mundiais em bibliotecas universitárias.
Nesse sentido, o presente estudo foi realizado no sentido de elucidar
nossa visão sobre as novas metodologias ativas de ensino e o novo contexto de
bibliotecas a fim de pensar alternativas quanto ao espaço físico das bibliotecas
nesta nova configuração física e cultural que pretendemos conquistar.

Método da pesquisa:
O estudo consistiu em pesquisa bibliográfica.

Resultados:
Espaços alinhados ao conceito de centro de aprendizagem são
espaços móveis, dinâmicos e incitam a liberdade criativa. Deve refletir as

�características da comunidade a que pertence. Nesse sentido, foram elaboradas,
com base na literatura consultada, propostas para reconfiguração do espaço físico
de bibliotecas universitárias de um modo geral, a serem adaptadas conforme as
necessidades da comunidade atendida. Serão listadas a seguir.
Acervo: Diminuir o espaço reservado às coleções; Estantes deslizantes;
Arquivamento em local específico de todos os materiais que estão disponíveis em
formato digital; programa de descarte dos materiais não emprestados; ASRS
(Sistema de Armazenamento e Recuperação); Consórcio de armazenamento
único de coleções entre diferentes instituições.
Interação: Instalar um café em cada biblioteca junto a um espaço de descanso e
descontração; Mesas de trabalho em grupo e espaços de interação pela
biblioteca; Criação de salas de silencio com proteção acústica; Espaço para
apresentações culturais e artísticas;
Ensino: Criação de salas com o conceito de ALC (Active learning classrooms) no
espaço da biblioteca; Criação de espaços de produção de conteúdo educativo a
distância.
Ambiente e infra-estrutura: Utilizar estrategicamente a luz natural e plantas para
manter o ambiente mais convidativo e agradável; contato e proposta de parceria
junto aos cursos de arquitetura da universidade para eleger alternativas baratas de
criação de sala de leitura e estudo com sistema de isolamento de som; Instalação
de tomadas para carregamento de bateria de computadores pessoais e
dispositivos móveis; Mobiliário com rodas que possibilite uma ambientação
flexível; Paredes de vidro; Criação de laboratório experimental; Criação de
laboratório de multimídia e criatividade para o desenvolvimento de atividades
práticas paralelas às atividades curriculares; Criação de espaço de lazer e
convivência (smart tv; totem para carregar celular; puffs; videogame); Diminuição
ou retirada do balcão de atendimento; Sistema de auto-empréstimo e auto
devolução

Discussão:

�O estudo sobre a reconfiguração do espaço físico da biblioteca alinhado
ao conceito de metodologias ativas de ensino traz questões pontuais a serem
ressignificadas, como alternativas para a alocação do acervo físico; espaços
móveis; a questão da liberdade (salas de silêncio); criação de laboratório
experimental.
Segundo Montgomery (2014, p. 70), a mudança no acesso a
informação trouxe a discussão sobre o propósito da existência das bibliotecas.
Nesse sentido, a importância do espaço físico das bibliotecas está se deslocando
das prateleiras para como os estudantes usam o espaço para aprender. “Social
learning emphasizes students as active learners”( MONTGOMERY, 2014, p. 70)
Nesse sentido, no que consiste ao acervo físico, considerando o
crescimento de disponibilização de conteúdo em formato digital e a necessidade
de reverter o caráter da biblioteca de depositária para um espaço de convivência,
questões como o descarte e busca de alternativas de alocação do acervo físico
são imprescindíveis quando se pensa no espaço físico da biblioteca voltado ao
aprendizado.
Concordamos com Montgomery (2014) que destaca a importância da
biblioteca centrada no aluno, criando um espaço como esse requer entender como
os alunos aprendem com o objetivo de facilitar sua aprendizagem no espaço que
escolherem. Assim, no que se refere a espaços móveis, o espaço é concreto e fixo
é idealizado e organizado centrado nos recursos. As pessoas interagem com
nesses espaços imóveis de forma limitada por essa imobilidade. O indivíduo é que
se molda ao espaço e não o contrário, exercendo assim uma função passífica
diante dos recursos materiais. Essa lógica deve ser revertida.
A função social da biblioteca pede uma relação entre os suportes
informacionais e o público utilizador e deve ser “vista como instituição social e
democrática,

a

serviço

da

comunidade,

construindo

espaços

de

convivência.”(SANTA ANNA, 2016, p. 240)
Citando Crippa (2015), Santa Anna (2016) fala sobre as bibliotecas
como “laboratório de cidadania”, de espaços abertos, sistêmicos e permanentes
de apropriação do espaço coletivo e de ações compartilhadas”.

�Nesse sentido, a biblioteca prescinde de espaço aberto de incentivo
ao diálogo e a interação alinhado com liberdade, espaço de troca e aprendizado,
de lazer e descobertas. No que consiste a questão da liberdade, a promoção do
sentimento de liberdade no espaço da biblioteca depende de fatores de profunda
mudança cultural que envolvem as políticas e regulamentos das bibliotecas. Os
fatores mais marcantes são a lei do silencio e a proibição de entrar com bolsas e
mochilas.
Apesar de se referir de aspectos a serem tratados culturalmente, a
questão do silencio esbarra no planejamento do espaço físico das bibliotecas e
pode-se elencar alternativas que solucionem esta questão.
A lei do silencio nas bibliotecas é uma das regras mais marcantes no
imaginário popular de biblioteca e se faz presente nas bibliotecas. Essa
necessidade de silencio não combina com a necessidade de socialização criativa
que buscamos dentro desse novo conceito de biblioteca. “Atualmente grandes
bibliotecas estão se transformando de prédios silenciosos com uma ou duas salas
barulhentas em prédios rumorosos com uma sala silenciosa.”(Lankes, 2016, p.
58).
Nesse sentido, ao invés de a biblioteca ser silenciosa por regra e
possuir cabines para trabalho coletivo, podemos pensar em alternativas de
reverter essa lógica, onde se separa uma sala isolada de ruídos para o estudo
individual e concentrado, deixando a maioria do espaço da biblioteca aberto a
interação.

Considerações Finais ou Conclusões:
A questão central que advem do processo de repensar o espaço da
biblioteca para esta nova perspectiva prescinde, necessariamente, em trabalhar a
questão do armazenamento do acervo. Essa necessidade não representa
somente uma mudança concreta e física, mas substancial e conceitual, o que
pode nos trazer resistência não só da comunidade, como também dos próprios
bibliotecários.

�O investimento em tecnologias que possibilitem maior autonomia do
usuário é importante quando vai se repensar o espaço físico, pois além de trazer
maior liberdade ao usuário, possibilita aproveitar melhor o potencial humano e
mediador dos profissionais que atuam na biblioteca. Todas as ações de
reestruturar o espaço físico serão ineficientes se não se estabelecerem ações no
sentido de mudança da cultura organizacional. O usuário deve ser emancipado
informacionalmente e o profissional deve adotar uma postura empática e
humanística para atuar dentro desses novos espaços. Esses espaços devem
incitar a utilização dos recursos informacionais de forma livre, crítica e criativa.

Referências
ALVAREZ. Propuesta de pautas para el diseño de un Centro de Recursos para el
Aprendizaje y la Investigación como modelo de trabajo para la Red de Bibliotecas
de La Universidad de La Habana. Tese Mestrado.
CORRÊA, E. C. D. Parceria entre bibliotecário e educador: uma importante
estratégia para o futuro da biblioteca escolar. Infociência. São Luís. V. 4, p. 6887, 2004.
FERNÁNDEZ-VILLAVICENCIO, Nieves González. Los espacios físicos de la
biblioteca universitaria en el nuevo ecosistema de aprendizaje. Biblioteca de
la
Universidad
de
Sevilla.
Disponível
em:
https://bibliotecaceu.wordpress.com/2017/03/03/los-espacios-fisicos-de-labiblioteca-universitaria-en-el-nuevo-ecosistema-de-aprendizaje/ Acesso em: abril
de 2017.
LANKES, R. D. Expect more: melhores bibliotecas para um mundo complexo.
São Paulo: FEBAB, 2016.
MONTGOMERY, S. Library space assessment: user learning behaviors in the
library. The Journal of Academic Librarianship. n. 40, 2014. p. 70-75
PINTO, M.; SALES, D.; OSORIO, P. Biblioteca universitária, CRAI y
alfabetización informacional. Trea, 2008.
SANTA ANNA, J. A redefinição da biblioteca no século XXI: de ambientes
informacionais a espaços de convicência. RDBCI. v. 14, n. 2, Campinas, 2016. p.
232-246
SOUSA, M. M. A biblioteca universitária como ambiente de aprendizagem no
ensino superior. Dissertação de mestrado em Ciência da Informação.
Universidade de São Paulo. 2009.
Agências financiadoras
O presente trabalho não obteve financiamento. Foi desenvolvido dentro
das atividades da coordenadoria Geral de Bibliotecas da Unesp.

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