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                  <text>A BIBLIOTECA E AS ESTRATÉGIAS OPEN ACCESS: A
INTERATIVIDADE NA COLABORAÇÃO CIENTÍFICA
Gesialdo Silva do Nascimento (UFABC) - gesialdo.nascimento@ufabc.edu.br
Resumo:
Esse texto aborda o relato de experiência obtido durante o processo de pesquisa de campo
realizado na Universidade de São Paulo (USP) e analisa as técnicas de implementação das
estratégias Open Access (OA) nas rotinas desta instituição, que tem a importante participação
do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SIBiUSP) e na criação
deste ecossistema de comunicação, em que as multiplataformas são utilizadas para garantir o
acesso à produção intelectual da organização através das tecnologias de informação e
comunicação. Essas técnicas são utilizadas para garantir a interatividade na colaboração
científica através da formação de comunidades virtuais, apoio às disciplinas e disponibilização
de toda a produção acadêmica, que ganha potencialidade no virtual. As metodologias
utilizadas para análise deste processo são o estudo de caso, análise do discurso e a empiria.
Assim apresentamos o momento histórico vivido na cibercultura onde os processos são
reconstruídos com a ajuda das tecnologias e proporcionam a participação de vários agentes na
interatividade e na colaboração científica.
Palavras-chave: Cibercultura 1. Hibridismo cultural 2. Comunicação científica 3. Pesquisa
científica 4. Redes de colaboração 5.
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Ferramentas de comunicação e colaboração científica

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

ABSTRACT
This paper addresses the experience report obtained during the process of field research
conducted at the University of São Paulo (USP) and analyzes the implementation of technical
strategies Open Access (OA), routines of the institution which has the important role of the
Integrated Libraries of the University of São Paulo (SIBiUSP) in creating this ecosystem of
communication, where the multi-platform are used to ensure access to intellectual output of
the organization through information and communication technologies. These techniques are
used to ensure interactivity in scientific collaboration by forming virtual communities, support
disciplines and availability of all academic production, earning potential in the virtual. The
methods used to analyze this process are the case study, discourse analysis and empiricism. So
we present the historical moment lived in cyberculture where processes are reconstructed with
the help of technology and provide the participation of various agents on interactivity and
scientific collaboration.
Keywords: Cyberculture 1. Cultural hybridity 2. Scientific communication 3. Scientific
research 4. Collaborative networks 5.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1. Introdução
Este texto aborda o relato de experiência obtido durante o processo de pesquisa de
campo que ainda está em andamento, além de apresentar as metodologias e as estratégias
utilizadas para analisar o processo de reconstrução ocorrido na Universidade de São Paulo
(USP). Esta organização reconstruiu sua comunicação com a sociedade na cibercultura
através das estratégias Open Access (OA), e demonstra como este processo tem a importante
participação do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SIBiUSP),
que gerencia as ferramentas de comunicação e colaboração científica que modifica as relações
da biblioteca com a comunidade interna e externa a universidade.
Esse ecossistema utiliza-se de multiplataformas para disseminar a informação
científica, propiciando hibridez no acesso as bibliotecas que trabalham as plataformas OA
como sistema para permitir a interação e a colaboração científica, fazendo a gestão das
tecnologias que ficam sobre sua responsabilidade e que são:
O Portal de busca integrada1 é uma interface que reúne toda produção intelectual
científica da USP, ela promove o acesso integrado a publicações através de hiperlinks,
independente de seu formato e local de produção, portanto uma ferramenta que dá visibilidade
aos conteúdos e gerencia os resultados de acesso.
O Portal de revistas científicas2 é um serviço de uma biblioteca digital para apoiar na
filosofia do acesso livre. Os periódicos da universidade utilizam a plataforma para reunir,
organizar e registrar o acesso às publicações.
A Biblioteca digital da produção intelectual3 garante a preservação da memória
institucional e permite a gestão e disseminação da produção científica gerada pelas pesquisas
da organização. Todas essas ferramentas estão interoperáveis com sistemas similares de
acesso livre nacionais e internacionais.
O discurso científico na atualidade tem no movimento OA e na utilização da cultura
digital um facilitador para propagar o acesso ao conhecimento através da internet e assim criar
comunidades virtuais em favor da colaboração para o desenvolvimento da ciência. As
estratégias foram apresentadas à comunidade nos encontros em Budapest (2002)4, Bethesda
(2003)5, e Berlim (2003)6.
A dinâmica do OA é de um conceito, uma estratégia e um modelo de negócio que
busca a interoperabilidade dos sistemas na garantia do acesso livre a toda produção da
academia através das plataformas digitais com as vias verde e dourada. Estas duas estratégias
permitem a disponibilização da literatura de caráter científico e o surgimento de um
ecossistema de comunicação. O ambiente da biblioteca é inserido em todo o discurso de
inovação tecnológica, tanto no ambiente físico quanto no acesso a seu acervo através da rede.
Desta forma as universidades proporcionam outra experiência temporal e de acessibilidade
com a comunicação, a cultura, a recepção, a circulação de informações e sua reprodução, a
colaboração entre pesquisadores e o consumo de conteúdos midiáticos na condição glocal,
onde a existência de infraestrutura de rede e de comunicação possibilitam a conexão entre o
humano e a máquina em diferentes locais transformando experiência humana na cibercultura.
1

Disponível em: &lt;http://buscaintegrada.usp.br&gt;
Disponível em: &lt;http://www.revistas.usp.br/wp/&gt;
3
Disponível em: &lt;http://www.producao.usp.br/&gt;
4
Disponível em: &lt;http://www.budapestopenaccessinitiative.org/&gt;
5
Disponível em: &lt;http://legacy.earlham.edu/~peters/fos/bethesda.htm&gt;
6
Disponível em: &lt;http://openaccess.mpg.de/Berlin-Declaration&gt;
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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

O SIBiUSP gerencia a infraestrutura e a sustentabilidade das técnicas que permitem
que o acesso livre aconteça sendo a configuração material, simbólica e imaginária do
processo. A cooperação é a condição nas novas formas de hibridismo vigente, onde os
processos se intercalam para ganhar dinamismo, preservar e disseminar informação para a
sociedade, estas que são a base para o desenvolvimento social e intelectual ao longo da
história. Para Levy (1998, p.17) “A multiplicação dos meios mecânicos de transporte e a
constituição de uma imensa rede de comunicação modifica totalmente a nossa relação com o
espaço”. O discurso do acesso livre foi à linguagem que surgiu nesta instituição e nela
recebeu o nome de “acesso aberto”, que significa a livre disponibilização de toda a literatura
de caráter científico. O movimento foi sendo apresentado à comunidade acadêmica nos
últimos anos e seus valores institucionais e identidade são modificados nesse processo em que
ganham uma nova ideologia.
A rede faz a interconexão das configurações e permite que a escrita, o audiovisual e a
realidade virtual sejam utilizados por uma ampla comunidade, criando a interação e a
colaboração, além de representar o principal ator para disseminar conhecimento e validar a
produção técno-científica, cabe ressaltar o surgimento das infovias, que representam para Le
Coadic (2004, p.96) as “auto-estradas eletrônicas, “infovias” que transmitirão rapidamente
enormes volumes de textos, sons e imagens.”
Em uma velocidade instantânea, as rotinas da organização ganham uma dinâmica que
possibilita o acesso remoto a toda gama de produtos, o que multiplica e insere novos atores no
processo. A memória institucional é preservada, para Trivinho (1998, p.19) “tais condições,
culturais só poderiam corresponder a um grau avançado de aperfeiçoamento das máquinas de
comunicação e a um alto desenvolvimento de seu funcionamento conjunto.” A socialização
desta produção através das tecnologias de informação e comunicação é:
Uma nova forma social, a sociedade de rede está se constituindo em torno do
planeta, embora sob uma diversidade de formas e com consideráveis diferenças em
suas consequências para a vida das pessoas, dependendo de história, cultura e
instituições. (CASTELLS, 2003, p. 225).

O discurso implantado é o do acesso livre através de uma política de informação
que fomenta o intercâmbio, cujo grande propósito é dar audiência à ciência produzida nas
dependências da universidade. A interdisciplinaridade é trabalhada através das áreas de
conhecimento que na atualidade estão entrelaçadas, sendo repensadas para facilitar a
comunicação que passa por significativas modificações.
As ciências estão organizadas em campos específicos de pesquisas, estruturadas em
redes de pesquisadores que interagem por intermédio de publicações, conferências,
seminários e associações acadêmicas. Porem, além disso, as ciências
contemporâneas caracterizam-se pela comunicação on-line como característica
permanente de seu trabalho. (CASTELLS, 1999, p. 166).

Essa é a grande reconstrução ocorrida na cibercultura e que precisa ser analisada
através de pesquisa empírica e questões que buscam explicações sobre o estágio atual de
nossa sociedade, assim as seguintes indagações são utilizadas:

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1)
Como as estratégias OA em universidades púbicas brasileiras modificam o modelo de
concepção institucional e o acesso à produção intelectual?
a)
b)
c)

Conferem significação social e politica às estratégias OA na USP?
Transformam a comunicação organizacional e científica nessa universidade?
Possibilitam a construção do OA na USP?
O desenvolvimento de tecnologias capazes de transmitir mensagens por ondas
eletromagnéticas, junto com a emergência das organizações nacionais e
internacionais de administração do espaço das ondas eletromagnéticas,
impulsionaram o avanço da globalização da comunicação. (THOMPSON, 2013,
p.207).

As bibliotecas – enquanto instituição –, passam por transformações com o advento da
utilização das tecnologias no desenvolvimento de suas atividades. Para Maciel (2006, p.46)
“antes de qualquer definição sobre a estrutura há que determinar a missão da biblioteca e os
objetivos nessa missão”. A constante busca por informações e por especialistas em uma
determinada área de conhecimento necessita de suporte desta organização para que junto com
a comunicação e a sociabilidade ganhem maior acessibilidade. A utilização do seu espaço para
propagar a disseminação dos conteúdos produzidos pela pesquisa faz aumentar a necessidade
de atualização dos profissionais bibliotecários para que esses possam trabalhar com novos
dados de fluxo informacional, com isso a instituição ganha visibilidade e uma identidade
própria. Para Willinsky (2006, p.85, tradução livre do autor) a “cooperação permitirá a
biblioteca participar mais diretamente da publicação de revistas para garantir o acesso para
pesquisa e novas bolsas de estudos”.
A colaboração entre pares e o trabalho em equipe tem grande impacto na comunicação
e demonstra a cooperação entre as áreas científicas e as pessoas que dominam determinado
assunto, enquanto a biblioteca faz a interconexão e disponibiliza a literatura para uso de todos.

2. Justificativa
O acesso à informação científica passa por transformações através da implantação das
estratégias OA na estrutura universitária, sendo um insumo de grande importância para a
nação que através de políticas públicas pode garantir que os conteúdos produzidos com verbas
públicas e dentro das universidades mantidas com dinheiro do Estado tenham a visibilidade
necessária e sejam acessados pela população.
O desenvolvimento científico e tecnológico é altamente dependente do acesso à
informação científica. Trata-se de um processo realimentado, que permite o acesso
às informações científicas demandadas pelas pesquisas científicas, que por sua vez
proporciona a geração de novas informações, resultados e provenientes das
pesquisas realizadas no pais, que são disseminadas e darão subsídios a novas
pesquisas, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. (KURAMOTO, 2014, p.
258).

O tratamento pelo qual estas informações passam garante sua confiabilidade na
reutilização e serve como mecanismo de avaliação da instituição e de seus profissionais no
mercado competitivo, abrindo o ambiente para que o complexo mundo da cooperação
científica possibilite a atuação do profissional bibliotecário em um novo ambiente híbrido e
complexo que intercala várias formas de divulgação, disseminação e inserção nos processos
de cooperação científica, mostrando a importância do profissional no organograma da
instituição.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

A qualidade da informação científica é validada pelo processo de revisão pelos
pares. As diferenças nos padrões de comunicação da pesquisa são determinadas pelo
ethos nas comunidades científicas de cada divisão do conhecimento. (COSTA, 2006,
p.46).

O vetor da virtualização é o modelo que se apresenta para os produtos ciberculturais
existentes e que permite a ampla circulação dos objetos infotecnológicos utilizados nas
multiplataformas do SIBiUSP, essas ferramentas garantem o acesso igualitário para toda a
comunidade sobre a produção intelectual da USP sendo restrito aos membros da instituição o
acesso à bases pagas e com contratos:
A noção de virtual de que esta virtualização deriva diz respeito à premissa segundo a
qual o que não está disponível no recorte da tela é virtual em relação ao que nela se
apresenta, bastando ser provocado (através dos ícones, dos menus, dos links, etc.)
para aparecer plenamente, vale dizer, para logo assumir o plano da visibilidade,
saindo, pois, de seu estado de “latência” virtual. (TRIVINHO, 1999, p.86).

O capitalismo tardio traz para o contexto científico uma outra realidade mais
competitiva na busca por financiamentos e na participação de novos atores que de forma
coletiva dão continuidade às pesquisas na busca de significações na atualidade e permitem
que a biblioteca tenha em seu ambiente produtos com acesso aberto e produtos com acesso
restrito à comunidade uspiana.
Realizar um experimento, por exemplo, requer normalmente hoje em dia uma gama
de conhecimentos e o acesso a recursos consideráveis (em termo de pessoal e
finanças) que se situam além das possibilidades de uma única pessoa.
O trabalho em equipe tem grande impacto tanto na comunicação formal quanto na
informal. Em pequenos grupos, ou em colaboração entre pares, todos os
participantes podem ter uma visão razoável do projeto de pesquisa. (MEADOWS,
1999, p.109).

A instantaneidade que as tecnologias permitem faz com que a colaboração aconteça de
forma fácil, onde as estratégias OA são utilizadas para da significação os objetivos que
buscamos apresentar com esta investigação são:
Objetivos gerais
a.
Conceituar as estratégias interdisciplinares – teóricas e práticas – do OA em
universidades públicas brasileiras.
b. Compreender a significação – social e política – que este fenômeno está
provocando no acesso a produção científica no ciberespaço.
Objetivos Específicos
a.
Identificar o porquê da utilização do modelo OA e se estas estratégias
aumentam a visibilidade, o acesso, a utilização e o impacto da produção intelectual
acadêmica, cultural, científica e técnica.
b. Avaliar se as políticas de acesso livre da USP estão garantindo o acesso gratuito,
público e aberto ao conteúdo integral da produção intelectual da comunidade
acadêmica da instituição. (NASCIMENTO; TRIVINHO, 2015, p.9).

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Esses objetivos buscam explicar o entrelaçamento que está ocorrendo entre as
disciplinas e as novas formas de se constituir comunidades no acesso à produção acadêmica.
Após a dominância transhistorica do mar, da terra e do ar (sobretudo conjugados), e
para além deles, o final do século XIX registra mantida a mesma perspectiva de
abordagem a inserção, na cultura, do espectro eletromagnético com o oceano
dromológico invisível de fluxos simbólicos e imaginários. (TRIVINHO, 2007, p.55).

A sociabilidade através da interação cria comunidades virtuais que permitem a
colaboração e a cooperação que quebrou a barreira dos produtos e das direções na troca
sujeito-objeto e demostra como a sociedade atual está híbrida no seu contexto vivido, onde a
participação de vários agentes na construção coletiva do conhecimento cria demanda pelo
acesso à produção intelectual.
É uma inteligência distribuída por toda parte, incessantemente valorizada,
coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das
competências. Acrescentemos à nossa definição este complemento indispensável: a
base e o objetivo da inteligência coletiva são o reconhecimento e o enriquecimento
mútuos das pessoas, e não o culto de comunidades fetichizadas ou hipostasiadas.
(LEVY, 2011, p.29).

A velocidade é espantosa na socialização dos processos colaborativos e na
retransmissão desde conteúdos para outras pessoas e a biblioteca faz a ponte de ligação entre
estas pessoas em qualquer lugar que elas estejam.

3. Metodologia e Análise
As metodologias utilizadas para comprovar as questões de pesquisa e conceituar as
estratégias interdisciplinares do OA são a análise do corpus e a crítica reflexiva, que
conjuntamente com a empiria, trazem um olhar diferenciado sobre o tema apresentando as
configurações que com a cibercultura são acessíveis para toda a sociedade. Esse novo fluxo
permite a colaboração e a distribuição entre vários agentes e modifica a dinamicidade na
produção de conhecimento. Para Pêcheux, (2015, p.43) “logo; um real constitutivamente
estranho à univocidade lógica, e um saber que não se aprende não se ensina, e que, no entanto,
existe produzindo efeitos”.
A análise recai sobre o corpus produzido durante o processo de implementação do OA
na USP e o discurso assumido pelos que representam a instituição. Sendo um esforço dela
para promover sua produção técnico-científica e o trabalho colaborativo entre os
pesquisadores. A colaboração científica é um trabalho coordenado com resultados e produtos
feitos com responsabilidade e mérito compartilhado em coautorias, estes trabalhos são feitos
através dos colégios invisíveis com cooperação interpessoal, institucional e internacional.
Em contrapartida, as novas TICs estabeleceram plataformas de governo eletrônico
que se consolidaram no mapeamento das atividades técnico-cientificas dos sistemas
nacionais de inovação, produzindo fontes de informação indisponíveis antes do
advento da internet e, mais recentemente, sistemas de conhecimento que
multiplicaram os recursos de gestão do conhecimento em CT&amp;I. (BALANCIERI, et
al, 2005, p.75).

A colaboração científica, por sua característica cognitiva e organizacional, tem uma
alta produtividade para as áreas de conhecimento e a dinâmica de suas relações. Com o
surgimento dos campos interdisciplinares a colaboração e o compartilhamento aumentam a
inter-relação entre os atores, cujos padrões de financiamento influenciam na formação e

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permitem que o acesso aconteça, para Suber (2012, p.30, tradução livre do autor) “mesmo as
mais ricas bibliotecas acadêmicas no mundo sofrem graves lacunas de acesso”. Os
relacionamentos que estas estratégias trazem para a produção técnico-científica em índices de
cooperação são calculados no aumento das citações, nos downloads de artigos produzidos
pela organização e no número de acessos aos documentos.
Em razão do retorno do logicismo a nossas próprias práticas, tais questões foram de
fato completamente evitadas em favor de uma referência teoricista ao “discurso da
ciência” (no caso, o materialismo histórico), que foi concebido como um ponto de
antagonismo único e exclusiva em relação à ideologia dominante. (PÊCHEUX,
2014, p. 95).

O conjunto de elementos empíricos que representam o objeto de estudo e contam todo
o processo que modificou o discurso institucional são:
1)
informação;

A documentação produzida para garantir a política local de acesso à

2)
universidade:
a)
b)
c)
d)
e)
f)

Os softwares utilizados para disponibilizar a produção intelectual da
Biblioteca Digital da produção Intelectual da USP;
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP;
Brasiliana USP;
E-aula USP;
Portal de Revista da USP;
A rede colaborativa Stoa – rede social da USP.

3)
A interface integrada de busca (sistema Primo) que permite a integração de
conteúdos eletrônicos em uma única interface de busca e entrega de resultados.
A hibridização cultural e a interdisciplinaridade que envolvem o processo ocorrido na
reconstrução das formas de interação entre o ecossistema de comunicação da USP e seus
usuários representam uma ferramenta facilitadora na aquisição de conteúdos, para Levy
(1993, p.52) “desta forma, quanto mais se houvesse dominado determinados aplicativos, mais
a aprendizagem dos outros tornava-se rápida e fácil uma vez que a experiência adquirida
podia ser reempregada.” Essas metodologias buscam explicar o processo de implementação
das estratégias OA na USP que na cibercultura reconstruíram a articulação entre a
comunicação organizacional e a comunicação científica para aumentar a liberdade de uso
através das tecnologias implantadas no SiBi-USP.

4. Considerações finais
A cibercultura permite a reconstrução científica que na interdisciplinaridade trabalha
para disseminar o conhecimento produzido pelas organizações e influenciar na modificação
da ideologia quanto ao seu acesso. O OA na USP é o início de um processo onde os
indivíduos que representam essa organização têm um importante papel em sua disseminação.
O direito à informação está sendo construído e a produção de conhecimento deve trazer
retorno para a sociedade. O capitalismo na sua forma de gerar excedente tem no
conhecimento um mercado potencial tendo sempre, surgirá a necessidade de gerenciamento
dos conteúdos produzidos e a sua regulamentação.
Estamos num mundo em constante mutação, em que as organizações precisam

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repensar formas de criar relações com a sociedade e apresentar alternativas para o acesso, a
preservação e a sociabilidade da produção acadêmica. A interação traz para dentro de seu
ambiente a participação de vários atores que fazem o trabalho colaborativo sobre um
determinado tema com visões diferentes sobre ele.
Multiplicam-se as relações sociais e o mundo ganha novos espaços de atuação, onde a
imagem institucional e sua identidade são lembradas. As plataformas gerenciadas pelo
SIBiUSP são a ponte para esse mundo e trazem responsabilidade aos usuários, que também
ganham com a possibilidade de acesso remoto a toda a produção.
A biblioteca ganha um novo horizonte que modifica seu ambiente e as possibilidades
de integração de todos com seu espaço trazendo para esse contexto a realidade que a
velocidade de acesso no espaço-tempo através da tecnologia em rede possibilita para as ações
individuas. O uso da informação através de plataformas amigáveis traz uma grande
visibilidade para a produção acadêmica e permite a formação de comunidades que visem a
discussão e a troca de informação respeitando os direitos autorais.
O mercado capitalista voltado para a ciência tem em seu modelo de negócio a
possibilidade de trabalhar unificando ações que possibilitem a disponibilização de serviços
alinhados com a nova realidade que se desenha quando ao acesso aberto as publicações e o
modelo que tem restrições quanto ao acesso de materiais específicos. A avaliação acadêmica é
facilitada com a utilização destas ferramentas que podem medir o grau de relevância que as
pesquisas têm nas comunidades acadêmicas através da interação que apresentam nas
plataformas OA, o acompanhamento das práticas permite a reavaliação sobre a necessidade de
novas formas de interação mais efetivas.
A interoperabilidade garante que um número maior de participantes do processo
colaborativo em qualquer lugar com acesso local e global ganhe visibilidade. E a gestão
destes recursos sejam melhoradas para tornar públicas as informações produzidas na
instituição. O modelo de negócio que o OA pratica está em consonância com as práticas já
implantadas na biblioteca, uma grande oportunidade para os profissionais de informação que
têm a possibilidade de facilitar o acesso à produção intelectual de sua instituição.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tema: A biblioteca universitária como agente de sustentabilidade institucional.</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Esse texto aborda o relato de experiência obtido durante o processo de pesquisa de campo realizado na Universidade de São Paulo (USP) e analisa as técnicas de implementação das estratégias Open Access (OA) nas rotinas desta instituição, que tem a importante participação do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SIBiUSP) e na criação deste ecossistema de comunicação, em que as multiplataformas são utilizadas para garantir o  acesso à produção intelectual da organização através das tecnologias de informação e comunicação. Essas técnicas são utilizadas para garantir a interatividade na colaboração científica através da formação de comunidades virtuais, apoio às disciplinas e disponibilização de toda a produção acadêmica, que ganha potencialidade no virtual. As metodologias utilizadas para análise deste processo são o estudo de caso, análise do discurso e a empiria. Assim  apresentamos o momento histórico vivido na cibercultura onde os processos são reconstruídos com a ajuda das tecnologias e proporcionam a participação de vários agentes na interatividade e na colaboração científica.</text>
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