<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<item xmlns="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5" itemId="4300" public="1" featured="0" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" xsi:schemaLocation="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5 http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5/omeka-xml-5-0.xsd" uri="http://repositorio.febab.libertar.org/items/show/4300?output=omeka-xml" accessDate="2026-06-21T21:47:14-07:00">
  <fileContainer>
    <file fileId="3368">
      <src>http://repositorio.febab.libertar.org/files/original/30/4300/SNBU2008_149.pdf</src>
      <authentication>abdbfc7c4436f1ce469a0d61b049d7dc</authentication>
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="4">
          <name>PDF Text</name>
          <description/>
          <elementContainer>
            <element elementId="92">
              <name>Text</name>
              <description/>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="48297">
                  <text>��������������
�
� ��� ����� ����� ��� �� ���� ���������������
��� �� ��� ���� ���� ��� ��

��������������

��!"���"��!���#"$%��

IDENTIDADE E CRISE DE IDENTIDADE:
a realidade da Biblioteconomia brasileira
FELIPE, A. A. C.1
BANDEIRA, C. A. G.2
SANTOS, E. I.3

RESUMO
Discute a necessidade de uma reflexão filosófica no campo da Biblioteconomia
envolvendo alunos, professores, profissionais e órgãos de classe, para discutir e
debater sobre a problemática vivenciada no que diz respeito à formação acadêmica
e prática profissional. Objetiva definir diretrizes para minimizar tal crise de identidade
vivenciada pela área biblioteconômica refletida através do individualismo, da falta de
mobilização ampla e conjunta, e do desenvolvimento de ações restritas e
insignificantes de mudança para a minoria da classe. Ressalta que aspectos como a
consciência de classe, o senso de progressão e a perspectiva sócio-educacional
devem ter mais destaque, tendo como prioridade o suprimento das necessidades
informacionais da sociedade. Enfatiza que as bibliotecas públicas, escolares,
comunitárias, universitárias e especializadas devem trabalhar em consonância com
seu público alvo e seu propósito, estabelecendo parâmetros voltados às mudanças
contínuas da sociedade contemporânea, onde a multiplicidade de sistemas
tecnológicos advindos dos avanços das Tecnologias da Informação e Comunicação
(TIC’S) provoca transformações em todos os segmentos sociais, modificando direta
ou indiretamente os modos de aprender e fazer do ser humano.
Palavras-chave: Identidade. Crise de identidade. Biblioteconomia. Bibliotecário.
Sociedade.

�2

1 INTRODUÇÃO
Observando as turbulências e profundas mutações que caracterizam o
cenário mundial nos dias atuais, quando novos paradigmas atingem de forma
perturbadora a relação de forças e os conceitos políticos e econômicos de há muito
assentados, parece que uma única certeza se impõe: definitivamente, adentra-se
numa sociedade onde o conhecimento passa a ser exaltado como o elementochave, a mola motriz desse sistema.
Assmann (2000) afirma que deve-se considerar a sociedade vigente como
a “sociedade da aprendizagem”, porque o processo de aprendizagem já não se
limita ao período de escolaridade tradicional. Trata-se de um processo que dura toda
a vida, com início antes da idade da escolaridade obrigatória, e que decorre no
trabalho e em casa.
Na sociedade da aprendizagem todos os indivíduos devem estar sempre
aprendendo e reaprendendo constantemente, tendo como um dos motivos, as
inovações no mundo da comunicação e a velocidade com que as inovações
proliferam e se alteram exigindo dos indivíduos uma aprendizagem contínua para a
vida inteira.
Novos desafios recaem para as profissões que tem a informação como
objeto de estudo, já que a mesma, é suscetível de ser registrada de diversas formas,
armazenada em diversos suportes, organizada, recuperada e processada segundo
diversos critérios. A informação tem sido o núcleo de várias discussões, por remeter
a muitos domínios científicos, tendo um significado diferenciado para cada campo
científico que a utiliza.
Essa gama de significados, que cerca a informação, tem certa simetria
com as dificuldades da Biblioteconomia em constituir sua identidade mediante várias
crises relacionadas à sua atuação e função na Sociedade da Aprendizagem. Nesse
sentido o trabalho visa gerar discussões no âmbito do fazer biblioteconômico, que
possa elucidar quais os verdadeiros motivos da existência de uma crise de
identidade na área, e quais são as medidas que podem e devem ser tomadas pela

�3

comunidade Bibliotecária para reverter a situação em que se encontra a
Biblioteconomia brasileira.

2 A CRISE DE IDENTIDADE DA BIBLIOTECONOMIA
A identidade tem sido valorizada nas sociedades contemporâneas,
sobremaneira, conforme afirma Mercer (1990 apud HALL, 1999) “A identidade
somente se torna uma questão quando está em crise, quando algo que se supõe
como fixo, coerente e estável é deslocado pela experiência da dúvida e da
incerteza”. Bauman (2005, p. 35) também atesta a importância da realidade quando
afirma que é visada “Pelo desejo de segurança, ele próprio um sentimento ambíguo”
Todavia, essa ambigüidade é fruto da crise de identidade que a maioria das
profissões, culturas e sociedades enfrentam cotidianamente.
No caso da Biblioteconomia essa ambigüidade é fruto de duas vertentes
que possuem suas sub-divisões: formação acadêmica e prática profissional. O ideal
de um estudante é desenvolver uma formação bem estruturada, onde possa estudar
consideravelmente, no intuito de conseguir um espaço no mercado, a fim de
desenvolver seus aprendizados e a estabilidade financeira. Seguindo o pensamento
de Oliveira (1983, p. 70) acerca do bibliotecário brasileiro,
Verificamos que sua auto-estima profissional baseia-se em valores
ocupacionais e pessoais, tais como: inovação, independência,
cultura, profundidade, criatividade, desenvoltura, espírito liberal e
liderança. Entretanto, a profissão carece ainda de valores como
autoridade, consciência de classe, senso de progressão e
competição, considerados indispensáveis à identificação da
Biblioteconomia como profissão.

Um

aspecto

importante

para

a

caracterização

da

identidade

biblioteconômica permeia as seguintes expressões: consciência de classe e senso
de progressão. Conforme Hall (1999, p. 38) “A identidade é realmente algo formado,
ao longo do tempo, através de processos inconscientes, e não de algo inato,
existente na consciência no momento do nascimento”.
Isso implica dizer que a falta dessa consciência de classe é o que torna a
profissão individualista, fruto dos interesses e vaidades pessoais, promovendo, por

�4

conseguinte, a perspectiva da antinomia do senso de progressão, ou seja, a classe
biblioteconômica não procura alternativas de mudanças amplas, que torne a área
notável e reconhecida no mercado e na sociedade, bem como ocasionando um
fechamento da Biblioteconomia para as mudanças para a valorização do processo
social.
Essa consciência de classe e senso de progressão não são marcas
biblioteconômicas, mas devem ser estimulados, sobretudo pelo processo de
valorização da história da área. Faz-se necessário o resgate da memória das
realizações e evoluções da Biblioteconomia, promovendo uma reflexão teórica com
alunos, professores, profissionais e órgãos de classe.
Essa supervalorização do resgate da memória biblioteconômica pode
remeter a uma análise ampliada do que realmente a Biblioteconomia tem estudado e
a definição concreta de um objeto de estudo. Um estudante, professor ou
profissional que conhece a história de sua área pode sentir-se fomentado a buscar
alternativas de transformações, pode conhecer num contexto mais lato as
qualidades do campo do conhecimento, enfim, pode conhecer a sua identidade.
Mais uma vez se atribuindo do argumento de Oliveira (1983, p. 71) no que tange:
A negação como forma de defesa, a estrutura burocrática que
enfatiza a progressão por tempo e não por mérito, a ausência de
valores como senso de progressão e consciência de classe
demonstram que muito da realidade do campo precisa ser mudado,
para que a Biblioteconomia possa, sem perda de sua identidade de
trabalho eminentemente social, acompanhar a mudança que está
ocorrendo na ambiência em que atua.

É notável que a Biblioteconomia brasileira deva passar por mudanças para
adequar-se à realidade do mercado. Porém, se nessas mudanças não constarem
valores como a valorização de nossa história, a consciência de classe, o senso de
progressão, e outros aspectos, haverá uma contemplação apenas estereotipada da
amplitude da ação biblioteconômica. Por exemplo, com relação a Biblioteconomia
ser eminentemente social, pode-se dizer que a afirmação tem sustentabilidade.
Contudo, percebe-se que o potencial social da área é pouco explorado e investigado
se comparado às contribuições que a Biblioteconomia pode oferecer à sociedade.
Isso implica dizer que a área biblioteconômica possui grande potencial, mas ainda
precisa ser explorada com mais ousadia e espírito de coletividade.

�5

Como questiona Almeida Júnior (1995, p. 9) “A Biblioteconomia não pode
ser mais considerada como reprodutora da ideologia dominante, dos valores
daqueles que detêm o poder”. É preciso oferecer novas marcas para a
Biblioteconomia, como ações de cunho coletivo, desenvolvimento de projetos que
satisfaçam inicialmente as necessidades da sociedade e tornem a Biblioteconomia
eminentemente reconhecida e não projeções de promoções pessoais atreladas aos
padrões governamentais. A Biblioteconomia necessita ser um campo do
conhecimento ideologicamente independente.
A identidade biblioteconômica é marcada por conturbações como tantos
outros campos do conhecimento. Porém, falta a esta área uma reflexão filosófica,
mormente valorizando três aspectos: problematização das questões que permeiam a
área; reflexão equilibrada e acurada sobre as problemáticas e finalmente, a
exposição de soluções. Milanesi (2002, p. 17) afirma, com relação à identidade do
bibliotecário e da biblioteca:
Na última década do século XX, um rumor forte deu conta do fim do
próximo livro, da biblioteca e, em conseqüência do bibliotecário. Não
haveria mais lugar para ele numa sociedade em que o
conhecimento passou a ser sinônimo de poder e a informação foi
alçada à esfera das questões estratégicas de empresas e governos.
A partir desse momento de perplexidade e confusão, esses
profissionais e as escolas que os formam saíram à procura da
identidade, senão perdida, pelo menos embaçada. E se havia
dúvida sobre o perfil do profissional é porque a própria biblioteca
estava em transe.

Essas transformações as quais a Biblioteconomia precisa de adaptação à
realidade atual em que deve estar focada em um aspecto muito importante:
satisfação das necessidades da sociedade. Um campo do conhecimento sem
utilidade social não será útil para o mercado. A Biblioteconomia tem uma grande
utilidade social, mas precisa aplicá-la, visando suprir as necessidades informacionais
da sociedade. Por exemplo, as bibliotecas de maneira majoritária tem sido
consideradas, como diz Almeida Júnior (1995, p. 6) ”Um espaço de depósito de
livros, textos e informações, reunidas e organizadas a partir da visão daqueles que
determinam as normas e os valores vigentes”. Isso implica ainda na concepção de
Almeida Júnior que (1995, p. 10) ”O bibliotecário precisa agir de uma maneira mais
revolucionária, dado que este tem sido considerado como sendo passivo, guardião
do passado, ocioso, inútil, sem função social, funcionário público, dentre outras

�6

atribuições”. Estas são marcas que têm caracterizado as bibliotecas brasileiras, não
de modo generalizado).

3 O PERFIL DOS ESPAÇOS DE ATUAÇÃO DO BILIOTECÁRIO
A biblioteca pública tem sido muito mais sinônimo de apoio aos estudantes
do ensino infantil, fundamental e médio do que executado sua principal função que é
desenvolver projetos e ações de acordo com as comunidades. Isso ocorre pela falha
das bibliotecas escolares, que talvez em raros momentos de sua história tenha
atuado de forma social, cultural e educativa, auxiliando no processo de ensinoaprendizagem, deixando a biblioteca pública com mais liberdade de ação. E qual a
posição do bibliotecário com relação a essa realidade bibliotecas públicas e
escolares? Eis o que questiona Silva (1995, p. 20-21):
Porém, diante de todo esse silenciar a que nos vínhamos referindo,
certamente o silêncio que mais surpreende que mais choca que mais
cala é o dos bibliotecários [...] Qual tem sido a preocupação
dominante senão a problemática dos bancos de dados, das redes de
informação científica, dos centros ultra-informatizados de
documentação? Algo contra tais temáticas? De jeito nenhum! Alguma
objeção no que se refere ao desenvolvimento de recursos para a
organização e a disseminação da informação técnico-científica? De
modo algum! Mas, diante de tal quadro, cabe a formulação de certas
questões: quais são as principais dificuldades e limitações da
biblioteconomia brasileira? Qual o alcance, em termos de população
atingida, de todo aquele aparato informacional? Os bibliotecários e
os autores da área biblioteconômica conhecem os índices de
analfabetismo e de fracasso escolar deste país? Já ouviram falar de
prioridade? Alguma vez já pronunciaram a expressão “biblioteca
escolar” sem demonstrar certa repugnância?

Fica a ressalva de que a identidade biblioteconômica não pode ser
caracterizada somente pela perspectiva das propaladas Novas Tecnologias da
Informação. É preciso a visão social, pois senão a Biblioteconomia transformará o
suporte e até fatores extrínsecos de atuação (suporte manual para o tecnológico, por
exemplo), mas não contribuirá para a conscientização das camadas mais carentes,
para a promoção da leitura, alfabetização, já que o bibliotecário é co-partícipe do
processo

sócio-educacional

(ou

ao

menos

deve

ser).

Ficam

ainda

os

questionamentos: será que as bibliotecas públicas e as escolares não necessitam
também dos sistemas de informação, dos softwares para a organização do

�7

conhecimento? Ou será que não se atribuem dessa realidade por serem bibliotecas
essencialmente educativas, que poderiam dinamizar o aprendizado de crianças,
adolescentes e adultos, enfim, contribuir para o processo de igualdade social,
através do tripé alfabetização – conscientização - libertação, ideais tão apregoados
por Paulo Freire e outros educadores.?
Com relação às bibliotecas universitárias percebe-se que estas têm
crescido, sobretudo, a partir do final da década de 80, com a implantação do Plano
Nacional de Bibliotecas Universitárias (PNBU) que visa integrá-las, promovendo
ações coletivas e dinâmicas em torno destas bibliotecas. A identidade da Biblioteca
Universitária talvez esteja mais bem estruturada que as demais, uma vez que
embora ainda necessite de melhorias, os caminhos para a execução de novas
tarefas dinâmicas são mais claros, através do PNBU. Figueiredo (1998, p. 2) afirma
com relação às bibliotecas universitárias que:
Sem dúvida, nos últimos 5 -10 anos houve uma melhoria nas
aplicações de técnicas de gerências das bibliotecas, mas ainda há
um longo caminho a ser percorrido para que se aprenda a melhor
elaborar e utilizar orçamentos. Apesar de ainda não saberem avaliar
o impacto de seus serviços, pelo menos as bibliotecas já parecem
saber definir e quantificar seus imput e output. Estão mais
conscientes sobre o que devem proporcionar a seus usuários e de
como podem ajudar as bibliotecas a alcançar força política dentro da
universidade. Mas, há que fortalecer ainda mais o uso dos conceitos
de gerência e de prestação de serviços, enfatizar o papel que cabe
às bibliotecas universitárias, administrando serviços de maneira
eficiente e eficaz. Primeiro o gerente tem que ter um claro
entendimento da biblioteca e da sua instituição maior, a
universidade. Para isso, deve pensar em termos de mercado e
usuários, isto é, elaborar estudos de uso e de usuários, conhecer
necessidades e demandas de informação de sua clientela. Além
disso, deve saber justificar suas aquisições de custo-eficiência e,
seus serviços, em termos de mudanças comprovadas. Os usuários
de bibliotecas universitárias têm que ser mais e mais envolvidos no
apoio às decisões de gerência, participando de comissões e grupos
de trabalho. A biblioteca tem que reforçar sua imagem perante os
usuários, que são a mola mestra da política universitária, firmando o
conceito de biblioteca como pólo transmissor de informações, muito
mais do que como lugar de guarda de documentos.

A biblioteca universitária possui perspectivas promissoras. Todavia, é
papel do bibliotecário tornar a biblioteca da universidade como mantenedora da
tríade acadêmica: ensino, pesquisa e extensão. Mas ainda é preciso muita
mobilização política do profissional, a fim de mostrar na universidade a importância

�8

dos investimentos nas bibliotecas. Infelizmente, ainda ocorre uma forte demarcação
e proporção da grandeza de uma biblioteca universitária pela grandeza de seu
software ou outros instrumentos tecnológicos. É preciso que essa dimensão de
suporte técnico esteja voltada para a organização do conhecimento, enquanto as
ações dos bibliotecários estejam voltadas para a satisfação do usuário e do mercado
para que a marca da ação do bibliotecário em uma biblioteca universitária não seja
apenas a técnica.
No que tange as bibliotecas especializadas, tem como marcas a noção de
que o bibliotecário precisa acompanhar esse processo de especialização, a fim de
conceber um atendimento adequado à realidade do usuário. Por exemplo, um
bibliotecário que trabalha em biblioteca da saúde necessita de conhecer os termos
da área, bem como os sistemas e softwares de representação (é fundamental o
conhecimento da BIREME), visando dar suporte informacional aos pesquisadores e
estudiosos da área.
Um instrumento essencial que procura oferecer à Biblioteconomia uma
marca de caráter humanista é a biblioteca popular, pois visa a conscientização da
comunidade a qual está inserida. De acordo com Rabello (1987, p. 41):
A idéia de Biblioteca Popular, e sua prática, aproximou a bibliotecas
das camadas populares, procurou estruturá-la de baixo para cima,
criou condições para torná-la participativa. A biblioteca passou a
acompanhar seu tempo, inseriu-se na história, ofereceu uma
contribuição renovadora para a área.

A verdade é que a concepção de Biblioteca Popular, mesmo não tendo
sua acepção bem definida compõe uma gama de estudos que tornam a biblioteca
uma instituição socialmente útil e que tenta se aproximar da comunidade, a fim de
satisfazer as suas necessidades. Para que esse conceito seja efetivamente
ampliado

faz-se

necessária

a

ação

do

bibliotecário

num

processo

de

conscientização da comunidade no que tange a importância dessa instituição, mas
num processo de baixo para cima, ou seja, onde as pessoas, na formação de um
caráter coletivo, sejam escutadas e participem do processo de implantação da
biblioteca, bem como de seu desenvolvimento.
A aproximação do bibliotecário com a comunidade significa a busca de um
ideal humanista que há muito não tem sido uma prática da formação

�9

biblioteconômica, embora alguns profissionais desenvolvam com autonomia projetos
de interação com as comunidades mais carentes.
Essa visão de biblioteca busca definir uma realidade e estabelecer
soluções para uma nova linha de ação do bibliotecário. Isso significa que a
identidade da Biblioteconomia não pode ser mais apática e reacionária. É preciso
revolucionar os padrões de ação e a biblioteca é o instrumento mais forte, eficiente e
eficaz para a concretização dessas mudanças, cabendo ao bibliotecário ser o
baluarte dessas ações e transformações. Almeida Júnior (1997, p. 92) não somente
sugere como incita um caminho para a atuação do bibliotecário:
Nós precisamos atingir a população carente, a população carente de
informações. Não será com essa postura apática, passiva e
reacionária da biblioteca de hoje que o conseguiremos. Não basta
espalharmos bibliotecas em cada quarteirão, em cada esquina. É
preciso que o bibliotecário que atuar nessas bibliotecas seja um
outro bibliotecário; é preciso que ele seja consciente da sua real
função social; é preciso que ele saiba que o seu trabalho pode e
deve alterar pensamentos e comportamentos; é preciso que ele vá
até a população, que ele procure o povo, que ele trabalhe com a
comunidade.

Com efeito, a Biblioteconomia encontra-se diante de um impasse; o que
ela é e o que pode ser. É inegável que ainda é essencialmente técnica, mesmo com
alguns valores humanísticos já sendo explorados (trabalhos com leitura e
biblioterapia são exemplos). Porém, a conformidade com essa realidade não serve
mais a Biblioteconomia. É preciso transformar essa identidade dos padrões de
subserviência às idéias dominantes, bem como a ampla valorização somente do
suporte técnico. É necessária também a superação das vaidades pessoais, do
individualismo, da falta de consciência de classe e do senso de progressão.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A

valorização

da

história

biblioteconômica,

assim

como

a

consubstanciação dos estudos da área, visando aprimorar os campos de estudos e,
sobretudo o objeto (ou como falam alguns estudiosos o ser da Biblioteconomia) é
que esta identidade passará por profundas e necessárias transformações. As
transformações identitárias se configuram no agir. Entretanto, este agir é permeado

�10

de reflexões teóricas, de problematizações bem definidas, ou seja, a identidade da
Biblioteconomia não pode permanecer mais nos padrões abordados no referido
trabalho.
Finalmente, é preciso trabalhar as qualidades da área, constituindo
mudanças no campo da identidade como afirma SILVA (2000, p. 16) “Mudanças que
chegam a ponto de produzir uma crise de identidade”. Então, por mais paradoxal
que seja, a Biblioteconomia precisa de uma crise de identidade, mas não uma crise
como esta que deixa na sociedade um misto de desconhecimento e desvalorização,
mas uma crise que busque novas reflexões e soluções, ou seja, é preciso dar
conturbação à realidade biblioteconômica para oferecer-lhe solução.

REFERÊNCIAS
ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco de. Biblioteca Pública: ambiguidade,
conformismo e ação guerrilheira do bibliotecário. São Paulo: APB, 1995, n.15.
12p.
______. Sociedade e Biblioteconomia. São Paulo: Pólis, APB, 1997. 129 p.
ASSMANN, Hugo. A metamorfose do aprender na sociedade da informação. Ci.
Inf. Brasília, v.29 n.2, maio/ago. 2000.
BAUMAN, Zigmunt. Identidade: Entrevista a Benedetto Vecchi. Rio de Janeiro:
Jorge Zahar Ed, 2005. 110p.
FIGUEIREDO, Nice. Repensando a Biblioteca Universitária Brasileira: como
prosseguir – notas para projeto. São Paulo: Ensaios APB, 1998.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. 3 ed. Rio de Janeiro: DP
&amp; A, 1999. 102p.
MILANESI, Luis. Biblioteca. São Paulo: Ateliê, 2002. 116p.
OLIVEIRA, Zita Catarina Prates de. O bibliotecário e sua auto-imagem. São Paulo:
Pioneira, 1983. 98p.
RABELLO, Odilia Clark Peres. Da biblioteca pública à biblioteca popular: análise
das contradições de uma trajetória. Revista da Escola de Biblioteconomia da
UFMG, Belo Horizonte, ano 16, n.1, p.19-42, março, 1987.
SILVA, Tomaz Tadeu da (org.). Identidade e diferença: A perspectiva dos
Estudos Culturais. Petrópolis: Vozes, 2000. 133p.

�11

SILVA, Waldeck Carneiro da. Miséria da Biblioteca Escolar. São Paulo: Cortez,
1995.

__________________
1

André Anderson Cavalcante Felipe, Graduado em Biblioteconomia pela UFC,
andreandersonf@yahoo.com.br.
2
Cauê Araújo Goulart Bandeira, Graduado em Biblioteconomia pela UFC, caue.ce@gmail.com.
3
Ediane Isabel dos Santos, Graduado em Biblioteconomia pela UFC, ediane_pe@hotmail.com.

�</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </file>
  </fileContainer>
  <collection collectionId="30">
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="46949">
                <text>SNBU - Edição: 15 - Ano: 2008 (CRUESP - São Paulo/SP)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="46950">
                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="46951">
                <text>Tema: Empreendedorismo e inovação: desafios da biblioteca universitária</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="46952">
                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="46953">
                <text>CRUESP</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="46954">
                <text>2008</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="46955">
                <text>Português</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="46956">
                <text>Evento</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="46957">
                <text>São Paulo (São Paulo)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
  </collection>
  <itemType itemTypeId="8">
    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
  </itemType>
  <elementSetContainer>
    <elementSet elementSetId="1">
      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
      <elementContainer>
        <element elementId="50">
          <name>Title</name>
          <description>A name given to the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="48289">
              <text>Identidade e crise de identidade: a realidade da Biblioteconomia brasileira.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="39">
          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="48290">
              <text>Felipe, A. A. C.; Bandeira, C. A. G.; Santos, E. I.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="38">
          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="48291">
              <text>São Paulo (São Paulo)</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="45">
          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="48292">
              <text>CRUESP</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="40">
          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="48293">
              <text>2008</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="51">
          <name>Type</name>
          <description>The nature or genre of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="48295">
              <text>Evento</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="41">
          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="48296">
              <text>Discute a necessidade de uma reflexão filosófica no campo da Biblioteconomia envolvendo alunos, professores, profissionais e órgãos de classe, para discutir e debater sobre a problemática vivenciada no que diz respeito à formação acadêmica e prática profissional. Objetiva definir diretrizes para minimizar tal crise de identidade vivenciada pela área biblioteconômica refletida através do individualismo, da falta de mobilização ampla e conjunta, e do desenvolvimento de ações restritas e insignificantes de mudança para a minoria da classe. Ressalta que aspectos como a consciência de classe, o senso de progressão e a perspectiva sócio-educacional devem ter mais destaque, tendo como prioridade o suprimento das necessidades informacionais da sociedade. Enfatiza que as bibliotecas públicas, escolares, comunitárias, universitárias e especializadas devem trabalhar em consonância com seu público alvo e seu propósito, estabelecendo parâmetros voltados às mudanças contínuas da sociedade contemporânea, onde a multiplicidade de sistemas tecnológicos advindos dos avanços das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’S) provoca transformações em todos os segmentos sociais, modificando direta ou indiretamente os modos de aprender e fazer do ser humano.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="44">
          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="67825">
              <text>pt</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
      </elementContainer>
    </elementSet>
  </elementSetContainer>
  <tagContainer>
    <tag tagId="19">
      <name>snbu2008</name>
    </tag>
  </tagContainer>
</item>
