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                  <text>A BIBLIOTECA À LUZ DOS PRESSUPOSTOS FILOSÓFICOS DE
ANÍSIO TEIXEIRA: PERFIL E ATUAÇÃO NO ÂMBITO ESCOLAR
Grazielle Pereira (IFB) - 1938961@etfbsb.edu.br
Resumo:
O artigo objetiva traçar a visão de Anísio Teixeira acerca da biblioteca e seu exercício no
ambiente escolar. A primeira sessão contextualiza e define termos ligados à Biblioteconomia e
à Documentação. A segunda, por sua vez, expõe uma breve consideração referente à trajetória
acadêmica e profissional de Anísio Teixeira e também apresenta os pressupostos filosóficos da
educação deste pensador frente as novas tecnologias da comunicação, problematizando a
influência destas no processo cultural. Neste sentido, o autor propõe reflexões sobre o papel
dos professores, a fim de que estes possam atender às demandas da complexa sociedade
contemporânea. Como organização que oferece apoio às práticas pedagógicas, Anísio Teixeira
observa o papel da biblioteca como repositório de documentos intelectuais produzidos pelo
homem, bem como atesta a importância de atuação dessa como promotora e difusora cultural.
Palavras-chave: Biblioteconomia. Educação. Anísio Teixeira. Escola Nova.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Organização e tratamento da informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Seja para fortalecer ou enfraquecer a comunicação, as tecnologias estão presentes na
vida do homem desde tempos remotos. Recentemente, a preocupação com o acesso à
informação tem crescido, uma vez que, os dados disponíveis são demasiadamente volumosos.
Neste contexto, há novas demandas para profissionais ligados ao tratamento, à
organização e ao controle da informação. Portanto, o bibliotecário atravessa um período de
mudança no tipo de informação a ser tratada e no perfil do usuário que é atendido em suas
bibliotecas.
Um visionário e com características gerenciais marcantes, Anísio Teixeira, educador
brasileiro contemporâneo, apresentou uma série de preocupações acerca das tecnologias da
informação e como seriam os impactos dessas nas salas de aulas, além disso, o autor colocou
algumas recomendações de ações a serem adotadas frente às novas técnicas de comunicação.
Nestas indicações comportamentais a serem adotadas pelas escolas e pelo professor, Anísio
Teixeira expõe suas opiniões acerca dos livros, das bibliotecas e do futuro dessas.

2 A Biblioteconomia e a Ciência da Informação
O termo Biblioteconomia tem origem francesa Bibliothéconomie, sendo utilizado pela
primeira vez em 1841 para fazer referência ao conjunto de técnicas de organização e gestão de
bibliotecas. Segundo Yves-François &amp; Le Coadic (1996 apud VIEIRA, 2014, p. 1), a
Biblioteconomia não é uma ciência, nem uma técnica rigorosa, mas sim uma prática de
organização. De acordo com esses autores, a biblioteconomia depende de três elementos para
se consolidar: dos documentos, que envolve a constituição e o desenvolvimento de coleções,
sua conservação e o tratamento técnico (catalogação, indexação); dos espaços físicos, que é o
conjunto de questões administrativas; dos leitores, que abrange a recepção, a comunicação e o
acesso aos documentos por parte dos usuários da informação.
A terminologia “biblioteca”, pode ser considerada uma coleção de livros e outros
suportes informacionais organizados de forma que atendam às necessidades informacionais
das pessoas. Atualmente, pode-se encontrar dois tipos principais de bibliotecas: as físicas e as
virtuais. Tradicionalmente, as primeiras possuem espaço e acervo físico, local onde podem ser
encontrados livros, manuais, jornais, revistas, materiais audiovisuais. As bibliotecas virtuais,
por sua vez, são formadas por documentos eletrônicos como e-books, arquivos txt, pdf, entre
outros.
No que se refere à tipologia de biblioteca por tipo de usuário, encontram-se,
principalmente, as seguintes: públicas, especializadas, universitárias, escolares e infantis. Sob
o enfoque deste trabalho, merece atenção a biblioteca escolar que, segundo Côrte e Bandeira
(2011, p. 6) serve de suporte aos programas educacionais, atuando como um centro dinâmico,
participando em todos os níveis e momentos, do processo de desenvolvimento curricular e
funcionando como laboratório de aprendizagem integrado ao sistema educacional. Segundo as
autoras, a biblioteca exerce, com suas atividades, um papel político, educativo, cultural e
social, contribuindo para:
ampliar as oportunidades de educação e conhecimento dos alunos; colocar à
disposição dos alunos acervos e informações que complementam o currículo escolar;
promover e facilitar o intercâmbio de informações; promover a formação integral do
aluno; tornar-se um ambiente social, cooperativo e democrático; facilitar a ampla
transmissão da arte, da ciência e da literatura; promover a integração entre aluno,
professor, ex-alunos e pais.

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Imagem 1: Exemplo de biblioteca escolar. Fonte: http://modelo.edu.br/estrutura/biblioteca-escolar/

Desde a Antiguidade, as sociedades têm demonstrado preocupação de registro de suas
produções, seja para guarda e preservação de suas identidades, seja para a disseminação de
suas proposições e ideologias. Para suprir essas necessidades, ao longo dos séculos, existiram
instituições e profissionais responsáveis por gerir essas informações. Na Idade Média, por
exemplo, foram os monges. No século XIII, homens da nobreza foram os responsáveis por
formar as primeiras bibliotecas nacionais. Com o surgimento da prensa de tipos móveis, por
volta de 1440, por Johannes Gutemberg, há um impulso na produção da imprensa através da
ampliação de distribuição de informações, que foram decisivos para comprometer o
monopólio da Igreja sobre as produções editoriais. Na era moderna, tem-se a consolidação do
livro como instrumento de pesquisa e fonte de disseminação de ideias. (VIEIRA, 2014, p. 11).
Em virtude do crescimento e disseminação do conhecimento registrado,
principalmente, após a Segunda Guerra Mundial, surge uma nova atividade que veio a se
denominar Ciência da Informação. É um campo dedicado a questões científicas e de prática
profissional, voltadas para os problemas da efetiva comunicação e registros do conhecimento
entre os seres humanos, no contexto social, institucional ou individual do uso e das
necessidades de informação. (SARACEVIC, 1996, p. 47 apud OLIVEIRA, 2011, p. 16).
Anísio Teixeira no texto “Cultura e Tecnologia” (1971, p. 14) ressalta: “é tal do
progresso humano que desejamos trazer aqui, à maneira de introdução à nossa palestra sobre
tecnologia e cultura, a fim de sublinhar o perigo de estarem as tecnologias limitando, se não
destruindo, a inerente natureza transcendente e crítica do pensamento. ”
Neste caso, fica evidente que o autor não era reticente ao uso das tecnologias, no
entanto, considerava que, se usadas de maneira inadequada e sem a criticidade necessária, esta
poderia se tornar um perigo para o pensamento humano e para o desenvolvimento das ideias.
No que se refere à biblioteca, ao problematizar como deveria ser a unidade de
informação da Universidade do Distrito Federal e a formação dos professores, Tomazetti
(2000, p. 1, grifo nosso) afirma:

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A biblioteca era concebida como suporte fundamental a cada centro, uma vez que
deveria contar com um acervo de ‘livros do conhecimento histórico e presente da
educação’. Porém, Anísio dava um realce especial à biblioteca de revistas, dedicada
à problemática educacional, devendo estar em condições de tomar conhecimento do
que se está fazendo e estudando, relatando e pesquisando em parte substancial do
Brasil.”

A partir do fragmento acima, pode-se depreender que Anísio Teixeira valorizava o
aspecto documental e histórico dos documentos de uma biblioteca, bem como considerava de
suma importância a manutenção de periódicos que mostrassem a realidade atual da educação
no Brasil. Entende-se periódico como veículo de informação cuja a finalidade seja consista
em publicar notícias científicas, em um meio de divulgação do conhecimento que se origina
das atividades de pesquisa. (MIRANDA; PEREIRA, 1996, p. 375).

3 Pressupostos de Anísio Teixeira frente à cultura, ao livro e ao microfilme
Anísio Spínola Teixeira (1900-1971) foi um educador brasileiro que travou diversas
lutas pela educação em momentos em que esta gozava de pouco reconhecimento social. O
educador fez a opção pela educação em detrimento da carreira eclesiástica e política,
propriamente dita. Como afirma Saviani (2013, p. 221-222):
Apesar de ter tido oportunidades tentadoras de se projetar em outras atividades,
Anísio Teixeira optou pela educação, elegendo-a como a questão central do plano de
reforma da sociedade e de constituição nacional. Nesse sentido ele vai considerar a
educação elemento-chave do processo de inovação e modernização da sociedade que
em alguns contextos ele denomina processo revolucionário. Portanto, para ele, a
educação aparecia como elemento-chave no processo revolucionário.

Privilégio das elites, a educação, segundo Anísio, era um direito de todos e não jamais
objeto de exclusividade da burguesia brasileira e é sob estas prerrogativas que ele escreve
textos como “Educação é um direito”, “Educação não é privilégio” (SAVIANI, 1971, p. 222).
Ao ocupar cargos públicos vinculados à educação, Anísio Teixeira propunha um
partido para o qual a primeira necessidade fosse a difusão da cultura e do esclarecimento
público dos problemas brasileiros e de suas possíveis soluções. De acordo com Clarice Nunes
(2010, p. 21): “O que este partido procuraria garantir era um padrão mínimo de educação e de
informação, a defesa e manutenção da saúde e os direitos sociais elementares da honra, como
o da subsistência, trabalho e conforto relativo. ”

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Imagem 2: Anísio Teixeira. Fonte: Jornal de Todos os Brasis

Através dessas ações, Teixeira tentava mostrar que a carência do indivíduo não era
algo inerente a ele, mas, sim, fruto da omissão dos governos, como ressalta Nunes (2010, p.
23): “defendeu a educação como instrumento de superação de uma carência que não é do
indivíduo, mas da cultura erudita que lhe faz falta. [...] desigualdade entre as pessoas não era
dada. Era feita. ”
Base teórica do pensamento de Anísio Teixeira, a concepção de John Dewey reforçava
a necessidade de mudança social e de democracia posta na infância. Teixeira salientava que os
ideias democráticos não deviam ter apenas o viés político, mas devia ressaltar a
democratização da cultura, abrindo espaço para a arte, por exemplo. Fica evidente que, além
de se inspirar em teorias do John Dewey e da Escola Nova, Anísio Teixeira também
experimentou a reflexão através das ações em favor da educação brasileira. (NUNES, 2010, p.
44).
No texto “Os mestres de amanhã”, publicado originalmente em 1963, Anísio Teixeira
afirma que o professorado está a sofrer mudanças pela mudança pelo desenvolvimento
tecnológico, que gera complexidade à sociedade moderna. De acordo com ele, a cada
tecnologia, há um alargamento no espaço entre os indivíduos e a comunicação torna-se mais
impessoal. (TEIXEIRA, 2004, p. 143)
As tecnologias de acesso a informação, segundo Anísio Teixeira (1971, p. 20), se
deram da seguinte forma:
As duas primeiras grandes experiências, em nosso Ocidente, na vida presidida pela
grande aventura de ideias e por uma pobre e elementar tecnologia, na Grécia, e da
vida dominada ainda por ideias, mas já servida de vigorosas tecnologias, em Roma,
ambas ruíram sob o impacto da invasão dos bárbaros [...]. Na Idade Média,
guardando muito da civilização escrita das duas civilizações, com a herança judaica
renovada por Cristo. [...] É com o período moderno que a substituição da vida
instintiva humana pelas tecnologias se consuma completamente, e o homem começa
a ser verdadeiramente produto dessas tecnologias.

Após estas considerações de caráter histórico, o autor mostra que o período
tipográfico, de que resultou a sociedade oral, e depois escrita, na sociedade do impresso, até

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chegar à era dos novos meios de maciços e plurais da comunicação humana entrelaçam-se às
estruturas sociais, influenciando-as profundamente(TEIXEIRA, 1971, p. 20). É por conta
desse poder que o impresso exerceu que em 1559, a Sagrada Congregação da Inquisição
Romana publicara o primeiro Índice dos Livros Proibidos (INDEX). Tratava-se de livros que
a Igreja considerava perigosos para a fé e a moral dos católicos. (MANGUEL, 2012, p. 320)
Como ressalta Anísio, cada cultura registrou as produções com as possibilidades que
tinha. A cultura oral se consolidava através da fala, sendo de grande importância e evidência a
figura do orador nestas sociedades. A Idade Média valoriza e aprofunda essa cultura com a
dialética escolástica. É no século XIV, com o descobrimento da tipografia que se desenvolve
as primeiras iniciativas da cultura da palavra impressa. No entanto, como mesmo atesta o
autor, essa tecnologia levou tempo para ser difundida: “Quanto aos livros ainda no século
XVIII, mais de 50% era latim.” Portanto, a cultura tipográfica só atinge o seu apogeu no
século XIX. (TEIXEIRA, 1971, p. 21)
Frente ao microfilme1 o autor faz a seguinte afirmação: “Considero microfilme como
descoberta equivalente à do livro. [...] a nossa religião cristã é, por excelência, a religião do
livro. (TEIXEIRA, 1971, p. 21). Como ressalta Anísio Teixeira (1971), a tipografia geral o
individualismo e dá definitivo impulso à existência pessoal das criaturas, difundindo o saber
fazendo dele algo verdadeiramente universal, permitindo, assim, que as culturas difundidas se
distribuam por todo o planeta. Como revela Anísio Teixeira (1971, p. 21):
Por isto mesmo, as nações que lograram chegar ao pleno desenvolvimento da cultura
foram as que tiveram completo acesso às culturas do passado. A sobrevivência da
cultura antiga na biblioteca de Alexandria2 permitiu a continuidade da cultura na
Idade Média. Gutenberg permitiu a continuidade da Idade Média na Renascença e
no mundo moderno, mas limitou-a à Europa, onde se localizam as bibliotecas.

Ao falar da influência das tecnologias no comportamento humano, Anísio Teixeira
(1971, p. 23) recorre à McLuhan que considera que toda e qualquer nova ferramenta –
impresso, microfilme – que estenda os sentidos e faculdades humanas cria novo clima e
ambiente cultural, que passa a comandar a percepção, a ação e o sentimento do homem,
normalmente, estando ele sem consciência dessas intervenções e, portanto, impotente para
estabelecer controle e reforma, se necessário. Além disso, fica claro que o processo cultural
atravessa transições a ponto das tecnologias se confundirem e se misturarem.
De acordo com Setton (2015, p. 95), as mídias são capazes de mudar a nossa visão de
mundo. A imprensa mudou o mundo da cultura da oralidade do mesmo modo como a
virtualização tem reorganizado os grupos e, também, favorecendo um retorno à oralidade e à
simultaneidade.
Desde os tempos mais remotos das culturas de tecnologia escrita, as bibliotecas e os
professores têm cumprido, juntamente com demais organizações – universidades, Igreja,
centros de documentação – seu papel de guardiães do conhecimento, com o intuito de que
tudo fosse conservado e cultivado. Sai dos muros da escola e das bibliotecas a incumbência de
1

É a reprodução extremamente reduzida de documentos, textos, figuras etc. Foi tido, durante muito tempo, como
solução para a organização, preservação, busca e recuperação das informações. Hoje ele ainda permanece como
a melhor forma de preservação de documentos. (MORAES, 2002, p. 6).
2
Foi idealizada e construída por Alexandre, em 331 a.C., para celebrar suas grandes conquistas e com a missão
de conter toda a sabedoria acumulada pelo mundo grego. Porém, Alexandre morreu antes de terminar a sua obra.
O acervo da biblioteca, considerado o maior acervo de ciência e cultura da Antiguidade, chegou a cerca 700 mil
volumes entre rolos de papiros e pergaminhos reunidos ao longo de sete séculos. A biblioteca possuía 10 salas
para os usuários, e seu acervo era organizado em prateleiras com etiquetas, onde constavam o nome do
proprietário, do revisor e do editor com a finalidade de facilitar a busca da informação. Em 640 da Era Cristã, a
Biblioteca de Alexandria foi totalmente destruída por um incêndio causado pelos árabes, o terceiro de sua
história. (VIEIRA, 2014, p. 9)

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informar, como atesta:
Com a expansão dos meios de comunicação, o mestre perdeu esse antigo poder,
passando a ser apenas um contribuinte para a formação do aluno, que recebe, em
relativa desordem, por esses novos meios de comunicação, imprensa, rádio e
televisão, massa incrível de informações e sugestões provenientes de uma
civilização agitada por extrema difusão cultural e em acelerado estado de mudança.
(TEIXEIRA, 2014, p. 144)

De acordo com a Teixeira (2014, p. 145), o aluno cada vez mais deverá sair de um
estudo em programas substancialmente teóricos e, neste caso, a biblioteca desta escola deverá
acompanhar essas mudanças, não sendo apenas um repositório de informações, mas, sim, um
ambiente dinâmico de promoção cultural. E, para isto, deverá dispor de elementos que não
sejam apenas os livros recomendados pelo professor, mas que se faça uso de outras
ferramentas como a televisão, o cinema e a arte. Neste sentido, o autor afirma:
Se a biblioteca, de certo modo, já fizera do mestre um condutor dos estudos do aluno
e não propriamente o transmissor da cultura, os novos recursos tecnológicos e os
meios audiovisuais irão transformar o mestre no estimulador e assessor do estudante,
cuja atividade de aprendizagem deve guiar, orientando-o em meio às dificuldades da
aquisição das estruturas e modos de pensar fundamentais da cultura contemporânea
de base científica [...] (TEIXEIRA, 2014, p. 146)

Na prática dos bibliotecários escolares deve ficar evidente a necessidade deste de
exercerem suas atividades em colaboração com os professores. De acordo com Campello
(2005, p. 58), nota-se que: “[...] para exercerem seu papel educativo de forma adequada, [os
bibliotecários] precisam trabalhar com o apoio da equipe pedagógica e dos professores. ”
Pode-se afirmar que, em consonância com os postulados de Anísio Teixeira,
especialistas na área de biblioteconomia e ciência da informação, como Araújo e Dias (2011,
p. 119) afirmam que o profissional bibliotecário da sociedade da informação ainda não existe;
ele será construído a partir da convivência reflexiva com a era da informação e suas
ferramentas.

4 Materiais e Métodos
O método utilizado neste trabalho é do tipo pesquisa bibliográfica que busca
investigar na literatura científica elementos que apresentem evidências para a
argumentação. A análise dos dados é feita através de estudos documentais.
5 Considerações parciais/finais
Anísio Teixeira, ao se referir ao papel das bibliotecas, não o fez de maneira superficial,
ou seja, apenas indicando a importância dessas unidades para as instituições, mas realizando
apontamentos de como estas devem atuar no âmbito educacional, seja para formação de
professora, seja para incentivo à leitura e apoio às práticas pedagógicas. Pode-se inferir que,
de acordo com o pensador, a biblioteca deve extrapolar o nível técnico que rege a sua
organização, e refletir sobre a matéria-prima que é responsável por salvaguardar.
De acordo com Setton (2015, p. 99) não há mais como pensar o conhecimento de
maneira linear, hierarquizada e absolutamente previsível, pois, segundo a autora, tudo está em
processo e em fluxo de desenvolvimento.
Para os educadores, inclusive, os bibliotecários, fica o desafio de atravessar essas
mudanças com propostas criativas frente às mudanças nas formas de comunicar-se, pois é só

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com posturas proativas que é possível garantir espaço social e profissional na sociedade do
presente do futuro. É sob esta égide que deve ser construída o planejamento de uma unidade
de informação, que leve em consideração o dinamismo das relações que se estabelecem no
fluxo das informações.

6 Referências
ARAÚJO, Eliany Alvarenga; DIAS, Guilherme Ataíde. A atuação profissional do
bibliotecário no contexto da sociedade da informação: os novos espaços de atuação. In.:
OLIVEIRA, Marlene de. Ciência da Informação e Biblioteconomia: novos conteúdos e
espaços de atuação. 2. ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011. p. 109-120.
CAMPELLO, Bernadete Santos. Letramento informacional: função educativa do bibliotecário
na escola. Belo Horizonte: Autêntica, 2005. (Coleção Biblioteca Escolar).
CÔRTE, Adelaide Ramos e; BANDEIRA, Suelena Pinto. Biblioteca escolar. Brasília: Briquet
de Lemos/Livros, 2011.
MANGUEL, Alberto. Uma história da leitura. Tradução: Pedro Maia Soares. 2. ed. São
Paulo: Companhia das Letras, 2012.
MIRANDA, Dely Bezerra de; PEREIRA, Maria de Nazaré Freitas. O periódico científico
como veículo de informação: uma revisão de literatura. Ciência da Informação, Brasília, v.
25, n. 3, set./dez. 1996, p. 375-382.
MORAES, Alice Ferry de. Os pioneiros da Ciência da Informação nos EUA. Informação &amp;
Sociedade, v. 12, n. 2, 2002, p. 1-15.
OLIVEIRA, Marlene de. Origens e evolução da Ciência da Informação. In.: ______. Ciência
da Informação e biblioteconomia: novos conteúdos e espaços de atuação. 2. ed. Belo
Horizonte: Editora UFMG, 2011. p. 9-28.
SAVIANI, Demerval. História das ideias pedagógicas no Brasil. 4. ed. Campinas, SP:
Autores Associados, 2013. (Coleção memória da educação).
SETTON, Maria da Graça. Mídia e educação. São Paulo: Contexto, 2015.
TEIXEIRA, Anísio. Cultura e tecnologia. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Rio de
Janeiro, v. 55, n. 121, jan./mar. 1971, p. 12-37.
TEIXEIRA, Anísio. Mestres do amanhã. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v. 85, n.
209/210/211, jan./dez. 2004.
TOMAZETTI, Elisete M. Anísio Teixeira: alguns apontamentos em comemoração ao
centenário de seu nascimento. Revista do Centro de Educação UFSM, Santa Maria, v. 25, n.
2, 2000. Documento online. Disponível em: &lt;http://coralx.ufsm.br/revce/revce/2000
/02/a1.htm&gt;. Acesso em: 04 jun. 2015.

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VIEIRA, Ronaldo. Introdução à teoria geral da biblioteconomia. Rio de Janeiro: Interciência,
2014.

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Documentação&#13;
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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          <name>Title</name>
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              <text>A biblioteca à luz dos pressupostos filosóficos de Anísio Teixeira: perfil e atuação no âmbito escolar.</text>
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          <name>Coverage</name>
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              <text>Manaus (Amazonas)</text>
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              <text>O artigo objetiva traçar a visão de Anísio Teixeira acerca da biblioteca e seu exercício no ambiente escolar. A primeira sessão contextualiza e define termos ligados à Biblioteconomia e à Documentação. A segunda, por sua vez, expõe uma breve consideração referente à trajetória acadêmica e  profissional de Anísio Teixeira e também apresenta os pressupostos filosóficos da educação deste pensador frente as novas tecnologias da  comunicação, problematizando a influência destas no processo cultural. Neste sentido, o autor propõe reflexões sobre o papel dos professores, a fim de que estes possam atender às demandas da complexa sociedade contemporânea. Como organização que oferece apoio às práticas pedagógicas, Anísio Teixeira observa o papel da biblioteca como repositório de documentos intelectuais produzidos pelo homem, bem como atesta a importância de atuação dessa como promotora e difusora cultural.</text>
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