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GESTÃO DE PESSOAS NA PERCEPÇÃO DE UM BIBLIOTECÁRIO:
relações interpessoais da biblioteca da Escola de Engenharia da UFMG
SILVA, D. A.1

RESUMO
A gestão do capital humano baseia-se em competências técnicas, conceituais,
relacionais, motivacionais e de lideranças que proporcionam à Biblioteca alcançar os
objetivos, valorizando os seus profissionais não só pela técnica, mas como pessoas,
através do desenvolvimento do trabalho em equipe. Chama-se a atenção para o
papel do bibliotecário chefe com relação ao desenvolvimento das competências
necessárias à gestão de pessoas, apontando- lhe seu papel face às novas
exigências da sociedade retratada aqui nas Bibliotecas Setoriais da Escola de
Engenharia da UFMG.
Palavras-chave: Gestão da Informação. Fator Humano nas Organizações.
Competências dos Profissionais da Informação. Motivação.

ABSTRACT
The management of human capital is based on technical skills, conceptual and
relational, motivation and leadership provides the Library achieve their professional
goals valuing not only the technical, but as people through the development of
teamwork. Draws attention to the role of chief librarian in connection with the
development of skills necessary for the management of people, showing them their
role against the new requirements of society represented here in the Libraries
Sectional of the Escola de Engenharia at UFMG.
Keywords: Information Management. Human fator in the organizations. Information
Professional Skills. Motivation.

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1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca da Escola de Engenharia da UFMG, atualmente, funciona em
dois prédios, distantes um do outro aproximadamente 10 km, um no centro de Belo
Horizonte e outro no Campus Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na
Pampulha, também denominado Pavilhão Central de Aulas - PCA. A administração
tem como objetivos: valorizar o ser humano; estimular o desenvolvimento pessoal e
profissional de seus funcionários; resgatar a essência de cada indivíduo, ou seja,
valorizar as habilidades de cada um; adotar metodologia própria para capacitar,
qualificar e aplicar uma dinâmica de grupos diferenciados, com a participação de
todos os funcionários, de modo que a idéia seja disseminada de forma agradável e
ao mesmo tempo consistente. A presença do gestor na frente de todas as atividades
- até então não existente - deu uma forma transparente e estímulo à auto-reflexão
em relação à postura profissional, aos paradigmas existentes e às novas
concepções que atualmente se impõem aos profissionais da informação. As idéias
de: assumir iniciativas; ir além das suas atribuições; gerenciar situações atípicas no
trabalho; e ser responsável pelo seu desenvolvimento e capacitação; partiram do
envolvimento de toda equipe no I Encontro do Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal de Minas Gerais - SB/UFMG.

2 HISTÓRICO
A Biblioteca da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas
Gerais (BEE/UFMG) foi fundada juntamente com a Escola Livre de Engenharia em
21 de maio de 1911, ano do centenário do patrono da Engenharia Nacional,
Christiano Otoni. O acervo é formado hoje por 36.702 obras, entre livros, teses,
memórias, normas técnicas etc., que cobrem as áreas das Engenharias: Civil;
Controle e Automação; Elétrica; Eletrônica; Mecânica; Metalúrgica; de Minas;
Produção; Química e Nuclear. Mantém 1.555 títulos de periódicos nacionais e
estrangeiros. Desses títulos, 288 são assinados pelo Portal Capes, o que permite ao
usuário o acesso on-line.

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A biblioteca encontra-se hoje automatizada em seus serviços de
empréstimo e tratamento do material bibliográfico, integrando-se à rede da UFMG
via Pergamum. O Sistema permite ao usuário a renovação e reservas de livros pela
Internet. Devido à migração dos cursos de Engenharia Elétrica, Eletrônica, Nuclear,
Mecânica, Produção e Controle e Automação para o Campus da UFMG, a Biblioteca
da Escola de Engenharia passou a contar com uma sucursal localizada no Pavilhão
Central de Aulas - PCA. Os alunos durante o ciclo básico são atendidos,
principalmente, pela Biblioteca Central da UFMG, que possui acervo específico para
atender ao ciclo básico da área de Ciências Exatas, Ciências Biológicas e
Geociências. A Biblioteca da Escola de Engenharia da UFMG oferece os serviços:
empréstimo domiciliar e entre bibliotecas; atendimento aos usuários; comutação
bibliográfica;

orientações

à

pesquisa

bibliográfica;

normalização

de

fichas

catalográficas; treinamentos de usuários etc. O site da biblioteca está passando por
uma reestruturação completa, visando melhorar os serviços e com isso atender
melhor aos usuários
As bibliotecas contam com o seguinte quadro de pessoal técnico e
administrativo: 06 Bibliotecários; 08 auxiliares administrativos; 05 estagiários da
Fundação Mendes Pimentel e 04 porteiros. Os auxiliares possuem formação
diversificada, assim composta: uma terapeuta ocupacional, uma mecanógrafa, um
porteiro graduado em Letras, uma cozinheira, um especialista em gestão estratégica
da informação.

3 ADMINISTRAÇÃO DAS BIBLIOTECAS
O sucesso da administração depende de como o administrador vai aplicar
seus conhecimentos em situações complicadas que nem sempre estão sob seu
controle. Para desempenhar bem sua função ele precisa de habilidades técnicas,
que é utilizar conhecimentos, métodos, técnicas e

equipamentos necessários para

realizar as tarefas tendo como sustentação sua educação e experiência profissional.
Segundo Chiavenato (2002), a habilidade técnica "é a habilidade de fazer coisas
concretas e práticas e está muito relacionado com o hardware disponível". Pode-se,
a partir dessa afirmação, obter e aplicar os recursos disponíveis com os

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equipamentos da biblioteca, principalmente as tecnologias da informação. Sabendo
abstrair tudo que o software utilizado pelo Sistema de Bibliotecas da UFMG, o
Pergamum, que além de relatórios dá uma visibilidade em todos os setores da
biblioteca. É possível ao gestor detectar os pontos fracos, procurando solucioná-los,
e os pontos fortes, esforçando-se para que continuem colaborando para o bom
desempenho da biblioteca.
Outra habilidade fundamental ao gestor é a habilidade humana. Como
nos relata Chiavenato (2002), "consiste na capacidade e discernimento para
trabalhar com pessoas, comunicar, compreender suas atividades e motivações e
desenvolver uma liderança eficaz". Com essa habilidade o administrador tem a
oportunidade de colocar os seus conhecimentos psicológicos, orientando os
funcionários, liderando-os e motivando-os.
E a habilidade conceitual "consiste na capacidade para lidar com idéias e
conceitos abstratos" Chiavenato (2002). São através de conceitos, idéias globais,
valores e regras que a pessoa é capaz de vislumbrar o futuro, ou seja, definir ações
necessárias, além de resolver os problemas e de gerar inovações.
O intercâmbio dessas habilidades permitem posições e supervisões. São
as habilidades conceituais que permitem decidir os destinos e estratégias da
organização.
Atualmente, para gerenciar as duas bibliotecas, o gestor tem que se
desdobrar, ou seja, dividir o tempo entre a Biblioteca do Centro e a do Campus, e
ser o elo entre elas, fazendo que ocorra a unificação sem muitos transtornos,
observando as diferenças, corrigindo quando necessário, mas o mais importante:
elogiando e elevando sempre a auto-estima dos funcionários. Aí é que está a chave
do sucesso de uma boa administração: ver o lado institucional, mas não deixar o
lado humano. Uma biblioteca para atender bem os seus usuários tem que contar
com um quadro de funcionários com a auto-estima elevada e satisfeita, pois isso é
uma corrente que começa bem e termina melhor ainda. E como fazer isto no Setor
Público, onde o servidor vive com a auto-estima baixa, sem aumentos salariais,
carga horária pesada, e ainda vê o seu colega de outro setor que não se preocupa
em cumprir sua carga horária? A biblioteca, tradicionalmente, afasta os funcionários,

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pois é um setor que tem que ficar aberto todo o tempo de funcionamento da Escola,
e tem uma carga de serviços muito pesada.

3.1 Metodologia
A metodologia foi definida tendo como parâmetro a motivação, pois, como
Carvalho (2001) diz: "a assimilação de um determinado assunto é mais eficiente e
interessante quando os participantes sentem-se motivados em seu aprendizado".
Coube também um pouco de psicologia da observação, que foi adotada durante seis
meses. Durante este tempo, tendo em vista o grau de satisfação ou insatisfação,
toda equipe foi observada de perto, cada um na sua função e disso coube uma
reflexão: o que precisava mudar. Claro que todas as opiniões foram anotadas.
Um método precisava ser introduzido, trazendo uma uniformidade de
parâmetros entre as duas bibliotecas, quanto aos horários, serviços e atendimentos.
Depois desses seis meses de observação começou-se a introduzir as mudanças,
sempre de forma suave, sem agredir a individualidade de cada um e suas
características pessoais: temperamentos, jeito de agir, enfim o perfil de cada
funcionário.
Em primeiro lugar não se mudou o que era considerado bom e não
apresentava reclamações. Vagarosamente introduziram-se as alterações que vieram
acarretar mais satisfação e fizeram com que as tarefas fossem executadas de forma
satisfatória e correta, sempre observando as normas da Biblioteca e o grau de
satisfação do usuário. Uma condição essencial foi atribuída a todos: que
assumissem uma postura de autonomia em relação ao serviço e em especial ao
colega. Isto veio valorizar cada serviço e trazer benefícios, pois cada funcionário
passou a pensar no outro e que todos os serviços funcionam em cadeia. Outra
condição foi a criatividade como ação reflexiva e crítica. A espontaneidade e a
flexibilidade também presentes, fizeram parte da reflexão sugerida na dinâmica da
equipe.
As atividades envolvem um trabalho em grupo e isto torna-as
interessantes, pois o envolvimento de todos produzem resultados importantes,

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principalmente diante das dificuldades do dia-a-dia e frente aos usuários. Pois
quando a equipe está bem estruturada não há "furos" e nem usuários insatisfeitos.
Considerando esta afirmação, a participação de todos foi fundamental
para o sucesso de todas as atividades. Para que a equipe fosse envolvida, adotouse a metodologia de escala. As escalas foram planejadas por setores com os
respectivos nomes e horários de trabalho.
A autonomia permite ao indivíduo tomar decisões frente às dificuldades,
gerenciar e assumir as responsabilidades pelos resultados de suas atitudes e por
sua atuação no processo de trabalho. A capacitação e a qualificação no mercado de
trabalho atual são indispensáveis à gestão de recursos humanos no processo de
aprendizagem organizacional, considerando o aumento da qualidade e produtividade
das

atividades,

sendo,

inclusive,

um

fator

de

satisfação

do

empregado

(GONÇALVES, 2006). A qualificação, juntamente com o treinamento, permite que o
indivíduo se conscientize cada vez mais da importância de seu papel dentro das
organizações. Assim, o investimento e o estímulo à capacitação, através de um
ambiente para a expressão individual dos funcionários, indubitavelmente, irão refletir
positivamente na instituição. As organizações são dependentes das inovações e
melhorias em seus sistemas e produtos, e estas dependem da criatividade das
pessoas (ANDRIANI, 2004). O indivíduo deve ser conscientizado de que a sua
capacitação é condição essencial para a construção de seu futuro, possibilitando
maiores

oportunidades,

valorização,

reconhecimento

profissional

e,

conseqüentemente, o sucesso.
No ano de 2007 aconteceu o I Encontro do Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal de Minas Gerais (SB/UFMG), no qual a Biblioteca da Escola
de Engenharia da UFMG recebeu o prêmio de 1° lugar entre as Bibliotecas do
SB/UFMG. Este evento serviu de estímulo maior, principalmente, ao pessoal auxiliar
administrativo que se sentia discriminado diante de eventos na área de
Biblioteconomia. Esses funcionários solicitavam sua participação nos eventos da
área, pois somente aos bibliotecários era dada a oportunidade de participar dos
mesmos.

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Vale dizer que, embora, o quadro de funcionários das duas bibliotecas
seja deficitário e o horário de atendimento prolongado em relação a outros setores
da Escola, isso não compromete o atendimento aos usuários e o desempenho das
atividades das bibliotecas. Nesse ponto foi essencial a valorização dos funcionários
e adaptação desses em outras atividades.

3.2 Avaliação
O comportamento dos funcionários e a transparência na gestão atual
evidenciou-se numa integração com os outros setores da Escola e inclusive o
respaldo da Diretoria, que até então não via a Biblioteca com bons olhos.
A coordenação das bibliotecas buscou atender a todos sem prejuízos, de
tal maneira que alguns funcionários comentavam entre si que algo diferente estava
acontecendo. A avaliação do comportamento dos funcionários, que normalmente
ocorre através de depoimentos, aconteceu naturalmente, na forma de elogios e de
palavras de estímulo recebidos pela equipe. O entrosamento de todos trouxe mais
satisfação para toda a equipe, motivando-os a exercerem seus trabalhos com mais
eficiência e isto proporcionou qualidade nos serviços oferecidos e uma maior
satisfação aos usuários
As soluções foram simples e eficientes e não oneraram aos custos da
Instituição, pois foram realizadas varias reuniões entre a equipe das Bibliotecas,
sempre observando as características das atividades e os perfis dos funcionários.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A participação dos funcionários durante a observação possibilitou maior
envolvimento e interação do grupo e uma aprendizagem ativa. A sua eficácia foi
garantida pelo número de participantes e pelo dinamismo da metodologia,
considerando que situações estáticas não atenderiam às expectativas da biblioteca.
A dinâmica proporcionou maior integração da equipe, independente das
afinidades pessoais, um envolvimento considerável e a satisfação dos participantes,

�8

cujo momento vivenciado de maneira adequada evidenciou harmonia nas relações
interpessoais, que contribui para o desempenho das atividades compartilhadas no
ambiente de trabalho.
A comunicação entre o gestor e participantes foi facilitada e a mensagem
foi transmitida com sucesso, devido à diversidade de recursos utilizados na dinâmica
da metodologia, independente da heterogeneidade da equipe.
O gestor teve como responsabilidade conscientizar os participantes da
importância do assunto: a autonomia na busca da capacitação. A postura adequada
e positiva do chefe foi condição essencial para que este objetivo fosse alcançado.
A assimilação do conceito pôde ser comprovada através da participação
dos funcionários em cursos e treinamentos registrados no sistema de informação da
Biblioteca.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A expectativa dos funcionários das Bibliotecas da Escola de Engenharia
da UFMG, é de que cada um procure desenvolver suas atividades, tenha acesso
aos novos conceitos e busque um bom ambiente de trabalho, tornando-o mais
humanizado.
Um dos desafios da administração é não deixar que a equipe acabe
acomodando-se, não buscando melhorias e crescimentos. Para que isto não ocorra,
cabe ao gestor o papel de estimular e incentivar a todos, dando-lhes oportunidades
de valorização e tentativas de melhorias como cursos, treinamentos e participação
em eventos. O crescimento profissional deve tornar-se uma atividade rotineira, pois
isto valoriza o ser humano, que resulta num melhor desempenho de seu papel na
Biblioteca.

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2006.

_________________
1

Dora Aparecida da Silva, Universidade Federal de Minas Gerais. Escola de Engenharia, Especialista
em Gestão Estratégica da Informação pela Escola de Ciência da Informação da UFMG,
dora@bib.enq.ufmg.br, dorabiblio@yahoo.com.br.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <text>A gestão do capital humano baseia-se em competências técnicas, conceituais, relacionais, motivacionais e de lideranças que proporcionam à Biblioteca alcançar os objetivos, valorizando os seus profissionais não só pela técnica, mas como pessoas, através do desenvolvimento do trabalho em equipe. Chama-se a atenção para o papel do bibliotecário chefe com relação ao desenvolvimento das competências necessárias à gestão de pessoas, apontando- lhe seu papel face às novas exigências da sociedade retratada aqui nas Bibliotecas Setoriais da Escola de Engenharia da UFMG.</text>
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