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                  <text>As mídias sociais nas bibliotecas das Universidades Federais do
Ceará e do Amazonas
Aurineide Alves Braga (UNIR/UPorto) - aurineideb@unir.br
Ana Roberta Sousa Mota (UFPB) - anarobertamota@gmail.com
Jacqueline Aparecida Souza (UFRN/UPorto) - jackebci@gmail.com
Fernando Bittencourt dos Santos (UFS) - fernandoubatuba@hotmail.com
Resumo:
O advento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), sobretudo a internet,
proporcionou a construção de um novo ambiente infocomunicacional caracterizado por
transformações sociais e culturais relacionadas ao acesso, disseminação, produção, consumo e
uso dos meios de comunicação. Consequentemente, com uso das ferramentas web 2.0, como
blogs, facebook, twitter, youtube, potencializou a cultura de convergência, conceituada por
Henry Jenkins a partir do fluxo de conteúdos entre várias plataformas digitais e o cruzamento
de múltiplas mídias. Neste cenário, no qual surgem novas práticas sociais digitais,
questiona-se: as bibliotecas das universidades federais do Ceará e do Amazonas utilizam as
mídias sociais para se adaptar e modificar suas práticas comunicacionais? O objetivo deste
estudo foi verificar de que forma são adotadas as mídias sociais nas bibliotecas e,
especificamente, identificar quais redes sociais são utilizadas e como são convergentes. Para
sua realização, procedeu-se uma revisão bibliográfica em fontes convencionais e eletrônicas,
assim como uma breve análise dos websites das referidas instituições. Dessa forma,
constatou-se o uso recente de redes sociais, contemplando diferentes mídias, com distintos
dispositivos de acesso. Verifica-se a necessidade de ampliar estudos nesta temática, que
contemplem o compartilhamento e interatividade entre as bibliotecas universitárias e seus
usuários.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias. Mídias sociais. Cultura de convergência. Web 2.0.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Cultura e comportamento informacional

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�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Atualmente vivemos numa sociedade de intensas transformações, regida por uma
dinâmica, em que a informação, inovações tecnológicas e novas formas de comunicação têm
revolucionado a economia, a vida social, a política e as interações de toda ordem. Uma
sociedade em rede e em constante adaptação, influenciada largamente por uma cultura da
virtualização, cuja interação, participação e compartilhamento são reivindicadoras de um
novo modo de viver.
No que diz respeito aos atores sociais envolvidos nesse processo, a biblioteca é
entendida como partícipe na construção dessa sociedade, cuja matéria prima essencial, a
informação, precisa ser disponibilizada aos indivíduos, indo ao encontro do pensamento de
Gleick (2012, p.17), ao enfatizar que “a informação é aquilo que faz mover o nosso mundo: o
sangue e o combustível, o princípio vital. Impregna as ciências de cima abaixo, transformando
todos os ramos do conhecimento”. Dessa forma, a informação se constitui num “produto
humano e social” conforme afirma Passarelli et al (2014, p.83).
Ao longo do tempo, a biblioteca soube se posicionar mediante as demandas
provenientes de uma sociedade que necessita de informação tratada e de fácil acesso, para
produzir conhecimento mediante sua decodificação e utilização. Nestes termos, informação,
aqui reconhecida como objeto de estudo da Ciência da Informação, tem sua definição
consoante o entendimento de Silva (2006, p.25), a saber:
Conjunto estruturado de representações mentais e emocionais codificadas
(signos e símbolos) e modeladas com/pela interação social, passíveis de
serem registradas em qualquer suporte material (papel, filme, banda
magnética, disco compacto, etc.) e, portanto, comunicada de formas
assíncrona e multidirecionada.

Na sociedade contemporânea a comunicação nas bibliotecas dar-se-á mediante a
reconfiguração do seu ambiente, com a inserção das novas tecnologias, notadamente, com a
apropriação das mídias sociais como estratégia para expandir sua atuação e continuar como
mediadora, entre a produção do conhecimento e os usuários. Dessa forma, cabe às bibliotecas,
frente o impacto que as novas tecnologias digitais impõem, com sua diversidade e
complexidade, criar novos espaços que favoreça uma maior interação com a sociedade.
Nessa perspectiva, além de estrutura física, agora as bibliotecas dispõem de novos
recursos e estratégias virtuais que alteram fundamentalmente seu modus operandi; podem
ultrapassar o espaço físico das suas paredes e adentrar em um mundo virtual denominado
ciberespaço. (VIEIRA; CARVALHO; LAZZARIN, 2008).
Dentro desta perspectiva insere-se a biblioteca universitária que contribui para a
democratização da informação contemplando épocas, teorias, ciências e promovendo a
inclusão social, além de funcionar como fonte de lazer e conhecimento. Sua função primordial
é servir a comunidade acadêmica na qual está ligada, principalmente em suas investigações e
atendendo as necessidades informacionais dos pesquisadores e demais atores sociais na qual
esteja inserida.
Baseando-se nos resultados do estudo intitulado “Uma proposta de modelo baseado na
Web 2.0 para as Bibliotecas das Universidades Federais”, de autoria de David V. Vieira, Eliane
B. de Carvalho e Fabiana A. Lazzarin, com dados obtidos em 2008, momento em que os
autores observaram que ferramentas da Web 2.0 (wikis, redes sociais, RSS e tagging) são
ausentes de todas as bibliotecas pesquisadas, este estudo investigou a situação de duas
bibliotecas universitárias em 2015, acerca da adoção das mídias sociais no contexto estudado
e busca responder a seguinte questão de pesquisa: As bibliotecas das universidades federais
do Ceará e do Amazonas utilizam as mídias sociais para se adaptar e modificar suas práticas

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

comunicacionais? Diante de tal questão, o objetivo do estudo é verificar de que forma são
adotadas as mídias sociais nas bibliotecas. Especificamente, identificar quais redes sociais são
utilizadas e como são convergentes. A escolha das referidas instituições foi feita de forma
randomizada e também pela familiaridade regional dos autores com as respectivas
universidades.
Para realização do estudo empreende-se uma revisão bibliográfica acerca do ambiente
virtual, com ênfase na internet, sobre a Web 2.0, Biblioteca 2.0 e comunicação nas bibliotecas
numa cultura de convergência.

2 A Internet e a Web 2.0 como forma de compartilhamento de informações
Estamos vivendo uma era denominada Sociedade da informação em que a Internet é
um caminho que permite o acesso a uma gama de informação das mais diversas possíveis.
Para corroborar com essa assertiva Vieira, Carvalho e Lazzarin (2008) observam que a
Internet é uma facilitadora e disseminadora da informação, ao compartilhar recursos, por
meio de sua rede interconectada e interoperativa.
Para Lévy (2000) a Internet se constitui num canal interativo que possibilita troca,
criação, geração e armazenamento de informação tornando possível a disseminação da
inteligência coletiva, onde nestas conexões são compartilhadas também práticas sociais e
culturais diversificadas que facilitam a colaboração entre as pessoas do mundo digital on-line.
Diante deste aspecto, as interações humanas foram afetadas por diversas formas de
comunicação: mensagens instantâneas, fóruns de discussão e redes sociais, de tal forma que a
Internet transformou-se em um espaço democrático de expressão e de acesso à informação
nas bibliotecas. Seus endereços eletrônicos direcionam os usuários para páginas e/ou links,
permitindo a interatividade e a participação coletiva, resultando na segunda geração de
serviços on-line, a Web 2.0. (VIEIRA; CARVALHO; LAZZARIN, 2008).
A Web 2.0 é chamada de participativa ou colaborativa e também conhecida como Web
Social. Destaca-se por ser dinâmica, interativa e permite ao usuário participar do conteúdo da
página. O usuário participa na construção da Web 2.0 a partir do momento que posta
comentários em notícias, nas redes sociais, envia imagens, edita páginas, compartilha
arquivos, faz uploads.
Na tentativa de explicar o que é a Web 2.0, Tim O’Reilly, presidente da O’Reilly
Media, publicou um artigo no qual define características que diferem a Web 2.0 da Web 1.0.
Esse trabalho é fruto de uma conferência de brainstorming1 ocorrida em 2004, entre a
O’Reilly e a MediaLive International. Segundo esse artigo, o primeiro passo é entender a web
como uma plataforma. Na Web 2.0 não há a necessidade de instalar softwares desktop, apenas
de executá-los, nem de baixar versões para sua atualização. Em relação aos usuários, são eles
que controlam os próprios dados. As competências centrais são baseadas em serviços,
arquitetura de participação, inteligência coletiva, entre outras. Os produtos geralmente são
divulgados de usuário para usuário e não por publicidade, é o que se chama de “marketing
viral”. Os aplicativos se tornaram “infowares” em vez de simplesmente softwares. Outra
característica é o fato dela não se limitar à plataforma PC.
Segundo O’Reilly, por ser uma web colaborativa, a 2.0 parte do princípio de que
quanto mais pessoas usarem os serviços eles se tornam melhores. Isso se chama “inteligência
coletiva” e foi a responsável por algumas empresas sobreviverem ao período de transição da
1

É uma ferramenta para geração de novas ideias, conceitos e soluções para qualquer assunto ou tópico num
ambiente
livre
de
críticas
e
de
restrições
à
imaginação.
(Disponível
em:
&lt;http://negociosdez.comunidades.net/index.php?pagina=1168714732_08&gt;. Acesso em: 06 jul. 2016).

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web.

A inteligência coletiva por Pierre Lévy (2000) é uma inteligência reconhecida e
enriquecida mutuamente pelas pessoas, distribuída por toda parte, valorizada e coordenada em
tempo real. Ou seja, é construída pela cooperação.
Com a criação da internet os serviços das bibliotecas se modificaram e a proporção da
explosão bibliográfica acresceu à medida que as tecnologias de comunicação se
desenvolveram. A grande rede mundial ampliou as possibilidades de comunicação e pesquisa.
Neste sentido, Guimarães (2005, p. 159), ressalta que “com a introdução World Wibe Web, a
internet se tornou um dos principais recursos de comunicação no mundo atual.” Enquanto
Souto (2003, p.7), afirma que “com o uso do computador a literatura científica aumentou nos
últimos anos. As facilidades de acesso permitidas pela internet contribuíram para o aumento
dessa produção científica”. Fatores como estes contribuíram para a proliferação de: textos,
artigos, livros digitais, resenhas, relatórios, pré-prints, teses, dissertações, chats, e-mails,
videoconferências e sites, além dos multimídias, definidos pela Associação para Promoção e
Desenvolvimento da Sociedade da Informação (2007) como “tecnologias da informação que
permitem a utilização simultânea de vários tipos de dados digitais (textuais, visuais e sonoros)
no interior de uma mesma aplicação ou de um mesmo suporte” ao mesmo tempo em que a
internet facilitou o acesso à informação e a comunicação tornou também à medida e a
organização deste conteúdo um desafio para sociedade.
Na realização da conferência MediaLive e O’Reilly, em outubro de 2004 (http://
web2con.com) realizada pelas empresas de mídia, em São Francisco, surgiu a ideia de Web
2.0, em que o usuário participaria diretamente e de modo colaborativo na criação de conteúdo.
A ênfase não era mais a tecnologia, mas no entendimento de modo novo de utilizar a Internet.
Uma Web descentralizada, funcionando a partir de conteúdos postado em um determinado site
por meio de plataformas abertas, pode ser considerada uma nova concepção de internet – Web
2.0 ou Web Social. (BLATTMANN; SILVA, 2007). Concomitantemente, as repercussões
sociais motivadas a partir da utilização da Web 2.0 são reconhecidas por Primo (2007) ao
enfatizar que os processos de trabalho coletivo são potencializados e que o compartilhamento
de informação é efetivado.
Acerca do conceito de Web 2.0, Vieira, Carvalho e Lazzarin (2008, p.2) ressaltam “que
ainda necessita de uma melhor compreensão na área da Ciência da Informação, a aplicação do
pensamento e das tecnologias Web 2.0 aos serviços das bibliotecas”, e que sua utilização
caracteriza-a como Biblioteca 2.0. Assim, pode se evidenciar a aplicação de interação,
colaboração, e tecnologias multimídia baseados em Web para serviços e coleções de
bibliotecas. (MANESS, 2007). O autor ainda assinala que uma Biblioteca 2.0 é centrada no
usuário, oferece uma experiência multimídia, é socialmente rica e comunitariamente
inovadora. Ainda sobre este assunto, Blattmann e Silva (2007) enfatizam alguns exemplos de
recursos da Web 2.0 que podem ser usados pela Biblioteca 2.0, a saber: tecnologias de RSS,
blogs, streaming media (vídeos, podcasts), redes sociais, taggings, wikis, mensagens
instantâneas e formulários para interação com o usuário da biblioteca e o bibliotecário.
O desenvolvimento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e os novos
meios de disseminação da comunicação científica, disponíveis na web, representam para as
instituições de ensino uma das principais vitrines para divulgação da produção científica
institucional e de seus pesquisadores. Tendo como princípio a web como plataforma, a criação
da web 2.0, segunda geração de comunidades e serviços, proporciona-se a criação de
ferramentas multimídias de grande relevância na comunicação. Ainda sobre esta mesma linha
de considerações, Meirelles e Moura (2007) reforçam que na Web 2.0 há uma modificação
substancial no papel do usuário, agora reconhecido como interator, na qualidade de quem
interage, seleciona e controla as informações, passando de mero consumidor para um produtor
de conteúdo.

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No ambiente universitário, as bibliotecas estão aderindo cada vez mais as TIC como
ferramenta de disseminação do conhecimento e dos serviços oferecidos à comunidade
acadêmica. Nessa perspectiva, algumas das redes sociais, disponíveis na web 2.0, como o
Twitter, Facebook, LinkedIn e Slideshare tem se configurado de grande relevância na
disseminação de informações e serviços oferecidos para a comunidade acadêmica.
Um novo comportamento é exigido aos bibliotecários: o de mediador entre serviços
em plataformas digitais e seus usuários. Sobre mediação, Silva (2010, p.25) afirma que é
destinada, em especial, aos
info-incluídos e os born digital ou nativos da internet. Os serviços de informação
multiplicaram-se e complexificaram-se até se instalarem na internet e, aqui, a função
mediadora de comunicação no espaço social e a função mediadora institucional, com
as estratégias comunicacionais específicas dos respectivos actores e agentes, não
desapareceram, nem tendem, necessariamente, a desaparecer, mas podem
transformar-se e coexistir com um emergente novo tipo de mediação – deslocalizada
ou dispersa (na internet/redes conexas), institucional, colectiva, grupal, pessoal e até
anónima, interactiva e colaborativa. Possíveis traços caracterizadores, entre os quais
importa destacar a interação e os processos colaborativos, sociais, de participação
cívica, espontânea e militante.

Diante do contexto apresentado pelas novas tecnologias da informação e comunicação
em plataformas digitais, considera-se de extrema importância que as bibliotecas se adaptem a
esta cultura de convergência de novas mídias e que seus profissionais se aperfeiçoem para
oferecer novos serviços em novas plataformas e ferramentas que utilizam da inteligência
coletiva e compartilhamento de informações.

3 Comunicação nas bibliotecas e a cultura de convergência
Uma nova concepção de cooperação emerge através de uma inteligência coletiva, que
para (LÉVY, 2007, p. 28), é “uma inteligência distribuída por toda a parte, incessantemente
valorizada, coordenada em tempo real, que resulta uma mobilização efetiva das
competências”. Os conteúdos passam a ser colaborados através de uma inteligência coletiva, e
tanto a comunidade quanto as organizações criam, gerenciam, editam e compartilham
conteúdos oriundos de uma cultura de convergência descrita por Jenkins (2008, p. 29) como
um “fluxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídia, à cooperação entre
múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos dos meios de
comunicação, que vão a quase qualquer parte em busca das experiências de entretenimento
que desejam”. É oportuno enfatizar o poder de transformação da indústria midiática, a
coexistência entre diferentes mídias e a percepção de que a convergência está além da esfera
tecnológica, inserindo-se também na esfera do uso. O autor ainda refere-se que, cultura de
convergência implica também num “lugar onde as velhas e as novas mídias colidem, onde
mídia corporativa e mídia alternativa se cruzam, onde o poder do produtor de mídia e o poder
do consumidor interagem de maneiras imprevisíveis”.
Hopkins, Hare, Donaghey &amp; Abbott (2014) em seu estudo sobre a cultura da
participação em bibliotecas por meio da convergência digital em dispositivos móveis,
enfocam a importância das bibliotecas contemporâneas quanto ao seu enquadramento numa
rede integrada de comunicação. Ainda enfatizam que não há fronteiras nesse mundo digital,
pois as conexões são realizadas de todos os lugares e de muitas formas. O foco é integrar a
comunidade, proporcionar espaços para participação compartilhada e criar conteúdo cultural
originais. Ademais, demonstram outras possibilidades, quando ampliam o potencial destes
dispositivos para atuar nas atividades de divulgação da biblioteca, incrementar serviços e
aproximar o usuário ampliando a cultura participativa quando abre espaço para que haja

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compartilhamento de conteúdo. Apresenta uma ideia de ‘Biblioteca Hyperlinked’ para
caracterizar a cultura participativa.
A ideia de uma biblioteca híbrida permanece atual, compatibilizando serviços
tradicionais, estáticos, assíncronos com serviços interconectados por meio de uma rede de
computadores. Esse contexto nos direciona a fazer uma analogia com a assertiva de Jenkis
(2008, p. 30-31) quando afirma que “se o paradigma da revolução digital presumia que as
novas mídias substituiriam as antigas, o emergente paradigma da convergência presume que
novas e antigas mídias irão interagir de formas cada vez mais complexas”. Dessa forma,
entende-se que não haverá colapso nas bibliotecas tradicionais, mas uma necessária
reconfiguração nos seus processos de trabalho, por meio da convergência tecnológica, a qual
permitirá aos usuários da biblioteca amplo acesso para ampliar o uso da informação via
plataformas digitais para interagir, usando computador ou dispositivos móveis, como celulares
e tablets.
Dentre as diversas transformações, destacam-se as novas formas de interação e de
relações sociais que estão diretamente relacionadas às tecnologias de informação e
comunicação (TIC), que agregam ainda mais valor ao conteúdo informacional e às práticas de
comunicação de diferentes formas. (MUNIZ; LIMA 2013). Em síntese, as bibliotecas terão
que aproveitar as novas tecnologias móveis, potencializadas por este novo ambiente de
convergência das mídias. (HOPKINS et al,2014).

4 Materiais e métodos
Este artigo se utilizou dos resultados do estudo intitulado “Uma proposta de modelo
baseado na Web 2.0 para as Bibliotecas das Universidades Federais”, de autoria de David V.
Vieira, Eliane B. de Carvalho e Fabiana A. Lazzarin, com dados obtidos em 2008, nos quais
ferramentas da Web 2.0 (wikis, redes sociais, RSS e tagging) são ausentes de todas as
bibliotecas pesquisadas, inclusive demonstram que a realidade das Bibliotecas ainda é
baseada na estruturada Web 1.0, quando nas páginas web das Bibliotecas Universitárias
Federais há apenas a inclusão de espaços indicativos de informações básicas que uma
biblioteca precisa para divulgar na Internet: acervo; bases de dados; biblioteca digital de teses
e dissertações; catálogo online; contato (e-mail ou formulário); endereço das bibliotecas
setoriais; horário; links; normas da biblioteca; notícias; novas aquisições; periódicos.
Neste estudo os autores selecionaram dezoito bibliotecas universitárias federais, sendo
que de cada região escolheu-se uma amostra, como se segue: Sul, 3(três); Sudeste, 4(quatro);
Norte, 2(duas); Nordeste, 6(seis) e, Centro-Oeste, 3(três), constituindo-se o universo da
pesquisa.
Consequentemente, como parte da proposta deste estudo, procedeu-se a pesquisa
bibliográfica e documental em fontes impressas e eletrônicas, especificamente em portais de
bibliotecas universitárias e considerando o tempo exíguo para realização das análises, foram
selecionadas as bibliotecas da UFC (Universidade Federal do Ceará) e UFAM (Universidade
Federal do Amazonas), com o propósito de investigar a situação em 2015, acerca da adoção
das mídias sociais e/ou facilitação de acesso e compartilhamento por meio de dispositivos
móveis no contexto estudado. Foram consultadas também fontes primárias a exemplo de
livros, periódicos, anais de congressos, teses e documentos eletrônicos da Internet, entre
outros documentos congêneres, secundárias (Bases de dados textuais e referenciais como:
Lisa, Scielo, Scopus, Periódicos Capes, Web of Science, BRAPCI entre outras) e terciárias
(bibliografias, índices, catálogos coletivos, diretórios e outros) da área de Ciência da
Informação.
Oliveira (2007, p. 69) assinala que a principal finalidade da pesquisa bibliográfica é
proporcionar aos pesquisadores o contato direto com obras, artigos ou documentos que tratem

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do tema em estudo: “o mais importante para quem faz opção pela pesquisa bibliográfica é ter
a certeza de que as fontes a serem pesquisadas já são reconhecidamente do domínio
científico”. Ela se posiciona sobre a pesquisa documental: “a documental caracteriza-se pela
busca de informações em documentos que não receberam nenhum tratamento científico, como
relatórios, reportagens de jornais, revistas, cartas, filmes, gravações, fotografias, entre outras
matérias de divulgação”.

5 Resultados
Em contraponto aos resultados apresentados em 2008, o qual indicava que ainda havia
uma distância entre o modelo conceitual da Web 2.0 e a sua usabilidade entre páginas web das
bibliotecas universitárias federais pesquisadas, em 2015 os dados coletados apresentam a
seguinte realidade:
 Biblioteca da UFC – Universidade Federal do Ceará, dentre as dezessete
bibliotecas que compõem o Sistema, sete adotam mídias sociais, a saber:
o Biblioteca de Ciências Humanas (BCH) – está presente nas redes sociais em
sua página oficial no Facebook, Twitter e Pinterest. O primeiro perfil oficial da
BCH criado em rede social foi no Twitter (@bchufc), em abril de 2011. A
página no Facebook e Pinterest foram criadas recentemente. Pinterest é
uma rede social de compartilhamento de fotos e afiliado com
o Twitter e Facebook. Usuários do Sistema de Bibliotecas da UFC têm a opção
de realizar consultas, renovações e reservas de livros utilizando smartphone ou
tablet.
o Biblioteca do Campus de Russas (BCR) – adota o Facebook desde 2 de
março de 2015.
o Biblioteca de Ciências e Tecnologia (BCT) – adota o Twitter desde 12 de
março de 2010 e Facebook desde 01 de janeiro de 2012. Sobre o uso do
Facebook pelas unidades de informação, Godeiro e Serafim (2013) consideram
que o mesmo pode ser utilizado para criação de enquetes, sendo que esta
última propicia o feedback sobre os serviços que estão sendo oferecidos no
ambiente da biblioteca; sugestão de novas aquisições para a unidade de
informação feita pelos usuários; divulgação de eventos e cursos promovidos
pela biblioteca; vídeo aula sobre normalização bibliográfica, orientação quanto
ao uso dos serviços da biblioteca, entre outras; bate papo (chat) no qual
permite a interação síncrona com os usuários que estão on-line no Facebook,
auxiliando no serviço de referência e no esclarecimento de dúvidas, uma vez
que o bibliotecário de referência estará disponível para atendimento on-line e
publicação de novas aquisições de forma a divulgar os materiais adquiridos
pela biblioteca, através de compra e doação.
o Biblioteca de Ciências da Saúde (BCS) – adota o Twitter desde 03 de
setembro de 2009.
o Biblioteca da Faculdade de Direito (BFD) – informa um endereço de Twitter
em sua página oficial, que nos remete para bdf_ufc. Não tem um Twitter
institucional. De acordo com Recuero e Zago (2009), o uso do Twitter para
acesso à informação é corrente tantos pelos usuários que parecem investir
tempo na busca e divulgação de informações para seus contatos, quanto por
veículos de mídia.
o Biblioteca da Faculdade de Economia, Administração, Atuária e
Contabilidade (BFEAAC) – tem um Blog e indica que a fanpage oficial no
Facebook é a Biblioteca da FEAA/UFC.

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o Biblioteca do Campus de Quixadá (BCQ) – tem um Blog. Data de início não
identificada. Importante ressaltar que o blog teve grande aceitação na
Sociedade da Informação, pois é “fundamentalmente 2.0” (MANESS, 2007).
Para a Biblioteca 2.0 os blogs podem ser utilizados como outra forma de
publicar artigos e disseminar conhecimento científico podendo fazer parte do
acervo oficial da biblioteca. Farkas (2007) sugere que: os blogs podem permitir
que os bibliotecários coloquem mais de si mesmos e de sua biblioteca em seu
site ao publicarem artigos na área, escreverem mais sobre o que está
acontecendo em sua biblioteca e escreverem mais mensagens reflexivas sobre
o estado da profissão; um blog pode proporcionar um fórum para os
bibliotecários educarem seus usuários e ser um espaço ideal para a divulgação
de notícias e outras informações; muitos bibliotecários utilizam o blog para
compartilhar informações com colegas de todo o mundo, construir
comunidades e promover-se; os bibliotecários que fazem uso dos blogs, podem
aprimorar suas habilidades de escrita.
 Biblioteca da UFAM – Universidade Federal do Amazonas, não foi identificado em
sua página oficial na Internet nenhuma evidência de utilização de mídias sociais e/ou
facilitação de acesso e compartilhamento por meio de dispositivos móveis. Referente à
não utilização das ferramentas da Web 2.0, Rosa (2008, p.20) considera que:
A resistência por parte dos profissionais da informação, que se restringem à
utilização de recursos tradicionais, seja por dificuldade de adaptação, falta de
segurança, fatores pessoais e culturais, têm sido uma das dificuldades encontradas
na utilização das tecnologias disponíveis na Web 2.0. (ROSA, 2008, p.20).

Corroborando com a afirmação anterior, Abram (2006 apud MACHADO, 2010, p.3940), apresenta 23 pequenos exercícios que podem servir como solução para dificuldades
apresentadas por profissionais da informação em relação ao uso das ferramentas Web 2.0. Os
exercícios são divididos em programas de nove semanas, para que os tradicionais
bibliotecários aprendam a utilizam as ferramentas da Web 2.0. As atividades estão listadas
abaixo:
Semana 1- Introdução: Aprender a aprender:
a) Leia o blog e descubra sobre o programa;
b) Leia algumas sugestões de alunos e desenvolva seu próprio meio de
aprendizagem;
Semana 2 – Blogando
c) crie seu próprio blog e faça seu primeiro post;
d) registre o seu blog e comece a sua jornada 2.0;
Semana 3 – Fotos e imagens
e) explore o Flickr e aprenda como utilizar esse popular site de armazenamento
de imagens
f) divirta-se com o Flickr e descubra sobre Mashups;
g) poste no seu blog, algo tecnológico que lhe interessou essa semana;
Semana 4 – RSS e agregadores de notícias
h) aprenda sobre feeds de RSS e como configurar um leitor de notícias
i) encontre alguns blogs relacionados a Biblioteconomia e adicione ao seu leitor
de notícias;
Semana 5 – Semana de jogos

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j) brinque com geradores de imagens virtuais ou crie um avatar;
k) de uma olhada no catálogo Librarything e alguns de seus livros favoritos;
l) crie sua própria ferramenta de busca com Rollyo;
Semana 6 – Tagging, Folksonomia e Technorati;
m) Aprenda sobre tags e descubra sobre o Delicious;
n) Explore o Technorati e aprenda como trabalhar com tags em blogs;
o) leia algo sobre Web 2.0, Biblioteca 2.0 e o futuro das bibliotecas, poste em seu
blog suas opiniões;
Semana 7 – Wikis
p) aprenda sobe wikis e descubra como a biblioteca pode utilizar essa ferramenta;
q) adicione alguma entrada (termo) na wiki Learning 2.0 Sandbox;
Semana 8 – aplicações e ferramentas Online
r) dê uma olhada em alguma ferramenta de escritório online (processamento de
texto, planilha eletrônica);
s) explore as ferramentas da Web 2.0, brincar com elas, e escreva um post sobre
suas descobertas. (ABRAM, 2006 apud MACHADO, 2010, p. 39-40).
Evidenciou-se que, dentre as bibliotecas federais pesquisadas, apenas a UFC faz uso
das tecnologias presentes na web 2.0, o que favorece a aproximação, interação e participação
do usuário. Com as novas tecnologias, especificamente, com a apropriação das mídias sociais,
a biblioteca se expande e amplia seu raio de atuação, possibilitando a sua permanência como
mediadora entre a produção do conhecimento e o usuário. Desta forma, a biblioteca se
reconfigura e se moderniza para atender um público que demanda por uma atuação mais
dinâmica por parte da biblioteca.
Dessa forma, Imran (2011, p.59) assinala que:
[...] A Web 2.0 encoraja mudanças constantes e direcionadas, envolve os usuários na
criação de produtos físicos e virtuais, e serviços que estão sendo constantemente
avaliados, por meio de feedbacks, contribuições e conversas. Muitas bibliotecas ao
redor do mundo adotaram essas mudanças rapidamente e agora presenciamos a
proliferação de novos serviços e funcionalidades os quais eram desconhecidos até
alguns anos atrás.

Numa sociedade midiatizada, em que o ambiente virtual ocupa cada vez mais espaço
por meio das tecnologias de informação e comunicação, espera-se que em sua totalidade, as
bibliotecas universitárias federais brasileiras adotem os recursos das mídias sociais e os
dispositivos móveis com o propósito de disponibilizar à sociedade uma biblioteca conectada,
participativa e inclusiva, de modo que haja um aumento na divulgação das coleções, incentivo
à cultura participativa e ampliação das conexões com as comunidades on-line.

6 Considerações finais
Com a evolução das bibliotecas e o advento das TIC, as bibliotecas universitárias têm
se inserindo paulatinamente nos novos paradigmas da informação e comunicação em
plataformas digitais, algumas de forma pró-ativa utilizando as redes sociais para
disponibilizar maior acesso às informações a própria biblioteca. Porém, no escopo deste
estudo, percebe-se muitas lacunas a serem preenchidas, notadamente em relação a concepção
de um novo modelo convergente.
Pesquisas recentes realizadas em âmbito nacional e internacional demonstram que
recursos interativos 2.0 ainda são pouco utilizados no Brasil, diante deste prisma, a este
estudo constata essa afirmação. Fatores tecnológicos, humanos e sociais estão atrelados a isto.
Entretanto, nos espaços em que estes recursos estão sendo inseridos tem ocorrido maior

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

aproximação e apropriação do utilizador sobre os conhecimentos buscados na Biblioteca. A
partir da Web 2.0, novos serviços são oferecidos e a comunicação é realizada em diversos meios,
o que nos leva a perceber que com a implementação e utilização de novas tecnologias, novos
desafios vêm sendo proporcionados, gerando consequente crescimento exponencial de recursos
disponibilizados, advindos de recentes necessidades identificadas, aumento das expectativas dos
utilizadores e múltiplas formas de comunicação. Esse tipo de comunicação, por meio de partilha
potencializa as formas de publicar, compartilhar e organizar a informação, além de ampliar
espaços e proporcionar maior interação entre os usuários durante este processo, acarretando numa
maior integração entre os participantes pelo facto dos usuários criarem, modificarem e
disseminarem conteúdos em ambientes multimídias.
A perspectiva apresentada obriga as bibliotecas universitárias a não estar distantes
dessa realidade e para que elas se insiram neste meio é preciso uma pró-ação do bibliotecário
e das instituições a quem estão ligados. É preciso perceber que os usuários estão circulando
nestes novos espaços e é lá que a biblioteca também deve estar para auxiliá-los e motivá-los
ao acesso e compartilhamento de informações produzidas. Deve haver uma maior interação
entre a biblioteca universitária e o utilizador para que ambos percebam que a troca é um
caminho que trará o diferencial competitivo. No mundo globalizado que vivemos esta troca é
necessária e para tanto se pressupõe que a vinculação de recursos de intermediação interativa
da informação possibilitadas pelo avanço das plataformas interativas, reconhecidas como web
2.0, possa não só aproximar os usuários dos serviços/produtos de informação promovidos pela
biblioteca, mas também retroalimentará o próprio sistema de informação na medida em que,
ao utilizar esses recursos interativos, utilizador e bibliotecário também estarão produzindo
novas informações que fazem parte da constituição da própria Biblioteca.
Conforme o objetivo proposto, verificar de que forma são adotadas as mídias sociais
nas bibliotecas e identificar quais redes sociais são utilizadas e como são convergentes,
constatou-se que a utilização de redes sociais ocorre de forma diversificada, contemplando
diferentes recursos informacionais, como texto, imagem, vídeo, blogs e, além disso, integram
diversificados dispositivos de acesso às plataformas digitais. Contudo, percebe-se a
necessidade de explorar a temática da cultura de convergência por parte das bibliotecas
universitárias, com vistas a aprimorar seus serviços a partir da perspectiva dos usuários como
consumidores e produtores de informação, considerando aspectos relacionados ao
compartilhamento, interatividade e participação.
Não é novidade que precisamos de mais profissionais bibliotecários atuando em
bibliotecas. Essa é uma grande deficiência do nosso país e consequentemente das regiões
norte e nordeste. Partindo dessa afirmação, é imperioso o conhecimento e/ou capacitação dos
profissionais da informação no uso das ferramentas da Web 2.0, de modo que, com isso, ele
possa tornar o ambiente da unidade de informação, um espaço interativo e convidativo para o
usuário, vindo a contribuir também para a otimização do fluxo da informação, tornando o
ambiente da biblioteca “tradicional” em uma biblioteca convergente com as inovações da
contemporaneidade.

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              <text>O advento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), sobretudo a internet, proporcionou a construção de um novo ambiente infocomunicacional caracterizado por transformações sociais e culturais relacionadas ao acesso, disseminação, produção, consumo e uso dos meios de comunicação. Consequentemente, com uso das ferramentas web 2.0, como blogs, facebook, twitter, youtube, potencializou a cultura de convergência, conceituada por Henry Jenkins a partir do fluxo de conteúdos entre várias plataformas digitais e o cruzamento de múltiplas mídias. Neste cenário, no qual surgem novas práticas sociais digitais, questiona-se: as bibliotecas das universidades federais do Ceará e do Amazonas utilizam as mídias sociais para se adaptar e modificar suas práticas comunicacionais? O objetivo deste estudo foi verificar de que forma são adotadas as mídias sociais nas bibliotecas e, especificamente, identificar quais redes sociais são utilizadas e como são convergentes. Para sua realização, procedeu-se uma revisão bibliográfica em fontes convencionais e eletrônicas, assim como uma breve análise dos websites das referidas instituições. Dessa forma, constatou-se o uso recente de redes sociais, contemplando diferentes mídias, com distintos dispositivos de acesso. Verifica-se a necessidade de ampliar estudos nesta temática, que contemplem o compartilhamento e interatividade entre as bibliotecas universitárias e seus usuários.</text>
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