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                  <text>MAPAS : TRATAMENTO TÉCNICO DE MATERIAIS ESPECIAIS

SANTOS, Simone Aparecida dos1
Biblioteca Universitária da UFMG
Av. Presidente Antônio Carlos, 6627
CEP 31.270-901Pampulha - Belo Horizonte – MG - Brasil
E-mail: dir@bu.ufmg.br
SILVA, Moema Brandão da2
Biblioteca da Escola de Arquitetura da UFMG
Rua Paraíba, 697 - Funcionários
CEP.30.103-140 Belo Horizonte – MG - Brasil
E-mail: moe@arq.ufmg.br

RESUMO
O trabalho descreve o processo de catalogação de mapas na UFMG - Universidade Federal
de Minas Gerais, visando a disponibilização deste material na base de dados do Sistema de
Bibliotecas definido por um grupo de estudo com o objetivo de analisar as dificuldades
técnicas na determinação dos campos para elaboração do manual de catalogação.
A metodologia adotada pela equipe foi o levantamento da situação do acervo,
contemplando os diferentes tipos de mapas para serem trabalhados através de amostragem.
Como fontes de pesquisa foram utilizadas: OCLC, Catálogo da LC, sites de bibliotecas
virtuais de mapas e atlas e contatos com as bibliotecas do Rio Grande do Sul, IGC/USP,
especialistas na área do IGC/UFMG, para troca de informações.
Os resultados alcançados demonstraram a importância de um trabalho de visão ampla e em
equipe. A participação de professores do IGC/UFMG, bibliotecários e funcionários que
fazem parte do grupo de estudo, revelou-se essencial para o desenvolvimento do processo.
A entrada deste material no Sistema VTLS (Software usado pela UFMG), está se
processando de forma gradual e os resultados obtidos já permitem revelar algumas
vantagens, principalmente quanto à recuperação da informação e aos produtos que foram
gerados como: Glossário Cartográfico, Manual de catalogação para material cartográfico:
versão preliminar, Acervo de Mapas da Biblioteca do IGC/UFMG: diagnóstico preliminar.

Palavras-Chave: Mapa - Catalogação

1
2

Diretora da Biblioteca Universitária da UFMG
Bibliotecária da Escola de Arquitetura/UFMG e Especialista em Gestão Estratégica da Informação.

�1 INTRODUÇÃO

Em 1998, o Sistema de Bibliotecas da UFMG, adotou o VTLS - Virginia Tech Library
System, software que permite a utilização do formato MARC, disponibilizando seu acervo
localmente e via Internet. Para maior agilidade no desenvolvimento e adaptação do
sistema, formou-se grupos de estudos para os diversos tipos de materiais existentes em
biblioteca, sendo o enfoque deste trabalho voltado para materiais cartográficos.

O grupo foi composto por bibliotecários e uma assistente administrativo e assessorado por
professores da geografia e cartografia do Instituto de Geociências– IGC/UFMG.

As primeiras reuniões do grupo foram realizadas para estudo do AACR2 - capítulo 3, que
trata de Materiais Cartográficos, USMARC Format for Bibliographic Data no que se
refere aos campos usados para mapas e posteriormente, foram realizados testes na base de
dados da UFMG.

A partir deste estudo foi elaborado o Manual de catalogação para material cartográfico:
versão preliminar. Este manual será revisado de acordo com o MARC21, sendo
instrumento básico para catalogação do acervo de mapas do Sistema de Bibliotecas da
UFMG.

Com o aumento da coleção e a crescente demanda de usuários, o tratamento de mapas
necessita de um cuidado especial na sua operacionalização para que fiquem em condições
de serem utilizados. Ler um mapa tecnicamente consiste em examinar as informações, nele
contidas, ao descrever um mapa o catalogador deve estar habilitado de tal maneira que
permita aos usuários visualizá-los através de sua descrição. Estas considerações situam a
importância do material dentro de uma rede de informações e chama a atenção no sentido
de que não basta o conhecimento exclusivamente de processos técnicos de cartografia e
classificação, mas a necessidade de uma base cultural no campo em que o profissional vai
atuar.

Ao se organizar uma acervo de mapas deve-se levar em consideração: a sua finalidade,
tipo de acervo, processos técnicos a serem utilizados, forma de recuperação,

�sinalização/divulgação que implica em métodos que permitam a recuperação deste material
com rapidez e eficácia.

Constatou-se que a padronização dos nomes geográficos, para indexação do material,
apresenta uma certa dificuldade, pois, não existe no Brasil um organismo legalmente
responsável pela coleção e classificação dos nomes geográficos. A Fundação IBGE supre
essa carência em função da demanda interna de informações dessa natureza nas atividades
estatísticas, geográficas e cartográficas. A Divisão de Bibliotecas do IBGE foi eleita como
responsável pela normalização de nomes geográficos brasileiros e estrangeiros
incorporados à Base de Dados Bibliográficos da Rede BIBLIODATA, coordenada pela
Fundação Getúlio Vargas - FGV. (MAUROUN, 1996).

2 BREVE HISTÓRICO SOBRE A CARTOGRAFIA

Os homens sempre procuraram conservar a memória dos lugares e dos caminhos úteis às
suas ocupações. Aprenderam a gravar os seus detalhes em placas de argila, madeira ou
metal, ou a desenhá-los em papiros e pergaminhos. Assim, apareceram no Egito, na
Assíria, na Fenícia e na China os primeiros esboços cartográficos.
Conforme definição adotada pela Associação Cartográfica Internacional3 a cartografia
compreende:
o conjunto dos estudos e das operações científicas, artísticas e
técnicas que intervêm a partir dos resultados de observações
diretas ou da exploração de uma documentação, em vista da
elaboração e do estabelecimento de mapas, planos e outros modos
de expressão, assim como de sua utilização.
"Mapas" e "Cartas" não apresentam uma diferença rígida , podendo-se usar tanto uma
quanto a outra nomenclatura.
pode-se chamar de mapa a carta geográfica em escala pequena,
cobrindo um território mais ou menos extenso, representando a
superfície da terra nos seus aspectos físicos e culturais e que se
destina a fins culturais ou ilustrativos, não tendo portanto caráter
científico. A " carta" é a representação dos aspectos naturais ou
artificiais da terra, similar ao "mapa", mas de caráter
3
Associação Cartográfica Internacional, Comissão para a Formação de Cartógrafos: Reunião na UNESCO,
abr.1966.

�especializado, constituída com uma finalidade específica, e
geralmente em escala grande". (PEROTA,1191, p.77, grifo do
autor).
O mapa descreve uma porção do espaço geográfico com suas características qualitativas
e/ou quantitativas. Não é apenas uma simples ilustração, é também um meio de armazenar
e de tratar uma documentação espacial.
Pode-se perceber a dificuldade de muitos em interpretar um mapa, nunca se aprende a ler
um mapa como se aprende a ler os livros, para quem não está habituado é necessário
buscar alguns conhecimentos sobre geografia e geomorfologia para uma boa análise do
material.

De acordo com o tipo de usuário para o qual foram elaborados, os mapas podem ser gerais,
especiais e temáticos.
Mapas gerais: atende um grande número de usuários, geralmente são mapas de orientação
ou informações generalizadas, mas insuficientes para muitas e determinadas necessidades.
Mapas especiais: ao contrário dos mapas gerais, são destinadas para um grupo específico
de usuários, uma faixa técnica/científica, está voltado quase sempre a fatos, dados ou
fenômenos específicos, tendo que se fixar nos objetivos do assunto ou atividade a que está
ligado, não sendo útil para outras áreas.
Mapas temáticos: são aqueles mapas representados através de um fundo geográfico básico,
em quaisquer escalas, visando o estudo, análise e à pesquisa. Representam os fenômenos
geográficos, demográficos, econômicos, etc.

Os produtos cartográficos devem atender à função de veículo de comunicação, tendo como
objetivo tentar promover de forma clara a interpretação dos dados.
3 DIAGNÓSTICO DA SITUAÇÃO INICIAL DO ACERVO DE MAPAS NA UFMG

Fez-se um levantamento em todas as Unidades da UFMG, com objetivo de analisar e
diagnosticar o acervo de material cartográfico com vistas à catalogação e inclusão dos
dados bibliográficos na base de dados do Sistema de Bibliotecas da UFMG. Os seguintes
aspectos foram observados em duas bibliotecas que possuem número significativo de
mapas: Biblioteca do IGC e Arquitetura.

�Quantidade de material: A Biblioteca do Instituto de Geociências- IGC possui em torno
de 4.500 mapas a serem catalogados e a Biblioteca da Escola de Arquitetura com 2.750.

Espaço Físico: deficiências espaciais para o acondicionamento e tratamento técnico,
pouca perspectivas de futuras expansões de espaço destinados a este material nas unidades.

Mobiliário: mapotecas de gavetas horizontais (Arquitetura) e verticais (IGC), com número
excessivo de mapas.
Organização das mapotecas: os mapas são organizados por ordem alfabética de título nas
mapotecas. Em cada mapa constam as seguintes informações: identificação da mapoteca,
título, tipo de mapa, escala, número do exemplar e data.

4 OBJETIVOS

4.1 OBJETIVO GERAL

Catalogar os mapas do acervo da UFMG.

4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

•

Facilitar a recuperação da informação, através do sistema automatizado.

•

Disponibilizar o material catalogado para cooperação entre Instituições.

5 METODOLOGIA

Devido a ausência de uma padronização com relação às informações, apresentação e
formato dos materiais cartográficos, o grupo pesquisou e estudou algumas fontes com o
objetivo de definir a entrada de dados e ainda prever o melhor acondicionamento destes
materiais visando sua preservação. Também foram consultados alguns especialistas do
Instituto de Geociências e segundo eles alguns campos, ou subcampos MARC não seriam
utilizados na entrada de dados dos mapas. Com base nos estudos dos campos MARC e os

�capítulos do AACR2 referentes a entradas principais e adicionais(21-26) e ainda o capítulo
3 que prevê a catalogação de materiais cartográficos, foi elaborado o Manual de
catalogação para material cartográfico: versão preliminar. Após este processo, foram
escolhidos mapas de diferentes tipos para que esta diversidade fosse trabalhada como
amostragem.
Dentro das metodologias adotadas pela equipe de tratamento da informação, citamos o uso
do CATCD da Online Computer Library Center - OCLC (CD-ROOM de catalogação),
mas para material cartográfico não existe esta fonte. A possibilidade seria a conversão
retrospectiva através do World Cat da OCLC. Foram realizados contatos com as
bibliotecas do Rio Grande do Sul, IGC/USP e pesquisas na Internet na LC e no site
Bibliotecas Virtuais Mapas e Atlas.

Os campos de busca definidos para recuperação do material foram: número da folha,
número da zona, número da quadrícula, área geográfica, tipo de mapa, coordenadas
(latitude e longitude), escala.

6 TRATAMENTO TÉCNICO DE MAPAS UTILIZANDO O SOFTWARE VTLS

A fim de que haja um efetivo conhecimento do trabalho realizado no tratamento técnico
sobre o assunto, relacionamos abaixo planilhas com

detalhes dos campos que são

utilizados. A FIG. 1, apresenta um registro bibliográfico MARC com campos específicos e
delimitadores, conforme planilha de entrada de dados definidas pelo grupo de estudo.
A FIG.2 , apresenta os campos fixos, seguido das especificações sobre seu preenchimento.
A FIG.3, pode-se observar a planilha do EasyCat (editor de catalogação do VTLS) com
campos variáveis. Na FIG. 4, mostra os campos correspondentes às FIG 1 e 3 com o
significado de cada campo dentro da planilha.

A atribuição de cabeçalhos de assuntos através do campo MARC 651 segue a Base de
Dados Assuntos (Autoridades) da Rede Bibliodata como fonte primária de pesquisa e
LCSH da Library of Congress.

�As classificações4 mais utilizadas são: Classificação Decimal de Dewey (CDD),
Classificação Decimal Universal (CDU), Classificação da Biblioteca do Congresso (LC),
Classificação de Boggs &amp; Lewis. No caso da Biblioteca do IGC e da Arquitetura, ambas
não utilizam nenhum sistema de classificação e sim um número identificador da mapoteca
- campo 090 da planilha, assim os mapas são identificados pelas mapotecas e dentro delas
organizados pela ordem alfabética.

Figura 1 - Tela referente aos campos fixos e variáveis do regitro bibliográfico Marc.

4

Cf. PEROTA, 1991, p.101-104 e BASTOS, 1978, p.62-87.

�FONTE - Base de dados da UFMG - Licença Easy Pac, 2002.

�Figura 2 - Retirada da Base de dados/UFMG

FONTE - Especificações dos campos fixos de mapas - 008
Local Lvl: Fonte de registro
Analyzed: Não utilizar, deixar em branco
Operator: Código do Operador com 2 dígitos
Edit: Não utilizar deixar em branco
RegG: Tipo de material cartográfico
Rec Stat: Status do registro
Lang: Idioma
CNTL: Número de controle (automático)
Desc: Forma de catalogação descritiva
Govt Pub: Publicação governamental
Ctry: Local de Publicação
Entrd: Data de entrada na base
Enc. Lvl: Nível de codificação
Form: Características especiais de formato
Mod rec: Modificação do registro
Used: Data da última transação
Source: Fonte de catalogação
Relief: Relevo
Dat tp: Tipo de data
Base: Projeção
Indx: Indice
Archive: Tipo de controle
Dates: 1a data e 2a data

�Figura 3 - Tela referente aos campos variáveis do registro bibliográfico MARC

FONTE - Base de dados da UFMG - Licença Easy Cat, 2002.

�Figura 4 – Especificações de cada campo variável.
FONTE: Base de dados da UFMG, especificações retiradas do manual de
catalogação/UFMG.

7 PRODUTOS GERADOS

-

Documento: Acervo de mapas da Biblioteca do Instituo de Geociênciasda UFMG:
diagnóstico preliminar.

-

Glossário cartográfico.

-

Manual de catalogação para material cartográfico: versão preliminar.

�8 RESULTADOS

O estudo revelou a importância de um trabalho de visão ampla e realizado em equipe. A
participação de especialistas do IGC, bibliotecários e funcionários, foi essencial para o
desenvolvimento do processo.

A utilização de sistemas automatizados, o uso de padrões no tratamento técnico de
materiais está permitindo o intercâmbio de informações catalogadas entre bibliotecas,
evitando à duplicação de esforços na entrada de dados e gerando economia de trabalho.

A comunidade de geólogos, cartógrafos, arquitetos e outros que antes tinham acesso as
informações referentes aos mapas por catálogo impresso, começaram a acessar parte dos
documentos via base de dados. Este fato não só agilizou a busca, como também contribuiu
para divulgação do acervo da Biblioteca do IGC e da Arquitetura, o que aumentou
consideravelmente o índice de utilização dos mapas.

A entrada deste material na base da dados, está se processando de forma gradual e os
resultados obtidos já permitem a recuperação de parte deste acervo. As dúvidas vão
surgindo à medida que mapas mais complexos aparecem, sendo discutidas em grupo até
chegar a um consenso.

A criação de um banco de imagens referente ao material cartográfico é projeto posterior,
que dará maior transparência ao acervo cartográfico da UFMG.

�9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BASTOS, Zenóbia P. S. de Moraes. Organização de mapotecas. Rio de Janeiro: BNG,
1978.
CABRAL, Aline de Miranda. Tratamento de material cartográfico. Recife: Associação
Pernambucana de Bibliotecários, 1963.
FORMATOS e sua evolução: formatos no exterior e formatos brasileiros. [ S.n.t.].
Mimeografado.
JOLY, Fernando. A cartografia. Campinas: Papirus, 1990.
MAUROUN, Maria Célia Bou; NEVES, Maria de Lourdes Therezinha Pacheco. Nomes
geográficos: normas para indexação. Rio de Janeiro: IBGE, 1996.
MOURA, Ana Clara Mourão. Cartografia II. Belo Horizonte: IGC/UFMG, 1997.
(Apostila de curso).
OLIVEIRA, Cêurio de. Curso de cartografia moderna. 2 ed. Rio de Janeiro: IBGE, 1993.
OLIVEIRA, Cêurio de. Dicionário cartográfico. 4 ed. Rio de Janeiro: IBGE, 1993.
PEROTA, Maria Luiza Loures Pacheco Rocha (Org.). Multimeios: seleção, processamento,
armazenagem, empréstimo. Vitória: Fundação Ceciliano Abel de Almeida, 1991.
RIBEIRO, Antônia Motta de Castro Memória. AACR2: Anglo american cataloguing rules,
2nd edition: descrição e pontos de acesso. 2.ed. Brasília: Ed. do autor, 2001.
TACQUES, Maria de Nazareth Montojos (Org.). Manual de entrada de dados em formato
MARC. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional/Dept. de Processos Técnicos, 1997.
RAISZ, Erwin Josephus. Cartografia general. Barcelona: Gustavo Gili, 1953.

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