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                  <text>Competência informacional: uma análise com acadêmicos de
pós-graduação

Robson de Paula Araujo (USP) - paraujo.robson@gmail.com
Rogério Ferreira Marques (UFPB) - rogerioferreiramarques1@gmail.com
Lilian Aguilar Teixeira (UFMS) - teixeiralili@gmail.com
Mourâmise Moura Viana (Campo Grande) - mouramise@gmail.com
Resumo:
O objetivo deste artigo foi comparar o comportamento informacional dos pós-graduandos de
duas universidades públicas, de João Pessoa/PB e de Ribeirão Preto/SP, duas regiões distintas.
Foram aplicados questionários para verificar como realizam o processo de busca da
informação,bem como na identificação de suas necessidades informacionais. Os dados
analisados
identificaram os níveis de competência com que os estudantes utilizam fontes e recursos
informacionais e de acordo com as respostas dos participantes, foi analisado que existem
semelhanças comportamentais que envolvem a competência informacional.
Palavras-chave: Competência informacional. Acesso à informação. Biblioteca universitária.
Estudo de usuário
Eixo temático: Eixo 6: Gestão de bibliotecas

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

�XXVIII Congresso Brasileiro de
Biblioteconomia e Documentaçã
Vitória, 01 a 04 de outubro de 2019.

Introdução

A biblioteca universitária tem como objetivo dar apoio às atividades de
ensino, pesquisa e extensão, atendendo as demandas informacionais de toda a
comunidade acadêmica. Com o desenvolvimento das novas Tecnologias de
Informação e Comunicação (TICs), as bibliotecas têm permitido acesso a seus
conteúdos de forma remota por meio de suas bases em rede. Capurro et al.(2007)
comentam que a era da informação pode também ser chamada de era de acesso.
Sob este aspecto, a biblioteca e os profissionais da informação, no papel de
mediadores da informação, precisam estabelecer uma relação de diálogo com
seus usuários, subsidiando-os com recursos e ferramentas para apoio à busca e
recuperação da informação, fornecendo-lhes meios para desenvolver suas
competências informacionais.
No contexto de enormes contingentes informacionais é essencial, sob a
ótica de Belluzzo (2014, p. 61), que os indivíduos tenham competências e
habilidades para reconhecer suas necessidades de informação, para buscá-la,
selecioná-la e avaliá-la.
Porém, faz-se necessário conhecer os caminhos trilhados por estes
usuários na busca por sua demanda por informação. Nesta linha de raciocínio é
que se pretende identificar se os discentes de duas universidades públicas, de
diferentes regiões possuem familiaridade com as ferramentas de buscas,
verificando-se através de questionários se realizam o processo de forma
autônoma e se possuem dificuldade em localizar, avaliar e selecionar eficazmente
a informação necessária para sua demanda informacional.
A importância em se desenvolver a competência da informação nos
discentes do ensino superior tem suscitado muitas pesquisas e análises entre os
profissionais da Ciência da Informação. Tal iniciativa é justificável, já que as
percepções dos usuários são colaborativas, no sentido de identificação das suas
necessidades investigativas, assim como a avaliação dos produtos e serviços
disponibilizadas pelas unidades de informação.

�Método da pesquisa:
As principais técnicas para o estudo de uso e de usuários de sistemas de
informação, segundo Le Coadic (1996, p. 50), provêm das ciências sociais e são a
observação, entrevista, questionário e diário. Neste sentido, intenta-se realizar
uma pesquisa de campo, em uma abordagem quali-quantitativa, a partir do
método descritivo. Marconi e Lakatos (1999, p. 85) define pesquisa de campo como
aquela utilizada com o objetivo de conseguir informações
e/ou conhecimentos acerca de um problema para o qual se
procura uma resposta, ou de uma hipótese que se queira
comprovar, ou ainda descobrir novos fenômenos ou as
relações entre eles. Consiste na observação de fatos e
fenômenos tal como ocorrem espontaneamente, na coleta
a eles referente e no registro de variáveis que se presume
relevantes, para analisá-los.

O cenário da pesquisa é composto por duas bibliotecas universitárias
públicas, uma em Ribeirão Preto/SP e outra em João Pessoa/PB, com uma
amostragem dos discentes de pós-graduações em distintas áreas. O critério
adotado para definir o universo da pesquisa dá-se por entender que os discentes
necessitam de orientação quanto aos recursos de busca e recuperação da
informação disponibilizados pela biblioteca.
Resultados:
Foi realizada a média das respostas dos participantes para cada questão.
Participaram desta pesquisa 41 alunos pós-graduandos em uma Universidade, em
João Pessoa, e 12 pós-graduandos de uma Universidade de Ribeirão Preto, com
questionários enviados tanto por e-mail quanto aplicados pessoalmente para
alunos de áreas multidisciplinares.
De acordo com os resultados apresentados no questionário, verificou-se
similaridades na questão de comportamento informacional: grande percentual dos
entrevistados de ambas universidades responderam que possuem habilidades em
realizar o planejamento da busca de informações encontradas nas diversas fontes
(Quadro 1).

�Quadro 1 - Planejamento da pesquisa/investigação

Para Belluzzo (2014, p. 61), competência informacional pode ser entendida
“[...] como um conjunto de competências e habilidades que uma pessoa necessita
incorporar para lidar, de forma crítica e reflexiva, com os diversos recursos
informacionais existentes [...]”.
Outra questão em que ambas apresentaram semelhanças foi que, apesar
de o contexto atual ser dominado pelas tecnologias de informação, os
entrevistados preferem os métodos tradicionais de consulta às obras de
referências (livros, teses, dissertações...), demonstrando que a biblioteca física
continua sendo o principal recurso utilizado pelos estudantes (Quadro 2).
Quadro 2 - Início da pesquisa/investigação

Neste sentido, Targino (2006) recomenda que as bibliotecas devem
priorizar mais o acesso que a disponibilidade da informação, ou seja, dar
condições de acessibilidade a qualquer informação, pois os alunos preferiram os
materiais da biblioteca.
Na questão que envolve conhecimento dos métodos de investigação
(exploratório, descritivo, explicativo, qualitativo etc.), ambos locais demonstraram
que os entrevistados possuem conhecimento mediano (Quadro 3).

�Quadro 3 - Conhecimento dos métodos de investigação

A diferença do comportamento informacional apontada foi na questão de
gerenciamento das informações: os entrevistados de Ribeirão Preto dão
preferência para organização manual das referências, já os de João Pessoa
preferem organizar utilizando gerenciadores de referências (Quadro 4).
Quadro 4 - Gerenciamento da informação

Accart (2012) lembra que a orientação para uso das ferramentas de
referência tem o objetivo de fazer com que o usuário se aproprie dos instrumentos
e métodos de pesquisa disponíveis, de forma a permitir intercâmbio e
compartilhamento de conhecimentos.
De acordo com a Association of College &amp; Research Libraries (ACRL,
2000, tradução nossa), uma pessoa é “information literacy” quando ela tem a
capacidade de localizar, avaliar e utilizar eficazmente a informação necessária de
forma autônoma. São pessoas “que aprenderam a aprender” e sempre vão ter
aptidões para encontrar informação para qualquer decisão ou tarefa, porque
sabem como o conhecimento é organizado.
Assim, a competência informacional está mais relacionada à capacidade de
aprendizado ao longo da vida, utilizando-se da encontrabilidade e uso crítico e
reflexivo das fontes de informação, proporcionando uma mudança de
comportamento e na forma de manejo do conhecimento, do que propriamente
apenas ao aprendizado do processo de recuperação da informação.

�Considerações Finais:
Neste sentido, a biblioteca precisa envidar esforços no intuito de
compreender os caminhos trilhados por seus usuários na busca da informação,
para prepará-los para uso dos seus sistemas, de forma que tenham
independência na busca em todos os formatos e ambientes que a biblioteca
disponibiliza seus recursos informacionais.
Ela deve fazer a mediação para que a informação, tanto a desejada quanto
ainda outras que não estejam na questão inicial, sejam encontradas, quer seja
uma consulta a um índice, a uma base de dados ou acesso ao sistema de
informação da unidade.
O resultado dessa investigação demonstrou que os acadêmicos
pesquisados de ambas universidades possuem a competência informacional no
que se refere a habilidades para a busca, uso e avaliação da informação que
necessitam.

Referências:
ACCART, J. P. Serviço de referência: do presencial ao virtual. Briquet de Lemos:
Brasília, DF, 2012.
ASSOCIATION OF COLLEGE &amp; RESEARCH LIBRARIES (ACRL). Normas sobre
aptitudes para el acceso y uso de la información en la enseñanza
superior.Chicago: ALA, 2000
BELLUZZO, R. C. B. A competência da informação e sua avaliação sob a ótica da
mediação da informação: reflexões e aproximações teóricas. Informação e
Informação, Londrina, v. 19, n. 2, p. 60-77, maio/ago. 2014.
CAPURRO, R.et al. O conceito de informação. Perspectivas em Ciência da
Informação, Belo Horizonte, v. 12, n. 1, p. 148-207, jan./abr. 2007.
LE COADIC, Y. F. A Ciência da Informação. Brasília, DF,: Brinquet de Lemos,
1996.
MARCONI, M. D. A.; LAKATOS, E. M. Técnicas de pesquisa: planejamento e
execução de pesquisa, amostragens e técnicas de pesquisas, elaboração, análise
e interpretação de dados. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1999.
SILVA, Bethânia Oliveira. Letramento informacional: uma análise dos formandos
em biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás no ano de 2010. 62 f.
Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Biblioteconomia) – Faculdade de
Comunicação e Biblioteconomia, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2011.
TARGINO, M. D. G. Olhares e fragmentos: cotidiano da Biblioteconomia e
Ciência da Informação. Teresina: EDUFPI, 2006.

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