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ACESSIBILIDADE EM AMBIENTES INFORMACIONAIS DIGITAIS DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS:
foco em usuários com diferentes condições sensoriais auditivas
CORRADI, J. A. M.1
VIDOTTI, S. A. B. G.2

RESUMO
No contexto da Ciência da Informação, a acessibilidade em ambientes
informacionais de bibliotecas universitárias envolve os processos de tratamento,
representação, recuperação, disseminação, acesso e uso da informação com foco
no usuário. Objetiva-se neste artigo destacar alguns elementos de acessibilidade
específicos aplicáveis ao planejamento de uma arquitetura da informação digital
acessível à heterogeneidade de usuários potenciais de ambientes informacionais
digitais, com ênfase as bibliotecas universitárias, considerando-se aqueles que
possuem diferentes condições sensoriais auditivas, em especial. Os avanços em
tecnologias de informação e comunicação, assim como a participação de usuários
específicos e heterogêneos, exigentes e interativos, têm permitido novas
possibilidades de relações sociais, de comunicação e informação entre as pessoas,
assim como novas formas de reflexão sobre os ambientes de bibliotecas
universitárias.
Palavras-chave: Acessibilidade. Bibliotecas universitárias. Ambientes digitais.
Inclusão. Surdez.

ABSTRACT
In the context of the Information Science, the accessibility in digital informational
environments the universities libraries envolves the treatment, representation,
retrieval, dissemination, access and information use processes have been focused in
the users. This paper aims to highlight some specific accessibility elements for the
planning of a digital information architecture accessible to the heterogeneity of
potential users of digital informational environments this emphasis in university
libraries, in especial, users with deaf. The advances in information and
communications technologies as well as the participation of heterogeneous and

�2

specific users have allowed new opportunities for social, communicational,
informational and new refletion about environment the universities libraries.
Keywords: Accessibility. Universities libraries. Digital environments. Inclusion.
Deafness.

1 INTRODUÇÃO
As discussões relacionadas à informação no âmbito tecnológico emergem
dos avanços em tempo e espaço propiciados pelas novas tecnologias de informação
e comunicação (TICs). Estes avanços impulsionaram transformações nos processos
de recolhimento, difusão, produção de conteúdos informacionais e na organização
de interfaces digitais de bibliotecas universitárias.
Graças às tecnologias de informação e comunicação vem ocorrendo
crescentes

mudanças

e

adequações

comportamentais

por

parte

de

desenvolvedores, profissionais da informação e de usuários destes ambientes, o que
tem acarretado em publicações de diretrizes, recomendações e legislações
relacionadas à promoção da acessibilidade em prol da inclusão de usuários
específicos.
Em

conformidade

com

o

pesquisador Fernández-Molina

(2004a),

verificam-se melhorias e amplas possibilidades de acesso à informação digital,
considerando sua abrangência via capilaridade da rede Internet. Similarmente,
Barreto (2002) menciona que a realidade informacional da Ciência da Informação
situa-se no “tempo do conhecimento interativo” (1995 até os dias atuais), o qual se
caracteriza pelo novo status do conhecimento, após a Internet e a World Wide Web
(web).
Por outro lado, tais avanços tecnológicos ocasionaram preocupações
éticas e políticas com as quais se depara Fernández-Molina (2004b), entre as quais
incluem-se: liberdade intelectual e censura; intimidade, confidencialidade e proteção
de dados pessoais; assim como direitos autorais. Destacam-se ainda o acesso e o
fornecimento da informação nestas preocupações.
Com isso, objetiva-se neste artigo centralizar reflexões sobre o
planejamento de uma arquitetura da informação digital que contemple a aplicação de

�3

elementos de acessibilidade como parte de um processo inclusivo, capaz de atender
as

necessidades

principalmente

informacionais

daqueles

com

de

usuários

diferentes

de

condições

bibliotecas
sensoriais

universitárias,
auditivas

e

lingüísticas.
Caracterizada como uma pesquisa exploratória e descritiva, este trabalho
se fundamenta principalmente no referencial bibliográfico do campo da Ciência da
Informação, em padrões de acessibilidade da Web Accessibility Initiative - WAI
(Iniciativa de Acessibilidade Web) do World Wide Web Consortium - W3C, de
legislações brasileiras referentes à temática e nas iniciativas de acessibilidade do eGov Brasil. Por meio deste arcabouço pontuaram-se os elementos de acessibilidade
que visam ampliar os acessos à informação por públicos-alvos heterogêneos e
específicos em ambientes informacionais digitais de bibliotecas universitárias.

2 ARQUITETURA DA INFORMAÇÃO EM AMBIENTES DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS
Torres, Mazzoni e Alves (2002) destacam a acessibilidade como um
processo dinâmico associado ao desenvolvimento de tecnologias e da sociedade em
estágios distintos, que variam entre as sociedades e a atenção dispensada à
diversidade humana em determinadas épocas. Com isso, os autores enfatizam que
promover a acessibilidade relaciona-se a apresentação, de maneira integral, de
conteúdos informacionais combinados de formas múltiplas de visualização:
redundância, sistema automático de transcrição de mídia, uso de tecnologias
assistivas que possam maximizar as habilidades dos usuários.
Ainda nesta perspectiva, acrescenta Dias (2003), que a acessibilidade na
web significa que qualquer pessoa, com qualquer tipo de tecnologia de navegação
(gráficos, textuais, especiais para cegos ou para sistemas de computação móvel)
seja capaz de interagir com qualquer site, e compreenda inteiramente as
informações nele apresentadas.
Corradi (2007, p. 53) compreende a acessibilidade digital “como a
condição de acesso e uso, com autonomia e independência, de sistemas

�4

computacionais, ambientes informacionais e meios de comunicação, independente
das condições sensoriais, lingüísticas e motoras dos usuários.” Afirma a
pesquisadora que as barreiras ou os obstáculos que dificultem ou impeçam o acesso
à informação e a comunicação relacionam-se diretamente à ausência de elementos
de acessibilidade, tratamento inadequado das informações e/ou inconsistência na
interface. Da mesma forma, enfatiza que a informação integral de forma redundante
e consistente deve ser estruturada de forma flexível em ambientes digitais, assim
como os designers de interfaces devem ser construídos a fim de viabilizar o acesso
à diversidade de usuários potenciais destes ambientes.
Em conformidade com Nielsen (2000) as informações on-line oferecem
benefícios a usuários com diferentes condições sensoriais, que estimulados pelos
computadores, realizam tarefas que seriam difíceis com a tecnologia tradicional.
Para tanto, o autor considera fundamental incluir o maior número de recursos de
acessibilidade em ambientes web, de forma específica, embora diversos destes
possam ser aplicados em qualquer ambiente informacional digital, a partir de um
planejamento da arquitetura da informação.
No âmbito da arquitetura da informação digital acessível destaca-se o
planejamento de interfaces condizentes com as necessidades informacionais e
tecnológicas de usuários heterogêneos. Esta arquitetura pode ser composta por
alguns elementos básicos como os sistemas de organização, de navegação, de
rotulagem, os mecanismos de busca, os metadados, os vocabulários controlados e
os tesauros (MORVILLE; ROSENFELD, 2006).
Com isso, como fator determinante na estruturação de interfaces digitais, a
arquitetura da informação surge, associada a acessibilidade, como base conceitual e
tecnológica capaz de apresentar elementos eficazes para viabilizar o acesso
autônomo e independente de usuários potenciais em ambientes informacionais
digitais, incluindo-se nestes as bibliotecas universitárias.
Para Morville e Rosenfeld (2006), o planejamento de um website deve
esclarecer a missão do site; determinar o conteúdo e a funcionalidade que este
conterá; especificar como os usuários encontrarão as informações neste ambiente a
partir da organização, navegação, classificação e sistemas de busca disponíveis;

�5

mapear as acomodações de mudanças e de crescimento do ambiente com o passar
do tempo.
Este planejamento vem ao encontro do que define Lara Filho (2003) ao
mencionar a ordem na complexidade do hipertexto como possibilidade de leituras de
documentos, no intuito de garantir a acessibilidade aos usuários. Desta forma, no
contexto

informacional

de

bibliotecas

universitárias,

a

acessibilidade

e

a

navegabilidade visam atender as especificidades de usuários diversos que requerem
a implantação de tecnologias de informação e comunicação condizentes com suas
necessidades, preferências e habilidades no planejamento de interfaces.
Para atender às necessidades informacionais e tecnológicas de usuários
específicos e suas características sensoriais, lingüísticas e motoras, mencionam-se
os elementos de acessibilidade pontuados por Corradi e Vidotti (2007). Para a
pesquisadora usuários com problemas auditivos ou surdos necessitam de:
�

Intefaces digitais com a presença da Língua de Sinais: visam atender às
necessidades informacionais de usuários que utilizam a Língua de Sinais nas
interações sociais e comunicativas de forma privilegiada.

�

Vídeos com legendas ocultas (closed caption) em português: acessibilidade a
usuários com problemas auditivos alfabetizados, que possuem habilidades na
leitura e compreensão de textos.

�

Alertas piscantes ao invés de sonoros em interfaces digitais: melhoria na
qualidade de uso de sistemas informacionais por usuários surdos severos ou
profundos, uma vez que os estímulos sonoros os excluem dos alertas destes
sistemas.

�

Ajustes de som para atender aos diferentes limiares de surdez: elemento que
pode atender aos usuários com limiares de surdez leve ou moderada, assim
como aqueles que vêm perdendo a audição por fatores orgânicos diversos.
A disseminação de informações em Língua de Sinais pode ser

considerada condição de acessibilidade para usuários surdos severos e profundos
que se comunicam, preferencialmente, por meio da Língua Brasileira de Sinais LIBRAS. Todavia, sabe-se que não são todos os surdos que se utilizam da Língua
de Sinais para mediar suas interações, comunicações e informações. Portanto, para

�6

viabilizar condições de acesso a uma camada ampliada de usuários com problemas
auditivos propõe-se uma ampla reflexão apoiada na perspectiva bilíngüe da surdez
no âmbito da inclusão de surdos no ambiente digital de bibliotecas universitárias.
Nesta perspectiva, o bilingüismo valoriza a Língua de Sinais como natural
aos indivíduos surdos e a língua oral/escrita de sua nacionalidade como segunda
língua de acesso às informações. Podem ser considerados como exemplos de
viabilidade do bilingüismo no âmbito digital o uso de legendas ocultas em ambientes
informacionais, assim como a aplicação de recursos que possibilitam ajustes
sonoros em interfaces.
Da mesma forma, existem elementos de acessibilidade que podem
atender às especificidades de usuários com problemas visuais (CORRADI; VIDOTTI,
2007), os quais podem ser planejados na arquitetura da informação com destaque:
�

Interfaces digitais acessíveis por meio de softwares leitores: quando
devidamente descrita em metadados permitem o uso destes programas com
satisfação por parte do usuário. Incluem-se nestas descrições as imagens,
fotografias, tabelas, gráficos e demais informações visuais.

�

Alertas sonoros em interfaces digitais: os estímulos sonoros são fundamentais
para orientar os usuários com problemas visuais em sua navegação pela
interface digital, inclusive para àqueles com cegueira.

�

Ajustes de tamanho de fonte e contrastes de cores em ambientes digitais:
permitem que usuários com baixa visão ou fotosensibilidade possam acessar
o conteúdo disponível.

�

Tipos de documentos em formatos acessíveis e usáveis por meio de
softwares leitores de telas mais simples: torna-se necessário aplicar
tecnologias que sejam compatíveis a utilização destes softwares.

�

Conteúdos em formatos de áudio: beneficiam os usuários com problemas
visuais, assim como favorecem àqueles que desejam acessá-los neste
formato, independente de sua condição sensorial.

�

Ajustes de som: elemento que pode atender a diversidade de usuários,
independente de sua condição sensorial visual e auditiva.

�7

Alguns dos elementos de acessibilidade podem ser considerados também
de personalização pelo usuário, em conformidade com suas condições sensoriais,
habilidades e desejos (CORRADI, 2007). Assim, destaca-se a diferenciação entre o
auto-contraste (fundo preto e letras brancas) e versão monocromática (em tons de
cinza), elemento de acessibilidade que permite aos usuários com problemas visuais
melhores condições de acesso e de uso aos conteúdos informacionais disponíveis,
diminuindo, até certo ponto, a luminosidade da tela para aqueles que possuem
problemas com fotosensibilidade.
Os testes de acessibilidade de ambientes informacionais digitais por meio
de softwares leitores de tela ocorrem por meio de programas específicos, os quais
podem ser livres e/ou proprietários, com custos variáveis de acordo com as
necessidades do usuário e sofisticação de recursos e ferramentas. Estes programas
são acionados via teclado, com uso de teclas específicas que emitem estímulos
sonoros ao usuário, que acompanha a navegação pelo sistema, redige textos,
realiza leitura de conteúdos acessíveis via a leitura da tela e a sintetizadores de
vozes.
Usuários com mobilidade reduzida podem utilizar dispositivos externos
para acessarem ambientes digitais, como por exemplo, apontadores de cabeça,
mouses adaptados e/ou teclados em colméia. Mas, se o planejamento do ambiente
informacional digital estiver em conformidade com os padrões e normas de
acessibilidade, o usuário terá disponível no próprio sistema recursos tecnológicos
que podem viabilizar sua condição de acesso e uso, conforme pontuam Corradi e
Vidotti (2007):
�

Interface navegável via teclado: permite ao usuário navegar pelo sistema
informacional, independente da habilidade e precisão no uso do mouse.

�

Redução das barras de rolagem na visualização do conteúdo e elementos de
interface: evitam destreza de movimentos do usuário para acessar os
conteúdos, além de favorecer a navegabilidade do usuário pelo ambiente por
meio de conteúdos mais visíveis.

�

Ajustes de contraste, tamanho da fonte e sonoros disponíveis e acessíveis ao
usuário: possibilitam ao usuário ajustar e personalizar a interface em

�8

conformidade com seu interesse, desejo e condições sensoriais, cognitivas e
motoras.
�

Redução de estímulos animados e dinâmicos: os usuários com mobilidade
reduzida precisam de um controle amplo no acesso e uso das informações
digitais.

�

Controle do usuário na navegação pela interface: permite ao usuário controlar
o acesso ao conteúdo informacional: acionar, pausar, retroceder ou avançar.

�

Evitar ícones muito pequenos e espaços para cliques precisos e reduzidos: se
o usuário utiliza mouse adaptado para acessar a interface os ícones
pequenos e que necessitam de cliques precisos podem ocasionar dificuldades
no acesso e uso do sistema informacional.
Evitar determinados excessos é fundamental para o desenvolvimento de

ambientes digitais inclusivos no intuito de viabilizar a melhor usabilidade dos
sistemas informacionais. Realizar testes de acessibilidade com usuários específicos
auxilia no desenvolvimento de ambientes acessíveis e funcionais ao público-alvo
para o qual se destina a interface.
Vale destacar que alguns dos elementos pontuados neste artigo podem
ser encontrados em guias e recomendações de acessibilidade, no entanto, com o
desenvolvimento da pesquisa empírica com usuários específicos (surdos, cegos e
com mobilidade reduzida) foram adicionados novos elementos que podem ser
aplicados em interfaces digitais de diversos ambientes, inclusive no de bibliotecas
universitárias.
Para Torres, Mazzoni e Alves (2002, p. 83) o ambiente digital, criado pelas
tecnologias de informação e comunicação, possibilita
o atendimento às distintas formas de interação das pessoas com a
informação, respeitando as suas preferências e limitações, tanto
aquelas relacionadas aos equipamentos utilizados, quanto às
limitações orgânicas.

As transformações em ambiente informacionais digitais buscam atender às
necessidades dos usuários, facilitando a recuperação e o acesso às informações
nestas ambiências, por meio do tratamento, da representação, da disseminação e

�9

da organização de interfaces acessíveis a heterogeneidade de usuários de
bibliotecas universitárias.
A acessibilidade vem ampliando os espaços, sendo ênfase no Decreto n.
5296, 2 de dezembro de 2004, constituído por nove capítulos e setenta e dois artigos
que disciplinam o assunto em diversos ambientes (BRASIL, 2004). Embora uma
iniciativa relevante, destaca-se sua relevância e fragilidade social e política, pois o
Capítulo VI destinado ao acesso à informação e comunicação, com treze artigos,
apenas o Art. 47 refere-se à acessibilidade web, com destaque aos portais e sites
eletrônicos da administração pública na Internet, para o uso das pessoas com
problemas visuais. No que consiste a acessibilidade relacionada à surdez,
encontram-se regulamentações para o acesso ao serviço de telefonia e de legendas
ocultas na televisão, de forma específica e restrita. Com isso, a partir do próprio
arcabouço legislativo é possível identificar o estigma relacionado as minorias. As
interfaces de websites devem visar o acesso às informações, assim como permitir
interações sociais e intercâmbios culturais entre usuários com diferentes condições
sensoriais.
Os problemas relacionados à ausência de acessibilidade em ambientes
digitais foram constatados por Parmanto e Zeng (2005). Os autores apontaram que
apenas 8,81% de websites estão em conformidade com as prioridades do Web
Content Accessibility Guidelines - WCAG 1.0 do W3C, publicado como iniciativa de
acessibilidade web em 1999 pelo WAI (W3C, 1999). No entanto, em abril de 2006, o
W3C lançou o WCAG 2.0, que contém princípios, guias e critérios que definem e
explicam como tornar as informações web e softwares mais acessíveis (W3C, 2006).
De acordo com o W3C/WAI, a acessibilidade significa o alcance ampliado
de pessoas com diferentes condições sensoriais, incluindo cegueira e baixa visão,
surdez, dificuldades de aprendizagem, fotosensibilidade entre outros.
A arquitetura da informação, portanto, envolve o planejamento de
ambientes informacionais digitais, contando com a aplicação de recomendações de
acessibilidade nacionais e internacionais disponíveis, a fim de compor a infraestrutura destes ambientes. Além destes padrões e aparato legal, considera-se
fundamental verificar as possibilidades de implantação de novos elementos em

�10

interfaces digitais, valendo-se dos avanços em ciência e tecnologia (C&amp;T) e na
diversidade de usuários potenciais destes ambientes.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O emprego de tecnologias digitais, o planejamento da arquitetura da
informação acessível e os conteúdos digitais disponíveis por meio de recursos
hipermídia podem promover ambientes digitais significativos a ampla diversidade de
usuários. Assim, ambientes informacionais digitais inclusivos a usuários com
deferentes condições sensoriais, lingüísticas e motoras visam melhorar a autonomia,
independência e a qualidade de vida desses indivíduos na democratização do
conhecimento em ambientes de bibliotecas universitárias.
As possibilidades de tratamento e distribuição de informações digitais, pelo
impacto das tecnologias em informação e avanços no campo da informática
permitem a inclusão de diferentes tipos de usuários, em conformidade com suas
potencialidades. O suporte hipermídia e hipertextual de ambientes informacionais
digitais podem recuperar a mobilidade da cultura oral e visual, representando a
preservação cultural e histórica de determinadas comunidades, além de viabilizar a
expressão de grupos silenciados em suas próprias línguas.
Desta forma, a aplicação de elementos de acessibilidade digital visa
ampliar as condições de acesso e uso de interfaces, além de atender às exigências
legislativas, padrões e recomendações nacionais e internacionais. Isto se deve a
evolução nas tecnologias de informação e comunicação, aos recursos audiovisuais e
as tecnologias hipermídia que aceleraram a divulgação de conteúdos e outras
modalidades de tratamento e representação da informação.
No âmbito da Ciência da Informação há preocupação crescente com
interfaces digitais com destaque a recuperação, a busca, ao acesso e ao uso das
informações hipermídia e multilíngüe na interação homem-computador em
ambientes digitais diversos. Todavia, o processo de inclusão está em constante
evolução e desenvolvimento social, tecnológico e informacional, cabendo ao poder
público valer-se de seu arcabouço legal para promover ações em prol da efetivação

�11

da democracia na Sociedade da Informação, assim como de iniciativas específicas
de instituições de ensino que favoreçam usuários de bibliotecas universitárias com
diferentes condições sensoriais (temporárias ou permanentes).
Contudo, para se efetivar a clamada inclusão destacada em discursos
deve-se estruturar adequadamente a arquitetura da informação destes ambientes,
além de se divulgar as normas, padrões e leis vigentes. Deve haver uma
estruturação tanto em ambientes, quanto em ações sociais e movimentos políticos
que tornem a inclusão algo viável por meio de tecnologias de informação e
comunicação condizentes à realidade informacional de usuários potenciais
específicos em seus diversos contextos sociais, no qual incluem-se as bibliotecas
universitárias.

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�12

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&lt;www.w3.org/TR/WCAG10&gt;. Acesso em: 1 jul. 2007.

__________________
1

Juliane Adne Mesa Corradi, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Filosofia e
Ciências (FFC), Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPCI), Grupo de
Pesquisa Novas Tecnologias em Informação (GPNTI), julianeci@marilia.unesp.br.
2
Silvana Ap. Borsetti Gregorio Vidotti, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de
Filosofia e Ciências (FFC), Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPCI), Grupo
de Pesquisa Novas Tecnologias em Informação (GPNTI), vidotti@marilia.unesp.br.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Acessibilidade em ambientes informacionais digitais de bibiotecas universitárias: foco em usuários com diferentes condições sensoriais auditivas.</text>
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              <text>No contexto da Ciência da Informação, a acessibilidade em ambientes informacionais de bibliotecas universitárias envolve os processos de tratamento, representação, recuperação, disseminação, acesso e uso da informação com foco no usuário. Objetiva-se neste artigo destacar alguns elementos de acessibilidade específicos aplicáveis ao planejamento de uma arquitetura da informação digital acessível à heterogeneidade de usuários potenciais de ambientes informacionais digitais, com ênfase as bibliotecas universitárias, considerando-se aqueles que possuem diferentes condições sensoriais auditivas, em especial. Os avanços em tecnologias de informação e comunicação, assim como a participação de usuários específicos e heterogêneos, exigentes e interativos, têm permitido novas possibilidades de relações sociais, de comunicação e informação entre as pessoas, assim como novas formas de reflexão sobre os ambientes de bibliotecas universitárias.</text>
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