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                  <text>Controle no fluxo de processos na catalogação: um estudo de caso
na Biblioteca Central Ir. José Otão, da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul

Marcelo Votto Texeira (PUCRS) - marcelo.texeira@pucrs.br
Clarissa Jesinska Selbach (PUCRS) - clarissa.selbach@pucrs.br
Loiva Duarte Novak (PUCRS) - loivaduarte@gmail.com
Salete Maria Sartori (pucrs) - ssartori@pucrs.br
Resumo:
O presente estudo discorre sobre os fluxos de trabalho implantados no Setor de Tratamento da
Informação da Biblioteca Central Ir. José Ótão, da Pontifícia Universidade Católica do Rio
Grande do Sul, após a implantação das normas RDA (Resource Description &amp; Access). São
abordados os processos que envolvem as áreas da catalogação e a importância do controle dos
fluxos em tal atividade, buscando a qualidade no resultado final das operações técnicas da
biblioteca. Através de um estudo de caso, são apresentados os mapeamentos desenvolvidos, a
estrutura estabelecida e os consequentes impactos administrativos destes controles no setor
de catalogação da biblioteca universitária em questão. Ao longo do trabalho, busca-se
desenvolver conteúdos teóricos a fim de fundamentar uma gestão da catalogação voltada à
eficiência.
Palavras-chave: Gestão; Catalogação; Biblioteca Universitária
Eixo temático: Eixo 6: IV EEPC - Encontro de Estudos e Pesquisas em Catalogação.
Organização e Tratamento da Informação: tecnologias e novas ferramentas,
instrumentos, processos, produtos e serviços, políticas, cooperação.

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�1 INTRODUÇÃO
A conjuntura atual do mercado remete a organizações cada vez mais
estruturadas na busca por maior eficácia nos resultados de suas ações. Diante disto,
e no contexto da Biblioteconomia, repensar ações inerentes às bibliotecas e como
seus respectivos processos estão estabelecidos torna-se um fazer intrínseco ao
bibliotecário.
Dentro da prática bibliotecônomica é preciso desenvolver atividades rotineiras
que visem a padronização de processos. As teorias da administração podem auxiliar
o bibliotecário nessa tarefa. Entre estas teorias, temos a Escola Clássica que,
segundo Maciel e Mendonça (2006, p. 8), “[...] enfatiza a importância do
esclarecimento minucioso das tarefas, a atribuição de responsabilidades e
autoridades e a definição do itinerário de comando.”
Segundo as autoras, o trabalho nas bibliotecas não se desenvolve de forma
isolada, devendo estar de acordo com a missão da instituição. Ainda, para agilizar os
processos, as rotinas de trabalho devem ser elaboradas de forma coerente e
compatível, unindo as atividades que possuem características semelhantes e que
exijam um nível similar de especialização. (MACIEL; MENDONÇA, 2006).
No contexto da catalogação, pode-se afirmar que o fluxo de trabalho deve
existir para o controle de uma tarefa específica ou um conjunto de procedimentos
para a descrição de recursos específicos. Oliver (2011, p. 98) corrobora com o
exposto ao mencionar que “Por exemplo, é possível que haja fluxos de trabalho para
descrever determinado tipo de recurso, para registrar dados de autoridade sobre uma
pessoa física ou família ou pessoa jurídica, ou para executar uma atividade, como a
transcrição.”
Paralelo a isso, compreende-se que a prática da catalogação engloba mais do
que um conjunto normativo de códigos e sistemas. Idealizar a catalogação, dentro de
premissas gerenciais, requer um olhar desde as rotinas básicas até as mais
complexas sobre este fazer técnico.
Dessa forma, o presente relato de experiência objetiva apresentar o trabalho
desenvolvido pela equipe de bibliotecários do Setor de Tratamento da Informação
(STI) da Biblioteca Central Irmão José Otão, da Pontifícia Universidade Católica do
Rio Grande do Sul, frente ao estabelecimento e controle dos fluxos e processos
pertinentes à área de catalogação da biblioteca. A relevância deste trabalho encontrase na idealização de uma gestão da catalogação voltada à eficiência das atividades
executadas, assim como para servir de futuro aporte teórico para profissionais que
procurem sobre o estabelecimento de processos voltados exclusivamente à
catalogação.
2 PROCESSOS QUE ENVOLVEM A CATALOGAÇÃO
O STI da Biblioteca Central Irmão José Otão está inserido em uma estrutura
organizacional bem definida. O setor possui um Bibliotecário Sênior que atua na
coordenação, vinculado a Coordenação Técnica e Coordenação Geral da Biblioteca,

�ambas geridas por bibliotecários. Acima da Coordenação Geral da Biblioteca Central
está a Diretoria Acadêmico-Administrativa, subordinada à Pró-Reitoria Acadêmica
(PROACAD), que é vinculada à Reitoria da Universidade. Atualmente o setor possui
em seu quadro de funcionários: um bibliotecário sênior, quatro bibliotecários juniores,
nove auxiliares de biblioteca, um técnico em restauração de acervo e um auxiliar
administrativo.
O setor engloba as áreas de preparo técnico, processamento técnico e
restauração de acervo. No presente trabalho, serão abordadas as áreas de preparo
e processamento técnico, visto que o objetivo é desenvolver os fluxos de trabalho
especificamente na catalogação.
Segundo Maciel e Mendonça (2006), o processamento técnico envolve a
organização de coleções para disponibilização aos usuários, englobando: “[...] a
análise temática (classificação, indexação, etc.) e a análise descritiva (catalogação),
de cada unidade documental adquirida, de modo a facilitar o seu acesso, localização,
utilização e futuro intercâmbio” (MACIEL; MENDONÇA, 2006, p. 27). Também está
incluso o preparo do material para circulação com seus devidos instrumentos para
controle de uso no futuro. As autoras discorrem sobre o termo geral de
processamento técnico, contudo o conceito ainda pode ser dividido em
processamento e preparo técnico. Na Biblioteca Central Irmão José Otão, o preparo
técnico envolve a pré-catalogação dos materiais com uma descrição básica dos
elementos, seguindo as orientações do código Resource Description and Access RDA, além do registro do item no sistema Aleph e o preparo físico dos materiais com
carimbos e registros. Já o processamento técnico inclui saberes provenientes da
formação dos bibliotecários, o que abrange a indexação e a classificação, além da
revisão da representação descritiva. Após o processamento, os materiais retornam
ao preparo técnico para finalizar a impressão e a colagem de etiquetas, assim como
efetuar a conferência dos materiais a serem liberados para o acervo. Infelizmente
sabemos que esta é uma realidade de poucas bibliotecas brasileiras e entendemos
que na maioria delas, o processamento técnico engloba todas as atividades
mencionadas por Maciel e Mendonça (2006).
2.1 IMPLANTAÇÃO DOS FLUXOS DOS PROCESSOS
Com o estudo da migração do AACR2 para o RDA, desenvolvido pelo STI, foi
colocada em prática a implantação definitiva das normas do RDA. A partir disto, surgiu
a necessidade de reestruturação do trabalho e dos processos desenvolvidos pelo
setor, para que, gradualmente, fossem feitas as alterações no catálogo e a
reorganização das ações e funções exercidas pela equipe.
De acordo com Oliver (2011), os fluxos de trabalho e os mapeamentos são
duas importantes ferramentas de integração do RDA no trabalho rotineiro. O RDA é
uma norma exaustiva e minuciosa e que requer da equipe de catalogadores que a
utiliza, o conhecimento e controle sobre suas ações.
No caso do STI da Biblioteca Central José Otão, o estabelecimento dos
processos teve início na elaboração do documento intitulado Política de Tratamento

�da Informação da Biblioteca Central Irmão José Otão. Tal documento possui
representatividade na estrutura estabelecida ao setor por definir as áreas e suas
respectivas funções, os processos que envolvem a catalogação e os tipos de
materiais existentes no acervo da biblioteca.
Com isto, o STI foi departamentalizado. Segundo Chiavenato (2014), as
organizações não utilizam somente um tipo de departamentalização, mas sim
combinam dois ou mais tipos a fim de captar diferentes partes com diferentes
condições e diferentes pessoas. O STI da Biblioteca Central Irmão José Otão não é
diferente. Ele é departamentalizado de acordo com a sequência e os fluxos de
trabalho, assim como com a especialização das pessoas, dividindo os esforços num
espaço físico capaz de tornar o processo eficiente.
2.2 FLUXOS DOS PROCESSOS DO STI
O primeiro movimento desenvolvido no estudo do fluxo dos processos foi
compreender e mapear as denominadas ações das áreas de Preparo Técnico e
Processamento Técnico no Setor, ficando estabelecido conforme figura 1:

Figura 1 - Fluxograma de entrada e saída de materiais do STI
Fonte: Os autores (2017).

As ações de pré-catalogação e registro do item, pertencentes ao Preparo
Técnico, assim como todas as ações do Processamento Técnico são divididos entre
as equipes com base nos tipos de materiais apontados pela Política de Tratamento
da Informação. Ao estabelecermos esta divisão, definimos que materiais como, por
exemplo, Teses e Dissertações impressas e eletrônicas são sempre trabalhados pelo
mesmo Auxiliar de Biblioteca e Bibliotecário, da mesma forma que periódicos
impressos e eletrônicos são trabalhados por outro Auxiliar de Biblioteca e

�Bibliotecário. A partir do mapeamento realizado, estabeleceu-se que o setor
trabalharia na elaboração de manuais que oportunizassem o controle, padronização
e, seguidamente, a qualidade nas ações realizadas. Para isso, dentro da Política de
Tratamento da Informação ficou definido que os manuais do setor seriam criados
dentro de três tipos:
a) Manuais permanentes;
b) Manuais temporários;
c) Templates para catalogação por tipo de material;
d) Manuais de ajuda para cada campo do MARC21 para dados
bibliográficos e de autoridade.
Os manuais permanentes possuem como função estabelecer um padrão nas
ações de rotina realizadas pelas equipes. Tais ações compreendem desde rotinas
gerais, como a aplicação dos carimbos institucionais nos materiais impressos, até
rotinas de catalogação como, por exemplo, orientações para catalogação de leis e
tratados. Atualmente o setor possui vinte e três manuais permanentes.
Já os manuais temporários são documentos que norteiam uma ação que
possui início e término previstos, por exemplo, uma revisão necessária para a
correção ou alinhamento de um espaço do acervo ou o registro específico de uma
coleção. Tais manuais possuem como objetivo servir como histórico das ações
realizadas pelo setor em determinadas execuções, dando aporte para futuras
revisões similares. Dada a natureza destes manuais, a criação dos mesmos não é
controlada por número, apenas separados por nome e data de criação. Atualmente o
setor possui dezesseis manuais temporários elaborados.
Quanto às rotinas específicas da catalogação, estão disponíveis à equipe
templates com os campos do Formato MARC21 para cada tipo de material mapeado
no acervo da Biblioteca. Atualmente há quarenta e um templates de catalogação para
registros bibliográficos e sete templates para registros de autoridade. Dentro dos
templates, para cada campo e subcampo do Formato MARC 21 são elaborados
campos de ajuda, com exemplos e orientações sobre a descrição em RDA, além das
decisões aplicadas especificamente aos registros criados pelo STI.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Biblioteconomia, enquanto área interdisciplinar, engloba questões técnicas e
práticas no dia a dia. A área de catalogação especificamente possui atividades
estritamente técnicas, porém necessita de um olhar administrativo durante o
planejamento e divisão do trabalho. Desta forma, a estruturação do processo de
fluxos de trabalho se faz necessária e assim, foi desenvolvida e aplicada com
resultados satisfatórios no Setor de Tratamento da Informação da Biblioteca Central
Irmão José Otão.
Infelizmente sabemos que a realidade em bibliotecas universitárias brasileiras
é de escassez de recursos e carência de força de trabalho, talvez não sendo possível
efetuar uma divisão de tarefas bem estruturada e dividida. Contudo, acreditamos que
a gestão de fluxos e de processos pode atender aos diferentes tipos e tamanhos de

�bibliotecas, oferecendo boas condições de trabalho e um bom andamento das
atividades diárias.

REFERÊNCIAS
CHIAVENATO, Idalberto. Administração: teoria, processo e prática. 5. ed. Barueri,
SP: Manole, 2014. E-book.
MACIEL, Alba Costa; MENDONÇA, Marília Alvarenga Rocha. Bibliotecas como
organizações. Rio de Janeiro: Interciência; Niterói: Intertexto, 2006.
OLIVER, Chris. Introdução à RDA: um guia básico. Brasília, DF: Briquet de Lemos,
2011.

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