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                  <text>Tecnologia Assistiva em bibliotecas universitárias federais do
Nordeste

Cenidalva Miranda de Sousa Teixeira (UFMA) - cenidalva@gmail.com
Vanessa Thalyane Pereira Ferreira (UFMA) - pereiraferreirav@gmail.com
Resumo:
Apresenta um estudo descritivo sobre o uso dos softwares de Tecnologia Assistiva (TA) nas
bibliotecas universitárias federais do Nordeste brasileiro. Objetiva apresentar a situação
dessas bibliotecas quanto ao uso de tais softwares, enquanto ferramentas indispensáveis para
promoção da acessibilidade informacional ao usuário com deficiência. Adota por metodologia
as pesquisas: bibliográfica, documental e de campo, com abordagem quanti-qualitativa.
Discorre sobre os principais conceitos relacionados à acessibilidade, destacando deficiência,
inclusão social, desenho universal e sociedade inclusiva. Expõe aspectos conceituais do campo
da Tecnologia Assistiva, enfatizando a importância dessa área para a promoção dos direitos
fundamentais das pessoas com deficiência. Descreve os softwares de TA identificados na
literatura. Mostra a aplicação dos recursos de TA no contexto das bibliotecas universitárias,
discutindo o papel do bibliotecário enquanto mediador entre o usuário com deficiência e a
informação. Relata os resultados obtidos após análise dos dados que apontam a predominância
de softwares para pessoas com deficiência visual. Conclui que a escassez de softwares para o
atendimento dos demais grupos de usuários com deficiência está associado dentre outros
fatores, à falta de interesse do bibliotecário em buscar essas ferramentas.
Palavras-chave: Pessoas com deficiência. Acessibilidade. Tecnologia Assistiva. Softwares
acessíveis. Biblioteca universitária inclusiva.
Eixo temático: Eixo 2: Não devemos deixar ninguém para trás

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�XXVIII Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e
Documentação
Vitória, 01 a 04 de outubro de 2019.

1 INTRODUÇÃO
No contexto das bibliotecas, as discussões sobre acessibilidade se concentram
nas dimensões física e informacional. Em se tratando dos usuários com deficiência,
muitas vezes, essas instituições dedicam maior atenção para a acessibilidade física. A
acessibilidade informacional pode ser promovida a partir da adoção de Tecnologia
Assistiva (TA), recursos desenvolvidos para pessoas com deficiência. A utilização
dessa tecnologia é importante para se alcançar uma sociedade inclusiva, que visa a
igualdade de oportunidades e a participação plena das pessoas com deficiência no
âmbito social.
Essas discussões são de suma importância para a desconstrução da ideia de
deficiência como sinônimo de incapacidade, pois, as pessoas com deficiência têm
dificuldade de desempenhar algumas tarefas, devido às barreiras do ambiente no qual
estão inseridas e não por serem incapazes de fazê-las. Além disso, pesquisas neste
campo contribuem para o desenvolvimento de novos recursos tecnológicos para
acessibilidade, uma vez que a tecnologia consiste na aplicação dos conhecimentos
científicos produzidos. Outra consequência positiva destas discussões é o despertar de
uma maior consciência social nas pessoas.
A partir de percepções diárias, notam-se falhas na prática da acessibilidade. Por
isso, estudos são necessários para a identificação de causas e proposta de soluções. O
desenvolvimento de novas pesquisas sobre este tema pode ampliar as possibilidades
para se combater o desrespeito aos direitos desses cidadãos e o descaso com o qual
suas necessidades são tratadas. Levando-se em conta a importância de estudos nesta
área, e que a região Nordeste apresentou os municípios com maiores índices de
pessoas com deficiência, no censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (2012), este estudo tem a seguinte questão norteadora: Qual a situação das
bibliotecas universitárias federais do Nordeste brasileiro, quanto ao uso de softwares de
TA?
O objetivo geral é apresentar um estudo sobre as bibliotecas das Universidades
Federais da Região Nordeste do Brasil no que diz respeito à utilização de softwares de
Tecnologia Assistiva, enquanto ferramentas indispensáveis para o atendimento
satisfatório das necessidades informacionais do usuário com deficiência. Os objetivos
específicos são: identificar os principais conceitos relacionados à acessibilidade e à
Tecnologia Assistiva; conhecer os softwares de Tecnologia Assistiva disponíveis no
mercado para pessoas com deficiência visual, auditiva, intelectual e motora; mostrar a
prática da acessibilidade e o uso de recursos de Tecnologia Assistiva em bibliotecas
universitárias; descrever a situação das bibliotecas universitárias federais do Nordeste
brasileiro, refletindo sobre o uso dos softwares de Tecnologia Assistiva.

�2 MÉTODO DA PESQUISA
Quanto aos objetivos, a pesquisa se caracteriza como descritiva, que exige por
etapa anterior a pesquisa exploratória. O caráter exploratório ocorre quando se busca
mais informação sobre um tema para delimitá-lo, definir objetivos, identificar novos
enfoques, etc. (ANDRADE, 1999). O caráter descritivo ocorre quando não há
interferência do pesquisador, que apenas descreve seu objeto de pesquisa.
Quanto aos procedimentos técnicos, a pesquisa se caracteriza como
bibliográfica, que busca colocar o pesquisador em contato direito com todo
conhecimento registrado sobre determinado assunto, inclusive conteúdos de eventos
científicos, publicados ou gravados (MARCONI; LAKATOS, 2003). Caracteriza-se
também como documental, pois, utiliza-se da legislação brasileira que versa sobre os
direitos das pessoas com deficiência e de documentos internacionais referentes ao
assunto. A pesquisa se caracteriza ainda como empírica, sendo realizada nas dezoito
bibliotecas universitárias federais do Nordeste brasileiro, e devido às questões
geográficas, os dados foram coletados por meio do Google Forms, ferramenta que
permite a criação de questionários com perguntas abertas, fechadas ou mistas. Após a
construção do instrumento, este é disponibilizado através de um endereço eletrônico.
Com base nas leituras realizadas durante as etapas de pesquisa bibliográfica e
documental, foram criadas duas versões do questionário: uma para as bibliotecas que
possuem softwares de TA, e outro para as bibliotecas que ainda não utilizam o recurso.
Os questionários possuem perguntas abertas e foram enviados por e-mail aos gestores
das dezoito bibliotecas, sendo que cinco destes questionários não retornaram. As
informações para contato foram coletadas no site das instituições. O link para acesso
aos questionários ficou disponível entre 30 de novembro de 2017 e 30 de novembro de
2018. Para a análise dos dados, adotou-se a abordagem quanti-qualitativa, pois, além
da quantificação dos resultados, foi feita a compreensão do objeto de estudo, de modo
a se produzirem informações aprofundadas sobre o mesmo.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para as bibliotecas que possuem softwares de TA, questionou-se sobre: o ano
de aquisição da mesma, o nome dos softwares adotados, o responsável pela iniciativa
de adquirir os softwares, a participação do bibliotecário em treinamento para manuseio
desse recurso, os benefícios proporcionados aos usuários com deficiência pelo uso da
ferramenta e a existência de projetos para aquisição de novos softwares.
No que se refere ao ano de aquisição dos softwares, os dados mostram que
esses foram adquiridos entre os anos de 2010 e 2018, quase três décadas após o início
das discussões acadêmicas sobre acessibilidade no Brasil, como expõe Wagner et al.
(2010). Na década de 1990 foram criados ainda dois dos softwares mais populares no
país, Dosvox e JAWS, sendo que o primeiro é uma opção gratuita. Esses dados
mostram que a adoção dessas ferramentas está ocorrendo de forma lenta e gradual,
mesmo com a existência de opções sem custo.
Quando questionadas sobre o responsável pela iniciativa de aquisição dos
softwares, cinco bibliotecas apontaram o bibliotecário. Das demais, duas foram
iniciativas da administração superior, uma do Núcleo de acessibilidade e uma da equipe
de Tecnologia da Informação (TI) da universidade. A predominância das inciativas por
parte dos bibliotecários é interessante, pois, este é responsável pela mediação entre o

�usuário e o conhecimento disponibilizado pela biblioteca, como apresentado por
Gonçalves (2012). Portanto, compete a esse profissional buscar os subsídios
necessários ao cumprimento desse papel.
Em relação à participação do bibliotecário em treinamento para manuseio dos
softwares de Tecnologia Assistiva, cinco bibliotecas deixaram claro que o profissional
não realizou o treinamento, pelos seguintes motivos: em três bibliotecas, o treinamento
não foi oferecido; em duas, o treinamento não era voltado para o profissional, mas para
usuários e técnicos; e em uma, o treinamento não foi necessário, pois, a bibliotecária
conhecia o software. Embora seja necessário que profissional esteja preparado para
auxiliar o usuário até que esse se torne independente, a falta de treinamento no uso
dos softwares de TA pode não ser necessariamente um problema, pois, muitas opções
de softwares são de fácil manuseio. Além disso, por meio de uma simples busca na
internet, é possível se localizar manuais e tutoriais para utilização dessas ferramentas.
Quando questionadas sobre os benefícios do uso dos softwares de TA, duas
bibliotecas não puderam responder, uma por não ter usuários nessa categoria e outra
por ter apenas um. Esses dados mostram falta de preocupação com o usuário
potencial. Um benefício apontado por uma das bibliotecas foi o atendimento mínimo
proporcionado a esse grupo de usuários. Tal reconhecimento é fundamental para a
atuação da biblioteca como organização inclusiva, pois, ao suprir as necessidades
desse grupo de usuários, a biblioteca está atendendo à reivindicação e ao direito das
pessoas com deficiência à acessibilidade, fato que, na visão de Souza et al. (2015),
vem ocorrendo há quase oito décadas.
Em relação à pretensão de aquisição de novos softwares, apenas três bibliotecas
afirmaram possuir projetos com essa finalidade, mas não mencionaram nomes, por
estarem em processo de estudo/pesquisa. Das bibliotecas que não possuem projetos,
apenas uma utiliza softwares voltados para o atendimento das deficiências visual,
auditiva e motora. As demais, possuem somente softwares leitores de tela, o que
reforça a necessidade de se atentar para as demais deficiências.
Para bibliotecas que não possuem softwares de TA, questionou-se sobre: o
motivo da não utilização dos softwares, como os usuários com deficiência são
atendidos pela biblioteca, a capacitação dos funcionários para atender a esse grupo de
usuários, e a existência de projetos futuros para a aquisição de softwares de TA.
No que diz respeito ao motivo das bibliotecas não terem adotado softwares de
TA, tem-se que: uma biblioteca não soube responder, dado que sugere a falta de
engajamento do bibliotecário com a organização na qual atua; uma afirmou não possuir
política de inclusão, problema que pode ser solucionado por uma atitude proativa do
profissional visando a construção desse instrumento; uma informou que não possui
pessoal técnico para operar esses recursos, o que significa que falta conhecimento
sobre a existência de ferramentas de fácil manuseio, com manuais e tutorias
disponíveis na internet; e uma não respondeu a questão, pois, afirmou está em
processo de aquisição do software leitor de telas NVDA.
Em relação ao atendimento feito pela biblioteca na ausência dos softwares de
TA, pode-se dizer que: a biblioteca que atende ao usuário com deficiência de maneira
tradicional é a mais distante do ideal de biblioteca inclusiva; a biblioteca que realiza o
atendimento personalizado trabalha com uma concepção que remete ao modelo
médico de deficiência; as duas bibliotecas que possibilitam esse atendimento com
adaptações no ambiente e mobiliário estão promovendo a acessibilidade física, sendo

�que uma delas utiliza ainda recursos de TA, e possui site e acervo acessíveis, a mais
preparada para atender aos usuários com deficiência.
No que se refere à capacitação do bibliotecário e demais funcionários para
atender ao usuário com deficiência, em duas bibliotecas os funcionários passaram por
capacitação direcionada ao conhecimento em Libras, sendo que uma delas mencionou
ainda um curso de sensibilização/humanização e um bate-papo inclusivo. Esta ação
contribui para que o bibliotecário não apenas possa atender com mais eficiência a esse
grupo de usuários, mas também esteja mais preparado para exercer o seu papel de
despertar uma consciência inclusiva na comunidade acadêmica, em consonância com o
que apresentam Ferreira e Chagas (2016).
No que diz respeito à pretensão das bibliotecas por adquirir softwares de TA, três
dessas organizações possuem projetos futuros. Tais bibliotecas não deixaram claro
quais softwares pretendem adquirir, mas uma delas mencionou recursos de TA que
serão adotados, como piso tátil e vídeos em Libras, e outra, a construção de uma sala
de recursos, em parceria com o Núcleo de Acessibilidade da universidade. Pode-se
dizer que essas bibliotecas estão criando ambientes propícios para a busca,
recuperação e uso da informação pelo usuário com deficiência, como exposto por
Santos e Araújo (2013).
Embora doze das treze bibliotecas tenham, pelo menos, um software de TA ou
planos em andamento para a sua aquisição, a situação não é animadora, pois, a
maioria desses softwares é voltada somente para o atendimento dos usuários com
deficiência visual. Apenas uma biblioteca possui softwares para suprir as necessidades
informacionais das pessoas com deficiência visual, auditiva e motora, estando
minimamente preparada para atendê-las.
4 CONCLUSÃO
Os principais conceitos identificados referentes à acessibilidade e à Tecnologia
Assistiva foram: deficiência, que leva em consideração as limitações ocasionadas pelo
ambiente no qual a pessoa está inserida; desenho universal, que traz uma nova
perspectiva sobre a questão da acessibilidade, pois, propõe a ideia de acesso a todas
as pessoas, independentemente das diferenças; e sociedade inclusiva, que tem por
base o respeito à diversidade humana, por meio da aceitação às diferenças.
Em relação à situação das bibliotecas universitárias federais do Nordeste, podese dizer que à primeira vista, esta é animadora, mas uma análise profunda dos dados
da pesquisa revela o contrário. Embora a maioria das bibliotecas tenha softwares de
TA, esses se concentram no atendimento ao público com deficiência visual. Isso
significa que essas bibliotecas não estão buscando atender satisfatoriamente a todos
os seus usuários, já que essas ferramentas são necessárias para o acesso ao
computador, um dos principais meios de promoção da acessibilidade informacional.
Além disso, a maior parte das bibliotecas não deu continuidade ao processo de
aquisição dos softwares, sendo que apenas uma delas possui ferramentas para atender
aos usuários com deficiência visual, auditiva e motora.
Sendo assim, pode-se dizer que as bibliotecas universitárias federais do
Nordeste estão caminhando a passos lentos na construção de um ambiente inclusivo, o
que pode mudar se houver um despertar da consciência inclusiva de seus profissionais.
Cabe ao bibliotecário está atento às novidades disponíveis no mercado, referentes a

�esses recursos. As limitações são superadas quando o ambiente está adequado para
receber a esses cidadãos. O processo de inclusão se finda quando a sociedade
inclusiva é alcançada, havendo equiparação de oportunidades e igualdade de direitos.
REFERÊNCIAS
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ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à metodologia do trabalho científico.4.
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http://www.periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/bibliomar/article/download/6623/427
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              <text>Apresenta um estudo descritivo sobre o uso dos softwares de Tecnologia Assistiva (TA) nas bibliotecas universitárias federais do Nordeste brasileiro. Objetiva apresentar a situação dessas bibliotecas quanto ao uso de tais softwares, enquanto ferramentas indispensáveis para promoção da acessibilidade informacional ao usuário com deficiência. Adota por metodologia as pesquisas: bibliográfica, documental e de campo, com abordagem quanti-qualitativa. Discorre sobre os principais conceitos relacionados à acessibilidade, destacando deficiência, inclusão social, desenho universal e sociedade inclusiva. Expõe aspectos conceituais do campo da Tecnologia Assistiva, enfatizando a importância dessa área para a promoção dos direitos fundamentais das pessoas com deficiência. Descreve os softwares de TA identificados na literatura. Mostra a aplicação dos recursos de TA no contexto das bibliotecas universitárias, discutindo o papel do bibliotecário enquanto mediador entre o usuário com deficiência e a informação. Relata os resultados obtidos após análise dos dados que apontam a predominância de softwares para pessoas com deficiência visual. Conclui que a escassez de softwares para o atendimento dos demais grupos de usuários com deficiência está associado dentre outros fatores, à falta de interesse do bibliotecário em buscar essas ferramentas.</text>
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