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TRATAMENTO ARQUIVÍSTICO NA UFMG: A EXPERIÊNCIA NA
DESCRIÇÃO DE DOSSIÊS DA SÉRIE VIDA DO ACERVO CURT
LANGE
Maria Helena Santos - mhsantos@bu.ufmg.br
Bibliotecária da Central de Controle de Qualidade da Catalogação do Sistema de Bibliotecas da
UFMG
Marlene de Fátima Oliveira Lopes - mlopes@bu.ufmg.br
Bibliotecária da Central de Controle de Qualidade da Catalogação do Sistema de Bibliotecas da
UFMG
Marina Cajaíba da Silva - marina@universiabrasil.net
Bibliotecária bolsista do Acervo Curt Lange

Vilma Moreira dos Santos - vilma@eci.ufmg.br
Professora da Escola de Ciência da Informação da UFMG

Análise, estudo, arranjo e descrição arquivística dos 894 dossiês da Série Vida do Acervo Curt Lange da
UFMG. O trabalho desenvolvido corresponde a segunda fase do Projeto Inventário de Acervos da UFMG,
no qual o Acervo Curt Lange constituiu o projeto piloto. A Série Vida, possui vasta tipologia documental,
sendo as informações nela contidas de extrema relevância para o estudo da musicologia sul-americana,
considerando as atividades do musicólogo Francisco Curt Lange nesta área. O resultado do trabalho
comprovou que é possível recuperar toda informação contida nos documentos de cada dossiê. A
metodologia desenvolvida no Acervo Curt Lange pode se tornar modelo para o tratamento dos demais
acervos arquivísticos da UFMG.

1 INTRODUÇÃO E ANTECEDENTES
O surgimento e a trajetória da musicologia na América Latina mantiveram-se por muito
tempo desconhecidos, por se tratar de uma área de estudo pouco desenvolvida no
continente. As primeiras descobertas foram reveladas recentemente, há cerca de 70
anos, através das pesquisas realizadas pelo musicólogo alemão Francisco Curt Lange,
durante o período em que viveu em terras sul-americanas, chegando a naturalizar-se
cid adão uruguaio.
Dotado de grande perspicácia e constância, Curt Lange desbravou o interior dos países
sul-americanos, em busca de informações sobre a movimentação musical manifestada
em suas mais variadas formas. Para tanto, vasculhou os arquivos religiosos de
congregações e estabeleceu constantes contatos com viúvas e familiares remanescentes
de compositores do período remoto à colonização sul-americana, bem como junto a

�2

moradores locais, conhecedores da formação histórica e cultural das pequenas cidades
dos diversos países onde se manifestara qualquer possível atividade musical.
Em sua investida inicial, Curt Lange recolheu rica documentação datada do período em
que a América do Sul esteve sob regime colonial, onde a análise de tal documentação,
realizada pelo musicólogo, possibilitou o estudo de obras, compositores e instituições
musicais da época. Em um primeiro momento, o estudo desvendou a existência de uma
considerável movimentação musical do período, sendo a qualidade das composições
comparada aos grandes mestres europeus, informações até então desconhecidas pelos
acadêmicos e pesquisadores.
Apesar de muitas de suas descobertas serem contestadas entre os críticos de todas as
épocas, inclusive da atualidade, não há como negar a inestimável contribuição do
trabalho precursor de Curt Lange. Foi dele o primeiro passo para a conscientização da
importância da musicologia histórica sul-americana e, em especial, a brasileira, tendo
em vista que um de seus trabalhos mais importantes foi realizado em Minas Gerais - a
série de publicações História da Música na Capitania Geral das Minas Gerais .
Seus trabalhos tornaram público a existência de inúmeros músicos até então anônimos,
composições inéditas e manifestações artísticas antes desconhecidas, acumulando assim,
considerável gama de material

bibliográfico, arquivístico e museológico, hoje

constituindo o Acervo Curt Lange , sob a custódia da Universidade Federal de Minas
Gerais.
Fazendo jus ao legado que Curt Lange confiou à UFMG, é dever da mesma zelar para
que o acervo tão cuidadosamente acumulado ao longo da atividade do musicólogo, seja
preservado, organizado e colocado à disposição dos pesquisadores que investigam e
reescrevem a história da musicologia sul-americana, considerando a relevância dos
estudos iniciais de Curt Lange, principalmente aqueles referentes à sociedade colonial
mineira. De forma especial, destacam-se as pesquisa que cobrem a fase de ouro do
Barroco Mineiro.
O tratamento arquivístico do Acervo Curt Lange adquiriu o caráter de projeto piloto no
contexto dos trabalhos desenvolvidos pela Comissão de Política de Acervos da UFMG,
na sua atribuição de desenvolver metodologias para o tratamento e conservação
preventiva de acervos. Este projeto foi coordenado pela Profa. Rosângela Pereira
Tugny, da Escola de Música da UFMG e subsidiado por recursos advindos da Fundação

�3

Vitae e da Fundação de Amp aro à Pesquisa de Minas Gerais – FAPEMIG. Cabe
destacar o apoio irrestrito da Biblioteca Universitária no desenvolvimento do Projeto,
em especial, a participação da bibliotecária Maria Helena Santos, ligada ao Sistema de
Bibliotecas. Sua atuação foi de suma importância para a elaboração da Tabela de
Conversão ISAD (G) x MARC e o Manual de Entrada de Dados em Formato Marc:
arquivos e coleções especiais.
Até o momento, o Projeto se estruturou em duas etapas. A primeira delas foi
apresentada no CBBD 20001 e constou dos processos de arranjo e descrição, quando
foram definidos a metodologia de tratamento do Acervo como um todo e o software a
ser utilizado. Optou-se pela adoção do software VTLS e pelo formato Bibliográfico
MARC para a entrada de dados (USMARC..., 1994), já utilizados pelo Sistema de
Bibliotecas da UFMG no tratamento da informação e gerenciamento dos serviços
oferecidos pelo Sistema. Verificou-se que este formato, internacional e integrado,
permitia também tratar acervos arquivísticos, além de possibilitar a inclusão de “links”
de arquivos de imagens, sonoros e web sites, entre outros. Um fator decisivo para
adoção do formato MARC, foi a possibilidade de utilizá-lo para registrar padrões de
conteúdo dos elementos de dados, no caso, a Norma Geral Internacional de Descrição
Arquivística - ISAD(G). A inclusão dos elementos de dados da ISAD (G) no formato
MARC, resultou de um estudo detalhado do item 3 da ISAD(G) - Elementos da
descrição,

verificando-se a correspondência conceitual desses elementos com os

campos e subcampos do MARC. A partir desse estudo, foi elaborada a Tabela de
Conversão da ISAD (G) para o USMARC Format for Bibliographic Data including
guidelines for content designation.
Esta Tabela teve como objetivo servir de suporte para a elaboração do Manual de
Entrada de Dados em Formato USMARC para a Descrição Arquivística -

versão

preliminar. Esse Manual é um instrumento fundamental, para se proceder à

inclusão

dos registros de natureza arquivística na base de dados da UFMG (SB@Net).
Atualmente, o software VTLS proporciona a visão de uma base de dados única,
contendo registros bibliográficos e arquivísticos, com possibilidade de interface local e
na Internet. Conforme demonstrado no trabalho apresentado no CBBD 2000, ao se

1 SANTOS, Vilma Moreira dos et al. O tratamento de acervos arquivísticos na UFMG: a experiência de organização
do Acervo Curt Lange. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 19,
2000, Porto Alegre. Anais...Porto Alegre : FEBAB, 2000. (CD-ROOM)

�4

finalizar a primeira etapa do Projeto, a equipe sugeriu a criação de uma base exclusiva
para os registros de acervos arquivísticos e de caráter misto (arquivos e coleções).
Conforme preconizado pelo princípio de descrição arquivística multi-nível, ainda na
primeira etapa, foram definidos dois níveis hierárquicos – série e sub-série, as quais já
se encontram devidamente descritas na base de dados. O quadro de arranjo do Acervo
Curt Lange (ACL) está apresentado na figura 1.
A descrição arquivística da Série Vida seguiu os mesmos princípios adotados na fase
inicial do projeto, principalmente ao ser possível avaliar que o princípio da descrição
multi-nível havia sido adequadamente atendido nos aspectos de entrada de dados e de
recuperação da informação, tanto na interface local como na web.
O presente trabalho tem como objetivo apresentar os resultados da segunda etapa deste
Projeto, que constou da descrição arquivística da Série Vida, enfatizando-se as etapas e
implicações da metodologia utilizada, as particularidades da documentação em questão
e, principalmente, os resultados alcançados.

2 A SÉRIE VIDA
Talvez, a série “vida”, possa ser considerada como uma das maiores preciosidades do
Acervo Curt Lange. O termo vida, por si só, chama a atenção para a relevância desta
parte do acervo, tanto mais por ter recebido essa denominação do próprio Curt Lange.
Além disso, há fortes indícios de que também tenha sido organizada por ele mesmo.
Sem sombra de dúvida, o conjunto de registros batizado por Curt Lange de “vida”,
revela a sua trajetória como pesquisador e musicólogo.
A série vida é constituída de 894 dossiês de extensão variada, todos já intitulados e
ordenados cronologicamente.
“Recuerdos,

Inicia -se com o dossiê BRUFMGBUCL3.001 intitulado

documentaciones,

1923-1928”

e

encerra-se

com

o

dossiê

BRUFMGBUCL3.894 “[Wagner - Lohengrin, 1994]”. Os dossiês são constituídos dos
mais diversos tipos de documentos, tais como: certidão de nascimento, passaportes,
relações de despesas, honrarias, recortes de jornais , jornais, partes de publicações
(capas, sumários e artigos), fotografias, programas e convites de concertos, textos de
palestras e conferências, cartas manuscritas e datilografadas, cartazes, cartões postais,
cartões de visita, mapas e guias turísticos, panfletos, folders, cardápios, papéis e
envelopes em branco e timbrados, textos datilografados, notas fiscais, bilhetes de

�5

passagens, contratos diversos, termos de seguro, documentação de automóvel, desenhos
infantis dos filhos de Curt Lange, revistas e documentos referentes a tratamentos de
saúde.
A quantidade de documentos em cada dossiê varia de um a oitenta, aproximadamente.
Como se vê, grande parte desta documentação reúne detalhes da vida do music ólogo e
captados, principalmente, por meio de recortes de jornais, fotografias e revistas, como,
por exemplo, um recorte de um jornal da época que notic iava o seu casamento com
Maria Luiza Vertiz – descendente o vice-rei do Rio do Prata.
A complexidade desta documentação bem como sua diversidade de tipologia s
documentais, proporcionou e continuará proporcionando uma experiência de grande
valor em tratamento arquivístico.
Alguns documentos encontrados em outras partes do Acervo foram reintegradas a esta
série, por solicitação do próprio titular.
No final do processo de descrição, foram encontrados aproximadamente 31 dossiês com
características diferentes. Procedeu-se um exame destes dossiês concluindo-se que eles
deverão ser inseridos nas devidas unidades de descrição após estudo minucioso.

2.1 METODOLOGIA
Esta segunda etapa do projeto teve início com a realização do curso: "A UFMG e os
arquivos privados" ministrado pela professora Vilma Moreira dos Santos, da Escola de
Ciência da Informação da UFMG, para todos os participantes do Projeto. O curso foi
estendido a outros profissionais da UFMG e de outras instituições, interessados no
assunto e teve como objetivos:
q

discutir o papel da universidade no recolhimento de acervos privados;

q

discutir o processo de recolhimento de acervos privados na UFMG;

q

analisar metodologias de tratamento de acervos privados.

Para a descrição documental da série Vida a Tabela de Conversão e o Manual foram
revisados, conforme a 2.ed. da ISAD (G) e o MARC 21 Concise Format for
Bibliographic Data. O título do Manual foi alterado para Manual de Entrada de Dados
em Formato MARC: arquivos e coleções especiais, visando adequá-lo a atualização do
formato e a sua aplicação exclusiva para arquivos e coleções especiais.

�Acervo Curt Lange

Col.

Correspo

Bibliog.

Partituras

ndências

Col. Instr.

Instr.

de

Docs.

Trabalho

Musicais

Homenagem

Atividades

Lembranças

Culturais

Raros

Iconograf

Vida

Docs. de
Pesquisa

Reg. Audio
Visuais

1
1

2

2

1

2

3

4

5

6

7

3

1

2

3

3
1

1

2

2

3

4

5

8
1

2

3

4

5

6

7

1

2

4
3

8

6

5

7

10
9

12
11

Coleção Bibliográfica: (1) Obras de Referência; (2) Monografias; (3) Periódicos; (4) Separatas; (5) Folhetos; (6) Libretos de ópera; (7) Publicações editadas por CL
Correspondências: (1) Enviadas; (2) Recebidas
Partituras: (1) Originais e cópias de manuscritos; (2) Publicadas por CL; (3) Publicadas
Registros Audio-Visuais: (1) Discos de vinil; (2) Compact disc; (3) Fitas Cassetes; (4) Fitas de rolo; (5) Fitas de vídeo;
Iconografia: (1) Fotografias; (2) Quadros; (3) Slides e microfilmes; (4) Imagens diversas; (5) Negativos
Documentos Raros: (1) Obras musicais; (2) Documentos manuscritos de arquivos históricos; (3) Livros e revistas
Documentos de Pesquisa: (1) Biobliografia; (2) Miscelânea; (3) Estudos e transcrições de documentos de arquivos históricos; (4) Artigos e estudos avulsos recebidos por pesquisadores; (5)
Transcrição e restauro de manuscritos históricos; (6) Domenico Zipoli; (7) Manuscritos avulsos de CL; (8) Listagens; (9) Exemplos musicais; (10) Recortes da imprensa; (11) Documentos de
programações musicais; (12) Catálogos e folders; (13) Catálogos comerciais de edit oras e gravadoras
Atividades Culturais: (1) Convites, programas e cartazes; (2) Recortes; (3) Programas

Figura 1: Quadro de Arranjo do Acervo Curt Lange

13

�7

O processo de descrição observou o princípio arquivístico de respeito à ordem original2
exceto nos casos em que foram encontrados documentos duplicados no mesmo dossiê.
Esses documentos foram reunidos, mas descritos uma única vez.
Outra decisão tomada pela equipe foi a criação de um novo item hierárquico de
descrição – o de dossiê - de modo a refletir a organização idealizada pelo próprio titular.
Definiu-se, também, que o conteúdo dos dossiês seria descrito no campo “Nota de
Resumo” conforme etapas a seguir:
q

conferência dos dossiês com a respectiva listagem realizada pela Biblioteca
Universitária, por ocasião do recebimento do acervo;

q

conferência das folhas;

q

atribuição de uma ordem numérica seqüencial aos documentos de cada dossiê;

q

anotação à lápis do código de referência em cada dossiê.

A descrição arquivística, iniciou-se em fase experimental com dez dossiês, seguindo-se
uma avaliação por parte da equipe, principalmente no aspecto de exibição dos dados,
considerando o ponto de vista do pesquisador.
De acordo com a ISAD (G) a Área de Conteúdo e Estrutura tem como objetivo
“capacitar os usuários a avaliarem a potencial relevância da unidade de descrição”.
Assim, procurou-se informar no campo MARC “Nota de Resumo” através de uma
descrição sumária, todo o conteúdo documental de cada dossiê especificando datas e
locais, quando era o caso, além de informar o título acrescentado da tipologia de cada
documento. No caso dos recortes de jornais que às vezes predominavam nos dossiês,
optou-se pela nota introdutória conforme explicada neste item no campo MARC 520
para evitar repetição de info rmação. Optou-se também por não usar aspas na transcrição
de títulos formais. Já os títulos atribuídos foram informados entre colchetes. Como por
exemplo, na descrição da Certidão de Nascimento de Curt Lange. Além do título formal
em Alemão atribuiu-se o título em Português.

2 Princípio adotado no processo de arranjo, que preconiza a não alteração da ordem original dos
documentos no decorrer de sua organização. (Ver BELLOTTO, H.L. Arquivos permanentes; tratamento
documental. São Paulo: T.A Queiroz, 1991.)

�8

Todas estas questões foram amplamente discutidas e avaliadas pela equipe do Projeto.
Cabe destacar que uma das vantagens proporcionadas pelo VTLS é permitir modificar e
corrigir dados conforme a dinâmica do trabalho.
A entrada dos dados foi efetuada através da planilha "archives.wfm" do EasyCat, editor
de catalogação do VTLS, específica para tratamento técnico de materiais mistos, dentre
os quais se situam os acervos arquivísticos. Esta planilha se divide em dois campos: fixo
e variáveis.
Nos campos fixos, são informados códigos do formato MARC que definem: tipo de
documento, nível, data, local de publicação, língua e outros códigos atribuídos
automaticamente pelo sistema. A seguir, serão evidenciadas algumas decisões tomadas
pela equipe no que se refere aos campos fixos:
q

País de publicação (MARC 008/15-17): a atribuição deste código foi baseada no
próprio título dos dossiês, sempre intitulados por países ou cidades representando o
local de acumulação. No caso de dossiês contendo documentos de locais diversos
foi usado o código MARC específico;

q

Língua (MARC 008/35-37): para dossiês constituídos de documentos em mais de
uma língua foi usado o código da língua predominante;

q

Tipo de data (MARC 008/06): foram informados os códigos: s para data simples; i
para datas inclusivas e q para datas questionáveis.

A seguir e, em conformidade com as decisões tomadas na primeira etapa do projeto,
apresentamos os campos variáveis

do MARC e sua correspondência na ISAD (G),

utilizados nos registros arquivísticos da série Vida:

TAG MARC

CONCEITO MARC

CONCEITO ISAD

CONTEÚDO/D OSSIÊS DA
SÉRIE VIDA

090

NÚMERO DE CHAM ADA

CÓDIGO DE REFERÊNCIA

BRUFMGBUCL3.01

Seguindo a regra 3.1 da ISAD (G)

- Área de identificação, assim ficou definido o

código de referência:
-

BR (código do país, conforme a tabela de País ISO 3166)

-

UFMG (código do detentor)

-

BU CL(código de depósito local; Biblioteca Universitária – Curt Lange)

�9

-

(3= número seqüencial correspondente a cada unidade de descrição; 01= numeração
seqüencial dos documentos dentro do dossiê)

TAG MARC

CONCEITO MARC

CONCEITO ISAD

CONTEÚDO/D OSSIÊS DA
SÉRIE VIDA

245

TÍTULO

TÍTULO

VI Encontro......

246

VARIAÇÕES DO TÍTULO

_____________

Sexto Encontro......

Os dossiês foram intitulados pelo próprio Curt Lange, conforme já mencionado
anteriormente. No processo de descrição, os títulos
encontravam datilografados

foram transcritos conforme se

nas etiquetas dos dossiês. Alguns dossiês apresentam

títulos manuscritos à lápis em etiquetas sobrepostas às etiquetas originais. Este
procedimento foi realizado por ocasião do inventário da coleção ao ser recebida pela
Biblioteca Universitária. A equipe optou por adotar os títulos atribuídos, porque os
documentos não apresentam, de fato, qualquer relação com os títulos originais. Pode-se
inferir que os documentos que realmente correspondem aos títulos datilografados
tenham se extraviado e que as pastas tenham sido utilizadas para abrigar os novos
documentos. É possível também que, durante o processo de recolhimento do acervo, os
documentos inicialmente arquivados tenham sido inseridos aleatoriamente em outras
pastas componentes do acervo. O importante é que a equipe está consciente do fato,
encontrando-se em alerta para a possibilidade de localização dos documentos
inicialmente arquivados. Tais ocorrências foram descritas no campo MARC 500 “Notas
gerais”.
Ainda de acordo com a ISAD(G) outra informação a ser registrada é a data, informada
no subcampo \f do campo MARC 245. A ISAD(G) prevê pelo menos dois tipos de
datas devem ser registradas: datas de acumulação dos documentos e datas de produção
dos documentos. Vários dossiês, não contêm data; neste caso, foi informada a data
referente ao conteúdo dos dossiês.
O campo MARC 246, “Forma variante do título” foi adotado para as seguintes situações
encontradas:
q

títulos iniciados por numerais, visando sua alfabetação na lista de exibição dos
títulos;

q

dossiê com dois títulos, sendo um na frente e outro no verso do dossiê;

q

título datilografado e outro manuscrito, indicando uma alteração no título.

�10

TAG MARC

CONCEITO MARC

CONCEITO ISAD

CONTEÚDO/DOSSIÊS DA
SÉRIE VIDA

351

ORGANIZAÇÃO

NÍVEL DE DESCRIÇÃO

Dossiê organizado
cronologicamente pelo titular

Esta informação mostra o nível de descrição da unidade, no caso “Dossiê”, bem como a
sua organização

TAG MARC

CONCEITO MARC

CONCEITO ISAD

CONTEÚDO/DOSSIÊS DA
SÉRIE VIDA

300

DESCRIÇÃO

DIMENSÃO E SUPORTE

38 documentos
48 folhas

Este item informa a quantidade de documentos e o número de folhas do dossiê. No caso
de documentos como revistas, folhetos ou outras publicações, considerou-se o número
de páginas de cada publicação somado ao número de folhas dos outros documentos do
dossiê.

TAG MARC

CONCEITO MARC

CONCEITO ISAD

CONTEÚDO/DOSSIÊS

DA

SÉRIE

VIDA
541

FONTE IMEDIATA DE
AQUISIÇÃO

PROCEDÊNCIA

Doação; BDMG Cultural; Vitae; Marlies
Lange Vertiz, 1995, UFMG – Biblioteca
Universitária

De acordo com a ISAD(G), este campo deve registrar a origem imediata de aquisição.
No caso do Acervo Curt Lange, este campo é comum em todos os níveis de descrição,
uma vez que esta informação não é confidencial.

TAG MARC

CONCEITO MARC

CONCEITO ISAD

CONTEÚDO/DOSSIÊS DA
SÉRIE VIDA

506

ACESSO

CONDIÇÕES DE ACESSO

Acesso conforme regulamento
próprio do Ace rvo

Este campo também é comum a todos os níveis de descrição, uma vez que essas
condições são as mesmas para todo o acervo. O regulamento de acesso está disponível
no campo MARC 856 “Acesso e localização eletrônica”.

�11

TAG MARC

CONCEITO MARC

CONCEITO ISAD

CONTEÚDO/DOSSIÊS DA
SÉRIE VIDA

520

NOTA DE RESUMO

ÂMBITO E CONTEÚDO

Os documentos estão
organizados na dossiê na
seguinte o rdem: 1. ....... - 2.

Neste campo foi especificado o conteúdo e a tipologia dos documentos contidos no
dossiê. Devido a diversidade de tipologia documental, a nota introdutória adquire
formas variadas, tais como:
q

Dossiê contendo todos os tipos de documentos

"Os documentos estão organizados no dossiê na seguinte ordem:"
q

Dossiê contendo apenas 01 documento

"O dossiê contém o documento:"
q

Dossiê contendo apenas recortes de jornais

"Os recortes de jornais estão organizados no dossiê na seguinte ordem:"
q

Dossiê contendo recorte s de jornais e outros documentos

"Os documentos estão organizados no dossiê na seguinte ordem:"
Nesse último caso, foi informada também a seguinte nota no campo MARC 500: "Os
documentos de n.º x-xx são recortes de jornais".

TAG MARC
546

CONCEITO MARC
NOTA DE LÍNGUA

CONCEITO ISAD
IDIOMA

CONTEÚDO/DOSSIÊS
SÉRIE VIDA

DA

Em português, espanhol e alemão

Descrição dos idiomas conforme os documentos do dossiê.

TAG MARC

CONCEITO
MARC

CONCEITO ISAD

CONTEÚDO/DOSSIÊS DA
SÉRIE VIDA

773

PARTE DE

RELAÇÃO ENTRE AS
DESCRIÇÕES

Parte de: Acervo Curt La nge
Parte de: Vida : Acervo Curt Lange

Este campo permite mostrar a posição da unidade de descrição na hierarquia de arranjo
do Acervo.

�12

TAG MARC

CONCEITO
MARC

CONCEITO
ISAD

CONTEÚDO/DOSSIÊS DA SÉRIE VIDA

856

ACESSO E
LOCALIZAÇÃO
ELETRÔNICA

-----------------------

Http://www.bu.ufmg.br/clange/regulamento.htm

Campo usado para acesso eletrônico de páginas, imagens etc. conforme a necessidade
de cada registro.
Definido os campos acima, foi criado o registro MARC referente ao dossiê: “Recuerdos,
documentaciones, 1923-1928” Considerado como registro mestre dentro da Série Vida.
Usando a metodologia “copy cataloging”, os demais foram criados através deste registro
mestre, sendo efetuadas as edições para as devidas alterações de dados correspondentes
aos novos registros.

3 ACONDICIONAMENTO
O acondicionamento da Série Vida permanece inalterado, mantendo-se o método
adotado pelo próprio titular. Isto é, os documentos estão inseridos em pastas suspensas –
os dossiês – que, por sua vez, estão acondicionados em dois arquivos de aço. Ao serem
recolhidos à Biblioteca Universitária, os arquivos componentes do ACL foram
numerados sequencialmente. A Série Vida encontra-se nos arquivos de número seis e
sete. Conforme mencionado anteriormente, a ordem original dos dossiês foi mantida,
ocorrendo alterações apenas na disposição física dos dossiês localizados no final do
processo de descrição. A seguir, apresenta-se a lista da Série Vida, de acordo com a
localização física.
Arquivo/Gaveta

Número de referência/Título do Dossiê
BRUFMGBUCL3.001– Recuerdos, documentaciones, 1923-1928

A6 G1

A
BRUFMGBUCL3.087 – Viaje al Ecuador, méxico, etc., 1938-1939
BRUFMGBUCL3.088 – Venezuela, 1939

A6 G2

A
BRUFMGBUCL3.219 – Decreto creación de publicaciones Instituto Int. de Musicologia, 1948
BRUFMGBUCL3.220 – Montevideo – Recortes, 1948

A6 G3

A
BRUFMGBUCL3.393 – Alemania III, 1961-1963
BRUFMGBUCL3.394 – Placards de Conferencias (Alemania), 1961-1963

A6 G4

A
BRUFMGBUCL3.529 – Os supostos concêrtos do P.J.M., 1974

�13

BRUFMGBUCL3.530 – Heterofonia Dr. Francisco Curt Lange y Minas Gerais, 1974
A7 G1

A
BRUFMGBUCL3.661– Grecia – Roma (Recuerdos), 1983
BRUFMGBUCL3.662 – Conferencia de Composición, Musicologia y Crítica Musical, 1983

A7 G2

A
BRUFMGBUCL3.763 – 2º Seminário Latinoamericano Evangelización durante la Colonia, 1989
BRUFMGBUCL3.764 – 30 Años Escuela de Música del Chacao, 1989

A7 G3

A
BRUFMGBUCL3.877– Subercaseaux, Juan – Folleto, 1992
BRUFMGBUCL3.878 – Programas de conciertos diversos, 1993

A7 G4

A
BRUFMGBUCL3.894 – [Wagner – Lohengrin], [1994]

Legenda: Arquivo=A Gaveta=G
A equipe admite a inadequação do método de acondicionamento atual, por não atender
aos princípios de preservação, mas este aspecto deverá ser brevemente considerado.
Contando com a colaboração CECOR/UFMG, a Prof. Rosângela P. Tugny, está
apresentando à Fundação Vitae, um projeto voltado para a conservação preventiva e
restauração do Acervo Curt Lange .

4 CONCLUSÃO
A experiência de descrição arquivística no nível de dossiês no VTLS pode ser
considerada positiva porque:
q

Possibilita a descrição multinível

q

Possibilita o registro das relações entre as unidades de descrição, exibindo suas
posições na hierarquia

q

Emprego de formatos e padrões internacionais, permitindo o intercâmbio de
informações através da Internet

q

Possibilita recuperar o conteúdo dos dossiês através de pesquisa por palavra chave

Pode-se dizer que a principal dificuldade na descrição da série Vida foi com relação à
língua. A série contém documentos em diversas línguas, por exemplo, alemão, servocroata, grego, russo dentre outras. Para sanar essa dificuldade, a equipe contou com o
apoio de professores de línguas clássicas da Faculdade de Letras/UFMG e de colegas de
profissão.

�14

Uma peculiaridade a ser registrada é que a Série Vida contém algumas tipologias
documentais que constituem séries ou sub-séries do acervo, como correspondências
enviadas e recebidas e fotografias. A equipe optou por manter esses documentos na
Série Vida e criar registros para estabelecer as relações entre as respectivas séries e subséries.

5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1.
TREJOS RAMÍREZ, Xinia. La norma de descripción internacional ISAD-G y su
aplicación en el Archivo Nacional de Costa Rica. INFOLAC , v. 11, n.3, 1998.
Disponível em: http://infolac.ucol.mx/boletin/11_3/archivos.html
2.
RUFI I PAGÈS, Jaume. Los modelos y la Norma: fuentes de la normalización
internacional de la descripción archivística. DoIS Documents in Information Science.
Disponível em: http://dois.mimas.ac.uk/DoIS/data/Articles/julrajcgqp:6279.html
3.

BEINECKE RARE BOOK AND MANUSCRIPT LIBRARY. Orbis Cataloging

Disponível
Manual:
Mixed
Materials
Format.
http://www.library.yale.edu/beinecke/manuscript/mscat/begcat.htm 1997.

em:

4.
CONSELHO INTERNACIONAL DE ARQUIVOS. ISAD (G) Norma Geral
Internacional de Descrição Arquivística. 2ª ed. rev., adotada pelo Comitê de Normas
de Descrição, Estocolmo, Suécia, 19-22 de setembro de 1999, versão final aprovada
pelo CIA. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2000, 119p.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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              <text>Tratamento arquivístico na UFMG: a experiência na descrição de dossiê da série vida do acervo Curt Lange.</text>
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