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PLANEJAMENTO DE E PARA BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS NO BRASIL;
SUA POSiÇÃO SÓCIO·ECONÔMICA E ESTRUTURAL

Kira Tarapanoff, PhD
Profa. do Depto. de Biblioteconomia
da Universidade de Brasília, UnB

A borda-se a evolução histórica d o planejamento bibliotecário n o Brasil no seu aspec to macro, illserilldo-se a
biblio teca universitária 110 seu contex to sócio·ec onômico , geográfico c cultural. S eio enfatizadas as tendências
atuais do plall ejamento bibliotecário, espec ialmente o de
biblio tecas ulliversitárias, com o parte d o planejamellt o
educac ional, c ientífico c cultural, segulldo dire trizes dos
plan os brasileiros de desenvolviment o, tanio ge rais com o
se toriais. São identificadas carac terísticas , falha s e
distorç ões do planejam ento para biblio tecas universitárias 110 país, prop olldo-se algumas linhas de ação que p ermitam a sua m elhor "s ituação" dentro do c ontex to de
planejamento brasileiro.

A falta de uma visão macro de planejamento bibliotecário no Brasil exige
uma abordagem histórica da origem e evolução do planejamento bibliotecário no seu
aspecto teórico geral inserido na realidade brasileira.
A tendência moderna vê o planejamento bibliotecário como parte do
planejamento educacional, científico e cultural, dentro dos planos gerais de desenvolvi·
mento.
Neste contexto a biblioteca universitária é parte e resultado da sociedade
na qual opera, refletindo as características gerais do país - o seu grau de desenvolvimento, sua tradição cultural e seus problemas e prioridades sócio-econômicas.

IA

biblioteca universitária é uma organização sem autonomia própria, sendo
dependente da universidade à qual pertence. O seu relacionamento com a sociedade se
09

�faz através da universidade e não diretamente. O relacionamento da universidade com
a sociedade é seletivo, sujeito às funções da universidade dentro desta sociedade e de
suas decisões e "negociações" pol íticas. Este relacionamento é mutável no tempo e no
espaço. A universidade e a biblioteca universitária brasileiras são produtos da história
social, econômica e cultural do país, bem como das características regionais brasileiras.
1. Planejamento educacional e planejamento bibliotecário; breve histórico
O desenvolvimento da idéia de planejamento bibliotecário no Brasil origina-se no desenvolvimento da própria idéia de planejamento bibliotecário na América
Latina.
De acordo com Josefa Sabor (1-2). a idéia de planejamento bibliotecário
na América Latina já estava presente em 1950. No entanto, é nos anos 60, que a idéia
de planejamento bibliotecário é consolidada, assim como é consolidada a própria idéia
de planejamento para o desenvolvimento.
No Brasil, os primeiros ensaios de planejamento governamental para o desenvolvimento, foram realizados na década de 40, por iniciativa do empresário Roberto
Simonsen, que atribu ía ao planejamento o poder de corrigir todas as desigualdades e
diferenças econômicas e sociais, tais como: distribuição de recursos; dependência econômica e técnica de países ou regiões desenvolvidas; conflitos de classes e oligópolis.
Para Simonsen, o planejamento era condutivo ao desenvolvimento (3).
Hoje, é amplamente aceito que o planejamento governamental sistemático
no Brasil só se tornou possível depois dos anos 60, quando foi introduzido o conceito
de planejamento geral, e pela primeira vez o Brasil planejou em termos de macroplanejamento e não desenvolveu apenas programas setoriais (4-5-6).
Na área de biblioteconomia, o desenvolvimento da idéia de planejamento
bibliotecário deve muito a Carlos Victor Penna, que nos anos 60 via o planejamento
bibliotecário como parte do planejamento educacional(7).
Na América Latina e no Brasil, a idéia de planejamento bibliotecário se desenvolve paralela à idéia de planejamento educacional.
Esquematicamente a situação do planejamento educacional no Brasil no
começo dos anos 60 era a seguinte:
1. os termos despesas-sociais e educação foram inclu ídos pela primeira vez
no Programa de Metas (1957-61);
10

�· 2. 3,4% do orçamento do Programa de Metas foi alocado para educação
(treinamento de pessoal técnico);
3. em sua fase de implementação o Programa de Metas enfatizou o apoio
às indústrias de base ignorando a meta educacional (8).
As prioridades econômicas de apoio à expansão industrial justificava-se
pelo crescimento experimentado na década de 50 e continuado na de 60, criando
possibilidades para o Brasil atingir a sua revolução industrial (9).
A motivação efetiva para a inclusão de metas sociais em planos nacionais
veio na forma de ajuda externa, proposta pelo Programa Aliança para o Progresso (10).

o Programa Aliança para o Progresso foi lançado em represália à revolução
de Cuba, que fugiu do âmbito capitalista, proclamando a sua revolução social em 1959.
O Programa conclamava a cooperação interamericana para:
,. a manutenção e aperfeiçoamento das instituições democráticas;
2. o ataque frontal aos problemas de subdesenvolvimento econômico e
apoio à justiça social através de reformas estruturais (11 I.
A Aliança via a questão do desenvolvimento estritamente ligada às reformas estruturais, tanto econômicas quanto sociais e pol íticas.
O Programa foi lançado oficialmente em 17 de agosto de 1961, com a
assinatura da Carta de Punta deI Este, que comprometia o Brasil assim como os outros
países membros da Organização dos Estados Americanos, OEA, a preparar planos
nacionais de desenvolvimento que inclu íssem objetivos sociais, visando principalmente
a redução do desencantamento social, prevenindo assim possíveis revoltas pol íticas.
No contexto de planejamento a Aliança estabeleceu objetivos sociais, pol íticos e econômicos para planos nacionais, recomendou a adoção de planos decenais de
educação, e introduziu o conceito de planejamento global no Brasil, que refletiu nos
planos Trienal (12), no Programa de Ação-PAEG (13), e também no Plano Estratégico
de Desenvolvimento (14).
O mesmo conceito de planejamento global para bibliotecas foi lançado no
Seminário Latino-Americano de Bibliografia, Documentação e Intercâmbio de Publicações, realizado na cidade do México, em 1960 (15), que recomendou que os serviços
de biblioteca, bibliografia e documentação, fossem planejados como parte integrante
do processo sócio-econômico, de acordo com as necessidades de informação contidas
em tal processo.
11

�o Seminário, 'entre outras recomendações especificou que fosse estabelecida maior coordenação e cooperação entre bibliotecas universitárias, centros de documentação e bibliotecas especializadas em cada país (16).
A idéia de coordenação e cooperação bibliotecária na América Latina, também encontra-se fundamentada no trabalho de-Carlos Víctor Penna. Em seu livro:
La bibliotecologia Latinoamericana (17). um levantamento sobre a situação da bibliotec"l na América Latina, ele sugere e esboça um plano para estimular o desenvolvimento de serviços bibliotecários, que inclui como elementos de pré-condição para o planejamento: coordenação e centralização de serviços. Estes elementos enfatizam a idéia
de racionalidade administrativa e criam condições para as biblitoecas diversificarem e
melhorarem os seus serviços. Os outros elementos são: legislação bibliotecária; levantamento de estatísticas adequadas; estudo e avaliação de necessidades e recursos; educação profissional e treinamento em serviço; e desenvolvimento da consciência do público para a importância e necessidade de serviços bibliotecários (18). Este último
elemento tem muito a dizer sobre "motivação".
A necessidade de centralização e coordenação de serviços bibliotecários
também foi uma das recomendações do Seminário Inter-Americano de Bibliotecas Universitárias, celebrado em Monticello-Illinois-USA, em 1961, e convocado pelo Council
on Higher Education in the American Republics, CHEAR (19). O Seminário também
apontou a necessidade de se estimular a comunicação entre biblioteca-faculdades e
administradores universitários. Esta recomendação contém o elemento de "motivação"
que deve se cultivar, pois os reitores e professores da universidade não podem permanecer alheios à importância da biblioteca para o ensino e pesquisa, sem o apoio deles a
biblioteca jamais terá o apoio moral e financeiro que se requer para desenvolver ou
manter os seus serviços, que aliás são de apoio aos programas da universidade e de seus
professores e pesquisadores (20).
Outras recomendações inclu íam: treinamento de profissionais e incentivo
ao intercâmbio de experiências a nível interamericano; a necessidade de se fazer um
levantamento de situação para determinar prioridades de ação.
A importância de estudo ou levantamento de situação das bibliotecas universitárias sempre foi enfatizado, desde que se pensou em planejamento de bibliotecas
universitárias. Sua importância não pode ser subestimada, já que o levantamento é o
instrumento essencial do planejamento, pois planejamento de qualquer espécie se
baseia em informação (21).
Planejamento bibliotecário no seu aspecto científico é o meio de cumprir
intenções e não apenas expressar ou formular estas intenções.
12

�,o planejamento visa atingir objetivos dentro de um determinado prazo. Ao
conceito do que se intenciona fazer, é necessário se adicionar os elementos do quando,
como e do porquê, se desejam ou se devem seguir determinadas linhas de ação. O
levantamento de situação pode prover informação sobre o que se fazer, dar indicações
do quando e do como linhas de ação devem ser seguidas e do seu porquê.
O levantamento e diagnóstico de situação são a base para o planejamento
em si (22).
A situação das bibliotecas universitárias de um país deve ser estudada:
1. em relação às características intrínsecas da biblioteca (objetivos,
funções sociais, dependência, etc.);
2. em relação aos fatores contextuais e características sócio-econômicas e
culturais (tanto históricas como atuais) da sociedade à qual pertence. /
A influência da Aliança para o Progresso no planejamento educacional fezse sentir através da conferência realizada em Santiago do Chile, em março de 1962,
convocada pela Comissão Econômica para a América Latina, CEPAL.
A conferência adotou o conceito de "planejamento global" enfatizando o
papel da educação no desenvolvimento econômico e social e a participação das universidades em planejamento nacional e regional.
A conferência recomendou que os países investissem não menos de 4% de
seu PIB (Produto Interno Bruto) em educação e que 15% do fundo recebido da Aliança fossem usados para educação (23).
Através de suas recomendações a Conferência lançou a idéia de "planejamento global" para bibliotecas universitárias quando convocou o seminário, que foi
realizado em Mendoza, Argentina, com o objetivo dI;! estudar o planejamento de serviços bibliotecários em relação aos objetivos do ensino superior e em relação às necessidades de desenvolvimento econômico e social (24) .
O Seminário de Mendoza, patrocinado pela UNESCO, discutiu aspectos
tais como:
1. novas tendências e objetivos da educação superior na América Latina, '
previsão para os próximos 10 anos;

13

�2. funções da biblioteca universitária considerando o provável desenvolvimento do ensino superior na América Latina nos próximos 10 anos;

3. recursos e necessidades atuais das bibliotecas universitárias na América
Latina;

4. mudanças que deverão efetuar-se em vista do dese nvolvimento previsto
nas universidades nos próximos 10 anos, com relação a: estrutura de
biblioteca; fundos bibliográficos e documentários; serviços técnicos e
administrativos; edifícios e equipamentos; cooperação interbibliotecária; financiamento;

5. elaboração de um plano de 10 anos para o desenvolvimento de uma biblioteca universitária, baseado no plano de desenvolvimento de sua universidade ou num plano nacional de desenvolvimento do ensino superior;
6. possíveis fontes de auxílio econômico externo o u de outro tipo, para o
desenvolvimento das bibliotecas universitárias na América Latina (25).
De acordo com Josefa Sabor (26), o plano decenal preparado pelo grupo
de trabalho para o desenvolvimento da biblioteca universitária de Cuyo - Argentina,
foi apenas um ensaio imperfeito pois não havia suficiente informação disponível para
um diagnóstico de situação essencial para o planejamento. O problema identificado foi
um levantamento de situação inadequado e apressado, falha que pode ser atribuída à
inexperiência de planejamento.
Parece-nos que a maior crítica que se pode fazer ao plano decenal da Universidade de Cuyo, é a mesma que foi feita ao plano Trienal de Celso Furtado, também
preparado em 1962, pressa na preparação. A outra crítica que é feita ao plano Trienal
é que este foi formulado enfatizando aspectos prioritários de desenvolvimento que pudesem mobilizar a ajuda externa proposta pela Aliança para o Progresso. De acordo
com Roberto Campos (27), apesar das "boas" intenções, a Aliança não especificou
objetivos viáveis para os países ditos "em desenvolvimento". Suas exigências de implementação e regulamentação geral, especialmente as ligadas à ajuda externa só poderiam
ser aplicadas com sucesso aos pa íses desenvolvidos.
A importância do Seminário de Mendoza e dos seminários e conferências
realizadas nos anos 60 foi a sua contribuição teórica para o planejamento bibliotecário
da e para a América Latina.
O processo de amadurecimento do planejamento bibliotecário começa
com Carlos Víctor Penna que o vê como parte do planejamento educacional, visão
14

�mais tarde ,ampliada pelo conceito de planejamento global introduzido pela Aliança
para o Progresso.
No entanto, a posição atual de se entender o planejamento bibliotecário
e de documentação como parte do planejamento educacional, científico e cultural,
dentro do plano geral de desenv~lvimento de um país ou região, tomou corpo em 1968
(28).

2. Planejamento para bibliotecas universitárias no Brasil
No caso específico do Brasil a idéia de planejamento para bibliotecas universitárias foi introduzida por iniciativa de Da. Maria Luiza Monteiro da Cunha, que
divulgou as idéias, conclusões e recomendações do Seminário de Mendoza, durante
o 49 Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação, realizado em Fortale·
za - Ceará, de 7 a 14 de julho de 1963.
No Brasil, no começo dos anos 60:
1. onde as prioridades dos planos nacionais eram econômicas;
2. onde houve a inclusão recentíssima de metas sociais em planos do governo;
3. onde a idéia de planejamento social foi induzida pela Aliança para o
Progresso;
4. onde não existia uma infraestrutura adequada para a implementação
dos planos nacionais;
As idéias do Seminário de Mendoza causaram gra:1de impacto, mas não
podiam ter aplicação imediata.
Estas idéias que podem ser sumarizadas nas palavras: comunicação; cooperação; coordenação; e planejamento, eram algo de novo e inexistente entre as
bibliotecas universitárias brasileiras da época.
A nível de governo os anos de 1963 e 1964 representaram muito pouco
em termos de implementação de planos. O Brasil atravessava um período de instabilidade política que impedia a criação de uma infraestrutura adequada para a implemen-'
tação dos planos nacionais.

15

�Na verdade, planejamento sistemático a nível nacional no Brasil só se tornou possível após 1964 (29)~
De 1964 a 1966 o governo brasileiro concentrou os seus esforços no sentido de melhorar as condições de planejamento, enfatizando reformas institucionais,
reorganizando o sistema estatístico e reformulando o mecanismo de elaboraçâ'o orçamentária (30).

o primeiro diagnóstico brasileiro sobre educação, foi realizado em 1966,
como parte do Plano Estratégico Decenal. Este plano que nunca foi implementado
estabeleceu a importância econômica da educação (31).
Planejamento educacional, no Brasil, tornou-se parte do desenvolvimento
geral do país, a partir do plano de 1967 (32), e do Plano Estratégico de Desenvolvimento (33).
A ênfase do governo Costa e Silva na modernização da infraestrutura para
o planejamento trouxe consigo a Reforma Administrativa, expressa no Decreto-Lei n?
200 de 25 de fevereiro de 1967, o qual motivou também a Reforma Universitária.
Pode-se dizer que no Brasil os anos de 1964 a 1968 prepararam o terreno
para o planejamento educacional, cujo impacto, no entanto, na esfera do ensino superior, só se fez sentir depois da Reforma Universitária (1968-1969).
2.1

Planejamento para bibliotecas universitárias e a Reforma

Já foi dito/ que a biblioteca é parte e resultado da sociedade à qual pertence, de suas características e prioridades sócio-econômicas e culturais. Também já foi
dito que a biblioteca universitária não é uma organização autônoma, sendo subordinada à universidade à qual pertence.
Baseados nestas premissas podemos dizer que a biblioteca universitária
brasileira reflete as características e é resultado da situação sócio-econômica da universidade brasileira.

o relacionamento da universidade com o seu meio ambiente é seletivo,
ele se faz em função das características da universidade como uma organização e do
papel social em determinado momento histórico.
No caso da universidade brasileira de hoje o seu relacionamento com a
sociedade é basicamente determinado pela filosofia, diretrizes e especificações da
Reforma Universitária, que é um conjunto de leis e normas que regem a universidade moderna (34).
16

�A .Reforma Universitária representa o momento de mudança e desenvolvimento da universidade brasileira de hoje. Os novos objetivos da universidade moderna,
de ensino, pesquisa e extensão e a ênfase da Reforma em vinculá-los às atividades de
desenvolvimento nacional, trouxe o ensino superior e a universidade mais próximos às
atividades de planejamento tanto do ensino como da ciência e tecnologia.
Hoje, como conseqüência da filosofia da Reforma, que se reflete na biblioteca universitária, a situação das bibliotecas universitárias brasileiras deve ser estudada
em relação às:
1. características sócio-econômicas e culturais do Brasil;
2. as tendências do ensino superior de hoje;
3. as prioridades sociais e econômicas expressas nos planos nacionais de
desenvolvimento;
4. a pol ítica nacional de desenvolvimento do ensino superior e da ciência
e tecnologia.
I

A identificação da biblioteca universitária como uma organização na'o
autônoma, dependente da universidade à qual pertence e da qual recebe insumos e
"feedback", e através da qual a biblioteca se relaciona com o seu meio-ambiente, revelam que as mudanças que possam ocorrer na universidade devem ser imediatamente
acompanhadas pela biblioteca.
,..
Considerando que a Universidade de hoje está sob a orientaça'o geral da
Reforma Universitária, datada de 1968-1969, cujas diretrizes, filosofia e orientação ela
deve seguir, pode-se concluir que a biblioteca universitária deve seguir esta mesma filosofia, diretrizes e princípios.
A Reforma visou a correça'o das principais distorções no sistema de ensino
superior brasileiro, tradicionalmente centrado em torno da faculdade isolada.
A orientação da Reforma é a teoria dos sistemas abertos, que analisa a
universidade em duas dimensões:
1. a dimensa'o externa: que enfatiza a responsabilidade social da universidade, parte do esforço de desenvolvimento nacional;
2. a dimensa'o interna: que enfatiza modificações e modernizaça'o na estrutura e objetivos da universidade.
17

�A dimensão externa inclui a orientação de que:
1. a universidade como uma organização não deve apenas se relacionar,
mas fazer parte do seu meio ambiente;
2. a universidade deve agir como um instrumento para o desenvolvimento
nacional (crescimento econômico). e como um instrumento para o
desenvolvimento total do homem (35).
Sob esta orientação a biblioteca universitária deve ser vista como parte da
sociedade na qual está inserida e envolvida na ação nacional de desenvolvimento e
preocupada com o indivíduo.
A orientação interna da Reforma enfatiza:
1. o planejamento universitário em relação aos novos objetivos da universidade de ensino, pesquisa e extensão;
2. a visão de sistema, a universidade vista como um todo coeso, uma
unidade orgânica, onde as atividades acadêmicas se completam;
3. a modernização na estrutura da universidade, centrada nas atividades
de ensino, pesquisa extensão e administração da universidade;
4. as diretrizes adm inistrativas de não duplicação de meios para fins idênticos ou similares, e manutenção da racionalidade organizacional com
plena utilização de materiais e recursos humanos.
Sob esta orientação a biblioteca deve:
1. planejar os seus serviços em relação aos objetivos da universidade;
2. ver a biblioteca como pertencente a um sistema, opondo-se à biblioteca
isolada;
3. re-estruturar as atividades da biblioteca em relação às atividades da
universidade;
4. introduzir os princípios de centralização, coordenação e cooperação,
para poder seguir a orientação administrativa de evitar duplicação de
meios para fins idênticos ou similares, e de racionalidade administrativa
com plena utilização de materiais e recursos humanos (36).
18

�N,;&gt; entanto, como já é do amplo conh ecimento dos bibliotecários brasileiros, o grupo de leis que compõem a Reforma Universitária não fe z referência e não
especificou diretrizes de mudança ou adaptação para a biblioteca universitária,
deixando para os bibliotecários a sua interpretação e aplicação às bibliotecas universitárias (37).
Este fato retardou o processo de adaptação da biblioteca universitária sob
a Reforma, ficando o bibliotecário sem a possibilidade de uma ação imediata. Outros
problemas que impediram uma ação imediata dos bibliotecários de bibliotecas universitárias, podem ser identificados como se segue:
1. a biblioteca universitária brasileira estava tradicionalmente ligada à faculdade isolada e à sua administração fator que impedia a visão sistêmica;
2. o papel da biblioteca dentro do sistema tradicional de ensino brasileiro
marginalizava a atuação da biblioteca nos objetivos da universidade, deixando-a com a função residual de preservação de acervo;
3. os bibliotecários não conheciam os objetivos da universidade;
4. os bibliotecários não possuíam informação sobre a situação das bibliotecas universitárias no Brasil, e até mesmo da situação das bibliotecas de
uma mesma universidade;
5. os bibliotecários de unviersidade não tinham tradição de planejamento,
ainda que experientes não sabiam planejar nem tampouco tiveram formação de planejadores;
6. falta de motivação para mudanças;
7. falta de consciência da importância da biblioteca dentro da universidade
tanto da parte dos professores quanto dos bibliotecários.
A iniciativa para a formação de uma comissão nacional para o estudo dos /
problemas de desenvolvimento de bibliotecas universitárias brasileiras, se deveu exclusivamente aos diretores de bibliotecas centrais, que em 1972, formaram o Grupo de Implantação da Comissão Nacional de Diretores de Bibliotecas Centrais Universitárias
(38). O resultado do grupo de trabalho foi a criação, em agosto de 1973, da Associação
Brasileira de Bibliotecas Universitárias, ABBU, cujos objetivos básicos eram:

19

�1. estudar os problemas relativos as bibliotecas universitárias brasileiras,
com a finalidade de formular uma política nacional para o seu desenvolvimento;
2. colaborar com os setores nacionais e regionais responsáveis pelo ensino
superior, visando à difusão e ao adequado aparelhamento das bibliotecas universitárias;
3. difundir o princípio da necessidade de constante melhoria dos padrões
das bibliotecas universitárias brasileiras, desenvolvendo para tanto estudos, projetos e programas em torno de temas centrais de coordenação
e racionalização, bem como incentivando o aperfeiçoamento cultural
e técnico dos profissionais a ela vinculados;
4. promover a integração e' coordenação de esforços entre as bibliotecas
universitárias, incrementando o intercâmbio de experiências, de informação e material documentário (39).
Óbviamente a ABBU compreendeu o desafio e a filosofia da Reforma,
propondo-se a ser a primeira associação nacional de planejamento bibliotecário tendo
em vista os princípios de coordenação, centralização e cooperação.
Hoje, devido a vários fatores de ordem pol ítica e legal, a ABBU foi transformada numa comissão permanente sob a FEBAB, e é chamada de Comissão Brasileira de Bibliotecas Centrais Universitárias (40).
No começo de sua existência, a Comissão abordou o Conselho de Reitores,
CRUB, para estudar a possibilidade de uma afiliação, pois sentiu que tinham objetivos
comuns, o CRUB preocupava-se com os problemas de administração e planejamento
geral de universidades, enquanto que a Comissão preocupava-se com os problemas de
administração e planejamento de bibliotecas universitárias. Esta afiliação, no entanto,
foi recusada, alegando-se que a linha de ação da Comissão era incompatível com a do
Conselho Brasileiro de Reitores.
No entanto, a Comissão conseguiu o patrocínio do CRUB para promover
um seminário, envolvendo administradores de bibliotecas universitárias, para estudar
e definir a posição da biblioteca universitária sob a reforma.

r

o Seminário foi realizado na Universidade de Brasília, no Departamento
de Biblioteconomia, em julho de 1974 (41). Seu principal objetivo era estudar a posição da biblioteca dentro da universidade após a Reforma. O tema central do encontro foi apresentado por Briquet de Lemos e Vera Amália Amarante Macedo, e intitu20

�lou-se: a Posíção da Biblioteca na Organização Operacional da Universidade. O trabalho "
comentou sobre as diversas formas de organização estrutural das bibliotecas universitárias brasileiras, reflexo do processo de formação de nossas universidades, caracter izad as
pela conglomeração, até certo ponto inorgânica das faculd ades isoladas. A posição dos
autores é a de que a biblioteca deve se integrar no processo de planejamento e tornar-se
parte atuante no funcionamento da universidade.
As várias recomendações feitas para reforçar a estrutura da biblioteca
dentro da universidade, incluíam:
1. que a biblioteca universitária deve ser vista como um sistema, integrado
no sistema universitário, e no sistema de informação científica, a nível
nacional e internacional;
2. que os serviços bibliotecários sejam centralizados e coordenados ao máximo, dentro da universidade;
3. que a biblioteca central, ou órgão responsável pela coordenação do
sistema de bibliotecas, seja o responsável pelo planejamento de serviços
e pelo controle de aplicação do orçamento do sistema de bibliotecas;
4. que os diretores de bibliotecas centrais tenham status acadêmico para
poderem participar das decisões nos altos níveis administrativos (42).
O trabalho sugere vários modelos alternativos para a coordenaçâ'o e centralização dos serviços. As sugestões visavam o fortalecimento do poder de decisão dos
bibliotecários a nível vertical, colocando-os em melhor posição de negociação (por
orçamento, pessoal, material, equipamento, etc.)., e melhor posição de planejamento.
A biblioteca também foi alertada para um 'relacionamento mais estreito
com o funcionamento da universidade. Este relacionamento a nível horizontal, enfatiza a comunicação com as unidades e setores da universidade onde os objetivos da uni )
versidade são executados (e idealmente deveria ser formulados).
Os trabalhos apresentados no Seminário de Brasília contém o primeiro
conjunto de diretrizes para o planejamento efetivo das bibliotecas universitárias I
brasileiras, principalmente no seu aspecto estrutural.
Apesar do seminário de Brasília ressaltar a influência que teve do Seminário de Mendoza, ele representa em nossa opinião uma posição mais amadurecida em
relação a planejamento bibliotecário.
21

�o Seminário de Mendoza enfatizou a necessidade de se estudar os problemas bi bli otecários em relação às tendências do ensino superior, posição que se identifica com a p rim eira fase do desenvolvimento da idéia de planejamento bibliotecário, que
vê o pla neja mento bibliotecário como parte do planejamento educacional.
o Seminário de Brasília, reflete a idéia de que planejamento bibliotecário é pa rte do planejamento educacional, científico e cultural dentro do plano geral de
desenvolvime nto de um país ou região. Planejamento bibliotecário é visto como parte
do p lane jamento geral de desenvolvimento. Esta posição amadureceu na América
Lati na a pós 1968 (43).
2.2

Tendências atuais de planejamento bibliotecário no Brasil

Seguindo-se esta diretriz o planejamento universitário e bibliotecário deve
seguir o mesmo esquema do planejamento nacional.
Os planos nacionais de governo fornecem as diretrizes gerais sócio-conômicas que são seguidas por todas as organizações do país, no entanto, há aspectos específic os que se aplicam mais diretamente à esta ou aquela organização.
No caso de universidad es , os planos educacionais e de ciência e tecnologia
os ati ngem mais diretamente.
O planejamento educacional hoje é feito Gomo um aspecto, ou setor,
do pla no nacio nal. Diretrizes gerais são estabelecidas nos planos governamentais, mas
a respo nsabilidade pelo plan ejamento educacional detalhado fica a cargo do Ministério
da Educação e Cultura (44).
Esta estrutura de planejamento onglna-se no governo Castello Branco,
quando foi criado o Ministério do Planejamento responsável pela coordenação geral, e
as secretarias de planejamento dentro de cada Ministério responsáveis pelo planejament o setorial. Hoje o planejamento geral é indicativo, e o planejamento setorial, mais
detalh ado, mas também indicativo, continua sob a responsabilidade das secretarias de
planejamento de cada Ministério, que recebem a orientação e coordenação da Secretaria de Planejamento, SEPLAN (45).
O primeiro plano setorial de Educação e Cultura foi preparado para o
per íodo de 1972/1974 (46). As metas educacionais tinham sido estabelecidas anteriorme nte Pêlo documento de Metas e Bases de Ação do Governo, que antecedeu o 19
PND (47).
As grandes prioridades do programa de Metas incluíam a Revolução na
Educação, enfatizando:
22

�1: qualidade de ensino;
2 . a produtividade do sistema educacional; e
3. a integração da educaçã'o com o desenvolvimento científico e tecnológico e com o desenvolvimento global do país (48).

o Programa de Metas garantiu a continuidade da Reforma Universitária,
mediante a execução de novos programas e projetos já aprovados c dotados de recur·
sos, quanto à estrutura institucional da universidade, ao regime .didático e científico,
ao magistério, à integraçã'o da universidade no processo de desenvolvimento e à integração do estudante na universidade e nos programas de desenvolvimento. O programa
também enfatizou a implementação progressiva de centros nacionais de Pós-Gradua·
ção. A pós·Graduaçã'o seria inclu ída como área prioritária no 29 PND (49). que propor·
cionou condições para o advento do 19 Plano Nacional de Pós-Graduação, PNPG.
Também sob o 29 PND foi preparado o 29 Plano Setorial de Educação para o período
1975/79 (50) .
O Programa de Metas incluía também a prioridade "aceleração do
desenvolvimento científico e tecnológico", que inclu ía entre as suas dez realizações:
1. a implementaçã'o do Plano Básico de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico, PBDCT, constituído de projetos prioritários das principais
instituições de execução ou estímulo à pesquisa (CNPq; FUNTEC,
CNEN, etc.);
2. estruturação do Sistema Nacional de Ciências e Tecnologia criando
condições de trabalho satisfatório para os pesquisadores e tecnólogos
nas principais instituições de pesquisa;
3. implantação do sistema de informação sobre ciência e tecnologia para
a captação, tratamento e difusão sistemática e permanente de informações atualizadas nas áreas de ciência e tecnologia.
O fato de que a criaçã'o do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia
seguiu-se da criação de um sistema de informaçã'o para a ciência e tecnologia, revela a
preocupação de que o primeiro não pode subsistir sem o segundo.
019 PND (1972-1974). que seguiu o documento Metas e Bases ... , reforçou a implementação do Sistema Nacional de Informação Técnico-Científica, SN ICT,
bem como a implementação do 19 PBDCT (1973-1974) (51).

23

�o

,

19 PND determinou a organização e a implantação do SN ICT, sob a
coordenação central do CNPq, e com operação desc~ntralizada em subsistemas especializad os. Durante o seminário de Brasília foram apresentados trabalhos enfatizando a
participação da biblioteca universitária do SNICT (52). e no sistema de inform ação
cie nt ífica e tecnológica e outros sistemas de informaçâ'o (53).
Recomendou-se às bibliotecas universitárias a sua participação na infraest rutura dos sistemas nacionais de informação, e a cooperação im ediata, voluntária,
com o CNPq/IBBD, responsável pela política de informação do CNPq .

o Seminário de Brasília forneceu diretrizes gerais para o planejamento e
adaptação da biblioteca univers itária sob a Reforma, no entanto, diretrizes não são o
suficiente para corrigir todos ·os problemas administrativos emergentes, organizacionais, ou ainda de outra natureza, que surgem sob uma Reforma .
Sentiu-se'a necessidade de assistência para planejamento contínuo.
A questão a ser respondida pelos bibliotecários de universidades era
quem Ifla planejar e o que era necessário para garantir o planejamento contínuo.
Carlos V íctor Penna tem a respostas quando sugere que o planejamento de serviços
bibliotecários pede a participação e colaboração entre bibliotecários adequadamente
treinados e pllmejadores envolvidos com o desenvolvimento educacional, econômico e
social (54).
A lição dada pela Reforma, ens inou que planejamento bibliotecário não
iria ser feito pelos planejadores educacionais. Planejamento bibliotecário deveria ser
feito por iniciativa dos bibliotecários. Isto poderia ser obtido através da :
1. criação de um órgão formado por diretores de bibliotecas universitárias,
representando o consenso de prioridades de planejamento entre os diretores de bibliotecas; e
2. criação de um órgão que tivesse poder para "legitimar" este consenso,
preferivelmente na esfera do planejamento educacional e na do planejamento de informação científica e tecnológica.
A resposta parcial a estas perguntas veio com a criação, em 1973, da Associação Brasileira de Diretores de Bibliotecas Centrais Universitárias, ABBU, e com a
criação, em 1975, do Núcleo de Assistência Técnica para sistemas de biblioteca,
o
NAT/08, previsto pelo 19 Plano Setorial de Educação e Cultura, de 1975-1979 (55).

24

�De acordo com as diretrizes do Plano Setorial, os NATs ficariam sob a responsabilidade
de instituiçÕes nos diversos estados do país, como por exemplo o NAT/Ol de Planejamento Univer$itário ficaria centrado na Universidade de Brasília , enqu anto que o
NAT108 ficou sob a responsabilidade administrativa da Universidade de Pernambuco
(56).

Os NATs eram vinculados à Diretoria d e Assuntos Universitários,
DAU,
atual SESu, do Ministério da Educação e Cultura, e tinham campos específicos de
atuação. O NAT/08 tinha como campo específico de atuação a assistência téc nica no
planejamento, implementação e implantação de sistemas de bibliotecas universitári as ,
abra ngendo quando de sua criação os seguintes aspectos:
1. perfis de usuários de bibliotecas universitárias;
2. centralização e descentrali zação dos serviços bibliotecários em universidades;
3 . seleção e aquisição de material documental para as IES (Instituição de
Ensino Superior);
4 . bibliotecas universitárias como centros multi-meios;
5. avaliação dos serviços

bibliotecário~

de I ES.

Hoje, o NAT/08, está vinculado ao PREMESU IV, um programa especial
do Ministério da Educação e do Banco Interam ericano de Desenvolvimento, BID, preocupando-se no momento, com a preparação de profissionais para o planejamento
bibliotecário.
No entanto, nem o NAT/08, nem a Comissão de Diretores de bibliotecas
universitárias tiveram muito sucesso. Seus maiores problemas parecem ter sido: seguir
os objetivos propostos; dar uma definição legal e de vinculação no caso da ABBU;
e garantir o apoio financeiro e de implementação no caso de ambos . Al ém do mais,
planejamento bibliotecário também deve estar vinculado ao planejamento de informação em ciência e tecnologia, o que exige das bibliotecas a sua definição e vinculação
ao IBICT/CNPq, e mais especificamente ao SNICT.
O SNICT sofreu reformulação sob o 2? PND (57) e 029 PBDCT (58). O
29 PBDCT reforçou a importância da informação científica e tecnológica como ativi dade de apoio para o desenvolvimento científico e tecnológico, e mais especificamente
ao Sistema Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, SNDCT.

25

�o

cumprimento das metas e objetivos do Plano Básico de Desenvolviment o Científico e Tecnológico, como foi enfatizado pelo II PND, depende de balanceamento adequado entre a pesqu isa fundamental, a pesquisa aplicada e o desenvolvimento experimental, programas que são desenvolvidos nas universidades através da pesquisa e extensão. O programa de pesquisa fundamental, por exemplo, mantém estreita
art iculação com o programa de ensino universitário a nível de pós-graduação, e se realiza substa ncialmente no âmbito das instituições de ensino superior, confundindo·se
desta forma com as atividades de treinamento avançado. A este nível, o CNPq, articula-se com a SESu e a CAPES do Ministério da Educação e Cultura, cabendo ao Plano
Nacional de Pós-Graduação, 1975·1979, a responsabilidade das diretrizes do ensino
de pós-graduação no país (59).

I

Pode-se concluir, que planejamento bibliotecário de e para bibliotecas
universitárias, deve se articular com:
1. a política de desenvolvimento do governo expressa nos planos nacionais
de desenvolvimento, e que é indicativa por natureza;
2. a pol ítica científica e tecnológica e de informação, expressa nos planos
de desenvolvimento científico e tecnológico;
3. a pol ítica de educação e de ensino superior expressa nos planos setoriais
do MEC;
4. a pol ítica de pós-graduação expressa nos planos nacionais de Pós-Graduação.
A biblioteca universitária de hoje deve se integrar e seguir as indicações do
III PND, 111 PBDCT e 29 PNPG.
As prioridades educacionais do III PN D se concentram na educação básica
e na promoção cultural, suas prioridades indicativas para a ciência e tecnologia vinculadas com a universidade se concentram no fortalecimento e ampliação do domínio do
conhecimento científico, especialmente através da eliminação de carências e estrangulamentos nos programas de pós-gradução e pesquisa de universidades (60). A ênfase do
III PND, no que se refere à universidades, recai na pesquisa e apoio à pós-graduação.

26

�o 111 PBDCT, reforça a necessidade da inform ação como apoio essencial
para o desenvolvimento científico e tecnológico. As prioridades neste setor incluem o
fortalecimento do IB ICT /CNPq, como órgão central com condições institucionais e
materiais para desempenhar funções de coordenação descentral izada das atividades de
inform ação em ciência e tecnologia, e a necessid ad e de sensibili zar a consciência nacional para a importância do uso da informação, objetivando o aperfeiçoamento d e mecanismos de acesso, armazenamento, e divulgação d esta informação, também é enfatizada a necessidade de formação e treinam ento d e recursos humanos de alto n ível técnico,
no tratamento e utilização da informação devido à característica multidiscip linar do
setor (61).
o III PBDCT expressa o seu a poio à atividade de ext ensão das universi dades, quando as incita a desenvolver programas de extensão e assistênc ia, visando a
cri ação e transferência de ciência e t ecnologia aos diversos segm entos da soci edade, em
particular ao setor produtivo_
o 29 Plano Nacional d e Pós-Graduação, bem como o 39 Pl ano Setoria l de
Educação deverão ser publicados em breve, estabelecendo ainda as diretri zes qu e d everão ser seguidas pelas universidades e bibliotecas universitárias para se t ornare m efetivamente parte do esforço nacional de desenvolvimento.
3. Conclusões
Sob o ponto de vista de planejamento, a poslçao socio-eco nom lca e
estrutural da biblioteca universitária nos indica que esta é influenciada pel os planos
nacionais de desenvolvimento e pelos planos e pol íticas setoriais de ed ucação superior e de ciência e tecnologia.
Os planos nacionais são hoje os grandes motivadores de mudança e desenvolvimento das instituições e sistemas no pa ís.
Sua orientação geral é filtrada pelas características individu ais destas instituições e sistemas. No que se refere a planejamento universitário as diretri zes dos p Ianos de governo revelam que planejamento educacional não pode ser d esvincul ado do
planejamento científico e técnico, sendo um complemento do outro, ambos essencia is
para o processo de desenvolvimento. O planejamento de bibliotecas universitárias é
parte do mesmo processo. Para entender e assumir a sua responsabilidade no esforço de
desenvolvimento do país, a biblioteca universitária precisa antes de mais nada anal isar
as suas características atuais como uma organização. Uma vez identificadas estas características, ela deve:

1. proceder à re-definição de sua posição e responsabilidade em relação a
organização à qual serve; ,
27

�2. entender e re-definir as suas responsabilidades em relação aos objetivos
gerais e específicos da universidade, tanto em sua dimensão social
quanto na individual;
3. entender e definir as funções e responsabilidades da biblioteca em relação à pol ítica de educação e de ciência e tecnologia;
4. entender e definir a sua posição, objetivos e responsabilidades em relação ao 18 ICT/CNPq;
5. entender e definir a sua posição, objetivos e responsabilidades em relação à CAPES/MEC;
Para atingir estas metas, ela precisa:

1. manter mecanismos de ação que possibilitem a sua participação no
processo de planejamento a nível institucional;
2. manter mecanismos de ação que possibilitem a sua participação no processo de planejamento educacional a nível de decisão, inserindo a
biblioteca neste processo;
3. manter mecanismos de ação que possibilitem a sua participação no processo de planejamento científico e tecnológico, inserindo a biblioteca
dentro deste processo;
Para atingir estes objetivos, ela deve:

1. assegurar a sua capacidade de planejamento dentro da universidade, tanto a nível vertical - hierárquico, quanto a nível horizontal, integrandose no processo de planejamento das demais unidades universitárias,
assegurando assim a sua participação na execução e formulação dos
objetivos da universidade;
2. re-analisar, re-definir ou substituir os seus mecanismos de planejamento
existentes, tanto a Comissão de Diretores de Bibliotecas Centrais
Universitárias, como do NAT/08, visando a correção de distorções em
relação aos objetivos iniciais propostos, e ao re-posicionamento destes
órgãos criando a possibilidade de assegurar e manter planejamento contínuo para solucionar os problemas e propiciar o desenvolvimento das
bibliotecas universitárias, tanto a nível institucional quanto de deci"são;

28

�3. criar um órgão coordenador e centralizador de planejamento bibliotecário que coordene as atividades de planejamento (tanto dos órgãos já
em existência como de outros que irão surgir), e que represente o consenso dos bibliotecários, das universidades e dos órgãos nacionais de
planejamento. Este órgão deverá ter o apoio legal e financeiro tanto do
MEC quanto da Secretaria de Planejamento através do CNPq;
Estes órgãos de planejamento e coordenação deverão:
1. criar grupos de trabalho para estudar e assegurar a implementação total
dos princípios e tendências atuais do ensino superior e de ciência e
tecnologia aplicados às bibliotecas universitárias;
2. enfatizar o cumprimento total dos princípios de coordenação, centralização e cooperação, que norteiam não só a "racionalidade administrativa", mas são pré-requisitos para o cumprimento dos objetivos da universidade e da biblioteca universitária;
3. criar grupos de pressão tanto a nível profissional quanto a nível de decisão que reivindiquem pela condição do bibliotecário como planejador
de bibliotecas;
4. envolver escolas de biblioteconomia e associações de classe para a preparação, especialização e atualização de bibliotecários planejadores e
administradores;
5_ manter contactos e mecanismos de ação que possibilitem estudo de
casos e avaliação contínua da situação das bibliotecas universitárias no
país;
6. promover e apoiar a pesquisa sobre bibliotecas universitárias no país;
7. envolver e motivar os professores, alunos e a comunidade universitária
em geral a participarem nos problemas e atividades da biblioteca, como
por exemplo: em comissões de planejamento de serviços, de solução de
problemas administrativos; e outros, estabelecendo assim a comunicação e o diálogo acadêmico;
8. envolver e motivar os bibliotecários a participarem do esforço de planejamento, convidando-os a participar de seminários, congressos, grupos
de trabalho, grupos de pressão e incitando-os ãs atividades de pesquisa
e produção intelectual;

29

�9. integrar os bibliotecários brasileiros no esforço de planejamento, levando e dividindo as experiências e recomendações desenvolvidas a nível
nacional, regional e local à outras localidades e regiões motivando o debate e as sugestões e completando assim um ciclo informacional e de
participação.

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                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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          <name>Title</name>
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              <text>Planejamento de e para Bibliotecas Universitárias no Brasil: sua posição sócio-econômica e estrutural. (Trabalhos especiais)</text>
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          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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              <text>Tarapanoff, Kira</text>
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          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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              <text>Brasília (Distrito Federal)</text>
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              <text>Aborda a evolução histórica do planejamento bibliotecário no Brasil no seu aspecto macro, inserindo-se a biblioteca universitária no seu contexto sócio-econômico, geográfico e cultural. São enfatizadas as tendências atuais do planejamento bibliotecário, especialmente o de bibliotecas universitárias, como parte do planejamento educacional, científico e cultural, segundo diretrizes dos planos brasileiros de desenvolvimento, tanto gerais como setoriais. São identificadas características, falhas e distorções do planejamento para bibliotecas universitárias no país, propondo-se algumas linhas de ação que permitam a sua melhor ''situação" dentro do contexto de planejamento brasileiro.</text>
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