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                  <text>RECURSOS WEB 2.0 ENQUANTO PRODUTOS E SERVIÇOS
INFORMACIONAIS: UM ESTUDO EM BIBLIOTECAS PÚBLICOUNIVERSTÁRIAS FEDERAIS DO BRASIL

Rogerio Ferreira Marques (UFPB) - rogerioferreiramarques1@gmail.com
Zayr Claudio Gomes da Silva (UFPB) - zayr10@gmail.com
Resumo:
Estudo em decurso sobre os recursos web 2.0 que podem ser utilizados pelas bibliotecas
universitárias no contexto da sociedade em rede. Problematizamos os recursos web 2.0 como
produtos e serviços informacionais de bibliotecas público-universitárias federais do Brasil.
Identificamos e descrevemos as características desses recursos utilizados pelas bibliotecas
público-universitárias federais do Brasil. Tratamos como uma pesquisa bibliográfica e
exploratória. Fazemos uma revisão de literatura, utilizando levantamentos bibliográficos em
periódicos eletrônicos do campo da Ciência da Informação e da Biblioteconomia. Utilizamos a
Netnografia e a Análise de Conteúdo para sistematizar as coleta e análise dos dados. O
universo da pesquisa se constitui nas bibliotecas centrais público-universitárias federais,
pertencentes aos Sistemas de Bibliotecas de cada estado. Constatamos que poucas bibliotecas
universitárias utilizam recursos web 2.0, em destaque o Facebook e o Twitter. Além de
pontuar a necessidade maiores aprofundamentos teórico-metodológicos, bem como a
aproximação do bibliotecário em relação aos recursos web 2.0.
Palavras-chave: Web 2.0. Produtos e Serviços Informacionais. Biblioteca 2.0.
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Ferramentas de comunicação e colaboração científica

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 INTRODUÇÃO
Trata-se de uma investigação sobre os recursos web 2.0 que podem ser utilizados pelas
bibliotecas universitárias como produtos e serviços informacionais no contexto da sociedade
em rede.
A partir do avanço exponencial das tecnologias digitais de informação e comunicação,
especialmente, a internet e a web, a formação e caracterização da comunicação mediada pelo
computador se altera cada vez mais. De modo que os recursos web 2.0 possam reconfigurar
os mecanismos de interação e compartilhamento entre sujeitos e objetos, alterando as
configurações do tempo e espaço.
Discute-se as aplicabilidades desses recursos em vários contextos, espaços e locais de
trabalho e de convivência, por exemplo, nas unidades de informação, especificamente, nas
bibliotecas como espaço de organização, disseminação e uso da informação, objetivando a
produção de conhecimentos.
A partir desse contexto, há uma questão que materializa a problematização da
pesquisa: Quais os recursos web 2.0 são usados pelas bibliotecas universitárias enquanto
produtos e serviços informacionais?
Buscando elementos que possibilitem responder tal questionamento, tem-se como
objetivo geral: estudar os recursos web 2.0 enquanto produtos e serviços informacionais em
bibliotecas universitárias. Com base na operacionalização da pesquisa para atingir este
objetivo, busca-se através de intentos específicos: a) mapear as bibliotecas públicouniversitárias federais das capitais brasileiras; b) identificar os recursos web 2.0 utilizados
pelas público-universitárias federais das capitais brasileiras; e, c) descrever características de
produtos e serviços de informação dessas bibliotecas.
Nosso referencial, basicamente, parte de três macro conceitos, bibliotecas, tecnologias
web 2.0 e produtos e serviços informacionais. Compreendemos bibliotecas enquanto uma
rede de coleções materiais e imateriais de informação; já as tecnologias web 2.0, temos como
um conjunto de técnicas e linguagens focadas no compartilhamento, interação e colaboração
na plataforma web; e, produtos e serviços informacionais enquanto atributos e ofertas
objetivando satisfazer as necessidades dos usuários através dos processos de armazenamento,
organização, disseminação e uso de informações.
Metodologicamente, trata-se de pesquisa bibliográfica e exploratória. Utilizamos de
duas técnicas, a saber: a Análise de Conteúdo e a Netnografia para coletar, sistematizar e
analisar os dados empiricamente na pesquisa.

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O universo deste artigo se constitui nas bibliotecas público-universitárias federais,
pertencentes aos Sistemas de Bibliotecas dos estados brasileiros. E, por conseguinte, a
amostragem aqui é delimitada como as bibliotecas centrais público-universitárias federais das
capitais de cada estado.
Constatamos que algumas bibliotecas universitárias utilizam recursos web 2.0
enquanto produtos e serviços informacionais, em destaque as mídias sociais Facebook e o
Twitter. Além de pontuar a necessidade de aproximação na formação dos bibliotecários em
relação as tecnologias digitais, podendo fornecer perspectivas teóricas e práticas em novos
produtos e serviços de informação para usuários no ambiente web.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Sociedade em Rede e a Web 2.0
As tecnologias de informação e comunicação desde os primórdios vem alterando as
formas de organização da sociedade. Entendemos que as sociedades se fundam a partir das
interações individuais que se propagam em série entre vários elementos humanos e nãohumanos, isto é, entre ideias, homens, dispositivos tecnológicos etc. De modo que as
interações entre sujeito e objeto, por exemplo, coexistam cada vez mais de forma
multidimensional, associada e diferentemente (TARDE, 2006).
A noção de sociedade em rede é comumente apontada ao pensador Manuel Castells.
Este tipo de sociedade, segundo Castells (2000), é apenas uma caracterização das sociedades
dos últimos séculos, que não surge somente a partir das tecnologias de informação e
comunicação. Mas, sobretudo, com um tipo de reestruturação dos modos de produção
capitalista e o desenvolvimento da comunicabilidade pela circulação de dados e fluxos de
informação, estes por sua vez, intensificados pela difusão de computadores e novos meios de
telecomunicações redefinindo também as noções de tempo e espaço.
A internet e web, sem dúvida, são um dos mais apropriados mecanismos que
possibilitam descrever as noções de sociedades onde infinitas redes se formam. Estas como
fluxos de indivíduos interconectados por pensamentos, ideias, computadores, regras,
instituições etc., uma vez que este emaranhado de elementos heterogêneos se conecta nos
mais variados tipos de associações. De acordo com o próprio Castells (2006), rede é um
conjunto de nós interconectados. Diríamos que estes próprios “nós” já são redes elementares,
não somente um ou o conjunto, mas suas associações que os fazem assim serem. Como
ressalta Serres (1968, apud MUSSO, 2004, p. 30), a rede é constituída “de uma pluralidade de

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pontos (picos ligados) entre si por si por uma pluralidade de ramificações (caminhos)”.
Nos últimos anos, a web vem transformando os modos de produção e circulação de
dados e informação, em processos de comunicação cada vez mais interativos e
compartilhados. Configurações da web potencializam novos padrões comunicativos através
de diferentes mídias sociais, as quais permitem os usuários interagir e compartilhar dados e
informações independente de espaço e tempo. Esta tipologia da web caracterizada pelos novos
processos de informação e comunicação compartilhados e interativos é considerada uma nova
geração da web, com nomes como web 2.0 e web social.
A web 2.0 emerge na transição dos últimos séculos com outra roupagem de recursos
web. Ela se baseava em uma distribuição radicular. Depois veio a ser rizomática. Partia -se de
elementos centralizadores, isolados e monológicos, uma vez que os administradores e os
gestores de sites, por exemplo, criavam seus conteúdos direcionados aos usuários e passou-se
à uma “estrutura integrada de funcionalidades e conteúdo” (PRIMO, 2007, p. 3). Isso quer
dizer que a web se desenvolveu para uma rede redistributiva baseada e caracterizada pela
interatividade, autonomia do usuário, coletividade, descentração e compartilhamento.
De acordo com O’Reilly (2005), várias mudanças ocorreram como transferências
tipológicas e metodológicas de softwares (Mídias Sociais, Blogs, Wikis), os quais surgiram
com a capacidade cooperativa e colaborativa de informações antes nunca vista. As páginas de
Sites Pessoais dariam espaço aos Blogs, as Enciclopédias à Wikipedia, as Taxonomias à
Folksonomia. Atualmente, as mídias sociais Facebook, Twitter e aplicações de mensagens
instantâneas se operacionalizam dentro dessa comunicação colaborativa. 1 No entanto, mesmo
havendo transformações ao longo do tempo dos modelos de tecnologias web, não se funda
aqui a trocar de modelos, mas identificar e descrever tecnologias web 2.0 metodologicamente.
A processualidade e a efetividade dos fluxos de informação nessa web se tornam bem
mais colaborativa e dinâmica, de modo que os usuários criam seus próprios conteúdos e
tendências de negócios e organizações, se revelando muito mais dialógicas e descentradas.
Logo, as diversas organizações tiveram que se adaptarem as mudanças da plataforma web. E
as bibliotecas não poderiam ficar para trás e tiveram que adentrar nesse espaço da web 2.0.

Vale ressaltar que estamos ciente que as tecnologias web já sofreram várias transformações ao longo do séc.
XXI. Por exemplo, já se encontra em uso novas mecanismos da web, como a dita web 3.0 ou web semântica.
Esta por sua vez, se funda como uma web mais inteligente. Aqui os aportes tecnológicos são tratados como
inteligíveis. No entanto, decidimos fundamentar somente a web 2.0, tendo em vista o foco temático do artigo.
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2.2 Bibliotecas Universitárias e As Tecnologias Web
Os recursos da web 2.0 vêm transformando as organizações em geral, tendo em vista
as formas de reestruturação funcional do trabalho e da produção de conhecimento dentro das
unidades organizacionais. Pois, estas tecnologias possibilitam que novos produtos e serviços
sejam utilizados e desenvolvidos com o auxílio das plataformas web 2.0, haja visto, seus
mecanismos de compartilhamento, interação e colaboração via internet.
Nesse contexto, as Bibliotecas Universitárias (BU) como ambientes responsáveis em
estabelecer uma linha ténue e dinâmica entre os usuários, a informação e o conhecimento,
recebem uma responsabilidade em fornecer aos seus usuários novos subsídios de
disseminação e recuperação da informação na chamada sociedade em rede.
A relação biblioteca-tecnologia se apresenta cada vez mais de forma incidente. Não
que isso seja novo, mas que as tecnologias web possibilitam que os usuários dentro e fora da
unidade possam compartilhar informações e interagir com funcionários e, consequentemente,
coma própria biblioteca. Assim, vêm se constituindo em novos mecanismos de trocas de
informações e uma espécie de vantagem competitiva no mundo das organizações. Em outras
palavras, isso permitiu uma “maior colaboração, interatividade e dinamização quanto ao fluxo
de conhecimento no meio organizacional, seja no âmbito interno ou externo, ampliando o
potencial coletivo” (SCHONS, 2008, p. 80).
A partir das aplicações dessas tecnologias web 2.0, as bibliotecas foram nomeadas por
alguns pesquisadores como (MANESS, 2007; CASEY, SAVASTINUK, 2006) library 2.0, em
português, biblioteca 2.0 – aquelas bibliotecas que utilizam as ferramentas da web 2.0 como
produtos e serviços informacionais. De acordo com Maness (2007, p. 44) biblioteca 2.0 pode
ser definida como “aplicação de interação, colaboração, e tecnologias multimídia baseadas em
web para serviços e coleções de bibliotecas baseados em web, e sugere que esta definição seja
adotada pela comunidade biblioteconômica”.
Entretanto, como ressalta Maness (2007), não há necessidade de usar este termo no
ambiente da biblioteca, mas com enfoque nos serviços web, estes, por sua vez, centrados ao
usuário (usuários participam na criação de conteúdos e serviços que eles veem a biblioteca na
web, por exemplo, o OPAC2), oferecem experiência de multimídia (serviços que contém
componentes de áudio e vídeo, Youtube, por exemplo, onde a biblioteca pode divulgar vídeos
acadêmicos etc.), atemporais e a-espaciais (compartilhamento de informação e produção de
conhecimento de forma síncrona e assíncrona, à distância, exemplo, Wikis, Messengers
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Online Public Acess Catalogue, em português, Catálogo Aberto de Acesso Público.

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(aplicações de mensagens instantâneas), baseados na coletividade (os usuários participam
como indivíduos dentro de uma coletividade em conjunto com as bibliotecas; comunidades
virtuais formadas em mídias como Facebook e Google Plus são exemplos).
Todos esses conceitos e características relacionadas ao uso das tecnologias web, no
caso web 2.0, pelas bibliotecas estão imbricadas aos questionamentos que emergem em
relação aos profissionais bibliotecários, às questões políticas das instituições a que se
reportam as unidades, o desenvolvimento contínuo das tecnologias e os próprios usuários.
Logo, não adianta somente atentar-se as possibilidades que as tecnologias web podem
fornecer e esquecer questões cruciais como resistências de profissionais de cunho tradicional,
bem como, necessidades de estudos em busca de novos produtos e serviços na web,
compreensão de demandas dos coordenadores e pró-reitores e avanço exponencial dos
recursos web 2.0.
Bax (1998) aponta para um arcabouço teórico desenvolvido pela ciência da
informação, uma vez que as pesquisas fomentam à necessidade de formação e capacitação
para os profissionais da área, tendo em vista as possibilidades de atuação das unidade s de
informação no ambiente web. Reforça-se, então, “a necessidade premente em formar
profissionais capazes de entender os mecanismos de criação e disponibilização de recursos
digitais na Internet” (BAX, 1998, p. 6).
Ciente das especulações e predições abordadas na fundamentação, a seguir
descreveremos algumas plataformas de web 2.0 que podem servir de produtos e serviços
informacionais no âmbito das BU.
2.3 Recursos Informacionais Web 2.0
Consideram-se recursos informacionais web 2.0 aquelas ferramentas que contém
propriedades (colaboração, interatividade, compartilhamento) dessa geração da plataforma
web. Conforme adiantado, descrevemos abaixo algumas definições e características de
algumas dessas ferramentas. Na literatura, a partir do levantamento bibliográfico,
encontramos alguns tipos de organização e classificação dos recursos de acordo com suas
peculiaridades. Não centralizamos em um só autor, apenas buscamos elencar conforme as
especialidades de cada recurso e algo próximo do que fizeram os pesquisadores, que servem
como aporte teórico-metodológico para o estudo.
Recursos sob o enfoque das trocas de informações síncronas são comumente
chamados Messenger, Mensagens Instantâneas ou Chats. Estes focam na interatividade
através de mensagens de textos entre indivíduos. Segundo Maness (2007), as bibliotecas

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começam a utilizar esses produtos para prover serviços de “referência por chat”, de modo que
os usuários possam se comunicar sincronamente com profissionais bibliotecários como se
fosse face-a-face. Já Rosa (2008), afirma que “este serviço pode ser utilizado para perguntas
específicas que envolvam pesquisas, estudo, indicações ou perguntas casuais como horário de
funcionamento, localização de materiais entre outros”.
Fato é que, atualmente estes recursos de mensagens instantâneas contêm
características dos chamados Streaming Media ou Transmissão de Mídias (tradução livre).
Digamos que é uma completude dos Messengers, pois contém características próximas, mas
tem o intuito de acrescentar o leque de possibilidades de formas de interatividade, isto é, não
só texto enquanto uma explanação estática, mas de áudio e vídeo em uma interação mais
dinâmica (MANESS, 2007).
Já os Sites de Redes Sociais são recursos da web 2.0 que se concretizam meios de
formação para as redes sociais, ou seja, uma ferramenta. Para Recuero (2009) uma mídia
social só se qualifica como uma rede social na web quando existe interação entre atores ou
coletivos

(indivíduos

ou

grupos

de indivíduos

compartilhando de

informações,

dialogando), e não somente a ligação via software. Exemplos dessas mídias sociais podem ser
o Facebook e o Google Plus. Também são formadas redes sociais no microblogging3 Twitter.
Blogs e Wikis possuem especificidades próprias da web 2.0. Têm características de
publicação que se prolifera rápido em compartilhamentos e em larga escala. “Eles habilitam a
produção e o consumo rápidos de publicações baseadas em web” (MANESS, 2007, p. 47).
Existem outros recursos como RSS Feed e Folksonomia com enfoques na organização,
disseminação e rotulação de outros sites, blogs e etiquetas, respectivamente.
Além disso, percebem-se na literatura (MANESS, 2007; CONTI E PINTO, 2010;
AGUIAR E SILVA, 2014) as similaridades e diferenças conceituais e de interpretação dos
recursos web 2.0.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
3.1 Tipo de Pesquisa
Trata-se de uma Pesquisa Bibliográfica e Exploratória, a primeira sendo aquela que se
constitui em materiais já elaborados, publicações, tendo um enfoque na análise de
informações em artigos, livros etc., e a segunda focada no registro e análise dos fenômenos
3

Um mecanismo de pequenos dados e textos de blogs que permite aos usuários compartilharem informações em
textos, imagens e vídeos.

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estudados com busca e identificação de suas causas e efeitos através da aplicação da
interpretação possibilitada pelos métodos quantitativos e qualitativos (RICHARDSON, 1999;
GIL, 2007).
Neste caso, a pesquisa bibliográfica é realizada sob um levantamento bibliográfico em
o campo da Ciência da Informação e da Biblioteconomia, especificamente em periódicos
eletrônicos dessas áreas, sobretudo, em revistas brasileiras, para explorar os elementos
teórico-metodológicos em torno dos objetos/fenômenos em estudo.
3.2 Universo e Amostra da Pesquisa
O universo de um estudo corresponde ao conjunto de dados envolvidos na pesquisa.
De modo mais preciso, de acordo com Richardson (2008), trata-se do conjunto de elementos
que possuem determinadas características, como uma população específica que se efetiva em
torno dos objetos e fenômenos estudados. O universo deste são as bibliotecas centrais
público-universitárias federais, pertencentes aos Sistemas de Bibliotecas.
Considerando a totalidade das unidades supracitadas, entende-se como amostra do
estudo somente os recursos das bibliotecas centrais das capitais de cada estado brasileiro.
Nesse sentido, segundo Richardson (2008, p. 158), a amostra é “qualquer subconju nto do
conjunto universal ou da população”.

4 COLETA E SISTEMATIZAÇÃO DOS DADOS
A coleta e a sistematização dos dados são realizadas empiricamente em dois
momentos, a saber: a fase bibliográfica e a fase descritiva. A primeira, trata-se da realização
de levantamentos bibliográficos em periódicos eletrônicos da Ciência da Informação e da
Biblioteconomia; e em um segundo momento, busca-se explorar e descrever analiticamente
de forma sistemática os elementos e propriedades do corpus da pesquisa, através de duas
técnicas de análise: a Análise de Conteúdo (AC) e a Netnografia.
De acordo com Bardin (1977), a AC permite deduções lógicas (inferências) a partir de
descrições analíticas em mensagens de vários tipos de materiais, sejam textos , áudios, vídeos
etc. Aqui se realizam inferências e, por conseguinte, descrições a partir dos textos de
periódicos eletrônicos, bem como em materiais na internet referentes aos recursos.
Além disso, para Amaral, Natal &amp;Viana (2008), a netnografia 4 ou etnografia virtual é
uma prática metodológica que busca observações em objetos da comunicação virtual, sejam

4

O neologismo “netografia” (nethnography = net + ethnography).

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fases do processo de adoção [as mídias], mas proporcionar uma experiência
para o usuário de bibliotecas universitárias capaz de creditar estas
ferramentas como algo de que o usuário venha a participar.

Constamos, portanto, que as bibliotecas avaliadas, têm buscado se aproximar dos
relacionamentos virtuais com seus usuários, reafirmando sua representatividade e imagem no
ciberespaço, na web. A respeito, Maness (2007) afirma que as bibliotecas passam a utilizar
esses recursos para mediar a informação de forma virtual com seus usuários. Com isso, houve
a possibilidade de identificar que a mediação da informação realizada por estas bibliotecas
não somente se reduz ao seu espaço e relacionamento físicos, se constituindo, deste modo, no
espaço virtual.
Quanto à outra mídia, o Twitter, através das análises netnográficas, verificamos que,
em sua maioria, os tweets (mensagem disseminada em até 140 caracteres) foram utilizados
por seus usuários de forma bastante satisfatória. Vimos que estas estão disseminando através
de seus tweets, informações que de modo geral, são sempre relacionadas ao marketing da
instituição, a eventos, à leitura e cultura, à interação com os usuários e notícias em geral.
Em outro momento, por meio da leitura dos tweets postados pelas bibliotecas, foram
analisados alguns dos serviços prestados por estas unidades. Desse modo, a netnografia, com
base na etnografia, conforme ressalta Geertz (2001), nos possibilita fazer uma leitura de
informações, por meio de dados expostos em tweets.
Observamos que há uma divulgação dos serviços internos das bibliotecas como
horário de funcionamento; Disseminação Seletiva de Informação 7 (DSI); divulgação de novos
produtos adquiridos pela biblioteca; visita orientada pelos bibliotecários ou outros servidores
da mesma; disponibilidade de acesso a normas técnicas; informações sobre o acervo;
divulgação de eventos e cursos realizados na Universidade a qual a biblioteca pertence e em
outras instituições afins; divulgação de informações relacionadas à leitura e à cultura, etc.
Em uma análise sobre o uso do Twitter pelas bibliotecas universitárias federais
brasileiras Silva, Albuquerque, Paula e Oliveira. (2012), aventam que estas unidades têm a
preocupação que as informações postadas sejam constantemente atualizadas, visto que assim,
há a possibilidade dos usuários se apropriarem de informações de forma rápida e atualizada.
Notamos que apenas 2 (duas) bibliotecas das 27 que utilizam algum recurso web 2.0,
usam a mídia de fotos Instagram. Este recurso é utilizado para divulgação de novos materiais
adquiridos pela biblioteca como postagens de imagens e frases relativas a específicos livros e
7

Para Cunha e Cavalcanti (2008, p. 130), DSI é uma “difusão automática, selecionada, permanente e
personalizada de informações correntes, relativas a assuntos específicos [...]”

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às leituras, e de respostas de outros perfis de Instagram em áreas afins. Segundo, Maness
(2007) este tipo de mídia possibilita que os usuários fiquem sabendo e compartilhem
simplesmente ao verem as coleções dos outros. Isto é, utilizam este recurso para divulgar
livros em destaque e incentivar à leitura, além de colaborar com outros usuários e outras
unidades através de seus perfis.
No caso do Foursquare, é um recurso um pouco diferente das plataformas web 2.0
tratadas no referencial. Pois, ele uma rede geossocial e um microblogging que possibilita
através de “check-in” os usuários compartilharem informações em textos e imagens
mostrando sua localidade, permitindo, portanto, a localização de contatos próximos da sua
região local.
Assim, usuários de bibliotecas podem utilizar do Foursquare8 para efetuar seus
“check-ins” e interagir sua localidade com outros usuários. Isto é, realizar um “cheguei na
biblioteca... Estou lendo”, além compartilhar, claro com a própria unidade. Ou seja, a
biblioteca fica sabendo quando seu usuário está presente. E dependo da interação, qual a
leitura. É desse modo que se vem constituindo os novos conceitos de sociedade,
especificamente, dentro de espaço complexos como são as bibliotecas, uma vez que as
interações passam a ser entre diversos atores, sejam humanos (usuários) ou não humanos
(celulares, mídias sociais) elementares, intersubjetivamente (TARDE, 2006).
Já o Flickr é um site que permite consideravelmente a formação de redes sociais,
através do compartilhamento e interatividade de imagens. Além disso, possibilita o usuário
indexar suas imagens por etiquetas – termos chaves que facilita a recuperação da imagem,
mecanismo comumente chamado de Folksonomia (BLATTMANN; SILVA, 2007; ROSA,
2008).

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Sabe-se que os usuários a cada dia estão presentes na internet e utilizando recursos
web 2.0. Então, pode-se dizer que as bibliotecas precisam se inserir nesses espaços, visto que
lhe são propiciadas novas ferramentas que possibilitam a adaptação e mudança de paradigmas
dos produtos e serviços prestados à comunidade usuária.
É fato que as bibliotecas universitárias federais do Brasil utilizam consideravelmente
alguns recursos web 2.0, em contraponto, há uma considerável insuficiência no uso tendo em
8

Lembremos que atualmente, este recurso está dividindo em dois aplicativos. Sendo ele próprio direcionado às
dicas de lugares como restaurante, locais diversos, ou seja, recomendações; e, o Swarm, este por sua vez, é mais
direcionado aos serviços antes prestados pelo Foursquare de compartilhamento de localização geográfica.

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vista a pluralidade de recursos com características e objetivos diferentes. Portanto, torna -se
necessário que estas unidades estejam mais próximas aos seus usuários e, assim, se adaptarem
com novos produtos e serviços, para que possam satisfazer às necessidades informacionais de
seus usuários. E consequentemente, é preciso que os profissionais bibliotecários estejam
atentos às mudanças em relação aos recursos de web 2.0.
Por fim, entendemos que há uma necessidade de maiores aprofundamentos nos
elementos teórico-metodológicos e empíricos relacionados à temática, e consequentemente,
ao estudo. De modo que se possa trabalhar as bases conceituais e teóricas, além de maiores
detalhes nas observações em realização das técnicas e dos próprios objetos analisados. Se
fazendo necessário, de fato, novas discussões em se tratando de uma temática tão dinâmica e
atual.

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&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S141399362013000200011&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. Acesso em: 4 mar. 2016.

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              <text>Estudo em decurso sobre os recursos web 2.0 que podem ser utilizados pelas bibliotecas universitárias no contexto da sociedade em rede. Problematizamos os recursos web 2.0 como produtos e serviços informacionais de bibliotecas público-universitárias federais do Brasil. Identificamos e descrevemos as características desses recursos utilizados pelas bibliotecas público-universitárias federais do Brasil. Tratamos como uma pesquisa bibliográfica e exploratória. Fazemos uma revisão de literatura, utilizando levantamentos bibliográficos em periódicos eletrônicos do campo da Ciência da Informação e da Biblioteconomia. Utilizamos a Netnografia e a Análise de Conteúdo para sistematizar as coleta e análise dos dados. O universo da pesquisa se constitui nas bibliotecas centrais público-universitárias federais, pertencentes aos Sistemas de Bibliotecas de cada estado. Constatamos que poucas bibliotecas universitárias utilizam recursos web 2.0, em destaque o Facebook e o Twitter. Além de pontuar a necessidade maiores aprofundamentos teórico-metodológicos, bem como a aproximação do bibliotecário em relação aos recursos web 2.0.</text>
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