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                  <text>SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL: CAMPANHA PELO
SILÊNCIO NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UFU
Maira Nani França (UFU) - mairanani@hotmail.com
Guilherme Augusto da Silva Gomes (UFU) - guilhermeaugg@gmail.com
Resumo:
As universidades, e consequentemente suas bibliotecas, como espaços públicos urbanos
fomentam a interação social de distintos grupos de indivíduos. Na busca de se conquistar um
ambiente equilibrado, adequado e agradável, em 2013, foi implantado o Projeto Campanha
pelo Silêncio e uso adequado das bibliotecas do SISBI, objeto de estudo deste trabalho.
Motivados pelos resultados obtidos e pela temática deste XIX Seminário Nacional de
Bibliotecas Universitárias (Manaus, 2016): A Biblioteca Universitária como agente de
sustentabilidade institucional, com este trabalho propõe-se compartilhar com os demais
colegas uma das ações de sustentabilidade desenvolvidas pelo SISBI/UFU, bem como
disponibilizar a arte do material gráfico, em arquivos abertos, utilizado na campanha
educativa para que outras bibliotecas possam implementá-la, caso tenham interesse.
Palavras-chave: Poluição sonora. Educação de Usuários. Espaço e Uso das Bibliotecas.
Campanha pelo Silêncio. Sustentabilidade institucional.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Políticas Institucionais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução/Revisão de Literatura
As universidades, e consequentemente suas bibliotecas, como espaços públicos
urbanos fomentam a interação social de distintos grupos de indivíduos. A concentração
populacional nos grandes centros urbanos, por um lado, sempre contribuiu diretamente para
sua evolução, porém este “inchaço” cada vez mais tem interferido negativamente na
sustentabilidade ambiental.
Desde 1994, a Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho
estabeleceu a obrigatoriedade de toda instituição identificar os riscos ambientais e, elaborar e
implementar um programa de prevenção “visando a preservação da saúde e da integração dos
trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e consequente controle da
ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho”
(BRASIL, 1994), ancorada nas três premissas básicas que definem a sustentabilidade: o viés
econômico, social e ambiental. A normativa indica os cinco principais riscos ambientais, a
saber: os físicos (ruídos, vibrações, frio, umidade, etc.), químicos (poeiras, fumos, gases, etc.),
biológicos (fungos, parasitas, etc.), ergonômicos (postura inadequada, esforço físico, etc.) e de
acidentes (iluminação e armazenamento inadequados, animais peçonhentos, etc.).
Dentre as variáveis que condicionam as ações e atividades humanas que visam suprir
suas necessidades, destaca-se o ambiente sonoro em constante transformação, cada vez mais
ruidoso nos espaços públicos, com recorte específico, neste trabalho, para as bibliotecas
universitárias. As bibliotecas que integram o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal
de Uberlândia (SISBI/UFU) vêm enfrentando, principalmente, nos últimos anos, um grande
problema em relação ao excesso de ruídos nos espaços destinados para estudo, quase sempre
desrespeitando o limite máximo de decibéis permitidos normatizado pelo Ministério do
Trabalho, Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), conforme apontado na Figura 1.
Figura 1 – Escala de decibéis

Fonte: Magano (2012).

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Infelizmente não há uma cultura pelo silêncio e uso adequado estabelecido para estes
ambientes. Inúmeras são as reclamações recebidos pelos gestores, tanto pelos servidores da
unidade, quanto pelos usuários registradas através de e-mails, pessoalmente e pela avaliação
da Comissão Própria de Avaliação (CPA)1, que somadas às orientações de consultores de
parceiros em busca de um melhor ambiente de trabalho e de estudo, já realizadas pelo
SISBI/UFU, evidenciaram a necessidade de intervenção para mitigação dos efeitos
ambientais, sociais e econômicos do ruído nas bibliotecas. Na busca de se conquistar um
ambiente equilibrado, adequado e agradável, em 2013, foi implantado o Projeto Campanha
pelo Silêncio e uso adequado das bibliotecas do SISBI, objeto de estudo deste trabalho.
Motivados pelos resultados obtidos e pela temática deste XIX Seminário Nacional de
Bibliotecas Universitárias (Manaus, 2016) A Biblioteca Universitária como agente de
sustentabilidade institucional, com este trabalho propõe-se compartilhar com os demais
colegas uma das ações de sustentabilidade desenvolvidas pelo SISBI/UFU, bem como
disponibilizar a arte do material gráfico, em arquivos abertos, utilizado na campanha
educativa para que outras bibliotecas possam implementá-la, caso tenham interesse.

2 Materiais e Métodos
2.1 O projeto
A Campanha pelo Silêncio foi planejada, como uma campanha a ser aplicada
semestralmente nas bibliotecas da UFU, para educar os usuários para a cultura de silêncio e a
utilização consciente do espaço das bibliotecas.
Definiu-se como objetivo principal a reeducação dos usuários sobre a forma de
utilização do espaço das bibliotecas do SISBI, conscientizando-os sobre a necessidade de
manutenção do silêncio e objetivos secundário:
a) criar condições para que os usuários possam refletir sobre os inconvenientes do
excesso de barulho;
b) propor parceria com usuários para aumentar a tranquilidade no ambiente das
bibliotecas, incentivando-os a manterem silêncio nos locais de estudo;
c) propiciar aos usuários um ambiente adequado para estudo e leitura.
Como público alvo apontou-se a integralidade dos usuários de todas as bibliotecas do
SISBI/UFU e também os transeuntes desse ambiente, como foco na comunidade universitária
das Bibliotecas do campus Santa Mônica e do Pontal, onde o problema do excesso de ruído é
mais a acentuado.
Por entender que o processo educativo é algo contínuo planejou-se a implantação da
campanha por meio de ações intercaladas semestralmente divididas em três fases.
a) Fase 1 e 3 – Silêncio nas bibliotecas (15 a 26/07/13 e 11 a 22/11/13);
b) Fase 2 e 5 – Pausa das atividades. Desenvolvimento da Campanha Preservação
do acervo e da Biblioteca;
c) Fase 4 e 6 – Retomada da Campanha para o Silêncio (9 a 28/09/13 e 17/02 a
01/03/14).
O material gráfico utilizado na campanha foi composto de expositores (displays)
afixados nas mesas de estudo das bibliotecas, no formato de prisma, em quatro modelos, com
nome, símbolo, slogan e mensagens relacionadas ao tema da campanha (Anexo A);
marcadores de livro com o tema da campanha (Anexo B), distribuídos aos usuários no Setor
de Circulação; cartaz com informações sobre a campanha (Anexo C); banner representativo
1

Comentários de discentes, docentes e técnicos administrativos, a respeito do excesso de barulho nas bibliotecas:
2010 – 5 registros; 2011 – 10 registros; 2012 – 6 registros.

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da campanha, simbolizando o pedido por silêncio (Anexo D) e cards de advertência e
parabéns. O material utilizado na Campanha foi confeccionado na gráfica da universidade,
conforme descrição, especificação e distribuição indicadas abaixo:
a) displays de mesa2 – 1.000 unidades, sendo 250 de cada modelo (Quadro 1);
b) marcadores de livro3 – 5.000 unidades, sendo 2.500 de cada modelo (Quadro 2);
c) cartazes4 – 150 unidades (Quadro 3);
d) banners5 – 8 unidades;
e) cards6 – 1.800 unidades, sendo 900 de cada (Quadro 4);
f) camisetas – 250 camisetas, sendo 2 para cada servidor das bibliotecas do SISBI.
Ficou definido que os displays seriam afixados sobre as mesas de estudos em grupo ou
individual com uma fita adesiva. O posicionamento do prisma (centro, lado esquerdo ou
direito) ficaria a critério da equipe do Setor de Referência. Cada biblioteca receberia uma
quantidade a mais em relação à quantidade de mesas existentes para reposição, se necessário,
de algum prisma que pudesse ser danificado ou extraviado.
Quadro 1 - Quantidade de display de mesa por modelo e por biblioteca
Texto do Modelo
Evitar conversas pelo cel...
Falar mais perto...
Esticar as pernas...
Silêncio, paz e estudo...
Total

MON UMU
120
70
120
70
120
70
120
70
480
280

Quantidade por Biblioteca
FIS ESB HCU PON MTC PAT TOTAL
10
5
2
25
10
10
252
10
5
2
25
10
10
252
10
5
2
25
10
10
252
10
5
2
25
10
10
252
40
20
8
100
40
40
1008

Recomendou-se que os marcadores de livros fossem preferencialmente distribuídos
nos Setores de Circulação das bibliotecas após o empréstimo de obras.
Quadro 2 - Quantidade de marcadores de livro por biblioteca
Texto do Modelo
O barulho incomoda...
Cada um tem seu jeito...
Total

MON
1.200
1.200
2400

Quantidade por Biblioteca
UMU FIS ESB HCU PON MTC PAT TOTAL
500 100
200
20
280
100 100
2500
500 100
200
20
280
100 100
2500
1000 200
400
40
560
200 200
5000

Os cartazes foram encaminhados à secretaria das Bibliotecas Santa Mônica e
Umuarama e aos responsáveis pelo Setor de Referência das demais bibliotecas setoriais, para
que se responsabilizassem com o envio às coordenações de curso de seus respectivos campus,
ao DCE7, bem como, garantir que o cartaz fosse afixado em locais de grande visibilidade,
como biblioteca, cantina, centro de convivência, entre outros. O Setor de Comunicação e RH
(SECOM) da biblioteca central se responsabilizaria pelo envio do material a Reitoria/ViceReitoria e demais pró-reitorias.
2

F/11 x 38,5 cm (aberto). F/11 x 15,5 cm (fechado) com 7cm de base. 4x0 cores. Papel Duplex 350g. 3 dobras.
Vincos. Acabamento com cola.
3
F/6x20 cm. 4x0 cores. Duplex 350g. Corte reto.
4
F/29,7 x 42,0 cm. 4x0 cores. Couchê fosco 170g.
5
F/0,90 x 1,40m. Impressão digital em lona. Acabamento com tubete, ponteira e cordão.
6
F/ 10 x 5 cm. 4x0 cores. Couchê fosco 230g.
7
Biblioteca Central Santa Mônica e setoriais Umuarama e Itutiutaba.

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Quadro 3 - Quantidade de cartazes por biblioteca
Quantidade por Biblioteca
Modelo

MON

Cartaz

UMU

80

15

FIS
10

ESB

HCU

5

5

PON
15

MTC
10

PAT
10

TOTAL
150

Os banners deveriam ser disponibilizados dentro da biblioteca em um local de grande
visibilidade, de preferência próximo à área de maior foco do problema: ambientes de estudo
em grupo e os cards distribuídos aleatoriamente por alunos indicados pelo DCE, em horários
esporádicos, pré-determinados, a ser combinado com a chefia do Setor de Referência de cada
biblioteca.
Quadro 4 - Quantidade de cards por biblioteca
Texto do Modelo
Advertência
Parabéns
Total

MON
300
300
600

Quantidade por Biblioteca
UMU
FIS ESB HCU PON MTC PAT TOTAL
70
65
70
5
250
70
70
905
70
65
70
5
250
70
70
905
140 130 140
10
500
140 140
1800

A equipe definiu que as camisetas (Anexo F) a serem utilizadas na segunda fase da
campanha seriam adquiridas por meio de patrocínio.
Durante o período de aplicação da campanha, foi previsto intervenções nas bibliotecas
por colaboradores voluntários da comunidade acadêmica8. Para a primeira fase definiu-se que:
em períodos pré-determinados seria atribuído um cartão que incentivasse a colaboração pelo
silêncio, a partir do comportamento dos usuários. Por exemplo, era entregue um card (Anexo
D1), aos usuários que estavam conversando com o volume de voz alterado e um card (Anexo
D2) para aqueles que estavam contribuindo com a cultura do silêncio nos ambientes
destinados a estudo e apresentação de vídeo educativo com uma passagem do filme Asas do
Desejo9, do diretor Wim Wenders, lançado em 1987, nos monitores de WebTVs
disponibilizados nas bibliotecas. Para o segundo semestre previu-se além das atividades
planejadas para a primeira fase, a utilização de camisetas personalizadas com o mote da
8

Discentes indicados pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) de Uberlândia e Ituiutaba e discentes dos
cursos de teatro, dança e artes de Uberlândia.
9
“O filme se desenvolve no interior da Biblioteca Estatal de Berlim e arredores [...]. Os anjos [...] caminham
(deslizam) pelos corredores. [...]. Leitores, estantes e mesas enfileiradas. Passeamos com eles e, aos poucos,
vemos outros anjos na Biblioteca. Sabe-se que são anjos porque se cumprimentam com leves sorrisos e com
movimentos assertivos de cabeça. [...] Anjos-bibliotecários que guardam os leitores e auxiliam os estudantes.
[...] demonstram gostar daquele ambiente, sentem-se à vontade na biblioteca. Ouvem-se murmúrios, sussurros.
Vozes mentais dos leitores que, num crescente, formam uma Babel. [...] De repente, um velho sobe pelas
escadas. É Homero, um contador de histórias. [...] é o único a quem podemos ouvir. Cansado, ofegante,
lamenta não ter mais a quem contar histórias: "Com o tempo, aqueles que ouviam a mim, tornaram-se meus
leitores. Não sentam mais em círculo, mas a sós. E um não sabe nada do outro. Sou um velho de voz fraca, mas
o conto ainda surge do fundo." A biblioteca não é somente o lugar da memória. É o único lugar onde se
consegue um átimo de paz em meio à cidade arruinada. O lugar da concentração. É também a "nave da
narrativa" onde mora a palavra que tem os anjos como sentinelas. (Breschand, 1997, p. 99) [...] Homero folheia
um livro de imagens. Retratos de velhos. Imagens do século no livro de August Sander, Hommes du XXe
Siècle. Assim, além de preservar a memória, a biblioteca se transforma também no lugar da reminiscência
(Breschand, 1997, p.101). [...] A biblioteca de "Asas do desejo" é o lugar da humanização (dos anjos) e da
cultura. Lugar onde a memória não apenas está guardada, mas de onde ela se desprende para circular entre os
leitores. Lugar que abriga a palavra e que acolhe e torna possível a narrativa”. Cf.
http://www.ofaj.com.br/imagemsemelhancas_conteudo.php?cod=2.

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campanha pelos servidores das bibliotecas, além de performance de pedido de silêncio,
realizada pelos discentes do curso de teatro, dança e arte da universidade e mobilização para
que todos os usuários e servidores, em uma data pré-determinada, fossem estudar/trabalhar
com uma camiseta branca, em prol do silêncio nas bibliotecas.
Planejou-se divulgar a campanha na página eletrônica da UFU e da biblioteca, nas
redes sociais do SISBI (Facebook e Twitter), correio eletrônico10, chamadas no rádio e na TV
universitária e material gráfico (cartazes, displays de mesa, marcadores de livro, totens,
adesivos). Também foi previsto o lançamento oficial da campanha durante as atividades de
recepção dos ingressantes dos campi, antecedido pelo lançamento interno nas bibliotecas do
SISBI, como uma ação de marketing institucional voltada para o público interno
(endomarketing), com objetivo de apresentar o projeto aos servidores do SISBI, conscientizálos da importância e dimensão do projeto e convidá-los a serem parceiros/multiplicadores
desta ideia.
Ao final da campanha previu-se uma avaliação pelo público por meio de uma enquete
a ser disponibilizada na página eletrônica da biblioteca e do Facebook, bem como uma
avaliação interna a ser realizada pelos servidores através de um pequeno questionário
divulgado na lista de discussão do SISBI.
A etapas de planejamento, execução, acompanhamento e avaliação da campanha foi
composta por uma equipe interdisciplinar a saber: bibliotecários de referência (responsáveis
pelo acompanhamento das etapas da campanha, reedição do projeto), assistentes
administrativos (responsáveis pela criação e elaboração da parte gráfica e marketing e,
preparação e execução da campanha); bibliotecária coordenadora de atendimento (responsável
pela coordenação e supervisão da campanha), representante docente (responsável pela
idealização do projeto, acompanhamento e aconselhamento) e representantes discentes
(parceiros na divulgação e conscientização dos discentes).

2.2 Defesa da Identidade visual da comunicação
A Campanha pelo Silêncio na consecução de sua proposição contou com reuniões para
discussão do mote e da proposta para formulação das ideias para a identidade visual. Nas
dinâmicas de grupo utilizadas para concepção e desenvolvimento desta etapa – a
brainstormings, na terminologia da administração e marketing – realizados, suscitou-se a
necessidade de uma campanha educativa que passasse aos usuários das bibliotecas da UFU
uma ideia de paz e calma e da necessidade de silêncio no ambiente, que fosse de uma
comunicação de forma educativa e não coercitiva.
Para o tema da campanha foi definido que seriam utilizadas as imagens de anjos. A
inspiração para esse tema surgiu a partir do filme Asas do Desejo, no qual continha a cena de
uma biblioteca que as pessoas estudavam em silêncio e os anjos se faziam presentes. A
imagem de anjos também pode ser associada com a tradição judaico-cristã que considera
esses seres entidades mensageiras de Deus. Sendo mensageiro do que se considera divino na
cultura da maioria dos usuários das bibliotecas, a imagem de anjos na campanha visava
geração de impacto positivo com a comunicação visual e sua proposta de silêncio. Em alguns
momentos, foram utilizados anjos também com fones de ouvido, fazendo alusão ao barulho
no espaço da biblioteca.
Na parte não-verbal da campanha, ou seja, nas imagens, foram utilizados dois anjos
um com livro nas mãos para remeter especificamente ao espaço da biblioteca e outro com
fones de ouvido, aludindo a um barulho mínimo, mas que ainda assim incomodava o outro.
10

Envio de memorando com cartazes à Reitoria, vice-reitora, Pró-reitorias, diretorias de unidades
acadêmicas/administrativas e DCE.

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Nas cores, optou-se pela utilização do azul claro em contraste com branco primordialmente e
verde/rosa para a roupa dos anjos. O azul, a partir da psicodinâmica das cores em
comunicação, possui associação afetiva com paz, serenidade, espaço, infinito e sentimento
profundo. O branco com limpeza, paz e divindade. Dessa forma, essas cores predominantes e
associadas, conferiam a intenção de comunicação pelo silêncio.
Para as letras utilizadas no layout, no título optou-se por fontes não-serifadas. As
serifas são os traços finais nas letras que conferem a elas pontas ou linhas que estilizam as
letras de forma a parecer mais próximas de uma caligrafia, como exemplo, a fonte Times New
Roman. As fontes não-serifadas são mais curvilíneas e com menos traços, dando assim mais
leveza e fluidez às peças, como exemplo a fonte Arial. Além disso, optou-se por uma escrita
não cursiva, dando mais conforto ao layout e leitura para quem visse a comunicação mais
distante. Para a parte verbal da campanha optou-se pelo título “Asas do Silêncio”, inspirada
pelo filme Asas do Desejo, citado anteriormente. A associação, ao ler o título, deveria ser do
ponto fundamental da campanha, portanto, a palavra “silêncio” foi indispensável. E, para ligar
as imagens da comunicação com os textos, a palavra “asas” foi escolhida por ser uma imagem
associativa com leveza e com os anjos.
Nos textos explicativos, a linguagem utilizada foi a coloquial, bem como nos balões de
expressões de pensamento de um dos anjos foi utilizada a linguagem da internet de hashtags e
de uma abreviação bastante utilizada da expressão “só que não”: “sqn”, comumente utilizada
de forma irônica para repreender ou ironizar a atitude de alguém, no caso da comunicação do
anjo que fazia barulho. Os grifos estavam ligados às palavras importantes na mensagem e que
estavam contrastados na campanha como: “barulho incomoda e atrapalha”, “aprender e se
concentrar”, “ambiente harmônico e de paz” e “evite grupos muito grandes e conversas”.
Todos os elementos combinados deram origem às peças de comunicação definidas
como fundamentais para alcance da campanha aplicada nas bibliotecas da UFU, incentivando
o silêncio e a paz nos espaços de estudo.

3 Resultados parciais/finais
Ao avaliar a Campanha pelo Silêncio a equipe conclui que esta iniciativa cumpriu o
objetivo de conscientizar os usuários sobre a importância do silêncio e do uso adequado das
unidades do SISBI/UFU. Seu desenvolvimento permitiu a criação de condições para que
servidores e usuários pudessem refletir sobre os inconvenientes do excesso de barulho;
envolver os usuários, como corresponsáveis no processo de aumentar a tranquilidade no
ambiente das bibliotecas, incentivando a preservação do silêncio nos locais de estudo e
propiciando um ambiente adequado para leitura.
Foi possível confeccionar todo material gráfico (displays de mesa, marcadores de
livro, cartazes, banners e cards). Por falta de patrocinador, as camisetas não foram
confeccionadas. Das intervenções, durante a aplicação da dinâmica de distribuição dos cards,
que até então seriam entregues pelos discentes do DCE, os servidores dos setores de
referência, motivados pelo resultado da campanha se organizaram e participaram ativamente
desta etapa de reeducação direta. Não foi possível firmar parceria como os cursos de teatro,
dança e artes, para o desenvolvimento das performances, considerando o excesso de
atividades extracurriculares programadas anteriormente.
Além da observação in loco, constatou-se por meio de análise dos relatórios da
autoavaliação institucional, que a categoria silêncio no ambiente das bibliotecas não tem sido
uma das fragilidades do SISBI/UFU como constado nas reclamações de 2011 a 2013, com
destaque para o ano de 2012, em que de acordo como relatório a categoria em questão foi
apontado pelos discentes que participaram do processo como um dos piores itens de avaliação
da universidade, classificado como péssimo/regular (UFU, 2012a). No Caderno de Respostas

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publicado pela CPA, em 2012, a partir dos comentários dos gestores das unidades avaliadas, é
possível identificar que a Campanha pelo Silêncio foi uma das ações propostas pelo
SISBI/UFU a fim de transformar suas fragilidades em potencialidades, conforme
exemplificado no trecho a seguir:
Outro exemplo a ser citado são os comentários referentes ao barulho na biblioteca,
os quais apareceram em quantidade significativa na avaliação institucional dos anos
de 2010, 2011 e 2012. No próximo semestre letivo (1º sem./2013), o SISBI, em 90
parceria com docentes dos cursos de Filosofia, Teatro, Dança e o Diretório Central
de Estudantes (DCE), lançará a campanha pelo silêncio “Asas do Silêncio” nas
bibliotecas. O objetivo é educar e conscientizar os usuários quanto à necessidade de
se usar adequadamente os espaços de estudo oferecidos pelas bibliotecas (UFU,
2012b, p. 89-90).

O lançamento da referida Campanha foi publicado no Relatório da CPA, de
2013, a saber: “Barulho - O SISBI lançou, em 2013, a Campanha “Asas do Silêncio”, em

parceria com docentes e discentes [...]. (UFU, 2013, p. 73). No mesmo documento é possível
identificar uma melhor avaliação das bibliotecas, pela comunidade universitária (discentes,
docentes e técnicos administrativos), na categoria silêncio no ambiente das bibliotecas, com
destaque para a Biblioteca Setorial Monte Carmelo que neste quesito foi considerada uma
potencialidade (81,3% - discentes; 89,7% - docentes; 89,2% - técnicos administrativos)
(Quadros 5 a 7). Na avaliação dos técnicos administrativos, além da Biblioteca Setorial Monte
Carmelo, as bibliotecas Setorial Patos de Minas (88,5%), Setorial Itutiutaba (Pontal) (72,2%)
e Setorial Umuarama (70%), também foram consideradas potencialidade, na categoria em
análise (Quadro 7).
Quadro 5 - Avaliação dos discentes dos cursos de graduação presencial em relação à
"biblioteca" nos campi da UFU

Fonte: UFU (2013).

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Quadro 6 - Avaliação dos docentes das Unidades acadêmicas ou Especiais de Ensino em
relação à "biblioteca" nos campi da UFU

Fonte: UFU (2013).
Quadro 7 - Avaliação dos técnicos administrativos das unidades em relação à "biblioteca" nos
campi da UFU

Fonte: UFU (2013).
Comparando os relatórios da autoavaliação institucional da CPA, no período de 2010 a
2014, é possível concluir que inicialmente a biblioteca era avaliada pela comunidade
universitária em 5 categorias, das quais o silêncio não era diretamente avaliado: instalações
físicas, atendimento ao usuário, equipamentos, automação do sistema e horário de
atendimento (UFU, 2010). P partir do relatório de 2012, observa-se ampliação das categorias
de avaliação, de 5 para 12, sendo o silêncio no ambiente uma delas:
Em relação às Bibliotecas, qual sua avaliação sobre: Iluminação; Ventilação;
Mobiliário e Equipamentos; Acessibilidade; Silêncio no ambiente; O atendimento
ao usuário; Automação do sistema; Qualidade e atualidade do acervo;
Disponibilidade da bibliografia básica; Horário de atendimento; Acesso à base de
dados científicos; Penalização por atrasos na devolução [...]. (UFU, 2012a, p. 6/8,
destaque nosso).

Após análise dos documentos publicados pela CPA, em 2014, é possível constatar que
a Campanha pelo Silêncio promovida pela SISBI/UFU, a partir de 2013, contribuiu
consideravelmente com o problema de excesso de ruído nos ambientes de estudo das
bibliotecas, uma vez que a categoria silêncio no ambiente não foi apontada como uma
fragilidade, conforme apresentado nos Quadros 5 a 7. Pelo contrário, identificou-se melhoria

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neste quesito, uma vez que algumas bibliotecas foram apontadas como potencialidades nesta
vertente.

4 Considerações parciais/finais
Realizar campanhas permanentes de conscientização para a responsabilidade no uso
das bibliotecas é uma das ações de fluxo contínuo propostas pelo SISBI/UFU, registradas no
Plano Institucional de Desenvolvimento e Expansão (PIDE) da universidade (UFU, [2015]).
Ao propor esta Campanha pelo Silêncio a equipe do SISBI/UFU pode alcançar seu
objetivo geral de reeducar seus usuários sobre a forma de utilização do espaço das bibliotecas,
conscientizando-os sobre a necessidade de manutenção do silêncio, uso adequado e
preservação do ambiente. O projeto apresentado e analisado foi pautado em princípios básicos
como:
a) RESPEITO: se vamos pedir respeito, devemos começar pelo exemplo dando
respeito aos outros, mesmo com quem esteja fazendo barulho ou com outro
comportamento inadequado;
b) PAZ: que seja uma campanha não-violenta, incondicionalmente pacífica;
c) PACIÊNCIA: o processo de educação, que implica a mudança da cultura
organizacional, é um trabalho que exige paciência, pois os resultados não serão
imediatos. Quando se trata de alterar a opinião pública é preciso um longo trabalho
de esclarecimento e campanhas dirigidas para os valores éticos e não para a razão;
d) DETERMINAÇÃO: a campanha deve ser intensa nos períodos de matrícula, início
e término de semestre, quando o uso da biblioteca é maior, com manutenção dos
sistemas de comunicação (avisos e instruções) constantes durante os intervalos.
Ao compartilhar os problemas11, anseios e resultados obtidos em uma prática
sustentável, orgânica e cíclica, os gestores das bibliotecas promovem ciclos de
desenvolvimento e ações de divulgação, conscientização e capacitação, na busca de se
conquistar um ambiente equilibrado, adequado e agradável no que se refere às questões de
responsabilidade social e sustentabilidade socioambiental das instituições de ensino superior.

5 Referências
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho.
Portaria nº 25, de dezembro de 1994. Aprova o texto da Norma Regulamentadora nº 9: riscos
ambientais. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 30 dez. 1994. Seção 1, p. 21.280-21.282.
Disponível em:
&lt;http://acesso.mte.gov.br/data/files/FF8080812BE914E6012BEA44A24704C6/p_19941229_
25.pdf&gt;. Acesso em: 17 mar. 2016.
MAGANO, Paulo. Decibéis: escala. In: CORREIA, Manuela. Opus 5. 14 out. 2012.
Disponível em: &lt;http://opus5dc.blogspot.com.br/2012/10/poluicao-sonora.html&gt;. Acesso em:
20 mar. 2016.

11

Notas dos autores: com a aprovação deste trabalho, toda a arte gráfica da Campanha será disponibilizada e
compartilhada na página do SISBI/UFU, para que outras bibliotecas, que tenham interesse, possam alterar
apenas a logo da instituição, imprimir os produtos e aplicar o projeto.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA. Comissão Própria de Avaliação.
Acompanhamento das metas (2010 a 2014) do Plano Institucional de Desenvolvimento e
Expansão (PIDE) da Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia, [2015]. Disponível
em:
&lt;http://www.cpa.ufu.br/sites/cpa.ufu.br/files/Acompanhamento%20das%20Metas%20do%20
PIDE.pdf&gt;. Acesso em: 14 abr. 2016.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA. Comissão Própria de Avaliação.
Autoavaliação institucional da Universidade Federal de Uberlândia: 2010. Uberlândia,
2010. Disponível em: &lt;http://www.cpa.ufu.br/sites/cpa.ufu.br/files/RelatorioAutoAvaliacaoInstitucional-UFU-2010.pdf&gt;. Acesso em: 14 abr. 2016.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA. Comissão Própria de Avaliação.
Autoavaliação institucional da Universidade Federal de Uberlândia: 2012. Uberlândia,
2012a. Disponível em: &lt;http://www.cpa.ufu.br/sites/cpa.ufu.br/files/RelatorioAutoAvaliacaoInstitucional-UFU-2012.pdf&gt;. Acesso em: 14 abr. 2016.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA. Comissão Própria de Avaliação.
Caderno de respostas: autoavaliação institucional da Universidade Federal de Uberlândia:
2012. Uberlândia, 2012b. Disponível em:
&lt;http://www.cpa.ufu.br/sites/cpa.ufu.br/files/Caderno_de_Respostas__Autoavaliacao_Institucional_UFU_-_2012.pdf&gt;. Acesso em: 14 abr. 2016.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA. Comissão Própria de Avaliação.
Relatório parcial de autoavaliação institucional da Universidade Federal de Uberlândia:
2013: primeira etapa do ciclo avaliativo. Relato institucional: parte 1. Uberlândia, 2013.
Disponível em: &lt;http://www.cpa.ufu.br/sites/cpa.ufu.br/files/Relatorio-Parcial-AutoavaliacaoInstitucional-UFU-2013_1.pdf&gt;. Acesso em: 14 abr. 2016.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Anexos
Anexo A – Modelos dos displays de mesa

Anexo B – Modelos dos marcadores de livro

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Anexo C – Modelo do cartaz

Anexo D – Modelo do banner

Anexo E – Modelos de cards

E1 – Card Advertência
E2 – Card Parabéns

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Anexo F – Modelo da camiseta

F1 – Camiseta Lateral
F2 – Camiseta Frente e Costas

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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>As universidades, e consequentemente suas bibliotecas, como espaços públicos urbanos fomentam a interação social de distintos grupos de indivíduos. Na busca de se conquistar um ambiente equilibrado, adequado e agradável, em 2013, foi implantado o Projeto Campanha pelo Silêncio e uso adequado das bibliotecas do SISBI, objeto de estudo deste trabalho. Motivados pelos resultados obtidos e pela temática deste XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (Manaus, 2016): A Biblioteca Universitária como agente de sustentabilidade institucional, com este trabalho propõe-se compartilhar com os demais colegas uma das ações de sustentabilidade desenvolvidas pelo SISBI/UFU, bem como disponibilizar a arte do material gráfico, em arquivos abertos, utilizado na campanha educativa para que outras bibliotecas possam implementá-la, caso tenham interesse.</text>
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