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                  <text>UMA PROPOSTA FUZZY NA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS BRASILEIRAS
Domingos Vanderlei Filho 1
Mêuser Jorge Silva Valença2
Teresa Bernarda Ludermir3
Giane da Paz Ferreira Silva4
Resumo
Este artigo trata a questão da avaliação dos serviços prestados em bibliotecas universitárias através de uma
abordagem fuzzy. A busca por técnicas que conduzam a melhores resultados tem sido objeto de interesse dos
administradores desses serviços. Assim, a utilização de indicadores, no processo de avaliação de desempenho,
que expressem melhor e levem em consideração o ponto de vista dos clientes através de uma linguagem mais
natural, pode conduzir a uma melhor adequação sob a ótica da qualidade. Esta nova abordagem leva em
consideração a maior facilidade do ser humano em lidar com termos lingüísticos, ao invés de valores numéricos.
Além disto, a lógica fuzzy tem uma capacidade notável de tratar com verbalizações revestidas de ambigüidade.
Adicionalmente, sabe-se que a teoria do raciocínio aproximado fornece um método, baseado em subconjuntos
fuzzy, tanto para representar como para raciocinar com informações imprecisas.
Palavras-chave: avaliação de desempenho; lógica fuzzy; biblioteca universitária; indicadores de gestão.

1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas universitárias têm papel relevante dentro da sociedade atual, pois atuam como
provedoras de informação, a qual é o insumo básico para produção do conhecimento. De
acordo com Linguanotto, Grandi, Sampaio (2001) “a necessidade de informação pode ser
caracterizada como a busca por produtos e serviços imprescindíveis para o suporte às
atividades de ensino, pesquisa e trabalhos acadêmicos”. Portanto, uma determinada
necessidade de informação não satisfeita pode ser capaz de provocar perdas no
desenvolvimento das atividades acadêmicas.
Adicionalmente, a dinâmica do mundo globalizado e virtualizado tem requerido das
___________________________________________________________________________
1

UFPE Departamento de Eletrônica e Sistemas, Rua Acadêmico Hélio Ramos, s/n - Cidade Universitária, CEP: 50740-530
Recife - PE - Brasil. E-mail: dvanderlei@yahoo.com.br
2
UNIVERSO, Av. Mascarenhas de Moraes, 1919 - Imbiribeira, CEP: 51150-000 Recife - PE - Brasil. E-mail:
neuserv@uol.com.br
3
UFPE Centro de Informática Caixa Postal 7851, CEP: 50732-970 Recife – PE - Brasil. E-mail: tbl@cin.ufpe.br
4
UFPE Biblioteca CTG, Recife - PE - Brasil. E-mail: dapaz@npd.ufpe.br

�instituições a definição de modelos, métodos gerenciais e práticas de trabalho que permitam
dar respostas mais rápidas e eficientes para seus clientes.

É possível observar um nível de exigência crescente dos clientes com relação aos serviços
oferecidos. Isto tem levado as empresas a buscar uma melhoria contínua, a qual sugere a
implantação de um processo de avaliação de desempenho.

Pode-se encontrar na literatura pontos de vista que caracterizam estarmos na Era dos Serviços
(TEBOUL, 1999). Em verdade pode-se dizer, na Era dos Serviços ao Cliente. Em face desta
afirmação, é imperioso implantar procedimentos comprometidos com a qualidade e satisfação
dos clientes. Para obter-se o êxito deste processo é necessário que seja estabelecida uma
sintonia permanente entre a unidade organizacional e os seus clientes.

Atender o cliente é, principalmente, entender o seu pedido, o seu desejo e sua necessidade.
Segundo Tom Peters (PETERS,1996) "o atendimento perfeito ainda é o segredo mais difícil
de copiar de todo o mundo empresarial". Essa afirmação de Tom Peters deve ser entendida no
sentido de atendimento muito bem feito, aquele que para o cliente chega próximo da perfeição,
que o agrada amplamente. E de fato, quando atingido, ele será muito difícil de copiar, por ser
resultado de vários fatores como: cultura própria da empresa, tipo de serviço ou produto e
estilo da clientela.

Dentre outros aspectos que podem ser considerados no objetivo de melhor avaliar o
desempenho das bibliotecas universitárias brasileiras, observa-se a identificação e aplicação de
indicadores de qualidade aos seus serviços e produtos.

Portanto, neste trabalho pretende-se através da utilização da lógica fuzzy propor uma forma de
avaliação de desempenho dos serviços prestados pelas bibliotecas de tal forma que a
subjetividade inerente aos itens de controle utilizados fiquem independentes do avaliador. Isto
é importante uma vez que uma análise comparativa ficará mais isenta do avaliador e
dependente apenas da metodologia proposta.

�As seções e subseções seguintes descrevem conceitos da teoria fuzzy, um sistema de inferência
fuzzy, voltado a avaliação de desempenho de bibliotecas universitárias, teste e conclusões. O
modelo proposto busca, em função de indicadores de qualidade adequados a realidade
brasileira, avaliar de forma permanente o desempenho global do serviço de informação de
natureza acadêmica.

2 A LÓGICA FUZZY

A linguagem diária utiliza a idéia de classes de conjuntos, a qual é um pouco vaga se
comparada com os conjuntos matemáticos. Todo substantivo que se usa denota uma certa
classe de conjuntos, e cada adjetivo descreve a classe para a qual aquele adjetivo é aplicado.
Quando se fala acerca de uma grande quantia de dinheiro, a qual se pode pensar como um
conjunto, ela incluiria R$100,00? Ou R$100.000,00? Possivelmente R$1.000.000.000,00! Esta
classificação não depende somente do indivíduo, mas também do contexto. O mesmo
problema acontece no mundo físico. Um copo cheio d’água não fica imediatamente vazio
quando é inclinado para baixo, um objeto não muda sua temperatura de quente para frio
instantaneamente. Estes exemplos servem para ilustrar o fato que a transição de um conjunto
A para um conjunto A’ é contínua no mundo físico, em vez de apresentar limites nítidos; as
fronteiras são vagas e bastante subjetivas. Esta idéia de um certo grau ou multivalência é um
conceito fundamental, o qual estimulou o professor Lofti A. Zadeh a formalizar a Lógica
fuzzy.

Em 1965, Lotfi A. Zadeh, então professor do departamento de engenharia elétrica da
Universidade da Califórnia em Berkeley, publicou um artigo sobre a teoria dos conjuntos fuzzy
(ZADEH, 1965). Ele propôs graduar a pertinência de elementos nos conjuntos, ou seja, um
elemento pode ser, por exemplo 20% de um conjunto A e 80% do conjunto A’. Esta nova
teoria foi vista naquela época, por uma parte da comunidade científica, como um escândalo
matemático e uma forma de pensamento impreciso.

�A teoria fuzzy constitui-se numa poderosa ferramenta com capacidade para modelar problemas
reais onde incertezas e imprecisões estão presentes. Ela possibilita a representação de
conceitos vagos e imprecisos.

Uma idéia principal associada a esta teoria é muito simples e natural e pode ser explicada pela
seguinte afirmação: Se não somos capazes de determinar os limites exatos da pertinência de
um elemento no conjunto (sim/não), faz-se necessário buscar uma escala que permita
caracterizar o seu grau neste conjunto.

Após mais de três décadas, a idéia de lógica fuzzy desponta com sucesso em várias áreas de
aplicações, tais como: diagnóstico médico, análise de imagens médicas, processos de
fabricação (manufatura), controle de robôs, reconhecimento de escrita, reconhecimento
automático de alvo, engenharia de alimentos e outros. Particularmente na área de gestão,
negócios e finanças: estudo de necessidades e demanda em bibliotecas (LANZILLOTTI et al,
2000), substituição de especialista para avaliação de atividades em bolsa (Yamaichi, Hitachi),
comércio exterior em (YUIZE, 1991), avaliação de riscos de contratos de arrendamento
mercantil ou leasing (BMW Bank GmbH of Germany) em (GÜLLICH, 1996), vigilância do
comércio interno (London Stock Exchange) (HOULDER, 1994). As possibilidades de
aplicações são virtualmente ilimitadas.
2.1 Conceitos Básicos da Teoria de Subconjuntos Fuzzy
Há um forte relacionamento entre a lógica convencional ou Booleana e o conceito de um
subconjunto. De forma similar existe um forte relacionamento entre a lógica fuzzy e a teoria de
subconjuntos fuzzy.

Um subconjunto U de um conjunto S pode ser definido como um conjunto de pares ordenados,
onde cada par tem como primeiro elemento um elemento de S e como segundo um elemento
pertencente ao conjunto {0, 1}, com exatamente um par ordenado para cada elemento de S.
Isto define um mapeamento entre elementos de S e elementos do conjunto {0, 1}. O valor
zero é usado para representar a não pertinência. A verdade ou não da declaração x está em U é

�determinada encontrando o par ordenado, no qual o primeiro elemento é x. A declaração é
verdadeira se o segundo elemento do par ordenado for 1, e a declaração é falsa se ele for 0.
Da mesma forma, um subconjunto fuzzy F de um conjunto S pode ser definido como um
conjunto de pares ordenados, onde cada par tem como primeiro elemento um elemento de S e
como segundo elemento um valor no intervalo [0, 1], com exatamente um par ordenado para
cada elemento de S. Isto define um mapeamento entre os elementos do conjunto S e os pontos
no intervalo [0, 1]. O valor zero é usado para representar a completa não pertinência, o valor
um é usado para representar a completa pertinência, e valores entre zero e um são usados para
representar graus intermediários de pertinência. O conjunto S é chamado de universo de
discurso para o subconjunto fuzzy F. O universo de discurso também pode ser visto como a
faixa de todos possíveis valores de entrada de um sistema fuzzy. De forma freqüente, o
mapeamento é descrito como uma função, a função de pertinência de F. O grau para o qual a
declaração x está em F é verdadeira, é determinada encontrando-se o par ordenado onde o
primeiro elemento é x. O grau de verdade da declaração é dado pelo segundo elemento do par
ordenado.

Definição 1: Seja X um conjunto de objetos, com elementos x. Assim, temos X = { x }.
Definição 2: Um conjunto fuzzy A em X é caracterizado por uma função de pertinência µA(x) a
qual mapea cada ponto em X para o intervalo real [0.0 , 1.0]. Ao passo que µA(x) se aproxima
de 1.0, o grau de pertinência de x em A aumenta.
Os conjuntos fuzzy permitem que se definam operações binárias internas, tais como união,
interseção e complemento, similarmente às existentes na teoria dos conjuntos booleanos.
2.2 Sistema de Inferência Fuzzy
A seguir na Figura 1, está representado um diagrama contendo a idéia geral que descreve o
sistema fuzzy. A idéia contida na inferência fuzzy consiste em interpretar os valores na entrada,
e então baseando-se em algumas regras, atribuir valores para a saída.

�ENTRADA

SAÍDA

REGRAS

TERMOS
DE
ENTRADA

TERMOS
DE
SAÍDA

(INTERPRETAÇÃO)

(ATRIBUIÇÃO)

FIGURA 1: Diagrama do Processo de Inferência Fuzzy Caso
Geral (adaptada de JANG &amp; GULLEY, 1995)

Para estabelecer um processo de inferência fuzzy, é necessário estabelecer um conjunto de
regras, as quais são sentenças com uma estrutura do tipo Se-Então, que são interpretadas pelo
sistema. Convém ressaltar que há um paralelismo natural das regras, na forma em que são
avaliadas, sendo este um dos aspectos mais importantes dos sistemas de lógica fuzzy. As regras
são muito úteis, pois fazem referência as variáveis, aos termos e aos adjetivos que as
descrevem. Para cada caso de variável analisada é estabelecida uma faixa de valores na qual
ela é esperada variar, como também qual é o significado de cada termo lingüístico.
A inferência fuzzy é o processo de mapear uma dada entrada para uma saída, utilizando-se para
isto a lógica fuzzy. Neste processo, tem-se: funções de pertinência, operadores lógicos fuzzy e
regras do tipo Se-Então.

O processo decisório pode ser melhor descrito num nível lingüístico utilizando regras [R] do
tipo: [R] SE Antecedente ENTÃO Conseqüente (Peso)
Os passos envolvidos na inferência fuzzy são:
I - Tornar as entradas fuzzy, determinando-se o grau pelo qual elas pertencem a cada conjunto
fuzzy, utilizando para tanto funções de pertinência. É comum as entradas serem um número
não fuzzy, com contornos bem definidos limitados pelo universo de discurso da variável de
entrada. Esta tradução ou interfaceamento entre o sistema fuzzy puro e o ambiente no qual ele
está situado, se dá neste caso através do passo ou etapa mais geralmente conhecido por
"Fuzzificação", do inglês Fuzzification.

�II – Aplicar o operador fuzzy em cada regra, para obter um número que represente o resultado
do antecedente para aquela regra, quando este tiver mais de uma parte. Assim, a entrada para o
operador fuzzy será formada por dois ou mais valores de pertinência das variáveis de entrada
fuzzy.
III - Aplicar o método de implicação. A implicação ocorre para cada regra, sendo que a
entrada para o método de implicação é um número, dado pelo antecedente, e a saída é um
conjunto fuzzy. Ocorre que antes de aplicar este método é necessário observar o peso de cada
regra, o qual é um número variando de zero a um, aplicado ao número fornecido pelo
antecedente.
IV - Agregar todas saídas. Consiste na unificação das saídas de cada regra, combinando todos
os conjuntos fuzzy que representam a saída de cada regra em um único conjunto fuzzy. A
entrada para o processo de agregação é a lista de funções truncadas de saída, vindas do
processo de implicação de cada regra. A saída resultante deste processo é um conjunto
nebuloso para cada variável de saída.
V - Tornar as entradas não fuzzy. A entrada para este processo é um conjunto fuzzy, e a saída é
um número não fuzzy. Esta etapa de tradução ou interfaceamento final entre o sistema fuzzy e o
ambiente externo é executada pelo passo mais comumente conhecido por "Defuzzificação", do
inglês Defuzzification.

Na Figura 2 pode ser observada a estrutura básica de um sistema de lógica fuzzy.

INFERÊNCIA
VARIÁVEIS
LINGÜÍSTICAS

VARIÁVEL
LINGÜÍSTICA

NÍVEL
LINGÜÍSTICO

NÍVEL
NUMÉRICO

FUZZIFICAÇÃO

VARIÁVEIS
NUMÉRICAS

DEFUZZIFICAÇÃO

VARIÁVEL
NUMÉRICA

FIGURA 2: Estrutura Básica de um Sistema de Lógica Fuzzy
(adaptada de ALTROCK, 1997)

�A interação da estrutura básica com a base de conhecimento é mostrada na Figura 3.
ENTRADAS DO SISTEMA
Base de Conhecimento

Funções de
Pertinência
de Entrada

Unidade de

Fuzzificação
Entradas

Regras

Fuzzy

Avaliação
das
Regras
Saídas

Funções de
Pertinência
de Saída

Inferência

Fuzzy

Defuzzificação

SAÍDAS DO SISTEMA

FIGURA 3: Estrutura geral do sistema de inferência fuzzy

3 MODELO

O modelo desenvolvido neste trabalho é baseado na lógica fuzzy e apresenta na sua
composição um conjunto de regras, variáveis lingüísticas, funções de pertinência, método de
defuzzificação, agregação e implicação. O sistema de inferência fuzzy (FIS) escolhido foi do
tipo Mandani (MANDANI, 1990) (ALTROCK, 1997). Durante a implementação e
desenvolvimento do sistema utilizou-se a toolbox fuzzy logic do MATLAB (JANG &amp;
GULLEY, 1995). Esta ferramenta dispõe de diversos gráficos bastante úteis para um bom
entendimento do problema tratado, os quais estão apresentados em parte nas figuras desta
seção. Adicionalmente, este software permite em ambiente windows a implementação de um
sistema fuzzy de forma rápida, pois possui uma boa interface para usuário.

As variáveis de entrada do sistema estão associadas a indicadores de qualidade em bibliotecas
universitárias brasileiras enfocando-se aspectos relacionados com a satisfação do cliente.
Dentre os diferentes relatos para o termo indicador de qualidade, está a a definição de
“critérios gerais de excelência para os aspectos envolvidos nos serviços e produtos

�disponibilizados aos clientes”(VERGUEIRO, CARVALHO, REDDY, 1998). A seleção do
subconjunto de indicadores para elaboração deste modelo contou com a opinião de especialista
e em pesquisa na literatura pertinente a área de biblioteconomia e documentação
(VERGUEIRO &amp; CARVALHO, 2000).

Assim, as variáveis de entrada definidas para serem tratadas através do sistema de inferência
fuzzy nesta primeira versão proposta, são:
•

Acesso, definida como: facilidade de acesso para o cliente externo quanto a localização,
acesso físico, horário de funcionamento, boas conexões telefônicas e outras tecnologias da
informação;

•

Cortesia, definida como: tratamento dispensado ao cliente externo pelo funcionário
quanto ao respeito, educação e cordialidade;

•

Tempo de Resposta, definida como: prover o serviço no menor tempo possível;

•

Confiança, definida como: a habilidade dos profissionais do balcão de empréstimo em
operar o sistema de empréstimo, de forma a evitar omissões, garantir segurança,
integridade e clareza nos dados tratados.

A variável de saída para o sistema foi chamada de Indicador de Desempenho da Biblioteca. Na
Figura 4 está apresentado o diagrama em blocos do sistema.

ENTRADAS

SAÍDA

Tempo de Resposta
Acesso
Cortesia
Confiança

AVALIADOR
DE
DESEMPENHO
FUZZY

Indicador
de
Desempenho
da
Biblioteca

FIGURA 4: Diagrama Simplificado do Avaliador de Desempenho Fuzzy

As funções de pertinência associadas a cada variável de entrada e de saída estão apresentadas
a seguir:

�•

Tempo de Resposta (muito pequeno, pequeno, médio, grande, muito grande);

•

Acesso (muito difícil, difícil, regular, fácil, muito fácil);

•

Cortesia (ausente, pouca, regular, boa, excelente);

•

Confiança (inexistente, pouca, média, grande, muito grande);

•

Indicador de Desempenho da Biblioteca (muito baixo, baixo, médio, alto, muito alto).

Nas Figuras 5, 6, 7, 8 e 9 estão apresentados os gráficos relativos as quatro variáveis
lingüísticas de entrada e a de saída bem como suas respectivas funções de pertinência.

FIGURA 5: Variável de Entrada Tempo de Resposta

FIGURA 6: Variável de Entrada Acesso

�FIGURA 7: Variável de Entrada Cortesia

FIGURA 8: Variável de Entrada Confiança

FIGURA 9: Variável de Saída Indicador de Desempenho da Biblioteca

As regras que relacionam as variáveis consideradas neste modelo estão apresentadas na Figura
10. Estas regras seguem a seguinte estrutura: IF (antecedente) THEN (conseqüente).

�FIGURA 10: Tela com as Regras do Sistema de Inferência Fuzzy

O procedimento deste modelo fuzzy consiste em calcular o grau de pertinência em todos
conjuntos fuzzy das variáveis de entrada, a partir das entradas correspondentes a cada usuário
que avaliou o serviço. Após isto, o indicador de desempenho da biblioteca é determinado pelo
processo de inferência fuzzy, o qual utiliza o conjunto de regras estabelecido e posterior
defuzzificação da saída fuzzy. O método de defuzzificação proposto foi o centro de gravidade.

O valor final referente a opinião de todos usuários que avaliaram o serviço durante um
determinado intervalo de tempo, no qual foi aplicada a avaliação, será obtido após um pósprocessamento. Nesta etapa de pós-processamento cada valor defuzzificado correspondente as
avaliações individuais entra na composição de uma medida de posição como a média ou
mediana. No caso em estudo optou-se pela utilização da mediana pela sua característica de não
ser afetada por valores extremos. É importante ressaltar que o valor de saída da etapa de pósprocessamento poderá ser novamente convertido na forma de termos lingüísticos.

3.1 Teste

Para realizar testes no modelo construído, ele foi submetido a um conjunto de dados
resultantes das respostas coletadas a partir de questionários aplicados a uma amostra de

�usuários do serviço de empréstimo da biblioteca do Centro de Tecnologia e Geociências
(CTG) da UFPE.

Neste contexto, a lógica fuzzy passa a ser utilizada como uma ferramenta, na qual a população
alvo (alunos, funcionários, professores e a comunidade em geral) verbaliza as suas impressões
sobre o referido serviço, as quais então são tratadas por um sistema de inferência voltado para
avaliação de desempenho.

O modelo de formulário para coleta de dados utilizado na etapa de teste do sistema fuzzy,
proposto neste trabalho, pode ser observado na Figura11. A etapa de teste abrangeu uma
amostra de 47 usuários atendidos pelo serviço de empréstimo da biblioteca do CTG/UFPE
durante o dia 10/07/2002 e resultou em um valor do indicador de desempenho da biblioteca
ALTO ou na sua forma defuzzificada 0,777.

FIGURA 11: Formulário de coleta de informações para o teste do FIS

4 CONCLUSÕES FINAIS E SUGESTÕES

Embora o modelo fuzzy proposto neste trabalho tenha se baseado em informações obtidas a
partir de textos e especialista na área em estudo (gestão de bibliotecas universitárias), é

�recomendável uma depuração. Este modelo simplificado inicial poderá ser melhorado
agregando-se a ele outros aspectos do processo de gestão, inclusive através de adequações as
peculiaridades dos diversos serviços prestados por cada biblioteca. Nesta nova etapa proposta
é possível e esperado que ocorram modificações no modelo inicialmente proposto.

Observa-se que ao avaliar serviços como o de empréstimo em uma biblioteca universitária,
torna-se importante conhecer as circunstâncias nas quais o serviço está sendo oferecido, para
que possa ser feita uma leitura mais compreensiva dos fenômenos que ocorrerão quando do
uso do serviço pelos usuários. Para esse fim considera-se que um processo completo de
avaliação de desempenho voltado para melhoria da qualidade não deve se restringir apenas no
aspecto de consulta ao cliente. É preciso voltar também os olhos para dentro, avaliando-se
internamente o desempenho de quem está prestando o atendimento e o modo como estas
pessoas estão sendo gerenciadas. Assim, é recomendável também a inclusão de novas
variáveis que incorporem a avaliação dos serviços a partir do ponto de vista do funcionário da
biblioteca, de forma a permitir uma visão mais geral do processo gerenciado.

É importante esclarecer que este modelo de avaliação poderá ser aplicado aos demais serviços
prestados pelas bibliotecas universitárias como: comutação eletrônica de documentos,
treinamento de usuários em base de dados, serviço de pesquisa em base de dados;
normalização de documentos; catalogação na fonte; catalogação cooperativa de registros
bibliográficos; serviço de referência on-line e outros.

Este trabalho procura integrar a computação inteligente a área de ciência da informação, e
desta forma permitir a difusão de novas ferramentas direcionadas a melhoria dos processos.
Neste sentido, é interessante observar a hipótese de utilizar abordagem fuzzy em avaliação de
desempenho, pois através dela é possível expressar o conhecimento dos especialistas, o que
vem permitir uma melhor adequação às necessidades de cada decisão a ser tomada.
Adicionalmente, algumas vantagens que se pode citar associadas ao modelo fuzzy apresentado
neste trabalho são sua simplicidade e reduzido custo computacional. A versatilidade e
flexibilidade do avaliador fuzzy apresentado, permite que ele seja adaptado a novos padrões,
através da modificação dos parâmetros que definem o Sistema de Inferência Fuzzy, ou seja, as

�formas das funções de pertinência e seus parâmetros, regras e seus pesos, método de
implicação, agregação, defuzzificação.

Como sugestão para trabalhos futuros recomenda-se aprimorar o atual modelo desenvolvido
incorporando-se outras ferramentas de inteligência computacional através de sistemas
híbridos.
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1997.
GÜLLICH, H. P. Fuzzy Logic Decision Support System European Congress On Intelligent Techniques and Soft
Computing for Credit Risk Evaluation. In: Euffit Fourth. 1996, p.2219-23.
HOULDER, V. Tackling Insider Dealing with Fuzzy Logic. Financial Times, p.16, 29 Sep. 1994.
JANG, J. S. R.; GULLEY, N. Fuzzy Logic Toolbox User’s Guide. The Math Works Inc. Jan. 1995.
LANZILLOTTI, R. S.et al. A Lógica Fuzzy na Viabilização de Novos Serviços para Usuários: uma Alternativa
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Uma proposta fuzzy na avaliação de desempenho de bibliotecas universitárias brasileira.</text>
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