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                  <text>A importância de um Setor de Restauração e Encadernação para a
Biblioteca Universitária: um estudo de caso na Biblioteca Central
Ir. José Otão, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do
Sul

Marcelo Votto Texeira (PUCRS) - marcelo.texeira@pucrs.br
Lucas Martins Kern (PUCRS) - lucas.kern@pucrs.br
Resumo:
Este trabalho visa apresentar a importância de um setor de restauração e encadernação em
uma biblioteca universitária de grande porte, apresentando um estudo de caso no Laboratório
de Restauração de acervo da Biblioteca Central Ir. José Otão da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul. Através deste pretende-se demonstrar que a preservação de
acervos é uma atividade essencial, embora bibliotecários, por vezes, planejem-na do ponto de
vista teórico, esquecendo de prever espaços adequados à intervenção direta nos documentos.
Um setor de restauração e encadernação dentro da Biblioteca Central da PUCRS tem
demonstrado ser imprescindível para que a Biblioteca possa suprir a necessidade
informacional de seus usuários. O estudo de caso realizado em uma biblioteca universitária
demonstra uma realidade diferente de outras bibliotecas em razão da alta circulação e
demanda contínua de alguns recursos informacionais. Desta forma, realizando intervenções
diretas em alguns documentos, é possível que um mesmo livro seja utilizado ao longo de vários
semestres sem que haja necessidade de adquirir novos exemplares, salvo pela atualização de
conteúdo. Sem o setor de restauração e encadernação, em virtude da ampla oferta de cursos
da universidade, grande quantidade de alunos e constante circulação do material, seria
impossível suprir a necessidade informacional dos usuários sem reposição constante,
adquirindo novos livros que já estavam disponíveis, o que, na prática, não significa conteúdo
novo no acervo. Sendo assim o Setor de Restauração e Encadernação comprova-se parte
essencial da estrutura da Biblioteca Central da PUCRS.
Palavras-chave: Restauração; Encadernação; Livros; Biblioteca Universitária
Eixo temático: Eixo 6: IV EEPC - Encontro de Estudos e Pesquisas em Catalogação.
Organização e Tratamento da Informação: tecnologias e novas ferramentas,
instrumentos, processos, produtos e serviços, políticas, cooperação.

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�1 INTRODUÇÃO
A preservação de documentos é atividade diretamente ligada ao dia a dia de
profissionais que lidam com a informação. A contínua utilização dos recursos
informacionais existentes em uma biblioteca faz com que o suporte físico desgastase com o tempo: isto é inevitável e decorre tanto das ações humanas quanto
ambientais.
Antes de prosseguir é indispensável definir os termos preservação,
conservação e restauração. A preservação pode ser compreendida como o conjunto
de ações administrativas definidas pelos membros das instituições com a finalidade
de criar políticas voltadas à preservação documental (TEIXEIRA; GUIZONI, 2012). A
conservação, segundo Cobra (2003, p.35) “é o conjunto de medidas e
procedimentos destinados a assegurar a proteção física dos acervos de arquivos,
bibliotecas e museus contra agentes de deterioração”. A restauração pode ser
compreendida como o procedimento direto de intervenção física em um documento.
Frente a isso, compreende-se a preservação documental não como uma
atividade isolada, mas sim dentro do contexto em que a biblioteca está inserida.
Bibliotecas universitárias caracterizam-se por um grande escopo de recursos,
multiplicidade de suportes e atualização constante, sendo necessária à área de
Tratamento da Informação repensar suas rotinas e técnicas para além da aquisição
e processamento, projetando e planejando, dentro do escopo que está inserida, a
restauração do seu acervo.
Teixeira e Ghizoni na obra “Conservação preventiva de acervos”,
demonstram os fatores geradores de deterioração nos acervos documentais
Atualmente um dos principais desafios no campo da conservação
preventiva dos materiais constitutivos de acervos museológicos é o
controle da deterioração química, danos mecânicos e a
biodeterioração. Podem-se citar os seguintes fatores externos: físicos:
temperatura, umidade relativa do ar, luz natural ou artificial; químicos:
poeira, poluentes atmosféricos e o contato com outros materiais
instáveis quimicamente; biológicos: micro-organismos, insetos,
roedores e outros animais; antrópicos: manuseio, armazenamento e
exposição incorreta, intervenção inadequada, vandalismo e roubo;
catástrofes: inundações, terremotos, furacões, incêndios e guerras.
(TEIXEIRA; GHIZONI, 2012, p.15-16).

Ainda na obra “Conservação preventiva de acervos” de Teixeira e Guizoni
(2012, p. 40), as autoras elucidam que as principais causas da deterioração de
documentos estão ordenadas em intrínsecas e extrínsecas. As primeiras estão
relacionados às questões químicas da composição do documento, da produção do
papel, do tipo de cola utilizado e da acidez do mesmo podendo torná-lo quebradiço,
rompendo as fibras do papel ainda que com dobras suaves; por outro lado as
causas extrínsecas estão ligadas a fatores externos ao documento em si e são
provocados pelo manuseio, meio ambiente como a umidade, temperatura, radiação
luminosa ou por agentes biológicos de degradação de acervos.

�Embora a obra consultada seja direcionada à museólogos, bibliotecários que
desejarem especializar-se ou aprimorar-se na área da preservação documental
perceberão na literatura museológica um importante referencial teórico. Se
museólogos estão preocupados com a questão da preservação do suporte como um
documento em si, bibliotecários observam a preservação informacional, pensando
em migração ou técnicas de restauração do material na intenção da manutenção e
permanência da informação
Uma vez compreendidos os fatores que influenciam sobre os acervos
documentais, cabe, então, discorrer sobre as definições estratégicas aplicadas a
uma biblioteca universitária. Neste contexto, a Biblioteca Central Ir. José Otão da
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS - mantém o
Laboratório de Restauração do Acervo - LRA, com a intenção de prover espaço e
profissionais adequados e qualificados para a execução de ações de conservação
nos acervos da PUCRS. Este trabalho visa relatar as atividades do Laboratório e
discorrer sobre os resultados obtidos até o momento. Observa-se uma baixa
produção acadêmica acerca do assunto e esta é uma das premissas da relevância
deste relato, visando servir como suporte técnico para profissionais que desejarem
obter conhecimento sobre a temática.
2 O LABORATÓRIO DE RESTAURAÇÃO E ENCADERNAÇÃO DE ACERVOS DA
BIBLIOTECA CENTRAL DA PUCRS
Dentro da estrutura organizacional da Pontifícia Universidade Católica do Rio
Grande do Sul, o Laboratório de Restauração do Acervo situa-se vinculado como
uma das áreas do Setor de Tratamento da Informação da Biblioteca Central Ir. José
Otão, que, por sua vez, está ligada à Pró-Reitoria Acadêmica, via Diretoria
Acadêmica-Administrativa.
Atualmente, o LRA possui em sua equipe fixa um Técnico em Restauração e
dois Auxiliares de Biblioteca, todos lotados na Biblioteca Central e com carga
horária de trabalho de 220 horas mensais. Além da equipe fixa, um Bibliotecário do
Setor de Tratamento da Informação é designado a trabalhar no controle das rotinas,
cooperando na elaboração e implantação das práticas.
Por uma ordem estrutural, as ações de trabalho do LRA dividem-se em
macro e micro processos, ou seja, do geral ao específico. Conforme a imagem
abaixo, tais ações ficam estabelecidas na seguinte ordem:

�Figura 1: Modelo de fluxo dos processos no LRA
Fonte: Autores (2017)

Enquanto processo, a triagem é um filtro pelo qual todo material passa antes
de ser encaminhado para a manutenção. Possui a função de indicar qual tratamento
receberão os documentos, sendo a primeira etapa do fluxo de materiais. Na prática,
a triagem destina o item para as áreas de intervenção específicas que o laboratório
de restauração do acervo destina aos materiais.
No contexto da triagem, as Obras Raras são separadas dos demais materiais
dado a sua significância para o acervo. Dessa forma, durante o processo de
avaliação da causa que leva um livro a ter entrada no laboratório as obras raras
recebem um trâmite paralelo aos demais, independentemente da causa.
Já a manutenção é a etapa que envolve todos os restauros e/ou intervenções
pelas quais passam os materiais. Este processo detalha o trabalho realizado nos
materiais após a triagem. Após as entradas dos materiais na manutenção, os
mesmos são separados para áreas distintas e que requerem especificidades no
manejo.
A liberação é a etapa final do fluxo de materiais. Consiste na saída do
material do Laboratório para o Preparo Técnico. Nela é informado o término do
trabalho no sistema gerenciador Aleph e no sistema para Controle de Itens em
Encadernação, gerado pelo Setor de Suporte e Desenvolvimento da Biblioteca,
além de passar pela revisão do Bibliotecário Júnior, o qual segue um plano de
revisão para um padrão mínimo de qualidade aplicada aos materiais liberados para
o acervo.
Diante do exposto acerca dos processos e rotinas que envolvem o LRA,
pode-se afirmar que o controle sobre estas atividades parte do interesse
institucional de possuir em seu quadro organizacional uma área dedicada a

�encadernação e restauro de materiais. Tal controle permite maior eficiência nas
ações práticas do cotidiano de uma Biblioteca Universitária de grande porte, bem
como, eficácia na gestão dos processos.
Corrobora com a afirmação supracitada a possibilidade de mensurarmos a
quantidade, a qualidade e o custo específico dos materiais utilizados nas ações
desenvolvidas pelo LRA. Algo que, quando terceirizado, como ocorre em diversas
bibliotecas, restringe o controle ao no máximo a quantidade e o custo final de todo o
processo. Ainda que investimentos em maquinário, mobiliário e capacitação sejam
necessários em um determinado instante, a inclusão de materiais como: papéis
especiais para encadernação, fotocópias, pincéis, linhas, agulhas e entre outros
materiais no custo fixo do Setor de Tratamento da Informação faz com que seja
mais rentável à instituição realizar esta atividade internamente do que terceirizá-la.
Outro fator relevante para ser abordado neste contexto é a permanência do
livro na Biblioteca durante a fase de conserto ou restauro. No caso específico da
Biblioteca da PUCRS, os livros que estão no LRA continuam sendo pesquisáveis via
o sistema de descoberta, permitindo ao usuário realizar a reserva do mesmo. A
partir desta reserva, tal item ganha status de prioridade e é tratado antes dos
demais que estão em ordem cronológica de entrada no setor.
Alinhado a possibilidade de agilização no retorno do item desejado pelo
usuário ao acervo, a quantidade de itens recebidos e tratados pelo LRA também é
um tópico analisado pelo Setor de Tratamento da Informação. No ano de 2016,
8.754 itens foram encaminhados ao LRA e 8.274 itens foram liberados para o
acervo. Dentre os materiais liberados é possível mensurar algumas atividades
específicas, como:
a) Itens com nova encadernados;
b) Páginas repostas;
c) Itens de Obras Raras higienizadas
d) Caixas de papel com PH neutro confeccionadas para itens de obras raras.
Obter o controle sobre tais dados, ainda que gerais, nos permite analisar
questões específicas na gerência de um acervo, como, por exemplo, questões
relacionadas às práticas de uso do livro por usuários de determinada área ou as
diferentes formas como os mecanismos tecnológicos impactam na durabilidade do
livro impresso. Neste sentido, um trabalho dedicado por um Setor de Tratamento da
Informação, através de uma área de conservação, condiz com a percepção de que
gerenciar a informação é mais do que processar e disponibilizar. Garantir o acesso
permanente ao conteúdo é um trabalho inerente à quem lida com a informação.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A relevância da manutenção das atividades diárias do LRA para a
comunidade universitária é indiscutível. A existência de um setor exclusivamente
voltado às atividades de conservação e restauração no contexto de uma biblioteca
universitária representa a manutenção do suporte e a continuidade do acesso à
informação.
Neste contexto o LRA está inserido como uma área estratégica junto à
Biblioteca Central Ir. José Otão. Se por um lado a Universidade requer a
disponibilização de informação em suportes adequados e em quantidades
proporcionais às necessidades informacionais dos seus usuários, de outro o LRA
garante que os documentos se mantenham em condições ideais de utilização.

�Imaginar a Biblioteca da PUCRS sem o laboratório seria falhar em uma das funções
primordiais da biblioteca no que diz respeito ao acesso e a disponibilização da
informação.
Por outro lado, a gestão de bibliotecários especializados em áreas como esta
garantem a eficácia do atendimento. Há de se encontrar um espaço em que teoria e
prática possam se unir para beneficiar a razão de existir da biblioteca, isto é, seus
usuários. A expertise da relação entre suporte, informação, acesso e
disponibilização deve otimizar a relação entre os funcionários que atuam na
recuperação direta dos documentos até os usuários.
Sendo assim, o Laboratório de Restauração do Acervo está inserido no
contexto do Setor de Tratamento da Informação. Tratar a informação pressupõe a
preservação do conteúdo não determinando o seu suporte; significa manter a
informação em condições ideais e suficientes para atender os usuários, cumprindo a
função de existir da Biblioteca no contexto universitário. O presente estudo de caso
pretende servir como apoio no gerenciamento e planejamento de unidades de
informação na Educação Superior no que se refere a conservação do seu acervo.
REFERÊNCIAS
CONSERVAÇÃO. In: COBRA, Maria José Távora. Pequeno dicionário de
conservação e restauração de livros e documentos. 2. ed. Brasília: Cobra
Pages, 2003.
TEIXEIRA, Lia Canola; GUIZONI, Vanilde Rohling. Conservação preventiva de
acervos. Florianópolis: FCC Edições, 2012.

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