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                  <text>INFORMAÇÃO CIENTÍFICA EM CIÊNCIAS
DA SAÜDE

ABRAAM SONIS
(Diretor da BIREME)

^tcsiimo da Palestra
Ü desenvolvimento explosivo da informação necessária
campo da saúde torna aconselhável adiantar alguns
conceitos para a discussão dos problemas envolvidos no
'~»iesnio. Entendemos como informação científica em saúde
^'i]ucla que promove a criação, aplicação e aprendizagem de
"Conhecimentos úteis ao cumprimento de objetivos de melhoI'Hmentos da saúde. No que se refere à investigação — seja
'Cia de laboratório, clínica, epidemiológica ou organizacional
~~ a aludida informação não apenas comunica descobertas
também cataliza todo o processo de desenvolvimento de
'lipcítese e projetos. Existem notáveis diferenças na matu*"ição da informação ,tipo de usuário, forma de aplicação, etc.,
acordo com o tipo de investigação, provocando exigências
cliíerentes na produção, circulação e difusão da referida
iiiíormação. É hoje freqüente que a aquisição de novos
'Conhecimentos e sua aplicação tecnológica sejam, nestes
tampos, fenômenos simultâneos. Aludimos tanto à infor'^la.ção referente à atenção direta das pessoas, à organização
utilização de programas de saúde como à determinação
políticas setoriais. O tipo de informação necessária
'jcha-se determinada, em cada caso, pelo grau de agregação
cada nível; por ex., as diferentes exigências de um médico
e de um supcrespecíalista em um grande centro urbano.
^i'ata-sc, dcfinitivam.ente, de uma atividade integrada em
processo de educação continuada, não apenas dos mé'-'icos, mas também de todo tipo de participante da equipe
saúde, em seus diferentes níveis. A transcedência destes
I onceitos reside, em sua estreita influência sobre a eficácia
^-Chcreta da tecnologia médica, a eficiência no funcionamento
— 111 —

�dos recursos e a efetividade ou resultado final das ações
sobre a saúde comunitária. Sua complexidade surge do
fato de não se tratar apenas de informação biomédica, mas
também das ciências sociais, economia e administração, e de
que exige com freqüência, uma utilização simultânea para
a definição de políticas. Por outro lado, é necessário adequar
a informação a ser ministrada ao modelo profissional qi^e
SC pretende formar, uma vez que ela é, simultaneamente, um
produto do sistema e uma determinante do mesmo. Da
mesma forma, as características da informação dificultam
eu dinamizam o processo de formação do recurso humano,
a investigação e as atividades de serviço, assim como sua
intercomunicação. Aos requisitos anteriores, agrega-se hoje
a necessidade de oferecer informação apropriada a fim de
facilitar a participação comunitária nas atividades de atenção
da saúde. Do ponto de vista operativo, reitera-se no campo
da informação o observado no de serviços: os que mais solicitam são aqueles que mais facilidades têm para satisfazer
suas necessidades, e vice-versa. Vivemos uma crise de publicações periódicas, em conseqüência, entre outras razões, do
diferente requisito de tempo de chegada da informação ao
usuário: muito mais rápido no campo da investigação que no
da difusão de conhecimentos para sua aplicação. Hoje em
dia ambos tipos de informação aparecem mesclados, porém
existem idéias e projetos para tentar separá-los. Na prática,
o âmbito da investigação acelera sua intercomunicação mediante mecanismos informais (congressos, visitas, publicações
limitadas). Entre os diferentes problemas a serem resolvidos, podemos recordar aqueles ocasionados pelo idioma,
custo, tempos de remessa e necessidade de promover a
demanda por parte dos profissionais mais distantes. Freqüentemente a informação referente a novos conhecimentos
demora anos a chegar àqueles que deverão aplicá-los. Não
é raro que os novos meios de comunicação maciça difundam
uma descoberta muito antes que as publicações especializadas a tornem acessível aos grupos profissionais. Outra
limitação surge do fato das revistas biomédicas carecerem
habitualmente de informação sobre aspectos epidemiológicos
e de administração dos serviços, a qual se acha contida, em
grande parte, em relatórios técnicos, etc. Um grande desafio
baseia-se em como aproveitar eficazmente a tecnologia disponível para diminuir a brecha entre os novos conhecimentos
disponíveis e sua utilização ao nível da atenção primária, que
permite obter uma cobertura total da população.
— 112 —

�Um exemplo concreto do que dissemos seria o aproveitamento do sistema MEDLINE a fim de aduzir conhecimentos
sobre problemas de saúde do tipo dos programas de controle
do Mal de Chagas, ou da difusão da esquistossomiase em
relação à construção de represas- Tudo isto nos obriga a
^■epensar e projetar modalidades apropriadas de adequação
putre as características dos novos conhecimentos, os requisitos de sua aplicação e a tecnologia a utilizar em sua promoção e difusão.

DEBATES
ANTONIO MIRANDA
O Dr. Sonis, falou-nos da informação na pesquisa, o
processo de aplicação dessa informação, na vida profissional
prática diária e a informação para dar à docência e à aprendizagem. Gostaria de ressaltar alguns pontos que me parecem de maior importância: um deles é o valor da importação
d(» tecnologia sofisticada que afeta o exercício da profissão
médica no nosso país e, também, afeta ao problema de
transferência de informação. Nós somos consumidores de
Informação. Esses produtos estão à venda no mercado
internacional e o Brasil depende deles para manter-se atualizado, Estamos organizando nossos sistemas de informação.
O mesmo comentário que o Dr. Sonis faz com relação
a importação de tecnologia que precisa ser aplicada, e que
relação às importações de tecnologia informacional, isto é,
está sendo feita de forma crítica, também se pode dizer com
com relação a própria informação que consumimos em nossa
comunidade.
Falou, também, do problema da inflexibilidade do tipo
de informação que nós oferecemos. Estamos muito voltados
Para a informação convencional, aquela informação documentária depositada nos livros, nos periódicos, quando a comunidade científica necessita de um tipo dinâmico de infor'nação mais atualizado, em consonância com a atividade que
eles desenvolvem de forma que, os pré-prints, aquelas
informações realizadas através dos colégios invisíveis, deveriam ser aproveitadas no sentido de reorientar nossos serviços
— 113 —

�do informação, para que ele acompanhe essas novas tendências, esses novos fluxos de transferência e aquisição de
informação.
Outro ponto interessante é a tendência que temos de
distribuir informação de todo tipo. Nós tendemos a dar o
mesmo tipo de documentação para diferentes níveis e tipos
de usuários, quando a demanda deve reorientar o tipo dc
documentação que devemos dar aos nossos usuários.
A leitura como processo de aprendizagem e transmissão
de informação, isto é, o tipo e qualidade dò material
documentário que circula na mão dos nossos pesquisadores,
alunos e professores, orienta a própria formação do indivíduo,
tanto na pesquisa, docência como no exercício profissional.
ALICE BARROS MAIA (Diretoria do Núcleo de Documentação da UFF); A circulação, acesso e conhecimento da
informação registrada em periódicos e em outros tipos de
documentos representam uma dificuldade ainda não superada em termos de utilização imediata pelos usuários, então,
que meios utilizaríamos para divulgação imediata das pesquisas em curso entre os interessados, considerando que
essas pesquisas evoluem à proporção que se desenvolvem o
que, às vezes, a própria pesquisa vai mais rápida do que o
próprio controle do sistema de informação? Gostaria, também, de pedir ao Dr. Sonis que fizesse uma referência
concreta às atividades programadas pela BIREME a partir
da sua gestão.
DR. ABRAAM SONIS; Creio que o problema das pesquisas em processo, é um assunto bastante complexo do
ponto de vista da pesquisa e, não da informação. Eu me
animaria a dizer, e os pesquisadores que me perdoem por
isto, que não sei se a publicação das pesquisas em processo,
seria um tema fundamental para os países latinoamericanos.
Us cientistas na América Latina estão vivendo um dilema;
ou publicam, ou morrem. Aqueles que não publicam, ou
melhor, não mostram que estão com trabalhos em andamento, não obtêm subsídios necessários para prosseguir com
suas pesquisas. Eu gostaria de fazer uma revisão para
determinar de que tipo é necessária a informação na América
Latina e, a partir disso, poderíamos ver como tornar acessível essa informação. Parece-me ser prioritário em termos
de América Latina, fazer conhecida a informação que já
— 114 —

�esteja nos periódicos e investigações já prontas, embora não
deixemos de reconhecer a importância de pesquisas em
andamento, pois país que não investiga é um país sem progresso. Agora, acredito que a solução deve ser adequada a
cada meio onde esta informação será divulgada. Creio que
cada país tem que desenvolver, e não só cada país, mas cada
setor de conhecimento, regras diferentes em relação à difusão da investigação. O tipo de publicação deve ser adequado
?. ecologia cultural e científica de cada meio. Isto é um
ponto de vista meu no campo da saúde.
O outro tema proposto é em relação ao que a BIREME
está realizando ultimamente. A BIREME está fundamentalmente trabalhando no sentido de aumentar a cobertura
de seus usuários. Estamos estendendo a cobertura através
da criação de novos subcentros, recentemente criamos os
subcentros de Terezina, Natal, João Pessoa e Vitória.
Terminamos de abrir um programa de atenção primária,
isto é, de atenção de saúde para atingir os núcleos mais
díspares. Outra preocupação que temos é a de apropriar
a tecnologia que estamos usando. Seguimos a linha de cooperação técnica de países em desenvolvimento.
Em que medida um tipo de tecnologia como o MEDLARS
siíínificou a implantação de uma tecnologia muito complexa
P, que está servindo através de poucos terminais a poucos
usuários, como poderemos transformar isto num tipo de
informação que possa ser usada por um maior número de
usuários? Temos alguns projetos e, vamos ver como através
de um serviço de disseminação seletiva da informação podenios fazer isto para a América Latina, sem elevar muito o
custo operacional.
Começaremos a indexar talvez a partir de P de janeiro
do próximo ano, os periódicos latinoamericanos, que até
3^^gora não vem sendo feito pela BIREME. O que parece
simples, entretanto não foi fácil de se conseguir. O nosso
propósito é, fazer o Index Medicus da América Latina.
Estamos tratando de apropriar tecnologia, dependemos de
computador IBM que está no Instituto de Energia
■I'^uclear de São Paulo, que embora trabalhe conosco de
íorma muito cordial e eficiente, representa uma tecnologia
yue não controlamos diretamente. Adquirimos um computador digital e estamos colocando nele os programas da
Anaérica Latina.
— 115 —

�Quero terminar falando de um assunto que considero
fundamental e, que, já foi abordado pelo Professor Antonio
Miranda: é o de que todo país deve ter sua política de informação científica e tecnológica. A BIREME, pelo menos
nesta gestão, sentir-se-á satisfeita em tomar parte de um
organismo que elabore, coordene e, eu ousaria dizer, que
seja normativa na matéria que é fundamental para a
implantação de uma política de informação científica e
tecnológica nacional. Como prova disso, no último corivênio
filmado pela BIREME com o governo brasileiro, ficou estipulado que o Diretor da BIREME em todos os programas
no Brasil será assessorado por um conselho brasileiro.

— 116 —

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              <text>O painelista, então diretor da BIREME exalta a importância da informação, da dificuldade de acesso diante de diferentes necessidades, contextos e localização geográfica. Ressalta o desafio de aproveitar de forma eficaz a tecnologia disponível e sua utilização na atenção primária, permitindo uma cobertura total da população. Destaca o uso do sistema MEDLINE na obtenção de informações para solucionar problemas de saúde.</text>
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