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                  <text>O SABER AMBIENTAL NO CONTEXTO DAS BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS DA AMAZÔNIA
Angela Maria Moreira Silva (UFRR) - angelsenhora@gmail.com
Shirdoill Batalha Souza (UFRR) - shirdoill.batalha@ufrr.br
Resumo:
O presente artigo consiste em uma revisão teórica sobre atuação das bibliotecas universitárias
na construção do saber ambiental voltado à busca de soluções para a crise ecológica
planetária. Discute acerca da configuração atual das bibliotecas no campo acadêmico e
científico e da atuação das bibliotecas universitárias federais da Região Norte do Brasil,
enquanto disseminadoras de informações científicas propulsoras da sustentabilidade da
Amazônia. As ideias têm como base os debates realizados pelo Grupo de Pesquisa Mídia,
Conhecimento e Meio Ambiente: olhares da Amazônia da UFRR e pela pesquisa de doutorado
Conhecimento científico e sustentabilidade da Amazônia: análise da produção do
PRONAT/UFRR sob a ótica da divulgação científica, em andamento.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias. Conhecimento
Sustentabilidade. Amazônia.

científico.

Saber

Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Marketing da Sustentabilidade (Divulgação ou disseminação?)

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ambiental.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O conhecimento científico é considerado um dos principais elementos para garantir a
sustentabilidade da Amazônia. Apesar da sua importância, não é o saber ultimo ou
privilegiado no trato das questões socioambientais, mas compõe de forma dialógica e em
conjunto com os saberes tradicionais (locais) e práticos, um todo chamado saber ambiental.
No âmbito do presente estudo, parte-se do pressuposto que, no campo científico
universitário, as bibliotecas universitárias são espaços privilegiados de diálogo dos saberes,
devido à histórica vocação das bibliotecas para reunião, circulação e disseminação do
conhecimento das mais variadas áreas e, por esse motivo, se caracterizam como instrumentos
fundamentais para a sustentabilidade. Com base nesses pressupostos, este artigo apresenta
uma revisão teórica com vistas a contribuir ao debate acerca do papel das bibliotecas
universitárias na construção do saber ambiental e da importância da atual configuração das
bibliotecas universitárias, principalmente da Região Norte, na busca de soluções aos desafios
socioambientais da Amazônia.

2 Revisão de literatura
Para debater a posição estratégica das bibliotecas universitárias da Amazônia diante
da produção científica em Meio Ambiente, faz-se necessário discutir teoricamente o que vem
a ser Saber ambiental e qual a configuração do conhecimento científico neste contexto.

2.1 Para Compreender a Concepção de Saber Ambiental
Os problemas ambientais chegam ao terceiro milênio como um dos maiores desafios
da agenda pública. Contudo, pela primeira vez na história da Terra, a crise do planeta não é
uma crise natural, mas uma crise de conhecimento, ou crise da civilização que, baseado na
superespecialização e visão fragmentada, levou ao desconhecimento da Natureza com sua
noção de recursos naturais ilimitados, de segregação social gerada pela apropriação
diferenciada do conhecimento científico e educativo, de apropriação privada dos saberes
tradicionais e de concentração do poder tecnológico (LEFF, 2010).
Morin (2005a) alerta que o conhecimento científico fragmentado, disciplinar e
pautado na neutralidade, é um dos grandes responsáveis pela destruição do planeta, tanto na
perspectiva da degradação ambiental como na perspectiva bélica. Outro fator a considerar é
que, conforme a noção clássica de conhecimento científico, a ciência é detentora do que se
pode chamar de conhecimento do real. A regra do jogo que coloca o respeito aos dados e a
obediência aos critérios de coerência como coluna de sustentação, dá à ciência a aura de
superioridade sobre qualquer outra forma de conhecimento.
É preciso superar, então, a ideia de que o conhecimento científico é reflexo do real e
encarar o fato de que ele é construído em meio ao caldeirão informacional, cultural e
ambiental, como qualquer outra atividade humana. A ciência é inseparável do seu contexto
sóciohistórico, dos interesses da sociedade, do poder econômico, do Estado, todos
influenciam com suas finalidades, programas, metas e recursos. Nesse caso, não há
neutralidade de dados quando as ideologias, sejam elas capitalistas, racistas, sexistas, exercem
forte influência sociocultural (MORIN, 2005a).
Com vistas à superação da noção de conhecimento científico enquanto palavra ultima
sobre o real, é necessário subverter a lógica disciplinar da ciência e se abrir para o diálogo
dos saberes, ou religação de saberes, onde a concepção inter e transdisciplinar passa a ser a
lógica mestra do processo de pesquisa (MORIN, 2005b, 2007; MORIN; CIURANA; MOTTA,

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2003).
Quando discute o diálogo dos saberes a partir da interdisciplinaridade, Edgar Morin o faz no
interior do campo acadêmico científico. Leff (2001, 2002, 2010), por sua vez, defende que o
diálogo entre os saberes deve estar presente tanto na construção do conhecimento científico
no interior da academia, como no âmbito da sociedade, na qual o conhecimento científico se
aliará com os saberes tradicionais e práticos. Enrique Leff chama esse diálogo de saber
ambiental, que se baseia na integração dos potenciais da natureza, nos valores humanos, nas
identidades culturais diferenciadas e em práticas produtivas sustentáveis.
Muitos autores defendem que não há como buscar soluções para a problemática
socioambiental dentro do paradigma cartesiano da ciência, ora predominante. É preciso
colocar em prática o pensar complexo que se alicerça no diálogo entre saberes científicos,
pautados na interdisciplinaridade, e nos saberes tradicionais (LEFF, 2001; MORIN, 2007;
PHILIPPI JR., 2013). A apropriação dos conhecimentos tradicionais e populares exige que os
pesquisadores tenham a responsabilidade de dar um retorno à sociedade acerca do
conhecimento gerado.
Cabe aqui delimitar o campo de atuação das bibliotecas universitárias nessa relação
dialógica que caracteriza o saber ambiental. Essas bibliotecas são responsáveis pela
disseminação do conhecimento científico produzido pela academia e institutos de pesquisa.
Nestes termos, como bem afirma o conceito de disseminação científica (PINHEIRO;
VALÉRIO; SILVA, 2009), elas visam o público especializado e universitário. Ao contrário da
divulgação científica que tem como foco levar o conhecimento para o público leigo com uma
linguagem mais acessível. Então, pode-se afirmar que as bibliotecas universitárias
contribuem para a construção do saber ambiental a partir de sua atuação junto ao
conhecimento científico.
É importante salientar que a disponibilização de informações de cunho ambiental,
voltada para o grande público, ficou concentrada em bibliotecas especializadas ligadas a
instituições públicas e Organizações Não Governamentais (ONG) ambientais. Essas
informações têm uma denominação específica chamada informação ambiental, que se encaixa
plenamente no conceito teórico de saber ambiental, pois trabalha tanto com o conhecimento
científico para especialistas como com o conhecimento prático e tradicional para o público
leigo. A informação ambiental surgiu a partir da realização da Eco-92, merecendo até um
número especial na revista mais importante para área de Ciência da Informação naquele
momento (CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 1992). Já se autoproclamava como inter e
multidisciplinar pois, como afirmava Caribé (1992) à época, ela leva em consideração os
conceitos científicos, filosóficos, sociais, religiosos, incluindo os valores políticos e
econômicos, além de discutir conceitos das ciências físicas e ambientais.
No âmbito das bibliotecas universitárias o conceito informação ambiental não
evoluiu, devido às suas bases conceituais serem muito imbricadas com a concepção de
informação científica e tecnológica, ficando a cargo das bibliotecas especializadas.
Atualmente, as bases teóricas da informação ambiental são muito discutidas na área de direito
ambiental e internacional, em decorrência da importância dada pelos protocolos e acordos
internacionais à democratização das informações ambientais para a sociedade em geral.

2.1.1 O conhecimento científico como vetor de sustentabilidade da Amazônia
Para mitigar os desafios amazônicos, como conter o desflorestamento e garantir a
equidade social, deve-se reconhecer a complexidade ecológica. É sabido que há diversos
caminhos para reverter as problemáticas socioambientais da região, mas existem muitos
conflitos de interesses que impedem a implementação e até mesmo o (re)conhecimento dos
projetos existentes. É “nesse contexto que se situa a contribuição crucial da ciência” para a

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Amazônia. A produção do conhecimento e a inovação podem concretizar as experiências já
existentes e “implementar um novo modo de produzir baseado no conhecimento, capaz de
utilizar o patrimônio natural sem destruí-lo e, inclusive, de alterar as relações sociais e de
poder” (BECKER, 2010, p. 16).
Ainda que a problemática ambiental englobe tanto problemas locais, como a
poluição de águas e rios até as condições de miséria das áreas urbanas, Becker (2010) alerta
que na Amazônia ainda predomina a visão de que essa problemática deve ser tratada somente
no campo ambiental, limitada à preservação dos recursos naturais, como é o caso de alguns
projetos governamentais aplicados à Região e realizados com apoio de cooperações
internacionais.
Val (2010) corrobora com Bertha Becker e afirma que a região amazônica não é
constituída somente de santuários de bichos e plantas, nela residem comunidades indígenas,
ribeirinhos, quilombolas, migrantes do Brasil e do mundo. Diante de toda essa riqueza natural
e cultural, é preciso incentivar um tipo de desenvolvimento da Amazônia que permita
compatibilizar geração de renda e inclusão social com a manutenção da floresta em pé. Para
tanto, os investimentos em Ciência e Tecnologia (C&amp;T) são fundamentais para agregar valor
aos produtos e serviços ambientais.
Os investimentos na produção de informações robustas sobre a Amazônia, acrescenta
Val (2010), são de vital importância para o seu desenvolvimento sustentável. No entanto, um
dos maiores desafios é superar os problemas relativos à produção de conhecimento científico,
pois a Amazônia possui pequena quantidade de cursos de doutoramento. Os cursos de pósgraduação strictu sensu se deslocaram do eixo Belém-Manaus para os demais estados da
Amazônia somente nos últimos dez anos. Outro desafio a superar, é a problemática da
disseminação desse conhecimento, devido à precariedade da integração regional por vias de
Tecnologias da Informação (TI) como a internet.
Ainda que atuando em meio às dificuldades pela carência de cursos de pósgraduação e pelas más condições de funcionamento das redes, as universidades amazônicas,
principalmente as federais, foram responsáveis pela geração e manutenção de grande parte
dos acervos sobre a Amazônia, sendo as suas bibliotecas as principais depositárias e
disseminadoras do conhecimento científico contido nestes acervos.

2.2 As Bibliotecas Universitárias Enquanto Espaço/Tempo de Disseminação do
Conhecimento Científico
Frente à antiguidade das bibliotecas como um todo, que datam da época dos Assírios
com a Biblioteca de Nínive (por volta de 700 A. C.), as bibliotecas específicas para as
universidades são um fenômeno recente e datam do chamado período moderno. Consta que na
civilização ocidental, essas bibliotecas remontam às principais universidades da Europa no
século XII. As bibliotecas universitárias têm seus conceitos relacionados às necessidades de
ensino, pesquisa e extensão das universidades a que servem. São moldadas de acordo com os
padrões, ideologias e valores que regem os modelos de universidade vigente. E, como a
universidade “é produto ou subsistema da sociedade na qual opera” (TARAPANOFF, 1982,
p. 74).
Avançaram no tempo/espaço com várias reversões a partir da expansão da produção
técnica e científica, que impulsionou o avanço das TI e fez com que a informação se tornasse
um dos principais insumos da atualidade. Até então, as bibliotecas tinham o formato livro
como importante veículo de informações, com a nova abordagem, a informação passa a ser o
foco, seja em formatos impressos ou digitais. Surgiu com isso a Ciência da Informação que
supre os profissionais das bibliotecas universitárias de arcabouços teóricos capazes de dar
conta da prática no novo cotidiano informacional. Esta proporcionou aos profissionais das

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bibliotecas condições para dialogar com a emergente realidade. Para Le Coadic (2004), a
ciência da informação tem por objeto, o estudo das propriedades gerais da informação: a)
análise dos processos de construção, comunicação e uso da informação; e b) a concepção dos
produtos e sistemas que permitem sua construção, comunicação, armazenamento e uso.
Francelin (2013, p. 4) afirma que por exigência de seu objeto de pesquisa e pelos
seus princípios teóricos, a Ciência da Informação é interdisciplinar por natureza. Gestada no
interior da “Nova Ciência”, ela possui uma mobilidade que lhe dá condições de se “relacionar
com outras disciplinas das ciências naturais, além das ciências humanas e sociais”. Para a
autora, é necessário compreender a Ciência da Informação como uma “ciência
contemporânea, que se baseia em pressupostos de uma ciência (nova) dinâmica, plural,
complexa e pluridimensional”.
A inovação perpetrada pelas novas tecnologias estreitou fronteiras geográficas,
temporárias, linguísticas e culturais. Remodelou as relações sociais, incorporando
características de uma sociedade em rede, ou também chamada de sociedade de informação.
Espaços físicos e materiais são recriados em novos formatos proporcionando o estar em
vários lugares ao mesmo tempo, fenômeno chamado de virtualização.
No campo específico das bibliotecas, a sociedade da informação subverteu a lógica
das bibliotecas físicas, pois nelas, os profissionais da instituição buscavam traduzir a
necessidade dos usuários e tentavam disponibilizar ao máximo a coleção que eles queriam.
Nessa perspectiva, o profissional da informação está no controle e atua com certa
independência. Na atual configuração digital, o usuário é quem está no controle em relação ao
sistema de informação, pois opera o “processo de acordo com a sua conveniência,
preservando o anonimato, selecionando fontes, descartando outras e buscando outros serviços
de referências” (OLIVEIRA; BERTHOLINO, 2000, p. 2).
Neste contexto, vemos que os sujeitos desta cultura transcendem o espaço/tempo e
demandam a disponibilização de qualquer informação em qualquer hora e lugar. Para atender
aos usuários nesse meio virtual, foram criadas as bibliotecas digitais, que são definidas por
Kuramoto (2005, p. 147) como “um conjunto de serviços apoiados por uma coleção de
objetos informacionais que suporta usuários interessados nesses objetos, assim como organiza
e preserva esses objetos disponíveis direta ou indiretamente por meio eletrônico ou digital.”
“Essa biblioteca digital pode estar „aberta‟ 24 horas por dia, sete dias por semana,
competindo em acesso com outras bibliotecas e outras fontes, a maioria bastante anárquicas”
(LEVACOV, 2005, p. 214). Os acervos digitais são disponibilizados em arquiteturas virtuais
como sites, blogs, nuvens, dando aos usuários a total autonomia diante do que pesquisar, onde
pesquisar e em que momento pesquisar.
Marília Levacov (2005) fala em competição entre os acervos, mas o que se vê é a
plena cooperação entre os acervos impressos e digitais. No Brasil, por exemplo, não existem
bibliotecas universitárias totalmente digitais, o que impera é o hibridismo. Para Garcez e
Rados (2002, p. 47), a biblioteca híbrida agrega diferentes tecnologias, diferentes fontes,
refletindo um estado que não é completamente digital, nem completamente impresso,
utilizando recursos para unir, em uma só biblioteca, o melhor dos dois mundos (o impresso e o
digital).

2.2.1 A disseminação científica no âmbito das bibliotecas universitárias da Amazônia
As bibliotecas universitárias foram as principais depositárias e disseminadoras do
conhecimento científico na Amazônia, em parceria com as bibliotecas de institutos de
pesquisa como o Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (INPA) e o Museu Paraense
Emílio Goeldi (MPEG). Antes mesmo da grande expansão dos sistemas de informações
direcionados para as questões ambientais no Brasil, notadamente criados a partir da Eco-92,

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as bibliotecas universitárias, em conjunto com suas bibliotecas parceiras dos institutos de
pesquisa, criaram de forma colaborativa sistemas de informação voltado para a disseminação
cooperativa do conhecimento científico gerado sobre a Amazônia.
Na década de 1980, seguindo as diretrizes federais das ações em C&amp;T, os estados
amazônicos ampliaram seus investimentos em pesquisas e sistemas de informações
pertinentes ao desenvolvimento da Região. A primeira experiência gestada nesse período foi o
Sistema de Informação Científica e Tecnológica da Amazônia Brasileira (INFORMAM). O
INFORMAM caracterizava-se como um sistema referencial de bibliografias científicas, com
recursos automatizados. (SILVA, 2009, 2011). No ano de 1986, o Sistema passa a ser
coordenado pela Universidade Federal do Pará (UFPA) que investe na consolidação da
cooperação entre as instituições da Amazônia, a partir da estruturação em uma Unidade
Central e várias Unidades Cooperativas, distribuídas pela Região (AZEVEDO, 1989). O
INFORMAM também contribuiu para a atualização e capacitação dos bibliotecários da
Região, pois realizou treinamentos, reuniões técnicas, publicou artigos e outros produtos
como o Quem é Quem da Amazônia. Em 1995, suas bases de dados foram disponibilizadas
pela internet (SILVA, 2009).
Ainda na década de 1990, passa a ser o Centro Coordenador no Brasil do Sistema de
Informação da Amazônia (SIAMAZ), institucionalizado pela Associação das Universidades
Amazônicas (UNAMAZ), que funcionava como um sistema de informações científicas e
tecnológicas no âmbito dos países amazônicos (BELLESI; SILVA, 1992). Condurú (2007)
lamenta a descontinuidade dessas e de outras redes de informações amazônicas, que para a
autora, deve-se à forma isolada como os sistemas atuam e, principalmente, à falta de
continuidade dos financiamentos. Atualmente, o INFORMAM está desativado, mas alguns
dos seus serviços foram incorporados pelo Portal da Amazônia, mantido pela UFPA, e que
também possui bibliotecários em sua equipe de trabalho.
O próprio advento da internet veio contribuir para a descontinuidade das redes
cooperativas entre as bibliotecas universitárias da Região. Por outro lado, a rede de
computadores expandiu o leque de serviços e estreitou os laços de comunicação com os
usuários. Parte das bibliotecas universitárias públicas é hibrida, trabalham com acervos
impressos e digitais, sendo estes acessíveis pela web, através de sites próprios com conteúdos
diversos como catálogos on-line, bases de dados como a Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações (BDTD), o Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER), o Portal de
Periódicos da CAPES e outros (UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA, 2010;
UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS, 2015; UNIVERSIDADE FEDERAL DO
PARÁ, 2015).

3 Materiais e métodos
A presente revisão teórica foi feita a partir do levantamento bibliográfico sobre
a atual configuração das bibliotecas universitárias, o conhecimento científico enquanto saber
ambiental e a produção científica na Amazônia. As fontes de pesquisas foram identificadas
pelo Portal de Periódicos da CAPES, Google Acadêmico e catálogo das Bibliotecas da
Universidade Federal de Roraima (UFRR).
No que diz respeito às informações sobre a atuação das bibliotecas das universidades
e dos institutos de pesquisa da Amazônia, utilizou-se o catálogo das bibliotecas da
Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia (IBICT). As informações adquiridas, conquanto, já foram debatidas e publicadas
em trabalhos anteriores (SILVA, 2009, 2011).
As ideias aqui discutidas fazem parte dos debates ocorridos no âmbito do Grupo de
Pesquisa Mídia, Conhecimento e Meio Ambiente: olhares da Amazônia da UFRR, composto

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por professores e alunos de Jornalismo e Turismo, bibliotecários e biólogos, e da pesquisa de
doutorado intitulada Conhecimento científico e sustentabilidade da Amazônia: análise da
produção do PRONAT/UFRR sob a ótica da divulgação científica, em andamento.

4 Resultados parciais/finais
A partir das análises acima, vê-se que as bibliotecas universitárias vêm sendo
verdadeiros instrumentos para a sustentabilidade da Amazônia e que são capazes de contribuir
para a reversão dos modelos econômicos predatórios a partir dos preceitos apontados por
Bertha Becker (2010), os quais afirmam que para enfrentar o grande desafio amazônico, devese vislumbrar um novo modelo de desenvolvimento mediante uma verdadeira revolução
científico-tecnológica que contribuirá para manter a produção sem destruir a natureza.
Diante do exposto, é possível inferir que as bibliotecas universitárias contribuem
para a construção do saber ambiental nos termos defendidos por Enrique Leff, pois são
fundamentais na disseminação do conhecimento científico. Suas ações permitem a circulação
e produção de informações capazes de subsidiar a sustentabilidade, com base nos preceitos da
conservação ambiental e equidade social.

5 Considerações parciais/finais
Atualmente, as bibliotecas universitárias estão inseridas no contexto das TI que, por
sua vez, estreitaram as fronteiras geográficas, temporárias, linguísticas e culturais, além de
remodelar as relações sociais, incorporando características de uma sociedade em rede.
Espaços físicos e materiais são recriados em novos formatos proporcionando o estar em
vários lugares ao mesmo tempo, fenômeno chamado de virtualização. No cerne desta
realidade virtual ou digital, o usuário é quem está no controle em relação ao sistema de
informação e atua com certa independência. Essa configuração disponibiliza as informações
com mais rapidez e mais agilidade, pois parte do seu acervo está disponível durante 24 horas
por dia, levando discentes, docentes e pesquisadores, internos e externos, a realizarem suas
pesquisas a qualquer hora e lugar. Infere-se, com isso, que as bibliotecas universitárias se
apresentam como verdadeiros instrumentos para busca de soluções científicas aos desafios
socioambientais.
Na Região amazônica, as bibliotecas universitárias, em conjunto com as bibliotecas
dos institutos de pesquisas, foram as principais depositárias e disseminadoras do
conhecimento científico produzido sobre a região. O que leva a concluir que estas vêm
desempenhando um papel fundamental frente à sustentabilidade e são plenamente capazes de
contribuir para a revolução científico-tecnológica necessária à conservação da Amazônia.

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administrando improvisos. 2009. 162 p. Dissertação (Mestrado em Políticas Públicas) –
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JORNADA INTERNACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS, 5, 2011, São Luis. Anais...
São Luis: UFMA, 2011. Disponível em: &lt;https://www.researchgate.net
/profile/Angela_Maria_Silva/publications&gt;. Acesso em: 20 fev. 2016.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA. Biblioteca Central. Relatório geral 2010. Boa
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ. Sistema de Bibliotecas. Relatório de gestão

�9

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

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&lt;http://www.cgee.org.br/parcerias/parcerias.php&gt;. Acesso em: 12 jun. 2015.

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              <text>O presente artigo consiste em uma revisão teórica sobre atuação das bibliotecas universitárias na construção do saber ambiental voltado à busca de soluções para a crise ecológica planetária. Discute acerca da configuração atual das bibliotecas no campo acadêmico e científico e da atuação das bibliotecas universitárias federais da Região Norte do Brasil, enquanto disseminadoras de informações científicas propulsoras da sustentabilidade da Amazônia. As ideias têm como base os debates realizados pelo Grupo de Pesquisa Mídia, Conhecimento e Meio Ambiente: olhares da Amazônia da UFRR e pela pesquisa de doutorado Conhecimento científico e sustentabilidade da Amazônia: análise da produção do PRONAT/UFRR sob a ótica da divulgação científica, em andamento.</text>
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