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                  <text>ANÁLISE DAS CONDIÇÕES DE FUNCIONAMENTO DAS
BIBLIOTECAS NAS INSTITUIÇÕES DE FORMAÇÃO DOS
TRABALHADORES TÉCNICOS EM SAÚDE NOS PAÍSES AFRICANOS
DE LÍNGUA OFICIAL PORTUGUESA (PALOP)

Anderson Leonardo de Azevedo (FIOCRUZ) - a994a@hotmail.com
Resumo:
O tema abordado neste trabalho reflete os resultados parciais da dissertação do autor
defendida em 2016, cujo objetivo foi analisar as condições em que se encontram as bibliotecas
das instituições de formação de trabalhadores técnicos em saúde dos Palop, com as quais a
Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio mantém parcerias de cooperação internacional,
a fim de subsidiar as ações de cooperação desenvolvidas pela mesma, no âmbito da Rede
Internacional de Educação de Técnicos em Saúde. Os resultados da pesquisa mostraram que:
a maior parte dos trabalhadores nas bibliotecas não tem formação específica para a atividade;
os recursos físicos são insuficientes, como ainda o espaço e a localização das bibliotecas; os
recursos tecnológicos carecem de melhoria, incluindo-se o acesso a Internet. Concluiu-se que
as condições apresentadas pelas bibliotecas pesquisadas são insuficientes para oferecer
suporte à formação da força de trabalho em nível técnico, como ainda, para subsidiar a
atividade docente, uma vez que, além da insuficiência e desatualização das obras disponíveis,
há também precariedade nas instalações, mobiliário e equipamentos.
Palavras-chave: Palop. Formação técnica em saúde. Biblioteca
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Avaliação e Gestão Pública em Serviços de Informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O tema abordado é referente às condições em que se encontram as bibliotecas das
instituições de formação de trabalhadores técnicos em saúde dos Países Africanos de Língua
Oficial Portuguesa (PALOP) - Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e
Príncipe -, com as quais a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV) mantém
parcerias de cooperação técnica internacional1.
É oportuno esclarecer que a expressão 'cooperação técnica' se refere à relação não
comercial, de trocas de conhecimentos e técnicas entre diferentes países, devido ao interesse
mútuo entre as partes, ainda que estas sejam marcadas pela desigualdade (BRASIL, [2012?]).
Ao tratar da cooperação técnica internacional (CTI), a Agência Brasileira de
Cooperação (ABC) explica que
O Brasil entende a cooperação técnica internacional como uma opção estratégica de
parceria, que representa um instrumento capaz de produzir impactos positivos sobre
populações, alterar e elevar níveis de vida, modificar realidades, promover o
crescimento sustentável e contribuir para o desenvolvimento social.
A CTI é compreendida como um importante instrumento de desenvolvimento, que
auxilia o país a promover mudanças estruturais nos seus sistemas produtivos e a
superar restrições que dificultem seu crescimento. As ações de [Coordenação Geral
de Cooperação Técnica entre Países em Desenvolvimento] CGPD constituem
importante instrumento de política externa, do qual o Brasil tem-se servido para
assegurar presença positiva e crescente em países e regiões de interesse primordial.
[...] A CGPD brasileira se faz pela transferência de conhecimentos técnicos e
experiência do Brasil, em bases não comerciais, de forma a promover a autonomia
dos parceiros envolvidos. Para tanto se vale dos seguintes instrumentos:
consultorias, treinamentos e a eventual doação de equipamentos (BRASIL, [2012?]).

A CGPD é também denominada de Cooperação Sul-Sul ou Cooperação Horizontal,
evidenciando uma relação mais estreita com os países em desenvolvimento, que carecem de
recursos suficientes e de know-how, e que poderiam se beneficiar das experiências
acumuladas pelo Brasil (BRASIL, [2012?].
A relação de cooperação com os Palop figura entre as prioridades da CGPD, que
incluem também: oferta de apoio à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP),
que, além dos Palop, inclui Brasil, Portugal e Timor-Leste; e o incremento das iniciativas de
cooperação triangular com países desenvolvidos e organismos internacionais, entre outros
(BRASIL, [2012?]).
A CTI pode envolver diferentes tipos de organizações, incluindo órgãos
governamentais, organismos intergovernamentais, organizações não governamentais (ONG),
fundações, instituições de ensino e empresas privadas, entre outras (BRASIL, [2012?]).
Enquadra-se nessa parceria a EPSJV, unidade técnico científica da Fundação Oswaldo Cruz
(FIOCRUZ), cuja atuação junto aos Palop envolve o apoio à educação de técnicos em saúde,
marcadamente por meio do "[...] acesso à informação científica e tecnológica", o que induz à
necessidade de "[...] estruturação, [...] fortalecimento e [...] modernização dos acervos
bibliográficos especializados" (EPSJV, [200-]).
A EPSJV, no âmbito da cooperação técnica com os Palop, objetiva contribuir para a
qualificação de docentes na área de saúde pública, enfatizando aspectos de gestão, vigilância
epidemiológica e administração hospitalar, e "[...] desenvolver processos de formação
profissional em saúde pública nos níveis médio e superior" (STAUFFER; NORONHA;
1

Tema de dissertação defendida pelo autor em fevereiro de 2016.

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RUELA, 2014, p. 77).
A biblioteca adquire representatividade nas instituições de ensino, porém, o papel
desempenhado por essas unidades segue acompanhado por diferentes visões, sendo estas
[...] invariavelmente distorcidas [...]. Ora é lugar sagrado, onde se guardam objetos
também sagrado (sic), para desfrute de alguns eleitos, ora, sob uma óptica menos
romântica, é apenas uma instituição burocratizada, que serve para consulta e
pesquisa, assim como para armazenar bolor, cupins e traças. Para poucos, aqueles
que a freqüentam assiduamente, ela constitui o local do encontro com o prazer de
ler, conhecer, informar-se.
[...] a maioria das pessoas desconhece o verdadeiro papel de uma biblioteca em suas
vidas e, portanto, na vida da comunidade. E esta afirmação se aplica tanto aos
usuários potenciais quanto àqueles que de um modo ou outro têm responsabilidade
pelo seu funcionamento (FRAGOSO, 2002, p. 124-5).

Essa visão leva ao subaproveitamento desses espaços, devido às condições precárias
em que são mantidas as bibliotecas, como ainda, à sua pouca valorização, inclusive no
ambiente acadêmico. Nesse sentido, não raro, faltam bibliotecários, ou o acervo é insuficiente
e desatualizado, ou ainda, os usuários se limitam à utilização dos serviços oferecidos em
ocasiões em que estes são absolutamente indispensáveis, evidenciando despreparo e
desinteresse (FRAGOSO, 2002).
Entretanto, a biblioteca escolar agrega duas finalidades básicas, quais sejam: a
educativa, em que reforça a ação de alunos e professores, e a cultural, em que contribui para a
educação formal dos indivíduos (FRAGOSO, 2002).
Nesse contexto, as bibliotecas representam importante repositório de informações para
a formação prática e acadêmica dos profissionais de saúde, uma vez que oferecem condições
de organização da informação em diferentes tipos de mídias. Diante da importância de que se
revestem as bibliotecas, como principal meio de organização do acervo bibliográfico, e da
necessidade de a EPSJV cumprir com seu papel na cooperação com os Palop, este estudo
pretende mostrar as condições em que se encontram essas bibliotecas, a fim de subsidiar as
ações de cooperação desenvolvidas pela EPSJV, no âmbito da Rede Internacional de
Educação de Técnicos em Saúde da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (RETSCPLP).
Considerando-se a convergência entre os objetivos da CTI, da CGPD, da EPSJV e da
RETS-CPLP, que indicam a importância que as bibliotecas das instituições de formação de
trabalhadores técnicos em saúde dos Palop têm para o desenvolvimento dos alunos, docentes
e das atividades de ensino e pesquisa, propôs-se a seguinte questão como problema de
pesquisa: em que condições se encontram as bibliotecas das instituições de ensino dos Palop,
com as quais a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV) mantém parcerias de
cooperação internacional?
Assim, o objetivo geral do estudo foi analisar as condições em que se encontram as
referidas bibliotecas, a fim de subsidiar as ações de cooperação desenvolvidas pela EPSJV, no
âmbito da Rede Internacional de Educação de Técnicos em Saúde (RETS-CPLP).

2 Revisão de literatura
Os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) são os países da África
que possuem como língua oficial o português, sendo eles: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau,
Moçambique e São Tomé e Príncipe.
Os Palop apresentam diferenças entre vários aspectos, como, por exemplo, população
e território, entre outros. Contudo, esses países guardam uma herança semelhante que é o fato

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de terem sido colônias de Portugal, até meados da década de 1970, e manterem a língua
portuguesa como idioma oficial. Esse período colonial deixou marcas políticas, econômicas,
sociais e culturais, com inúmeros desafios a serem vencidos por esses países (PEREIRA,
2009).
Nesse sentido, o apoio internacional, mediante acordos de cooperação torna-se
fundamental para que os Palop melhorem seu desempenho e atinjam a sustentabilidade, de
forma a prover melhor qualidade de vida à sua população (ZIMBA; MUELLER, 2008). No
caso específico da saúde, a formação de profissionais poderá prover melhor distribuição dos
recursos humanos em saúde (RHS), melhor qualificação e capacitação desses profissionais, o
que deverá refletir no acesso e na qualidade da assistência prestada à população. A melhoria
do acesso e da qualidade da assistência se refletem na redução da mortalidade infantil e
materna, na morbimortalidade, no combate a doenças infecciosas e transmissíveis, entre
outros aspectos, possibilitando melhor distribuição dos recursos financeiros em outras áreas,
incluindo-se a educação, tornando disponível força de trabalho em condições de contribuir
com a qualidade de vida da população.
A formação profissional e a educação técnica surgiram com maior ênfase no período
da Revolução Industrial, quando era necessário preparar os indivíduos para atuar no ambiente
industrial, com conhecimentos e domínio de técnicas específicas. A educação profissional,
atualmente, em uma perspectiva dominante, se destina à preparação do indivíduo para o
trabalho (CAMPELLO; LIMA FILHO, 2008). A educação profissional em saúde,
acompanhando a orientação da educação profissional, considera a escola como "[...] espaço
privilegiado para o desenvolvimento de práticas e conteúdos de saúde visando à formação dos
futuros trabalhadores" (PEREIRA; LIMA, 2008, p. 182).
A educação profissional em saúde, portanto, aborda aspectos técnicos específicos do
campo da saúde, acrescidos de outros que embasam o seu desenvolvimento, visando dotar os
profissionais de conhecimentos apropriados, qualificando-os para atuar no âmbito da saúde,
seja nas instituições de assistência à saúde, seja no âmbito da comunidade.
A formação de trabalhadores técnicos em saúde tem sido um aspecto importante na
África, de modo geral, uma vez que a carência de profissionais de saúde é bastante acentuada.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) indica que entre os 57 países que apresentam déficit
de RHS, 36 estão localizados na África (DUSSAULT et al., 2010).
Martins (2010) explica que o déficit de RHS na África envolve problemas referentes à
quantidade de profissionais e também à sua distribuição no território africano.
As condições históricas dos países, como colônias de Portugal, e aquelas vigentes por
ocasião da independência de cada um permitem inferir que a educação foi relegada a plano
inferior. A prática de colonização portuguesa na África obedecia a interesses particulares,
envolvendo, necessariamente, a geração de receita pelas colônias e outros de caráter político,
uma vez que Portugal precisava se fortalecer perante outros países europeus, entre eles, a GrãBretanha. Para os colonizadores a educação da população local não era importante, uma vez
que, precisavam manter a força de trabalho sob controle para terem trabalhadores disponíveis
para a agricultura e a extração florestal (LAINS, 1998).
Em relação às instituições de ensino nos Palop deve-se ressaltar que Portugal não
previu ou articulou qualquer ação para a educação da população local durante grande parte do
período colonial. A partir da década de 1950 pequena parte da população das colônias
portuguesas conseguiu acesso à educação superior fora do seu país de origem, inclusive em
Lisboa, quando o governo em tentativa de conter as ações pró-independência facilitou o
acesso destes às suas instituições de nível superior. Um exemplo do desenvolvimento tardio
dos países africanos quanto à abertura de escolas de nível superior é o de Angola, que
somente em 1962 criou a instituição Estudos Gerais Universitários de Angola, mantido sob a
tutela das universidades portuguesas (FONSECA, 2014).

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A despeito da pouca disponibilidade de dados acerca das instituições de ensino nos
Palop, a Cooperação Internacional da EPSJV/Fiocruz identifica, por meio dos acordos de
cooperação vigentes, 33 instituições distribuídas nos cinco países do grupo distribuídas da
seguinte forma: 15 escolas em Angola, uma em Cabo Verde, uma na Guiné-Bissau, 15 em
Moçambique e uma em São Tomé e Príncipe.
Ao abordar as bibliotecas no âmbito das instituições de ensino dos Palop, relatório
elaborado pela World Health Organization (2009) indica que a sua precariedade é um ponto
comum, sendo que:
a) em Angola foi estimada a existência de cerca de dez bibliotecas, sendo uma em cada
Escola Técnica Provincial, totalizando cinco escolas; uma na Faculdade de
Medicina da Universidade Agostinho Neto, uma na Escola Nacional de Saúde
Pública, uma no Instituto Nacional de Saúde Pública e uma no Instituto Médio de
Saúde de Moxico; apenas a biblioteca da Faculdade de Medicina está totalmente
estruturada e conta com acesso à Internet;
b) em Cabo Verde foi constatada a existência de computadores no âmbito nacional,
regional e distrital, porém, sem indicação da existência de bibliotecas e sua
quantidade;
c) na Guiné-Bissau foi constatada a carência de bibliotecas, livrarias e centros de
documentação em geral;
d) em Moçambique, foi estimada a existência de, aproximadamente, 17 bibliotecas em
saúde, distribuídas entre as escolas de ensino superior e médio, que têm cursos na
área da saúde, entretanto, não foram citadas as bibliotecas passíveis de controle por
ONG e outros órgãos, como, por exemplo, a OMS, o que leva a crer que esse
número pode ser superior; os computadores existentes estão alocados nos serviços
centrais, sendo que o acesso a Internet somente ocorre em cerca de 50% das regiões
e distritos locais;
e) em São Tomé e Príncipe também foi relatada a carência de bibliotecas.
Nos cinco países foi identificada precariedade da infra-estrutura relativa a
telecomunicações, eletricidade, equipamentos de informática e acesso à Internet (WORLD
HEALTH ORGANIZATION, 2009). Essas condições dificultam o acesso à informação para
os profissionais de saúde, com especial destaque para aqueles que atuam nas zonas rurais
desses países. Possivelmente, as condições de difusão do conhecimento e de intercâmbio de
informações e materiais também sofrem impacto negativo, uma vez que há dificuldade de
comunicação entre os profissionais e as instituições.
Outro fator preocupante revelado pelo relatório da World Health Organization (2009) é
referente à falta de profissionais com formação específica para atuar nas bibliotecas. Isso
induz a que as bibliotecas tenham uma gestão inadequada, acervo insuficiente ou
desatualizado, organização e conservação comprometidas, além de desestimular o acesso dos
usuários desses espaços.

3 Materiais e métodos
A pesquisa foi caracterizada como descritiva, bibliográfica, documental e de campo,
com abordagem quali-quantitativa.
O fenômeno estudado foi referente ao levantamento das condições em que se
encontram as bibliotecas das instituições de ensino dos Palop, que oferecem suporte à
formação dos técnicos em saúde, com as quais a EPSJV mantém parcerias de cooperação
internacional.
A pesquisa bibliográfica foi realizada na biblioteca da própria instituição de ensino
(Fiocruz/EPSJV), contemplando livros e outros periódicos, como ainda, por meio eletrônico,

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utilizando os seguintes termos de pesquisa: Palop, biblioteca, cooperação internacional,
formação técnica, trabalho em saúde, trabalhadores em saúde e educação.
A pesquisa documental foi realizada em documentos da Fiocruz/EPSJV, que tratam da
parceria para cooperação internacional com os Palop, suas características e objetivos, visando
identificar os aspectos das bibliotecas que constituem pontos de interesse para o cumprimento
e aprimoramento das condições dessas parcerias.
A pesquisa de campo foi direcionada aos trabalhadores das bibliotecas das escolas dos
Palop que têm parceria com a EPSJV, mediante um questionário composto por cinco blocos
de questões abertas e fechadas.
A coleta dos dados foi feita pelo próprio pesquisador por meio eletrônico, mediante
envio de e-mail, contendo o questionário de pesquisa, a cada uma das instituições dos Palop
com as quais a EPSJV mantém parceria. Foram abordados os trabalhadores das 33 bibliotecas
das instituições de ensino com as quais a EPSJV mantém parceria.
A análise dos dados foi realizada mediante codificação das variáveis qualitativas,
visando promover uma apresentação mais estruturada e favorecer a análise em relação com o
contexto onde ocorre a atuação dos trabalhadores e se encontram instaladas as bibliotecas.
Sob o aspecto quantitativo foram utilizados cálculos de estatística descritiva, buscando
dimensionar e comparar os dados levantados, visando traçar um cenário que demonstre as
condições dos recursos disponíveis nas instituições selecionadas para estudo.
O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da
Fiocruz/EPSJV. Ainda, foram assegurados aos participantes, por meio do Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), a participação espontânea, a desistência a
qualquer momento sem penalização ou questionamentos, o sigilo quanto à identidade dos
respondentes, mediante apresentação de resultados globais da pesquisa, entre outros aspectos
pertinentes à Resolução do Conselho Nacional de Saúde (CNS) nº 466, de 2012 (BRASIL,
2012).
O TCLE foi encaminhado aos participantes juntamente com o instrumento de coleta de
dados, sendo solicitado a estes o retorno de ambos os documentos assinados e digitalizados,
por meio eletrônico.

4 Resultados da pesquisa
Foram enviados 33 questionários às instituições de ensino técnico de saúde dos Palop,
no mês de julho de 2015. O prazo inicial para devolução era até 30 de julho de 2015, porém,
devido à demora e ao baixo retorno dos instrumentos preenchidos, optou-se por estendê-lo até
17 de agosto de 2015. A despeito do prolongamento do prazo, retornaram apenas oito
questionários preenchidos, por instituições de cinco países dos Palop, correspondendo a
24,24% do total de 33 questionários enviados. Esses oito questionários constituíram a mostra
final analisada no estudo. Os respondentes foram identificados por letras do alfabeto, visando
garantir o sigilo quanto a sua identidade.

4.1 Resultados parciais da pesquisa
O número de cursos e de alunos em cada instituição foi distinto, sendo que a
instituição A informou ter quatro cursos e 1.623 alunos, as instituições B, C e F informaram
oito cursos cada, sendo que B não informou o número de alunos, C indicou 2.434 alunos e F
450 alunos; D e E não apresentaram a informação; G indicou 12 cursos com 864 alunos e H
dois cursos e 55 alunos.
Foram informados pelos pesquisados o total de 46 cursos, sendo que a maior parte
desses cursos se concentra em Enfermagem Geral (13,04%), Análises Clínicas/Laboratório

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(13,04%), Farmácia (10,87%) e Radiologia (8,69%), totalizando 45,64% do total de respostas
apresentadas pelos pesquisados.
Entre os pesquisados, sete confirmaram a existência de bibliotecas nas instituições de
ensino em que atuam, enquanto um deles não respondeu a questão. Todos os pesquisados
revelaram atuar como bibliotecários, o que permitiu identificar que esses trabalhadores têm
idades entre 32 e 55 anos; a maioria (75%) é constituída por indivíduos do sexo masculino;
predomina a formação acadêmica de nível superior entre esses trabalhadores (75%), sendo
que apenas um trabalhador (12,50%) (F) declarou ter formação específica para a função, ou
seja, formação em Ciências Documentais, Arquivos, Museus e Bibliotecas.
A quantidade de trabalhadores nas bibliotecas variou entre um e quatro trabalhadores,
sendo que apenas um pesquisado declarou ter formação específica para a atividade (F) e cerca
de metade (B, D, E, F) desses trabalhadores receberam capacitação para atuar na função. Os
pesquisados foram unânimes em reconhecer a necessidade de formação/capacitação para o
exercício da função.
O acervo disponível nas instituições pesquisadas revelou disparidade significativa em
relação aos tipos e quantidades de materiais. A maior parte do acervo existente nas
instituições pesquisadas é composta por livros, sendo que as revistas e periódicos foram
informadas apenas nas instituições A, E e F; DVD nas instituições B, E, F e H; CD nas
instituições E e F; boletins e folhetos apenas na instituição do respondente A.
Os recursos físicos disponíveis nas bibliotecas também revelaram disparidade em
relação a vários aspectos. Apenas três unidades (B, F, G) entre as oito bibliotecas das
instituições pesquisadas, correspondentes a cerca de um quarto (25%) da amostra, foram
consideradas pelos respondentes como detentoras de espaços adequados. As demais unidades
revelaram localização inadequada (E, H), assim como tamanho do espaço (A, C, H) e
deficiência nos recursos físicos (B, C, D, E, G, H), prejudicando a distribuição, organização e
conservação do acervo, bem como, o atendimento aos usuários. Foi citada também a falta de
recursos tecnológicos (fotocopiadoras, impressoras e computadores) (C, D, E), além da
ausência ou dificuldade de acesso à Internet mencionada por todos os pesquisados.

4.2 Discussão
Em relação ao número de cursos e alunos de cada instituição foi impossível tecer
qualquer comentário, dada a disparidade entre elas e a abstenção de respostas. Contudo, foi
possível observar que há uma diversidade de cursos ofertados pelas instituições de ensino,
que, possivelmente, buscam suprir as necessidades locais, uma vez que a qualidade da
formação e o desequilíbrio geográfico na distribuição de RHS foram evidenciados em todos
os países dos Palop (DUSSAULT et al., 2010; ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE,
2008, 2009a, 2009b; 2009c; NEVES; FRONTEIRA; DUSSAULT, 2010; SIDAT;
FRONTEIRA; DUSSAULT, 2010; SILVA; FRONTEIRA; DUSSAULT, 2010).
Acerca dos responsáveis pelas bibliotecas pode-se observar que são adultos jovens, a
maior parte composta por indivíduos do sexo masculino, com formação, em sua maioria, de
nível superior e tempo de trabalho significativo nas instituições. O exercício da função
também mostrou estabilidade desses profissionais na função.
A quantidade de trabalhadores nas bibliotecas foi variada, não parecendo haver relação
entre a quantidade de cursos e alunos para o dimensionamento de pessoal. Apenas um desses
trabalhadores revelou ter formação na aera da Biblioteconomia. A fragilidade da formação
acadêmica parece ressaltada nesse aspecto, corroborando as informações de diferentes autores
acerca da baixa qualidade e da falta de acesso ao ensino nos Palop (FRONTEIRA;
GUERREIRO; DUSSAULT, 2010; LORENZONI, 2008; MORIGI; SOUTO, 2005;
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2008, 2009a).

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Em termos gerais, aspectos que denotam as deficiências existentes nas bibliotecas são
referentes à sua localização inadequada, espaço restrito e mobiliário insuficiente e
inadequado, afetando a organização e a conservação do acervo, assim como as condições de
trabalho e o atendimento aos usuários (FRAGOSO, 2002).
Os recursos tecnológicos são escassos, observando-se que apenas três dos pesquisados
informaram ter acesso a Internet. No contexto educacional, isso resulta em limitação na
atualização das informações e no desenvolvimento acadêmico (MORIGI; SOUTO, 2005).
A ausência de conhecimentos específicos para atuação nas bibliotecas é reconhecida
pelos pesquisados. Essa falta de conhecimento é acompanhada pela falta de recursos
humanos, físicos e tecnológicos nas unidades representadas pelos pesquisados, pois há forte
evidência de subdimensionamento desses recursos.

5 Considerações finais
Consoante o objetivo proposto no estudo, convém destacar que as condições
apresentadas pelas bibliotecas pesquisadas são insuficientes para oferecer suporte à formação
da força de trabalho em nível técnico, como ainda, para subsidiar a atividade docente, uma
vez que, além da insuficiência e desatualização das obras disponíveis, há também
precariedade nas instalações, mobiliário e equipamentos disponíveis.
Convém ressaltar que uma limitação importante do estudo foi o pequeno número da
amostra analisada, porém, diante do histórico dos países do grupo dos Palop é bastante
provável que essa situação encontre semelhança nas demais instituições que não participaram
da pesquisa. Contudo, recomenda-se cautela no uso e na extrapolação dos resultados obtidos
nesta pesquisa, uma vez que os governos desses países parecem estar se empenhando em
melhorar a qualidade da formação dos RHS e sua distribuição geográfica, visando atingir
melhores condições de vida para toda a população.
A importância da biblioteca como recurso pedagógico tem sido pouco evidenciada,
porém, a oportunidade que esse espaço oferece aos usuários, especialmente estudantes,
precisa ser melhor utilizada. Nesse sentido, as próprias instituições de ensino relegam a
segundo plano a constituição desses espaços e a sua atualização.
A biblioteca deixa de ser entendida como recurso para a facilitação do processo de
ensino-aprendizagem quando não é utilizada como recurso pedagógico, quando seu uso não é
incentivado, ou mesmo quando não é gerida adequadamente e seu acervo e instalações são
preteridos ou ignorados.
No contexto dos Palop, a saúde carece de ações básicas e poderia ser favorecida com o
conhecimento de experiências bem-sucedidas em outros locais, provenientes de países que já
enfrentaram ou enfrentam situações semelhantes. A biblioteca, nesse sentido, seria uma
influência altamente positiva, permitindo o acesso a informações atualizadas e já
experienciadas, com demonstração de erros e acertos, além da possibilidade de reprodução de
bons resultados ou de adaptação de experiências já realizadas. Para isso, a atenção constante à
sua finalidade e ao perfil dos usuários deveriam ser a base da valorização necessária a esse
espaço e à formação dos alunos.

6 Referências
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de dezembro de 2012. Disponível em:
&lt;http://conselho.saude.gov.br/resoluções/2012/Reso466.pdf&gt;. Acesso em: 5 abr. 2014.
BRASIL. Ministério das Relações Exteriores. Agência Brasileira de Cooperação. Sobre a

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

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              <text>O tema abordado neste trabalho reflete os resultados parciais da dissertação do autor defendida em 2016, cujo objetivo foi analisar as condições em que se encontram as bibliotecas das instituições de formação de trabalhadores técnicos em saúde dos Palop, com as quais a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio mantém parcerias de cooperação internacional, a fim de subsidiar as ações de cooperação desenvolvidas pela mesma, no âmbito da Rede Internacional de Educação de Técnicos em Saúde. Os resultados da pesquisa mostraram que: a maior parte dos trabalhadores nas bibliotecas não tem formação específica para a atividade; os recursos físicos são insuficientes, como ainda o espaço e a localização das bibliotecas; os recursos tecnológicos carecem de melhoria, incluindo-se o acesso a Internet. Concluiu-se que as condições apresentadas pelas bibliotecas pesquisadas são insuficientes para oferecer suporte à formação da força de trabalho em nível técnico, como ainda, para subsidiar a atividade docente, uma vez que, além da insuficiência e desatualização das obras disponíveis, há também precariedade nas instalações, mobiliário e equipamentos.</text>
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