<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<item xmlns="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5" itemId="4222" public="1" featured="0" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" xsi:schemaLocation="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5 http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5/omeka-xml-5-0.xsd" uri="http://repositorio.febab.libertar.org/items/show/4222?output=omeka-xml" accessDate="2026-04-17T06:57:11-07:00">
  <fileContainer>
    <file fileId="3290">
      <src>http://repositorio.febab.libertar.org/files/original/30/4222/SNBU2008_071.pdf</src>
      <authentication>2465f1023d8600e0fe8c44d623d02664</authentication>
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="4">
          <name>PDF Text</name>
          <description/>
          <elementContainer>
            <element elementId="92">
              <name>Text</name>
              <description/>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="47595">
                  <text>��������������
�
�

�������� ����
� �� ����������
���� ��

������������������������� �!��"�����#����

A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA, A MONOGRAFIA E SEUS
PERSONAGENS
CALIL JUNIOR, A.1
RIBEIRO, M. F.2

RESUMO
Nos últimos anos, as demandas em torno das monografias vêm ganhando espaço
no cotidiano das bibliotecas universitárias. São alunos que chegam querendo
consultá-las; coordenadores de cursos e professores que procuram a biblioteca
para que passe a ser a encarregada desse material; profissionais da informação
questionando-se sobre a presença destas na biblioteca; enfim, toda uma série de
novas possibilidades que surgem no entorno desse “objeto”. Tais demandas têm
exigido, por parte dos profissionais da informação, esforços no sentido da
elaboração de políticas voltadas para o tratamento desse “material bibliográfico”.
Tendo por base este contexto, buscamos, nesta comunicação, trazer alguns
elementos para a reflexão em torno desse objeto, avaliando em que medida as
iniciativas propostas pelas bibliotecas contemplam as relações que os diversos
atores travam com a monografia no decorrer de suas trajetórias acadêmica. Para
tal, apresentamos algumas conclusões iniciais da investigação que atualmente
realizamos com a comunidade acadêmica sobre o lugar da monografia na
trajetória de alguns dos personagens que compõem o universo da academia, a
saber: docentes, discentes e profissionais da informação.
Palavras-chave: Monografias. Usuários. Bibliotecários.

ABSTRACT
In recent years, monographs are performing a central role in Brazilian university
libraries. There are students looking for them; professors who want to deposit
them; librarians who are questioning their presence on the libraries; finally a whole
range of new possibilities that rounds this "object". Such demands have required
from the librarians some efforts towards the development of policies for the
organization of this "bibliographic material." To this point of view, this paper
proposes a dialog about this object and also asks if those efforts cover the

�2

relationships between some of these actors and the monograph during their
academic life. For such, we presented some seminal conclusions of our
investigation about the place of monograph in the academic history of some of
these academicals characters, namely: professors, students and librarians
Keywords: Monographs. Users. Librarians.

1 APROXIMANDO-NOS DO TEMA
Cena 1
A biblioteca naquela tarde estava lotada, João e Silvia observam um grupo de
alunos, três, que algumas horas antes haviam solicitado a ajuda de João,
perguntando sobre monografias de Educação Especial. Naquela época, a
biblioteca havia vedado a retirada das monografias do acervo, pois, conforme o
discurso corrente entre seus funcionários, a consulta às monografias era apenas
para fazer cópia, e era isso que os dois bibliotecários comentavam - observando
as alunas que ali estavam em sua tarefa há algumas horas -, indignados com os
usuários que copiavam.
Cena 2
Na reunião mensal entre os funcionários da biblioteca, Valentina estava
informando o que foi discutido na reunião de chefias da rede de bibliotecas. Um
dos tópicos girava em torno das monografias. A diretora da rede gostaria de saber
qual o procedimento adotado por cada biblioteca em relação às monografias.
Luiza interrompeu Valentina e deu o seu veredicto: “Eu acho que é um trabalho
inútil, pois esses alunos de outras universidades só vêm aqui para copiar as
monografias. Uma bibliotecária amiga minha me contou que em outra
universidade aqui do estado eles tiraram todas as monografias do acervo, pois
vários alunos as copiaram, mas os professores descobriram e todo o mundo
tomou zero. Bem feito!”.
Cena 3
Naquela tarde, enquanto recolocava os livros consultados pelos alunos nas
estantes, Letícia teve uma surpresa. Ao guardar algumas monografias, ela

�3

deparou com várias folhas espalhadas no meio das estantes, eram folhas soltas
que haviam sido arrancadas. De imediato, Letícia levou aquelas “mutilações” para
os bibliotecários. Estes, indignados, não perderam tempo em falar aos quatro
ventos sobre a má educação desses alunos que só vão à biblioteca para fazer
cópias.
As cenas acima descritas têm algo em comum. Apesar de serem
situações fictícias, não seria difícil encontrar relatos semelhantes por parte de
bibliotecários e demais servidores de bibliotecas das universidades brasileiras.
Afora isso, todas as três cenas fazem referência a um dos objetos que é parte do
cotidiano das universidades brasileiras, a monografia. Ao mesmo tempo
enaltecida e menosprezada - “patamar científico preliminar” para uns, e
“mercadoria” para outros -, em torno deste objeto circula a maior parte dos atores
que compõem o universo acadêmico. Discentes de graduação, docentes,
discentes dos cursos de pós-graduação “lato sensu” ou “strictu sensu”,
funcionários das secretarias acadêmicas, bibliotecários e funcionários das
bibliotecas, usuários destas mesmas bibliotecas, cada uma destas personagens,
em algum momento de sua trajetória acadêmica, ou na academia, estabelece
relações com a monografia.
Tendo em vista a relevância desse objeto no cotidiano das
universidades brasileiras, consideramos que a monografia se apresenta como um
bom caso para pensar a biblioteca na universidade. Para além das questões
concernentes ao tratamento técnico, nossa sugestão é a de olhar para a
monografia como uma categoria que encerra em seu entorno um feixe de
relações que conformam e são conformadas pelas práticas acadêmicas, incluindo
nestas práticas as dos profissionais e usuários das bibliotecas. Que práticas
seriam essas? Em quais direções elas apontam? Será que elas teriam algo a nos
dizer sobre bibliotecários, bibliotecas e universidades?
Mais do que a busca por respostas exatas sobre tais questionamentos,
gostaríamos de utilizá-los como ponto de partida para a nossa reflexão, tendo por
base o fazer profissional dos autores deste estudo – ambos bibliotecários da
Biblioteca de Educação e Humanidades A da Universidade do Estado do Rio de

�4

Janeiro (UERJ)1 –, bem como os movimentos realizados em torno da monografia
na referida biblioteca.
Além da observação participante, até a presente data foram realizadas
nove entrevistas, com aqueles que consideramos, para efeitos da problemática
aqui levantada, atores importantes: três com bibliotecárias, quatro com alunos de
graduação, uma com professor e uma com servidora técnico-administrativo.
Todos os entrevistados, com uma exceção, estão de alguma forma vinculados à
Biblioteca CEHA. Das três bibliotecárias, duas estão lotadas na referida biblioteca,
e a terceira no núcleo de planejamento da Rede Sírius. A professora entrevistada
é da Faculdade de Educação, enquanto, dos alunos, três deles são de
Pedagogia, uma do quarto período e as outras duas do primeiro período. A quarta
entrevistada é do 8º período de Psicologia. Quanto à servidora técnicoadministrativa, está lotada na Biblioteca CEH-A. É nossa intenção, na
continuidade da pesquisa, estender o universo de entrevistados, tanto para os
cursos de pós-graduação, quanto para outras bibliotecas da Rede Sirius. Nesta
primeira fase da investigação, limitaremos o universo pesquisado às bibliotecas
do Centro de Educação e Humanidades, totalizando: 6 bibliotecários, 6 docentes,
6 servidores técnicos-administrativos, 6 discentes de graduação e 6 discentes de
pós-gradução. . É relevante ressaltar que a intenção desta comunicação é a de
compartilhar reflexões que surgiram no cotidiano da biblioteca. Sociabilizar as
nossas questões é parte do processo da investigação, tendo em vista que esta
ainda está em curso. Desta forma, buscamos não conclusões, mas o estímulo ao
debate acerca do lugar da biblioteca e do profissional da informação na
Universidade. Neste sentido, torna-se necessária uma breve contextualização de
nosso objeto.

1

Atualmente as bibliotecas da UERJ formam uma rede – Rede Sírius – composta por vinte e uma bibliotecas,
que são divididas por áreas do conhecimento. No Caso da Biblioteca CEHA (Biblioteca do Centro de
Educação e Humanidades A), ela reúne os acervos de Comunicação Social, Psicologia, Educação e
Nutrição.

�5

2 AFINAL, O QUE É A MONOGRAFIA?
- “Para você, o que é a monografia?”
- “Fale-nos sobre a monografia”
Com estas perguntas, nós iniciamos as entrevistas necessárias à
presente investigação. Iniciar uma investigação sobre a monografia, no contexto
de uma biblioteca universitária, levantando questões sobre a natureza e o
conceito da primeira, parece causar certo estranhamento por parte dos diversos
atores que circulam em torno deste objeto. Enfim, qual de nós que, sendo parte
da vida de uma universidade, não sabe o que é uma monografia?
Em se tratando das origens do termo, a literatura consultada é
consensual ao fazer remissão a um autor do século XIX, Lê Play, que, em sua
obra intitulada “Lês Ouvriers Europeéns” (SALOMON, 1997), estabelece os
termos através dos quais a monografia vem sendo definida ainda hoje. De acordo
com Salomon (1997), a monografia é caracterizada “pela especificação, a
redução da abordagem a um só assunto, ou a um só problema.”(SALOMON,
1997, p. 179) Etimologicamente, mónos (um só) e graphein (escrever), logo,
escrever sobre um só assunto. Transportando tais definições para o contexto
atual das universidades brasileiras, é possível chegar ao entendimento de que a
monografia consiste em um trabalho científico, resultante de uma investigação,
realizado pelo aluno quando da conclusão de um curso, quer seja uma disciplina
específica, um curso de graduação ou um curso de pós-graduação2.

2

Tanto na literatura sobre o tema quanto nos discursos de docentes, de discentes e dos profissionais da
informação, é possível identificar alguns sentidos dados ao termo monografia. Em um primeiro plano a
monografia pode ser entendida como um trabalho elaborado por um autor sobre um determinado tema. Neste
sentido, é possível considerar um artigo, um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) ou uma tese de
doutorado, entre outros, como uma monografia. Outro entendimento é aquele que considera a monografia
como o trabalho elaborado por discentes de graduação e de pós-graduação lato-sensu para a conclusão do
curso. Em geral, é esse tipo de material bibliográfico que as bibliotecas designam como monografia. Já
Salomon (1997) identifica a existência de dois sentidos para monografia. O sentido ‘estrito’, que ele define
como o “tratamento escrito de um tema específico que resulte de investigação científica com o escopo de
apresentar uma contribuição relevante ou original e pessoal à ciência”. Nesta definição, o autor enquadra as
dissertações de mestrado e teses de doutorado e o sentido ‘lato’, que seria aplicado a “todo trabalho científico
de primeira mão que resulta de investigação científica”, as monografias de graduação e de pós-graduação.
Linda G. Reis (2006), aponta a existência de um terceiro tipo, os trabalhos apresentados para a conclusão
das disciplinas realizadas ao longo dos cursos de graduação. Segundo a autora, tais trabalhos funcionariam
como um exercício para a elaboração da monografia ao final do curso de graduação.

�6

Não se detendo nas definições, Linda Reis capta uma singularidade em
relação às monografias. De acordo com a autora, a monografia é o único tema
abordado em todos os cursos de graduação do país, tendo para tal uma disciplina
específica3, que foi instituída como obrigatória pelo Ministério da Educação com o
intuito de promover o incentivo à pesquisa nas universidades brasileiras (REIS,
2006).
“Métodos e técnicas de pesquisa” é também a temática principal, ou
mesmo o título, de um conjunto de obras que tratam da elaboração da monografia
por parte dos estudantes universitários. “Metodologia Científica”, “Como fazer
uma monografia”, “Manual de elaboração de trabalhos técnico-científicos” são
alguns destes títulos. A publicação de livros em torno do tema parece ter ganhado
fôlego a partir da década de 1970, sendo que é possível notar um leve
deslocamento na temática central dos livros ao longo da última década. Para
exemplificar tal deslocamento, tomamos por base os sumários de dois desses
livros, ambos intitulados “Metodologia Científica” 4 e ambos amplamente utilizados
como referência básica pelos cursos de “métodos e técnicas de pesquisa” 5.
O primeiro, de autoria de Eva Maria Lakatos e Marina Andrade Marconi
(1991), teve a sua primeira edição publicada em 1982. Analisando-se o sumário
da obra, é possível inferir que a intenção da autora é trabalhar, principalmente, os
conceitos de “método” e de “ciência”, não raramente recorrendo a autores
clássicos da Epistemologia e da Sociologia da Ciência. Como podemos ver
folheando o sumário do livro, “Comte”, “Carnap”, “Método hipotético – dedutivo”,
“Hipóteses” são tematizados pela autora6. Já no livro de Antonio Raimundo dos
Santos (SANTOS, 2001), cuja primeira edição data de 1999, temos uma proposta

3

Conforme Reis (2006) “esta disciplina recebe diferentes denominações, tais como Métodos e Técnicas de
Pesquisa, Metodologia Investigativa, Métodos e Técnicas da Ciência, Metodologia da Ciência...” (REIS, 2006,
p.13)
4
Os livros referidos são: Lakatos; Marconi, 1991 e Santos, 2001.
5
Os livros selecionados obedeceram a dois critérios: a data de publicação da primeira edição; e um estudo
de uso dos livros classificados sobre o tema na Biblioteca A do Centro de Educação e Humanidades da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (CEHA / UERJ).
6
Os capítulos do livro são: 1. Ciência e conhecimento científico; 2 – Métodos Científicos; 3. Fatos, Leis e
Teorias; 4 – Hipóteses; 5. Variáveis – elementos constitutivos das hipóteses; 6 – Plano de prova: verificação
das hipóteses

�7

distinta, apesar da semelhança dos títulos7. Os temas trabalhados por Lakatos
quase não são vistos no livro de Santos, que procura enfatizar o processo de
elaboração dos trabalhos monográficos, conforme nos diz nos parágrafos finais
da introdução, em que afirma:
Iniciamos com algumas reflexões sobre a teoria e a prática, com o
intuito de resgatar a grandeza da teoria. Na seqüência, tenta-se
esclarecer terminologias a respeito de pesquisa científica e sua
forma de apresentação da escrita. Detemo-nos mais longamente
nas fases do trabalho de investigação, com uma proposta de
método para a construção do conhecimento científico, que
ousamos propor em cinco fases simplificadas. É nossa
contribuição. Terminamos repetindo as regras comuns da boa
apresentação gráfica, previstas pela Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT), como última etapa.(SANTOS, 2001,
p.14)8

Para além de uma análise do conteúdo das obras de “metodologia
científica” utilizadas nos cursos de graduação e pós-graduação espalhados pelo
país, queremos chamar a atenção para o lugar ocupado pela monografia.
Enquanto até inícios da década de 1980 esta era apenas uma coadjuvante9, é
possível notar que, ao longo destas últimas décadas, a monografia e as formas
para a elaboração destas vêm se tornando a preocupação principal dos livros de
metodologia científica. Mas, por que ocorrem tais mudanças? O que levou os
livros de “metodologia científica” publicados nos primeiros anos do século XXI a
enfatizar um aspecto que era pouco mencionado nas décadas de 1970 e 1980?
Ênfase esta que se reproduz no cotidiano de muitas bibliotecas universitárias
brasileiras, que vêm assistindo a um acréscimo na demanda por este tipo de
material.
Um olhar sobre a legislação educacional brasileira pode nos oferecer
algumas pistas. Em levantamento bibliográfico realizado sobre o tema,
encontramos apenas duas referências diretas à monografia, ambas frutos da Lei
7

A única diferença nos títulos é que o livro de Santos tem um subtítulo: “A construção do conhecimento”.
Entretanto, tal acréscimo não nos oferece qualquer pista em torno da temática a ser enfatizada na referida
obra.
8
Os capítulos do livro são: 1- Natureza teórico-prática da pesquisa científica; 2 – Tipos de pesquisa; 3 –
Formas básicas de apresentação de textos; 4- Fases da pesquisa científica
9
É possível encontrar, já na década de 1970, algumas obras que procuram enfatizar o trabalho de
elaboração de monografias, como, por exemplo, o livro “Como fazer uma monografia”, de Délcio Vieira
Salomon (1997), cuja primeira edição é de 1971. Contudo, apesar de trazer a monografia para o centro, ao
menos no que se refere ao título, ao compararmos as edições daquelas décadas com as mais recentes,
notamos que a preocupação dos autores da década de 1970 era menos com aspectos práticos ligados a
elaboração das monografias do que com uma introdução ao tema.

�8

de Diretrizes e Bases da Educação de 1996. E ambas encontradas em uma
Resolução do CNE/CES de 3 de abril de 2001, em que são estabelecidas normas
para

o

funcionamento

dos

cursos

de

pós-graduação

no

país.

Esta

regulamentação é relevante para a questão que aqui abordamos, pois, a partir da
sua homologação, a monografia passa a ser um elemento obrigatório para a
conclusão dos cursos de pós-graduação. De acordo com o Artigo 10º:
Art. 10 - Os cursos de pós-graduação lato sensu têm duração
mínima de 360 (trezentos e sessenta) horas, nestas não
computado o tempo de estudo individual ou em grupo, sem
assistência docente, e o reservado, obrigatoriamente, para
elaboração de monografia ou trabalho de conclusão de curso.
(CONSELHO, 2001)

Teria sido essa obrigatoriedade que colocou a monografia na pauta do
dia? Pensamos que possíveis respostas a esse questionamento necessitam de
continuidade da investigação. A referida resolução trata dos cursos de pósgraduação, mas, e quanto aos de graduação? Existiria alguma menção a
monografia na legislação educacional que traça as diretrizes para os cursos de
graduação no país?
Até onde nossa investigação alcançou, encontramos duas referências à
monografia nos cursos de graduação. A primeira delas, datada do ano de 1959,
em um parecer sobre os cursos de formação em psicologia, em que o relator10
afirma,
“... a importância da exigência da monografia ao término do curso
de Psicologia, como comprovação de experiência de campo.
Concorrendo para a sistematização de conhecimentos adquiridos
na experiência prática, esses trabalhos constituirão um estímulo à

10

Tivemos acesso ao parecer através da home-page da Associação Brasileira de Ensino em Psicologia. Lá
não constam os dados exatos do parecer, contudo, através da leitura do texto, é possível concluir que se
trata de documento elaborado pela então Comissão de Educação e Cultura da Câmara de Deputados.
Abaixo, o que consta ao final do documento:
“A Comissão de Educação e Cultura, em reunião de 17 de junho de 1959, presentes os senhores deputados
Coelho de Souza, Presidente; Lenoir Vargas, Lauro Cruz, Aurélio Viana, Badaró Júnior, Miguel Calmon,
Adaucto Cardoso, Derville Alleretti, Yukishigue Tamura, Aderbal Jurema, Plínio Salgado, Dantas Júnior, José
Humberto e Manuel de Almeida, apreciando o parecer com Substitutivo do Senhor Relator, Deputado
Adaucto Cardoso, resolveu aprovar o Substitutivo ao Projeto n° 3.825-58, que "dispõe sobre cursos de
formação em psicologia e regulamenta a profissão de psicologista", com ressalvas dos Senhores Lauro Cruz
e Derville Allegretti, que foram aceitas pelo Relator.
Sala Carlos Peixoto Filho, em 22 de junho de 1959. - Coelho de Souza, designado e Revisor.
(DOCUMENTOS, 2008).

�9

pesquisa de que tanto
(DOCUMENTOS, 2008)

carece

a

Psicologia

no

Brasil.

Além deste parecer, recuperamos alguns artigos que tratam da
metodologia científica nos cursos de graduação em economia, assinalando que,
desde o ano 1984, ano em que é aprovada pelo Conselho Federal de Educação
um ato normativo instituindo diretrizes para a reestruturação das grades
curriculares destes cursos11, a monografia foi introduzida como atividade
curricular obrigatória no âmbito da formação dos economistas (CASTRO,
ROSENTHAL, 2007)12. De acordo com Mendes (2007), os cursos de graduação
em economia estão entre aqueles que, em primeiro lugar, ainda no início da
década de 1980, enxergaram a centralidade da monografia para a formação de
seus estudantes. A despeito dessa auto-atribuição vanguardista, é interessante
notar que a monografia vem sendo alvo da preocupação daqueles que atuam na
formação dos economistas. No ano de 2007 foi realizado no Instituto de Economia
da UFRJ um seminário cuja temática central foi a monografia nos cursos de
graduação em economia.
Não temos ainda elementos suficientes para afirmar que esta
preocupação com a centralidade da monografia para estudantes de graduação é
uma singularidade dos cursos de economia. É bem provável que, na continuidade
da pesquisa, encontremos outras iniciativas neste sentido, como, por exemplo, o
já citado livro de Linda Reis, em que a autora propõe uma metodologia de ensino
para os cursos de graduação (MEP) que consideram a monografia como parte
essencial do processo (REIS, 2006). Entretanto, no que se refere às bibliotecas
universitárias, e em particular às bibliotecas da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro, encontramos alguns sinais que apontam para o fato de que, ao longo dos
últimos anos a monografia vem ocupando cada vez mais espaço, não somente
nas bibliotecas, mas também no imaginário dos bibliotecários. Vejamos, então,
como tem sido essa ocupação, olhando mais de perto para o caso da biblioteca
CEH-A

11

Parecer CFE nº375/84 (MENDES, 2007)
Seria interessante realizar uma investigação na legislação que regula a criação dos diversos cursos de
graduação no país com o intuito de verificar a menção ou não à obrigatoriedade da monografia para a
conclusão destes cursos. Tal investigação apresenta-se como um dos caminhos a serem percorridos quando
da continuidade da pesquisa aqui apresentada.
12

�10

3 A MONOGRAFIA E A BIBLIOTECA, UMA HISTÓRIA DE AMOR... OU NÃO
Não faz muito tempo recebemos a visita da secretária de um dos cursos
de graduação da universidade, que veio à biblioteca com uma demanda
específica: resolver a situação das monografias. Segundo o que nos falou, o
número de monografias estava crescendo, e a coordenação do curso tinha
chegado à conclusão de que o melhor seria encaminhar tais monografias para a
biblioteca, tendo em vista, também, a falta de espaço apropriado no Instituto para
o armazenamento destas. Naquela oportunidade, explicamos a ela que a
biblioteca tinha alguns critérios para a manutenção das monografias no acervo,
entre os quais a aprovação com a nota entre nove e dez. Quando soube desse
critério, a secretária mostrou-se decepcionada, e nos falou com um semblante de
tristeza: “Poucas são as que têm nota nove e dez, tudo bem, vou mandar essas
então”. O que fazer com o montante de monografias com notas inferiores a nove,
ficou a cargo do instituto, mas não deixou de ser um problema.
A nosso ver, esse diálogo que ocorreu na Biblioteca CEHA/UERJ no
início do ano de 2008 é apenas um exemplo de uma demanda crescente, e nos
parece emblemático, pois traz alguns elementos para a nossa reflexão:
1) Em primeiro lugar, a questão já referida da demanda. Ao longo dos
últimos cinco anos, temos recebido dos diversos cursos de graduação e de
pós-graduação que são atendidos por nossa biblioteca13, solicitações
quanto ao armazenamento do acervo de monografias;
2) Um acervo em crescimento. Essa recente procura pela biblioteca para
que ela passe a armazenar as monografias mostra que, atualmente, as
secretarias dos cursos estão tendo de lidar com um “problema” que até
então não existia;
3) A necessidade de construção de uma política para o tratamento (ou não)
das monografias pela biblioteca;

13

Conforme já exposto, a biblioteca CEHA atualmente reúne os acervos relativos à comunicação social,
psicologia, educação e nutrição; atendendo diretamente aos institutos e departamentos responsáveis pelos
respectivos cursos, tanto em nível de graduação quanto de pós-graduação.

�11

4) O estabelecimento de uma classificação para este tipo de material. Os
comentários da secretária quando soube que não poderia deixar todas as
monografias na biblioteca - comentário também de representantes dos
outros cursos que chegaram à biblioteca com a mesma demanda – são
interessantes para pensar esta questão. Material bibliográfico ou
documento comprobatório?
O caso que aqui trazemos nos parece que não se restringe à Biblioteca
CEHA. Atualmente, a Rede Sirius está iniciando uma reflexão sobre os
procedimentos utilizados pelas bibliotecas em relação a este tipo de material. Em
levantamento realizado pelo núcleo de planejamento da Rede Sirius14, foi
observado que as monografias já se tornaram uma realidade nas bibliotecas da
rede. No universo de 21 bibliotecas, mais da metade já estabelece estratégias
para o tratamento deste tipo de material. No âmbito do Estado do Rio de Janeiro,
o “Grupo do Compartilhamento das Bibliotecas das Instituições de Ensino
Superior” está desenvolvendo um trabalho em torno do tratamento técnico que é
dado a este tipo de material pelas diversas Instituições de Ensino Superior do
Estado. Enfim, como podemos observar, as “monografias” têm se tornado objeto
da preocupação não apenas daqueles que têm a obrigação de produzi-las (alunos
e orientadores), mas também de outros personagens das universidades,
passando de servidores técnico-administrativos dos cursos de graduação e pósgraduação a professores coordenadores destes mesmos cursos, e chegando aos
bibliotecários e servidores administrativos das bibliotecas. Toda esta conjuntura,
por si só, justifica o surgimento de iniciativas que procurem elaborar estratégias e
políticas para o tratamento deste tipo de material no âmbito das Instituições de
Ensino Superior. Contudo, sugerimos que, paralelamente a tais iniciativas,
voltemos a nossa atenção, uma vez mais, para o “objeto” deste tratamento e
refaçamos algumas das perguntas que constam desta comunicação. Afinal, que
sentido dão à monografia os atores que fazem parte do cotidiano das
universidades?

14

Este levantamento foi realizado como parte de uma pesquisa que está sendo conduzida pelo “Grupo do
Compartilhamento das Bibliotecas das Instituições de Ensino Superior do RJ”. Tal informação nos foi
repassada por Rosângela Aguiar Salles.

�12

4 ESCUTANDO ALGUMAS VOZES OU COLOCANDO O FOCO NO USUÁRIO.
No dia-a-dia de uma biblioteca universitária, tal como ocorre em tantos
outros ambientes profissionais, somos afetados por inúmeras demandas e
necessidades. Em se tratando da atual conjuntura das universidades brasileiras,
muitas dessas bibliotecas lidam cotidianamente com a “falta”. Faltam desde
recursos humanos até material de limpeza, e tal “política da carestia” acaba,
muitas vezes, conformando as práticas profissionais e acadêmicas. Neste
contexto, surge imediatamente uma série de indagações por parte dos
profissionais (Como dar conta das inúmeras demandas? Será que teremos verba
para renovação de tal assinatura? Quando virá alguém para consertar o
computador?), o que muitas vezes nos leva a “rotinizar” parte do nosso fazer.
Desta forma, nos arriscamos a tomar como dados nosso ambiente de trabalho,
nossos instrumentos, os objetos com os quais trabalhamos e os nossos
interlocutores, ou seja, de antemão já sabemos o que são bibliotecas, livros, listas
de vocabulários controlados, alunos, entre tantos outros. Nesta perspectiva, a
Biblioteca e todos aqueles que nela circulam ganham ares de um monólito,
naturalmente estático.
Assim é também com os objetos ou materiais com que lidamos em
nosso cotidiano. De ordinário, ao travarmos contato com algum desses “materiais”
na biblioteca, nossa tendência é olhar para eles como “mais um livro a ser
tratado”. E, nesse movimento de classificação que fazemos – “materiais
tratáveis”/“materiais não – tratáveis” - corremos o risco de não atentar para alguns
aspectos que podem ser interessantes para o trabalho que realizamos. Todos
esses materiais têm uma história, são situados sócio culturalmente. No caso dos
materiais produzidos pelos usuários da biblioteca universitária, é preciso levar em
consideração esses aspectos. Como nos diz Bruno Latour, ao se referir aos
diversos materiais que são passíveis de fazer parte de uma biblioteca ou de um
museu, mais do que signos ou matérias, o que temos em uma biblioteca são
matérias tornando-se signos; e mais do que uma “fortaleza isolada” ou “um
palácio dos ventos, isolado em uma paisagem real”, a biblioteca deve ser
encarada como um espaço de movimento, como o nó de uma vasta rede onde
circulam aquelas matérias que se tornam signos. (LATOUR, 2000)

�13

A idéia da biblioteca como um “palácio dos ventos, isolado em uma
paisagem real”, acumulando de “modo maníaco, erudito e culto, milhões de
signos” (LATOUR, 2000), parece encontrar alguma ressonância atualmente entre
nós. Recentemente, em uma aula que tivemos a oportunidade de ministrar para
os discentes de mestrado/doutorado do Programa de Pós-Graduação em
Políticas Públicas (PPFH) da UERJ, ouvimos de um dos alunos que tinha dúvidas
se valia a pena mandar a tese para a biblioteca, já que esta não passava de um
mero depósito. Sem dúvida, uma afirmação forte e que deve ser contextualizada;
contudo, o ponto para o qual gostaríamos de chamar a atenção é para a atitude
que nós, profissionais da informação, temos diante de afirmações como estas.
Será que estamos dando a devida atenção às falas de nossos interlocutores?
Quais são as implicações dessas falas? Mais do que darmos ouvidos a possíveis
falas dissonantes sobre a biblioteca e o nosso fazer profissional, seria
interessante buscarmos introduzir tais atribuições de sentido no cotidiano da
biblioteca. É essencial que entendamos a universidade, com seus institutos,
faculdades, departamentos e setores como um conjunto de práticas que são
socialmente construídas por atores que interagem entre si e que estão em
constante movimento.
Retornando para o caso aqui em pauta, será que nós, profissionais da
informação, ao nos depararmos com a “presença” cada vez mais constante das
monografias no âmbito das bibliotecas, temos procurado compreender qual o
papel da monografia na dinâmica da vida acadêmica? Como será que cada um
dos atores deste universo se relaciona com este objeto? Nossa tentativa, com
esta investigação, caminha nesta direção: Focalizar estes diversos atores em
suas relações com a monografia.
Estão em curso tanto a observação participante quanto as entrevistas
que estamos realizando para esta investigação. Desta forma, consideramos a
análise desses dados ainda incipiente. Contudo, algumas situações dignas de
nota emergiram tanto da observação da circulação em torno de nosso objeto na
biblioteca como das entrevistas. Arrolamos, abaixo, algumas das falas/situações,

�14

classificadas conforme a posição ocupada pelo interlocutor na universidade, ou
seja, professor, servidor da biblioteca (bibliotecário ou não), alunos15:
� No caso dos bibliotecários e servidores técnico-administrativo:
� O plágio. A “cópia” surge, nas falas dos bibliotecários e da servidora
técnico-administrativa da biblioteca, como o grande problema
quando se trata de monografias na biblioteca. As bibliotecárias
entrevistadas, de maneira mais ou menos explícita, colocaram a
questão da relação custo-benefício quanto ao tratamento das
monografias, tendo em vista que, segundo elas, é um material que
só é usado para cópia, não sendo um instrumento para a pesquisa.
� Fragilidade física do material. Não há uma padronização e nem
mesmo um cuidado quanto ao material que é encaminhado para as
bibliotecas. Folhas grampeadas, encadernação em espiral, versões
com anotações da banca são alguns exemplos de como a
monografia se torna um material que “fisicamente não é apropriado
para o armazenamento”.
� Documento marginal. A percepção de que a monografia é um “filho
que ninguém quer”. Alunos não gostam de fazer, professores não
gostam de orientar, secretarias não querem armazenar, bibliotecas
não gostam de tratar.
� Qualidade duvidosa do material. São materiais ainda iniciais no que
diz respeito à pesquisa científica;
� Material valioso para os alunos. Apesar da grande preocupação com
as cópias, a idéia de que, se a consulta às monografias for realizada
seriamente, elas constituem importante elemento para a pesquisa.
� Professores:
� Primeiro passo para uma vida acadêmica
� Falta, por parte da universidade, um incentivo aos alunos quanto à
importância da monografia.
15

Esta classificação precisa ser matizada, pois não é nossa intenção incorrer em generalizações. Por
exemplo, no caso dos alunos, entendemos que existe uma diferença significativa entre a trajetória de um
aluno de graduação do primeiro período e de um aluno de períodos posteriores, ou, ainda, entre discentes de
graduação e de pós-graduação.

�15

� Acervo de suma importância para formação de pesquisadores
� Necessidade de divulgação do acervo
� Plágio. Atualmente parece existir um comércio generalizado de
monografias
� Discentes
� Importante para a formação
� Porta de entrada para a pesquisa científica
� Instrumento para avaliação do aprendizado
� Pouca orientação por parte dos professores e da universidade
Conforme ressaltamos, a investigação aqui em pauta ainda está em
uma fase inicial. A análise prévia dos dados sugere alguns pontos para a nossa
reflexão, entre os quais gostaríamos de dar destaque a um grupo de questões
que surgem quando analisamos os dados até agora construídos, a saber: de que
forma podemos incorporar as falas de nossos usuários em nosso fazer
profissional? E, para além da escuta das vozes, quais seriam as implicações se
resolvêssemos levar a sério as relações que esses diversos personagens
estabelecem com as monografias ao longo de sua trajetória na universidade? O
desafio está, sugerimos, em adotar uma nova lente para os conceitos tradicionais
com os quais lidamos. Não mais “materiais”, “usuários”, “bibliotecas”, mas práticas
socialmente construídas, situadas e que se inter-relacionam. Para o caso aqui em
pauta, o das monografias, seria interessante adotarmos a posição de Bruno
Latour, que, em relação aos materiais que circulam por bibliotecas, assinala que,
o signo não remete de início a outros signos, e sim a um trabalho
de produção tão concreto, tão material quanto a extração de
urânio ou de antracito. Um gabinete de curiosidades, um volume
de pranchas ornitológicas, um relato de viagem devem, pois, ser
tomados como a ponta de um vasto triângulo que permite, por
graus insensíveis, passar dos textos a situações e voltar aos
livros por intermédio das expedições, da transposição em
imagem e das inscrições (LATOUR, 2000, p.24).

Para Latour, “os textos agem sobre o mundo e circulam em redes
práticas e instituições que nos ligam a situações” (LATOUR, 2000 p.26). Nesta
perspectiva, as bibliotecas, “esses lugares silenciosos, abrigados, confortáveis

�16

dispendiosos, onde leitores escrevem e pensam, se ligam por mil fios ao vasto
mundo cujas dimensões e propriedades transformam” (LATOUR, 2000, p.42), e
assumem uma postura não de depósitos ou de “fortalezas isoladas”, mas de um
espaço de movimento, de triagem, por onde as informações circulam.

REFERÊNCIAS
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (Brasil). Resolução nº 1, de 3 de abril
de 2001. Estabelece normas para o funcionamento dos cursos de pós-graduação.
Disponível em: &lt;http://www.portal.mec.gov.br&gt;. Acesso em: 10 jun. 2008.
DOCUMENTOS sobre formação em psicologia. Disponível em
&lt;http://www.abepsi.org.br/web/LinhadoTempo.aspx&gt;. Acesso em: 10 jun. 2008.
CASTRO, Nilvade J. de, ROSENTAL, Rubens. A experiência da disciplina de
Técnicas de Pesquisa e seu impacto sobre a monografia no IE-UFRJ: um estudo
de caso. Disponível em:
&lt;http://www.nuca.ie.ufrj.br/seminariomonografia/programacao.htm&gt;. Acesso em:
11 jun. 2008.
LAKATOS, Eva Maria, MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia científica.
2.ed. São Paulo: Atlas, 1991.
LATOUR, Bruno. Redes que a razão desconhece. In: BARATIN, Marc, JACOB,
Christian. O poder das bibliotecas: a memória dos livros no ocidente. Rio de
Janeiro: UFRJ, 2000.
MENDES, Armando. Diretrizes curriculares de ciências econômicas: manual de
uso da monografia. Notícia – roteiro para a reflexão. Disponível em:
&lt;http://www.nuca.ie.ufrj.br/seminariomonografia/programacao.htm&gt;. Acesso em:
11 jun. 2008.
REIS, Linda G. Produção de monografia: da teoria à prática. Brasília: Senac,
2006.
SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monografia. São Paulo: Martins
Fontes, 1997.
SANTOS, Antonio Raimundo dos. Metodologia científica: a construção do
conhecimento. 4. ed. Rio de Janeiro: DP&amp;A, 2001.

__________________
1
2

Alberto Calil Elias Junior, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, caliljr@gmail.com.
Márcia França Ribeiro, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, marciafr@uerj.br.

�</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </file>
  </fileContainer>
  <collection collectionId="30">
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="46949">
                <text>SNBU - Edição: 15 - Ano: 2008 (CRUESP - São Paulo/SP)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="46950">
                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="46951">
                <text>Tema: Empreendedorismo e inovação: desafios da biblioteca universitária</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="46952">
                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="46953">
                <text>CRUESP</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="46954">
                <text>2008</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="46955">
                <text>Português</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="46956">
                <text>Evento</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="46957">
                <text>São Paulo (São Paulo)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
  </collection>
  <itemType itemTypeId="8">
    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
  </itemType>
  <elementSetContainer>
    <elementSet elementSetId="1">
      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
      <elementContainer>
        <element elementId="50">
          <name>Title</name>
          <description>A name given to the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="47587">
              <text>A biblioteca univeristária, a monografia e seus personagens.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="39">
          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="47588">
              <text>Calil Júnior, A.; Ribeiro, M. F.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="38">
          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="47589">
              <text>São Paulo (São Paulo)</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="45">
          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="47590">
              <text>CRUESP</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="40">
          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="47591">
              <text>2008</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="51">
          <name>Type</name>
          <description>The nature or genre of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="47593">
              <text>Evento</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="41">
          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="47594">
              <text>Nos últimos anos, as demandas em torno das monografias vêm ganhando espaço no cotidiano das bibliotecas universitárias. São alunos que chegam querendo consultá-las; coordenadores de cursos e professores que procuram a biblioteca para que passe a ser a encarregada desse material; profissionais da informação questionando-se sobre a presença destas na biblioteca; enfim, toda uma série de novas possibilidades que surgem no entorno desse “objeto”. Tais demandas têm exigido, por parte dos profissionais da informação, esforços no sentido da elaboração de políticas voltadas para o tratamento desse “material bibliográfico”. Tendo por base este contexto, buscamos, nesta comunicação, trazer alguns elementos para a reflexão em torno desse objeto, avaliando em que medida as iniciativas propostas pelas bibliotecas contemplam as relações que os diversos atores travam com a monografia no decorrer de suas trajetórias acadêmica. Para tal, apresentamos algumas conclusões iniciais da investigação que atualmente realizamos com a comunidade acadêmica sobre o lugar da monografia na trajetória de alguns dos personagens que compõem o universo da academia, a saber: docentes, discentes e profissionais da informação.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="44">
          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="67747">
              <text>pt</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
      </elementContainer>
    </elementSet>
  </elementSetContainer>
  <tagContainer>
    <tag tagId="19">
      <name>snbu2008</name>
    </tag>
  </tagContainer>
</item>
