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                  <text>RECURSOS

HUMANOS

E

QUALIDADE

DE

VIDA

UNIVERSITÁRIAS: o profissional do futuro

KÁTIA DE CARVALHO
INSTITUTO DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO - ICI–
Campus Universitário do Canela, s/n – Campus do Canela
Salvador-BA Tel/Fax: (71) 336.6755/6174 e-mail: posici@ufba.br

EM

BIBLIOTECAS

�RECURSOS HUMANOS E QUALIDADE DE VIDA EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS: o profissional do futuro

ANTECEDENTES
As origens da área de informação está associada ao desenvolvimento da ciência, da
informação científica, desde a antiguidade clássica e a idade média. A influência da
imprensa contribuiu para o acesso à informação que a partir do livro impresso, primeiro
meio de comunicação, permitiu o desenvolvimento do conhecimento, não somente
religioso, mas científico. Neste sentido, a revolução científica dos séculos XVII e XVIII,
impõe um novo ritmo, sendo que a ampliação do conhecimento se torna visível com o
aparecimento dos periódicos científicos, fruto do projeto iluminista que se somam aos
livros na complexa tarefa de disseminar a informação. No século XX, aumenta a produção
do conhecimento que vai determinar a proliferação de novas técnicas de organização da
informação, cabendo lembrar a sistematização científica da documentação liderada por
Paul Otlet, La Fontaine e M. Dewey. Isto se expressa pela busca de novas abordagens para
uma melhor recuperação da informação e merecem destaque programas de cooperação
planificada, normalização e classificação, programas de informação científica seletiva e
registra-se a preocupação com a reprodução documental.

Ainda sob o impacto da Guerra Mundial, coube a Tefko Saracevic, na década de 50,
defender a importância da recuperação da informação, surgem novos conceitos que levam
à legitimação da área de Ciência da Informação. Nos anos seguintes, década de 60,
destacam-se o aparecimento dos thesaurus utilizados com o fim de aprimorar

serviços.

Na década de 70, evidenciam-se alterações no ritmo do avanço tecnológico e as novas
tecnologias voltadas para as linguagens coordenadas ampliam os serviços de recuperação
da informação apontando para uma nova era. A informetria e a bibliometria expressam as
possibilidades de aferição e avaliação de coleções contribuindo para serviços de
informação mais modernos. A partir dos anos 80, a evolução da Ciência da Informação
resulta da realidade marcada pela preocupação com o crescimento exponencial da
informação, não somente científica, mas em geral. O foco de interesse se desloca da guarda
do documento para o acesso à informação. Para organizar serviços, passa-se a usar a
automação que os torna mais eficazes. A aplicação das tecnologias da informação passa a
1

�ser usada para dar conta de volume da informação que se evidencia com o surgimento de
bases de dados, bases de conhecimento, documentos multimídia e acesso à informação em
rede.

Neste sentido, vale ressaltar as transformações, que vem se acelerando desde os anos
oitenta, afetando não somente as bibliotecas mas a sociedade. Essas mudanças se dão na
esfera dos serviços desenvolvidos mas também no uso dos serviços por parte dos usuários.

A lucidez do pensamento de Paul Otlet demonstra a previsão inteligente deste autor com
relação a esta área, no seu conhecido Tratado que prima pela universalidade e visão ampla,
sendo a leitura obrigatória para os alunos de Biblioteconomia.

Nesse contexto a biblioteca tem um papel preponderante, apesar de estar sujeita a
modificações e ajustes que se expressam na sua perda de limites, passando a assumir a
função

de

uma

grande

base

de

conhecimento universal. O desenvolvimento da

comunicação e do uso das telecomunicações se reflete na necessidade de competentes
serviços de aquisição, catalogação cooperativa, empréstimo bibliotecário, referência, uso
de catálogos de outras bibliotecas, de originais em rede. Particularmente, as bibliotecas
virtuais

estimulam

mais

incisivamente

o

uso

corrente

das

redes

eletrônicas

via

computadores.

A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
A biblioteca é um dos mais antigos sistemas de informação. A biblioteca é conceituada por
muitos autores prevalecendo nesses conceitos o sentido de ser um local que reúne
informações

para

satisfazer

as

necessidades

do

usuário.

Nela

as

coleções

são

disponibilizadas por temas seguindo um sistema de classificação por ordem alfabética que
tornou os documentos acessíveis pela consulta de índices, de catálogos tradicionais ou
eletrônicos.

A biblioteca tem a função de educar e neste caso distinguem-se as bibliotecas públicas,
escolares, universitárias. Entretanto, a biblioteca tem outras funções: a função de preservar
a memória, e neste caso a biblioteca nacional, prioritariamente, cumpre esta exigência,
2

�outras tem como principal função a recreação, caso específico das bibliotecas públicas,
escolares e infantis. Contudo, toda biblioteca preserva a importância da disseminação da
informação para todo usuário que a necessite. A compreensão do que é uma biblioteca está
associada a sua função difusora. A biblioteca direciona os seus serviços para a pesquisa
apoiando a investigação de docentes e pesquisadores. A biblioteca é em última análise uma
instituição social. Ela proporciona a relação interpessoal dinâmica entre profissionais e
usuários, entre usuários e cumpre o seu papel de apoiar o exercício da cidadania pelos
serviços de informação comunitária. A biblioteca universitária, voltada para a educação,
reúne funções primordiais atenta a pesquisa, a educação, ao ensino e a aprendizagem e nas
últimas décadas, o avanço científico e tecnológico imprime marcas nessas instituições, na
área comportamental, moldando novos padrões.

Vale lembrar que a universidade é uma instituição em busca de novos espaços, visível nas
freqüentes solicitações que vem recebendo da sociedade. A inserção da biblioteca, na
universidade, é complexa porque ela não é um setor de captação de recursos e a sua
manutenção envolve um custo elevado. Além disto, a inserção da biblioteca no contexto
que privilegia ensino, pesquisa e extensão, requer avaliações mais profundas porque a sua
participação na inserção didático-pedagógica ainda é questionável em muitos aspectos.
Outro fato a ser considerado é a sua dependência de tecnologias da informação, por isso
deve ser compreendida como elemento chave no contexto universitário.
RECURSOS HUMANOS NA BIBLIOTECA
Originariamente, o profissional que lidava com o livro, o primeiro meio de comunicação
importante, era o bibliotecário. A sua condição era de zelar pelo livro. Essa condição sofre
abalos

com

o

aparecimento

de

novas

tecnologias

e

atribuições

decorrentes

da

complexidade determinada pelas mudanças que deslocam o foco de interesse do
documento para a informação.
O perfil deste profissional se estabelece no ambiente social, pressionado pelas exigências
do meio. Francisco das Chagas de Souza (1977) questiona o objeto do trabalho desse
agente de informação e destaca a função mediadora entre produtores e consumidores do
conhecimento. Os profissionais da informação, em geral, surpreendem-se com essas
mudanças. Enclausurados nos seus universos, debruçados sobre suas atividades, cuidando
3

�da preparação de coleções, às vezes se dedicam mais à preparação de acervos em
detrimento da função precípua de uma biblioteca, que é a disseminação da informação, e
como especialistas são os maiores conhecedores dos seus acervos.

O bibliotecário era uma pessoa culta. As sucessivas discussões sobre o perfil desse
profissional explicam algumas reformas curriculares que vêm ocorrendo no país desde a
década de 70 até a década de 90 à procura de um perfil mais condizente com a necessidade
do mercado. Edson Nery da Fonseca (1998), ao estabelecer uma crítica à formação
inadequada focada na técnica, relembra alguns nomes de bibliotecários, homens cultos e de
expressão na sociedade em que vivera, como o Padre Vieira, Ortega y Gasset, Ramiz
Galvão. Nessa lista, deve-se acrescentar o próprio Edson Nery da Fonseca. Posteriormente,
transforma-se em um profissional com competência para garantir a organização racional do
trabalho, voltado para conhecimentos técnicos em detrimento de uma cultura humanística
mais ampla. Desse modo, a formação americana dá ênfase às técnicas, enquanto a escola
francesa privilegia as questões culturais e domínio de outras línguas.

Os Conselhos profissionais consideram que além do princípio da organização e difusão do
conhecimento, a ação desse profissional é marcadamente pedagógica, quando estimula o
interesse pelo livro, pelo hábito de ler, contribuindo para o desenvolvimento intelectual do
leitor hoje aprimora a sua formação, focando suas atenções para as tecnologias e para o
conhecimento científico.

Nesta nova era, detém o poder quem detém conhecimento, deve dominar diferentes áreas,
conhecer as tendências econômicas e mercadológicas do contexto onde vive e atua. Exigese uma visão holística, vasto leque de conhecimentos gerais, de línguas, principalmente do
inglês, de informática, de comunicação, de psicologia.
Kátia Montalli (1994) comenta os resultados de sua pesquisa, enfatizando a necessidade de
presença de doutores e mestres nessa área para ocupar cargos de maior responsabilidade e
destaque para liderarem debates no país e no exterior. Trata-se, sobretudo, de egressos dos
cursos de Biblioteconomia e Administração. Estudos sobre o perfil do profissional do
futuro revelam determinadas características que são novas. Nos dias atuais, o ser humano é
4

�visto como gerador de capital intelectual, sendo o capital na organização, na empresa, o
talento dos seus profissionais.
O que parece estar em curso é um trabalhador que vive testando suas experiências e que é
receptivo a novos aprendizados. É o profissional que usa a criatividade para moldar cada
experiência, cada projeto implementado. O trabalhador do século XXI deve distinguir as
competências técnicas das competências relacionais e sociais e a sua permanência no
trabalho depende dele próprio. Ele deve saber comunicar e interpretar a informação
disponível e planejar ações. Entre as competências podem ser citadas criatividade,
dinamismo, iniciativa, uso da informação, aprendizado a leitura e da escrita, domínio da
cultura da organização e a capacidade de liderança.

Atenta as mudanças, Suzana Mueller (l989 p.178) demonstra preocupação com as
limitações dos cursos de Biblioteconomia para formar profissionais e com a diversidade de
conhecimentos e habilidades. A autora enfatiza as dificuldades de delimitação do campo
profissional quando afirma:

...informação permeia todas as atividades humanas, torna-se
difícil discernir com clareza o que é próprio ou não da atividade
profissional, o que é viável assumir como responsabilidade
profissional...

São muitas as denominações utilizadas para se referir aos profissionais que lidam com a
informação.

Profissional

da

informação,

agente

de

informação,

profissional

do

conhecimento, trabalhador do conhecimento, capital humano, entre tantas outras. Dentre os
profissionais

da

informação,

verdadeiros

mediadores,

está

o

bibliotecário

que

historicamente resgata as origens da área. Ele é cada vez mais o mediador entre a
informação e o usuário e representa o elemento humano nas relações com o meio em um
mundo em transformação com um modelo de economia global baseada no conhecimento.
A criação de uma nova associação nos Estados Unidos, substituindo os espaços deixados
pela American

Library Association e o Institute of Information Science, dá indícios que

estão ocorrendo mudanças.

5

�O foco principal desse artigo é o profissional da informação

que atua na biblioteca

universitária, responsável pela organização, disseminação e uso de acervos.Ele representa
o elemento humano nesse sistema.

Segundo Richard Crawford (1994) a primeira etapa de mudanças da economia na estrutura
social é a que o homem passa da economia tribal da caça e extrativa, para uma economia
agrícola. A segunda etapa é marcada pela passagem da economia agrícola para a economia
industrial. A terceira etapa é a da sociedade baseada no conhecimento. Na primeira etapa,
muitas pessoas nascem e falecem antes de envelhecer sendo o seu desejo ser dono de uma
plantação. Na segunda etapa, o indivíduo almeja chegar a ser dono de uma usina de aço, de
uma fábrica de automóveis. A terceira etapa é diferente das duas primeiras porque é uma
economia de processamento de informações, tendo o computador e as telecomunicações
como estratégias para a difusão da informação e do conhecimento. O autor entende que a
informação é o que pode ser encontrado, do livro ao computador, ou seja, contido nos
suportes sendo que o conhecimento só é encontrado nos seres humanos. Conhecimento
como “expertise” (1994 p.21).

Portanto, o conhecimento se auto-reproduz e pode ser

disseminado, ele é compartilhável. Nessa sociedade o conhecimento é decisivo e orientado
para a competitividade na organização.

Nesse sentido, o elemento propagador das

mudanças em relação a empregabilidade é a produtividade. Para Castells (1999), os
serviços se desenvolvem chegando à maturidade da industrialização que na era da
economia do conhecimento, multiplicam-se os serviços nos vários setores que incluem
governo, educação, saúde, lazer e o meio empresarial.

Os recursos humanos crescem no conjunto da força do trabalho. As mudanças são
percebidas nas relações do trabalhador, do profissional de ensino e

aprendizagem

valorizando a alfabetização e o treinamento técnico. O profissional universitário representa
o grupo mais expressivo, em se tratando de recursos humanos. Assim sendo, o
conhecimento se torna recurso estratégico e as universidades, centros de pesquisa,
institutos acadêmicos se tornam centros de excelência na produção dos recursos humanos.
Neste sentido,

o fator relevante é a aceleração tecnológica que torna obsoletos

conhecimentos adquiridos e, por este motivo o desenvolvimento da educação continuada
torna-se uma realidade. O profissional da informação necessita de um aprendizado
continuado para enfrentar as constantes mudanças que ocorrem no seu espaço de trabalho.
6

�Todas elas afetam a questão comportamental do indivíduo. Percebe-se que já não há
limites entre a esfera pública e o espaço privado, próprio da intimidade de cada ser
humano. Na esfera doméstica, dificilmente os seus membros convivem

quotidianamente,

como de hábito as responsabilidades de orientação da prole são repassadas para a escola
negligenciando a transferência de hábitos e de conhecimentos que são próprios da
formação do cidadão. Nesse caso, conhecimentos adquiridos por outros meios de
comunicação sofrem a interferência dos canais de televisão, do convívio nos condomínios
onde estão sujeitos a adquirirem comportamento ditados pelo grupo sem controle e sem
nenhum processo de filtragem, conduzindo a uma atitude comportamental que desfruta de
um tipo de liberdade questionável. Em uma realidade que não facilita o acesso ao
conhecimento, a precária alfabetização não conduz o indivíduo ao pleno exercício da
cidadania

e esse é

um fator preocupante e tem reflexos significativos quando esse

indivíduo consegue chegar à universidade, sem o hábito de freqüentar bibliotecas, sem ter
desenvolvido o hábito de ler. A

biblioteca tem

função

educadora e o papel do

profissional da informação, nesses casos, é relevante.

A ampliação do campo da pesquisa no seio da universidade convoca a biblioteca a
direcionar os seus serviços para este fim e novamente o profissional de informação amplia
a sua função mediadora. A cultura escrita ao

utilizar o impresso opera uma profunda

transformação no olhar do indivíduo e nas suas relações com a sociedade que se acredita
ser similar a mesma perplexidade que está sendo

experimentada

nesse momento de

passagem da cultura escrita para a cultura eletrônica que modifica os limites de tempo e
espaço. O uso de novas tecnologias da informação produzem a interatividade que modifica
a relação do usuário com as estruturas de informação e a interconectividade que permite o
deslocamento desse usuário de um espaço a outro de informação.(BARRETO,A; SMIT,J.
2002) Esses novos formatos de acesso a informação influenciam o profissional com
relação ao seu novo papel. Crawford (1994) tece considerações básicas para a
compreensão das mudanças doasnas sociedades industrial e do conhecimento.
Recursos humanos que trabalha em bibliotecas universitárias tendem a se movimentar
repetindo as inseguranças de uma instituição que se encontra em fase de redefinição do seu
pape social. As mudanças no setor da empregabilidade se desenvolvem na organização e
vale a pena lembrar algumas questões emergentes.
7

�Sociedade Industrial

Sociedade do Conhecimento

Hierarquia

Igualdade

Conformidade
Padronização
Centralização
Eficiência

Individualidade e criatividade
Diversidade
Descentralização
Eficácia

Especialização
Maximização da riqueza material

Generalização, interdisciplina, holismo
Qualidade de vida conservação
recursos materiais

dos

Ênfase no conteúdo quantitativo
Ênfase na qualidade do resultado
Segurança
Auto-expressão e auto-realização
FONTE: CRAWFORD, Richard. Na era do capital humano.

Recursos humanos que trabalham em bibliotecas universitárias tendem a se movimentarem
repetindo as inseguranças que afligem a instituição como um todo e que se encontra em
fase de redefinição do seu papel social. As mudanças no setor da empregabilidade se
desenvolvem na organização e vale a pena lembrar algumas questões emergentes.
De modo geral, algumas características se delineiam sobre o tema. Para Peter Drucker
(1999, p. 113) um dos primeiros autores a se ocupar do trabalho manual e dos
trabalhadores manuais foi Frederick W. Taylor (1856-1915) responsável pela base dos
ganhos sociais e econômicos do século XX que só teve os seus méritos reconhecidos 20
anos depois sobre o que ele denominou análise de tarefas ou gerenciamento de tarefas e
que posteriormente se denominou administração científica. Taylor dedicou-se ao trabalho
manual de fabricação que foram de algum modo apropriados uma vez que existem
trabalhos de acesso ao conhecimento que requerem conhecimento teórico avançado e que
incluem operações manuais. Entretanto, o grande investimento na sociedade é para

tornar

produtivo o trabalho desse profissional que está em ascensão e que espera-se ser a força de
trabalho mais significativa da sociedade do futuro.
Drucker lembra que inicialmente é preciso fazer-se a pergunta: Qual a tarefa? E não mais
como deve ser feito o trabalho? Defende que o profissional necessita se auto-gerenciar e ter
autonomia para compreender a importância da inovação continuada e do aprendizado
contínuo e conseqüentemente ensino continuado porque nessa realidade a qualidade é a
meta a ser atingida. A ótica da economia entende que este profissional deve ser
8

�reconhecido como ativo e não custo. A qualidade é, portanto, a essência da produção. A
etapa que se segue após a definição de qual a tarefa? É aquela que depende de requisitos
tais como responsabilidade, inovação continuada e ensino e aprendizagem intrínsecos e
constantes.
Em seguida, a avaliação é indispensável para aferir os padrões desejados de qualidade e
produtividade. Para que esses profissionais sejam produtivos devem possuir

meios de

produção. A soma do trabalho do conhecimento ao trabalho manual é inerente ao que Peter
Drucker denomina ser da responsabilidade do tecnólogo, aquele que aplica conhecimento
de alto nível embora haja o grupo que lida com conhecimento, mas com subordinação. É o
caso

dos

técnicos

de

laboratório,

raios-X,

reabilitação,

mecânicos

de

empresas

automobilísticas entre outras categorias que tem funções que exigem vantagem competitiva
regularmente.
Nesse contexto, o trabalho precisa ser organizado como parte de um sistema onde o
profissional tem que desenvolver o censo de gerenciar a si mesmo, para permanentemente
fazer a revisão das suas contribuições fut uras, preservando o seu papel ativo nas
organizações.

Robert Wong (2001) reconhece a necessidade do profissional de se inserir no contexto e
sugere certos cuidados: auto-conhecimento, investir em si próprio, visualizar de forma
abrangente, ter objetivos claros, estar motivado para o trabalho, manter relações interpessoais, tornar-se indispensável na organização.

Os recentes trabalhos no campo da Inteligência Competitiva consideram que o patrimônio
intelectual da organização é formado pelas tecnologias, por conhecimentos de mercado
provenientes dos clientes e fornecedores e dos conhecimentos decorrentes da própria
organização tais como as normas, padrões e procedimentos. Assim, o capital intelectual ou
ativos intangíveis de uma organização é representado pelo talento dos seus profissionais da
competência dos seus sistemas gerenciais e da relação com os clientes. Isto é importante
tanto para o indivíduo quanto para a organização. Deste modo, o novo profissional que
atua no campo da informação assume um novo papel social na organização.

9

�Klein (1998) admite que o capital intelectual sempre existiu, mas é na sociedade da
informação que passa a ter relevância. Ele está difuso no banco de dados da organização,
nas metodologias utilizadas, no domínio das tecnologias, no refinamento dos processos
utilizados, em síntese, na produção das mentes das pessoas. É o ser humano quem
transforma a informação em conhecimento porque é o ser humano que tem a capacidade de
sentir, criar e desenvolver relações interpessoais.
O conhecimento existente em uma organização é de natureza tácita e explícita e se
somados e estimulados podem crescer na organização. Segundo Vera L. M. Lellis (p 4):
A empresa utiliza o que as pessoas sabem, um número maior de
pessoas sabe coisas úteis para a organização e compartilham este
conhecimento; quando as pessoas são liberadas de tarefas
mecânicas, do trabalho burocrático e competições internas.
Para a autora, conhecimento tácito é o conhecimento pessoal, de experiências e habilidades
acumuladas em cada indivíduo, sendo difícil de ser formalizado e socializado. Algumas
práticas estimulam a sua disseminação como facilitação do acesso a especialistas,
promoção de encontros entre pessoas, formação de equipes multidisciplinares e de redes
virtuais e estimulo a redes informais. A transformação do conhecimento tácito em explícito
é o grande desafio das organizações. Conhecimento explícito é aquele conhecimento
transmitido
comunicação

em

linguagem

permitem

a

formal,
circulação

sistematizado
da

e

informação

codificado.
mediante

Alguns
canais

meios

de

formais,

os

documentos e informais, conversas telefônicas e redes eletrônicas.

Para P. Senge (1997), o perfil do trabalhador do conhecimento é o do indivíduo que testa
as suas experiências e é sensível à aprendizagem, enquanto Stewart(1998) afirma que o
capital intelectual, ou seja, o que é produzido pelo homem é insubstituível em uma
organização.
Partindo desse princípio, evidencia-se um perfil do profissional de informação de grande
representatividade que vai além da sua função de simples mediador entre acervos e
usuário. Ele também é produtor de conhecimentos.

10

�O fato do profissional da informação fazer parte do capital intelectual da universidade
revela uma situação privilegiada por estar a instituição voltada para a educação, atenta ao
ensino e aprendizagem e, além disto, a pesquisa que permite o aprofundamento de
conhecimentos de modo contínuo. Por outro lado, cabe ao profissional que atua na
biblioteca manter serviços de informação pela necessidade de ter estoques de informação
bem organizados considerando que o registro em alguns suportes garante a sua
permanência. O bibliotecário tem a formação enriquecida pela bagagem histórica das
técnicas, procedimentos, ferramentas oriundas da Biblioteconomia que se somam às novas
tecnologias e uso de ferramentas que são fundamentais no trato da informação.
Valentim(2002 p.151) faz uma precisa avaliação do profissional que atua no campo da
informação no Brasil e defende a observância das competências e habilidades necessárias a
esse profissional em consonância com a sua inserção geográfica e as demandas sociais
existentes. Considerando que as tecnologias da informação, as telecomunicações e a
informação modificam a sociedade e assim sendo, o profissional deve acompanhar
naturalmente essas mudanças.

A autora (2002, p 121), afirma que no Brasil existem cerca de 22 mil pessoas atuando na
área de informação nos setores públicos, privado, associativo e autônomo. Entre os fatores
que influenciam a obtenção de emprego estão: ter experiência profissional (tecnológica e
científica); saber utilizar tecnologias de informação; ter domínio de pelo menos uma
língua, o inglês; ter domínio de web e de ferramentas para a conectividade . A maioria
trabalha em regiões metropolitanas do país, sendo São Paulo o maior mercado de trabalho.
A atualização profissional se faz através de cursos de extensão, especialização, mestrado e
doutorado.

A formação do profissional da informação

se apoia nas competências, habilidades,

procedimentos e paradigmas que levam a uma nova abordagem de ensino e aprendizagem.
Deve-se discutir os currículos de forma continuada adequando-os às regulares mudanças
que ocorrem na sociedade. O profissional da informação do futuro precisa interagir
socialmente para compreender e contribuir para melhorar o seu papel profissional no
mundo que o cerca. A realidade mostra que muitos motivos influenciam as carências
estruturais para se atingir um ensino desejado e de qualidade. Além das razões físicas,
11

�muitas outras atingem o desempenho profissional desse trabalhador que se deseja serem
cada vez mais minimizadas.
Os antigos preceitos da Biblioteconomia permanecem nas bibliotecas e principalmente o
bibliotecário continua a manter a sua preocupação com a seleção, armazenagem,
organização de fontes obedecendo a thesaurus, linguagem controlada, descarte de obras,
em suma, a organização do acervo. Contudo, há um setor da biblioteca que vem

se

expandindo mais intensamente: a disseminação. A necessidade de manter os links
ajustados a buscar bancos de dados, a privilegiar o acesso à informação em detrimento da
armazenagem do documento estabeleceu novos contornos para a biblioteca que passou a
não ter paredes, ou seja, limites.

O profissional da informação, inclusive o bibliotecário, deve ser o mediador entre o acervo
passivo e o usuário. O papel do profissional da informação é de muita importância porque
ele lida com questões especiais exigidas pela organização da documentação, a utilização
das técnicas que muitas vezes são redutoras e esse processo redutor afeta a linguagem
natural. Entretanto, no processo eletrônico, outras linguagens hipermídia influenciam
positivamente a assimilação da informação.

Para Gilberto Dimenstein,(2000) em recente pesquisa com a assessoria do Professor José
Pastore realizada durante três meses, entrevistou pessoas que trabalham em cargos de
relevância em empresas, unidades de ensino e mídia com o objetivo de captar a visão desse
segmento formador de opinião no que tange a participação de um trabalhador em uma
sociedade competitiva. Os resultados obtidos, levam-no a considerar que nessa sociedade
não é mais a máquina que impõe o modelo, más os valores intrínsecos ao ser humano, a
criatividade e o desejo da descoberta. As resposta da pesquisa mostram que nunca deve-se
parar de aprender; ter clara visão do que espera de você mesmo; maturidade para
comandar; ser ético, honesto e idôneo; saber se adaptar,, ser flexível; ter estabilidade
emocional e confiança; ter capacidade analítica para resolver problemas. Na nova visão,,
pelo viés econômico sobre as questões de empregabilidade, emergem a mudança de
emprego como fator de flexibilidade e o talento. Torna-se evidente que o profissional deve
ser coerente consigo mesmo entendendo que a relação é de troca, quando empresta sua
competência à organização.
12

�Nessa sociedade, o acesso à informação reforça a importância dos processos de
comunicação que promovem a articulação rápida e precisa entre fontes de informação e
usuário. Nessa realidade, que busca a qualidade de vida, eficiência econômica, acesso à
cidadania e respeito ao meio ambiente, o profissional da informação especialmente o que
atua na biblioteca universitária tem um papel relevante: cabe a ele disponibilizar
informações considerando as constantes mudanças político-econômica-cultural.

13

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