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                  <text>SALTANDO BARREIRAS, LANÇANDO DARDOS, ROMPENDO
LIMITES, Sujeitos em um contexto grupal de aprendizagem.
Conceição Lopes
Mestre em Comunicação pela UFPE
Assessora da Biblioteca Central da UFRPE
Recife-PE-Brasil
e-mail : saomartins@bol.com.br

Reginete Cavalcanti Pereira
Mestre em Desenvolvimento Humano pela UFPB
Psicóloga da Divisão de Assistência Médico-Odontológica da UFRPE
Professora Assistente da FAFIRE
Recife-PE-Brasil
e-mail: reginete@uol.com.br

RESUMO
Produzido a quatro mãos, o texto é um exercício inicial de reflexão acerca das teias invisíveis da
Comunicação e da Psicologia Social, e sobre como tecemos com elas (muitas vezes, sem perceber)
inúmeras relações. Nossa proposta é recompor a memória do trabalho de grupo que há 14 meses
vem sendo vivenciado pelo Corpo Técnico da Biblioteca Central da UFRPE, ao incorporar novos
paradigmas e conceitos da era tecnológica. Nela, há recortes do seu ideário e testemunhos orais e
imagéticos significativos, onde aflora, sobretudo, o sentimento do grupo para com o momento e as
mudanças propostas. O que se segue é a narrativa de fragmentos do caminho metodológico
percorrido, de forma que cada um dos quatorze membros do grupo vivenciasse com menos
sofrimento este rito de passagem. Ao longo da leitura, tomam corpo e expressão os medos e
angústias incorporados e vencidos, assim como o compromisso assumido com o desenvolvimento e
os resultados do processo. Esta é uma leitura de vida, de crescimento individual e coletivo.
Inevitavelmente escrita sob os limites de nossa imagem, do nosso olhar, do nosso viver, esta é uma
leitura apaixonada e viva do agir, sentir e pensar desta equipe. Nosso objetivo não se reduz ao ato
exclusivo do resgate dessa experiência. Tudo está entrelaçado com o contemporâneo, com o novo,
com a tecnologia, como um diálogo entre tempos, espaços, temas e indivíduos. Esta história está
sendo escrita sem ponto final. Cada um desses sujeitos a está tecendo na dimensão contraditória do
cotidiano.

Palavras-Chave: Comunicação; Psicologia Social; Grupo; Dinâmica de Grupo; Sentimento

�1- De onde vem essa narrativa...
O grupo é como um rio que tem força e vida
próprias. O facilitador segue com ele, aproveitando suas correntes e possibilitando a
descoberta das riquezas submersas. Porém, por mais que mergulhe nessas águas, não esgota
os seus mistérios.
Margarida Serrão e Maria Clarice Baleeiro

Registrar o que estava acontecendo foi a idéia. Apanhar a idéia e fixar veio a
posteriori pois, volátil e rica de detalhes, aquilo que estava sucedendo numa prática de encontros,
leituras, debates e dinâmicas, tratava-se de uma singular experiência.

Imaginamos paralelamente, como seria se o ser humano não fizesse narrativas para
os outros, sobre si próprio e sobre eles. Tal universo é inimaginável, porque isto significaria um
mundo sem história, mito ou drama; e vidas sem reminiscências, revelações e revisões interpretativas.
Concomitantemente, é da mesma forma, impossível, imaginarmos o mundo sem imagens e o
indivíduo sem a capacidade de percebê-las e construí-las.

Começamos então, a pensar como seria interessante narrar aos nossos pares a
história desse momento, desse grupo; contar aos outros o que e como aconteceu e continua a
acontecer, pois apesar da atividade em grupo se constituir em uma realidade no cotidiano de
qualquer trabalho, no ambiente da biblioteca, de maneira geral, tal tarefa é ainda vivenciada sem a
devida conscientização da essência do produzir no coletivo. Assim sendo, como nos assegura
Câmara (1999) “ é necessário buscar uma maior reflexão sobre esse tipo de trabalho, para
podermos utililizá-lo de uma forma mais consciente, reflexiva e efetiva”. Desta feita, a cada momento
dessa nossa experiência, nos deparamos com a necessidade de investir no estudo dos fenômenos
grupais, enquanto estratégia aplicada no contexto da biblioteca, para que tenhamos cada vez mais
claros os seus fundamentos.

�No decorrer dessa vivência, tivemos a consciência que o grupo pode ser influenciado
por diversas variáveis que contribuem ou não para o alcance de seus objetivos. Atentamos, neste
sentido, para esse fato como um determinante no êxito desse trabalho e o tomamos como fio
condutor em nosso cotidiano para a reflexão teórica e pratica do trabalho de grupo.

Nesse contexto, entrecruzaram-se o olhar da Ciência da Informação e o da Ciência do Comportamento
Humano que, instalados num tempo e espaço delimitados, estabeleceram duas formas de comunicação, a verbal e a não verbal,
através de múltiplas vivências. Desse universo lúdico e criativo, selecionamos para este relato uma atividade realizada com uma
técnica de dinâmica de grupo, que constitui um rico recurso de trabalho. Como afirma Serrão (1999), as técnicas de dinâmicas
de grupo constituem-se num instrumento facilitador do processo grupal por desenvolverem a capacidade de ouvir, falar,
comunicar-se e conviver, explorando linguagens variadas, como dramatização, expressão corporal, desenhos, música, dança etc.
Possibilitando, sobretudo, a reflexão, a construção e reconstrução das vivências e do conhecimento.

Nesse sentido, visamos a uma semeadura que teve como objetivo geral possibilitar à equipe da Biblioteca
Central da Universidade Federal Rural de Pernambuco a oportunidade de, enquanto sujeitos, estarem reunidos para a produção
conjunta de uma reflexão grupal no atual contexto de mudança de paradigma do manual para o tecnológico e, como objetivos
específicos, facilitar o entrosamento, o clima de confiança e uma maior integração entre os componentes da equipe técnica no
atual contexto mutante da Biblioteca Central; propiciar, finalmente, uma reflexão sobre as formas de trabalho isolado e em
equipe, despertando a necessidade e importância da ação coletiva.

É nessa experiência do vivenciar a re-aprendizagem no cotidiano do trabalho, através das técnicas de
dinâmicas de grupo, que essa equipe está transformando sua própria imagem decorrente de novas descobertas, emoções,
aptidões e compromissos. Iniciando uma jornada de vida.

�2- Contextualizando...

A chegada de um outro paradigma no cerne do Projeto de Informatização e
Modernização da Biblioteca Central da Universidade Federal Rural de Pernambuco, BC-UFRPE,
localizada no Recife, capital do estado de Pernambuco, concebido por uma consultoria externa,
trouxe a mudança de métodos e processos de trabalho e nos estimulou a inferir com maior
persistência sobre a compreensão do contexto sociocultural do cotidiano.

Pareceu-nos apropriado, ao assumir o papel de mediadores, na função de
Coordenação Administrativa do Projeto, aprofundar nossa leitura sistêmica acerca do mundo
imediato, das coisas e dos animais que nele existem e do qual somos partícipes e observadores.
Nesse sentido, tomamos o ato de ler o comportamento animal, buscando uma analogia com o
comportamento humano, como fio condutor para fluir e envolver o grupo no processo de mudança,
assim como para a reflexão, levando-o a redirecionar seu olhar e a auto-revelar-se naturalmente.

A releitura e a analogia dessa revolução tecnológica contemporânea foi iniciada
através do resgate da capacidade de transformação e da eficiência do homem em alterar seu
ambiente ao longo dos tempos que, em grande parte, deve-se à sua extraordinária capacidade de se
comunicar e elaborar artefatos e ferramentas. De modo semelhante, resgatamos, também, a lagarta
em seu casulo, durante sua metamorfose, e as aranhas, que modificam seu ambiente utilizando fios de
seda que possibilitam alavancar sua evolução: a teia.

Enquanto o homem teve, na via cultural, a principal aliada do sucesso, as crisálidas
têm, em Cronos, o tempo para transformarem-se. E as aranhas? Essas ao longo da evolução,
percorreram também apenas a via genética. Fazem, porém, um trabalho tão perfeito que inspirou a
web.

�Paralelamente, a transformação da lagarta não é fácil, é longa. É um ato isolado, hermético, incomunicável,
sofrível. Seu retiro e espera, porém, a leva à qualidade da borboleta: suas cores, sua agilidade, sua vivacidade e competência
para voar pelo espaço.

A teia da aranha, por outro lado, desenvolveu-se ao longo de milhões de anos, a
partir da fisiologia dos seus "laboratórios" (glândulas situadas no abdome), que produzem vários tipos
de seda.

Versátil e engenhosa, afirma Ades(1995a), a aranha, que constrói uma teia
geométrica, a constrói de acordo com o espaço e os suportes de que dispõe; se variarem as
condições externas, varia o desempenho; colocada num ambiente pela primeira vez, produz uma teia
diferente de todas as construídas anteriormente.

A crisálida e a aranha dependem das condições fisiológicas. O homem, das
condições fisiológicas, tecnológicas e, por que não dizer, emocionais. Em ambas, o relacionamento
com o tempo de espera e o exercício de paciência são determinantes. Nos três, o intrincamento de
movimentos, a complexidade e a perfeição dos resultados, reflete padrões de comportamento,
formando uma unidade lagarta-borboleta/aranha-teia/homem-grupo.

O convite à leitura do comportamento animal foi aceito pelo grupo, que passou a
compartilhar essa experiência de forma lúdica e prazeirosa. Esse fio condutor veio a redirecionar o
olhar coletivo para os detalhes desse mundo inconcluso, onde cada um de nós, homem e animais, o
está construindo.

Diante dessa conscientização do caráter mutante dos seres vivos, podemos concluir:
que bom que somos humanos. Nesse momento, podemos estar mutantes, mas em conjunto. Seres

�humanos, somos, por natureza, gregários. Necessitamos, portanto, do convívio em grupo. Nesse
ambiente de trabalho, trocamos idéias, dividimos emoções, inseguranças e alegrias.

3- Do Agrupamento ao Grupo...

Nascemos indivíduos e nos tornamos pessoas. Para se tornar pessoa, é preciso pessoas. Pessoas são seres
humanos, são como os nós, que formam e amarram uma rede. Todos, entrelaçados e trançados, formam uma teia de relações,
encontros e desencontros que, rápidos ou permanentes, vão se cristalizando em grupos sociais e, dentre eles, grupos de
referência, como os grupos de trabalho, nos quais sujeitos produzem e transformam.

É a diversidade de enfoques da literatura a respeito da formação de grupos que, neste contexto, nos induz a
diferenciar agrupamento e grupo social. A experiência tem mostrado que o agrupamento não é uma conduta específica do
homem. Na realidade, muitas das caracteristicas do agrupamento humano têm sua origem no comportamento animal, tal como
observado nos agrupamentos das formigas, de uma colméia de abelhas ou de um grupo de primatas.

Zimmermann (1997) destaca que o agrupamento caracteriza-se por um conjunto de pessoas que partilha de
um mesmo espaço e tem interesses comuns, podendo vir a tornar-se grupo. A passagem de um agrupamento a um grupo
propriamente dito resultaria, segundo ele, da transformação de interesses comuns em interesse em comum: isto é, os
integrantes de um grupo reúnem-se em torno de uma tarefa e de um objetivo comum ao interesse de todos.

A esse respeito, Olmsted, citado por Braghirolli (2001), ratifica, colocando grupo como “uma pluralidade
de indivíduos que estão em contato uns com os outros, que se consideram mutuamente e que estão conscientes de que têm algo
significativamente importante em comum”. Interesses, crenças, tarefas, características pessoais e outras coisas podem ser este
“algo em comum”.

Observa-se, no entanto, que nem a simples existência de interesses ou atividades comuns fazem um grupo.
Para que um conjunto de pessoas possa ser chamado de grupo, é preciso que atenda, ao mesmo tempo, aos três critérios: estar
em contato, considerar-se mutuamente como membros de um grupo e ter algo em comum.

É a partir deste aporte teórico e do atual contexto de mutação da Biblioteca Central da Universidade
Federal Rural de Pernambuco que relatamos essa primeira etapa do rito de passagem que esse grupo de Bibliotecários, reunido

�em torno de uma tarefa e de um objetivo em comum ao interesse de todos, a informatização e a modernização, deu início à
transformação de interesses comuns em INTERESSE COMUM.

4- Vivenciando uma dinâmica...

A atividade relatada e que serviu de base às reflexões aqui tecidas constitui o terceiro momento do encontro
do grupo que, há exatos 14 meses, encontra-se em andamento com a equipe de Bibliotecários, decorrente da substituição do
paradigma manual para o automatizado nos serviços da Biblioteca Central. A quebra do modelo manual, como todo processo de
mudança, inicialmente, foi visto por alguns como um momento de muita desconfiança, apesar de se constituir em uma
reivindicação histórica da equipe. Tal ruptura acarretou angústias, despertou medos e inseguranças. Este momento mostrou-se
confuso, pesado e foi olhado pelo grupo como algo difícil de ser “domado”.

Minimizar as resistências diante do novo incorporado naquele instante plural, desde o início, apresentou-se
como um desafio, pois fazia-se necessário associar à CAPACITAÇÃO, que trazia novos conceitos e práticas, o
SENTIMENTO, representado na emoção, no afeto, na vontade, no simbólico. Esse contexto em gestação favoreceu o
desenvolvimento de uma proposta lúdica, utilizando jogos, vivências e dinâmicas como instrumentos para um trabalho de
desenvolvimento interpessoal que, paulatinamente, está germinando uma maior interação grupal.

Estimular uma visão crítica e prospectiva, explorando as possibilidades da mudança e buscando um maior
compromisso com os resultados e nova postura profissional, tem sido o foco das ações desenvolvidas na Biblioteca Central
com o Grupo de Estudo e os Grupos de Trabalho formados pelos Bibliotecários. Assim sendo, ao longo desse percurso, temse buscado demandar o compartilhamento de ações através da participação de todos para que, uns em contato com os outros,
conscientizem-se que têm um rito de passagem significativamente importante em comum.

Conhecer o sentimento individual e grupal a partir da produção de uma imagem representativa da
Biblioteca Central foi o fio que conduziu a realização desta atividade. Para isso, utilizamos como ferramenta uma metáfora a
partir do “mote” animal, escolhido por ser esta uma instituição eminentemente direcionada às Ciências Agrárias e estar
situada em área circunvizinha ao Jardim Zoo-Botânico no bairro de Dois Irmãos no Recife. O contexto e a valorização do tema
animal, foi considerado por se tratar de um dos itens presentes nas discussões e estudos deste grupo, fato que permitiu a
possibilidade de uma analogia do comportamento animal com o contexto e estrutura de funcionamento da organização
denominada Biblioteca Central.

�Reunidos em uma sala ampla da própria Biblioteca, os 14 bibliotecários, na manhã do dia 7 de fevereiro de
2002, vivenciaram uma metodologia de trabalho que, fugindo à rotina, almejava a partir de um questionamento, o exercício de
ampliação do olhar sobre a realidade em gestação refletido no jogo. Indagou-se, então: “Se a BC fosse um animal, que animal
seria”?

A partir de então, foi oferecido ao grupo, papel em branco, lápis de cor, hidrocor e pincel pilot. Convidouse cada membro a representar através de um desenho individual a imagem de um animal que para ele representava a Biblioteca
Central naquele momento. Na seqüência, houve a apresentação individual dos desenhos para o grupo que, paulatinamente,
foram sendo expostos um a um na parede, seguindo as explanações do sentimento desenvolvido na produção, assim como o
motivo da identificação do animal representado com a BC.

Esta representação imagética possibilitou ao grupo não só o novo olhar, mas também um novo sentir,
refletir e agir. Constituiu-se em uma experiência singular, trouxe compreensão do sentimento do outro, demonstrando que cada
um é uma pessoa única e com olhar particular. Assim, esses seres humanos que, por natureza, são curiosos, exploradores,
comunicativos, auto desafiadores e que têm grande necessidade de expressão, no jogo, apropriaram-se, ressignificaram e
testemunharam essa mutação, em rico e significativo painel, do qual tomamos emprestado os animais representados para
potencializarmos as considerações a seguir:
- o Leão e a Cobra, como animais selvagens, vêm representar a agressividade, a ameaça e a insegurança que essa mudança
representa pois, apesar de tornar real uma reivindicação histórica do grupo, causa receio, sendo difícil conviver com ela;
- o Elefante e a Tartaruga, animais de caráter pesado e lento, vêm destacar que a atual mudança é um processo que
incomoda, pois o ritmo vagaroso e lento de antes está sendo superado pelo acúmulo de tarefas que, nesse momento, apresentase como “um fardo pesado”, indispensável, porém, à implantação da automação;
- a Coelha com filhotes, na qualidade de roedor, vem demonstrar a necessidade da persistência, do trabalho contínuo para se
alcançar a mudança pretendida. Ao mesmo tempo, permite a leitura do caráter afetivo da Biblioteca Central e,
conseqüentemente, revela a afetividade do grupo;
- as Formigas, representando o grupo dos animais agressivos, neste contexto, representam a necessidade do agir com
empreendedorismo. Destacam a união de esforços no trabalho organizado e em equipe, para investir no amanhã, numa
Biblioteca informatizada, moderna e em um grupo coeso;
- a Borboleta, a Águia, a Pomba, o Cisne e a Coruja, voadores, apesar de diferentes entre si, essas aves representam a
necessidade e o anseio dos membros desse grupo pela velocidade, rapidez e racionalidade do porvir da tecnologia;
- a Galinha, como única representante dos animais domésticos, deixa latente a realidade do modelo ainda presente, subjugado,
contido e reprimido aos fichários e tarefas manuais;
- o Macaco, representante isolado da categoria dos animais estéticos, representa as facetas da descontração e da comicidade
que contrabalançam as inseguranças e as angústias do processo. Paralelamente, caracteriza o racional, aliado ao sentimento de
vaidade, por estar iniciando a adoção do novo modelo, o tecnológico.

�Exposto o material em painel, formado a partir da apresentação individual dos desenhos com seus
respectivos sentimentos, seguiu-se a discussão em plenária para consenso do desenho que melhor identificava a Biblioteca, ou
seja, a imagem da Biblioteca Central, tendo sido escolhido o desenho das formigas e o das borboletas. De acordo com a fala
do grupo, a primeira figura foi escolhida porque “ainda somos formigas, apesar de continuarmos no chão, estamos nos
programando e organizando para o futuro, pensando no amanhã”.

Por outro lado, a segunda figura, porque “somos borboletas, estamos vivendo em processo de evolução,
saindo do casulo, em crescimento. Antes, éramos lagartas, exclusivamente nos fichários manuais. Agora, com as asas que
começam a aparecer, estamos superando a visão da lagarta e a usar a tecnologia como ferramenta”.

“Finalmente, estamos mutantes de FORMIGAS para BORBOLETAS porque, a partir do atual trabalho em grupo de
formiguinhas agregada ao casulo, estamos nos transformando em uma BORBOLETA que pretende subir, subir, voar, crescer e
aparecer”!

�5. Discutindo resultados.....

A chegada do novo, ao mesmo tempo em que vem quebrar amarras, cristaliza resistências. Nesta realidade
complexa, onde convivem o plural e o singular, a introdução de novos procedimentos é vista como algo estimulante e
motivante. Nela, bibliotecários que antes se fechavam em suas rotinas de trabalho quase isolados, aos poucos começam a
perceber que não adianta tentarem impedir o processo vital de mudança. Precisam adaptar-se urgentemente ao mesmo.

Percebemos, então que, nesta realidade, a grande geradora de nossas motivações são nossas necessidades,
daí a facilidade de adesão dos bibliotecários da Universidade Federal Rural de Pernambuco ao trabalho proposto, visto que eles
se encontram em um momento especial de suas histórias profissionais.

Entendemos, especialmente, a partir daí, que a incorporação ao grupo ocorreu à medida que este foi
entendido como uma oportunidade de extravasamento dos anseios, temores, conflitos, dúvidas, enfim, como uma possibilidade
de se trabalhar os sentimentos, o dito e o não dito.

As considerações que tecemos neste texto fazem-se apropriadas, e significam que estamos buscando, de
repente, de um lado, a estabilidade para que, nesse grupo, possam sentir-se seguros e protegidos nessa passagem. De outro,
permitem-nos observar o redirecionamento do olhar, o que fez com que o grupo da Biblioteca Central percebesse o atual
processo de mutação de paradigma a partir de um outro enfoque, o da analogia do comportamento animal/homem/organização.

O caminho alternativo sugerido, através da percepção do misterioso mundo do animal, em seu
comportamento e interação com o ambiente, projeta-nos essencialmente a fazer uma leitura além da simplória observação do
que faz e como faz esse animal, e ao entendimento do por que ele faz. Conseqüentemente, nos leva a uma empatia e a uma
outra interpretação do binômio animal/homem e, por conseguinte, da organização, que nada mais é do que o retrato do grupo
que a gerencia e dos que nela atuam.

Dessa forma, não se trata, a nosso ver, de simplesmente achar que o animal sente e pensa como nós, mas de
perceber que ele tem a sua própria essência, o seu jeito particular de ser. Sendo assim, sentir empatia é, nesse contexto, a
tentativa de, compreendendo o animal em seu próprio habitat, em toda a sua peculiaridade, conseqüentemente melhorar nossa
compreensão do homem e da organização no atual contexto em mutação.

�Na experiência descrita foi, portanto, pelo prazer, pela emoção, pelo afeto, pela intuição, pela vontade,
pelo sentimento e pelo simbólico que o grupo registrou no desenho livre e individual essa compreensão, caracterizando na
figura de um animal a representação da Biblioteca Central no estágio hodierno dessa mudança.

Na seqüência, as falas produzidas individualmente, a partir dos desenhos, revelam uma biblioteca que oscila
entre a lentidão dos processos manuais (tartaruga), o início do projeto (lagarta/casulo), a confusão, o acúmulo de tarefas e os
ajustes para a capacitação (elefante), seguidos pela união da ação coletiva (formigas), tendo em vista a implantação do
software e, conseqüentemente, da uniformização (coruja e borboleta).

Nessa ação criativa, motivados, alguns participantes não se limitaram ao desenho de apenas um
representante animal. Dessa forma, as formigas e as borboletas formaram um dueto. A tartaruga, por outro lado, para uns surgiu
lado a lado com o casulo e a águia, para outros, fez-se acompanhar do ágil coelho e da transmutação da borboleta. Ao largo, a
comicidade do macaco apareceu emparelhada com a coruja, o símbolo da profissão, e a galinha foi registrada fazendo par com a
águia.

Observamos, ainda, que a borboleta, por representar a metamorfose, a transformação, foi simbolicamente
resgatada por 35 % do grupo. Registrada em todas as suas fases, primeiro enquanto lagarta, arrastando-se pelo solo e folhagens,
depois, no hermético e isolado casulo e, ao final da transformação, ao ganhar asas e voar. Em tal resgate, curiosamente, um
olhar transcendeu o casulo, e a desenhou nas várias etapas da sua metamorfose. Nele, aparece evoluindo com a completeza
apenas do corpo, de uma das antenas e com parte da asa esquerda. A outra antena e a asa direita, aparecem ainda em formação.

Noutro registro visual, as lagartas arrastam-se pelo solo, sobem pelos ramos; depois, a partir delas, surgem
borboletas de diferentes tamanhos, formatos e cores, porque estão em crescimento e começando a voar. Há, ainda, a visão
daquele que capturou a imagem de uma linda, colorida e inquieta borboleta que, em toda a sua singularidade e plenitude,
empresta vida e alegria ao ambiente.

Finalmente, nesta vivência metafórica, os desenhos escolhidos como aqueles que representam a imagem
final da Biblioteca Central, ratificados na fala do grupo naquele momento (hoje, talvez não sejam mais os mesmos), voltamos a
afirmar, nos permitem observar o contraponto do mundo do trabalho, registrado nas formigas pois, simbolicamente, resgata o
metódico, a rotina de tarefas. Foi o movimentar-se sistemático, individual e grupal, carregando folhas, algumas vezes muito
maiores que seu próprio tamanho, num esforço físico extenuante e cansativo; foi, sobretudo, essa união de esforços e a divisão
de tarefas e de papéis que, ao possibilitar o alcance do interesse comum, levou esse grupo de bibliotecários a se apropriar e a
ressignificar a capacidade de organização do grupo de trabalho formado por essas formigas.

�Opondo-se totalmente a essa extremidade da atividade física e grupal, extrapolando a busca da velocidade
terrena para deter-se na lentidão do tempo e no esforço isolado, nesse grupo, esta mutação apresenta-se como uma etapa, cujo
sofrimento tem sido incorporado apenas pelos que dela fazem parte, num rito de passagem que surge, não simploriamente no
cansativo, mas especialmente no emocional, na metamorfose da borboleta.

Sendo assim, opondo um tempo diametralmente oposto ao da velocidade instantânea, é na metamorfose da
lagarta/borboleta que o grupo recupera o equilíbrio e, provavelmente, recupera não só as referências do mundo social, mas
também do mundo profissional. Ou seja, é provavelmente por permitir suportar melhor a ansiedade do fazer algo novo, do
aprender a reaprender, que os aprisiona na imediatez do tempo, onde mostram-se humanos, com suas contradições, lutas,
pequenas conquistas e perdas. Onde têm medo e coragem.

Diferentemente do trabalho e do esforço físico, da realização instantânea da formiga, é na borboleta que
esse grupo deseja um prazer mais consistente e duradouro, que vai além, que ultrapassa essa mudança de paradigma, significa
maturidade emocional e profissional.

À guisa do final desta discussão, voltamos a lembrar que esse processo de mudança não se viabiliza apenas
com um bom projeto, com a vontade da Instituição em mudar. Neste particular, é importante envolver cada participante do
grupo, valorizá-lo, ganhá-lo para a idéia do projeto. Sem seu compromisso, não se concretiza a mudança de paradigma. A
ousadia de mudar não se faz apenas pela vontade de alguns, mas com todos os que desejam incrementar a qualidade
profissional. Aí está a semente da transformação.

Com o agir desse grupo e a participação de muitos jardineiros e agricultores, esta semeadura continua...
Esta é, pois, uma história que continua sendo escrita.

�6- Referências bibliográficas

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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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