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                  <text>Estágio Supervisionado Obrigatório no Setor de Processamento
Técnico: o caso da Biblioteca Central da Universidade Federal de
Minas Gerais

Rosilene Moreira Coelho de Sá (UFMG) - rosileneufmg@yahoo.com.br
Resumo:
Apresenta as reflexões sobre o estágio supervisionado obrigatório no setor de processamento
técnico da Biblioteca Central da Universidade Federal de Minas Gerais. Considera que estágio
supervisionado obrigatório para os alunos do curso de Biblioteconomia da Escola de Ciência
da Informação da universidade supracitada é uma oportunidade para o estudante vivenciar a
prática de teorias aprendidas em sala de aula. O contato, mediado pelo supervisor, visa à
compreensão do aluno quanto ao funcionamento da unidade de informação. Apresenta o setor
de processamento técnico, no qual os estudantes cumprem 20 horas da carga horária total de
200 horas em que percorrem todos os setores da biblioteca (serviço de referência, espaço de
leitura, oficina de reparo, periódicos, biblioteca digital de teses e dissertações, processamento
técnico e chefia). Relata as rotinas do estagiário durante a estada no processamento técnico,
bem como as atividades desenvolvidas. Retrata o estágio no setor como uma perspectiva
singular na formação do aluno. Conclui que o estágio supervisionado obrigatório propicia ao
aluno de Biblioteconomia uma aproximação com a área de atuação por meio da interação e
aprendizagem prática na unidade de informação.
Palavras-chave: Estágio Supervisionado ObrigatórioTécnico -Biblioteca Central (UFMG)

Biblioteconomia

-

Processamento

Eixo temático: Eixo 7: Comunicação científica, formação do bibliotecário e o ensino de
Biblioteconomia.

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

�XXVII Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação
Fortaleza, 16 a 20 de outubro de 2017.
Resumo expandido de relato de experiência
Eixo Temático 7: Comunicação científica, formação do bibliotecário e o
ensino de Biblioteconomia.
Introdução:
O estágio supervisionado obrigatório em Biblioteconomia visa proporcionar
ao aluno o contato com unidades de informação. Esse contato deve ser mediado
por um supervisor, a fim de que o aluno tenha a percepção e vivência das técnicas
aprendidas nas aulas teóricas, bem como possa compreender o funcionamento
administrativo da unidade.
O estágio de estudantes é regulamentado pela Lei 11.788 de 25 de setembro
de 2008 (BRASIL, 2008), em seu Art. 1.º estabelece:
Estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no
ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho
produtivo de educandos [...]. O estágio faz parte do projeto
pedagógico do curso, além de integrar o itinerário formativo do
educando. O estágio visa ao aprendizado de competências próprias
da atividade profissional e à contextualização curricular,
objetivando o desenvolvimento do educando para a vida cidadã e
para o trabalho.

O prisma da prática no estágio supervisionado permitirá uma visão crítica
do aluno em relação às atividades desenvolvidas pela unidade de informação, bem
como viabilizará uma autocrítica de seu desenvolvimento enquanto futuro
profissional. Neste prisma, a Escola de Ciência da Informação da Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG) apresenta em seu Projeto Pedagógico do Curso
de Biblioteconomia e Gestão da Informação (2008, p. 14):
A idéia é que, neste momento, os alunos consigam
operar uma desejada síntese entre as questões teóricas e
os fazeres práticos vistos ao longo do curso, conjugandoas na preparação e na implementação de um projeto em
unidade de informação.
O aprendizado durante o estágio propicia ao estudante uma aproximação do
mercado de trabalho do ponto de vista profissional. O cenário das rotinas de
trabalho na biblioteca deve ser visto como estratégia para futura atuação

�profissional, uma vez que aliada aos conhecimentos teóricos deverá servir como
base para enfrentar os desafios que encontrarão ao concluir o curso.

Relato da experiência:
A Biblioteca Central da UFMG recebe todo semestre letivo 2 ou 3 estagiários
para cumprir a carga horária do estágio supervisionado obrigatório para os alunos
do curso de Biblioteconomia da Escola de Ciência da Informação da UFMG. Devido
à grande procura pelos alunos foi estabelecido que, prioritariamente, os alunos que
já fizeram estágio na biblioteca durante o curso têm preferência.
A carga horária a ser cumprida pelo estudante é de 200 horas. Sendo assim,
é designado pela chefia da biblioteca um cronograma com a carga horária por setor.
Os alunos passam por todos os setores da biblioteca, a saber: serviço de referência,
espaço de leitura, oficina de reparo, periódicos, biblioteca digital de teses e
dissertações, processamento técnico e chefia.
No setor de processamento técnico, foco deste relato de experiência, os
estagiários cumprem uma carga horária de 20 horas. Para direcionar a
permanência dos mesmos no setor foi criado um roteiro que abrange a visão do
setor como um todo. O objetivo é que o estagiário compreenda as rotinas de
trabalho da bibliotecária. O estagiário fica no setor por 5 dias, sendo 4 horas por
dia e têm o seguinte direcionamento:
1º dia: Apresentação do setor: informações e rotinas;
2º dia: Leitura do Manual UFMG1 (Catalogação de monografias). Instruções
sobre MARC21 (Machine Readable Cataloging) e Código de Catalogação
Anglo-Americano (AACR2);
3º dia: Dúvidas sobre as leituras e instrumentos de trabalho; Procedimento
de chegada de material; Pesquisa na base Pergamum (sistema usado pela
biblioteca) de livros a serem catalogados; Pesquisa nas bases de cooperação
(Biblioteca Nacional, Library of Congress, Rede Pergamum e outras) de
livros que não constam na base Pergamum UFMG;
4º dia: Catalogação em conjunto: importação, cópia, pendurar, implantação;
5º dia: Catalogação (implantação). Avaliação.
O aluno é apresentado às atividades inerentes do setor a fim de que
compreendam, na prática, os serviços de aquisição, classificação, catalogação e
1

Santos, Maria Helena; Souza, Vilma Carvalho de. AACR2 E MARC21: formato para dados
bibliográficos (ênfase monografias). Belo Horizonte: Sistema de Bibliotecas da UFMG. 2010. 111 p.

�indexação. É realizado também um trabalho em que se explica sobre o uso dos
instrumentos de trabalho: Classificação Decimal Universal (CDU), AACR2, CDROM da Rede Bibliodata, Tabela Cutter Sanborn. Cada aluno é convidado a se
apresentar e falar das expectativas sobre o estágio no setor, bem como de suas
experiências e conhecimentos sobre o serviço de catalogação.
A solicitação da leitura do Manual Catalogação de Monografias da UFMG
aos estagiários iniciou após percepção da bibliotecária de que os alunos chegam
sem entendimento claro sobre os campos do MARC 21. Outra constatação é que
lhes faltam a concepção do trabalho como um todo, já que eles têm a ideia somente
das partes: classificar, catalogar, indexar. Ao ler o manual o estudante tem a
oportunidade de aprofundar seus conhecimentos prévios na catalogação de
monografias, e também esclarecer dúvidas sobre campos e dados.
Quanto ao procedimento de chegada de material é explicado aos estagiários
como se faz conferência de notas fiscais e prestação de contas à contabilidade
referente aos materiais provenientes de compra. Em relação aos materiais doados
são apresentadas as normas de doação e o formulário de critérios para inserção
deste material no acervo. São instruídos quanto à preparação dos materiais:
carimbos, papeleta de data de devolução, etiqueta magnética. Após a preparação do
material, os estagiários são convidados a fazer a pesquisa sobre os títulos a serem
catalogados. Primeiramente pesquisa-se na base Pergamum do Sistema de
Bibliotecas da UFMG e depois, para obras não encontras no sistema, realizam a
pesquisa nas bases de cooperação (Biblioteca Nacional, Library of Congress, Rede
Pergamum etc. Normalmente o aluno tem pouco, ou nenhum, conhecimento de
pesquisa em outras bases, sendo assim a bibliotecária pontua dicas de pesquisas
que lhes poderão ser útil no futuro ambiente de trabalho.
No decorrer do estágio supervisionado é possível perceber, por meio do
diálogo, que os estudantes durante o curso de Biblioteconomia têm uma visão
fracionada do processamento técnico nas diversas disciplinas. Neste contexto
optou-se para que, em um primeiro momento, os estagiários façam uma
catalogação em conjunto com a bibliotecária. Deste modo pretende-se viabilizar
que os mesmos possam ter mais familiaridade com a atividade. Neste momento são
orientados na forma de como fazer importação, cópia, implantação e pendurar
exemplar. Durante a catalogação em conjunto surgem muitas dúvidas sobre o
tratamento técnico e suas principais atividades de registro, classificação,
catalogação, indexação e alimentação de dados na base, sendo para o estagiário a
oportunidade de acompanhar a prática e desenvolver novas competências.
Para finalizar a experiência no setor de processamento técnico, o estagiário é
convidado realizar todo o tratamento técnico de uma ou mais obras. Presume-se
que com os conhecimentos teóricos aprendidos durante o curso e após vivências e

�acompanhamento com a bibliotecária, ele esteja apto a realizar as atividades. Nesse
ínterim ele é acompanhado pela bibliotecária, entretanto as tomadas de decisões
cabem a ele. É um momento em que muitas incertezas vêem à tona e que o
estudante percebe que a importância em aliar teoria e prática, bem como
compreende que se faz necessário recorrer a colegas quando tiver dúvidas. Por fim,
após catalogar, o estagiário prepara a obra com a etiqueta e a libera para o acervo,
perfazendo assim todo o tratamento do item bibliográfico e disponibilizando-o para
recuperação e uso.
Ao final a bibliotecária solicita que o estagiário avalie sua estada no setor, a
fim de que, a partir do feedback, possa melhorar ou readequar as rotinas referentes
ao estágio supervisionado. É importante a colocação do aluno tanto para melhorias
para os próximos estágios supervisionados, quanto para eles refletirem sobre suas
necessidades enquanto futuro profissional. Normalmente o aluno expressa que no
início, quando são apresentadas as atividades que desenvolverão durante a semana,
acha desnecessária a leitura do Manual Catalogação de Monografias. Entretanto
quando na prática da catalogação entendem a importância da leitura e de se
inteirar dos instrumentos de trabalho. A visão do aluno é que o serviço de
catalogação seria bem mais simples. São levantados pela bibliotecária alguns
pontos para reflexão, como a importância de pensar no usuário e na recuperação da
informação como a razão para o trabalho do processamento técnico, bem como
conhecer as necessidades e especificidades do público com que se trabalha.
Considerações Finais:
O estágio supervisionado propicia ao aluno uma aproximação com a área de
atuação por meio da interação e aprendizagem na unidade de informação. O
estágio deve ser a oportunidade para crescimento, sendo assim o supervisor deve
receber o aluno com compromisso para contribuir para o desenvolvimento do
mesmo.
Neste sentido, Alves (2013, p. 834) destaca:
A importância do estágio para a formação profissional
não só como “possibilitador” de competências como
também elemento fundamental para o desenvolvimento
de comportamentos e atitudes que se espera de um
profissional desse mundo em constante mudança.
O processamento técnico evidencia uma perspectiva diferenciada na
formação do aluno, ao entender que ao imergir no contexto do tratamento técnico
da informação ele tem uma visão também de busca, recuperação e uso da
informação. Destaca-se ainda a compreensão do estagiário quanto às atividades do

�setor, as quais vão além das técnicas aprendidas em sala de aula, uma vez que
requer do bibliotecário prestação de contas para fins contábeis, contatos com
fornecedores entre outros.
Conclui-se que o panorama de experiências vivenciadas no estágio
supervisionado obrigatório culmina na complementação das atividades teóricas
aprendidas durante o curso de Biblioteconomia, possibilitando a reflexão do
estudante quanto ao campo de atuação e as atividades desenvolvidas pelo
profissional bibliotecário.

Referências:
ALVES, Marília Amaral Mendes. Estágio: utopia ou realidade? Relato de
experiência da coordenação de estágio da Escola de Biblioteconomia da UNIRIO.
Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 18, n. 1, p.
829-845, jan./jun. 2013. Disponível em:
&lt;http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/881/pdf&gt;. Acesso em: 01 jul. 2017.
BRASIL. Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008. Diário Oficial [da]
República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 26 de set. de 2008. Disponível
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11788.htm.
Acesso em: 01 jul. 2017.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Escola de Ciência da
Informação. Projeto Pedagógico do Curso de Biblioteconomia e Gestão da
Informação da Escola de Ciência da Informação da UFMG. Belo
Horizonte, 2008. Disponível em:
file:///C:/Users/Usuario/Downloads/PROJETO%20PEDAGOGICO.pdf. Acesso:
27 jun. 2017.

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