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USUÁRIOS DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E SUAS
DEMANDAS SUBJETIVAS
SILVA, R. C. G.1

RESUMO
Busca-se provocar no Profissional da Informação uma reflexão sobre a visão
pragmática que os norteia em suas funções, não se pode furtar de levar em conta a
realidade da sociedade contemporânea produtora de subjetividades onde o sujeito,
usuário, emerge de um contexto social em que não consegue dar conta. Tal
formulação caracteriza-se por um levantamento bibliográfico qualitativo, remetendo o
profissional da informação ao paradigma natureza da relação sujeito e objeto,
devendo buscar numa visão empreendedorística estratégias no sentido de poder
incidir e intervir sobre essas questões.
Palavras-chave: Demandas Subjetivas. Usuários da Informação.

ABSTRACT
Search to provoke in the Information Professional a reflection on the pragmatic vision
that guides them in their functions, it’s impossible leave to take into account the
reality of the contemporary society producer of subjectivities where the person, user,
emerge of a social context where it’s not possible to take account. Such
formularization is characterized for a qualitative bibliographical survey, sending the
information professional to the nature paradigm of subject and object relation, having
to search in a entrepreneur vision strategies in the direction of being able to incur and
to intervene on these questions.
Keywords: Subjective demands. Information User.

�1 INTRODUÇÃO
Sabe-se que a comunicação é um tipo de relação humana e humanizante
que pressupõe a participação e a reciprocidade, quer dizer, o reconhecimento do
outro enquanto alteridade. Nesse sentido, a própria comunidade é definida a partir
da presença do fenômeno comunicacional. Essa participação recíproca incita modos
de ser que adquirem novos e imprevisíveis significados.
Neste ponto observamos que “...o processo de comunicação implica no
conhecimento de causas e princípios teóricos; conhecimento de determinada
técnica; conhecimento de um fato específico; e conhecimento de um estado
específico. Qualquer que seja o termo utilizado, deixamos implícito que há uma
realidade externa a nós que é a origem daquilo que resolvemos chamar
“informação”, e que existe um “eu” que alega empregar essa informação para vários
tipos e formas de conhecimento” (McGarry, 1999).
Para (Shannon, 1962) recebemos informação quando o que conhecemos
se modifica. Informação é aquilo que logicamente justifica alteração ou esforço de
uma representação ou estado de coisas. As representações podem ser explicitas
como um mapa ou preposição, ou implícitas como no estado de atividade orientada
para um objetivo do receptor.
Torna-se também importante caracterizar a evolução histórica de estudos
de usuários, o termo apareceu em 1960, antes ele estava incluído dentro de um
grande

assunto

denominado

"levantamento

bibliotecário"

(library

survey).

Levantamento bibliotecário é "coleção sistemática de dados concernentes a
bibliotecas, suas atividades, operações, pessoal, uso e usuário, num dado tempo ou
num período de tempo" (Line, 1967). Foi no início dos anos sessenta, conforme
observação de Tobin (1974) , que o termo estudo de usuário (user studies) começou
a ser indexado no Library Literature. Nessa obra, o mesmo estudioso identificou, no
período de 1960-1973, 477 referências bibliográficas sobre o assunto, das quais 293
eram contribuições norte-americanas e 184 de outros países.
Lancaster (1977), ao traçar a evolução histórica dos levantamentos
bibliotecários, afirma que a pesquisa pioneira remonta ao ano de 1876, quando o

�relatório Public libraries in the United States divulgou fatos e dados estatísticos sobre
as bibliotecas públicas norte-americanas.
É geralmente reconhecido que o sucesso de um organismo de informação
científico tecnológica, aqui entendido como qualquer uma de suas denominações, a
saber: biblioteca, centro de documentação, centro de informação ou centro de
informática, depende do conhecimento que se tem das necessidades de informação
das pessoas que utilizam seus serviços. Entretanto, o problema de estudo das
necessidades de informação não foi totalmente resolvido, tendo em vista que ainda
não existem métodos ou uma metodologia suficientemente desenvolvida para a
perfeita coleta, análise e avaliação dos dados na área da Biblioteconomia. Problema
idêntico tem ocorrido frequentemente com as outras ciências. É conhecida a crise
por que passou a Psicologia ao colocar em dúvida as leis e métodos até então
utilizados. Isto é sinal de que há uma insatisfação com os resultados da investigação
social (Cunha, 1982).
Ao abordar esta questão polêmica, Felix Kaufmann afirmou que "o
cientista social fica inclinado a concluir que o método da Física, se aplicável às
Ciências Sociais, é o único correto ou, de qualquer modo, o melhor método. (. . .)
Todas as asserções na ciência natural são intersubjetivamente controláveis, muitas
delas experimentalmente, e a forma matemática em que aparecem são o sinal de
sua precisão. Por comparação, as Ciências Sociais parecem estar bem mal. Isso se
explica em parte pelo fato de que seu assunto é mais complicado do que o das
Ciências Naturais. Mas os métodos empregados nas Ciências Sociais também são
responsáveis. Tais métodos estão, com poucas exceções, num estado de
desenvolvimento há muito ultrapassado pelas Ciências Naturais. Os cientistas
sociais desconfiam das abstrações, relutam em substituir qualidades por
quantidades

e,

por

conseguinte,

operam

com

dados

que

não

são

intersubjetivamente controláveis (KAUFMANN, 1977).
Identifica-se que o estudo em questão perpassa por uma postura
metametodologica do profissional da informação volta-se para “um olhar a mais”,
focando o “sujeito” também nas demandas psicológicas.

�2 DESENVOLVIMENTO
As origens dos princípios de universalidade e da objetividade das
explicações científicas são encontradas na história da ciência. O nascimento da
ciência moderna foi precedido, e acompanhado, pelo desenvolvimento do
pensamento

filosófico

formulado

a

partir

do

dualismo

espírito/matéria

e

sistematizado no século XVII por Descartes. Para ele, a observação da natureza,
objeto da ciência, se dá a partir de uma divisão fundamental do mundo em dois
reinos separados e independentes entre si: o mundo da mente e o mundo da
matéria (Borges, 2004).
Esta visão "cartesiana" levou os cientistas a acreditar que, por um lado,
seria possível tratar a matéria como algo inteiramente desvinculado de si mesmo e,
por outro lado, a considerar o mundo material como uma vastíssima quantidade de
objetos que compunham uma máquina de gigantescas proporções. Nessa
perspectiva, cabe ao cientista "cartesiano" explicar, racionalmente (a partir do mundo
da mente), o funcionamento desta máquina do universo (mundo da matéria), se
necessário, decompondo-a em máquinas menores cuja explicação seria facilitada
(técnica do reducionismo). Como resultante dessa exclusão do sujeito do objeto de
seu conhecimento, a ciência "cartesiana" deixou sob a responsabilidade da filosofia,
realizar a reflexão do sujeito sobre si próprio (Borges, 2004).
Tais pressupostos assumem que a informação é objetiva; é algo fixo,
imutável e igual para todos; tem aplicação universal; convive numa relação sem
conflitos de poder na sociedade; os usuários são considerados sujeitos passivos,
meros receptores de informações transferidas pelo sistema; os estudos buscam
apenas prever comportamentos externos de uso da informação, que passam a ser
adotados como indicadores de necessidades e demandas do usuário (Borges,
2004).
As discussões vindas da filosofia da ciência e das ciências sociais,
aliadas aos desafios das novas formas de comunicação através das redes de
computadores, exigem que se enfrentem novas questões na abordagem da
informação. Chega-se a perceber o reflexo dessas questões na literatura da ciência
da informação, ao se identificar uma espécie de perplexidade entre seus praticantes,
como se a segurança de seu objeto de trabalho e de pesquisa, localizado na

�concretude das instituições bibliotecárias e dos documentos, tivesse sido rompida
por novos elementos e novas demandas que o desenvolvimento tecnológico e o
movimento social têm trazido (Nehmy, 1998).
As discussões a respeito do comportamento do usuário da informação
têm sido, historicamente, centrais na ciência da informação. De um modo geral, os
estudos sobre necessidades, demandas e uso de informação procuram investigar
como pessoas buscam informação sobre algo, que fontes lhes são importantes e
como as utilizam, bem como e para que e como usam determinada informação.
Esses aspectos levantados têm, como pano de fundo, investigar que tipo de
problemas os usuários procuram solucionar através do uso de determinada
informação (NASSIF, 2007).
O processo de busca de informação é descrito por Kuhlthau (1991) em
termos de fases ou estágios que representam a tarefa principal de cada ponto do
processo: iniciação, seleção, exploração, formulação, coleta e apresentação. Apesar
de sugerir uma certa linearidade pela forma como é descrito no modelo, o processo
é recursivo e interativo e raramente se desenvolve diretamente da fase de seleção
para a apresentação. O modelo também incorpora três dimensões da experiência
humana que assumem características em cada estágio experienciado: a física
representada pelas ações; a cognitiva descrita pelos pensamentos; e a afetiva por
sentimentos.
Nessa perspectiva, uma pessoa move-se de um estado inicial de
necessidade de informação para um estado final de resolução do problema através
de uma série de escolhas feitas pela conjugação entre sentimentos, pensamentos e
ações. O critério para escolha é influenciado pelas restrições ambientais, pelas
experiências anteriores, pelo conhecimento e interesse disponível, pelos aspectos
do problema, pelo tempo disponível para resolução, e pela relevância e conteúdo da
informação recuperada (NASSIF, 2007).
Já

numa

visão

de

subjetividade

Jacques

Lacan

(1950

apud

ROUDINESCO, 1998 p. 742), entre 1950 e 1965, conceituou a noção lógica e
filosófica do sujeito no âmbito de sua teoria do significante, transformando o sujeito
da consciência num sujeito inconsciente, da ciência e do desejo.

�“O cientista da informação fala em comparar os conceitos presentes num
documento com os conceitos presentes na consulta formulada. O conceito pode ser
qualquer objeto de percepção, junto com sua importância ou significado, ou qualquer
coisa que se possa imaginar e que possa ser distinguida de outras coisas.
Conhecimento que não é diretamente apreendido por meio dos sentidos, mas é
resultado da manipulação dos dados ou impressões sensoriais (McGarry, 1999, p.
35).”
As discussões a respeito do comportamento do usuário da informação
têm sido, historicamente, centrais na ciência da informação. De um modo geral, os
estudos sobre necessidades, demandas e uso de informação procuram investigar
como pessoas buscam informação sobre algo, que fontes lhes são importantes e
como as utilizam, bem como e para que e como usam determinada informação.
Esses aspectos levantados têm, como pano de fundo, investigar que tipo de
problemas os usuários procuram solucionar através do uso de determinada
informação (NASSIF, 2007).

�3 CONCLUSÃO
Diante de tal pressuposto nos deparamos com os usuários dos serviços
das bibliotecas que apresentam urgência angustiante de respostas às suas
formulações.
A

Biblioteconomia

hoje

é

considerada

Ciência

da

Informação,

denominação que lhe imputa a necessidade de conhecer questões ou de responder
satisfatoriamente a um dado problema. Essa ciência utiliza-se da metametodologia
para atender às demandas de informação dos seus clientes.
Enquanto Cientistas da Informação, a caracterização do termo “usuário da
informação” toma outra conotação, voltando o nosso olhar para o “sujeito” que busca
a Unidade de Informação com uma demanda que pode ser conceitual ou subjetiva e
que exige indubitavelmente do profissional “um olhar a mais”. O sujeito é visto como
único e não de forma cartesiana.

�REFERÊNCIAS
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2008.

__________________
1

Rita de Cassia Gonçalves Silva, Faculdade de Administração e Negócio de Sergipe (FANESE),
ritadecassia@fanese.edu.br.

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              <text>Busca-se provocar no Profissional da Informação uma reflexão sobre a visão pragmática que os norteia em suas funções, não se pode furtar de levar em conta a realidade da sociedade contemporânea produtora de subjetividades onde o sujeito, usuário, emerge de um contexto social em que não consegue dar conta. Tal formulação caracteriza-se por um levantamento bibliográfico qualitativo, remetendo o profissional da informação ao paradigma natureza da relação sujeito e objeto, devendo buscar numa visão empreendedorística estratégias no sentido de poder ncidir e intervir sobre essas questões.</text>
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