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PADRÕES EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: SITUAÇÃO
NO BRASIL*

Maria Carmen Romcy de Carvalho
CAPES
RESUMO
O estudo de 481 bibliotecas universitárias revelou que para atendera uma
comunidade acadêmica potencial de 882.866 usuários elas dispõem de um
acesso médio de 8 livros por usuários potencial, 1 bibliotecário para cada
758 usuários potenciais, 2 auxiliares por bibliotecário, área física média de
30 cm 2 por usuário potencial, área de leitura de 6 cm2 por usuário potencial, 1 cadeira para cada 28 usuários potenciais e um orçamento de Cr$ . . .
67,32 por usuário potencial.
Verificou-se também que as bibliotecas de acesso geral estâo em melhores
condições por serem na grande maioria bibliotecas centrais, ao passo que as
setoriais das áreas de ciências puras e aplicadas encontram-se em melhor
situação do que as setoriais das áreas de ciências sociais e humanas.
1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho trata da problemática do uso de padrões em bibliotecas universitárias.
Seu principal objetivo é o de oferecer elementos que sirvam para a reflexão
dos bibliotecários e administradores universitários a fim de que os objetivos da biblioteca universitária sejam dimensionados com base nos objetivos da instituição.
Por padrão entendemos aqui, determinados parâmetros que servem de
instrumento para a avaliação e o planejamento.
Assim, estudando um conjunto de bibliotecas de estabelecimentos de ensino superior chegou-se a um perfil representativo que serve de ponto de partida para
uma auto-avaliação proporcionando às bibliotecas uma oportunidade de reflexão e
posicionamento para o planejamento de suas futuras atividades.
Não foi, portanto, nossa intenção elaborar medidas ou padrões ideais, que
só podem ser formulados após cumprida esta primeira etapa, a qual nos propusemos
com este trabalho.
* Documento básico apresentao ao grupo de trabalho Estatísticas e Padrões Bibliotecários.

�A aplicação de padrões ou parâmetros em qualquer atividade é ponto pacffico. Entretanto a sua formulação e utilização em bibliotecas é questão não muito
pacífica. Há que afirme que a utilização de padrões na administração bibliotecária
constitui um dos principais entraves ao crescimento dos serviços. A razão desta atitude
tem sua fundamentação no fato de que a aplicação de padrões rígidos, sem a devida
adaptação e atualização, pode realmente constituir uma barreira na otimização dos serviços em bibliotecas. Nosso trabalho consiste em mostrar que a utilização de padrões,
é não só desejável, mas até necessária, desde que não sejam entendidos em seu sentido
limitador e inflexível. Também, nos foi possível verificar que a não utilização de padrões tem constituído grande obstáculo no planejamento de nossas bibliotecas, uma
vez que a falta de medidas para a avaliação do acervo e dos serviços não permite que as
bibliotecas se posicionem em relação à demanda real, desconhecendo o alcance de
suas atividades e não possuindo elementos que lhes ajudem a formular objetivos e
metas.
A literatura aponta que a utilização de padrões pode ser feita em praticamente todas as atividades desenvolvidas em bibliotecas, uma vez que 60% destas
atividades têm caráter repetitivo e rotineiro.
Neste trabalho, limitamo-nos. a estudar as áreas de acervo, pessoal, área física, acomodação e orçamento.
A metodologia empregada consistiu na utilização dos dados já compilados
e publicados pela Assessoria de Planejamento Bibliotecário da CAPES. O tratamento
estatístico dos dados foi feito através dos Programas SPSS (Statistical Package for
Social Sciences) e SAS (Statistical Analysis System) através dos quais efetuamos a
Análise de Grupamento, Análise de Regressão Múltipla e a Análise da Variância.
2. RESULTADOS E DISCUSSÃO DAS ANÁLISES
2.1

Análise de Grupamento

Ao iniciarmos nosso trabalho pretendíamos estudar separadamente as bibliotecas centrais e setoriais, pois acreditávamos que haveria uma diferença significativa
entre estes dois tipos de bibliotecas. A própria literatura acusa uma grande modificação
havida após a Reforma Universitária, onde a tendência à centralização é mais marcante,
caindo a preferência pela descentralização de serviços, por razões óbvias de racionalidade. Nosso estudo acusou que realmente quase todas as Instituições de Ensino Superior
(IES) estudadas (89) possuem bibliotecas centrais (79) e destas bibliotecas centrais,
apenas 5 não exercem qualquer tipo de atividade centralizadora.
Teoricamente supõe-se que uma biblioteca central possui recursos maiores
do que uma biblioteca setorial, porque seu público é maior, o volume de aquisição é
maior, etc.
315

�Com a finalidade de comprovar a diferença entre os dois tipos de bibliotecas
realizamos uma análise de grupamento. Foram escolhidas aleatoriamente 200 bibliotecas e o resultado obtido apresentou dois grupos. Aplicou-se um teste para as hipóteses:
Ho)
Hi)

P1
P1

=
&lt;

P2
P2

(hipótese nula)
(hipótese alternativa)

O resultado obtido permitiu-nos aceitar a hipótese nula, isto é, nâo há diferença significativa entre os dois grupos, levando-nos a crer que as bibliotecas centrais setoriais em ambos os grupos são semelhantes quanto ao número de bibliotecários, número
de auxiliares, área global, número de cadeiras para leitor, número de livros, número de
títulos de periódicos, número de usuários em potencial e orçamento.
2.2

Análise de Regressão

Esta análise foi realizada com o objetivo de verificar o quanto uma variável
dependente é explicada pelas variáveis independentes a ela relacionadas.
Foram determinadas como variáveis dependentes:
V.
V.
V.
V.
V.
V.
V.
V.
V.
V.
V.
V.
V.
V.

04
05
06
07
08
09
11
12
14
15
16
17
18
19

— Carga horária semanal;
— Número de bibliotecários;
— Número de auxiliares;
— Área global;
— Área para leitura;
— Acomodação para leitor;
— Número de livros;
— Número de títulos de periódicos;
— Número de usuários em potencial;
— Número de empréstimos;
- Número de consultas
— Orçamento;
— Gastos com livros;
— Gastos com periódicos.

Procedeu-se a elaboração de uma matriz de correlação, de onde só foram
aproveitados para a análise, os coeficientes de correlação superiores a 0.30 e correlações que viessem a trazer resultados significativos para a pesquisa.

�Os resultados obtidos revelaram que:
a) O número de bibliotecários é explicado pela área global (51%); número de
usuários em potencial (60%) e número de livros (65%);
Comentário
Parece curioso que a área global seja o primeiro fator que explique o número
de bibliotecários nas bibliotecas universitárias. Entretanto., a observação da prática tem
mostrado que freqüentemente ao se ter ampliada a área da biblioteca há uma preocupação primeira em se contratar mais profissionais ao invés de auxuliares. Ocorre o que
a literatura já afirma: há um desvio de funções do bibliotecário, que passa a supervisionar áreas de leitura, catálogos, etc. A pouca oferta de auxiliares faz com que se tenha
bibliotecários "vigiando" áreas que poderiam ser atendidas por pessoal auxiliar.
b) O número de auxiliares é explicado pelo número de bibliotecários (59%),
número de empréstimos (62%), número de usuários em potencial (64%), número de
livros e área global (65%).
Comentário:
Este resultado parece confirmar o que a literatura apresenta, onde o n? de
auxiliares deve ser fixado em função do número de bibliotecários. O segundo fator, número de empréstimos, não causa surpresa, porquanto sabemos que é a Circulação que
absorve o maior número de auxiliares, e confirmando o que dissemos no item anterior,
vemos que a área global da biblioteca é fator que pouco explica o número de auxiliares, provando mais uma vez que o número de auxiliares não é calculado com base na
área global.
c) A area global é explicada pelo número de livros 152%) e número de usuários em potencial (53%);
Comentário:
Este resultado parece-nos também perfeitamente coerente, onde o tamanho
da coleção impõe a área global da biblioteca. Curioso é o fato do número de usuários
em potencial pouco explicar área total da biblioteca
d) A área para leitura é explicada pela área global (70%);
Comentário:
Este resultado também não apresenta surpresa quanto ao primeiro fator.

�Curioso é que não haja nenhuma influência do numero de usuários no tamanho da
área concedida à leitura.
e) A acomodação para leitor é explicada pela área para leitura (86%), número
de livros (87,8%), carga horária semanal e número de usuários em potencial (88%);
Comentário:
Não é surpresa de que a área para leitura explique o número de cadeiras para
leitor. A princípio pode parecer estranho que o número de livros tenha relação com a
acomodação para leitor, porém na prática, sabemos que quando as bibliotecas não têm
área disponível para expansão e não têm perspectiva de mudança para local mais amplo
elas recorrem a um método mais simples para ganhar espaço: diminuem o número de
cadeiras.
f) O número de livros é explicado pela área global (53%), número de bibliotecários (61%), número de auxiliares (62,5%);
Comentário:
Aqui se comprova que a área global da biblioteca é fator restritivo ao tamanho da coleção. O número de bibliotecários tem grande influência no número de livros
e o número de auxiliares não parece explicar muito o fenômeno, como já havíamos
visto no item (b).
g) O número de títulos de periódicos não apresentou nenhum fator que o
explique de modo significativo;
h) O número de empréstimos é explicado pelo número de livros (46%), número de auxiliares (48%), acomodação para leitor, área para leitura e número de usuários
em potencial (50%) t
Comentário:
Este resultado apresenta um interessante fato. Parece óbvio que o número de
empréstimos esteja vinculado ao número de livros (que é o material mais disponível
para circulação) e o n? de auxiliares (que é quem efetua o empréstimo). Estranho é
que a Acomodação para leitores, a área para leitura e o número de usuários pouco

�expliquem o fenômeno, porque se 1 biblioteca possui pouca acomodação e pouca
área restritra para leitura ela tende a emprestar mais pelo simples fato de não ter
lugar suficiente para leitura no local.
i) O número de consultas não apresentou nenhum fator que o explique de
forma significativa;
j) O orçamento não é explicado pelo número de usuários (21%) e número de
bibliotecários (24%);
Comentário:
Este resultado comprova a pouca importância que as instituições dão ao item
orçamento das bibliotecas. Este é calculado aleatoriamente e não está em função da
clientela a ser servida, nem em função do pessoal que seleciona, processa e divulga o
material.
I) Os gastos com livros são pouco explicados pelo número de usuários em
potencial (20%) e orçamento (25%);
m)Os gastos com periódicos são explicados pelo orçamento (78%), número
de bibliotecários (84,6%), número de usuários em potencial (84,8%), área global
(84,9%);
Comentário:
Este resultado pode ser entendido, porque a grande parte dos orçamentos
das bibliotecas são alocadas para a compra de periódicos. O compromisso das assinaturas a serem renovadas anualmente é mais forte do que a compra de livros. A grande
maioria das bibliotecas analisadas são setoriais da área de Ciências Puras e Aplicadas
onde há uma maior pressão para a compra de periódicos.
n) A carga horária semanal não parece ser explicada de modo significativo,
por nenhum fator.
Comentário:
A exigüidade da área para leitura e o baixo número de acomodações oferecidas não favorecem a uma ampliação nos horários de funcionamento das bibliotecas. A
grande maioria está aberta durante os horários das aulas e fechada nos fins de semana
e à noite.

�2.3

Análise da Variância

Na tentativa de verificar se as bibliotecas apresentam semelhanças ou: diferenças significativas provocadas pelas influências de fatores conjunturais, fez-se uma An á
lise da Variância para variáveis quantitativas e classificatórias.
a) Variáveis quantitativas
v.
v.
v.
v.

0715
1617-

área global
número de empréstimos
número de consultas
orçamento

b) Variáveis classificatórias
V. 1 0-

v.13 -

Especialidade do Acervo
(0)
Geral
(11
Ciências Sociais e Humanas
(2)
Ciências Puras e Aplicadas
Condições de Acesso
-

fechado
Livre

-.
v. 2 0 -

Restrito

Dependência Administrativa
-

Federal
Estadual

-

Municipal
Particulai

i/

21 -

Natureza da Instituição Mantenedora
Universitária
Federação de Escolas
- Unidade Isolada de Ensino Superior

-

Os resultados obtidos revelaram que a) Não há diferença significativa na área global das bibliotecas de acess;.
livre, fechado e restrito;
b) Não há diferença significativa no número de empréstimos das bibliotecas
de acesso livre, fechado e restrito;

�c) Há ao nível de a = 0,10 diferença significativa no número de consultas
das bibliotecas de acesso fechado, livre e restrito. Não há diferença ao nível
de a = 0, 05 ;
d) Não há diferença significativa rio orçamento das bibliotecas universitárias
vinculadas às instituições federais, estaduais, municipais e particulares;
e) Não há diferença significativa entre os orçamentos das bibliotecas vinculadas à estruturas universitárias e às unidades isoladas de ensino superior;
f) Há diferença significativa entre os"orçamentos das bibliotecas de acervo
geral, área de Ciências Sociais e Humanas e área de Ciências Puras e Aplicadas:
g) Não há diferença significativa entre os gastos com livros nas bibliotecas
pertencentes às estruturas universitárias e unidades isoladas de ensino superior;
h) Há diferença significativa entre os gastos com periódicos das bibliotecas de
acervo geral, área de Ciências Sociais e Humanas e Ciências Puras e Aplicadas
il

Não há diferença significativa entre os gastos com periódicos das bibliotecas de estrutura universitária e das unidades isoladas de ensino superior.

CONCLUSÕES

As conclusões a que chegamos é de que a situação está longe de ser ideal.
A biblioteca universitária não acompanhou o crescimento do ensino superior e não está hoje aparelhada para servir de suporte ao ensino e a pesquisa. 0 indicador de 7, 9 livros por usuário é irrisório para se pensar que estamos, realmente, alimentando de informação a comunidade acadêmica.
Quanto ao pessoal cabe-nos ressaltar que a insuficiência atual está no número de bibliotecários em relação a clientela usuária, pois a proporção bibliotecário/
auxiliar é equivalente aos padrões americano e mexicano. O serviço fica ainda mais prejudicado pela freqüente mobilidade dos bibliotecários que buscam melhores salários
em bibliotecas especializadas, pela pouca experiência que os dirigentes das bibliotecas
têm em planejamento e administração integrados ao planejamento da instituição e
pela pouca oportunidade que os bibliotecários universitários têm para realizarem
cursos de aperfeiçoamento profissional

�Quanto à área física e acomodação acreditamos que a reflexão se impõe
por si mesma. É impossível oferecer coleções e serviços satisfatórios em áreas tão reduzidas como 30 cm 2 por usuário e 28 usuários por cadeira.
Com relação ao orçamento, o maior responsável pelo despreparo das bibliotecas universitárias comprova-se o pouco reconhecimento que tem sido dado a elas
pelas administrações universitárias, que algumas vezes, mal acostumadas porque as bibliotecas recebem recursos externos esquecem-se, proposital mente, de incluí-los em
sua programação orçamentária.
Sugerimos, pois, que as bibliotecas após um exame de consciência, procurem descobrir seus próprios parâmetros, que construídos de acordo com suas necessidades, objetivos, recursos e limitações não sejam simples metas intangíveis, mas que sejam sobretudo indicadores de esforços dispendidos em direção a um desenvolvimento
factível e gradual.

�TABELA Q1
RELAÇÃO ENTRE VARIÁVEIS EXPRESSA EM INDICADORES GERAIS E POR TIPO DE BIBLIOTECA

Fonte: Guia de Bibliotecas Universitárias Brasileiras.

�TABELA 2
PERFIL DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS COM ACERVO GERAL - 1978

VARIÁVEIS
N? de bibliotecários
N?de auxiliares
Área global (m 2 )
Área para leitura (m2 )
Acomodação
N° de livros
Orçamento (Cr$ 1.000,00)

X
5
19
1.680
614
190
39.973
1.224

DP
7
30
3.053
1.140
325
53.413
1.755

�TABELA 3
PERFIL DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS DAS ÁREAS DE CIÊNCIAS
SOCIAIS E HUMANAS - 1978

VARIÁVEIS
N? de bibliotecários
N? de auxiliares
Área global (m 2 )
Área para leitura (m 2 )
Acomodação
N? de livros
N? de títulos de periódicos
Orçamento (Cr$ 1.000,00)

X
2
4
254
117
47
13.525
345
185

DP
2
4
288
126
42
19.530
511
252

�TABELA 4
PERFIL DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS DAS ÁREAS DE CIÊNCIAS
PURAS E APLICADAS - 1978

VARIÁVEIS
N? de bibliotecas
Nº de auxiliares
Área Global (m 2 )
Área para leitura (m2 )
Acomodação
N? de Livros
N° de títulos e periódicos
Orçamento (Cr$ 1.000,00)

X
2
4
408
143
60
7.730
480
248

DP
2
4
646
204
73
8.848
579
363

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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              <text>O estudo de 481 bibliotecas universitárias revelou que para atender a uma comunidade acadêmica potencial de 882.866 usuários elas dispõem de um acesso médio de 8 livros por usuário potencial, um bibliotecário para cada 758 usuários potenciais, 2 auxiliares por bibliotecário, área física média e 30 cm² por usuário potencial, área de leitura de 6 cm² por usuário potencial, 1 cadeira para cada 28 usuários potenciais e um orçamento de Cr$67,32 por usuário potencial. Verificou-se também que as biblitoecas de acesso geral estão em melhores condições por serem na grande maioria bibliotecas centrais, ao passo que as setoriais das áreas de ciências puras e aplicadas encontram-se em melhor situação do que as setoriais das áreas de ciências sociais e humanas.</text>
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