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                  <text>A DURABILIDADE DOS SUPORTES ELETRÔNICOS E A PRESERVAÇÃO DA
INFORMAÇÃO

Adriana de Almeida Barreiros
Universidade de São Paulo
Divisão de Biblioteca e Documentação
do Conjunto das Químicas
adribar@bcq.usp.br

Fátima Aparecida Colombo Paletta
Universidade de São Paulo
Divisão de Biblioteca e Documentação
do Conjunto das Químicas
fatima@bcq.usp.br

_______________________________
*UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
DIVISÃO DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO
DO CONJUNTO DAS QUÍMICAS
Av. Prof. Lineu Prestes, 950 - Cidade Universitária
05315-970 - São Paulo - SP - Brasil
Fone: (0xx11) 3091-3859 / 3091-3823 - Fax: (0xx11) 3812-8194
bibcq@bcq.usp.br
http://www.bcq.usp.br

�RESUMO

Com o surgimento da "Sociedade do Conhecimento", consequência do grande
avanço científico, estamos presenciando a todo momento, uma explosão de informações,
registradas sob novas tecnologias (CD-ROM, Disquetes, Fitas, VHS, etc ). Pesquisas
realizadas pela Eletronic Document Systems Foundation (EDSF ) mostram que hoje temos
70% das informações em forma impressa e 30% em forma eletrônica. Os cientistas da
informação devem preocupar-se com a preservação destes novos acervos. Neste trabalho
abordamos a durabilidade destes suportes tecnológicos que possuem tempo de vida útil
instável, quando expostos sob condições ambientais inadequadas.

Eixo Temático: Gerenciamento de Tecnologias em Bibliotecas Universitárias

1 INTRODUÇÃO

Para sobreviver e competir na "sociedade do conhecimento" algumas ações como a
criação de novas tecnologias, surgem para capturar, gerenciar e armazenar as informações
existentes nas bibliotecas e a demanda emergente que vem desta "sociedade da
informação". O conhecimento é o único recurso que aumenta com o uso (Probst, 2000).
O advento das novas tecnologias, como suporte da informação passa por um
processo constante de adaptação para atender as necessidades de armazenagem desta.
Dentro deste contexto pretendemos abordar a preservação da informação, palavra de
ordem neste cenário de mudanças tecnológicas.

2 HISTÓRICO
As bibliotecas, em todas as épocas sempre foram dependentes de tecnologia da
informação. O paradigma da imprensa ao computador e redes eletrônicas afetaram e
alteraram as bibliotecas ao longo do tempo. Algumas tecnologias, tais como o microfilme e
o disco óptico, tiveram suas primeiras aplicações testadas dentro de uma biblioteca (Cunha,
1999).

2

�Essas tecnologias foram incorporadas às atividades dos serviços de biblioteca,
provocando mudanças internas na maneira de prover produtos e serviços. Nos últimos
anos, a mudança tecnológica tem sido cada vez maior num espaço temporal cada vez
menor. Este fato colocou a biblioteca em um período de transição.
Decisões rápidas precisam ser tomadas para que os sistemas de informação
acompanhem as progressivas transformações. Equipamentos precisam ser adquiridos e
softwares adequados a nova realidade.
A biblioteca vem passando por um momento de mudanças, onde a organização
totalmente direcionada ao material impresso não tem mais vez. Hoje temos 70% das
informações em forma impressa e 30% em forma eletrônica,

segundo dados da Eletronic

Document Systens Foundation (Ferreira, 2001). No entanto, estes dados estão se alterando
com o conceito de biblioteca digital. Nas últimas décadas o computador tem sido utilizado
de forma cada vez mais crescente. As bibliotecas já implementam as redes eletrônicas,
colocando seus catálogos on line, acessando bases de dados, texto completos de periódicos,
livros e

outros tipos de documentos, fazendo uso de mídias eletrônicas variadas, como

CD-ROM, DVD, fitas VHS etc, para armazenamento e à recuperação da informação.
Esta realidade parecia utópica em meados da década de 70, mas diante de um
processo evolutivo (Figura 1) acreditamos que os serviços de informação encontram-se no
caminho da era virtual.

Figura 1 - Evolução tecnológica da biblioteca

Fonte: Cunha, 2000. p.75

3

�3 TIPOS DE MÍDIAS

A tecnologia da digitalização é a mais poderosa e flexível ferramenta de
arquivamento, preservação e acesso a documentos através do armazenamento de suas
imagens em formato digital (Desimoni, 2002).
Para administrar tais serviços criou-se o GED (Gerenciamento Eletrônico de
Documentos), converte informações, essas podem ser voz, texto e imagens, para forma
digital.

Funciona com softwares e hardwares específicos e

usa as mídias ópticas, em

geral, para armazenamento. Um sistema de GED usa a tecnologia de infor mática para
captar, armazenar, localizar e gerenciar versões digitais das informações.
Existem

vários tipos de mídias utilizadas no GED. Para maior compreensão destes

novos suportes eletrônicos de informação, descrevemos, abaixo, quais são estas mídias.

3.1 DISCOS MAGNÉTICOS - Também chamados de floppy disks ou simplesmente
floppy,

são os disquetes comuns, onde as informações são armazenadas magneticamente,

ou seja, seu bit 0 é representado pela magnetização positiva, o bit 1 será a negativa. E
vice-versa.
O disquete é composto de um disco fino e flexível, que o usuário habitualmente não
vê, protegido por uma capa, que pode ser dura (nos discos de 3 1/2) ou flexível (5

1/4

).

Referimo-nos aos disquetes pela sua medida em polegadas. Assim, dizemos um
"disquete de 5

1/4

" ou um "disquete de 3

1/2

Entretanto, à medida que o tamanho

". No passado havia os "disquetes de 8

1/2

".

do disco veio diminuindo, a capacidade de

armazenamento foi aumentando, pois o máximo que um disco de 81/2

podia armazenar

era 80 kb e os de 5 1/4 800 kb (Gennari, 1999).

3.2 FITAS MAGNÉTICAS - Fita de material plástico revestida de fina camada de
material magnetizável, em que pode ser gravados os dados.
A fita magnética é usada em sistemas informáticos como um dispositivo de
armazenamento seqüencial de informações: para acessar uma determinada informação, é
necessário ler todas as informações gravadas antes.
Existem vários tipos de fitas magnéticas. Normalmente elas são acondicionadas em
cartuchos que também podem ser de vários tipos (Gennari, 1999).
4

�3.3 ZIP DRIVE

- Termo que se refere tanto à unidade quanto ao disco de 3,5 polegadas,

cuja capacidade de armazenamento está em torno de 100 Mbytes (Gennari, 1999).

3.4 CD-ROM - Compact Disc - Read Only Memory - São discos ópticos gerados através
de um processo de masterização a partir de um original A capacidade de um CD-ROM é de
aproximadamente 650 Mb de informações, sejam elas em forma de dados e/ou imagens em
suas 4¾ polegadas de diâmetro. Após a geração de um disco destes, não é possível ser
acrescentada ou alterada qualquer informação. Estes discos são lidos normalmente em
drives de CD ou em equipamentos que permitem o armazenamento de uma biblioteca
destes, conhecidas também por jukebox Normalmente esta mídia é empregada quando se
tem grande quantidade de cópias de informações estáticas como, enciclopédias, catálogos
etc (Simões, 2002).

3.5 CD-R - Compact Disc - Recordable ou Writable - São discos ópticos com mesmo
padrão de leitura do CD-ROM. Porém, a gravação desta mídia pode ser feita nas
instalações de sua empresa ou casa, bastando para tanto ter -se uma unidade de gravação
para esta mídia, ou seja, diferentemente do CD-ROM, estes discos podem ser gravados em
casa. Normalmente a mídia CD-R é dourada, permitindo, facilmente, diferenciar entre esta
e o CD-ROM. Estes discos podem ser lidos com os mesmos periféricos utilizados para a
leitura do CD-ROM, já que o formato é o mesmo. Esta mídia é utilizada quando o número
de cópias da mesma informação é baixo e/ou para o armazenamento de informações
dinâmicas, onde o tempo necessário para a geração de um CD-ROM tornariam estas
obsoletas (Simões, 2002).

3.6 CD-RW - Compact Disk - Rewritable - Estes discos ópticos têm o mesmo padrão de
leitura do CD-ROM. Porém, a gravação desta mídia pode ser feita nas instalações da sua
empresa ou casa, bastando para tanto ter-se uma unidade de gravação para esta mídia. A
diferença entre o CD-R e o CD-RW é que o último é regravável, enquanto o primeiro não é
(Simões, 2002).

5

�3.7 DVD

- Digital Video Disk ou Digital Versatil Disk - São os discos ópticos mais

recentes que vêm sendo apontados como os substitutos do CD. Possuem exatamente a
mesma dimensão do CD (4¾). A família DVD possui os mesmos membros da família CD.
Ou seja, DVD-ROM (gerado em linhas industriais), DVD-R ("recordable", gravável em
casa) e DVD-RAM (DVD regravável). Ainda não existem padrões claros para os discos
DVD, havendo discussões sobre a capacidade destes. A capacidade máxima hoje
anunciada no mercado é de 4,7 GB para uma face, uma camada, 9 GB para uma face,
dupla camada, 17 GB para duas faces, duas camadas (Simões, 2002).

3.8 WORM

-

Write Once, Read Multiple - Esta sigla é utilizada para designar discos

ópticos nos quais o processo de gravação é físico, alterando a superfície destes. Esta
gravação não pode ser alterada, tornando os discos passíveis de serem gravados somente
uma vez, mas com ilimitadas leituras. Conceitualmente, esta expressão também se aplica
aos discos CD citados anteriormente. Os discos ópticos WORM são encontrados
normalmente em tamanhos de 5¼, 12 e 14 polegadas, com capacidades variando de 650
MB a 25 GB. Estes discos são encapsulados em invólucros plásticos semelhantes aos seus
primos CD, podem ser lidos em unidades standalone ou em jukeboxes. Segundo algumas
correntes, esta mídia deverá ter preferência no uso em aplicações onde se deseja valor legal
para a informação (Simões, 2002).

3.9 DISCOS ÓPTICOS REGRAVÁVEIS - Estes discos, com tamanhos de 3½, 5¼ e 12
polegadas, com capacidades entre 128 MB e 15 GB, podem ser apagados para novo
processo de gravação, ou seja, após o expurgo da informação, a mídia pode ser
reaproveitada. Existem diferentes formas de se fazer este processo, sendo o magnetoóptico e o phase change os mais comuns (Simões, 2002).

Os suportes

eletrônicos vem causando uma grande mudança nos sistemas de

informação. Com os vários tipos de mídia já agregados aos acervos das bibliotecas, estas
tiveram ainda, que adaptar-se a nova estrutura tecnológica

como, a torre de CD-ROM -

são leitoras de CD ligadas em série. Cada leitora pode ler apenas o CD que nela está. As
torres são mais rápidas, pois têm uma leitora para cada CD; e as jukebox ou biblioteca
robótica é um equipamento que armazena vários discos ópticos ou CDs. Possuem um braço
6

�robótico eletromecânico, controlado por um software, que gerência o movimento de discos
acomodados em suas prateleiras internas. O braço robótico é responsável pela carga e
descarga das mídias em drives de alta performance instalados no seu interior, e pelo
acomodamento das mídias em suas respectivas prateleiras, logo após a leitura e gravação.
A jukebox oferece grande capacidade de armazenamento. Existem jukebox para discos
ópticos, WORMs e regraváveis, CDs e DVDs (Simões, 2002).
Este cenário constitui a grande transição das bibliotecas.

4. DURABILIDADE DAS MÍDIAS

Os estudos de durabilidade das mídias

são escassos. Seus dados constam de 1996,

(Revista Veja errou..., 1998), sendo que esta tabela não é definitiva, e consta de uma
compilação feita pelo CENADEM de várias fontes.
Testes recentes revelam que a durabilidade das mídias está sempre aumentando. O
NML (National Media Laboratory), sede em St. Paul, MN, EUA, noticiou que está
providenciando novos estudos sobre este assunto (Revista veja errou..., 1998).

Tabela 1 - Condições Ambientais X Durabilidade
Nome da Mídia

CD-ROM

WORM

CD-R

MAGNETO-ÓPTICO

MICROFILME COM QUALIDADE
ARQUIVISTICA(PRATA)

Temp. ºC
40
30
20
10
40
30
20
10
40
30
20
10
40
30
20
10
40
30
20
10

Umidade Relativa
(%)
80
60
40
25
80
60
40
25
80
60
40
25
80
60
40
25
80
60
40
25

Durabilidade Anos
2
10
50
200
5
20
100
200
25
30
100
200
2
5
30
100
20
50
200
500

Fonte: Revista Veja errou..., 1998 p.12.

7

�5 PRESERVAÇÃO DIGITAL

Pode-se definir preservação digital de forma muito prática como planejamento,
alocação de recursos e aplicação de métodos e tecnologias para assegurar que a informação
digital de valor contínuo permaneça acessível e utilizável (Hedstron, 1996).
Entretanto, é preocupação dos bibliotecários e arquivistas garantir o acesso as
informações armazenadas em meios eletrônicos, já que existem muitas controvérsias
quanto à longevidade dos dados neste tipo de suporte. Assim sendo, alguns fatores devem
ser considerados. Tais como, ambiente e obsolescência dos equipamentos.
É fato que a temperatura e a umidade inadequadas influenciam diretamente no tempo
de vida dos suportes eletrônicos (Tabela 1, p.7). No entanto, fungos, insetos e
microorganismos, poeira e outras sujidades do meio ambiente não são considerados nas
tabelas de temporalidade. E ainda, outras observações

como a incidência de luz, sinistros

(incêndio e inundação), vandalismo e processamento químico não são citados como
possíveis agentes de deteriorização destes materiais, quando se trata de sua durabilidade.
Outro fator que pode agravar o problema da preservação digital, é quando se refere à
obsolescência dos equipamentos e programas informáticos. Assim, à medida que os
sistemas computacionais são alterados, também os suportes que registram a informação
digital devem ser mudados, e seus dados migrados para novo suporte.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O maior patrimônio que uma instituição acadêmica pode ter

é a sua produção

intelectual. Se não houver preservação de suas fontes de informação perde-se o que temos
de mais importante, o conhecimento. Preservar é uma medida de segurança que permite a
transferência da informação para gerações futuras.
Ressaltamos neste contexto que não existe uma solução única e final para a
preservação digital. Assim sendo, podemos dizer que a preservação da informação, ainda é
um dos calcanhares de Aquiles da biblioteca digital (Cunha, 1999).

8

�7 ABSTRACTS

As a "Knowledge Society" came out as a consequence of great scientific
advancements, we now witness an ongoing swarm of information brought about by new
technologies, such as the CD-ROM, floppy disks, magnetic tapes, and VHS. Research
carried out by the Electronic Document Systems

Foundation (EDSF) demonstrates that

nowadays 70% of all information comes in print, whereas 30% comes in electronic format.
Therefore, information scientists should take care of with the preservation of this new
material. In this work, we seek to discuss the durability of this technological support,
whose life cycle is unstable when it is exposed to inadequate environmental conditions.

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10

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              <text>Barreiros, Adriana de Almeida</text>
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          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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              <text>Recife (Pernambuco)</text>
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          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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              <text>UFPE</text>
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          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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              <text>2002</text>
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          <name>Type</name>
          <description>The nature or genre of the resource</description>
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          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
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              <text>Com o surgimento da "Sociedade do Conhecimento", consequência do grande avanço científico, estamos presenciando a todo momento, uma explosão de informações, registradas sob novas tecnologias (CD-ROM, Disquetes, Fitas, VHS, etc ). Pesquisas realizadas pela Eletronic Document Systems Foundation (EDSF ) mostram que hoje temos 70% das informações em forma impressa e 30% em forma eletrônica. Os cientistas da informação devem preocupar-se com a preservação destes novos acervos. Neste trabalho abordamos a durabilidade destes suportes tecnológicos que possuem tempo de vida útil instável, quando expostos sob condições ambientais inadequadas.</text>
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          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
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              <text>pt</text>
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      <name>snbu2002</name>
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