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                  <text>GESTÃO DE COLEÇÕES ESPECIAIS E LIVROS RAROS NO BRASIL:
UM ESTUDO SOBRE ENGENHARIA SOCIAL

Bruno Pacheco Coelho Leite (UFES) - brunopcleite@gmail.com
Resumo:
Este trabalho apresenta uma discussão preliminar sobre a prática de furtos de coleções
especiais e livros raros no âmbito das bibliotecas por meio de técnicas provenientes da
engenharia social. Aponta sobre a importância da execução de rotinas de treinamentos que
envolvam a segurança da informação em unidades de informação. As discussões praticadas
revelam que os profissionais da informação necessitam atualizar-se constantemente para
evitar que os estoques de informação especiais e raros sejam furtados pelos engenheiros
sociais. Alerta que notícias referentes ao extravio de materiais informacionais raros continuam
sendo veiculadas pelas principais mídias do Brasil. Além disso, relata que a maioria dos
criminosos conseguem obter maiores privilégios por comporem o quadro de funcionários das
instituições atacadas. As reflexões envolvendo a gestão de coleções especiais e livros raros em
consonância com as ações advindas da engenharia social indicam que as políticas de
segurança da informação das bibliotecas brasileiras são ineficazes e precisam ser revistas.
Palavras-chave: Obras raras. Bibliotecas. Segurança da informação. Engenharia social.
Eixo temático: Eixo 9: Bibliotecas, Preservação e Memória.(Gestão de Preservação em
Bibliotecas; Gestão de Coleções Especiais e Livros Raros; História dos
Bibliotecários e da Biblioteconomia no Brasil; Sustentabilidade, preservação e
baixo recursos; Democratização, acesso e preservação de acervos
patrimoniais).

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�XXVII Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação
Fortaleza, 16 a 20 de outubro de 2017
Modelo 1: resumo expandido de comunicação científica

1 Introdução
Ao adentrarmos nos espaços físicos das bibliotecas ou acessarmos os seus
catálogos online, é comum nos depararmos com uma seção específica para o
gerenciamento de obras raras, tais como livros.
De modo geral, o livro raro é caracterizado como um material difícil de se
encontrar em virtude de ter as seguintes particularidades: muito antigo, tratar-se de
um exemplar manuscrito, ter pertencido a uma personalidade com projeção e
influência dentro e fora do país ou ter sua importância reconhecida para
determinada área do conhecimento pelos seus pares (RODRIGUES, 2006, p. 115).
Conforme Greenhalgh e Manini (2015), o valor mercadológico de uma obra
rara é determinado pela demanda de oferta e procura de exemplares pelos
bibliófilos1. Os autores destacam que bibliófilos e bibliotecários possuem
perspectivas diferentes a respeito da raridade e relevância histórica dos livros tendo
em vista que para as bibliotecas o que interessa é o valor informacional do material.
No intuito de promover o acesso aos seus estoques de informação, percebese que as bibliotecas têm ampliado a prestação de seus serviços por meio das
tecnologias de informação e comunicação (TIC’s). Além de serem facilitadoras
nesse processo, às TIC’s contribuem para a salvaguarda das informações e dos
materiais informacionais pertencentes a esses espaços.
Nesse contexto, ressalta-se que a maioria das unidades de informação não
se atentam para as ameaças e vulnerabilidades advindas da Engenharia Social,
que de acordo com Fontes (2006, p. 120), refere-se ao “[...] conjunto de
procedimentos e ações que são utilizados para adquirir informações de uma
organização ou uma pessoa por meio de contatos falsos sem o uso da força, do
arrombamento físico ou de qualquer brutalidade”. Similarmente, Mitnick e Simon
(2003, p. 6) afirmam que a Engenharia Social “usa a influência e a persuasão para
enganar as pessoas e convencê-las de que o engenheiro social é alguém que na
verdade ele não é, ou pela manipulação”.
Destaca-se que os investimentos em ativos físicos e tecnológicos
relacionados à segurança da informação não são os únicos que precisam ser
revistos periodicamente, é preciso atentar-se para o comportamento dos recursos
humanos da unidade informacional, bem como se precaver das ações dos
engenheiros sociais para impedir que livros raros sejam furtados.

1

Em geral, o bibliófilo é o indivíduo que possui conhecimento sobre a história literária e diante da
sua paixão pelos livros, os coleciona.

�2 Método da pesquisa
Para o desenvolvimento do estudo e cumprimento dos objetivos definiu-se o
tipo de pesquisa como exploratória, uma vez que busca levantar informações e
familiarizar-se com os temas centrais investigados por intermédio da literatura
especializada.
Com relação aos passos procedimentais, configura-se como uma pesquisa
bibliográfica, já que “[..] é feita a partir do levantamento de referências teóricas já
analisadas, e publicadas por meios escritos e eletrônicos, como livros, artigos
científicos, páginas de websites” (FONSECA, 2002, p.32).
3 Resultados e Discussão
A veiculação de notícias sobre a ocorrência de furtos de obras raras em
bibliotecas brasileiras tem se tornado recorrente nos últimos anos, conforme
demonstrado na Figura 1.
Figura 1 – Mapa de grandes roubos de livros registrados desde 2003.

Fonte: COZER (2014).

�Além do apanhado apresentado, reportagens de repercussão nacional foram
publicadas entre os anos de 20162 e 20173, retomando a atenção da sociedade para
esse tipo de delito. De acordo com a reportagem de Brandalise (2016), a maioria
dos roubos de livros e obras de arte possui características semelhantes. Segundo
relatos, a ação é praticada por pessoas pertencentes ao quadro de funcionários da
instituição detentora dos materiais. As estatísticas revelam que essa modalidade de
crime visa atender encomendas advindas de pessoas bem instruídas e
conhecedoras do assunto.
Diante desses fatos, é preciso atentar-se para a qualidade da política de
segurança da informação aplicado nas unidades de informação, já que a proteção
dos livros raros é notavelmente frágil. A equipe responsável pelos materiais
informacionais raros deve ser instruída a respeito de como um engenheiro social
age para evitar a ocorrência de extravios.
Propor rotinas que incluam a capacitação dos profissionais da informação a
respeito das ameaças e vulnerabilidades na qual o acervo pode estar exposto tornase uma alternativa para que a equipe tenha a percepção das situações que são
capazes de comprometer seus ativos informacionais. Entende-se que as medidas
protetivas devam contemplar aspectos relativos à segurança física, tecnológica e
humana, sendo esta última a mais complexa, pois envolve características
psicológicas, socioculturais, emocionais e outras inerentes ao ser humano, que
podem se manifestar de diferentes maneiras em situações variadas de acordo com
a realidade de cada indivíduo.
4 Considerações Finais
A presente pesquisa revela que a segurança contra roubos e furtos de livros
raros ainda é deficiente em nosso país. As notícias sobre esse tipo de crime
continuam sendo veiculadas, demonstrando que as vulnerabilidades humanas
estão presentes e a probabilidade da ocorrência de extravio de materiais
informacionais raros é alta.
O que se evidencia é que a engenharia social presume confiança, e a
facilidade para se adquirir confiança pode ser ampliada caso o engenheiro social
integre o quadro de pessoal da instituição detentora dos ativos informacionais
encomendados. Dessa forma, o atacante se coloca em uma posição privilegiada e
abusa da confiança para conseguir obter o material pretendido.
É importante dizer que os ataques advindos dos engenheiros sociais estão
ficando cada vez mais sofisticados, as habilidades desenvolvidas por esses
indivíduos requer dos bibliotecários a conscientização sobre a necessidade de
reverem as políticas de segurança da informação das suas unidades de informação
a fim de se evitar futuros extravios.

2

BRANDALISE, V. H. Homens que roubam livros. O Estado de S. Paulo, São Paulo, mar. 2016.
Disponível
em:
&lt;
http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,homens-que-roubamlivros,10000022153&gt;. Acesso em: 25 jun. 2017.
3
BRANDALISE, V. B.; RIBEIRO, B. UFRJ sofre o maior furto de livros raros do Brasil. O Estado de
S. Paulo, São Paulo, abr. 2017. Disponível em: &lt; http://brasil.estadao.com.br/noticias/rio-dejaneiro,ufrj-sofre-o-maior-furto-de-livros-raros-do-brasil,70001757824&gt;. Acesso em 25 jun. 2017.

�Referências
BRANDALISE, V. H. Homens que roubam livros. O Estado de S. Paulo, São
Paulo, mar. 2016. Disponível em: &lt;
http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,homens-que-roubamlivros,10000022153&gt;. Acesso em: 25 jun. 2017.
BRANDALISE, V. B.; RIBEIRO, B. UFRJ sofre o maior furto de livros raros do
Brasil. O Estado de S. Paulo, São Paulo, abr. 2017. Disponível em: &lt;
http://brasil.estadao.com.br/noticias/rio-de-janeiro,ufrj-sofre-o-maior-furto-de-livrosraros-do-brasil,70001757824&gt;. Acesso em 25 jun. 2017.
COZER, R. Publicações raras e documentos históricos são alvo de quadrilhas.
Folha de São Paulo, São Paulo, jan. 2014. Disponível em: &lt;
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/01/1400456-publicacoes-raras-edocumentos-historicos-sao-alvos-de-quadrilhas.shtml&gt;. Acesso em 25 jun. 2017.
FONSECA, João José Saraiva de. Metodologia da pesquisa científica.
Fortaleza: UEC, 2002.
FONTES, E. Segurança da informação: o usuário faz a diferença. São Paulo:
Saraiva, 2006.
GREENHALGH, R. D. Análise bibliográfica: ferramenta de segurança em coleções
de livros raros. Encontros Bibli: revista eletrônica de biblioteconomia e ciência da
informação, v. 20, n. 42, p. 17-29, jan./abr. 2015. Disponível em: &lt;
https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/1518-2924.2015v20n42p17&gt;.
Acesso em 25 jun. 2017.
MITNICK, K. D.; SIMON, W. L. A arte de enganar: ataques de hackers:
controlando o fator humano na segurança da informação. São Paulo: Pearson
Makron Books, 2003.
RODRIGUES, Márcia C. Como definir e identificar obras raras?: critérios adotados
pela Biblioteca Central da Universidade de Caxias do Sul. Revista Ciência da
Informação, Brasília, v. 35, n. 1, p. 115-121, jan./abr. 2006. Disponível em:
&lt;http://eprints.rclis.org/8336/1/v35n1a12.pdf&gt;. Acesso em: 25 jun. 2017.

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