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                  <text>O AMBIENTE DE QUALIDADE EM UM SISTEMA DE INFORMAÇÃO E A APLICAÇÃO DO
PROGRAMA 5S

Danielle Thiago Ferreira

Bibliotecária
UNICAMP – Biblioteca Central
Caixa Postal 6136 CEP13081-970
Campinas-SP /Brasil
danif@unicamp.br
danif@lycos.com

RESUMO

O artigo analisa o Programa 5S de administração, nascido no Japão no final da década de 60,
apresentando, a partir desta análise, dicas de como aplicá-lo em um Sistema de Informação. Procura-se
demonstrar que é possível, independente de recursos, encontrar soluções originais e consequentemente
alcançar

um

melhoria

na

prestação

dos

serviços

aos

usuários,

criando

um

clima

de

confiança,

responsabilidade e qualidade no local de trabalho.

Palavras-chave: Programa 5S, Ambiente de qualidade, Administração de sistemas de informação

1. INTRODUÇÃO

1

�Percebemos que, atualmente, o desejo de um ambiente de qualidade é uma preocupação cada vez
mais frequente entre administradores para atingir certos objetivos das organizações. Estas por sua vez
vão desde empresas até Bibliotecas e Centros de informação, e são caracterizadas por ter uma forma
diferente de administração, ou seja, com ênfase nas relações humanas.

Qualquer tipo de organização, além das bibliotecas e centros de informação, mais do que nunca,
estão em busca da qualidade e o programas de qualidade estão aí, para desenvolver na organização este
tipo de visão. Pontos comuns encontrados nestes programas de qualidade, estão: no envolvimento de
alta prioridade na estratégia das empresas; no envolvimento de todas as divisões e áreas da empresa,
maior preocupação com as exigências dos consumidores, também na utilização de indicadores
gerenciais, também no maior envolvimento da direção e alta gerencia e no relacionamento mais maduro
com os fornecedores. Assim sendo, destacam-se três abordagens como base para os programas da
qualidade: Certificação da Qualidade, Gestão da Qualidade Total e o Programa 5S.

Nesta análise, retrataremos e comentaremos sobre somente um destes programas de qualidade; o
Programa 5S.

O 5S nasceu no Japão no final da década de 60 e chegou ao Brasil em 1991, para mobilizar e
transformar as pessoas e organizações.

Tal programa possui grande nível de importância porque, além de envolver
aspectos estratégicos é um sistema educacional revolucionário, que trabalha prática e
reflexão.
Vemos, então, que o programa 5S tem por finalidade aprimorar o ambiente de qualidade de
trabalho, gerar estímulos para relacionamentos mais humanos e melhorar a qualidade de vida dos
funcionários.

No entanto, as unidades de informação, devido à necessidade de estarem
constantemente em mudança, incorporando novas tecnologias e procurando tornaremse cada vez mais atrativas e essenciais para seus usuários, constituem-se ambientes
propícios para estas novas formas de gestão. Os dirigentes destas unidades, em sintonia

2

�com as modificações de paradigmas administrativos que estão se produzindo no
mundo, enfrentam o desafio de adequarem-se a tais mudanças, visando à melhoria da
qualidade dos serviços que prestam a sua comunidade de usuários.

2. O PROGRAMA 5S

Como visto, tal programa foi introduzido no Japão, mais especificamente nas
empresas japonesas com o propósito de acabar com o “trabalho forçado”.

E é um

conjunto de cinco palavras japonesas que exprimem os princípios fundamentais da
organização e que deram origem ao programa 5S: seiri, seiton, seisou, seiketsu e shitsuke,
em

português,

significam:

senso

de

utilização,

organização,

limpeza,

saúde

e

autodisciplina.
A essência dos 5S está na autodisciplina, que vai desde a capacidade de ter iniciativas, a busca do
conhecimento de si e do outro, o espírito de equipe, o autodidatismo até a capacidade de almejar melhoria
contínua tanto no nível pessoal quanto no organizacional. Pessoas que praticam

estes conceitos tornam-se

gerentes de si mesmas e são destaque no mercado de trabalho.

A prática do 5S, aqui no Brasil, através de relatos de empresas, tem produzido
consequências visíveis no aumento da auto-estima, no respeito às pessoas, ao meio
ambiente

e no crescimento pessoal. Não só as pessoas se sentem melhor, e sim toda a

comunidade. O clima da organização também melhora.

Trabalhar com mais segurança, manter bons hábitos para a saúde, buscar limpeza e
organização, combater desperdícios, ter espírito de equipe, aceitar desafios e ser
responsável, são algumas das vantagens que o programa proporciona à organização e às
pessoas que fazem parte destas.

E para se conquistar tais vantagens, o programa segue os cinco sensos,
caracterizados à seguir:

3

�O senso de utilização,

favorece a eliminação do desperdício de inteligência, tempo

e matéria-prima. Significa usar os recursos disponíveis, com bom senso e equilíbrio,
evitando desatualizações e carências. Todos os funcionários devem identificar e manter no
seu lugar os itens verdadeiramente úteis ao seu serviço, enfatizando o objetivo de separar
as coisas necessárias das desnecessárias à partir de critérios de estratificação,
classificando os objetos segundo a ordem de importância.

O senso de organização, facilita o desenvolvimento do primeiro senso, ao diminuir
o tempo de busca dos objetos. Implica “dispor os recursos de forma sistemática e
estabelecer um excelente sistema de comunicação visual para o rápido acesso a eles”.
Este senso consiste em dar lugar a cada item e colocar cada item em seu lugar,
padronizando as nomenclaturas e evitando, assim, mais de uma interpretação para o
mesmo objeto.

Significa colocar as coisas nos lugares certos ou dispostas de forma correta para que
possam ser usadas prontamente. É uma forma de acabar com a procura de objetos.
Enfatiza o gerenciamento funcional e permite que se encontre o que se precisa quando se
quer. Busca formular regras claras que governem a estratificação, permitindo um lay-out
flexível que possa ser alterado, de maneira a impedir a formação de labirintos e assim,
aumentar a eficiência.
O senso de limpeza, de acordo com todos os autores mencionados, pode ser definido como a
eliminação da sujeira sob todos os aspectos, incluindo a boa preservação dos equipamentos, ambiente de
trabalho limpo, com agradável sensação de bem-estar e eliminação de estoques desnecessários. Pode ser
feita pelos próprios funcionários, cada um tornando-se responsável pela manutenção de seu espaço. A
limpeza é considerada uma oportunidade para o monitoramento, inspeção ou reconhecimento do local de
trabalho, permitindo descobrir e atacar as causas da sujeira e facilitando, desta forma, a criação de um
ambiente impecável.

O quarto senso é denominado senso da saúde, higiene ou padronização. Este referese ao estágio alcançado com a prática dos três sensos anteriores, acrescido de hábitos

4

�rotineiros de higiene, segurança no trabalho e saúde mental. Por isso, excesso de
materiais, má ordenação e sujeira são, reconhecidamente, causas de acidentes de trabalho
e estresse. Combater essas causas já significa grande iniciativa para conservar a vida da
empresa e dos empregados em boas condições. O seiketsu é traduzido como asseio, o que
implica conservar a higiene, sem descuidar os estágios de organização, ordem e limpeza
alcançados, padronizando hábitos, normas e procedimentos.

Enfatiza o gerenciamento visual, a manutenção das condições-padrão, permitindo
agir com rapidez.

O quinto e último senso, o senso de disciplina, procura a manutenção da nova
ordem estabelecida. Implica cumprir rigorosamente as normas e tudo aquilo que for
decidido pelo grupo. Considera-se a disciplina como um sinal de respeito aos outros. À
medida que as pessoas se mantêm comprometidas com o fiel cumprimento dos padrões
técnicos e éticos, é produzida uma evidente melhoria individual e organizacional. Este
último senso apregoa a luta permanente para manter e melhorar os quatro sensos
anteriores e a capacidade de fazer as coisas como devem ser feitas, demonstrando como,
em definitivo, os cinco sensos estão interligados.

3. COMO APLICÁ-LO EM UM SISTEMA DE INFORMAÇÃO

Antes de mais nada, devemos levar em conta que o líder (bibliotecário-chefe, etc.)
que irá

conduzir tal programa precisa desempenhar um papel empreendedor, e para isso,

deve ter a mente aberta às idéias de inovação, mudança e criatividade, visando modificar
o ambiente organizacional e melhorar os serviços de informação oferecidos, além de
acompanhar toda e qualquer mudança vinda com o surgimento das novas tecnologias e
que fazem parte da gestão de uma unidade de informação.
Antes da aplicação, é feito um diagnóstico da situação inicial do Sistema, a fim de
detectar os principais problemas, suas causas, soluções, conhecer os recursos disponíveis
e estabelecer prioridades. Em seguida, torna-se necessário avaliar, informalmente, o nível
5

�de satisfação dos usuários e funcionários, tomando cuidado com as condições já existentes
de cada um, para não traumatizar as pessoas com as mudanças que serão realizadas.

No primeiro momento, percebemos que as primeiras ações numa aplicação, são
como tivéssemos fazendo uma “faxina geral”, onde praticam-se os sensos de utilização,
ordenação e limpeza, onde também permite-se visualizar os problemas mais sérios. È
importante enfatizar mais uma vez que, é preciso mostrar aos funcionários todos os
conceitos oferecidos por este programa, entusiasmando-os e sensibilizando-os,

para que

todos possam, com tal entendimento, colaborar na criação do ambiente de qualidade.

Como princípio básico, o senso de utilização é aplicado no que se diz respeito à
descartes ou remanejamento de materiais bibliográficos desatualizados e sem uso e
também qualquer outro tipo de material, como equipamentos e móveis que estavam
esquecidos. Quanto aos materiais bibliográficos, o descarte é feito mediante sempre às
opiniões de usuários e outros, para avaliar sua real importância.

Com isso ganha-se mais espaço para materiais que realmente são importantes de se
ter no acervo de um Centro de informação, reduzindo assim os desperdícios.

Analisando o senso de organização (ordenação), tem-se exemplos do que pode ser
feito nos Sistemas, como uma mudança de lay-out físico, para se aproveitar melhor o
espaço, facilitando a localização de materiais e o controle destes, a locomoção das pessoas
e também o próprio ambiente em si, no que diz respeito à iluminação, ao visual,
preocupando-se com o bem estar do usuário.

Quanto ao senso de limpeza, pode-se de primeiro momento, preocupar-se com a
distribuição da coleta de lixo, depois com a limpeza de assoalhos e janelas do ambiente.
Também neste instante, pode-se fazer pequenos reparos e reformas no ambiente, como
pinturas, troca de piso, etc, lembrando sempre que um ambiente claro, limpo e com bom
aspecto atrai muito mais pessoas.

6

�Quanto ao senso de saúde, algumas medidas tomadas são, o controle dos usuários e
dos materiais retirados e a implantação de carteirinhas ou cadastro de usuários.
Destacamos neste item também a preocupação com a iluminação, para o bem estar dos
funcionários e usuários. Neste mesmo item, outra grande preocupação é quanto a
diminuição de acidentes de trabalho e estresse, preservando a saúde física, mental e
emocional dos funcionários, incentivando-os a realização de controle médico e a prática
de esportes, e dentro do trabalho a melhor distribuição de tarefas e implantar um clima de
confiança e solidariedade entre todos.

No que se refere ao senso de disciplina, o que deve ser cultivado é a cooperação
entre toda a equipe do Sistema, levando-se em conta que todos devem cultivar também
bons hábitos no dia a dia, se conscientizando das tarefas que desempenham e da
responsabilidade que se dispensa em cada uma delas, desenvolvendo o autocontrole e a
autodisciplina.

Portanto,

depois da aplicação de todo o programa de qualidade, como forma de

controle e avaliação, devem ser feitas reuniões com o grupo para melhor integrar a equipe
e abrir espaço para as opiniões, assim é mais fácil de saber o que toda a mudança
acarretou individualmente a cada funcionário, para daí ter a certeza de que todo este
trabalho contribuiu de forma completa na motivação do grupo.

3.1 COMO MANTER E MELHORAR A APLICAÇÃO DO PROGRAMA 5S
Além de uma avaliação constante, outras formas de melhorar e manter os 5S em uma organização,
tem-se mostrado muito úteis como, o incentivo ao esporte ou campeonato (torneios), o incentivo através de
prêmios ou certificados, não só para resultados alcançados, mas também para o esforço da equipe,
mostrando o reconhecimento pelo trabalho.

Também são importantes a formação de equipes, o diálogo entre gerente e equipe e
as reuniões periódicas,

o que seria uma forma das pessoas exporem melhorias e

7

�promoverem cooperação e aprendizagem. Promover concursos e pesquisas também é uma
forma de manutenção do programa, pois há o comprometimento das pessoas quando estas
geram idéias de melhoria.

3.2 COMO FAZER A AVALIAÇÃO DO PROGRAMA 5S

As avaliações do programa 5S são feitas por gerentes, direção ou pessoas
devidamente preparadas ou responsáveis pela coordenação ou implantação do programa.
São feitas com uma freqüência maior no começo da implantação do programa,
diminuindo gradativamente ou assim que as pessoas se habituarem à pratica.

Como instrumento de avaliação, são feitas listas de verificação, elaboradas sob
medida para que, à partir destas possam ser identificados onde e quando as ações
corretivas devem ser aplicadas, para tanto, é incentivado a realização de uma
auto-avaliação, antes da avaliação em si.

Os resultados da avaliação trazem as sugestões de melhorias, e estes devem ser
aplicados somente se trouxerem resultados positivos.

Portanto, as avaliações da implantação do programa 5S tem por finalidade além de
promover a integração e comunicação das pessoas, também gerar clima de ajuda mútua,
identificar possibilidades de melhoria, divulgar realizações pessoais e gerar um ambiente
de competição sadia.

4. CONCLUSÃO

O que temos de importante a tirar de tal programa é que este não constitui somente
o “housekeeping” (arrumação da casa) no sentido físico e restrito da palavra, e sim vai
muito além, porque o que importa é o ambiente da qualidade, onde as pessoas cultivem o
8

�senso de qualidade, por isso devemos interpretar tal programa, além do seu aspecto
dogmático, para assim, construir um verdadeiro ambiente de qualidade.

Dizia um diretor de uma certa empresa japonesa que “somente quando os
empregados se sentirem orgulhosos por terem construído um local de trabalho digno e se
dispuseram a melhorá-lo constantemente, ter-se-á compreendido a verdadeira essência do
5S”.

Pode-se dizer ainda, que antes, durante e depois da aplicação e implantação do
programa 5S, existem ainda armas poderosíssimas para se compartilharem objetivos e
estabelecer o ambiente da qualidade numa organização, são elas: a motivação, a
comunicação, a decisão de mudança, estas por sua vez, consideradas grandes desafios que
constituem os degraus para o sucesso da empresa.

ABSTRACT

The article analyses the Administration’s 5S’s Program was born in Japan in the last
60s, it presents hints in the co-application in an Information System. It Attempts to
demonstrate that is possible, independent of

resources, to find original solutions, reaching

substantial advances in the services offered to the users and creating an environment of
trust, responsability and quality within the organization.

Key-words: 5S’s Programs; Quality environment; Information system administration

9

�REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 - SILVA, João Martins de. O ambiente da qualidade na prática – 5s. 3. Ed. Belo
Horizonte: Fundação Christiano Ottoni, 1996. 260p.

2- SASHKIN, Marshall; KISER, Kenneth J. Gestão da Qualidade total na prática. Rio de
Janeiro: Campus, 1994.

3- VANTI, Nadia. Ambiente de qualidade em uma biblioteca universitária: aplicação do
5s e de um estilo participativo de administração. Ciência da Informação, v.28, n.3,
p.331-337, set./dez. 1999.

4- LOBOS, Julio. O cliente encantado. São Paulo: J. Lobos, 1995.

10

�5- UMEDA, Masao. TQC e administração de recursos humanos no Japão. Belo
Horizonte: UFMG, 1996. 87p.

6- UMEDA, Masao. ISO e TQC, o caminho em busca de G. Q. T. Belo Horizonte:
UFMG, 1996. 58p.

7- Projeto GOLA, 5S – Como implantar a gestão de ordem, limpeza e arrumação.
www.wcca.com.br/pt12.html (Documento eletrônico)

8- Qualidade : evolução dos programas de qualidade, 1996.
www.abrafati.com/informativos/industri.htm (Documento eletrônico)

9- Housekeeping.
www.ceres.winbr.com/5 (Documento eletrônico)

11

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