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UMA ESTRATÉGIA DE AVALIAÇÃO EM REPOSITÓRIOS DIGITAIS
CAMARGO, L. S. A.1
VIDOTTI, S. B. G.2

RESUMO
Repositórios digitais surgem como ambientes informacionais digitais para gerenciamento e controle da produção acadêmica e científica de instituições e/ou comunidades, oferecendo vantagens como acesso irrestrito, interoperabilidade dos dados e
preservação da informação a longo prazo. Entretanto, eles possuem lacunas como
falhas de navegação, baixa usabilidade e acessibilidade, buscas limitadas, pouca
divulgação do ambiente e pouca ou nenhuma utilização de serviços personalizáveis.
A partir desse contexto, apresenta-se uma estratégia para avaliar repositórios digitais, com o intuito de identificar recursos presentes, ausentes e utilizados de forma
insatisfatória visando apresentar informações relevantes para o aumento da utilização desses tipos de ambientes e para ampliação de recursos tecnológicos e informacionais. A avaliação apresenta resultados quantitativos relacionados à acessibilidade e usabilidade e qualitativos relacionados aos recursos oferecidos pelos repositórios digitais.
Palavras-chave: Arquitetura da informação. Repositório digital. Acessibilidade. Usabilidade.

ABSTRACT
Digital Repositories appear as digital information environments for management and
control of the scientific and academic production of institutions and/or community,
offering advantages such as: unrestricted access, data interoperability and long term
preservation. However, they have gaps as navigation flaws, low usability and accessibility, limited searches, little popularization of the environment and little or none use
of personalized services. From this context, it is shown an evaluation strategic for
digital repositories, with the intention of identifying present, absences and used in an
unsatisfactory way resources, aiming to show relevant information for increasing the
use of those environment types and for enlargement of technological and informational resources. The evaluation presents quantitative results related to the accessibility and usability and qualitative results related to the resources provided by digital
repositories.
Keywords: Information architecture. Digital repository. Accessibility. Usability.

�2

1 INTRODUÇÃO
A produção científica e acadêmica pode ser organizada e acessada na
web por meio de repositórios digitais, que são ambientes informacionais digitais que
permitem o gerenciamento de comunidades e coleções científicas. Sarmento et al.
(2005, p.3) definem repositórios digitais como “coleções digitais que armazenam,
preservam e tornam disponível a produção intelectual de uma ou mais universidades, sem qualquer custo para o produtor e consumidor da informação”. Duncan
(2003, p.2, tradução nossa) afirma que “o termo repositório é usado para enfatizar o
fato de que muitas pessoas podem contribuir com objetos de aprendizado para serem compartilhados com a comunidade”.
Os repositórios digitais oferecem visibilidade para instituição, interoperabilidade de dados, controle e armazenamento da produção científica, preservação da
informação a longo prazo, auto-arquivamento, acesso livre, minimização de custos
de publicação, entre outras vantagens. Entretanto, esses ambientes são recentes no
Brasil e ainda necessitam de estudos e análises para aperfeiçoamento, pois segundo uma análise realizada por Kim (2005) os repositórios digitais ainda precisam aprimorar suas funções e serviços.
Sendo assim, objetiva-se avaliar repositórios digitais a fim de identificar recursos que possam ampliar a utilização desses tipos de ambientes. A avaliação foi
elaborada em 3 fases: primeiramente foram identificados recursos específicos de
repositórios digitais como funções de auto-arquivamento, de criação de comunidades e coleções, de criação de políticas e de grupos de usuários. Depois foram identificados itens de acessibilidade e posterior a isso, foram identificados itens de usabilidade.
Os princípios de acessibilidade pretendem assegurar acesso às informações para todos os tipos de usuários, principalmente para os usuários que possuem
algum tipo de necessidade especial e os princípios de usabilidade objetivam tornar o
ambiente informacional mais usável.
Este artigo realizou uma análise em 5 repositórios que utilizam a plataforma Dspace, que é uma plataforma de acesso livre específica para o desenvolvimen-

�3

to de repositórios digitais. Os itens avaliados foram identificados a partir de levantamentos bibliográficos e análises em repositórios digitais.
Espera-se por meio da apresentação dos recursos identificados aumentar
a acessibilidade, a usabilidade e a utilização dos repositórios digitais.

2 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO
Neste artigo é realizada uma avaliação em um tipo de ambiente informacional digital conhecido como repositório digital, que podem ser de dois tipos segundo
Rodrigues (2005). O autor relata que os repositórios digitais podem ser disciplinares
e institucionais. Os disciplinares são sistemas abertos que arquivam os resultados
de investigação de uma ou várias disciplinas e também são conhecidos como repositórios temáticos. Os institucionais é a reunião dos repositórios disciplinares.
Complementar a essas definições, Café et al. (2003) relatam que um repositório institucional é a reunião de todos os repositórios temáticos hospedados em
uma organização. No caso de uma universidade, cada departamento trata de uma
área do conhecimento e, portanto, seu repositório temático será específico no assunto deste departamento. A união de todos os repositórios das diversas unidades de
pesquisa comporá o repositório institucional, caracterizando-o como multidisciplinar.
Todos os repositórios digitais analisados utilizam a plataforma DSpace,
que é amplamente utilizada por esses tipos de ambientes. O DSpace é um software
open source ou livre, podendo ser modificado, melhorado e distribuído livremente
sem ter que pagar nenhuma licença. Essa plataforma foi desenvolvida pela Massachusetts Institute of Technology (MIT) e a Hewlett-Packard (HP) e pode ser considerado como um sistema de repositório digital destinado a receber, preservar e redistribuir a produção intelectual de investigação de uma universidade em formatos digitais.
Podem-se citar alguns repositórios digitais encontrados atualmente na web
como RIDI – Repositório Institucional do Ibict (https://repositorio.ibict.br/ridi/), Diálogo
Científico (http://dici.ibict.br/archive/00000719/), ArXiv (http://arxiv.org/), SPARC –
The

Scholarly

Publishing

and

Academic

Resources

Coalition

�4

(http://www.arl.org/sparc/repositories/), E-LIS – E-prints in Library and Information
Science (http://eprints.rclis.org) e RepositoriUm – Repositório da Universidade do
Minho (http://www.uminho.pt/default.aspx).
Baseada nesses repositórios digitais, uma avaliação foi realizada a fim de
identificar quais recursos e serviços estão sendo utilizados, quais não estão atendendo as necessidades informacionais dos usuários de forma satisfatória e quais
estão ausentes no ambiente. Laguardia et al. (2007, p.516) relatam que
A avaliação pode ser definida como a aplicação sistemática de procedimentos metodológicos para determinar, a partir dos objetivos
propostos e com base em critérios internos e/ou externos, a relevância, a efetividade e o impacto de determinadas atividades com a finalidade de tomada de decisão.

Uma avaliação qualitativa foi realizada em alguns recursos específicos dos
repositórios digitais, analisando assim, informações e serviços disponibilizados, formas de auto-arquivamento e de criação de comunidades e coleções, manutenção do
repositório, atualização de informações, etc. E uma avaliação quantitativa foi realizada sobre os recursos de acessibilidade e usabilidade, considerando a quantidade de
recursos utilizados e princípios atendidos, bem como a atribuição de relevâncias para cada item. Para isso, foi atribuído peso 1 para os itens de baixa relevância, peso 2
para os itens de média relevância e peso 3 para os itens de alta relevância. Conforme a atribuição desses pesos, foram atribuídos alta relevância para os itens que interferem diretamente no acesso as informações e na utilização do ambiente; média
relevância para os itens que interferem apenas na utilização do ambiente; e baixa
relevância para os itens que não interferem diretamente no acesso as informações e
na utilização do ambiente. Os resultados dessa avaliação são apresentados na seção 4.
Para a avaliação dos repositórios digitais utilizou-se uma estratégia/método de avaliação, que de acordo com Santos (2000, p.3) “é um procedimento
para coleta de dados relevantes referentes à operação de uma interação homemcomputador”. Dentre os diversos métodos para avaliação de ambientes informacionais digitais pode-se encontrar a análise de tarefas, teste de usabilidade e avaliação
heurística. Os métodos de avaliação de usabilidade podem ser: ensaio de interação,
inspeção de recomendações ergonômicas (guidelines e checklists), questionários,

�5

relatos de incidentes críticos por usuários, análise de logs (WINCKLER E PIMENTA,
2002).
Dias (2003) também comenta sobre os métodos de avaliação de usabilidade, ressaltando os métodos de inspeção e os métodos de teste com usuários. Para a autora (2003, p.43) “os métodos de inspeção, também conhecido como método
analítico ou de prognóstico, caracterizam-se pela não participação direta dos usuários do sistema na avaliação”. Enquanto “os métodos de teste com usuários caracterizam-se, como o próprio nome sugere, pela participação direta dos usuários do sistema na avaliação”.
A avaliação realizada neste artigo não utilizou usuários, abrangendo assim
o método de inspeção, em específico a avaliação heurística, que “se destaca dentre
os demais métodos por ser de fácil aplicação e por requerer poucos recursos e um
pequeno número de pessoas envolvidas”. “A avaliação heurística é um método informal de inspeção de interfaces onde especialistas de usabilidade julgam cada elemento da interface com usuário, tendo como referência princípios heurísticos de
usabilidade comumente aceitos” (SANTOS, 2000, p.3).
Esse tipo de avaliação envolve um conjunto de diretrizes, recomendações,
critérios em uma lista de verificação para serem analisados nos ambientes informacionais digitais. Esse conjunto de informações foi elaborado por meio de uma estratégia, que é apresentada na próxima seção.

3 ESTRATÉGIA DE AVALIAÇÃO PARA REPOSITÓRIOS DIGITAIS
A estratégia de avaliação para repositórios digitais foi elaborada em três
fases. Na primeira fase foram realizadas análises em repositórios digitais identificando suas principais funções e características, as quais estão apresentadas no Quadro
1.

�6

Tópicos:
1 – Serviços oferecidos

2 – Criação de comunidades e coleções
3 – Auto-arquivamento
4 – Recuperação de informação

5 – Políticas Internas
6 - Parcerias e colaborações com outros membros e aplicações web
7 – Informações sobre o
capital ambiental
8 – Informações sobre o
capital estrutural
9 – Informações sobre o
capital intelectual
10 – Informações sobre o
capital de relacionamento
11 – Experiências de
outras aplicações ou de
outros usuários
12 – Disseminação da
informação

13 – Divulgação e incentivo à utilização da ferramenta
14 – Manutenção e atualização do repositório
institucional digital

Critérios
1.1 – Identificação de serviço de lista de discussão.
1.2 – Identificação de índices, resumos e catálogos.
1.3 – Identificação de serviço de tradução.
1.4 – Identificação de serviço de coleta de dados dos usuários.
1.5 – Identificação de serviço de personalização.
1.6 – Identificação de serviço específico para usuários com necessidades especiais.
2.1 – Verificação da facilidade de utilização do recurso que possibilita a criação de comunidades e coleções.
2.2 – Verificar da coerência da categoria da comunidade e da coleção em relação aos trabalhos submetidos.
3.1 – Identificação da facilidade de utilização da ferramenta de auto-arquivamento.
4.1 – Identificação de ferramenta de busca.
4.2 – Verificação da facilidade de utilização das ferramentas de busca.
4.3 – Identificação e verificação das estratégias de busca de informações
4.4 – Identificação de refinamento ou filtragem de dados obtidos na busca.
4.5 – Verificação das formas de resultados da busca.
4.6 – Verificação da precisão da busca.
5.1 – Verificação da política de acesso.
5.2 – Verificação da política de auto-arquivamento.
5.3 – Verificação da política de tipos e formatos de documentos.
6.1 – Incentivo às parcerias.
6.2 – Incentivo ao trabalho em equipe.
7.1 – Descrição das atividades, funções e objetivos do repositório a instituição.
8.1 – Descrição dos conceitos, modelos, rotinas, marcas, patentes e programas de computador, necessários para fazer a instituição e o repositório funcionar.
9.1 – Identificação da capacidade, da habilidade e da experiência dos utilizadores para
publicação ou administração do repositório.
10.1 – Incentivo em alianças com os utilizadores para ampliar sua presença no mercado.
11.1 – Verificação das atividades de documentar e reutilizar informações resultantes de
experiências, erros, acertos e melhores práticas a fim de aperfeiçoar a eficiência operacional.
12.1 – Verificação de aplicativo de envio de mensagens sobre os trabalhos submetidos.
12.3 – Identificação de parcerias com outras aplicações web.
12.4 – Utilização de protocolos de interoperabilidade.
12.5 – Utilização de metadados.
12.6 – Utilização de linguagem coerente para o público-alvo determinado.
12.7 – Facilidade no acesso às informações.
13.1 – Envio de informações para comunidades.
13.2 – Oferecimento de indicadores do repositório.
13.3 – Divulgação em outros ambientes de informação.
14.1 – Identificação de informações (notícias) atualizadas.
14.2 – Identificação de novos depósitos.
14.3 – Identificação de caminhos/urls/links válidos.
14.4 – Indicação de números de acessos diários.
14.5 – Disponibilização de tecnologias inovadoras.

Quadro 1 – Itens sobre funções e características dos repositórios digitais

Os repositórios digitais possuem processos e funções similares aos de bibliotecas digitais para armazenamento, organização e tratamento da informação para o intuito de recuperação e a disseminação das mesmas. Entretanto, eles possibilitam o auto-arquivamento e a interoperabilidade entre diversos sistemas de informação por meio da coleta de metadados em arquivos abertos.

�7

Para aprimorar o funcionamento dos repositórios é importante apresentar suas vantagens bem como utilizar uma política de incentivo de uso, a qual deve
mostrar as contribuições que podem ser feitas pelos usuários e pelo próprio repositório, discursando sobre a cultura de participação dos utilizadores.
Na segunda fase foram identificados alguns princípios de acessibilidade, os quais foram baseados no guias de acessibilidade WCAG1 (Web Content Accessibility Guidelines) da W3C (World Wide Web Consortium). Esses princípios estão apre-

sentados no Quadro 2.
Tópicos:
15 – Acessibilidade

Critérios
15.1 – Fornecer alternativas de não-texto de modo que possa ser mudado para outro tipo
como braille, discurso, símbolos ou uma linguagem mais simples.
15.2 – Fornecer alternativas sincronizadas para multimídia.
15.3 – Criar várias maneiras de apresentação do índice.
15.4 – Utilizar toda a funcionalidade disponível do teclado.
15.5 – Incentivar o uso de índice e oferecer bastante tempo para ler.
15.6 – Oferecer mapa do site específico para usuários com necessidades.
15.7 – Fazer o texto legível e compreensível a todos.
15.8 – Fazer as páginas aparecer e operar em maneiras configuradas.
15.9 – Oferecer ajuda para usuários evitarem erros.
15.10 – Maximizar a compatibilidade com agentes atuais e futuros, incluindo as tecnologias assistivas.
15.11 – Oferecer opção de modificação de tamanho de fonte
15.12 – Oferecer opção de modificação de fundo da página (contraste)

Quadro 2 – Itens sobre acessibilidade

Iniciativas governamentais estão surgindo para minimizar problemas de
acesso, acessibilidade e inclusão digital. Essas iniciativas visam a auxiliar usuários
portadores de necessidades especiais, identificando e recomendando princípios específicos de acessibilidade.
Corradi e Vidotti (2007) destacam algumas iniciativas de acessibilidade internacionais e nacionais para conteúdos informacionais digitais que envolvem políticas públicas inclusivas. As autoras (2007, p.4) relatam que
Em nível internacional uma das maiores iniciativas para a promoção
de acessibilidade em ambientes digitais refere-se a Web Accessibility
Initiative (WAI) da World Wide Web Consortium (W3C), a qual se caracteriza como um consórcio de indústrias que desenvolvem padrões
e protocolos comuns na promoção da evolução da web e assegura a
sua interoperabilidade.

1

http://www.w3.org/WAI/

�8

Esta estratégia adotou os princípios específicos de acessibilidade encontrados no WCAG, que segundo Corradi (2007, p.55) “é um documento que explica
como tornar o conteúdo web acessível para pessoas com diferentes condições sensoriais, lingüísticas e motoras”.
Na terceira fase foram identificados alguns princípios de usabilidade, os
quais foram baseados em Nielsen e Tahir (2002). No Quadro 3 são apresentados
alguns desses princípios.
Tópicos:
16 – Usabilidade

Critérios
16.1 – Exibir o nome da empresa e/ou logotipo ou slogan.
16.2 – Enfatizar as tarefas de mais alta prioridade.
16.3 – Agrupar informações da empresa por assunto.
16.4 – Incluir um link da homepage para uma seção "Sobre Nós" e "Fale Conosco".
16.5 – Possibilitar retorno à página principal.
16.6 – Usar seções e categorias de rótulo, usando a linguagem do cliente.
16.7 – Evitar conteúdo redundante.
16.8 – Padronizar as páginas do site
16.9 – Empregar padrões e estilo com consistência.
16.10 – Explicar o significado de abreviações.
16.11 – Usar exemplos para revelar o conteúdo do site.
16.12 – Facilitar o acesso aos itens apresentados recentemente na homepage.
16.13 – Diferenciar links e torná-los fáceis de serem visualizados.
16.14 – Não usar instruções genéricas, como "clique aqui", como um nome de link.
16.15 – Permitir links coloridos para indicar os estados visitados e não visitados.
16.16 – Usar nomes de links significativos.
16.17 – Disponibilizar para os usuários uma caixa de entrada na homepage para inserir consultas de pesquisa.
16.18 – Não oferecer um recurso para "pesquisar na web", na função de pesquisa do site.
16.19 – Rotular gráficos e fotos se os respectivos significados não estiverem claros.
16.20 – Permitir que o usuário decida ver uma introdução animada de seu site.
16.21 – Usar texto com muito contraste e cores de plano de fundo.
16.22 – Evitar a rolagem horizontal.
16.23 – Usar raramente menus suspensos.
16.24 – Incluir uma descrição resumida do site no título da janela.
16.25 – Os títulos devem ser sucintos, mas descritivos.
16.26 – Evitar janelas pop-up.
16.27 – Não dê boas-vindas aos usuários no site.
16.28 – Se o website ficar paralisado ou partes importantes do website não estiverem funcionando, informar isso claramente na homepage.
16.29 – Ao fazer uma atualização, atualizar somente o conteúdo realmente modificado, como
as atualizações de notícias.
16.30 – Explicar para os usuários os benefícios e a freqüência de publicação, antes de solicitar seus endereços de e-mail.
16.31 – Mostrar aos usuários a hora da última atualização de conteúdo, não a hora atual
gerada pelo computador.
16.32 – Disponibilizar mapa de navegação
16.33 – Reduzir o tempo de resposta
16.34 – Diminuir textos longos
16.35 – Não utilizar de forma excessiva as ilustrações e animações

Quadro 3 – Itens sobre usabilidade

Nielsen e Tahir (2002) apresentam 113 diretrizes/recomendações de usabilidade, as quais 35 foram selecionadas para a avaliação dos repositórios digitais.
Essa seleção se deu em conseqüência da relevância das utilidades das recomenda-

�9

ções nos repositórios digitais e também para reduzir a redundância de algumas recomendações que são muitos semelhantes.
É importante relatar que o interesse pelos princípios de acessibilidade e
usabilidade originou em decorrência dos benefícios oferecidos para os usuários,
principalmente para aqueles que possuem alguma necessidade especial, facilitando
o acesso e o uso às informações.

4 RESULTADOS DA AVALIAÇÃO DOS REPOSITÓRIOS DIGITAIS
Foi realizada uma análise em repositórios digitais que utilizam a plataforma Dspace sendo eles denominado de R1, R2, R3, R4 e R5. Essa análise foi feita
qualitativamente e parcialmente quantitativamente. Sobre as funções e características dos repositórios digitais pôde-se perceber que:
•

Alguns repositórios oferecem serviços de informação adicionais aos oferecidos pelo DSpace. O R1 oferece 14 tipos de serviços como aquisições de documentos da instituição por meio de preenchimento de formulário eletrônico;
leitura e empréstimo; pedido de documento por meio de preenchimento de
formulário; envio de documento disponível ou indisponível na rede; pesquisa e
difusão por meio de busca no próprio repositório, no catálogo bibliográfico e
no portal de pesquisa (que permite a busca em várias bases de dados); apresentação do funcionamento da biblioteca digital e do repositório para os alunos do primeiro ano de graduação; possibilidade de utilização de alguns serviços por meio do preenchimento de uma ficha; biblioteca digital; guias e ajuda; visita virtual; digitalização; serviço de referência e disponibilização de documentos em Braille. O R2 oferece 2 serviços: de notícias e de acesso às revistas da área. O R3, o R4 e o R5 não possuem nenhum tipo de serviço adicional.

•

Pode-se considerar que o processo de criação de coleções e comunidades é
semelhante entre os repositórios analisados, constituindo-se em uma atividade fácil, em que o administrador do repositório é responsável por esse processo. As comunidades e coleções são organizadas de forma alfabética de

�10

acordo com as áreas de conhecimentos abordadas pela instituição em questão.
•

Geralmente o processo de auto-arquivamento também é semelhante entre os
repositórios, se diferenciando apenas pelas políticas de auto-arquivamento. O
auto-arquivamento requer a realização de login, a escolha da comunidade e
da coleção e a realização das etapas de descrever, carregar, verificar, licenciar e completar. Pode-se afirmar que a facilidade e a velocidade de depósito
de documentos são significativas.

•

Os repositórios oferecem busca por ferramenta de busca simples e avançada
e por índices. As informações apresentadas pela busca são exibidas em uma
tabela com data, título e autores (sobrenomes e iniciais). Após acessar o documento é disponibilizado um resumo detalhado em que pode-se visualizar e
abrir o documento, além de poder optar pela visualização do registro completo, que apresenta os metadados para o usuário.

•

Todos os repositórios possibilitam acesso aos documentos ao público em geral, mas é necessário o cadastro do usuário para o depósito de documentos.

•

Em relação às parcerias, pode-se perceber que o R1 oferece links para a realização de buscas em outras bases, tanto referenciais quanto de documentos
completos. Os demais repositórios não possuem nenhuma ligação com outro
site ou instituição.

•

Relacionado à descrição das atividades, funções e objetivos da instituição e
do repositório, foi verificado que o R1 e o R2 mostram as informações respectivas ao repositório na página principal e oferecem a opção para a página da
instituição. O R3 também apresenta um link para a página da instituição, mas
não possui as informações como objetivo, missão e funções do repositório. O
R4 possui um link sobre o repositório, que no momento não está funcionando.
O R5 oferece um link na página principal sobre o repositório, mas não possui
informações sobre a instituição.

•

Relacionado à descrição dos conceitos, modelos, rotinas, marcas, patentes e
programas de computador a maioria dos repositórios utilizam a versão mais
nova (até o momento) do DSpace em português.

�11

•

Relacionado à identificação da capacidade, da habilidade e da experiência
dos utilizadores para publicação ou administração do repositório, afirma-se
que um treinamento é muito significativo, portanto o processo de depósito e
de gerenciamento/administração do repositório é relativamente fácil.

•

Em relação ao incentivo em alianças com os utilizadores para ampliar sua
presença no mercado, constata-se que apenas o R1 realizou um trabalho com
os utilizadores e é o único repositório que mostra um texto destacado chamando a atenção do usuário para a participação efetiva no repositório.

•

Sobre as experiências de outras aplicações ou de outros usuários, os repositórios tiveram como auxílio o software DSpace, a documentação sobre esse
software, e em alguns casos os relatos do desenvolvimento de outros repositórios e das experiências realizadas pelo IBICT no Brasil.

•

Os repositórios digitais se preocupam em utilizar-se de princípios que facilitem
a disseminação, mas apenas o R1 mostra os depósitos recentes na página
principal. O R2 não mostra e os restantes dos repositórios mostram os depósitos recentes quando as comunidade e coleções são acessadas.

•

Sobre a divulgação e o incentivo à utilização da ferramenta, o R1 realizou um
bom trabalho na instituição para convidar os usuários a realizarem os depósitos dos documentos e apenas esse repositório mostra estatísticas do repositório sobre acessos, download e origem e é o único que cita (oferecendo o
link) sobre o repositório na página da instituição, da biblioteca digital e em outros locais.

•

Sobre a manutenção dos repositórios deve haver um responsável ou uma equipe para essa atividade. Todos os repositórios oferecem algum tipo de contato, seja por e-mail ou telefone. A data de atualização é importante para mostrar a constante manutenção do repositório.
Relacionado a análise dos itens de acessibilidade, de 12 itens analisados

apenas 5 foram encontrados, os quais se referem à: possibilidade de inserção de
documentos em várias mídias, disponibilização de textos legíveis, compreensíveis e
configuráveis, oferecimento de serviço de ajuda aos usuários e de serviço de envio
de documentos por correio em Braille. O R2 e o R5 utilizam 3 itens de acessibilida-

�12

de, se diferenciando do R3 e R4 que utilizaram 4 itens, os quais disponibilizaram
help em português.
Considerando o grau de prioridade atribuído a esses itens, o Gráfico 1 apresenta a média de acessibilidade de cada repositório.
Média de Acessibilidade
5,0

4,6

4,0

3,8

3,8

3,0

2,9

2,9

2,0
1,0
0,0
R1

R2

R3

R4

R5

Gráfico 1 – Média de acessibilidade dos repositórios digitais

Pode-se considerar que todos os repositórios precisam dar mais atenção a
questão da acessibilidade, pois a utilização dos itens não atinge 50%. Nessa análise
foi verificado uma ausência grande de tecnologias assistivas, índices e mapas do
site.
Relacionado à análise dos itens de usabilidade, pode-se afirmar que a utilização dos itens de usabilidade é maior do que os de acessibilidade, de 35 itens, no
mínimo 29 foram utilizados. O R1 assim como na análise de acessibilidade, utilizou
mais itens de usabilidade, porém os outros repositórios mantiveram-se com médias
similares. O gráfico 2 apresenta a média de usabilidade desses repositórios.
Média de usabilidade
10,0
8,7

8,0

8,3
7,1

7,7

7,5

6,0
4,0
2,0
0,0
R1

R2

R3

R4

R5

Gráfico 2 – Média de usabilidade dos repositórios digitais

�13

Pode-se verificar que os ambientes de informação estão dando maior atenção aos itens de usabilidade do que aos de acessibilidade.
A análise demonstrou que o R1 possui maior grau de acessibilidade e usabilidade pelo fato de utilizar com maior eficiência alguns itens da avaliação, em
especial, itens voltados para usuários com necessidades especiais e pelo oferecimento de vários serviços. Outros itens que influenciaram muito nessa média foram
os relacionados às informações sobre parcerias, repositórios, instituições, divulgação, treinamento e softwares.
Assim, lista-se a seguir os itens mais utilizados, os ausentes e os utilizados de forma insatisfatória (Quadro 4).
Forma de utilização
Utilizados de forma
satisfatória

Utilizados de forma
insatisfatória

Ausentes

Itens
- utilização de ferramenta e estratégia de busca;
- conteúdo e terminologia apropriada;
- fácil navegação;
- curto tempo de resposta e download;
- utilização do logotipo;
- utilização coerente de títulos;
- utilização de padronização de cursor;
- utilização de barra de rolagem vertical;
- configuração de telas;
- política de acesso livre;
- teclas de atalho;
- recursos para parcerias, incentivos, divulgação e serviços para utilizadores;
- padronização dos documentos digitais;
- disponibilização de informações necessárias sobre o documento digital;
- oferecimento de links ativos;
- oferecimento de informações básicas e relevantes;
- rotulagem de imagens;
- atualização do repositório;
- manutenção do repositório.
- disponibilização de vídeos em libras;
- oferecimento de tecnologias assistivas;
- oferecimento de mapas do site e índices;
- recursos de coleta e personalização de dados dos usuários;
- recursos de feedback e retroalimentação do repositório;

Quadro 4 – Identificação de itens nos repositórios digitais

É importante comentar que as tecnologias assistivas podem abranger o
software Rybená2, que possibilita a conversão de página da Internet ou texto escrito
em português para LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais); a utilização de Signwriting3, que é uma tentativa da escrita da língua de sinais; a disponibilização de vídeos
2
3

www.rybena.org.br
www.signwriting.org

�14

legendados, de vídeos em LIBRAS, de compatibilidade com softwares de leitores de
telas e impressoras em Braille, entre outros.
Os recursos relacionados às teclas de atalhos e à rotulagem de imagens
podem auxiliar os usuários com deficiência visual no acesso as informações principais de forma ágil, facilitando a compreensão das informações por meio dos leitores
de telas, que é um software usado para obter resposta do computador por meio sonoro.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os repositórios digitais oferecem muitos benefícios em relação aos serviços digitais, auxiliando a comunidade científica na organização e aquisição de trabalhos científicos de uma determinada instituição ou comunidade, oferecendo acesso
irrestrito, intercâmbios e troca de informações, bem como outros tipos de serviços e
recursos. Porém, esses tipos de ambientes podem ampliar seus serviços, dando
maior ênfase nos recursos ausentes (de acordo com a aplicação da estratégia de
avaliação proposta), principalmente no que se refere aos recursos de acessibilidade.
De acordo com a avaliação realizada nos repositórios pôde-se verificar
que esses ambientes informacionais utilizam vários recursos de usabilidade, porém
alguns deles são utilizados de forma insatisfatória como informações insuficientes
sobre o repositório, a instituição, datas de atualizações, parcerias com outras instituições, treinamento de usuários e incentivo à participação e utilização do repositório.
Os repositórios digitais utilizam de maneira escassa recursos de acessibilidade, até mesmos os recursos de fácil implementação como as teclas de atalhos, a
rotulagem de imagens, a disponibilização de mapa do site e índice.
Em relação aos serviços e funções específicas dos repositórios pôde-se
constatar que, a maioria dos repositórios utiliza apenas os serviços/funções já oferecidos pela plataforma de desenvolvimento dos repositórios como ferramenta de busca, ajuda e serviço de alerta (envia mensagens para o e-mail do usuário), não adicionando outros serviços como pesquisa em outras bases de dados, espaço para

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debates, tecnologias assistivas, serviço de documentação específico como direcionamento de documentos em Braille ou em LIBRAS, entre outros.
Os recursos específicos de repositórios digitais abrangem a criação e o
gerenciamento de comunidades e coleções, de grupos de usuários e de políticas,
principalmente as políticas de acesso, auto-arquivamento e representação da informação.
Pode-se considerar que a estratégia de avaliação auxiliou de forma significativa na identificação de recursos ausentes, freqüentes e utilizados de forma não
satisfatória, oferecendo itens para guiar o avaliador na análise em ambientes informacionais digitais com o intuito de obter resultados que possam contribuir na ampliação e melhoria de recursos nos repositórios digitais. Essa estratégia auxiliou também na união de itens de várias naturezas em uma base informacional única, facilitando a visualização de itens de acessibilidade, usabilidade e específicos de repositórios digitais focados na melhoria da interação usuário-sistema.

REFERÊNCIAS
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25 out. 2007.

__________________
1

Liriane Soares de Araújo de Camargo, UNESP, Universidade Estadual Paulista, FFC, Faculdade de
Filosofia e Ciências de Marília, liriane@marilia.unesp.br.
2
Silvana Ap. Borsetti Gregorio Vidotti, UNESP, Universidade Estadual Paulista, FFC, Faculdade de
Filosofia e Ciências de Marília, vidotti@marilia.unesp.br.

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              <text>Repositórios digitais surgem como ambientes informacionais digitais para gerenciamento e controle da produção acadêmica e científica de instituições e/ou comunidades, oferecendo vantagens como acesso irrestrito, interoperabilidade dos dados e preservação da informação a longo prazo. Entretanto, eles possuem lacunas como falhas de navegação, baixa usabilidade e acessibilidade, buscas limitadas, pouca divulgação do ambiente e pouca ou nenhuma utilização de serviços personalizáveis. A partir desse contexto, apresenta-se uma estratégia para avaliar repositórios digitais, com o intuito de identificar recursos presentes, ausentes e utilizados de forma insatisfatória visando apresentar informações relevantes para o aumento da utilização desses tipos de ambientes e para ampliação de recursos tecnológicos e informacionais. A avaliação apresenta resultados quantitativos relacionados à acessibilidade e usabilidade e qualitativos relacionados aos recursos oferecidos pelos repositórios digitais.</text>
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