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                  <text>LEITURA DRAMÁTICA NA BIBLIOTECA – EM LIBRAS E
PORTUGUÊS: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UMA AÇÃO DE
EXTENSÃO.

Inês Conceição da Silva (UFG) - ines.biblio@gmail.com
Resumo:
“Leitura dramática na Biblioteca” é um projeto de extensão, que utiliza o conhecimento de
alunos partipantes de oficinas de leitura dramática, com a apresentação dos textos na
biblioteca. Prezando pela participação de amplo público, e lembrando que a unidade
acadêmica onde a biblioteca está inserida abriga alunos surdos, as apresentações acontecem
também em libras. A leitura dramática vem servindo também para facilitar o envolvimento
coletivo entre alunos e biblioteca. Busca-se unir a leitura e o teatro, trazendo novas
expectativas aos leitores sobre a leitura, o texto, além de ampliar o leque de atividades
desenvolvidas
pela biblioteca de Letras e Linguistica.
Palavras-chave: Biblioteca universitária. Projeto de extensão. Atividade cultural. Leitura
dramática.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Acessibilidade (produtos, serviços e tecnologia)

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A universidade acolhe pessoas com todo tipo de experiência, construídas no decorrer
de sua vida, do meio social onde vivem. Devemos considerar que lidamos com um público
heterogêneo, com diferentes expectativas e necessidades em relação ao novo meio em que
está inserido. A biblioteca, dentro deste meio, deve contribuir para que estes desenvolvam
competências que os tornem autônomos e críticos na busca e uso da informação, dentro ou
fora do ambiente acadêmico.
Para além das rotinas de organização, recuperação, acesso e uso das informações em
suas diferentes fontes, a biblioteca pode também desenvolver outras atividades de mediação
que contribuam para a formação dos usuários.
Desenvolvendo, ou apoiando atividades sobre a leitura, a biblioteca pode trabalhar não
somente a leitura enquanto técnica, mas principalmente, construir sujeitos leitores, “leitores
do mundo”, “leitores de ações”, capazes de interpretar e construir novos conceitos a partir de
uma realidade social, da produção cultural e intelectual, dos acontecimentos cotidianos,
tornando-se então protagonistas sociais.
A leitura teatral possibilita práticas sociais de leitura diferenciadas. No contexto de
incentivo à leitura, a ideia é que os textos lidos teatralmente despertem a interesse do público
para outras leituras. Ressalta-se ainda que “os sujeitos leem o texto a partir de um
determinado contexto social e produzem representações sociais sobre os elementos presentes
neste texto teatral” (LOBO, 2011).
O projeto de extensão “Leitura dramática na biblioteca” foi criado em agosto de
2015,surgiu para trazer ao ambiente uma nova maneira de apresentar a leitura de textos. Para
a realização do projeto, criou-se a parceria com outro projeto de extensão, entitulado
“Técnicas de leitura dramática”, oferecida por uma docente do curso de letras a alunos
interessados, onde, os alunos aprenderiam as técnicas de leitura dramática nas oficinas com a
docente, e a partir disso, realizassem apresentações periódicas na biblioteca.
Considerou-se ainda o ambiente em que a biblioteca está inserida – Faculdade de
Letras – que oferece o curso de Libras, possuindo grande concentração de alunos surdos, nos
propomos a ampliar a leitura dos textos, com a participação de intérpretes de libras, de modo
a garantir que a atividade cultural não possuísse barreiras de acessibilidade quanto ao seu
público.
Busca-se trazer ao espaço da biblioteca universitária uma ferramenta que visa
incentivar o hábito da leitura através dos encantos da mediação oral, facilitando o
envolvimento coletivo com a leitura, contribuindo para a melhoria da interpretação e condição
leitora do público, que passa a enxergar o texto com um olhar lúdico, ao mesmo tempo em
que o relaciona com a realidade em que vive. O esperado é que além de contribuir para a
formação destes sujeitos protagonistas sociais, ao mesmo tempo em que trabalhamos na
divulgação da biblioteca e da leitura.

2 Revisão de literatura
Em todo o decorrer de sua história, as bibliotecas universitárias possuem práticas que
privilegiam o compromisso com a comunidade acadêmica, nas técnicas de organização,
armazenamento, recuperação e uso da informação, no entanto, Ferreira (2012), nos chama à
reflexão sobre de que maneira as bibliotecas tem atuado nas ações de extensão universitária,
ampliando sua atuação. A autora afirma que de maneira geral, as bibliotecas universitárias
vem atuando nas atividades de extensão no papel de disponibilizar informações, sem maiores
contatos com a comunidade que atende. Percebe-se então a necessidade de:
situar as bibliotecas universitárias como um espaço de

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cidadania, construído por meio de experiências de extensão
planejadas para e com os grupos e sujeitos sem vínculos
formais com a Academia, mas que moram no entorno e por
vezes possuem acesso precário à informação, sobretudo em
função das condições socioeconômicas que marcam a vida
cotidiana de parte significativa da população brasileira.

Gomes e Santos (2014) falam sobre a importância de que as bibliotecas universitárias
realizem atividades que “favoreçam a ação cultural, cognitiva e social dos sujeitos”,
possibilitando um espaço de diálogo, estimulando a interação também entre os usuários,
oferecendo espaço de fala para os usuários:
essa perspectiva, a biblioteca universitária pode ser
verdadeiramente entendida como um espaço propício à
construção do conhecimento, um ambiente de acolhimento aos
sujeitos que têm suas necessidades específicas de informação,
apresentando-se, assim, como um elo entre eles e deles com o
conhecimento, apoiando mais diretamente o desenvolvimento
social, cognitivo e cultural do público acadêmico, como
também da sociedade em geral.

A leitura teatral vem para possibilitar práticas sociais de leituras diferenciadas, pois na
medida em que o espectador assiste à leitura, estão presentes visualidades, diálogos, inerentes
à arte teatral que juntamente com as palavras, dão uma nova interpretação ao texto. Devemos
considerar ainda que os sujeitos envolvidos no processo da leitura dramática, também lêem os
textos a partir de um contexto social, produzindo também representações sociais durante sua
interpretação (LOBO, 2011):
O autor vê o que o ator não pode ver, já que necessita da
visualidade do seu texto por meio da montagem do espetáculo,
o espectador vê aquilo que o ator não vê, sua expressão, seus
movimentos, os efeitos de suas palavras, e o ator recebe da
platéia o que não é dito, mas sentido com efeito intangível. A
presença do outro constitui e modifica diariamente o
espetáculo.

Para Gomes e Santos (2014), transmutar um texto teatral em leitura cênica é operar
com as mesmas ferramentas dos estudiosos em literatura, mas tendo em vista outro suporte,
pois a partir das teorias teatrais a interpretação do texto tende a se tornar mais densa e criativa,
principalmente quando reflexões do texto são compartilhadas pelos alunos durante os ensaios,
gerando mais dramaticidade na sua interpretação, atingindo mais intensamente o público a
quem se apresenta.
Na proposta de ações por bibliotecas universitárias, devemos considerar ainda a
realidade da universidade hoje: segundo dados do Portal Brasil (2012), entre os anos de 2000
e 2010, a quantidade de pessoas com deficiência matriculadas na educação superior aumentou
933,6% (de 2.173 em 2000 para 20.287 em 2010), exigindo que essas instituições conheçam e
preparem-se para receber esse público. Segundo levantamento realizado pelo Núcleo de
Acessibilidade da Universidade Federal de Goiás (UFG), entre os anos de 2008 e 2012 houve
um crescimento de 233% no ingresso de pessoas deficientes na instituição, o que reforça a
necessidade de adequar produtos e serviços para receber esse público. Um novo levantamento
foi realizado em 2015, pelo mesmo Núcleo:

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Quadro 1- Docentes e discentes com deficiência na UFG

Fonte: Núcleo de Acessibilidade UFG (2015)

Corradi e Vidotti (2008) lembram que elementos inclusivos não devem ser esquecidos
pelas bibliotecas universitárias – órgãos de grande importância na pesquisa, formação e
desenvolvimento acadêmico. É a acessibilidade informacional que irá permitir aos usuários
com deficiência usufruir da informação com as mesmas condições oferecidas aos demais.
Ressaltam a inclusão de diferentes tipos de usuários, com todas as suas necessidades e
potencialidades, e em diversos contextos sociais, lembrando que o acadêmico é um dos mais
importantes, considerando sua formação intelectual e a contribuição deste cidadão para o
desenvolvimento social.

3 Materiais e métodos
As oficinas de leitura dramática foram idealizadas por uma docente da unidade – Sueli
Maria Regino, em um projeto entitulado “Técnicas de leitura dramática”, com o objetivo de
melhorar as técnicas de leitura, e aumentar a capacidade de interpretação dos discentes,
através de exercícios de corpo e voz.
Foi realizada uma parceria com a mentora das oficinas, criando então o projeto
“Leitura dramática na biblioteca”, onde, após as oficinas, as leituras seriam realizadas
bimestralmente na biblioteca.
Os contos são escolhidos livremente pelos componentes do grupo, que realizam ensaio
semanal. Estes contos são traduzidos para a libras durante os ensaios, e apresentado nas duas
línguas.
A divulgação é realizada através de cartazes, além das redes sociais do Sistema de
Bibliotecas.
Cada apresentação tem previsão de duração de até duas horas, sendo uma para
apresentação do grupo, e o restante para uma roda de conversa com o público. Ao final das
apresentações serão aplicados questionários de avaliação. Os questionários contemplam as
seguintes questões:
1. Você conhecia a leitura dramatizada?
2. Você é surdo?
3. Algum sinal não foi compreendido? Se não, procure a organização do evento.
4. Acha importante ler e sinalizar contos pra crianças e adultos? Por quê?
5. Atribua uma nota de 1 a 5, onde, 1 corresponde a totalmente insatisfeito e cinco a
totalmente satisfeito:

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Nesta questão foram incluídos os tópicos: “Satisfação das expectativas”, “Dimensão da carga
horária” e “Ambiente”.
6. Sobre o evento, deixe suas críticas e sugestões
7. Quer sugerir temas para eventos futuros? Deixe aqui.

4 Resultados parciais/finais
Até o momento, foram realizadas duas apresentações. Na primeira, tivemos
dificuldades quanto à organização do evento: os ensaios precisaram ser feitos rapidamente,
não havia material para divulgação (que aconteceu logo após a greve das universidades
federais, em 2015).
A segunda apresentação foi realizada em maio/2016, com uma equipe de 8 leitores
(alunos do curso de letras), foi solicitado a participação de intérpretes de libras, mas
verificando a indisponibilidade para a realização do trabalho, alunos do curso de letras/libras
que já estavam participando do projeto se disponibilizaram a interpretar os contos em língua
de sinais. Nesta edição, foi possível ampliar a divulgação, com cartazes e pelas redes sociais
do Sistema de Bibliotecas, e da universidade.
Figura 1 - Apresentação de leitura dramática

Fonte: A autora (2016)
Figura 2 - Apresentação de leitura dramática

Fonte: A autora (2016)

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Figura 3 - Apresentação de leitura dramática

Fonte: A autora (2016)

Alguns pontos importantes a se destacar após a avaliação (esta avaliação foi aplicada
após a segunda apresentação):
Embora a maioria tenha respondido que não conheciam a leitura dramatizada, nos
surpreendeu a pouca diferença entre os que conheciam:

Embora com a tradução em libras, poucos surdos estiveram presentes na apresentação:

Os dois alunos surdos responderam no questionário que algum sinal na interpretação

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dos contos não foi entendido, no entanto, a organização do evento não foi procurada para
esclarecer as dúvidas.
Em resposta à questão: “Acha importante ler e sinalizar contos pra crianças e adultos?
Por que?”, todos responderam positivamente, destaque para algumas contribuições:
"Sim, é uma forma artística de promover a inclusão"
"Acho importante, pois isto suscita o interesse à libras para ouvintes e faz o surdo ter acesso
aos contos, além de divulgar a literatura surda"
"Sim. É importante para que possam abstrair e fazer conexões com o cotidiano. É ótimo para
trabalhar as hipóteses e resoluções de problemas.”
"Ficou ótimo do evento, compreendi que sinalizados são lindos de adaptações para surdos"
Em relação à satisfação de expectativas, a maioria teve sua expectativa “totalmente
satisfeito”:

Sobre a dimensão da carga horária, a maioria mostrou-se totalmente satisfeito:

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Em relação ao ambiente, a maioria assinalou estar totalmente satisfeito:

Em relação às críticas e sugestões, houve comentários que demonstram a expectativa
de que outras apresentações sejam realizadas, e o evento ampliado: “O evento foi ótimo”,
“Sendo um evento pioneiro, me pareceu bom”, “Sugiro que promova mais leituras”, “Deve
acontecer mais vezes e em vários horários e locais para que haja conhecimento do evento em
toda a UFG, e não somente na letras”.
Algumas observações foram feitas em relação ao som e conforto do ambiente: “O som
poderia ser elétrico, o barulho do ambiente atrapalha um pouco”, “Acho que deveria ter mais
cadeiras", “Um outro horário para que mais pessoas participem.”
Recebemos sugestões para promoção de eventos sobre “literatura surda”, “poesia
modernista”, “poesias e contos”, “comédias e teatros”.

5 Considerações parciais/finais
A ação “Leitura dramática na biblioteca” deverá continuar, sendo recadastrada como atividade
de extensão regularmente. O resultado das avaliações demonstrou que o público a percebeu de
maneira positiva, seja como uma atividade cultural, de promoção de leitura, ou de inclusão. A
equipe do projeto buscará se aprimorar para as novas apresentações considerando também as
críticas recebidas nestes questionários, como por exemplo, a apresentação em ambiente mais
silencioso, com mais cadeiras, e fazendo uso de microfones, se necessário. Ressaltamos a
importância de que essas atividades tenham a participação de intérpretes de libras, alunos
surdos estão sendo convidados a participar do grupo, incluindo-os também no processo de
criação das apresentações, aproximando-os da literatura e da biblioteca.

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6 Referências
BRASIL. Portal Brasil. Ensino superior no Brasil tem Record de matriculas nos últimos
anos. Disponível em: &lt;http://www.brasil.gov.br/educacao/2012/10/ensino-superior-do-brasiltem-recorde-de-matriculas-nos-ultimos-anos&gt;. Acesso em: 01/06/2014.
CORRADI, J.A.M.; VIDOTTI S.A.B.G. Acessibilidade em ambiente informacionais
digitais de bibliotecas universitárias: foco em usuários com diferentes condições sensoriais
auditivas. In: Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, XV ., 2008, São Paulo,
2008.Disponível
em:
&lt;http://www.sbu.unicamp.br/snbu2008/anais/site/pdfs/3583.pdf&gt;.
Acesso em: 14/06/2014.
FERREIRA, Rubens da Silva. Transpondo muros, construindo relações: uma reflexão sobre
bibliotecas universitárias e extensão no Brasil. Rev. Digit. Biblio. Cienc. Inf., v.9, n.2, p. 7578, jan./jun. 2012. Disponível em:
http://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rdbci/article/view/1912/pdf_21. Acesso em:
12/04/2016.
GOMES, Henriette Ferreira; SANTOS, Raquel Rosário dos. Atividades de mediação para
leitura e escrita: uma análise dos níveis de mediação em experiências realizadas por
bibliotecas de universidades públicas. Ci.Inf., Brasília, DF, v.43 n.2, p.257-271, maio/ago.,
2014. Disponível em: http://revista.ibict.br/ciinf/article/view/1408. Acesso em: 12/04/2016.
LOBO, Andrea Maria Favila. A leitura dramática na formação do artista docente. Moringa, v.
2, n. 2, p. 41-52, jul./dez. 2011.
NÚCLEO DE ACESSIBILIDADE UFG. Relatório julho. 2015. Disponível em:
https://acessibilidade.ufg.br/up/211/o/Relatorio_DPEE-SECADI_FINAL_Julho_de_2015.pdf.
Acesso em: 01/05/2016.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <text>Leitura dramática na Biblioteca” é um projeto de extensão, que utiliza o conhecimento de alunos partipantes de oficinas de leitura dramática, com a apresentação dos textos na biblioteca. Prezando pela participação de amplo público, e lembrando que a unidade acadêmica onde a biblioteca está inserida abriga alunos surdos, as apresentações acontecem também em libras. A leitura dramática vem servindo também para facilitar o envolvimento coletivo entre alunos e biblioteca. Busca-se unir a leitura e o teatro, trazendo novas expectativas aos leitores sobre a leitura, o texto, além de ampliar o leque de atividades desenvolvidas pela biblioteca de Letras e Linguistica.</text>
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          <name>Language</name>
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