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                  <text>A VIABILIDADE DA METODOLOGIA DE SARA SHATFORD PARA A
INDEXAÇÃO DE FOTOGRAFIAS: APLICAÇÃO NO ACERVO
FOTOGRÁFICO DA ESCOLA DE MÚSICA DA UFRN

Martina Luciana Souza Brizolara (UFRN) - martinabrizolara@tuta.io
Carla Beatriz Marques Felipe (UFRN) - felipecarla12@gmail.com
Resumo:
Apresenta conceitos de imagem e documento iconográfico e discorre sobre seu uso ao longo
da história da humanidade. Comenta sobre os diferentes usos e funções da fotografia. Discorre
sobre a fotografia como documento, destacando a necessidade do tratamento informacional de
acervos fotográficos. Oferece conceitos de análise documentária e indexação; discorre sobre
os objetivos da indexação, apresentando as etapas do processo, destacando o estágio de
análise de assunto. Fala sobre as diferenças entre a indexação de documentos textuais e
iconográficos, ressaltando a necessidade da utilização de metodologias mais adequadas à
forma do documento, apresentando metodologias adaptadas ao tratamento informacional de
imagens. Apresenta pesquisa exploratória realizada no acervo fotográfico da Escola de Música
da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Objetiva testar a viabilidade da metodologia
de Sara Shatford (1994) para a indexação de fotografias em acervos reais, relatando e
avaliando o processo de indexação de fotografias selecionadas da referida unidade seguindo a
metodologia proposta. Conclui confirmando a viabilidade da metodologia testada, propondo
um questionamento sobre sua baixa popularidade.
Palavras-chave: Indexação - fotografias. Acervo fotográfico. Documentos iconográficos. Sara
Shatford (1994). Escola de Música – Universidade Federal do Rio Grande do
Eixo temático: Eixo 6: IV EEPC - Encontro de Estudos e Pesquisas em Catalogação.
Organização e Tratamento da Informação: tecnologias e novas ferramentas,
instrumentos, processos, produtos e serviços, políticas, cooperação.

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�Eixo 6 IV EEPC - Encontro de Estudos e Pesquisas em Catalogação.
Organização e Tratamento da Informação: tecnologias e novas ferramentas, instrumentos,
processos, produtos e serviços, políticas, cooperação
1. INTRODUÇÃO
Desde o início da história do homem que a imagem tem sido utilizada como forma de
comunicação, registro e transmissão de informações. Logo, o conceito de imagem é amplo e
complexo. Nesse contexto, o presente trabalho objetiva abordar documentos iconográficos
apenas na forma de fotografias, ou seja, imagens produzidas a partir da luz e registradas em
um suporte através de processo físico-químico ou físico-numérico.
Desde seu advento, a fotografia revolucionou as artes, por substituir a pintura e a
escultura na tentativa de fazer um registro fiel ao objeto retratado, criando a possibilidade do
artista utilizar suas habilidades para representar ideias, e não apenas a realidade. Além disso,
ao tornar-se cada vez mais popular e simples de produzir, retomou o uso da imagem como
registro e fonte de informação.
Ao utilizar a fotografia como documento, especialmente em um acervo institucional,
faz-se necessário a realização de um processo de tratamento informacional, iniciado pela
Análise Documentária. Diversos autores consideram que a parte mais relevante da Análise
Documentária é a indexação1, permitindo sua recuperação em um sistema de busca. No
entanto, devido às grandes diferenças entre os formatos documentários, é pouco provável que
o indexador consiga utilizar as técnicas mais aprendidas na academia para a organização de
documentos iconográficos.
Desse modo, apresentamos algumas das metodologias mais relevantes para a
indexação de imagens, quais sejam: Panofsky (1979) e a análise da imagem em três níveis
(preiconográfico, iconográfico e iconológico); Bléry (1976 apud Smith, 1996) e a análise
baseada em questionamentos - O QUE, QUANDO, COMO, ONDE, QUEM; Manini (2002) e
sua Teoria da Dimensão Expressiva, e; Shatford (1994), com sua proposta baseada nos
atributos da imagem e nas categorias DE e SOBRE, ligado aos atributos das imagens.
Os atributos de assunto, aqueles mais comumente lembrados quando se trata de
indexação, e também os mais citados quando se fala na metodologia de Shatford, são aqueles
referentes ao significado da imagem, devendo-se considerar especialmente três aspectos. Em
primeiro lugar, deve-se considerar que esta pode ser De algo (aspectos objetivos da imagem),
e/ou Sobre algo (aspectos subjetivos), como, por exemplo, “uma imagem de uma pessoa
1

Processo de análise de um documento seguido da seleção de termos que representem o seu conteúdo.

�chorando pode ser sobre tristeza” (SHATFORD, 1994, p.584, tradução nossa, grifo no
original);
Os autores acima apresentam metodologias focadas na extração de informações da
imagem, guiando o indexador durante o processo de “leitura” do documento iconográfico com
o fim de possibilitar a identificação de conceitos, seguida da seleção de descritores que
melhor os representem.
Observamos que embora a metodologia de Shatford seja utilizada como referência
teórica para inúmeros trabalhos da área, servindo inclusive de base para a elaboração de
outras metodologias, pouco é utilizada na prática em indexação de acervos iconográficos.
Desse modo, propõe-se uma pesquisa experimental para testar a viabilidade do método.
A pesquisa justifica-se por contribuir com a área da biblioteconomia e o trabalho dos
bibliotecários indexadores de imagens, reapresentando uma metodologia esquecida, com o
teste de aplicação em um acervo real, qual seja: o acervo fotográfico da Biblioteca da Escola
de Música da UFRN.

2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A presente pesquisa é de cunho exploratória, cuja proposta é analisar se realmente a
metodologia ofertada por Sara Shatford pode ser aplicada na prática. Para o alcance dos
objetivos realizou-se uma pesquisa bibliográfica visando embasar teoricamente a pesquisa.
Outrossim, ela também é pesquisa de campo, no qual foram coletados os materiais para a
realização da investigação.
O acervo de fotografias escolhido foi o da Biblioteca Padre Jaime Diniz, pertencente ao
sistema de bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN, localizada
na Escola de Música da UFRN. A biblioteca deu origem ao acervo de fotografias no momento
em que a Escola completou 50 anos de existência, e sua organização fez parte das
comemorações.
Anteriormente à realização da experiência houve uma breve visita à unidade, na qual
conversou-se sobre os objetivos da experiência, como ela seria realizada e que tipo de
materiais poderiam ser utilizados. Trabalhou-se somente com fotografias que já haviam sido
previamente analisadas e que continham informações sobre elas, recuperadas pela equipe da
Biblioteca. Não foi necessário realizar nenhum tipo de pesquisa adicional para extrair
informações complementares, uma vez que foram realizadas pela equipe através de
entrevistas com antigos professores e servidores.

�Faz-se necessário destacar, também, que as fotografias trabalhadas já integram o acervo
da instituição. A experiência foi apenas uma simulação voltada mais para o processo de
análise dos documentos iconográficos utilizando a metodologia proposta por Shatford (1994)
do que para a seleção de termos em si. Portanto, não chegamos a verificar os termos de
indexação oficialmente utilizados pelo sistema. Optamos por focar nos atributos de assunto,
uma vez que estes são os mais mencionados e discutidos quando se trata de indexação, e os
mais comumente lembrados quando se menciona a metodologia de Shatford (1994).
Essa metodologia de Shatford incentiva o agrupamento de imagens em conjuntos.
Inicialmente analisamos os álbuns em que elas se encontram por inteiro e verificamos que os
mesmos contêm uma séries de fotografias da mesma ocasião. Toda a coleção pode ser
considerada um grande conjunto, uma vez que se relacionam com um mesmo tema, no caso a
própria EMUFRN, consistindo em um registro visual de sua história. As fotografias integram
o acervo digital da instituição, disponibilizando ao usuário cópias digitalizadas. Com o
processo de indexação é possível reagrupar as fotografias em outros conjuntos usando o
sistema de busca de acordo com a necessidade do usuário. Em seguida, as fotografias foram
selecionadas e analisadas individualmente.
Ao todo, foram selecionadas cinco fotografias do acervo. Como critério estabelecido
elenca-se: já estarem com as informações adicionais sobre si; porque entendemos que
somente a fotografia em mãos a indexação não poderia ficar completa, uma vez que a
pesquisadora não conhece a fundo o acervo.

3. RESULTADOS

Como sugerido por Shatford (1994), buscou-se durante a análise focar nos atributos da
imagem. Observou-se a dificuldade de encaixar os conceitos extraídos quanto aos aspectos
mais subjetivos das imagens dessa coleção em qualquer uma das facetas sugeridas por
Shatford (1994). Embora a teoria mencione essa possibilidade, optou-se por desconsiderar a
subdivisão da coluna “Sobre” em facetas, conforme expresso no quando abaixo:
Quadro 01: Metodologia Shatford adaptado
Facetas
Tempo
Espaço
Atividades/eventos
Objetos

Genérico

De
Específico

Fontes: Os autores (2017)

Sobre

�Para cada foto escolhida um quadro acima foi preenchido de acordo com o que se pediu
cada espaço, e após o preenchimento do mesmo, baseadas nas informações descritas, foram
escolhidos descritores para representar as fotografias.

4. DISCUSSÃO

Com base nos resultados, a análise permitiu identificar diversos conceitos que podem
ser inutilizados para a seleção de descritores, considerando-se os interesses da instituição e do
usuário. Do mesmo modo é possível identificar diversos conceitos que podem ser relevantes
para o usuário e inclusos no sistema de busca utilizado
A metodologia de Shatford (1994) é tão ou mais simples de ser aplicada que as mais
populares, como a de Bléry (1976) ou Manini (2002), e pode ser aplicada com facilidade em
acervos imagéticos reais. No entanto, como em outras metodologias, pode ser necessário
realizar uma pesquisa complementar, não somente a análise do que é mostrado na fotografia.
O processo completo é bastante simples, aparenta tornar-se complexo devido às facetas, mas
permite uma análise quase que intuitiva, e bastante completa, possibilitando extrair
informações tanto dos aspectos mais objetivos quanto subjetivos do documento. É também
um processo ágil e possibilita uma análise flexível, isto porque apesar de incentivar a análise
de todos os atributos da imagem permite que o indexador opte pelo nível de detalhamento
mais adequado à coleção e às políticas de indexação da instituição durante a escolha dos
descritores.
Acreditamos que o método apresenta apenas duas dificuldades básicas: primeira - com
relação ao “De”, até onde generalizar e até onde ser específico. Por exemplo, ao analisar a
fotografia 11 do álbum 02, quanto à faceta “espaço”, poderia-se generalizar para “Rio Grande
do Norte”, ou para “Natal”, ou diversos outros conceitos, e; segunda, não é fácil apontar os
aspectos mais subjetivos da imagem nesse tipo de coleção, o que leva a crer que embora
sejam importantes e possam ser relevantes para diversos tipos de pesquisa talvez possa tornar
o processo mais lento. Todavia, ambas podem ser contornadas, uma vez que o indexador
adquira prática.
Além disso, embora a metodologia de Shatford não proíba a seleção de informações e
termos complementares não há nada em sua teoria acerca das técnicas empregadas para a
produção da imagem. E essas informações podem ser valiosas em certos tipos de instituições.

�5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O processo como um todo foi avaliado, destacando-se os pontos positivos e negativos e
as possíveis dificuldades que o indexador poderia ter ao utilizar a metodologia proposta,
comparando-a com outras metodologias mais populares.
Concluímos que o método não apresenta dificuldades, sendo tão simples quanto as
metodologias baseadas em Bléry ou Manini, as quais são frequentemente adotadas,
permitindo uma análise completa tanto dos aspectos objetivos quanto subjetivos da imagem a
ser trabalhada.
No geral, consideramos que a metodologia de Shatford oferece uma alternativa simples,
interessante e agradável aos métodos de indexação de fotografias comumente utilizados,
podendo tornar-se mais popular. Logo, questiona-se acerca do motivo pelo qual ele não
costuma ser adotado pelas instituições que possuem acervos imagéticos.

REFERÊNCIAS

MANINI, Mirian Paula. Análise documentária de fotografias: um referencial de leitura de
imagens fotográficas para fins documentários. Tese. 231 f. 2002. Universidade de São Paulo.
Disponível
em:&lt;
http://jforni.jor.br/forni/files/An%C3%A1lise%20document%C3%A1ria%20de%20fotografia
s%20-%20Miriam%20Manini.pdf&gt;. Acesso em: 30 abr. 2017.
PANOFSKY, Erwin. Iconografia e Icologia: Uma introdução ao estudo da arte da renascença.
In: PANOFSKY, Erwin. Significados nas artes visuais. 2.ed.São Paulo: Perspectiva,
1979.p.47 – 87.
SHATFORD, Sara. Some issues in the indexing of images. Journal of the American Society
for Information Science. [Washington, USA], v. 45, n. 8, p. 583-588, Set. 1994. Disponível
em: &lt;http://polaris.gseis.ucla.edu/gleazer/462_readings/Layne_1994.pdf&gt;. Acesso em: 16
maio 2017.
SMIT, Johanna Wilhelmina. A representação da imagem. Informare – Cadernos da PósGraduação, Ci. Inf., Rio de Janeiro, v.2, n.2, p. 28-36, jul./dez. 1996.

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