<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<item xmlns="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5" itemId="4672" public="1" featured="0" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" xsi:schemaLocation="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5 http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5/omeka-xml-5-0.xsd" uri="http://repositorio.febab.libertar.org/items/show/4672?output=omeka-xml" accessDate="2026-06-21T21:22:49-07:00">
  <fileContainer>
    <file fileId="3741">
      <src>http://repositorio.febab.libertar.org/files/original/45/4672/SNBU1996_026.pdf</src>
      <authentication>69fd007db56c240400586c8e1b2fa03f</authentication>
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="4">
          <name>PDF Text</name>
          <description/>
          <elementContainer>
            <element elementId="92">
              <name>Text</name>
              <description/>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="51967">
                  <text>5.12

BASES DE DADOS: A METÁFORA DA MEMÓRIA CIENTÍFICA

*

Luiz Fernando Sayão
RESUMO

Traça um paralelo entre as formas de incorporação de conhecimento nas bases de
dados internacionais e o conceito de memória coletiva dentro do âmbito da
produção científica mundial.Analisa as bases de dados, seus esquemas de
representação e recuperação, sua seletividade e as barreiras impostas pelas
linguagens de indexação à ciência produzida no terceiro mundo. Conclui que as
bases de dados são os repositórios dos conhecimentos consensuais gerados pela
ciência moderna, constituindo, dessa forma, a memória da ciência oficialmente
aceita.

1 A GUISA DE INTRODUÇÃO

"Fazemos apelo aos testemunhos para fortalecer ou debilitar, mas também
para completar o que sabemos de um evento do qual já estamos informados de
alguma

forma,

embora

muitas

circunstâncias

nos

permaneçam

obscuras"

(HALBWACHS, 1990).
É com essas exatas palavras que Maurice HALBWACHS inicia seu livro
publicado

postumamente,

a

Memória

Coletiva.

Por

uma

coincidência

extremamente provocante, é também desta forma, ou melhor, é no estado que
poderia ser descrito precisamente por essas mesmas palavras de HALBWACHS,
que um pesquisador, um cientista interroga um banco de dados à procura de
informações que insiram seu trabalho de pesquisa na ciência feita pelo seu grupo.
Isto é, ele procura um azimute, um quadro de referências que faça com que ele
Chefe da Divisão de Tecnologia da Informação do Centro de Informações Nucleares, CIN/CNEN.
Professor Adjunto da Universidade do Rio de Janeiro, UNI-RIO.
*

�5.12

possa reconstruir seu conhecimento sob a luz dos testemunhos dos seus pares e
orientar o seu trabalho no sentido estabelecido pela comunidade científica ou
acadêmica em que ele está ou deseja estar inserido.
Este estado transitório, no qual se encontra este pesquisador, é chamado por
alguns autores da área de Ciência da Informação de "estado anômalo de
conhecimento" (BELKIN, 1980). Ele é caracterizado por um alto grau de indefinição
em relação ao assunto sobre o qual o pesquisador procura informações. O seu
próprio desejo de informação é absolutamente nebuloso, fazendo com que suas
interrogações só consigam se realizar durante o ato da busca.

O processo de

interação com os conhecimentos armazenados na base é que estabelece o foco da
questão.

A percepção do pesquisador sobre o conhecimento, fatos e dados

armazenados nestes meios eletrônicos, articulados com os seus próprios
conhecimentos, recria cenários de conhecimentos mais nítidos.
WITTGENSTEIN diz no seu Tractatus Logico-Philosophicus que "a dúvida,
pois, só existe onde existe uma questão, uma questão apenas onde existe uma
resposta, e esta somente onde algo pode ser dito". Ninguém interroga uma base de
dados sobre o que não conhece. Quando um cientista busca informações numa
base de dados, ele só está querendo validar as suas dúvidas, traduzindo-a por
questões autenticadas por seus pares, por questões presentes na memória coletiva
de sua tribo. A resposta já existe. Fundamentar sua questão sobre o que já foi
estabelecido é uma imposição do método científico, da natureza tribal e cumulativa
da ciência, sem o que o pesquisador está condenado ao limbo da rejeição e do
esquecimento, e o seu saber ao descrédito. O que ele busca é fundamentalmente
enquadrar sua contribuição à ciência comum, consensual.

Isto não quer dizer

�5.12

absolutamente que os debates e as controvérsias se aniquilam diante dessa
imposição; quer dizer, sim, que toda discussão, por mais dramática e acalorada que
seja, está submetida a um ritual, cuja consulta aos antecedentes, à memória
coletiva comum, é uma das etapas privilegiadas.
Quando um pesquisador diante de um microcomputador ligado a um banco
de dados que pode estar em qualquer parte do mundo, vasculha suas estantes
eletrônicas à procura de informações que definam, completem ou estabeleçam as
fronteiras do seu trabalho de pesquisa, ele repete o mesmo gesto de quem
mergulha na memória de seu grupo para reconstruir as lembranças comuns e,
dessa forma, manter íntegra a sua comunidade.
Isto nos leva a pensar que as bases de dados, com seus complexos
esquemas de representação e de recuperação de informação, que hoje encerram
praticamente todos os testemunhos da ciência moderna, constituem a memória
consensual desta ciência; a memória eletrônica de que nenhum cientista pode
prescindir para ordenar e reconstruir seus conhecimentos e onde, obrigatoriamente,
tem que ter suas contribuições, seus testemunhos inseridos, sob pena de não
participar dessa memória coletiva e não ser jamais "lembrado", ou melhor, citado por
seus colegas.
Talvez pudéssemos pensar nas bibliotecas especializadas cumprindo este
mesmo papel de memória dos saberes científicos. Mas por mais universal que seja
seu acervo, ele não consegue reunir todas as obras de uma área do conhecimento
e sua seletividade está baseada em critérios "domésticos", específicos de uma
instituição ou um programa. Mas a diferença mais marcante é que as bases de
dados são suportadas por uma tecnologia que permite a simulação, a ilusão de um

�5.12

diálogo, de uma interação em tempo real numa linguagem que está cada vez mais
próxima das linguagens naturais. Existem as interfaces inteligentes, o hipertexto,
ajudas sensíveis ao contexto, janelas que criam uma atmosfera conversacional.
Esta interação pode ser feita de qualquer lugar onde se tenha um microcomputador
e um telefone. É um gesto solitário do cientista à procura dos seus antecedentes;
ao passo que a biblioteca interpõe sempre entre o pesquisador e o acervo,
intermediários, vidraças, catálogos, códigos indecifráveis como são as referências
bibliográficas.
É sobre este simulacro da memória coletiva científica engendrado pela
sociedade pós-industrial, que são as bases de dados e sua relação com os aspectos
cumulativo, social e institucional da ciência, que eu gostaria de discutir rapidamente
neste texto. Especialmente no que diz respeito à contribuição da memória virtual ao
controle e enquadramento da produção científica, que vão desde os limites impostos
pelos mecanismos de representação do conhecimento até os desvios ideológicos
que conduzem deliberadamente à marginalização autores, conhecimentos, fatos
não identificados com os padrões da ciência oficial.

�5.12

2 A FORMAÇÃO DA MEMÓRIA ELETRÔNICA

O caráter cumulativo da ciência, que se apropria de uma forma rigorosamente
seletiva das contribuições de seus pesquisadores, resulta num corpo de
conhecimento baseado no consenso. Este corpo de conhecimento é representado
pela literatura técnico-científica, fruto mais óbvio e mais facilmente sujeito à
mensuração da atividade científica.

São os livros, os artigos de revistas, os

trabalhos de congresso, as patentes portadoras das inovações tecnológicas, os
mais autênticos registros da faina diária dos cientistas.
O crescimento vertiginoso da capacidade de armazenamento de dados em
meios legíveis por computador - meios magnéticos e, mais recentemente, meios
óticos - não foi ainda suficiente para tornar viável o armazenamento generalizado
em computador dos conhecimentos gerados pela atividade científica.

Esta

impossibilidade implica que, para se colocar disponível em sistemas on-line, ou seja,
sistemas que permitam um certo grau de interação, de conversação em tempo real,
o conhecimento registrado na literatura sofra um processo de tradução, de
representação, transformando-se em meta-conhecimento. Esta tradução é realizada
por intermédio de esquemas simbólicos que descrevem tanto a forma física, quanto
o conteúdo informacional das obras que estão sendo registradas. O que vai ser
armazenado nas grandes bases de dados é uma metáfora da informação original, é
o conhecimento virtual, que só existe em função do seu referente, da sua vinculação
remota com algum conhecimento real.
A criação dessas representações é factível via linguagens documentárias,
que são linguagens artificiais geralmente derivadas da linguagem natural. Essas

�5.12

linguagens são chamadas artificiais uma vez que não resultam de processo
evolutivo e necessitam de regras explícitas para seu uso.

Normalmente as

linguagens documentárias estabelecem uma relação unívoca entre o termo e o
conceito, isto é, entre o significante e o significado. Cada termo corresponde a um
conceito do sistema de

conceitos

da

área

específica com que se está

trabalhando. A construção dessas linguagens é um processo complexo e longo
(GOMES, 1990).
As

linguagens

documentárias

são,

pela

sua

própria

artificialidade,

extremamente redutoras de significado e só podem cobrir conceitos de um domínio
específico

do

conhecimento

humano,

não

havendo,

portanto,

linguagens

documentárias gerais. Elas fazem parte dos sistemas de informação, afetando e
sendo afetada por eles.
Qualquer linguagem, já se sabe, é uma forma de poder, de dominação. As
nossas próprias contradições culturais são um exemplo disso.

A linguagem

documentária não é exceção. O poder avassalador, no sentido da ordenação, da
organização que ela exerce sobre a produção literária, especialmente a científica, é
chamado pelo semiólogo Umberto Eco de a Ditadura dos Resumos.

Esta

característica é de dramática importância na construção da memória eletrônica da
ciência, pois o grau de resolução e entendimento dos conhecimentos que ela
apropria está limitado pela capacidade de representação do código. Mas muita
atenção: a propriedade redutora de significado dessas linguagens, antes de ser uma
deficiência, é o sustentáculo da identidade, do poder de ordenação e classificação
dos quais a ciência não pode prescindir, e é, sobretudo, o canal de expressão da
ideologia que a ciência suporta. É o seu poder uniformizador, que elimina as

�5.12

diferenças desagregadoras, que garante a harmonia na formação das diversas
memórias possíveis.
Um exemplo corriqueiro pode deixar mais clara essa relação entre poder
uniformizador e controlador da linguagem, a ideologia que ela representa e a
formação da memória eletrônica. Apenas 5% da produção científica dos países
periféricos está presente nas grandes bases de dados internacionais (GAILLARD,
1989). Nestas bases está representada essencialmente a ciência do primeiro mundo
e os códigos de representação existentes estão voltados para a problemática
desses países. Este fato tem grande impacto no armazenamento e recuperação de
informações e conhecimentos que estão fora do domínio da ciência e tecnologia
primeiromundistas. Por exemplo: o desejo de incorporar em uma base de dados
internacional sobre fontes de energia um artigo importante sobre o uso de óleo de
dendê e de jojoba, produzidos no interior da Bahia, como combustível automotivo,
em substituição ao óleo diesel, poderá esbarrar na falta de termos adequados para
a representação correta desses óleos e de sua ambientação, resultando em
distorções na representação e conseqüentes desvios na recuperação. Isto significa
que os próprios limites da linguagem documentária farão com que sejam
preservados a uniformidade e o caráter primeiromundista dessa memória eletrônica.
Se este artigo chegar um dia a fazer parte dessa base, ele dificilmente será
recuperado e, como desdobramento, não será citado por seus pares; ou, pelo
paralelo que traça este texto, não será “lembrado”, pois, insisto, os limites da
linguagem determinam o seu esquecimento na medida em que o esquema simbólico
utilizado é incapaz de expressar com nitidez o conhecimento que ele porta.

�5.12

Neste ponto cabe um parêntese. Os processos de exclusão dos
conhecimentos gerados nos países periféricos da “mainstream science” são ainda
mais variados. A argumentação sobre a qualidade dos trabalhos, sobre os critérios,
ou a falta deles, adotados pelos “referees” das revistas, sobre o caráter regional
dessas publicações, são ciclicamente utilizados como barreiras para incorporação
desses saberes nas memórias eletrônicas. Sem pensar no reducionismo e na
ideologia das linguagens de indexação, de uma forma geral, tudo que é escrito em
outro idioma que não o inglês é desfavorecido pelos mecanismos de coleta das
bases de dados comerciais. No entanto, muitos estudos põem em evidência que
uma proporção significativa da pesquisa científica produzida dentro das fronteiras
dos países em desenvolvimento, em domínios específicos mas pertinentes a
problemas universais da ciência moderna, são de grande importância tanto para o
conjunto desses países quanto para a ciência em geral. Temas como energia solar,
doenças tropicais, agricultura, pecuária são exemplos relevantes.
As linguagens documentárias são, em síntese, metalinguagens derivadas da
linguagem natural, com semântica e sintaxe própria.

Dessa estrutura de

representação simbólica depende, como já foi enfatizado, a formação da memória
eletrônica e também as suas possíveis partições. Quero dizer com isto que um único
trabalho científico pode ser incorporado em várias memórias, ou seja, ele pode
pertencer a várias bases de dados. Os registros em bases de dados distintas das
várias leituras possíveis de um documento são viabilizados por códigos de
representação específicos e diferenciados, que interpretam este documento através
de regras internas de um sistema de informação qualquer.

Esses códigos

possibilitam também que esses trabalhos possam ser "lembrados" por diferentes

�5.12

grupos que os valorizem segundo uma ótica própria. É como se um mesmo fato
estivesse em memórias coletivas de vários grupos e fosse lembrado de forma
distinta por cada um deles.
Suponhamos que um pesquisador escreva um trabalho sobre compreensão
de linguagem natural por robôs. Supondo também que esse trabalho ultrapasse
todos os filtros de seleção e garanta a sua homologação pela comunidade, ele
poderá ser incorporado numa base de Inteligência Artificial, onde um vocabulário
específico fará a representação do seu conteúdo informacional, enfatizando a sua
ligação com os problemas dessa área; ao passo que, através de um outro código,
os lingüistas registrarão nas suas bases de dados os fatos sobre Lingüística
computacional presentes no trabalho e, exagerando um pouco, os pesquisadores da
área de Robótica fariam uma terceira interpretação.
Como vimos, um trabalho individual, que faz parte do curriculum vitae, da
biografia de uma criatura, é submetido a várias interpretações e absorvido por
memórias de vários grupos.

Esta partição é viabilizada pela linguagem.

Obviamente, os mecanismos de lembrança, isto é, de recuperação e citação, vão
estar submetidos às mesmas regras dessa linguagem.
Mas se este trabalho não está em nenhuma memória, não pertence a
nenhum grupo, não tem existência reconhecida pela comunidade, ele na verdade
não existe. É só um segredo indecifrável na gaveta e no coração de seu autor.
HALBWACHS (1990) diz que a memória individual é um ponto de vista da
memória coletiva. Dentro desta mesma perspectiva, talvez não fosse um exagero
dizer que um trabalho científico cumpre o mesmo pressuposto.

Ainda sobre o

exemplo acima, poderíamos dizer que um lingüista pode recordar esse trabalho

�5.12

apenas pela gramática especial que ele propôs; um pesquisador de Inteligência
Artificial estará atento às formas de representação de conhecimento necessárias à
representação das regras da gramática proposta; alguém da área de Ergonomia tem
sua atenção desviada pelos fatores que proporcionam uma melhor interação
homem-máquina; e os impactos psicossociais serão recordados por um pesquisador
em Psicologia.
Mas na verdade, incorporar-se a uma base de dados - na nossa memória
eletrônica - é a última etapa de todas pela qual deve passar uma contribuição à
ciência. O ritual se inicia no momento em que o pesquisador determina o escopo de
seu trabalho, cujos graus de liberdade estão determinados por constrangimentos
sociais,

políticos,

econômicos

e,

como

veremos

adiante,

por

aspectos

mercadológicos. Ao elaborar um projeto de pesquisa, o pesquisador deve estar
sensível ao fato de que algumas áreas são oficialmente apoiadas pelos órgãos de
fomento à pesquisa e que essas áreas já foram previamente definidas e somente os
projetos que estiverem enquadrados nestes planos receberão aval institucional,
recursos e financiamentos dos órgãos de apoio à pesquisa. É o caso do PADCT Plano Básico de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, que define no país o
que os pesquisadores têm de pesquisar. Estes planos cumprem um papel
importante na estruturação, ordenação e homologação da ciência oficial que estará
refletidas nas diversas memórias eletrônicas.
Os autores que logram publicar seus trabalhos em revistas ou em anais de
eventos considerados importantes para sua comunidade são os que terão
possibilidade de ter os seus trabalhos incorporados nas bases de dados. Dentro
dessa perspectiva, o conhecimento selecionado, representado e registrado nas

�5.12

grandes bases de dados internacionais constituem a documentação sobre a
atividade científica oficialmente aceita pela comunidade que a gerou.

Essas

contribuições receberam o endosso, a homologação dos pares e receberam,
portanto, o direito de pertencerem à memória oficial da ciência. Dessa maneira, as
bases de dados se constituem na forma mais fiel dos testemunhos dos cientistas. É
a esta memória eletrônica que os pesquisadores se dirigem em busca dos
referenciais teóricos para as suas atividades.
Um outro fator que tem um impacto determinante na construção da memória
eletrônica é que ela constituí um grande negócio.

Um negócio que movimenta

anualmente milhões de dólares. A informação deixou de ser um bem puramente
cultural e transformou-se em bem econômico Dessa transformação, que modificou
totalmente a percepção do valor da informação, apropriou-se

o capitalismo,

engendrando o que chamamos "Indústria da Informação", que tem, em outro plano,
uma trajetória bastante semelhante à da Indústria da Cultura, no que diz respeito à
sua incorporação à estrutura capitalista ou pós-capitalista, como querem alguns, e à
sua definitiva transformação em bem comercializável.
Qualquer abordagem do fenômeno da informação a partir da perspectiva
econômica implica em se estar diante de um paradoxo típico do nosso tempo: a
informação livre, perene e longeva materializando-se em um bem mutável, temporal,
detentor de valor de troca e situado dentro do espaço de relações de um mercado.
No contexto da nossa discussão, isto faz com que interesses econômicos e
mercadológicos entrem na composição da memória eletrônica.
1. A construção desta memória, como já foi dito várias vezes, depende fortemente
do poder de representação das linguagens documentárias. De acordo com as

�5.12

circunstâncias, elas podem levar ao exagero de fatos e descobertas, como há
pouco tempo aconteceu com as descobertas de fatos novos sobre a
supercondutividade ou, mais recentemente, sobre a fecundação de mulheres
idosas.

Mas também promover o silêncio, o esquecimento, como vimos no

exemplo do óleo de dendê. No entanto, as "zonas de sombras e silêncios” na
expressão de Michael POLLAK, podem anteceder a linguagem e se instalar como
desdobramento de outros problemas, principalmente os ideológicos. Quantos
cientistas no mundo inteiro, por suas posições antagônicas aos regimes políticos
de suas pátrias, vítimas do totalitarismo, de ditaduras e de intransigências,
tiveram seus trabalhos de pesquisa impedidos de serem divulgados e banidos da
memória de sua época.
As bases de dados são, pois, a metáfora da memória da ciência que se
pratica hoje. Elas reúnem os testemunhos de pesquisadores com uma linguagem
própria, que parece ser mais um instrumento na eterna busca da pedra filosofal da
ciência, que é a busca da ordem, do enquadramento, da classificação, num mundo
cada vez mais desordenado e mais entrópico.

ABSTRACT

A parallel is drawn between forms of incorporating knowledge into international
databases and the concept of collective memory in the field of world scientific
production. This paper analyses databases, their representation and retrieval
schemes, their selectivity, and the restrictions imposed by indexing languages on
scientific production in the Third World. It is concluded that databases are
repositories of the consensual knowledge created by modern science, thus
constituting the memory of officially accepted science.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

�5.12

1 BELKIN, Niccholas J. Anomalous state of knowledges as a basis for information
retrieval. Canadian Journal of Information Science, v. 5, p. 133-140, 1980.
2 GAILLARD, Jacques. La science du tiers monde est-elle visible? La Recherche,
n. 210, p. 636-640, 1989.
3 GOMES, Hagar E. Manual de elaboração de tesauros monolíngues. Brasília :
PNBU, 1990. 78 p.
4 HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo : Vértice, 1990. 189 p.
5 POLLAK, M. Memória, esquecimento, silêncio. Estudos Históricos, v. 2, n. 3,
p.3-15, 1989.
6

WITTGENSTEIN, L. Tractatus logico-philosophicus, 1961.

�</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </file>
  </fileContainer>
  <collection collectionId="45">
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51360">
                <text>SNBU - Edição: 09 - Ano: 1996 (UFPR &amp; PUCPR - Curitiba/PR)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51361">
                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51362">
                <text>Tema: A biblioteca universitária e a sociedade da informação.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51363">
                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51364">
                <text>UFPR &amp; PUC-PR</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51365">
                <text>1996</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51366">
                <text>Português</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51367">
                <text>Evento</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51368">
                <text>Curitiba (Paraná)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
  </collection>
  <itemType itemTypeId="8">
    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
  </itemType>
  <elementSetContainer>
    <elementSet elementSetId="1">
      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
      <elementContainer>
        <element elementId="50">
          <name>Title</name>
          <description>A name given to the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="51943">
              <text>Base de dados: a metáfora da memória científica. </text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="39">
          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="51944">
              <text>Sayão, Luiz Fernando</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="38">
          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="51945">
              <text>Curitiba (Paraná)</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="45">
          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="51946">
              <text>PUCPR</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="40">
          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="51947">
              <text>1996</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="51">
          <name>Type</name>
          <description>The nature or genre of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="51949">
              <text>Evento</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="41">
          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="51950">
              <text>Traça um paralelo entre as formas de incorporação de conhecimento nas bases de dados internacionais e o conceito de memória coletiva dentro do âmbito da produção científica mundial.Analisa as bases de dados, seus esquemas de representação e recuperação, sua seletividade e as barreiras impostas pelas linguagens de indexação à ciência produzida no terceiro mundo. Conclui que as bases de dados são os repositórios dos conhecimentos consensuais gerados pela ciência moderna, constituindo, dessa forma, a memória da ciência oficialmente aceita.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="44">
          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="68176">
              <text>pt</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
      </elementContainer>
    </elementSet>
  </elementSetContainer>
</item>
