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                  <text>4.3

BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E CONTEXTO ACADÊMICO
*

Kira Tarapanoff
**
Rejane Raffo Klaes
Patricia Marie Jeanne Cormier***
RESUMO
O tratamento do tema se dá sob a perspectiva sistêmica e de planejamento
estratégico. É projetado um cenário de atuação para a biblioteca universitária em
relação ao novo paradigma tecnológico, e avaliada a sua situação interna, através
do diagnóstico situacional. Os elementos do diagnóstico foram levantados junto a
especialistas entrevistados, bem como através dos nove Seminários Nacionais de
Bibliotecas Universitárias (SNBU). Dentre as conclusões, destaca-se a necessidade
do resgate do conceito de sistema de bibliotecas universitárias, como a melhor
forma de otimizar recursos, e envolver a biblioteca universitária com um todo
sistêmico no controle, recuperação e disseminação da informação científica gerada
no País. Sugere-se ainda, a busca de um novo modelo de planejamento nacional
para o (novo) sistema que represente o consenso da classe.
1 INTRODUÇÃO

Na questão da

biblioteca universitária e sua relação com o contexto

acadêmico, coloca-se, imediatamente, o nível organizacional, a relação biblioteca e
universidade. Sabemos que no momento há pelo menos duas grandes questões
que estão afligindo a biblioteca e sua relação com a universidade:
• autonomia universitária, que está impondo um novo estilo de planejamento e
orçamento à biblioteca;
• restrições orçamentárias.

*
Professora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade de
Brasília/UNB
**
Bibliotecária da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
***
Bibliotecária

�4.3

Estes elementos são resultado de contingências ambientais que, em nível
nacional e internacional, se devem à pretensão de enxugar o Estado

e à

necessidade de conter os gastos públicos, numa sociedade global em crise
financeira, manifestada a partir dos choques do petróleo da década de 70.
No Brasil, a partir da década de 80, a crise econômica que se abateu sobre o
país, cujos reflexos maiores foram o processo inflacionário, o controle das
importações e a diminuição dos orçamentos do Setor Público, forçaram as
universidades a conviver com restrições orçamentárias crescentes, aliadas à
desvalorização acelerada da moeda e à burocracia das importações, que
dificultaram enormemente a implantação, manutenção e desenvolvimento de
laboratórios e bibliotecas (GARCIA, 1991, p. 4).
Pelo menos desde 1985, o Governo Brasileiro vem acenando com alterações
do seu papel no cenário nacional. O I Plano Nacional de Desenvolvimento da Nova
República (1985-1989) partiu da tese de que caberia ao Setor Privado o papel de
destaque no esforço de desenvolvimento do País, e ao Governo uma ação
complementar à iniciativa privada.
Na mesma linha, o Plano Plurianual de 1996 a 1999, que tem como premissa
básica a necessidade de consolidação da estabilidade conquistada graças ao Plano
Real, trabalha com a expectativa de uma participação importante do Setor Privado e
das outras esferas do Governo para viabilizar os seus investimentos e ações
(BRASIL/Ministério do Planejamento e Orçamento, 1996, p. 2,6).
De acordo com a classe dirigente, o modelo econômico do Estado como
impulsionador e mantenedor do desenvolvimento se esgotou e um novo modelo

�4.3

estaria em processo de elaboração, exigindo que as instituições participem do
mesmo. Essa participação inclui os estados e comunidades.
Não devemos nos esquecer que a questão da autonomia da universidade,
uma reivindicação antiga da comunidade, deve ser implantada em decorrência da
Constituição de 1988, que no artigo 207 afirma que as universidades “gozam de
autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial”.
Hoje, o Governo Federal está se preparando para adotar o princípio de
autonomia administrativa e financeira nas 39 universidades federais e quinze
faculdades federais isoladas. Para isso, está elaborando um projeto de orçamento
global para o Ensino Superior Federal, a partir da idéia que o conjunto de
universidades divida entre si um montante de recursos financeiros, fixado de acordo
com algum critério estável, e a partir daí cada uma administre independentemente
seus recursos humanos, custeio e investimentos (DANTAS, 1996, p. A-8).
As universidades vão ter que captar recursos de outras fontes, não apenas
do Governo Federal, e gerar receitas para sua auto-sustentação, tarefa bastante
difícil para quem sempre esperou, do ponto de vista de planejamento, receber do
Governo Federal os recursos necessários para o seu pleno funcionamento.
Polarizam-se as opiniões, e afirma-se, de um lado, que o modelo capitalista
de privatização total triunfou. Há posições do ponto de vista teórico e prático mais
equilibradas, como a de MINTZBERG (1996), ao advertir que não foi o capitalismo
que triunfou, mas o balanço das forças sociais que interagem em países de
economia livre, que possuem fortes setores público e privado, recebendo e
aceitando influência de setores que se posicionam entre esses dois pólos, tais como
organizações não governamentais (ONGs), associações e sindicatos.

�4.3

O mesmo autor sugere que este é o momento de se pensar uma nova
organização e de se colocar em equilíbrio forças sociais, econômicas e
administrativas que a afetam, e não pender para os extremos. Há papéis na
sociedade para diferentes tipos de organização. Há lugar para diversas
contribuições em áreas tais como a pesquisa, a educação e a informação.
Em seu artigo “Administrando o Governo e governando a gerência”,
MINTZBERG acrescenta que não é saudável, do ponto de vista econômico, colocar
o Setor Público de um lado e o Setor Privado de outro, como não é realista colocar o
Governo de um lado e a iniciativa privada de outro, capitalismo versus comunismo,
privatização versus nacionalização, auto-regulamentação dos mercados de negócios
versus interferência ou controles do Governo. Esta dicotonomia é limitada
(MINTZBERG, 1996, 75-76).
Haverá necessidade de uma melhor articulação das organizações para definir
seu papel na sociedade e seu impacto e contribuição para o desenvolvimento. As
organizações deverão buscar a melhor forma de se organizarem e de se
administrarem. No caso das bibliotecas universitárias, o primeiro passo é conhecer
as condições em que elas se encontram, para ampliar a sua preparação para a
mudança.
Não pretendemos neste debate propor um novo modelo organizacional e
administrativo para a universidade e a biblioteca universitária, mas enfatizar que
estamos numa fase de transição. Nesta fase um novo modelo, ou modelos, de
desenvolvimento econômico e social, estarão aparecendo, bem como novas formas
de se (auto)governarem as instituições, buscando o equilíbrio entre forças privadas
e estatais. Como exemplo podem ser citadas as três universidades estaduais de

�4.3

São Paulo, que desde fevereiro de 1989 colocaram em prática o conceito de
autonomia universitária (DANTAS, 1996).

2 METODOLOGIA

Nossa abordagem sobre o tema proposto será estratégica. Queremos
levantar os principais fatores externos que influem nas bibliotecas universitárias,
bem como discutir os seus principais pontos fortes e fracos internos.
A metodologia utilizada para identificar os fatores externos baseia-se em
levantamento da literatura e na projeção de cenário tendencial, tendo como marco
comparativo os novos paradigmas tecnológicos.
A metodologia utilizada para identificar os fatores internos baseia-se em:
• levantamento das recomendações emanadas dos oito Seminários
Nacionais de Bibliotecas Universitárias, SNBUs, ocorridos no período de
1978 a 1994;
• entrevistas com especialistas. Como o período entre a realização do 1° e
do último SNBU abarca dezesseis anos, complementarmente realizamos
nove entrevistas com especialistas selecionados para opinarem sobre a
permanência dos problemas e a validade das soluções propostas, bem
como para colher

sua visão estratégica sobre a situação da biblioteca

universitária no País. As entrevistas, realizadas do início de 1992 a maio
de 1996, incluíram personalidades nacionais expressivas na área,
buscando-se, inclusive, representatividade regional.

�4.3

A análise estratégica adota uma abordagem sistêmica de relações ambientais
que nem sempre se processam através da organização mantenedora da biblioteca
universitária. A característica da biblioteca universitária é a de uma organização de
prestação de serviços informacionais, em apoio às atividades de ensino, pesquisa e
extensão, de professores, pesquisadores e alunos da universidade, não se limitando
ao nível sistêmico organizacional

na busca da informação e conhecimento

necessários para essas atividades. O usuário, mercado e influência que recebe são
universais.
O planejamento estratégico deve estar voltado para o crescimento e/ou
desenvolvimento organizacional, muito embora, nos momentos em que as
mudanças, restrições e pontos fracos predominarem, esse planejamento deva
também sanear a crise e garantir a continuidade dos propósitos da unidade e sua
manutenção.
O planejamento estratégico preocupa-se com a visão do futuro analisando a
ambiência, identificando tendências, indicando como deverá ser a organização a
longo prazo, e estabelecer um benchmark, isto é, um ponto de referência decorrente
da comparação com outros sistemas similares, líderes na área, em nível nacional e
internacional. O planejamento estratégico visa, por outro lado, o aperfeiçoamento
contínuo, partindo da premissa de que é preciso subir degraus de competência, para
melhorar os serviços da organização (CAMP, 1993).

3 CENÁRIO EXTERNO

�4.3

Há características no cenário externo atual que sublinham a transição do
paradigma histórico, representado pelo esgotamento da Sociedade Industrial e sua
substituição pela Sociedade do Conhecimento.
Algumas das características da Sociedade do Conhecimento, levantadas por
vários autores (KING e SCHNEIDER, 1991; PORTER, 1993; PETRELLA, 1991;
DRUCKER, 1993; REICH, 1994), são:
• a economia torna-se global, com um mercado mundial dominado por bens e
serviços intensivos em conhecimento - aqueles em cujo custo total a parcela
correspondente ao trabalho intelectual criativo é significativa face ao custo dos
demais insumos;
• a competitividade das empresas e das nações passa a depender mais da educação
do povo e de sua capacidade de gerar e utilizar conhecimentos e inovações, do que
de vantagens comparativas clássicas, como mão-de-obra barata e recursos
naturais;
• os estados-nacionais tendem a renunciar parte de sua soberania, associando-se a
comunidades de nações, no âmbito das quais as culturas locais emergem como
virtuais regiões - estados; (por exemplo a União Européia, NAFTA e MERCOSUL;
• redes

optoeletrônicas

interativas, com alcance mundial e de capacidade

virtualmente ilimitada, propiciam à toda a população um extraordinário acesso à
informação;
• problemas cada vez mais amplos e complexos passam a exigir abordagens
pluridisciplinares e a sinergia das instituições;
• os Governos passam a agir mais como organizadores e menos como executores.

�4.3

A sociedade do conhecimento, apoia-se em canais de comunicação,
propiciados pelos novos paradigmas tecnológicos, e pelas novas tecnologias. A
optoeletrônica, surgida há trinta anos, permite a implantação de uma rede mundial
de cabos de fibras ópticas com número virtualmente ilimitado de canais de
comunicação. A microeletrônica quântica, ainda nos laboratórios, acena com a
possibilidade

de

supercomputadores

portáteis,

que

conectados

à

rede

optoeletrônica, podem provocar modificações quase inimagináveis nos rumos da
humanidade (SPOLIDORO, 1996, p.2).
Os novos paradigmas tecnológicos propiciam uma mudança social profunda,
popularizando e disponibilizando para as massas as novas tecnologias e a
telemática. Os avanços tecnológicos impõem quebras de conceito, como a
substituição de bibliotecas convencionais por redes optoeletrônicas, bancos de
dados e multimeios. Diante dessas mudanças o próprio conceito organizacional
modifica-se e surge a idéia da organização e da biblioteca virtual.
No conceito de organização virtual está embutida a sua mudança
paradigmática, que depende e se garante pela tecnologia informacional gerada pelo
computador e tornada viável pela telemática. É uma organização que se percebe
mas não se vê (MOWSHOWITZ, 1994).
A base da biblioteca virtual é a biblioteca eletrônica, a biblioteca que deve ser
inteiramente automatizada, dando a seus usuários acesso em linha, não somente a
catálogos, mas também a uma grande variedade de recursos eletrônicos, existentes
na própria biblioteca e fora dela, como, por exemplo, bases e bancos de dados (de
informação e texto completo), sistemas de CD-ROM, entrega de documentos,
jornais eletrônicos, bases de dados de imagens, e outros (CAVALCANTI, 1996).

�4.3

A mudança paradigmática opera-se também na proposta filosófico-estratégica
da biblioteca, e trata do deslocamento do ponto focal desenvolvimento de coleções
para o de acesso à informação. Na verdade, a tendência é para o equilíbrio entre
essas duas orientações.
Acredita-se que “a biblioteca do futuro será menos um lugar onde a
informação é guardada, e mais um portal através do qual os seus usuários vão ter
acesso aos recursos informacionais do Mundo - uma Biblioteca Mundial Eletrônica”
(HAWKINS, 1994). Recursos informacionais serão disponibilizados em redes para
utilização sem fronteiras. Evidentemente as coleções deverão existir em
determinadas bibliotecas-base.
Os recursos eletrônicos permitem o acesso instantâneo às coleções das
principais e maiores bibliotecas do Mundo. Mas é necessário que as coleções, em
nível nacional, também existam, para garantir a consulta local e a contribuição
nacional

às

redes

internacionais.

A

racionalidade

administrativa

e

o

compartilhamento de recursos, no entanto, devem ser intensificados, obtendo a
sinergia interinstitucional necessária para garantir uma boa cobertura de recursos
disponíveis em nível nacional.
Neste contexto, estrategicamente, a biblioteca deve cooperar e integrar-se.
Pode e deverá surgir o conceito de “sistema de bibliotecas universitárias”, ou
“sistema de informações em apoio às atividades de ensino superior e à pesquisa”,
tornado viável através das redes e propiciado pela união sinergética das bibliotecas
universitárias,

especializadas

e

de

pesquisa.

Deve

contemplar

toda

a

pluridisciplinaridade e ser centrada no desenvolvimento de coleções, de forma
compartilhada para acesso de todos. Recursos informacionais deverão ser

�4.3

disponibilizados

em

redes

para

utilização

sem

fronteiras.

As

bibliotecas

universitárias deverão ter os seus processos em meios eletrônicos para capacitar-se
às exigências de sua virtualização. Este é um benchmark a ser atingido, embora
ainda não faça parte da realidade sistêmica das bibliotecas universitárias brasileiras.
No contexto brasileiro, a biblioteca universitária deve preocupar-se com o
acesso a coleções, com a identificação, controle, recuperação e disponibilização de
toda

a

produção

científica

gerada

por

suas

instituições,

profissionais

e

pesquisadores, colocando-a para utilização sem fronteiras. Dentro desta proposta, a
biblioteca universitária passa a ser uma unidade do sistema informacional universal.
Seus

produtos

e

serviços,

em

nível

internacional,

deverão

disponibilizar

principalmente essa produção nacional.
Em nível local, o atendimento à comunidade acadêmica e científica deverá
ser o mais pessoal e personalizado possível. Os seus produtos e serviços deverão
ser diversificados e capacitados a satisfazer a perfis de interesses e necessidades
informacionais específicos.
Do ponto de vista estrutural, esta nova unidade deverá ser flexível, com o
mínimo de níveis hierárquicos, horizontalizada e organizada em torno de processos,
deverá ser capaz de aprender e se adaptar à sua ambiência, mercado e usuários
(GARVIN, 1993).
O seu estilo gerencial deverá levar em consideração os mais modernos
princípios de qualidade e produtividade, adotando a gerência participativa e o
enfoque sistêmico para uma melhor visão do sistema informacional.
Os seus maiores investimentos serão na infra-estrutura eletrônica e nos
recursos humanos. O seu profissional será, verdadeiramente, a mola propulsora que

�4.3

colocará a unidade informacional no cenário da sociedade do conhecimento. É
preciso treiná-lo para ser um profissional altamente qualificado, agregando valor a
todas as atividades que executa, em especial aos produtos e serviços que presta no
atendimento ao usuário.

4 DIAGNÓSTICO SITUACIONAL

No momento atual, com raras exceções, a biblioteca universitária está em
crise. Desde 1974, ano em que ocorreu o Seminário para Estudos dos Problemas
de Administração e Funcionamento das Bibliotecas Universitárias, e nos SNBUs
realizados a cada dois anos, desde 1978, os problemas discutidos se repetem,
propostas de soluções são levantadas, algumas bibliotecas as implementam, mas
para muitas as mesmas questões continuam em pauta nos debates que ocorrem
periodicamente.
Isto revela um descompasso de desenvolvimento no conjunto das bibliotecas
universitárias do País. Nem sempre a experiência acumulada pode ser repassada
ou absorvida por todas. Falta uma ação sistêmica articulada para o conjunto das
bibliotecas universitárias e mecanismos que permitam a implantação de diretrizes
consensuais, em especial aquelas emanadas do I e II PNBUs e do Programa
Nacional

de

Bibliotecas

de

Instituições

de

Ensino

Superior

(PROBIB)

(MEC/SESU,1986; MEC/SESU, 1990 (a); MEC/SESU, 1990 (b)).
Os principais problemas enfrentados pelas bibliotecas universitárias podem
ser sumarizados como segue:

�4.3

- distanciamento, por

parte dos bibliotecários, dos programas globais da

universidade;
- falta de apoio dos diversos escalões hierárquicos da universidade para a
tomada de decisão dos bibliotecários;
- pouco entrosamento dos bibliotecários no processo acadêmico e dificuldade
em entender esse processo;
- falta de definição de objetivos e metas;
- dificuldade de avaliação de desempenho devido à ausência de padrões;
- falta de planejamento integrado;
- ausência de regulamentos que definam a estrutura e a competência das
bibliotecas universitárias;
- carência de recursos humanos, materiais e financeiros;
- despreparo do bibliotecário frente às tecnologias, à necessidade de planejar
e de dominar técnicas orçamentárias;
- desconhecimento, por parte dos bibliotecários, das novas necessidades
informacionais da sociedade, da universidade e do usuário;
- falta de visão estratégica;
- desconhecimento dos bibliotecários sobre as mudanças e desenvolvimentos
na própria área.
Pode-se fazer uma análise destes problemas, agrupando-os em três grandes
áreas:
- planejamento, administração e recursos humanos;
- infra-estrutura e
- serviços.

�4.3

4.1 PLANEJAMENTO, ADMINISTRAÇÃO E RECURSOS HUMANOS

Os problemas relativos à área de planejamento e administração, apontados
tanto pelos SNBUs quanto pelos profissionais entrevistados, referem-se a:
- falta de políticas que orientem a organização e o funcionamento das
bibliotecas universitárias;
- inexistência de regimentos das bibliotecas universitárias;
- ausência de representação nos órgãos colegiados da universidade;
- não-envolvimento da biblioteca universitária nos projetos de ensino,
pesquisa e extensão e com o corpo docente;
- falta de planejamento cooperativo e conseqüente cooperação deficitária;
- proliferação de bibliotecas setoriais sem condições adequadas de
funcionamento;
- interferência de reitores e decanos na gerência de algumas bibliotecas e
falta de autonomia para a gerência;
- recursos financeiros gerenciados de forma inadequada;
- desconhecimento de instrumentos para cálculo de custos

dos serviços

bibliotecários, impossibilitando o estabelecimento de política de preços para
captação de recursos;
- insuficiência de estudos de avaliação de desempenho, serviços e coleções;
- inexistência de padronização de planejamento e desempenho de atividades;
- detalhamento estatístico excessivo com dificuldade de análise situacional da
biblioteca.

�4.3

Como conseqüência destas falhas e das restrições orçamentárias, as
bibliotecas consideradas atividades-meio por grande parte das administrações
universitárias tiveram, em alguns casos, seus recursos reduzidos a níveis de estrita
manutenção e pagamento de pessoal, com grave prejuízo para seus acervos,
incluídas aí as coleções de revistas especializadas estrangeiras (GARCIA, 1991,
p.4).
As recomendações de soluções feitas pelos SNBUs e pelos profissionais
foram:
- formação de um Sistema Nacional de Bibliotecas Universitárias sob a
coordenação de um órgão central, com uma política para o desenvolvimento das
bibliotecas universitárias;
- criação de um grupo de trabalho para estabelecimento de padrões de
funcionamento de bibliotecas universitárias;
- elaboração de regimentos internos de bibliotecas universitárias;
- incentivos aos bibliotecários para participarem na programação de cursos e
outras atividades docentes;
- ampliação de canais formais e informais que permitam a atuação dos
bibliotecários nos órgãos colegiados;
- implantação de bibliotecas setoriais apenas quando houver condições de
desempenho;
- definição de uma política de preços para os serviços prestados pelas
bibliotecas;
- avaliação de serviços e coleções;
- estímulo à cooperação interbibliotecária;

�4.3

- realização de estudos de usuários;
- utilização e análise de dados e estatísticas de maneira mais objetiva;
- reforço do objetivo da biblioteca universitária como elemento de ligação
entre a necessidade de informação e o conhecimento registrado;
- implantação de sistemas especializados para propiciar a elaboração de
políticas de informação;
- incentivo à compreensão da postura gerencial dos bibliotecários;
- visão do fator político como oportunidade para melhorar as relações entre o
bibliotecário e a Administração Central da universidade;
- necessidade de o bibliotecário aprender a planejar.
Comentários:
O que surpreende em relação a esses problemas e soluções apontadas é
que eles repetem a situação retratada há onze anos atrás no documento/diagnóstico
efetuado pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) e
apresentado ao IV SNBU em Campinas, em 1985, que resultou no Programa
Nacional de Bibliotecas Universitárias (PNBU), e que teve 10 anos de vida útil, vindo
a extinguir-se em 1995 como Programa Nacional de Bibliotecas de Instituições de
Ensino Superior (PROBIB) junto ao MEC/SESU.
Concebidos para solucionar os problemas das bibliotecas universitárias, os
alvos de atuação do PNBU focalizaram seis áreas-problema de desenvolvimento:
planejamento organizacional e financeiro, recursos humanos e físicos; formação e
desenvolvimento de coleções; processamento técnico dos documentos; automação
de bibliotecas; usuários e serviços; e atividades cooperativas. Essas seis áreas
reuniram doze diretrizes, desdobradas em 46 ações (MEC/SESU/PNBU, s.d.).

�4.3

Ações essas, em sua concepção, suficientes para consolidar o Sistema Nacional de
Bibliotecas Universitárias. O documento-base do PNBU procurou moldar-se à
orientação centralizadora do planejamento governamental à época, na decisão de
desenvolver uma política para a área de bibliotecas universitárias que se
harmonizasse com a política de Ciência e Tecnologia, de Informação para Ciência e
Tecnologia, e com a da Pós-Graduação. Buscou-se, através do PNBU, um
planejamento democrático, sendo representados em sua gestão todos os
segmentos governamentais de poder decisório na área, incluindo a participação da
comunidade atuante na área de bibliotecas universitárias (CHASTINET, 1990). O
que se obeserva é que este modelo, bem como a ação do PNBU, foi se esvaziando
paulatinamente, revelando uma crescente falta de apoio governamental. Suas
ações, em especial

as que dependiam de cooperação, também não tiveram o

desenvolvimento desejado. Em alguns casos, por falta de infra-estrutura adequada.
Afirma-se que as condições reais e singulares das bibliotecas universitárias e de
seus profissionais, bem como a extensão geográfica do País foram limitações à
democratização mais efetiva e permanente do planejamento do tipo nacional e da
implantação de ações decorrentes. As bibliotecas apresentam características
bastante diferenciadas de desenvolvimento. Para lidar com esse problema deve
haver um acompanhamento, em nível local, para realizar de modo rotineiro
avaliação, prever assistência especializada e efetuar acompanhamento in loco das
diretrizes e ações propostas. (GARCIA, 1991, p.10).
Com relação aos recursos humanos destacam-se problemas decorrentes da
formação profissional do bibliotecário e das políticas de pessoal adotadas. Na

�4.3

formação profissional, ressalta-se o preparo insuficiente do bibliotecário no que diz
respeito a:
- gerenciar uma biblioteca universitária;
- interagir com o usuário;
- trabalhar com materiais informacionais diversificados;
- planejar e administrar sistemas de informação;
- identificar problemas e apresentar soluções com rapidez.
Além disto, aponta-se:
- envolvimento demasiado com tarefas do cotidiano da biblioteca;
- ausência de programas de treinamento e atualização;
- falta de participação em eventos de outras áreas por falta de
estabelecimento de objetivos e finalidades para tanto;
- resistência à mudança;
- resistência à cooperação.
Com relação à política de pessoal destaca-se:
- inexistência de planejamento e/ou padronização de indicadores relativos ao
quadro de pessoal em bibliotecas universitárias;
- falta de pessoal especializado;
- reduzido número de funcionários;
- ausência de processo seletivo de pessoal para atuar na biblioteca
universitária;
- baixa remuneração;
- inexistência de um plano de carreira com incentivos financeiros por titulação
e produção científica.

�4.3

As recomendações feitas pelos SNBUs e pelos profissionais foram:
- cumprimento da Lei 4.084 com relação à gerência das bibliotecas;
- realização de cursos, palestras, treinamento e aperfeiçoamento para
bibliotecários e auxiliares;
- estímulo à participação em eventos de outras áreas;
- realização de estudos de usuários;
- inclusão nos cursos de Biblioteconomia de disciplina referente à Avaliação
de Serviços;
- criação de Cursos de Especialização para bibliotecários de bibliotecas
universitárias;
- instituição de plano de carreira para bibliotecários;
- melhoria dos salários dos bibliotecários;
- realização de estudos da estrutura dos quadros de pessoal das bibliotecas
universitárias;
- desenvolvimento de metodologia para levantamento de dados e produção
de indicadores referentes a pessoal;
- postura mais arrojada do bibliotecário como agente da informação;
- preparo para trabalhar com diversos tipos de materiais e com automação.

Comentários:
Os problemas relativos ao planejamento e à administração são decorrentes,
em grande parte, do despreparo dos profissionais nas bibliotecas universitárias.
Parte desta falha deve-se ao fato de a maioria dos bibliotecários, mesmo os
diretores de bibliotecas, possuirem apenas a graduação, embora

possa ser

�4.3

observado um aumento quantitativo de especialistas, mestres e doutores nas
bibliotecas universitárias. De modo geral, a graduação não capacita o bibliotecário
de forma adequada para administrar uma biblioteca universitaria. Há pouca oferta
de cursos de extensão e especialização em Gerência ou Planejamento nos cursos
de Biblioteconomia. Não há iniciativas por parte dos bibliotecários em exigir a oferta
de tais

cursos e até de promovê-los na esfera das associações de classe, e

observa-se pouca iniciativa em buscá-los em outras áreas como na Administração.
4.2 INFRA-ESTRUTURA

Os problemas relativos à area de infra-estrutura levantados tanto pelos
SNBUs quanto pelos profissionais entrevistados referem-se a:
- recursos financeiros;
- recursos informacionais;
- recursos físicos.
Com relação aos recursos financeiros, os principais problemas apontados
dizem respeito a:
- não-gerenciamento dos recursos financeiros pela biblioteca universitária;
- insuficiência de recursos financeiros;
- defasagem entre previsão e definição do orçamento, devido à morosidade
administrativa;
- descompasso entre necessidade dos recursos e desembolso, gerado pela
inflação;
- recursos financeiros exclusivos para material bibliográfico;
- não-captação de recursos extra-orçamentários;

�4.3

- inexperiência dos bibliotecários de captar recursos externos.
As recomendações feitas pelos SNBUs e pelos profissionais foram:
- alocação de suporte financeiro adequado às necessidades da biblioteca;
- estímulo à captação de recursos financeiros extra-orçamentários junto às
agências financiadoras;
- comprometimento institucional em manter recursos em continuidade a
financiamentos externos;
- definição de política de preços para os serviços prestados pelas bibliotecas;
- previsão orçamentária para outros ítens, além de material bibliográfico;
- estabelecimento de parcerias com o setor privado.
Comentários:
No cerne desta questão estão as restrições financeiras e a falta de habilidade
do bibliotecário em saber argumentar com relação às necessidades orçamentárias
da biblioteca, referentes à manutenção dos acervos, infra-estrutura, prédio e
serviços, e de conseguir complementação de recursos de fontes externas, através
de parcerias. Uma das falhas na implementação do PNBU, foi a não-definição de
critérios para elaboração de orçamentos em bibliotecas universitárias (CHASTINET,
1990). Algumas bibliotecas o fazem com desenvoltura, no entanto, as menores têm
grandes dificuldades com as questões orçamentárias e extra-orçamentárias.
Acresce-se a insuficiência de repasse para a sua manutenção pela organização
mantenedora, que sofre agudamente os cortes da parte do Governo, muito embora
o Ensino Superior no Brasil ainda absorva cerca da metade dos recursos
educacionais públicos (RELATÓRIO SOBRE O DESENVOLVIMENTO HUMANO
NO BRASIL, 1996, p. 36). Os instrumentos para a tomada de decisão dos

�4.3

bibliotecários nesta questão também são insuficientes. Com exceção de poucos
casos, não há uma coleta sistemática de dados para a tomada de decisão. Há
falhas em saber calcular custos e preços dos serviços, definir planilhas
orçamentárias, fazer previsão e planejamento a médio e longo prazo, de gastos e
investimentos. Com exceções, as estatísticas, uma rotina presente na maioria das
bibliotecas, não são analisadas de forma convincente na argumentação para a
captação de recursos. Pode-se concluir que os bibliotecários freqüentemente
continuam alheios à participação efetiva no que se refere à composição financeira
da biblioteca, mesmo nesta época de estabilidade financeira propiciada pelo Plano
Real.
Com relação aos recursos informacionais apontam-se problemas de:
- acervos insuficientes e incompletos;
- seleção e aquisição descuidadas de acervos;
- ausência de critérios e de políticas de aquisição, de seleção e de descarte.
As recomendações feitas pelos SNBUs e pelos profissionais foram:
- estabelecimento de política de desenvolvimento de coleções;
- estabelecimento de padrões de formação de acervos de bibliotecas
universitárias, com bibliografias mínimas por área do conhecimento;
- definição da aquisição de material bibliográfico com base nos critérios
estabelecidos pelas políticas de desenvolvimento de coleções;
- consideração das vantagens do trabalho cooperativo, com ênfase ao acesso
ao documento;
- garantia de recursos para manutenção e atualização do acervo;

�4.3

- ênfase ao acesso ao documento e não à posse, garantindo a manutenção
de um acervo mínimo para atender às necessidades imediatas do usuário;
- uso de novos materiais: CD-ROM, bases de dados;
- melhoria da infra-estrutura informacional da biblioteca com base na
tecnologia.
Comentários:
As bibliotecas universitárias possuem, com todas as suas limitações, os
maiores e melhores acervos do País. No entanto, na maioria dos casos, eles estão
alijados das necessidades dos programas e cursos da própria universidade na qual
atuam. Em muitos casos, os acervos não cobrem as bibliografias mínimas
necessárias

da

Graduação, tampouco

dos

cursos

de

Pós-Graduação. A

interdisciplinaridade da pós-graduação não é contemplada, nem mesmo a sua
bibliografia básica. Há cursos nas universidades que funcionam sem nenhuma
bibliografia específica em sua biblioteca. As assinaturas de periódicos diminuíram
significativamente nas bibliotecas, a partir da década de 80. As coleções de
referência encontram-se inteiramente defasadas, e esta é uma área que
absolutamente não pode e não deve ser negligenciada; um dos elementos que mais
caracteristicamente sublinham a profissão do bibliotecário é o seu conhecimento de
fontes. O usuário, com raras exceções, as desconhece completamente, cabendo ao
bibliotecário orientá-lo.
Na questão dos acervos nenhuma biblioteca poderá por si só obter toda a
bibliografia necessária para os seus usuários, portanto, não há como não cooperar.
Aqui cabe lembrar que a cooperação significa não apenas o compartilhamento dos
(escassos) recursos, mas a não-duplicação de meios para fins idênticos ou similares

�4.3

e a racionalidade administrativa. Cooperação e compartilhamento nunca foram
plenamente implantados nas bibliotecas universitárias, mesmo constando das
diretrizes básicas da Reforma Universitária de 1968/1969. Um lapso de tempo que
cobre quase 30 anos.
Com relação a recursos físicos discutem-se problemas relativos a:
- prédios e
- equipamentos.
Quanto aos prédios fala-se em:
- prédios não planejados para a finalidade da biblioteca;
- inexistência de padrões para o planejamento, a construção e a instalação de
bibliotecas universitárias;
- não-participação do bibliotecário no planejamento do prédio da biblioteca
universitária;
- prédios com segurança deficiente (especialmente com relação a furtos e
incêndio);
- prédios com problemas no meio ambiente interno (climatização, iluminação).
As recomendações feitas pelos SNBUs e pelos profissionais foram:
- formação de equipe de arquitetos e bibliotecários para elaboração de
projetos relacionados com instalações de bibliotecas universitárias;
- definição de padrões para construção de prédios e instalações de
bibliotecas universitárias.
Quanto aos equipamentos apontam-se problemas relativos a:
- falta de equipamentos de reprodução, de áudio e de vídeo;
- falta de recursos computacionais exclusivos;

�4.3

- falta de manutenção dos equipamentos.
As recomendações feitas pelos SNBUs e pelos profissionais foram:
- dotação das bibliotecas com equipamentos necessários à prestação de
serviços;
- dotação das bibliotecas de infra-estrutura computacional.
Comentários:
O PNBU não esteve desatento ao planejamento de prédios de bibliotecas
universitárias, tendo apresentado diretrizes para todos os aspectos levantados pelos
bibliotecários durante os SNBUs (GALBINSKI e MIRANDA, 1993). Há soluções
apontadas também para a questão de climatização e iluminação (AUGUSTINHO,
1987).
Quanto à questão de equipamentos, essencial para a cooperação, deve
haver investimentos nos mesmos, em especial voltados para a possibilidade de a
biblioteca

participar

de

redes

e

em

programas

cooperativos,

adquirindo

equipamentos e software compatíveis.
No entanto, conhece-se a precariedade da infra-estrutura computacional das
pequenas bibliotecas universitárias. Ilustrando o caso, citamos um item do
levantamento de 1995, realizado pelo COMUT, junto às bibliotecas componentes do
seu sistema, em número de 924, a maioria das quais bibliotecas universitárias. De
acordo com este levantamento, que incluiu ítens como disponibilidade de micros,
memória RAM, disco rígido, sistema operacional, programas, impressora, módem,
telefone, rede lógica, as bibliotecas-base possuem um bom número de
equipamentos, no entanto, a maioria das bibliotecas solicitantes têm apenas um

�4.3

único micro 386, e, nem sempre um módem e uma linha telefônica, necessários
para se conectar à rede e realizar os pedidos (COMUT, 1996).

4.3 USUÁRIOS E SERVIÇOS

Os problemas relativos à área de usuários e serviços, apontados tanto pelos
SNBUs quanto pelos profissionais entrevistados referem-se a:
- atendimento ao usuário;
- deficiências nos serviços.
Quanto aos usuários aponta-se:
- desconhecimento dos usuários da biblioteca universitária;
- atendimento inadequado aos usuários;
- ausência de estudos e treinamentos de usuários;
- falhas nos estudos de usuários realizados;
- não-antecipação à demanda, isto é, a biblioteca não age pró-ativamente.
As recomendações feitas pelos SNBUs e pelos profissionais foram:
- realização de cursos que capacitem os próprios bibliotecários a realizar
estudos e treinamento de usuários;
- incentivo aos estudos de educação de usuários e da interface
usuário/sistema de informação;
- realização de estudos de usuários, visando a criação de serviços
compatíveis com suas necessidades e melhor utilização dos recursos
informacionais disponíveis;
- consideração da satisfação do usuário como um fim da biblioteca;

�4.3

- conhecimento da clientela potencial da biblioteca universitária;
- realização de pesquisas de mercado para conhecer o que o usuário
realmente quer.
Quanto aos serviços destacam-se problemas referentes a:
- cooperação entre bibliotecas consideradas deficitárias;
- falta de dinamismo ao processamento técnico;
- desatualização dos catálogos;
- falta de controle da produção bibliográfica;
- falta de controle bibliográfico da produção científica;
- falta de padronização na automação;
- sistemas de automação paralelos;
- horários de atendimento insuficientes e inadequados;
- problemas na disseminação da informação.
As recomendações feitas pelos SNBUs e pelos profissionais foram:
- conscientização quanto à importância da cooperação, intensificando o uso
comum dos acervos bibliográficos;
- participação em catálogos coletivos;
- padronização dos projetos de automação de bibliotecas;
- apoio a sistemas locais de automação;
- apoio ao BIBLIODATA como central de catalogação cooperativa;
- apoio à interface do BIBLIODATA com outros sistemas de automação
existentes;
- desenvolvimento de padrões mínimos de software e hardware como forma
de assegurar a compatibilidade entre os diversos sistemas;

�4.3

- criação de bases de dados de teses e dissertações, aprovadas na
instituição;
- estabelecimento de redes de bibliotecas universitárias por área do
conhecimento, com a finalidade de ampliar a disponibilidade de recursos
informacionais e melhoria no atendimento aos usuários;
- intercâmbio de dados bibliográficos entre os diversos sistemas existentes;
- integração em redes de bibliotecas;
- busca de novas áreas para disseminação da informação;
- busca da melhoria dos serviços prestados;
- melhoria da disseminação da informação através de redes de comunicação;
- visão da cooperação como estratégia para ampliar a prestação de serviços;
- postura mais arrojada do bibliotecário para a prestação de serviços.

Comentários:
Para uma organização de prestação de serviços informacionais o usuário é o
ponto focal de toda a sua atividade; é preciso que a qualidade dos seus serviços
satisfaça constantemente as exigências dos segmentos para os quais dirige os seus
esforços: alunos, pesquisadores e professores da universidade. Para tal, ela deve
analisar se estes atingem plenamente sua finalidade e se satisfazem as
necessidades, exigências, desejos e as expectativas do seu recebedor. Deve
realizar constantemente estudos de usuários, pois muito se fala destes estudos,
mas poucos são feitos, não é prática comum das bibliotecas universitárias
brasileiras realizar tais estudos.

�4.3

No entanto, para uma biblioteca é vital manter seus usuários e assegurar que
eles estejam satisfeitos, pois usuários não guardam suas opiniões para si mesmo. O
usuário satisfeito contará para 8 pessoas que está feliz com o serviço, se estiver
descontente, contará isso para 22 pessoas, de acordo com uma pesquisa publicada
no Harper’s Magazine em março de 1986 (apud MÖLLER, 1995, p. 182).
O mesmo autor afirma que para os usuários, a má qualidade do atendimento
é pior do que a má qualidade do serviço. A qualidade pessoal (a qualidade humana)
da prestação do serviço é mais importante que o serviço em si.
Destacamos três aspectos, vitais na relação usuário versus serviço:
• o serviço em si deve ser da melhor qualidade. Para isto não se deve medir esforços
no sentido de torná-lo correto (sem erros), preciso em relação à demanda e rápido,
quando possível antecipar-se à demanda. Para garantir a precisão, rapidez e
antecipação as bibliotecas devem estar automatizadas e conectadas em redes
nacionais e internacionais. Devem ainda cooperar para obter o serviço;
• o mercado e o usuário devem ser conhecidos. A biblioteca universitária deve
conhecer todas as atividades desenvolvidas na universidade que lhe dizem respeito,
inclusive pesquisas em andamento, cursos, conteúdos e bibliografias recomendadas
nestes cursos, programas de extensão, etc. Deve conhecer ainda, através de
estudos e definição de perfis de interesse específicos, as necessidades
informacionais de seus usuários. Os seus serviços devem ser personalizados como
em uma biblioteca especializada;
• os usuários devem ser bem atendidos. Dar ao usuário atenção exclusiva,
demonstrar respeito, conhecer seu trabalho, adaptar seu serviço a cada situação e
cada cliente. O usuário deve, ainda, ser treinado para melhor explicitação de suas

�4.3

necessidades informacionais e fazer uso por si mesmo dos recursos informacionais
disponíveis.
A cooperação, a automação (biblioteca eletrônica) e a oferta de serviços de
acordo com princípios de qualidade, devem ser consideradas estratégias para a
biblioteca universitária.

5 CONCLUSÕES

A sociedade da informação e do conhecimento exige uma nova postura de
seus atores. A biblioteca universitária brasileira está, no momento, muito aquém do
que se espera de uma biblioteca virtual/eletrônica, com um serviço informacional de
grande valor agregrado e de um modelo administrativo e organizacional flexível que
possibilite adaptação quando necessário.
Como pontos fortes destaquemos as suas coleções, diversificação de seus
produtos e serviços e, em muitos casos,

o seu investimento em infra-estrutura

computacional, além da iniciativa de participação em redes. No entanto, mesmo
esses pontos, potencialmente fortes, necessitam de ajustes:
a) os acervos devem ser compartilhados entre todas as bibliotecas e
formados racionalmente para se obter uma cobertura de acesso informacional total,
em apoio aos cursos oferecidos nas universidades. Sugerimos que a sua meta, ou
benchmark, seja a cobertura total da bibliografia básica indicada nos cursos de
Graduação e Pós-Graduação, que deve ser representada em seus acervos;
b) os produtos e serviços devem ser revistos e direcionados para perfis de
interesse específicos, em especial em apoio à pesquisa e Pós-Graduação, pois

�4.3

estes são os níveis e as áreas menos representadas nos acervos. O benchmark, em
nível nacional, deve estabelecer como elemento-alvo a oferta de bibliografias e o
acesso à informações e bases de dados nacionais e internacionais para todas as
atividades de pesquisa e Pós-Graduação, em nível nacional;
c) a infra-estrutura deve ser completada com investimentos em equipamentos
e fibras-óticas. Orgãos de fomento deverão ser ainda ativados, bem como o PADCT
III, e se este já estiver comprometido com outras diretrizes, o PADCT IV e os que se
seguirão;
d) a participação em redes deve ser feita de forma sistemática e com a
adesão

de

todos,

principalmente naquelas

redes

em

que precisam

ser

representadas as coleções do País e a produção científica nacional.
Quanto aos pontos fracos, estes verdadeiramente são muitos, sendo o mais
grave deles o despreparo para planejar e a falta de visão de que a biblioteca
universitária deve fazer parte de um sistema em nível nacional.
Do ponto de vista estratégico falta aos bibliotecários, de um modo geral, a
capacidade de visualização a longo prazo, do papel e das necessidades de
adaptação da biblioteca à sociedade. Pode-se acrescentar a isto a escassez de
recursos, mas este também é um vício administrativo. Talvez, como resultado do
modelo econômico do Estado provedor de recursos

para suas instituições, as

bibliotecas universitárias tenham se acostumado a receber os mesmos sempre e
apenas através da Universidade e, com raras exceções, tomaram a iniciativa de
montar projetos e buscar parcerias com outras entidades para melhorar e investir
em infra-estrutura, recursos e serviços.

�4.3

Há mais de 20 anos, os bibliotecários brasileiros se reúnem, discutem
problemas, propõem recomendações para solucionar os problemas identificados;
entretanto, na maioria das vezes, tais recomendações não têm sido implementadas
e problemas se repetem cumulativamente.
Embora ainda persistam em muitas bibliotecas do País, parte dos problemas
apontados pelos bibliotecários nos SNBUs e pelos profissionais entrevistados foi
atenuada e alguns resolvidos desde a implementação do I Plano Nacional de
Bibliotecas Universitárias, em 1986. Este plano representou a concretização de um
órgão que estabeleceu políticas e diretrizes para o funcionamento das bibliotecas
universitárias brasileiras.
Seu papel foi fundamental ao fornecer diretrizes e indicadores para o
funcionamento das bibliotecas universitárias, promover pesquisas e estudos
técnicos encomendados a profissionais de alto nível e oferecer cursos de
especialização direcionados para bibliotecários atuantes em instituições de ensino
superior.
O II PNBU (1990), composto por 16 diretrizes e 82 ações, com alterações
substanciais nas áreas de recursos humanos, recursos físicos, automação de
bibliotecas, usuários e serviços, infelizmente, não teve continuidade, em função da
política vigente no País.
Existe uma relação entre os problemas apontados referentes às áreas de
planejamento e administração,

recursos humanos, infra-estrutura e serviços: é

fundamental que os bibliotecários venham a ter uma visão sistêmica da biblioteca
universitária, considerando sua interação com o meio ambiente organizacional (a
universidade e seus usuários), o meio ambiente específico (o subsistema

�4.3

educacional e de Ciência &amp; Tecnologia) e o meio ambiente geral (a sociedade e a
conjuntura sócio-político-econômico-cultural), bem como as influências que ela
sofre. Agregue-se ainda o fator Tecnologia, decisivo para a evolução e o
desenvolvimento de serviços.
Assim, quando os bibliotecários estiverem conscientes das relações entre a
biblioteca universitária e sua ambiência, aprenderem a reconhecer e a enfrentar
ameaças, mas principalmente reconhecer e tirar proveito das oportunidades, a
solução dos problemas estará mais próxima, porquanto o bibliotecário terá
conhecimento suficiente e condições de interagir e modificar sua atuação para
atingir os verdadeiros objetivos e sua função social.
Os bibliotecários deverão, também, ouvir os seus pares e compartilhar suas
experiências. Neste sentido, cabe a maior importância ao SNBU, pois este é o foro
de discussão para solução de problemas e a disseminação de processos. Para dar
continuidade às propostas do SNBU falta ainda um Conselho que as formalize,
auxiliando as bibliotecas com diretrizes de melhoria e desenvolvimento. Não
havendo atualmente um órgão que preste apoio financeiro em bases permanentes
às bibliotecas universitárias, nos moldes em que funcionava o antigo SESU/MEC, o
bibliotecário deverá aprender a planejar, montar projetos, buscar parcerias,
contactar, por iniciativa própria, agências de fomento e diversificar as suas fontes de
recursos.
Sugerimos aqui a criação de um Conselho de Bibliotecas Universitárias
(CBU), independente, não vinculado a nenhum órgão, e que participe das decisões
relacionadas à informação no MEC, MCT e em outros foros, representando o

�4.3

consenso da classe e suas reivindicações.

Poderia

ser

formado

por

representantes eleitos pela comunidade, no foro do SNBU, para auxiliar:
a) na definição clara da missão da biblioteca universitária e de suas
prioridades;
b) no estabelecimento de diretrizes que propiciem a formação de um sistema
de bibliotecas universitárias, visando o compartilhamento de recursos e
disponibilização da produção científica nacional;
c) na relação ou promoção de estudos, prospecção e avaliação, objetivando o
desenvolvimento do setor (análise de tendências sócio-econômicas,
culturais e tecnológicas, censos, cadastros, etc) (GARCIA, 1991, p.34);
d) na intermediação de propostas de oferta de cursos, visando o aprendizado
continuado;
e) no estímulo à participação em redes científicas nacionais;
f) outros ítens apontados pela classe através do SNBU.
O Conselho deverá ter ramificações regionais e a implantação de suas
diretrizes deverá processar-se através de Conselhos Estaduais e locais (CBUE,
CBUL). Esta descentralização poderá contemplar as dificuldades locais e buscar
soluções adequadas. Os Conselhos Estaduais e locais deverão:
a)

avaliar

e

acompanhar

diretamente

as

pré-condições

técnicas,

sócioculturais e econômicas relacionadas à viabilização de programas e projetos,
oferecendo assessoria especializada, quando necessário;
b) estimular, articular e compatibilizar programas e projetos de informação e
documentação nas bibliotecas universitárias em nível local e estadual (GARCIA,
1991, p.34).

�4.3

Através do esforço sistêmico, compartilhando recursos e experiências,
fazendo amplo uso das novas tecnologias, poderá a biblioteca universitária brasileira
ter impacto e representatividade como rede e sistema informacional, juntando a sua
contribuição ao esforço de desenvolvimento do País.

ABSTRACT
The subject is treated under the systemic and strategic planning approach. An acting
scenario was projected, based on the new technological paradigm. A situation audit
was conducted to identify its internal situation, based on the recommendations of the
nine National University Libraries Seminars (SNBU), and completed with nine
interviews, with Brazilian experts on the subject. Among the conclusions the need is
stressed to rescue the concept of the university library system as the best form to
optimize resources, and envolve the university libraries as a systemic whole with the
control, retrieval and dissemination of scientific information produced in Brazil.
Finally, the adoption of a new national planning model for the (new) system, which
would represent the consensus of the professionals, is suggested.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Curitiba (Paraná)</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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          <name>Title</name>
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              <text>Biblioteca universitária e o contexto acadêmico. </text>
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          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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              <text>Tarapanoff, Kira; Klaes, Rejane Raffo; Cormier, Patrícia Marie Jeanne</text>
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          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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              <text>Curitiba (Paraná)</text>
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          <name>Date</name>
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              <text>O tratamento do tema se dá sob a perspectiva sistêmica e de planejamento estratégico. É projetado um cenário de atuação para a biblioteca universitária em relação ao novo paradigma tecnológico, e avaliada a sua situação interna, através do diagnóstico situacional. Os elementos do diagnóstico foram levantados junto a specialistas entrevistados, bem como através dos nove Seminários Nacionais de Bibliotecas Universitárias (SNBU). Dentre as conclusões, destaca-se a necessidade do resgate do conceito de sistema de bibliotecas universitárias, como a melhor forma de otimizar recursos, e envolver a biblioteca universitária com um todo sistêmico no controle, recuperação e disseminação da informação científica gerada no País. Sugere-se ainda, a busca de um novo modelo de planejamento nacional para o (novo) sistema que represente o consenso da classe.</text>
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