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                  <text>BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: SUA FUNÇÃO SOCIAL ENQUANTO
LUGAR DE MEMÓRIA.
Clivea Farias Souto (UFRR) - cliveasou@hotmail.com
Resumo:
A universidade exerce uma importante função na sociedade, pois ela é um espaço fundamental
para a construção da identidade sociocultural de um país. A biblioteca universitária, enquanto
parte integrante dessa instituição, afirma-se como necessária para colaborar nessa
construção. Partindo dessa premissa, este trabalho tem o objetivo de apresentar a função
social da biblioteca universitária enquanto lugar de memória. A pesquisa realizada foi a
bibliográfica, com informações de teóricos que discorrem sobre o tema, apresentando a função
da universidade, a função social da biblioteca universitária, os conceitos de memória, cultura e
de identidade. Percebeu-se que cultura e identidade, consideradas fenômenos da organização,
da experiência e da ação humana por meio de símbolos, corroboram com ideias de valores,
sendo atitudes mentais da coletividade que criam vínculos e que passam a ser registrados na
memória.Vimos que é pelo movimento de apropriação de repertórios simbólicos que é possível
o sujeito e mesmo uma coletividade inteira construírem e consolidarem seus vínculos
identitários. Assim, aferimos que embora exista muitas vezes uma concepção equivocada a
respeito da função da biblioteca universitária, vista como um espaço estático, funcional e
operacional, pois muitos profissionais bibliotecários que nela atuam se tornam passivos diante
do verdadeiro papel que ela deve desempenhar, notamos a sua importância e que em
consonância com a função social da universidade desempenha lugar fundamental na
construção dos sujeitos sociais.
Palavras-chave: Universidade. Biblioteca Universitária. Lugar de memória.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Cultura e comportamento informacional

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Este trabalho pretende mostrar a função social da biblioteca universitária enquanto
lugar de memória destacando seu forte vínculo com a instituição maior da qual faz parte que é
a universidade.
Quando a universidade não desempenha a sua vocação primeira, que é a de servir a
sociedade, ela corre o risco de prestar-se de reprodução do poder e das estruturas existentes, e
não só a sua transformação, tornando-se funcional, operacional e passiva frente ao instituído
(CATANI; OLIVEIRA, 2001).
Dentro de um contexto como este, a biblioteca universitária também corre esse risco,
mas se esta cumprir o seu propósito de existir, ela poderá servir de base para a transformação
de mentalidades e consequentemente da sociedade, desconstruindo também certos conceitos
que lhe atribuem. Pois muitas vezes os profissionais bibliotecários que nela atuam se tornam
passivos diante do cotidiano acadêmico da sua universidade, onde só esperam o usuário nas
suas dependências físicas e não saem para conquistá-lo em seu meio acadêmico e virtual.
Na biblioteca são selecionadas, guardadas e disseminadas as produções culturais e
intelectuais de uma sociedade, e tais informações são necessárias para o desenvolvimento de
uma nação. Neste sentido, ela apresenta-se como lugar de memória.
Ao aprofundarmos a temática, citaremos teóricos que trabalham conceitos de
memória, conceitos de cultura, conceitos de identidade, e tais referências são necessárias para
nos fazer compreender a base do assunto proposto, levando-nos a refletir a respeito do valor
da biblioteca universitária.
Portanto, este trabalho está estruturado em cinco seções, sendo a primeira,
introdução, a qual apresenta a temática de estudo e o objetivo; a segunda seção, a revisão de
literatura que explicita alguns conceitos básicos acerca da função da Universidade, bem como
a função social da Biblioteca Universitária que discute também a temática acerca da
Biblioteca Universitária enquanto lugar de memória apresentando conceitos de memória, de
lugares de memória, assim como os conceitos de cultura e de identidade destacando a
Biblioteca. A seção três apresenta os materiais e os métodos utilizados para a construção do
estudo. A seção quatro apresenta os resultados parciais/finais da pesquisa, por fim as
considerações parciais/finais seguida das referências.

2 Revisão de literatura
2.1 A função da universidade
A universidade deve ser reconhecida como uma instituição que desempenha
importantes papéis para o desenvolvimento regional, sustentável e humano, na formação de
competências e de difusão da experiência cultural e científica da sociedade. Por este motivo se
pode considerar o "[...] lócus fundamental para a construção da identidade sociocultural de um
país" (MORAES, 1999, p. 56).
A universidade tem a missão não apenas de possibilitar aos alunos a obtenção de um
diploma, um emprego ou remuneração satisfatória, ela é também capaz de produzir novos
conhecimentos para serem aplicados à realidade social. Sua função se aplica à toda a
sociedade, em todos os níveis sociais, para que haja inclusão exercendo tanto uma função
social que realiza e exprime de modo determinado a sociedade de que faz parte. Ela não é
uma realidade separada e, sim, uma expressão historicamente determinada de uma sociedade
(CHAUÍ, 2001).
Além disso, a universidade deve ser capaz de retribuir o investimento que recebe da
comunidade, desenvolvendo estudos, pesquisas e projetos de extensão compatíveis com as

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reais necessidades da população em benefício comum, ou seja, ela deve contribuir para
minimizar os atuais problemas da sociedade.
A função da universidade na sociedade é inquestionável, como afirma Rodrigues
(2007, p.49): “Cabe a ela a liderança do sistema educacional, pois é de sua responsabilidade a
formação de sujeitos críticos, reflexivos, autônomos e éticos”.
Para Trindade (1994, p.3 apud DIAS SOBRINHO 2001, p.166) uma das mais
importantes funções da universidade é “estender, por equidade, a setores amplos da
sociedade, os conhecimentos gerados e acumulados na instituição”. Ou seja, a universidade
não produz para si mesma, pois sua função é social.
A universidade como geradora de conhecimento depende dos recursos
informacionais, organizados pela biblioteca. Neste sentido, nota-se um ciclo no qual uma
produz e a outra registra e divulga o que é produzido. Deste modo a biblioteca universitária
tem papel destacado na produção e difusão do conhecimento da universidade (RIBEIRO,
2007).
Conclui-se que a função da universidade é social e está intimamente ligada ao
desempenho social que a biblioteca universitária deve desenvolver.
2.2 Biblioteca universitária e sua função social
Ao entendermos a função social da universidade e a sua identidade histórica, podemos
afirmar que a biblioteca é parte de grande relevância desta instituição, pois nela encontram-se
os acervos que dão a base do conhecimento para a sociedade.
A biblioteca enquanto parte integrante da universidade deve atuar de forma
compromissada com o crescimento nacional e com a formação do indivíduo. Neste sentido,
Aquino (1996, p. 185-197 apud RIBEIRO, 2007, p. 203) destaca:
Universidade e biblioteca são agências sociais organizadas para atender as
necessidades da comunidade acadêmica e da sociedade de forma geral. Considerase, portanto, que desta relação surge uma unidade organizacional que reúne os
princípios da biblioteca e os da universidade, em diferentes momentos históricos e
posicionamentos sociais.

Enquanto agência social ela é moldada de acordo com os padrões, ideologias e
valores culturais que regem os modelos de universidade vigente e, por estar condicionada a
essa, ambas são reguladas pelo contexto social e político, ao longo da história de cada uma
(SILVA, 2010).
Sua função precisa contribuir decisivamente para o ensino, a pesquisa e a extensão,
assumindo, assim, seu papel social que é o de promover a infraestrutura documental e a
disseminação da informação em prol do desenvolvimento da educação, da ciência e da
cultura.
Do ponto de vista funcional a biblioteca é caracterizada como uma organização
prestadora de serviço de informação apoiando as atividades de ensino, aos docentes, aos
discentes e aos pesquisadores da universidade, pois em seu âmbito inicia o processo de
geração de conhecimento (RIBEIRO, 2007).
Neste sentido, as bibliotecas universitárias apresentam-se como lugar de memória, de
tradição e de práticas culturais. Assim, podemos entendê-la como espaço onde nosso
patrimônio material e imaterial é captado, preservado e disseminado.
2.3 Biblioteca enquanto lugar de memória
O trabalho desenvolvido pelas bibliotecas universitárias, na promoção de uma

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infraestrutura documental e na disseminação da informação, é fundamental para o
desenvolvimento da educação, da ciência e da cultura de um país.
Em seu ambiente são guardados livros que contêm soluções para sanar as dúvidas.
No entanto, este precisa ser um espaço dinâmico e vivo, e com seu trabalho técnico tornar
acessível a herança da cultura de um povo captado em sua memória.

2.3.1 Conceitos de memória
De acordo com Jacques Le Goff “A memória, como propriedade de conservar certas
informações, remete-nos em primeiro lugar a um conjunto de funções psíquicas, graças às
quais o homem pode atualizar impressões ou informações passadas, ou que ele representa
como passadas” (LE GOFF, 1992, p. 423).
O estudo da memória passa da psicologia à neurofisiologia, cada aspecto seu
interessa a uma ciência diferente, sendo a memória social um dos meios basilares para se
abordar as dificuldades do tempo e da história (SILVA; SILVA, 2010).
Conforme Pierre Nora:
A memória é a vida, sempre carregada por grupos vivos e, nesse sentido, ela está em
permanente evolução, aberta à dialética da lembrança e do esquecimento,
inconsciente de suas deformações sucessivas, vulnerável a todos os usos e
manipulações, susceptível de longas latências e de repentinas revitalizações (NORA,
1993, p. 9).

Para a Biblioteconomia e a Ciência da Informação há diversas maneiras de abordar o
termo memória, e para Oliveira e Rodrigues (2011), os estudos nessa área retratam a memória
em três categorias:
a) Categoria 1 - Memória humana: aborda a faculdade humana de conservar, recordar
e transmitir informações, sentimentos e experiências, bem como sua relação com os
processos cognitivos.
b) Categoria 2 - Memória artificial: fala sobre a memória exteriorizada como extensão
da memória humana, uma memória adicional possibilitada por recursos
tecnológicos, ou um procedimento técnico que permite sua fixação e facilita sua
recuperação, seja uma técnica mnemônica, um registro escrito ou um disco rígido.
c) Categoria 3 - Memória social: diz respeito aos registros da informação como
memória socialmente construída, representada e compartilhada por um grupo,
estejam eles institucionalizados (compondo os acervos de arquivos, bibliotecas e
museus) ou não.
Neste estudo, abordaremos brevemente o conceito de memória na perspectiva social,
que corresponde a etapa do processo informacional associada ao termo preservação, a partir
do pressuposto das informações ou dos documentos que possibilitam a reconstrução de parte
da memória de uma coletividade, seja um país ou uma instituição.
Para Gondar (2004, p. 4 apud HOLLÓS, 2010, p. 30) a memória social é vista em
caráter:
[...] transdisciplinar e se produz nos entrecruzamentos da filosofia, da psicologia,
das neurociências, das ciências da informação [...] atravessando suas fronteiras e
fertilizando um novo campo de problemas, onde o dissentimento resulta em novas
ideias.

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É nesta interação fronteiriça que ocorre a articulação da memória social, o que não se
dá apenas por meio de palavras verbalizadas ou grafadas, mas também por meio de imagens.
(CHAGAS, 2009).
Halbwachs (2004, p. 30) dá destaque às memórias coletivas que não deixam de
apresentar o seu aspecto social: “nossas lembranças permanecem coletivas, e elas nos são
lembranças pelos outros, mesmo que se trate de acontecimentos nos quais só nós estivemos
envolvidos, e com objetos que só nós vimos. É porque, em realidade, nunca estamos sós”.
Diante deste fato as bibliotecas reúnem o que é importante no que tange ao resultado
da memória social, tornando-se assim um lugar de memória.
2.3.2 O que são lugares de memória?
Bibliotecas, museus e arquivos são locais nos quais os cientistas da informação
exercem suas práticas. Considerados lugares de memória, bem como a memória das
instituições, resultam em apropriações dos conceitos de memória social e memória coletiva
bem como emprego de múltiplas extensões, tais como: instituições de memória, centros de
memória, arquivos de memória e entidade de memória.
O termo lugar de memória firmado por Nora (1993, p. 13) estabelece que eles
nascem e vivem do sentimento de que não há memória instintiva, de que é preciso criar
arquivos. Assim ele destaca que: “[...] se o que eles defendem não estivesse ameaçado, não se
teria, tão pouco, a necessidade de construí-los. Se vivêssemos verdadeiramente as lembranças
que eles envolvem, eles seriam inúteis”.
Vieira (2015) observa que quanto menos se vive a memória no interior, maior a
necessidade de suportes exteriores.
Nessas extensões, são constantes as referências a uma dinâmica da memória
possibilitada pela informação registrada levando a construção, reconstrução, formação,
manutenção, recuperação, preservação, conservação, valorização, incorporação, interação,
exclusão e destruição da memória (OLIVEIRA; RODRIGUES, 2011).
Tal concepção destaca mais uma vez a função social da biblioteca, agora como lugar
de memória que é fruto de produções culturais e identitárias de um povo. Neste sentido, é
necessário fazermos uma breve abordagem dos conceitos de cultura e identidade.
2.3.3 Conceitos de cultura e identidade
O conceito de cultura, em seu uso antropológico, surgiu na Alemanha setecentista e
inicialmente estava relacionado à noção de alguma qualidade original, um espírito ou essência
que uniria as pessoas em nações e separaria as nações umas das outras (CUNHA, 2009).
Essa originalidade nasceria das diversas visões de mundo de diferentes povos,
chegando ao entendimento de que eles seriam os autores dessas visões, concepção que ainda
permanece.
Para Geertz (1989) a cultura seria como um conjunto de mecanismos de controle,
com planos, regras, instruções criadas para governar o comportamento do homem, sendo este
homem um animal, dependente de tais mecanismos para ordenar seu comportamento.
Compreendida como preocupação fundamental de todas as ciências humanas a
cultura enquanto objeto principal da antropologia é retratada no texto de Sahlins (1997), que
defende o seu conceito como fenômeno da organização da experiência e da ação humana por
meio de símbolos.
Com ideia semelhante Kuper (2002, p. 286) afirma que “cultura não é uma questão
de raça. Ela é aprendida, e não transmitida por genes”. Constituindo uma ideia de valores,

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uma atitude mental coletiva expressada por meio de símbolos.
Quanto a Jamesom (1993) este acredita que a cultura deve ser sempre vista como um
veículo ou um meio através do qual se dá o relacionamento entre grupos que perpetua as
ilusões óticas e o falso objetivismo desse relacionamento histórico. O autor ainda destaca que
em termos mais comuns, a identidade é concretizada por meio da participação na cultura.
Não há um discurso identitário único, coeso e completo em si mesmo, posto que, o
sujeito, através de seus posicionamentos, assume identidades múltiplas nos diversos
momentos e espaços onde sua história de vida adquire sentido e encontra ressonância.
(SILVEIRA, 2010)
A identidade está profundamente envolvida no processo de relações espaço-tempo e
no interior de diferentes sistemas de representação. Elas têm efeitos profundos sobre a forma
como as identidades são localizadas e representadas de modo que todas as identidades estão
localizadas no espaço e no tempo simbólico (HALL, 2006).
O autor aponta três concepções diferenciadas de identidades que refletem o processo
intelectual de mudança do conceito de identidade fixa para uma identidade mais plural. A
primeira é a identidade do sujeito do Iluminismo que se baseia numa concepção de indivíduo
totalmente centrado, unificado, dotado das capacidades de razão, de consciência e de ação,
cujo “centro” consistia num núcleo interior. A segunda é a identidade de sujeito sociológico,
que refletia a crescente complexidade do mundo moderno e a consciência de que este núcleo
interior do sujeito não era autônomo e autossuficiente. E a última é a identidade do sujeito
pós-moderno que indispõe de uma identidade fixa, essencial ou permanente.
A identidade não surge somente de um “eu verdadeiro” e “único”, mas do diálogo
entre os conceitos, definições e práticas que são representadas pelos discursos de uma
cultura. E pelo nosso desejo consciente ou inconsciente de responder aos apelos feitos pelos
significados e de sermos interpelados por eles, de assumirmos as posições de sujeito
constituídas por nós e para nós. (SILVEIRA, 2010).
Neste sentido, Hall (1997, p. 26-27) nos apresenta seu entendimento a respeito da
maneira como as identidades são formadas:
O que denominamos “nossas identidades” poderia provavelmente ser melhor
conceituado como as sedimentações através do tempo daquelas diferentes
identificações ou posições que adotamos e procuramos “viver”, como se viessem de
dentro, mas que, sem dúvida, são ocasionadas por um conjunto especial de
circunstâncias, sentimentos, histórias e experiências única e particularmente nossas,
como sujeitos individuais. Nossas identidades são, em resumo, formadas
culturalmente.

França (2002) ressalta a necessidade de notar que a ideia de identidade é um
resultado que tem como elemento de sustentação, discursos, objetos e práticas simbólicas que
nos posicionam no mundo e que dizem nosso lugar em relação ao outro. Tais símbolos são
construídos por meio de relações, interpessoais que produzem os elementos culturais de um
povo.
A identidade não é um assunto apenas pessoal, ela necessita ser vivida no mundo, em
um diálogo com os outros. “De um ponto de vista subjetivo, a identidade é descoberta dentro
da própria pessoa, e implica identidade com os outros” (KUPER, 2002, p.296).
Apreende-se com essas abordagens, que cultura e identidade, são fenômenos da
organização, da experiência e da ação humana por meio de símbolos e estes são construídos a
partir de relações interpessoais que produzem os elementos culturais de um povo, corroboram
com ideias de valores sendo atitudes mentais da coletividade que criam vínculos e que passam
a ser registrados na memória.

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Diante disso, a biblioteca universitária se faz importante em seu papel social, como
espaço onde o patrimônio material e imaterial é captado, preservado e disseminado.

2.3.4 A Biblioteca
Pode-se definir as bibliotecas como um lugar de memória e de preservação do
patrimônio documental, considerando-a como: “um espaço dinâmico e vivo tendo como uma
das tarefas fundamentais colecionar, [...], inventariar e, finalmente, tornar acessível a herança
da cultura escrita” (CHARTIER, 2002, p.30).
Outrossim, às práticas de sociabilidade que se delimitam em torno e a partir de seu
espaço, as bibliotecas se mostram capazes de enunciar ou exibir uma série de construções
culturais cujos referenciais expressam de maneira significativa as estruturas históricas,
políticas, ideológicas e identitárias sobre os quais uma dada sociedade se constitui, nutre-se e
se valoriza (SILVEIRA, 2012).
Se analisada com a sutileza que merece, se torna um indicativo de que a missão das
bibliotecas, tal qual como outros lugares de memória, se apresentam como palcos de
encenação à dramaturgia da sociedade acolhendo, em virtude disso, “a identidade de uma
sociedade ou nação [que pode] ser espelhada por uma biblioteca, por uma reunião de títulos
que, em termos práticos ou simbólicos, faça as vezes de definição coletiva”. (MANGUEL,
2006; p.241 apud SILVEIRA, 2012 p. 12).
Assim compreendemos a importância da biblioteca no cumprimento da sua função
social enquanto lugar de memória e o que ela representa para perpetuar o que de fato é
relevante a nível de conhecimento e reconhecimento cultural e identitário de uma nação.

3 Materiais e métodos
Para o desenvolvimento deste trabalho realizamos a pesquisa bibliográfica, com o
intuito de responder ao seguinte questionamento: considerando que a biblioteca universitária é
o espaço onde nosso patrimônio material e imaterial é captado, preservado e disseminado,
qual a sua função social enquanto lugar de memória?

4 Resultados parciais/finais
Diante da abordagem teórico-conceitual foi verificado que cultura e identidade,
consideradas fenômenos da organização, da experiência e da ação humana por meio de
símbolos, corroboram com ideias de valores, sendo atitudes mentais da coletividade que criam
vínculos e que passam a ser registrados na memória.
Em consonância com a instituição maior da qual faz parte, que é a universidade, a
biblioteca universitária é o espaço onde nosso patrimônio material e imaterial é captado,
preservado e disseminado.
Neste sentido, foi possível aferir no estudo a função social da biblioteca universitária
enquanto lugar de memória, pois esta desempenha papel fundamental na construção dos
sujeitos sociais.

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5 Considerações parciais/finais
Ressaltamos, então, que as discussões apresentadas têm o intuito de refletir a função
social da Biblioteca Universitária enquanto lugar de memória, preservação e difusão do
conhecimento. A análise esboçada acerca dos conceitos de memória, cultura e identidade,
possibilita uma melhor compreensão da temática abordada. Embora exista muitas vezes a
concepção errada a respeito da função da biblioteca vista como um espaço estático, funcional
e operacional, devido à atuação passiva de seus profissionais bibliotecários, entende-se que
esta desempenha papel fundamental na sociedade.
Outrossim, vale ressaltar que, o trabalho teve o intuito de enfatizar a função social da
biblioteca universitária como lócus de memória na intenção de contribuir para preservação da
cultura e identidade da sociedade.

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Disponível em: &lt;http://www.sudeste2015.historiaoral.org.br/resources/anais/9/1429129701
_ARQUIVO_Memoria_Itala_Maduell.pdf&gt;. Acesso em: 07 jul. 2016.

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              <text>A universidade exerce uma importante função na sociedade, pois ela é um espaço fundamental para a construção da identidade sociocultural de um país. A biblioteca universitária, enquanto parte integrante dessa instituição, afirma-se como necessária para colaborar nessa construção. Partindo dessa premissa, este trabalho tem o objetivo de apresentar a função social da biblioteca universitária enquanto lugar de memória. A pesquisa realizada foi a bibliográfica, com informações de teóricos que discorrem sobre o tema, apresentando a função da universidade, a função social da biblioteca universitária, os conceitos de memória, cultura e de identidade. Percebeu-se que cultura e identidade, consideradas fenômenos da organização, da experiência e da ação humana por meio de símbolos, corroboram com ideias de valores, sendo atitudes mentais da coletividade que criam vínculos e que passam a ser registrados na memória.Vimos que é pelo movimento de apropriação de repertórios simbólicos que é possível o sujeito e mesmo uma coletividade inteira construírem e consolidarem seus vínculos identitários. Assim, aferimos que embora exista muitas vezes uma concepção equivocada a respeito da função da biblioteca universitária, vista como um espaço estático, funcional e operacional, pois muitos profissionais bibliotecários que nela atuam se tornam passivos diante do verdadeiro papel que ela deve desempenhar, notamos a sua importância e que em consonância com a função social da universidade desempenha lugar fundamental na construção dos sujeitos sociais.</text>
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