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                  <text>1

MODELO DE GESTÃO: proposta para o SIBi/USP *
Teresinha das Graças Coletta1
Márcia Elisa Garcia de Grandi2
Adriana Cybele Ferrari3
Ivone Robles4
Maria do Socorro Bezerra Rocha 5

1 Introdução
Os conceitos de gestão das organizações modernas vêm passando por profundas revisões
impulsionadas pelas mudanças dos ambientes interno e externo. Dentre estas mudanças,
destaca-se o fenômeno da globalização, que vem imprimindo novas relações de trabalho e
de poder e definindo novos paradigmas nos planos social, econômico e político.
O domínio das tecnologias de informação em todas as esferas de atividades humanas vem
impactando,

igualmente,

as

estruturas

organizacionais

e

práticas

de

gerenciamento.

Conceitos como qualidade total, foco no cliente, reengenharia e gestão do conhecimento
incorporam-se ao cotidiano das empresas, subsidiando estratégias adotadas para

um

melhor posicionamento frente a um ambiente altamente competitivo.
As turbulências presentes nesse cenário estão afetando com a mesma intensidade as
bibliotecas e os serviços de informação de maneira geral. Tendo como insumo básico a

*Artigo baseado em trabalho apresentado ao Programa de Inovação Científica e
Tecnológica nos Serviços de Informação, FIA/SIBi/USP, 2001.
1
Diretora Técnica do Serviço de Biblioteca da Escola de Engenharia de São Carlos –
Universidade de São Paulo - coletta@sc.usp.br
2
Diretora Técnica do Serviço de Biblioteca e Documentação da Faculdade de Filosofia
Letras e Ciências Humanas - Universidade de São Paulo - megrandi@usp.br
3
Diretora Técnica do Departamento Técnico do Sistema Integrado de Bibliotecas da
Universidade de São Paulo - aferrari@usp.br
4
Supervisora Técnica do Serviço de Biblioteca e Documentação da Faculdade de
Economia, Administração e Contabilidade - Universidade de São Paulo - ivrobles@usp.br
5
Diretora Técnica do Serviço de Biblioteca do e Documentação do Instituto de Ciências
Biomédicas - Universidade de São Paulo - mariasoc@usp.br
Endereço: SIBi/USP – Av. Prof. Luciano Gualberto, trav. J, n. 374 – 1º andar – Cidade
Universitária – 05508-900 São Paulo – SP - Brasil

�2

informação, as bibliotecas vêm passando por mudanças expressivas com a introdução das
novas tecnologias, envolvendo todos os

processos, atividades, fluxos de trabalho e práticas

administrativas.
Inserido neste contexto, encontra-se o Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de
São Paulo (SIBi/USP) que, nos últimos anos, vem apresentando, igualmente, alterações
significativas em sua dinâmica de trabalho, tendo em vista a necessidade de adequação aos
novos paradigmas e o cumprimento de seus objetivos. O SIBi/USP foi instituído pela
Resolução n. 2226, de 08.07.1981, com o objetivo "criar condições para o funcionamento
sistêmico das bibliotecas da Universidade a fim de oferecer suporte ao desenvolvimento
das atividades de ensino, de pesquisa e de extensão”. Atualmente, é composto por 39
bibliotecas,

administrativamente

tecnicamente coordenadas pelo

ligadas

às

respectivas

Unidades

Universitárias

e

Departamento Técnico. Além das Bibliotecas e do

Departamento Técnico, o Sistema dispõe de um Conselho Supervisor, formado por
docentes e bibliotecários da USP.

O SIBi/USP é o maior sistema de bibliotecas universitárias do país, perfazendo um total de
63.000 m2 de área construída, 740 funcionários, 180 monitores, 4.500.000 itens de acervo,
21.000

coleções

de

periódicos,

89.000

usuários

inscritos,

5.400.000

documentos

consultados e/ou emprestados, 85.000 pedidos de comutação atendidos e 11h diárias em
média de funcionamento (UNIVERSIDADE..., 2001).
Diante das mudanças pelas quais o Sistema vem passando desde a sua criação, evidenciase a importância de análise e revisão das práticas de gestão para o aprimoramento contínuo
dos

produtos

e

serviços

oferecidos

e,

conseqüentemente,

o

melhor

desempenho

organizacional.

2 Justificativa
A proposta de um Modelo de Gestão para o SIBi/USP justifica-se

pela necessidade de

adequação da estrutura organizacional e das práticas de gerenciamento aos novos
paradigmas que permeiam as organizações modernas.

�3

Complementarmente, é vital a implementação de métodos de comunicação interna
eficientes, que permitam maior agilidade do fluxo de informação entre todos os
componentes do Sistema. Isto deve propiciar um ambiente de integração efetiva, onde
sejam estimulados a participação e o comprometimento de todos os integrantes com os
processos de mudança e de melhoria.
A revisão das práticas de gestão do SIBi/USP faz-se também necessária tendo em vista a
prestação de serviços de qualidade à comunidade interna e externa (clientes), consolidando
a tendência de adoção de estratégias voltadas para o compromisso com o cliente e com o
cumprimento de sua responsabilidade social, em se tratando de um serviço de informação
inserido no contexto de uma universidade pública.

3 Objetivo
Propor um Modelo de Gestão do SIBi/USP que sirva de referencial para balizar as
atividades realizadas por todo o Sistema visando modernizá-lo, atendendo aos novos
requisitos da sociedade e da USP em particular, e incorporando as tendências do
gerenciamento de informações em ambientes universitários.

4 Metodologia
A metodologia adotada constou dos seguintes procedimentos: a) revisão da literatura; b)
contextualização do Sistema a partir da análise da documentação oficial (relatórios,
regulamentos, regimentos, organogramas); c) observação e reflexão do Sistema enquanto
profissionais nele atuantes; d) proposição do Modelo de Gestão e seus elementos (missão,
visão, premissas, processos, arquitetura organizacional, indicadores).
5 Referencial Te órico
As organizações vêm sendo marcadas por profundas transformações advindas da
introdução de novas tecnologias em todos os setores produtivos. Segundo Santos &amp; Paim
(2000), estas transformações incidiram sobre a estrutura organizacional e romperam com
modelos tradicionais de processos de trabalho. As diferentes atividades de controle
deixaram de ser o centro do processo organizacional, cedendo espaço para a flexibilidade,
ao mesmo tempo em que a alta incorporação tecnológica expandiu-se da área de produção
para todas as outras atividades.

�4

As novas estruturas organizacionais passaram a apresentar um baixo nível de formalização,
formas avançadas de departamentalização, multiplicidade de comando, diversificação
elevada e comunicação horizontal e diagonal (VASCONCELLOS &amp; HEMSLEY, 1986).
Predominam nas estruturas a flexibilidade, a delegação e descentralização de decisão, onde
o alinhamento vertical é substituído por arranjos que podem ir além de uma estrutura
piramidal invertida, dando lugar para o compartilhamento de informações, trabalho em
equipe e sinergia (RODRIGUES Y RODRIGUES, 2001).

Sintetizando os desafios e as características das organizações modernas e voltadas para o
futuro, Matos &amp; Chiavenato (1999) e Nascimento et al. (2000), apontam para: a)
incorporação de práticas de administração estratégica, priorizando o benchmarking em
nível mundial; b) investimento no capital humano, incentivando o comprometimento das
pessoas com a organização e privilegiando o trabalho em equipe; c) satisfação das
necessidades e aspirações da clientela como indicador; d) agregação de valor aos produtos
e serviços por meio da qualidade; e) expansão da capacidade de processamento da
informação de modo a transformar o capital intelectual em oportunidades; f) foco nos
resultados e visão de futuro; g) provisão e estímulo a um ambiente de transformação.
O funcionamento adequado de uma organização implica na existência de um modelo de
gestão definido, o qual deve ser explícito e claro para todos. O objetivo do modelo de
gestão “é apresentar, de forma estruturada e organizada, como ocorre a integração entre os
seus sistemas, com a sua estrutura organizacional e cultura” (RODRIGUEZ Y
RODRIGUEZ, 2001, p.172). Assim o modelo de gestão pode ser definido como “o corpo
de conhecimento, compreendido como o conjunto de princípios, técnicas e explicações,
que orientam a concepção e o modo de funcionamento de todos os elementos constituintes
de uma organização” (PEREIRA &amp; SANTOS, 2001, p.47). Tachizawa (1999) apresenta o
modelo de gestão como uma abstração da realidade, estabelecido com a finalidade de
mostrar a integração de instrumentos e técnicas como suporte ao gerenciamento de uma
organização. Para Ramos (1996), a gestão de unidades de informação compreende a
definição da estrutura interna, dos processos de produção e dos produtos pretendidos;
montagem das equipes, divisão de poder com atribuição de responsabilidades e tarefas,
obtenção de recursos físicos e humanos.

�5

Na conceituação de modelo de gestão, devem ser considerados os seus elementos básicos,
aqui sintetizados a partir dos enfoques adotados por Rodriguez y Rodriguez (2001) e
Pereira

&amp;

Santos

(2001):

a)

pessoas

-

crenças, valores, atitudes, padrões de

comportamento, normas; b) organização - tarefas, estrutura, processos, sistemas formais de
fluxo de informações; c) tecnologia; d) insumos tangíveis e não-tangíveis; e) estratégia missão, visão, negócios, objetivos, políticas, forma de atuação (levando em conta o
mercado e o ambiente sócio-econômico e político externo).

Os novos modelos de gestão introduziram alguns conceitos e práticas tendo em vista as
mudanças nos ambientes interno e externo das organizações, destacando-se entre eles a
gestão estratégica, a gestão por processos e a gestão do conhecimento.

Surgida

na década de 90, a administração estratégica não constitui apenas uma

metodologia, mas uma forma de “gerenciar um negócio, visando a garantir sua viabilidade
e continuidade sustentada no futuro através da flexibilidade para se ajustar às mudanças na
arena competitiva”. Compreende: análise dos ambientes externo e interno, definição de
missão e objetivos gerais, formulação de estratégias, desenvolvimento do controle
estratégico (ANGELO &amp; ARMOND, 2001).

A gestão por processos é uma estratégia que vem sendo adotada nas empresas como
contraponto à organização por tarefas e funções, onde prevalecem as estruturas
hierárquicas, verticais e rígidas. Parte-se do princípio que o processo é a forma natural de
organização do trabalho, levando a uma percepção diferente da organização como um todo
(MOLINA MOLINA et al, 1999).
O conceito de processo é apresentado como “um conjunto de atividades estruturadas e
medidas que resultam em produto específico para determinado cliente ou mercado, [...]
com ênfase na maneira como o trabalho é feito, em contraste com a ênfase exclusivamente
posta no produto em si” (SANTOS &amp; PAIM, 2000, p.14). Expandindo o conceito,
Gonçalves (2000, p.19) refere-se ao processo como “um grupo de atividades realizadas
numa seqüência lógica com o objetivo de produzir um bem ou serviço que tem valor para
um grupo específico de clientes”. Acrescenta que “os inputs podem ser materiais,
equipamentos
conhecimento”.

e

outros

bens

tangíveis,

mas

também

podem

ser

informações

e

�6

Os processos podem ser categorizados ou subdivididos de acordo com diferentes
abordagens.

Tachizawa

(1999)

estabelece

uma

divisão

em

processos

produtivos,

compreendidos por aqueles que geram produtos aos clientes, e processos de apoio,
subentendendo-se aqui os processos que oferecem suporte aos processos produtivos. Outra
classificação estabelece cinco grupos de processos: processos de iniciação, processos de
planejamento, processos de execução, processos de controle e processos de encerramento
(PROJECT..., 2000).

Ao identificar os processos em unidades de informação, Molina

Molina et al. (1999) estabelecem diferentes níveis hierárquicos compreendidos por: macroprocessos, processos (primários e de apoio), sub-processos e atividades.
A organização da empresa por processos pressupõe a adoção do foco no cliente, que
implica na compreensão e atendimento de suas necessidades e expectativas. Assim, o
objetivo final das empresas é “oferecer para o cliente mais valor, de forma rápida e a um
custo mais baixo” (GONÇALVES, 2000, p.10).

Para contemplar a responsividade ao cliente, Spector (1998) afirma que a organização
precisa incorporar o conceito de horizontalização de modo a estabelecer uma “rede
contínua e interconectada de atividades”. A horizontalização prevê que a organização
refocalize o valor definido pelo cliente, criando e mantendo o trabalho em equipes
transorganizacionais, capacitadas, responsivas e com poder de decisão. Pressupõe,
também, a implementação de práticas contínuas de diagnóstico e melhoria do desempenho.

Em relato sobre a definição de novo modelo de gestão em um serviço de informação,
Andrade et al. (1998) descreve um plano de ação voltado a valorização dos recursos
humanos e adoção de gestão participativa, com a transformação de setores funcionais em
equipes de processos. Figuram entre as premissas do modelo adotado o foco no cliente,
adequação permanente da tecnologia de informação e um sistema de acompanhamento do
desempenho organizacional.

A partir dos processos da organização pode-se definir os indicadores, que são as medidas
destes processos e que podem ser classificados em indicadores de resultados, indicadores
críticos e indicadores de desempenho (RODRIGUEZ Y RODRIGUEZ, 2001). Um

�7

indicador pode ser definido como a expressão numérica, simbólica ou verbal usada para
caracterizar atividades (eventos, objetos, pessoas), em termos quantitativos e qualitativos,
com o objetivo de mensurar o valor dessas atividades e os métodos associados
(INTERNATIONAL..., 1998).
A definição de indicadores deve estar associada às estratégias e metas da organização,
visando o monitoramento contínuo do desempenho organizacional. Recomenda-se o
estabelecimento de um número limitado de indicadores, alinhados com a visão da
organização, para permitir um acompanhamento por parte dos gestores. É necessário,
também, que uma definição clara da metodologia de coleta e cálculo seja divulgada a todos
os elementos envolvidos (RODRIGUES Y RODRIGUES, 2001).
A noção de gestão de conhecimento refere-se a uma metodologia que se propõe a dirigir e
controlar o conjunto de processos produtivos que utilizam informação ou conhecimento
como fator fundamental para gerar valor nas organizações (TARDÓN, 1999). Ampliando o
conceito, pode-se considerar a gestão do conhecimento como uma estrutura integrada para
“identificar, capturar, gerenciar e compartilhar o acervo de conhecimento da organização,
dando suporte às operações e aos negócios da corporação” (BARRETO, 2000).
A gestão do conhecimento apresenta-se como uma tendência nas organizações modernas,
que passam a estabelecer seu diferencial competitivo a partir de valores intangíveis, com o
suporte predominante de profissionais do conhecimento (RODRIGUEZ Y RODRIGUEZ,
2001). Para a sua implementação efetiva, deve-se monitorar e gerenciar quatro capitais: o
ambiental, o estrutural, o intelectual e o de relacionamento (CAVALCANTI &amp; GOMES &amp;
PEREIRA, 2001).
A organização orientada ao conhecimento deve dirigir seus esforços no sentido de
estabelecer um ambiente de sinergia que propicie o desenvolvimento de talentos, a
implementação de uma cultura voltada para o conhecimento e a criação de infra-estrutura
tecnológica que viabilize a criação e desenvolvimento do conhecimento (RODRIGUEZ Y
RODRIGUEZ, 2001). Desta forma, pode-se afirmar que a gestão do conhecimento agregase ao modelo de gestão de uma organização, constituindo-se em um mecanismo eficaz de
transformação

contínua.

Este

mecanismo

pode

conduzir

à

consolidação

de

uma

organização mutante, com baixo nível de stress, uma vez que as pessoas são estimuladas a

�8

desenvolverem a prontidão e a naturalidade para mudanças (PEREIRA &amp; SANTOS,
2001).

6 Proposição do Modelo de Gestão e seus elementos
Dentre as diversas definições sobre modelo de gestão localizadas na literatura consultada,
adotou-se a postulada por Rodriguez y Rodrigues (2001, p.172), que entende o modelo de
gestão como a
“apresentação de forma estruturada e organizada de como ocorre a integração entre
os seus sistemas internos, formais e informais, que fazem com que seja assegurado
o atendimento às estratégias de negócio suportadas pelas pessoas dentro de uma
Organização formal de poder e sistemas”.

6.1 Missão do SIBi/USP
Segundo Rodriguez y Rodriguez (2001, p.177), “a

missão deve expressar a razão da

existência da sua organização”. Assim, é necessário que a declaração da missão descreva
de forma clara e concisa o negócio da organização, as necessidades básicas a que se propõe
atender, os seus clientes, competências, valores e contribuição social (MATOS &amp;
CHIAVENATO, 1999).

A partir dessas diretrizes procedeu-se uma análise da declaração vigente de missão do
SIBi/USP, disponível em sua homepage (www.usp.br/sibi ), assim como do objetivo inicial
da sua criação, delineando-se um novo texto:
Promover o acesso e incentivar o uso e a geração da informação para contribuir
com o desenvolvimento das atividades do ensino, pesquisa e extensão.

6.2 Visão do SIBi/USP
Para definição da visão é necessário uma abstração dos paradigmas e competências atuais
para idealizar o futuro da organização (RODRIGUEZ Y RODRIGUEZ, 2001). A visão
tem um caráter missionário e visionário, mais voltada para aquilo que a organização aspira
ser do que realmente é (MATOS &amp; CHIAVENATO, 1999). Adotando-se estas premissas e
o mesmo procedimento referente à definição de missão, propõe-se um novo texto para
expressar a visão do Sistema, tendo em vista as suas potencialidades atuais e futuros
cenários:

�9

Ser um modelo de excelência em sistemas de bibliotecas universitárias.

6.3 Premissas e bases do modelo de gestão
O modelo de gestão deve pautar-se em: a) orientação por processos e projetos; b) adoção
do conceito de horizontalização; c) foco no valor definido pelo cliente; d) foco no
estabelecimento

de

parcerias;

e)

formação

e

desenvolvimento

de

equipes

transorganizacionais; f) implementação de processo de comunicação eficaz; g) criação de
condições de flexibilidade e adaptação; h) promoção de programa de aprendizagem
contínua; i) utilização plena do potencial de tecnologia da informação; j) integração efetiva
dos componentes do Sistema; k) promoção do comprometimento de todos os elementos do
Sistema com o processo de transformação e com os resultados; l) desenvolvimento de
cultura voltada para inovação e produtividade; m) implementação de mecanismos de
avaliação contínua de desempenho; n) instituição de mecanismos de melhoria contínua; o)
identificação da marca do Sistema com a devida preservação das particularidades.

6.4 Definição dos processos do SIBi/USP
A definição dos processos de trabalho é uma tendência detectada na literatura sobre gestão
de

organizações

contemporâneas,

contrapondo-se

à

visão

tradicional

marcada

pela

descrição de funções ou linhas de especialização.

Para definição dos processos do SIBi/USP, procedeu-se, inicialmente, um levantamento e
análise das atividades desenvolvidas em âmbito sistêmico, tendo como base documentos
oficiais, destacando-se o estudo realizado por Pasquarelli &amp; Krzyzanowski (1988), sobre a
estrutura

organizacional

das

bibliotecas

da

USP,

suas

atividades,

atribuições

e

responsabilidades.

A metodologia adotada para definição dos macro-processos, processos, sub-processos e
atividades do Sistema teve como base a categorização estabelecida por Molina Molina et
al.(1999) e o roteiro proposto pela APCA (1995).

�10

6.4.1 Macro -visão dos processos do SIBi/USP

MACRO PROCESSOS OPERACIONAIS

MACRO PROCESSOS
ESTRATÉGICOS

1 Planejamento Estratégico
1.1. Análise ambiental
1.2. Definição da filosofia de atuação e a reavaliação do modelo de gestão
1.3. Formulação das estratégias antecedida da análise dos resultados do último planejamento
estratégico
1.4. Desenvo lvimento de mecanismos de controle e avaliação
2 Marketing de Produtos/Serviços
2.1. Análise de ambiente (mercado)
2.2. Definição do plano de marketing
2.3. Administração do plano de marketing
3 Gerenciamento de Práticas de Transformação
3.1. Avaliação de Desemp enho
3.2. Realização de benchmarking
3.3. Definição de Processos, Sistemas e Arquitetura Organizacional
3.4. Implementação de práticas de gestão do conhecimento
3.5. Identificação de oportunidades e definição de ações prioritárias
4 Gerenciamento de Infra-Estrutura
4.1. Gerenciamento dos recursos de tecnologia da informação
4.2. Manutenção predial e de material permanente
4.3. Apoio logístico
4.4. Preservação e conservação de acervo
5 Gerenciamento de Recursos Financeiros
5.1. Previsão orçamentária
5.2. Aplicação de verbas e controle de gastos
5.3. Captação de recursos externos
6 Gerenciamento de Recursos Humanos
6.1. Formação de equipe
6.2. Capacitação
6.3. Promoção da qualidade de vida no trabalho
7 Formação e Desenvolvimento de Acervo
7.1. Seleção de material bibliográfico
7.2. Avaliação de coleção
7.3. Aquisição de material bibliográfico
8 Tratamento da Informação
8.1. Estabelecimento de política para o tratamento da informação
8.2. Análise e processamento da informação
8.3. Adoção de mecanismos para intercâmbio de registros bibliográficos
9 Mediação do Acesso à Informação
9.1. Adoção de formas mais modernas de acesso aos recursos informacionais locais e remotos
9.2. Maximização do uso das fontes locais e remotas
9.3. Adoção de mecanismos para obtenção e intercâmbio de materiais bibliográficos

6.5 Proposição de nova arquitetura organizacional
Propõe-se algumas recomendações para a definição da nova arquitetura organizacional do
SIBi/USP: a) gerência por processos e projetos; b) diminuição dos níveis hierárquicos das
atuais estruturas, tendo em vista a

racionalização de recursos e administração dos

processos; c) adoção e implementação de funções matriciais balanceadas; d) revisão das
atribuições do Conselho Supervisor; e) Criação de um Comitê de Operações junto ao

�11

Departamento

Técnico,

transorganizacionais;

com

definir

a

atribuição

políticas

de

de:

coordenar

atuação,

e

estabelecer

acompanhamento,

equipes

avaliação

e

aprimoramento dos processos; identificar tendências e oportunidades para as diferentes
áreas do conhecimento; propor novos projetos. Na composição do Comitê está prevista a
participação do Diretor Técnico do SIBi/USP;
três

um Diretor de Biblioteca de cada uma das

áreas do conhecimento (Ciências Biológicas, Ciências Exatas e Ciências Humanas) e

um participante “ad hoc” convidado pelo Comitê.

6.6 Indicadores de desempenho
Para definição dos indicadores gerais de desempenho do SIBi/USP, utilizou-se as seguintes
fontes:

CARVALHO

ASSOCIATION...(2000)

(1981),
e

BOEKHORST

RODRIGUEZ

Y

(1995),

RODRIGUEZ

INTERNATIONAL...(1998),
(2001).

Os

indicadores

visualizados na planilha devem ser desdobrados, sugerindo-se a adoção de metodologias já

MACRO PROCESSOS
OPERACIONAIS

MACRO
PROCESSOS
ESTRATÉGICOS

consolidadas, como a da ISO, para os cálculos, acompanhamento e análise.
1 Planejamento Estratégico
. atualização constante das definições de missão e visão;
. cumprimento das metas estabelecidas
2 Marketing de Produtos/Serviços
. número de usuários dos produtos/serviços;
. visibilidade dos produtos/serviços;
. aumento do valor da imagem da organização
3 Gerenciamento de Práticas de Transformação
. adoção de práticas mais modernas;
. revisão contínua e adequação dos indicadores
4 Gerenciamento de Infra-Estrutura
. Nível de adequação de mo biliário;
. espaço físico inclusive áreas de estudo;
. rede de informática e o número de equipamentos disponíveis;
. instalações para portadores de deficiência;
. sinalização;
. segurança;
. controle de temperatura, umidade, ruído e iluminação
5 Gerenciamento de Recursos Financeiros
. Administração de acordo com os objetivos;
. Uso dos recursos com eficiência e eficácia
6 Gerenciamento de Recursos Humanos
. adequação do número e da qualificação pessoal;
. apoio financeiro para garantia da qualificação contínua;
. satisfação e comprometimento da equipe
7 Formação e Desenvolvimento de Acervo

�12

. uso da coleção;
. disponibilidade de títulos e exemplares;
. tempo médio de aquisição;
. número de licenças para o acesso eletrônico;
. critérios para seleção, aquisição e avaliação contínua;
. benchmarking
8 Tratamento da Informação
. custo médio da catalogação por título;
. tempo médio do processamento do documento;
. organização de catálogos de acordo com padronização internacional
9 Mediação do Acesso à Informação
. satisfação do cliente;
. rapidez e eficiência na provisão de EEB;
. tempo de acesso compatível com as necessidades dos clientes;
. promoção, manutenção e avaliação da qualidade dos produtos/serviços;
. facilidade de acesso ao documento local e remoto;
. oferecimento de oportunidades de educação formal e informal aos clientes

7 Considerações finais
Este trabalho trata da primeira etapa para a implantação de um Modelo de Gestão para o
SIBi/USP e, a partir de decisão sistêmica e com a devida aprovação das instâncias
competentes, recomenda-se a continuidade do trabalho, com a etapa de aplicação e análise
dos resultados.
A adoção do Modelo é um trabalho que deve envolver além do Sistema, a administração da
Universidade, de acordo com a característica do processo em discussão.
Fica clara a necessidade de mudanças na forma de gestão do Sistema, mas toda mudança se
faz a partir da conscientização das equipes, num processo longo e evolutivo. Assim, o
Sistema deve dar continuidade às suas atividades e, gradativamente, ir inserindo a gestão
por processos e demais conceitos e procedimentos preconizados nas premissas aqui
propostas.

Ao decidir pela implantação do Modelo de Gestão, destaca-se a necessidade imediata de
revisão e adequação das estruturas do Departamento Técnico e das Bibliotecas, atividades
inseridas no contexto do processo de práticas de transformação. Aliado a isso, considera-se
como ações prioritárias a implementação do processo de planejamento estratégico e a
qualificação profissional, inserida no contexto do processo de gerenciamento de recursos
humanos.

�13

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              <text>Este trabalho trata da primeira etapa para a implantação de um Modelo de Gestão para o SIBi/USP e, a partir de decisão sistêmica e com a devida aprovação das instâncias competentes, recomenda-se a continuidade do trabalho, com a etapa de aplicação e análise dos resultados.</text>
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