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                  <text>RETRATO DA LEITURA NO MARANHÃO: Continuidades e
descontinuidades dos programas de leitura e bibliotecas

Maria Mary Ferreira (UFMA) - mmulher13@hotmail.com
Aldinar MARTINS BOTTENTUIT (UFMA) - aldinarmb@gmail.com
Dulce Hirli Costa Almeida (UFMA) - dulce_hirly@hotmail.com
DIOGO LUIZ FERREIRA RIBEIRO (UFMA) - diooogo@hotmail.com
Resumo:
RESUMO: No Brasil a descontinuidade das políticas públicas incide sobre a pouca efetividade
do Estado de direito. Os acontecimentos recentes que culminaram com o impeachment da
presidenta eleita Dilma Rousseff, refletem um Brasil ainda preso as elites políticas e
econômicas que dominaram este País por décadas: vive-se tempos de um Brasil imperial que
não superou a mesquinhez do escravismo, fato que se traduz nas políticas sociais de modo
geral e em particular nas políticas culturais, notadamente nas políticas de leitura e biblioteca.
Tais evidências refletem os indicadores de leitura levantados na pesquisa Retrato da Leitura
no Maranhão que demonstra como o Norte e Nordeste vêm sofrendo a descontinuidade do
Programa Livro Aberto implantado em 2006 que tinha como filosofia transformar o Brasil em
um País leitor. Os dados da pesquisa demonstram que no Maranhão esta realidade é bem
distante, a falta de espaços de leitura contribui para que a leitura ainda seja um bem social
inacessível as camadas sociais menos favorecidas.
PALAVRAS-CHAVE: Leitura; Políticas Públicas. Livro; Cidadania.
Palavras-chave: Leitura; Políticas Públicas. Livro; Cidadania.
Eixo temático: Eixo 4: Bibliotecas para todos: Acessibilidade para pessoas com deficiência,
inclusão social, enfoque de gênero, bibliotecas como espaço de
aprendizagem. Biblioteconomia Social.

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�RETRATO DA LEITURA NO MARANHÃO:
Continuidades e descontinuidades dos programas de leitura e bibliotecas1
RESUMO: No Brasil a descontinuidade das políticas públicas incide sobre a pouca efetividade
do Estado de direito. Os acontecimentos recentes que culminaram com o impeachment da
presidenta eleita Dilma Rousseff, refletem um Brasil ainda preso as elites políticas e econômicas
que dominaram este País por décadas: vive-se tempos de um Brasil imperial que não superou a
mesquinhez do escravismo, fato que se traduz nas políticas sociais de modo geral e em
particular nas políticas culturais, notadamente nas políticas de leitura e biblioteca. Tais
evidências refletem os indicadores de leitura levantados na pesquisa Retrato da Leitura no
Maranhão que demonstra como o Norte e Nordeste vêm sofrendo a descontinuidade do
Programa Livro Aberto implantado em 2006 que tinha como filosofia transformar o Brasil em
um País leitor. Os dados da pesquisa demonstram que no Maranhão esta realidade é bem
distante, a falta de espaços de leitura contribui para que a leitura ainda seja um bem social
inacessível as camadas sociais menos favorecidas.
PALAVRAS-CHAVE: Leitura; Políticas Públicas. Livro; Cidadania.
ABSTRACT: In Brazil the discontinuity of public policies focuses on the ineffectiveness of the
rule of law. Recent events that culminated in the impeachment of President-elect Dilma
Rousseff reflect a Brazil still trapped by the political and economic elites that dominated this
country for decades: there are times of an imperial Brazil that has not overcome the stinginess of
slavery, a fact that Translates into social policies in general and in particular in cultural policies,
notably in reading and library policies. Such evidences reflect the reading indicators raised in
the survey Reading Portrait in Maranhão that shows how the North and Northeast have suffered
the discontinuity of the Open Book Program implemented in 2006 that had as its philosophy to
transform Brazil into a reader country. The research data show that in Maranhão this reality is
very distant, the lack of spaces of reading contributes so that the reading is still a social good
inaccessible to the less favored social strata.
KEY WORDS: Reading; Public policy. Book; Citizenship.

1.

INTRODUÇÃO
A leitura, assim como a escrita são condições básicas para a inserção do ser

humano na sociedade, embora se saiba que analfabetos também estão inseridos na
sociedade, porém a sua dificuldade de compreender os signos linguísticos, interdita de
muitas formas seu acesso ao conhecimento e limita sua capacidade de interferir na
realidade. Ler e compreender o texto escrito implica em um conjunto de fatores cujas
dimensões sociais, culturais e políticas são arcabouços para a formação de referenciais
que levam os homens e mulheres a se relacionarem e construir capacidades de mudar
situações e de explicitar sua opinião e saberes sobre diferentes temas. Por esta razão a
leitura deve ser parte de um projeto político de qualquer Nação que vise transformar as
relações sociais, devendo para tanto considerar o livro e a leitura como instrumentos
primordiais para efetivar mudanças que leve a formação de cidadãos e cidadãs, dessa

1

Pesquisa Financiada pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Maranhão

�forma estará elevando indicadores que por sua se traduzirão em mudanças na realidade
das cidades e municípios.
A preocupação com a leitura e a formação de leitores tem sido parte de estudos
que desenvolvemos há décadas no Maranhão. Em estudos anteriores estudamos as
bibliotecas públicas e escolares para analisar como estas instituições estão sendo
construídas e como tem implementados programas de leitura com o propósito de formar
uma sociedade leitora. Nesta comunicação apresentamos um recorte da pesquisa Retrato
da Leitura no Maranhão com foco em cinco municípios maranhenses: São Luís Coroatá,
Timbiras, São José de Ribamar e Caxias, que trazem singularidades que nos ajudam a
compreender de forma mais profunda a problemática que envolve a leitura e o livro,
este objeto, sedutor, mas ainda inacessível para muitas camadas sociais.
O enfoque da abordagem metodológica é qualitativo e quantitativo.
Consideramos em um primeiro momento necessário quantificar o maior número
possível de dados para dar maior dimensão à pesquisa, porém, sem perder de vista o
enfoque qualitativo que difere dos enfoques quantitativos na medida em que este tipo de
estudo não generaliza os resultados.
Na estrutura deste texto apresentamos uma reflexão teórica sobre a leitura e as
bibliotecas como elementos inseparáveis para formar uma sociedade leitura, para tanto
subtende-se

pensar políticas públicas contínuas que funcionem como políticas de

estado, capazes portando, de criar um debate político na sociedade.
2. LEITURA E BIBLIOTECA: dois instrumentos inseparáveis
O processo de formação de leitores em qualquer nação deve ser parte de um
projeto de sociedade que vise transformar as relações sociais, tendo em vista que o livro
e a leitura oportunizam a formação de cidadãos à medida que a informação e o
conhecimento passam a iluminar as mentes e, consequentemente, as decisões; permitem
maior discernimento sobre temas da atualidade, sobre formas de interferir na sociedade
e na realidade, sobre mecanismos de autoproteção e de apropriação de conhecimentos..
O ato de ler subtende compreender e interpretar o lido dando sentido e
significado ao que se lê, enfatiza Ferreira (2014). Somente quando aprendemos a dar
significado podemos dizer que estamos lendo, antes disso estamos apenas decifrando.
Isto porque segundo Ferreira (2015, p.11 ):
A leitura envolve processos interpretativos, críticos, reflexivos e criativos em
que fazemos escolhas que nos leva a enveredar por mundos desconhecidos
que nos tira do ar e ao mesmo tempo nos retorna a realidade. Muitos
infelizmente não ultrapassam os limites da decifração. Muitos não superam o

�sonho, muitos não conseguem falar do que leram, muitos apenas guardam e
enclausuram o que leem.

As dificuldades de implantar uma política de leitura no Brasil refletem os
indicadores de hoje, expressos na publicação Retrato da Leitura no Brasil que mostram
o quão tem sido difícil mudar a cultura do não leitor. Outro fator que contribui para
acentuar mais ainda o problema são os índices de analfabetismos no País,
principalmente na Região Norte e Nordeste, haja vista que os indicadores apontam
dados alarmantes que demonstram que os Estados do Maranhão,
A gravidade do problema segundo Ferreira (2015) interfere na construção
leitores e se evidencia na descontinuidade das políticas implantadas no Brasil e em
especial no Maranhão cujos indicadores demonstram as muitas lacunas para que este
estado venha a se tornar um estado leitor. Tais evidências são reflexos da falta de
compromisso dos gestores públicos e a dificuldade do Brasil de construir um pacto
federativo que diminua as distâncias sociais entre sudeste/sul e norte e nordeste do
Brasil.
3. UM RETRATO DA LEITURA EM MUNICIPIOS MARANHENSES
O processo de inclusão é fruto das mudanças nas estruturas sociais, políticas
econômicas e culturais que foram efetivadas no Brasil que embora paradoxais na
medida em que a sociedade da informação se caracteriza pelo uso da informação como
perspectiva de mudança social, cultural e política, possibilitaram uma transformação
gradual em seus cotidianos, seja no trabalho, seja na política, bem como criando
alternativas de superar as distâncias sociais e regionais. Essa situação se torna paradoxal
quando analisamos que apesar da inserção cada vez mais acentuada das tecnologias da
informação, esta ainda não atingiu as camadas sociais historicamente excluídas,
tornando esse bem social um instrumento a serviço das elites reproduzindo
desigualdades que no Maranhão são traduzidas nos indicadores sociais que o coloca nos
últimos patamares de desenvolvimento humano.
Os dados investigados na pesquisa Retrato da Leitura no Maranhão com o
objetivo de desvendar a problemática da leitura no Maranhão e contribuir para pensar
politicas públicas que venha a inverter os indicadores sociais apontados pela pesquisa
trazem uma realidade que demonstra a distância para este Estado alcançar patamares
que que aproxima de uma sociedade leitora. A seguir apresentamos de forma breve e
parcial os resultados da pesquisa colhidos em 5 munícipios entre os 20 investigados em
um universo de 217 munícipios que compõe o Estado. Nesta parcial envolvemos 193

�pessoas dos municípios de Caxias, Coroatá, São José de Ribamar, São Luís e Timbiras.
Foram entrevistados 193 pessoas nos cinco municípios em sua maioria mulheres.
Nas respostas observa-se que em Caxias um número bastante significativo
informou que a escola não possui biblioteca e em Timbiras 50% dos entrevistados
enfatizaram que sua escola não tem biblioteca, fato que denota a gravidade do problema
haja vista que neste Munícipio também não identificamos biblioteca pública municipal.
Além disso, o número de pessoas que não responderam demonstra a ausência de
biblioteca nas escolas ou sua invisibilidade. Por desencadear um processo de
democratização do saber e maior acesso aos bens culturais entre os quais a leitura e ao
livro as bibliotecas escolares quando existentes na estrutura das escolas exercem papel
fundamental nos processos de ensinar, aprender e pensar.
Ao refletir sobre a incidência de leitura dos entrevistados foi questionado se
estavam lendo algum livro no momento em que estavam sendo entrevistados. 57% dos
entrevistados informaram que não, embora em São Luís e São José de Ribamar realizem
anualmente feiras de livros bastante movimentadas que mobilizam milhares de pessoas”
(FERREIRA, 2015, 10042). Mesmo assim o número de pessoas que estão lendo algum
livro é muito pequeno.
Quando questionados sobre quem mais o influenciou na leitura a maioria dos
entrevistados, ou seja, 26% informaram que foi a professora. Fato que deve ser visto
como positivo e dever ser potencializado haja vista que a maioria dos jovens somente
tem acesso ao livro na escola, sendo o professor portanto um sujeito importante no
processo de formar leitor enfatiza Ferreira (2015, p. 10043). Esse dado difere dos
resultados da pesquisa nacional quando os entrevistados informaram que quem mais
influenciou foi a mãe. No retrato da leitura no Maranhão a mãe aparece na resposta de
15% dos entrevistados.
Foi questionado se na Cidade ou bairro em que residem tem biblioteca, 75 %
respondeu que sim. Contraditoriamente apenas 12% dos entrevistados emprestam livros
desta biblioteca como foi observado na resposta anterior. Nessa questão é também
importante observar que 19% respondeu não, ou não sabe. O que subtende falta de
interesse para com os espaços de leitura existentes na cidade e por outro lado a pouca
visibilidade que estes espaços têm na cidade. Ao questionar a frequência com que
visitam a biblioteca 43% dos entrevistados informaram que frequentam de vez em
quanto e 42% disseram que não usam a biblioteca. Os dados mostram a necessidade de
compreender a falta de atenção para com os espaços de informação. “Por outro lado o

�que se observa é que os espaços existentes não são atrativos, além dos acervos não
atenderem as necessidades de grande parte dos leitores, o fato de não ter bibliotecários
nem profissionais com capacidade de estimular e incentivar

gosto pelos livros

(FERREIRA, 2015, p. 10044) Fato que explica a pouca atenção dos entrevistados para
com as bibliotecas.
CONCLUSÃO
A realidade acima descrita demonstra por um lado o descaso do poder público
para com os órgãos que tratam da cultura, por outro lado demonstram a desarticulação
da sociedade civil em exigir do Estado o cumprimento da Constituição que determina o
acesso aos bens culturais como direito. Um dos principais fatores para a permanência
dessa situação de exclusão da população aos espaços de cultura e informação está na
geração, organização e disseminação da informação que não tem atingido as camadas
sociais de forma universal e na descontinuidade das políticas implantadas no Estado,
haja vista as ações dos gestores municipais que pouco têm realizado para construir
instituições culturais, assim como não têm criados mecanismos de continuidade das
mesmas.
REFERENCIAS
FERREIRA, Maria Mary. Bibliotecário mediador de leitura e de práticas culturais em
comunidades vulneráveis. Revista em Questão. v. 20, n.2, p. p.131-145, Jul./Dez.
2014Disponível em: p. 10035-10046.
&lt; http://seer.ufrgs.br/index.php/EmQuestao/article/view/40188/32114&gt; Acesso em 30
de março 2015.
________. Sociedade da Informação e as contradições das políticas de leitura no
Maranhão/Brasil. In: Atas do 1º Congresso da Associação Internacional de Ciências
Sociais e Humanas em Língua Portuguesa. Lisboa, Universidade Nova de Lisboa, v.
1, p. 10035-10046, 2015. Disponível em:
&lt;http://www.omeuevento.pt/Ficheiros/Livros_de_Actas_CONLAB_2015.pdf&gt;. Acesso
em: 23 de fevereiro de 2017.
POCHMANN, Márcio. Nova classe média? O trabalho na pirâmide social brasileira.
São Paulo: Boitempo, 2012.

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