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                  <text>Estatísticas do atendimento de referência da Biblioteca Central da
UnB

Marcelo Augusto Dias Scarabuci (UnB) - marcelo.scarabuci@gmail.com
Resumo:
Descreve a construção das estatísticas de atendimento do setor de referência da BCE-UnB,
que voltaram a existir após 24 anos de ausência deste tipo de dado. As mudanças das
necessidades do usuário e das tecnologias disponíveis exigiram do setor uma readaptação dos
indicadores de atendimento existentes anteriormente. Atualmente, os serviços de atendimento
são apresentados como atendimentos: rápidos (nível 1), médios (nível 2) e avançados (nível 3),
e exigem empenho e compromisso da equipe para que sejam devidamente registrado. Estes
registros nos dão um panorama completo de quantidade e intensidade dos atendimentos,
capazes de subsidiar decisões e redistribuir atividades do setor, seguindo a sazonalidade das
atividades acadêmicas.
Palavras-chave: Estatística, Serviço de referência, Biblioteca Universitária, Atendimento de
referência
Eixo temático: Eixo 6: Gestão de bibliotecas

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�1- INTRODUÇÃO
Os dados estatísticos do setor de atendimento de uma biblioteca universitária são vitais
para o melhor entendimento das demandas dos usuários, da estrutura do setor de referência e
da intensidade do serviço demandado aos atendentes.
A Biblioteca Universitária é ponto de referência e de destaque de sua instituição, por
onde circula toda a comunidade acadêmica. A Biblioteca Central (BCE) da UnB foi a primeira
biblioteca central universitária do país e, para tanto, ocupa geograficamente um lugar de
destaque no campus universitário Darcy Ribeiro, recebendo 3 mil visitantes por dia.
Em sua essência, as bibliotecas devem suprir as necessidades informacionais de seus
consulentes e, para tal, o balcão de atendimento deve ser composto por profissionais
capacitados, com perfil de referência, e ofertar serviços que recepcionem e acolham seus
estudantes, desde suas necessidades básicas acadêmicas às necessidades informacionais
avançadas.
Todo tipo de atendimento que chega ao balcão deve ser registrado, portanto, podemos
possuir um número absoluto baixo, porém de alta complexidade, ou um número absoluto alto,
mas de baixa complexidade, de acordo com as épocas de aferição. Ambos os casos exigem
muito do profissional de referência e os dados coletados ao final são vitais para o entendimento
das demandas dos usuários e do direcionamento das competências dos profissionais.
O objetivo deste trabalho é relatar a construção do modelo de estatísticas atual do
atendimento de referência da BCE-UnB e divulgá-lo a quem possa interessar.
2- O SERVIÇO DE REFERÊNCIA DA BCE-UNB
O serviço de referência da BCE-UnB estava previsto já no primeiro organograma de
1962, feito por Edson Nery da Fonseca, e se preocupava em recepcionar e orientar seus
estudantes. Conforme o ofício OF/BC 64/608 onde o então coordenador da BCE, Abner
Vicentini, aponta que de acordo com os procedimentos adotados em bibliotecas universitárias
norte americanas e européias, e “considerando que os nossos estudantes entram na
universidade sem conhecimento sobre a biblioteca universitária”, todos os estudantes que iriam
ingressar no primeiro semestre de 1965 precisam passar por uma instrução de uso na
Biblioteca. Essa foi a primeira atividade documentada do serviço de Referência da BCE-UnB, e
possivelmente o primeiro registro de serviço de referência em universidades no Brasil

�Onde antes se focava na posse da informação, a Biblioteca Universitária era referida
como depositária do conhecimento, agora foca-se no acesso e a uma quantidade muito maior
de documentos, prezando pela qualidade e utilidade da informação. Uma mudança de
paradigma, como ressaltam Lopes e Silva (2006, p. 1, apud SCHWEITZER, 2008) e Lemos
(2002, p. 23). O reflexo deste novo paradigma, na prática do bibliotecário de referência, é a
visão de ensinar o processo de pesquisa em um ambiente virtualizado pela máquina
(SCARABUCI, 2018, p.36). Esse ambiente virtual não apenas tornou a consulta ao acervo
físico em ambiente eletrônico, mas permitiu, posteriormente, a conexão com outras bibliotecas.
Atualmente, o serviço de referência da BCE-UnB trabalha com capacitações e com o
atendimento de balcão. A capacitação ocorre em quatro linhas básicas: Visita guiada, para
calouros ou visitantes; Pesquisa em bases de dados; Gerenciador de referência, para;
Propriedade intelectual. O atendimento de balcão atende todos os tipos de usuários,
respondendo desde perguntas simples a perguntas mais complexas. O bibliotecário que está
em um balcão de uma grande biblioteca, representativa em sua instituição e geograficamente
bem localizada, também pode receber solicitações periféricas ao meio acadêmico, alheias à
universidade, como por exemplo, um cidadão que deseja pegar um ônibus para outro local,
orientações turísticas da cidade onde está inserida ou até emergências médicas.
3- CONSTRUÇÃO DAS ESTATÍSTICAS DO SERVIÇO DE REFERÊNCIA DA UNB
Segundo a tabela organizada por Scarabuci (2018, p.49), as estatísticas do setor se
desenvolveram de forma gradual, iniciando apenas com o número absoluto de circulação de
pessoas na biblioteca em 1964. Posteriormente, em 1968, passou a se registrar o número de
perguntas feitas no balcão de atendimento e, em 1969, os pedidos de bibliografia e de
pesquisas.
Os números estatísticos eram registrados mensalmente em relatórios internos e
anualmente no relatório geral da BCE. O registro abarcava numericamente todo o setor,
durante o mês, sem especificar dias, turnos ou servidores. Dividiu-se em cinco categorias
principais: Atendimento (perguntas no balcão); Pesquisa; Bibliografias; Treinamentos/visitas;
Frequência. Os últimos dados registrados são de 1994.
Em 2018, foi solicitado ao setor de referência da BCE-UnB que elaborasse uma forma
de se contabilizar os atendimentos de balcão. Contabilizar o número absoluto de pessoas não

�necessariamente mostraria a complexidade ou tempo gasto nos atendimentos, então,
baseando-se no que fora apresentado até 1994, foi elaborada a ficha abaixo:

Tabela 1​: Estatística de atendimento
Fonte: Próprio autor

A ficha de estatísticas do atendimento é composta por três níveis. Cada nível possui um
referencial de tempo estimado e um referencial técnico descrito abaixo. O atendimento pode se
encaixar em qualquer um dos referenciais. Pode ser marcado como presencial ou por telefone.
Os atendimentos mais simples, de 30”, são aqueles que necessitam de um
conhecimento básico do prédio e da universidade. Informações como “onde é o banheiro” são
simples, rápidas, e devem ser sempre registradas. Mesmo que este atendimento dure menos
tempo que o indicado, houve uma abordagem do consulente ao bibliotecário, que teve que
interromper sua atividade para responder e, posteriormente, se concentrar para retomar a
atividade.
Os atendimentos médios, de 10’, exigem um conhecimento dos sistemas básicos da
biblioteca. Por exemplo, auxiliar em uma busca de livros no sistema. Esta atividade pode incluir
acessos mais específicos ao sistema como a visualização dos empréstimos anteriores do livro
ou mesmo uma locomoção pela biblioteca, para ir com o consulente até a prateleira (auxílio
estante).
Os atendimentos de até 2h são de alta complexidade, exigem conhecimento profundo
sobre bases ou estratégias de pesquisa. Podem levar até duas horas quando for, por exemplo,

�uma pesquisa acompanhada e orientada pelo bibliotecário, que inclui construir uma estratégia
de pesquisa e a indicação de fontes adequadas. Há também a possibilidade de ser uma
informação menos demorada, mas complexa, como a localização de um índice (Qualis ou
índice H de um periódico específico). Mesmo levando 5 minutos, é uma informação que apenas
um bibliotecário com experiência e conhecimento pode oferecer.
Conforme aumenta-se a complexidade do atendimento, torna-se mais necessário a
figura do bibliotecário. Antes disso, considera-se vital ao atendimento a presença de um
profissional capacitado e que tenha perfil para o atendimento pessoal, independente de sua
formação. O acolhimento no primeiro contato com o usuário é o que definirá se este retorna à
biblioteca quando necessitar, ou se tornará um usuário distante, tornando menos rica sua
participação na universidade.
Observamos abaixo como são tabulados os dados em tabela. Em “Observações” são
registrados acontecimentos que podem influenciar na contagem. Podemos observar a
diferença do primeiro dia de aula, no dia 13 de março.

Tabela 2​: Tabulação dos dados
Fonte: Próprio autor

Abaixo, o final da tabela onde mostra a porcentagem por tipo de atendimento e por
turno, também em março:

�Tabela 3​: Total e percentil dos dados
Fonte: Próprio autor

Podemos verificar o aumento significativo de consultas no início das aulas (Figura 1),
bem como a distribuição das demandas por horário (Figura 2), o que pode indicar a
necessidade de reforço no atendimento de dois tipos: ou de um maior número de pessoas para
a recepção, no atendimento primário, ou a necessidade de um bibliotecário com experiência,
em caso de atendimentos mais complexos.
REFERÊNCIAS:
LEMOS, L. A. P. Avaliação da percepção do cliente interno: serviços de aquisição de livros de
uma biblioteca universitária. 2002. 166 f. : Dissertação (mestrado) -- Universidade Federal de
Santa Catarina, Centro Tecnológico. Programa de PósGraduação em Engenharia de Produção,
2002.
SCARABUCI, Marcelo Augusto Dias. A percepção da tríade acadêmica e dos agentes
acadêmicos através da Competência em Informação (CoInfo): uma experiência na Biblioteca
Central da Universidade de Brasília com os Jovens Talentos para a Ciência. 2018. 144 f., il.
Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2018.
SCHWEITZER, F. O serviço de referência da Biblioteca Central da UFSC e o programa de
capacitação do usuário: desenvolvimento de uma ferramenta colaborativa com base na
tecnologia wiki. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 4, n. 1, p.
6-19, 2008.

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