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                  <text>INOVAÇÃO TECNOLÓGICA E GESTÃO NA REDE SIRIUS – REDE DE
BIBLIOTECAS UERJ, A PARTIR DO DESENVOLVIMENTO DE UM SISTEMA
DE INFORMAÇÕES GERENCIAIS

Alexandre Rojas∗
Nadia Lobo da Fonseca
Nysia Oliveira de Sá
Regina Serrão Lanzillotti

RESUMO

Trata das oportunidades trazidas pelas dimensões tecnológicas para a Rede
Sirius, órgão que congrega as Bibliotecas da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (UERJ), visando a proposição de um modelo de integração
multidisciplinar que mescle os resultados obtidos por especialistas em
Biblioteconomia, Educação, Sistemas de Informação e Estatística. Relaciona a
gestão da Rede Sirius e a implementação do SIG/ Rede Sirius aos pressupostos
do pensamento sistêmico, da Teoria das Cinco Disciplinas de Peter Senge e do
modelo da criação do conhecimento de Ikujiro Nonaka e Hirotaka Takeuchi. De
acordo com tais pressupostos, caracteriza-se a Rede Sirius como organização
inovadora, na qual estratégias diversas propiciam, entre outros benefícios,
aproximar "realidade atual" e "visão" (realidade pretendida).
PALAVRAS-CHAVE: Rede Sirius – Rede de Bibliotecas UERJ. Gestão do
conhecimento. Bibliotecas Universitárias. Inovação tecnológica.

1 ANTECEDENTES
A cooperação e o compartilhamento de recursos incluem-se entre as
estratégias adotadas pelas Instituições de Ensino Superior (IES) para contornar
dificuldades que restringem o crescimento de suas bibliotecas e comprometem
sua atuação como suporte ao ensino, pesquisa e extensão. Diante desse fato, as
IES têm buscado adequar-se estruturalmente, para fazer face a essa nova
realidade.
No caso da UERJ, em 1997, as bibliotecas passaram por um processo de
avaliação interna, que determinou sua reestruturação organizacional, compondo
uma rede denominada Rede Sirius – Rede de Bibliotecas UERJ. Trata-se de uma

�unidade administrativa, convivendo com diversas áreas do conhecimento, o que
exige subunidades prestadoras de serviços de informação diferenciadas, focadas
no usuário em busca de um atendimento de qualidade. A especificidade da Rede
Sirius decorre da interação das bibliotecas entre si, com os Núcleos e as Seções
de Apoio Administrativo e com o Sistema UERJ "não comportando, portanto,
transpor, a priori, um modelo proposto a partir de outra realidade"1.
Data dessa época a aproximação das bibliotecas a outras unidades da
UERJ, a partir da assessoria técnica prestada pelo Instituto de Matemática e
Estatística (IME) ao Grupo Especial de Trabalho (GET)2, que elaborou a proposta
de reestruturação para as bibliotecas3.
O Departamento de Estatística do IME foi responsável pela consolidação
dos dados resultantes do diagnóstico e do estudo de necessidades e demanda de
informação (ENDI) aplicados pelo GET, e dos quais participaram, direta ou
indiretamente, a clientela interna (servidores das bibliotecas) e externa
(representada pelo público prioritário das bibliotecas: docentes e discentes –
freqüentadores e não freqüentadores).
Tendo em vista a integração obtida com esta parceria, buscou-se
consolidá-la,

quando foi iniciada a implantação da Rede Sirius, em 1998, e

atualmente, dela também participa o Departamento de Informática e Ciência da
Computação do IME (COMPUT).
A assessoria do COMPUT viabilizou a modelagem do sistema de
informações gerenciais (SIG/Rede Sirius), iniciativa ratificada pela Universidade

1

FONSECA, Nadia Lobo da et al. Dimensionamento de recursos humanos para a Rede Sirius:
uma contribuição. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 12., 2002,
Recife. Anais... Recife: SNBU, 2002, 1 CD-Rom. p. 69.
2

O GET foi instituído pela Reitoria da UERJ, em 1997, e envolveu cinco bibliotecárias da
universidade escolhidas pelos seus pares. Esse grupo de trabalho contou com a assessoria de
duas doutoras (uma da área de Ciência da Informação, e a outra das áreas de Estatística e
Engenharia de Transportes).
3

SÁ, Nysia Oliveira de (coord.). Rede Sirius: uma proposta de gestão para as bibliotecas da UERJ.
In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 10., 1998, Fortaleza. Anais...
Fortaleza: SNBU,1998. 3 arquivos (657bytes), disquetes de 3 1/2 polegadas.Word for Windows
6.0.

�por meio do Programa de Apoio Técnico às Atividades de Ensino, Pesquisa e
Extensão (PROATEC), com a contratação de um programador.
Nessa modelagem, adotou-se a metodologia “Análise Orientada a Objeto”
para o desenvolvimento da parte computacional, a linguagem Delphi e o Banco de
Dados Interbase. O programador contratado, sob a coordenação de um docente
do COMPUT/UERJ, precisou interagir com os servidores da Rede, obtendo
informações sobre a infra-estrutura computacional existente e, posteriormente,
ministrando, a alguns servidores, noções de Delphi. A intenção era capacitá-los
para dar suporte ao projeto e, no futuro, repassar os fundamentos da modelagem
do SIG, propagando-se, dessa forma, o conhecimento adquirido ao longo do
desenvolvimento dessa ferramenta gerencial.
Com a implementação do SIG, a Rede Sirius demonstra espírito inovador,
buscando capitalizar o potencial de técnicos e docentes, tanto em direção ao seu
autodesenvolvimento, quanto ao da organização.
Seguem-se, em linhas gerais, reflexões, de forma holística, da equipe
multidisciplinar integrada por especialistas em Biblioteconomia, Educação,
Sistemas de Informação e Estatística, em torno de conceitos da área de gestão
do conhecimento nas organizações, conforme Ludwig von Bertalanffy, Peter
Senge, Ikujiro Nonaka e Hirotaka Takeuchi, dada a abordagem, por esses
autores, de aspectos cruciais referentes às "organizações inovadoras".

2

ALGUMAS ABORDAGENS DA GESTÃO DO CONHECIMENTO NAS

ORGANIZAÇÕES

Dentre as obras estudadas, destacaram-se as de Bertalanffy, Nonaka,
Takeuchi e Senge, pela possibilidade de serem estabelecidos elos entre aspectos
teóricos abordados por esses autores, e o processo de implementação da Rede
de bibliotecas.

�A começar pelos princípios da Teoria Geral de Sistemas de Bertalanffy4,
que embasaram a elaboração da proposta de uma estrutura em rede, quando se
discutiu, entre outras, a questão da convivência simultânea de redes e sistemas
em uma organização, bem como a interação entre sistemas/subsistemas e
sistemas/sistemas.
De acordo com Senge5, a base para a construção de uma organização que
aprende é a prática de cinco disciplinas componentes: o pensamento sistêmico, o
domínio pessoal, os modelos mentais, a construção de uma visão compartilhada
e a aprendizagem em equipe. Essas disciplinas, apesar de desenvolvidas
separadamente, são mutuamente complementares e, juntas, formam um conjunto
indissociável, que contribui para inovar as organizações, e ampliar continuamente
sua capacidade de aprendizagem.
Segundo este autor, apesar de a aprendizagem individual não garantir a
aprendizagem organizacional, sem a primeira, a segunda não pode acontecer,
pois a aprendizagem individual adaptativa, visando à sobrevivência, é a mais
comum nas organizações. Embora necessária, ela não é suficiente em uma
organização que aprende, na qual os dois tipos de aprendizagem devem ser
combinados para que se obtenha o máximo da sua capacidade inovadora.
Outra característica importante do modelo é a manutenção de um estado
constante de tensão criativa no âmbito organizacional, que é a força resultante da
tendência natural dos indivíduos em buscar soluções para as tensões
encontradas no dia-a-dia. Essas tensões surgem no momento em que os
indivíduos reconhecem uma divergência entre a realidade atual (real – aquilo que
temos) e a realidade desejada (visão – aquilo que desejamos).
Senge identificou duas formas distintas de resolver as tensões criativas que
surgem nas organizações: ou procura-se alinhar a realidade atual com a visão, ou
tenta-se reduzir esta, a fim de conciliá-la com a realidade atual. A segunda
4

BERTALANFFY, Ludwig von. Teoria geral dos sistemas. 2.ed. Petrópolis: Vozes; Brasília: INL,
1975.
5

SENGE, P. A Quinta Disciplina: arte e prática da organização que aprende. São Paulo: Best
Seller, 2000.

�solução, apesar de mais imediata, pode levar a um processo gradual de
degradação da visão. Isso acontece porque, invariavelmente, novas pressões
surgirão, afastando ainda mais a realidade atual da nova visão estabelecida, e já
reduzida. Se, ao contrário, entende-se a tensão criativa e permite-se que funcione
sem reduzir a visão, esta se torna uma força ativa na organização. Dessa forma,
os indivíduos criativos usam a lacuna entre a visão e a realidade atual para gerar
energia para a mudança. Deve-se ressaltar, porém, que o controle da tensão
criativa só é possível mediante paciência, perseverança e compromisso com a
verdade.
A seguir apresenta-se, em síntese, a prática das cinco disciplinas:
Domínio Pessoal: é a disciplina do crescimento e da aprendizagem das
pessoas que estão continuamente expandindo sua capacidade de criar em
busca das metas estabelecidas.
Modelos Mentais: refere-se ao desenvolvimento da capacidade da
organização de trabalhar com pressupostos profundamente arraigados,
generalizações ou imagens internas que influenciam a forma de agir e
entender o mundo, tanto do indivíduo quanto da organização.
• Visão Compartilhada: corresponde às metas, aos valores e às missões
compartilhados na organização, que formam uma imagem do futuro que se
deseja alcançar. A construção de uma visão compartilhada não deve ser
confundida com a visão de uma pessoa ou de um grupo imposta a uma
organização.
• Aprendizagem em Equipe: visa fomentar o diálogo entre os integrantes da
equipe, a fim de estimular o pensamento conjunto e superar os limites da
visão individual.
•

Pensamento Sistêmico: funciona como a ferramenta que integra todas as
outras disciplinas, fornecendo a motivação para análise das inter-relações
entre elas, de forma que a soma das partes possa exceder o todo.

�O trabalho desenvolvido por Nonaka e Takeuchi6 é um dos principais
estudos teóricos sobre a relação entre conhecimento tácito e explícito e o
processo de inovação na organização. O conhecimento tácito é o ponto de partida
do processo de inovação, por isso as organizações devem estar preparadas para
absorvê-lo e disseminá-lo por toda a organização, incorporando-o em produtos e
tecnologias. Esse processo baseia-se, fundamentalmente, no comprometimento
dos funcionários com a organização e com a sua missão, exigindo, para isso,
pessoas que se sintam à vontade em trabalhar tanto com imagens e símbolos,
quanto com dados concretos.
Na empresa criadora do conhecimento, de acordo com o modelo dinâmico
desenvolvido por estes autores, há quatro maneiras distintas de manifestação:
socialização, que é a conversão do conhecimento tácito em conhecimento
explicito;

externalização,

compartilhadas;

processo

combinação

e

através

internalização,

do
o

qual

experiências

conhecimento

tácito

são
é

multiplicado, na forma de modelos mentais e habilidades técnicas.
Cada modo de conversão do conhecimento é ativado por um evento
distinto. A socialização inicia-se, usualmente, com a construção de um campo de
interação que facilita o compartilhamento dos modelos mentais e experiências
individuais. A externalização, pelo diálogo e reflexão coletiva, através da utilização
de metáforas e analogias que auxiliam na articulação do conhecimento tácito. Já
o processo de combinação se dá pela associação dos conhecimentos explícitos
novos e já existentes, consolidando-os em um novo produto ou serviço.
Finalmente, o processo de internalização é ativado pelo "aprender fazendo" (por
exemplo, a experiência de desenvolver um novo produto).
Tal processo, para os autores, constitui-se em vantagem competitiva das
companhias japonesas, cujo sucesso deve-se à sua capacidade de gerenciar o
conhecimento. Criar novo conhecimento de maneira consistente, disseminá-lo
através da organização, e rapidamente incorporá-lo em novas tecnologias e
produtos caracterizam, segundo Nonaka e Takeuchi,"a empresa criadora do
6

NONAKA, I. ; TAKEUCHI, H. The knowledge-creating company: how Japanese companies
create the dynamics of innovation. New York: Oxford University Press, 1995.

�conhecimento", cujo principal negócio é a inovação contínua7.
A convergência entre o pensamento de Senge8 – a construção da
organização que aprende – e o de Nonaka e Takeuchi9 – a organização que cria
conhecimento – é que ambos consideram o papel relevante das pessoas que
integram e impulsionam os sistemas, considerando-as fator estratégico para a
competitividade e a inovação no âmbito organizacional.
Drucker10 afirma que cada organização deve desenvolver práticas
sistemáticas para gerenciar a sua autotransformação, o que a prepara para
abandonar conhecimentos obsoletos e aprender a criar o novo, em um processo
de melhoria e inovação contínuas. Nesse contexto, a gestão planejada do
conhecimento e da aprendizagem nas organizações torna-se uma prática
fundamental, pois permite, também, identificar manifestações criativas, bem como
tratá-las de forma organizada e compartilhada.

3 A UNIVERSIDADE E A GESTÃO DO CONHECIMENTO
Relacionando o ambiente universitário às teorias sobre gestão do
conhecimento, infere-se que a Universidade pode se constituir em uma
organização que aprende e cria conhecimento, estabelecendo parcerias intra e
extra muros para minimizar custos e retornar à sociedade parte dos investimentos
nela realizados.
Uma Universidade neste moldes estaria apta a contribuir para a

7

NONAKA, I. ; TAKEUCHI, H. The knowledge-creating company: how Japanese companies
create the dynamics of innovation. New York: Oxford University Press, 1995.
8

SENGE, P. A Quinta Disciplina: arte e prática da organização que aprende. São Paulo: Best
Seller, 2000.
9

NONAKA, I. ; TAKEUCHI, H. The knowledge-creating company: how Japanese companies
create the dynamics of innovation. New York: Oxford University Press, 1995.
10
DRUCKER apud NONAKA, I. ; TAKEUCHI, H. The knowledge-creating company: how
Japanese companies create the dynamics of innovation. New York: Oxford University Press, 1995.

�reforma do pensamento para reformar o ensino, e reformar o
ensino para reformar o pensamento, tendo em vista que nossa
civilização e, por conseguinte, nosso ensino privilegia a separação
em detrimento da ligação, e a análise em detrimento da síntese11.

No entanto, o cotidiano vivenciado nas Universidades leva a crer que há
duas posturas distintas relativas à gestão do conhecimento. A primeira delas
entende a organização como uma máquina de disseminação e processamento de
informação, na qual apenas o conhecimento formal e sistemático é útil. Há uma
profusão de valores organizacionais trazidos pelos administradores – muitas
vezes egressos do corpo docente – que estão intimamente relacionados com a
pluralidade de cursos e áreas de conhecimento.
Nessa abordagem, a mensuração do valor dos novos conhecimentos
também parte de critérios quantificáveis – maior eficiência, custos menores,
melhor aproveitamento por parte dos alunos. Isto se traduz numa busca contínua
por melhoria.
Na segunda postura, insere-se a Universidade que busca, através do
gerenciamento adequado do seu conhecimento, responder rapidamente aos
clientes (alunos, funcionários e sociedade), criar novos mercados, desenvolver
com agilidade novos produtos e dominar tecnologias emergentes. Assim, a gestão
dessa

Universidade

implica

em

reconhecer

que

a

criação

de

novos

conhecimentos não é fruto apenas do processamento de informações objetivas,
mas, principalmente, do aproveitamento de insight e das intuições dos membros
da organização, de acordo com Nonaka12.
Portanto, as organizações inovadoras podem ser definidas como um
sistema de interações dotado de grande flexibilidade, em que predominam as
relações de compartilhamento do conhecimento entre os indivíduos. Assim, para
fomentar a inovação no ambiente universitário, é indispensável o desenvolvimento

11

MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002. p.24
NONAKA, I. A empresa criadora de conhecimento. ln: Gestão do Conhecimento. Rio de
Janeiro: Campus, 2000. p. 27 - 45.
12

�de uma cultura organizacional13 voltada para a experimentação e a aprendizagem
contínuas.
Uma das maneiras de se propiciar o processo de combinação entre
conhecimento tácito e conhecimento explicito é o uso efetivo de redes de
comunicação computadorizadas e de bancos de dados.
Tendo em vista tais pressupostos, na UERJ, o Sistemas de Informações
Gerenciais (SIG/ Rede Sirius) vem sendo modelado de forma a se constituir em
um dos elementos -chave, que possibilitará a consolidação dos dados gerados
pelos diversos setores da Rede. Combinando conhecimento tácito e explícito, ao
sintetizar informações de fontes diversas, o SIG permitirá inferir novos
conhecimentos, constituindo-se em ferramenta gerencial relevante para a Rede
Sirius, pois esta, tal como preconizado por Ranganathan14, constitui-se em um
organismo vivo, em constante crescimento.
Em decorrência, na modelagem do SIG/ Rede Sirius, considerou-se a
importância do meio ambiente - um dos elementos essenciais para o estudo das
interconexões entre as várias partes que compõem um sistema - por exercer
grande influência na operação do mesmo15, de acordo com Bertalanffy. Isto
porque a Rede Sirius é uma organização que pode ser vista como um sistema
aberto, conforme concebido por Wetherbe, ou seja,
[...] em interação contínua com o meio ambiente para
reabastecimento de material, energia e informação, e que pode se
adaptar às mudanças das condições internas e de meio ambiente,
é auto-organizado e pode mudar sua organização em resposta a
mudanças de condições16.
13

Considerou-se cultura organizacional como "um conjunto de valores e crenças socialmente
apreendidos pelos membros que a compõem [a organização], formando assim uma identidade
organizacional explícita e diferenciada, expressa em ações compartilhadas de todos os seus
integrantes, como respostas aos desafios propostos pelo mundo exterior". In: CAMPOS, C. A
organização inconformista: como identificar e transformar mentes revolucionárias em um
diferencial competitivo. Rio de Janeiro: FGV, 2001.p. 55.
14
Ranganathan apud LANCASTER, F. W. Avaliação de serviços de bibliotecas. Brasília: Briquet
de Lemos/Livros, 1996.
15

BERTALANFFY, Ludwig von. Teoria geral dos sistemas. 2.ed. Petrópolis: Vozes; Brasília: INL,
1975.
16

Wetherbe apud BRAGA, Fabiane dos Reis. Um modelo de monitoramento ambiental

�4

ANALOGIAS

ENTRE

A

GESTÃO

DO

CONHECIMENTO

E

A

IMPLEMENTAÇÃO DA REDE SIRIUS

No caso da Rede Sirius, estudos que antecederam a sua implantação
constataram que, em sua maioria, os servidores das bibliotecas da UERJ
possuíam nível de escolaridade superior ao exigido para o desempenho dos
cargos. Este fato suscitou a emergência de uma filosofia de gestão participativa,
em que se pudesse contar com a contribuição de todos na resolução dos
problemas organizacionais.
Tal filosofia de gestão, por agregar saberes, muito se assemelha à
conversão do conhecimento tácito em explícito, pela socialização, externalização,
combinação e internalização. A gestão participativa propiciou a formação de
grupos de trabalho integrados por clientes internos (servidores) e externos
(discentes e docentes), como aquele que vem desenvolvendo o SIG/ Rede Sirius.
Essa experiência de desenvolver um novo produto, por sua vez, favoreceu o
processo de internalização, pois o conhecimento adquirido é multiplicado, sendo
transmitido de servidor para servidor, em um processo contínuo de propagação
do conhecimento.
No que concerne à Rede Sirius, a concretização do pensamento sistêmico
se manifesta também no modelo de gestão participativa, pois a atuação dos
gerentes de forma sincronizada com a direção, e demais componentes,
assemelha-se a uma cadeia, cujos elos poderão interagir, mais facilmente, por
meio de um sistema de informações gerenciais. À semelhança dos modelos
mentais, o SIG favorece a abertura necessária para identificar limitações nas
formas atuais de ver a realidade.
Por outro lado, esse estilo de gestão propicia a aprendizagem em equipe
ao permitir superar os limites das perspectivas individuais, estimulando as
pessoas talentosas e inovadoras a estabelecerem metas comuns (visão
(environmental scanning) orientado para o planejamento estratégico da CNEN. 1997. 96 f.
Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio
de Janeiro. p. 4.

�compartilhada), um compromisso com o longo prazo.
Há a expectativa, portanto, de que o SIG/ Rede Sirius, como ferramenta de
disseminação da informação gerencial, venha a se constituir em um fator
integrador entre a comunidade acadêmica e as bibliotecas, de modo que aquela
adquira uma percepção diferenciada destas, a partir do seu envolvimento com a
Rede Sirius em propostas de resolução de problemas (como, por exemplo, a
otimização de recursos) indicando estratégias inovadoras, criticando ou sugerindo
mudanças de rumos.
Este envolvimento, atualmente, é propiciado pela possibilidade de
participação da comunidade nas Comissões de Bibliotecas, cuja atribuição é
consultiva e deliberativa, assessorando a gerência em atividades como o
desenvolvimento de coleções, planejamento orçamentário, e a divulgação da
prestação de serviços informacionais.
No entanto, existem obstáculos a superar, pois só quando uma
organização consegue efetivamente desenvolver uma visão compartilhada, os
indivíduos passam a possuir um senso de comunidade que permeia toda a
organização e dá
coerência às diversas atividades desenvolvidas. Isto é questão de tempo,
pois o alcance deste objetivo está atrelado à aprendizagem que significa mudança
de comportamento. Por sua vez, mudança de comportamento se traduz na
internalização do conhecimento.
Além disso, as dificuldades concentram-se também no domínio pessoal.
Apesar de todo o empenho da Rede Sirius, desde 2000, em criar um ambiente
propício à aprendizagem, a captação de indivíduos potencialmente inovadores por
organizações do setor público esbarra, geralmente, em exigências formais e
legais (concurso público, regime estatutário), submetendo-se a preocupação em
adequar indivíduo e atribuição, à necessidade de prover as vagas de
determinados cargos.
Contudo, observam-se indicativos de uma gradativa mudança de postura

�dos servidores das bibliotecas, constatando-se que a disseminação do
conhecimento

gerado

deixou

de

estar

circunscrita

à

Universidade,

consubstanciada na crescente participação de bibliotecários apresentando
trabalhos em eventos técnico-científicos das áreas de Biblioteconomia, Ciência da
Informação e afins, e em parceria com os docentes e discentes ligados à bolsa de
Estágio Interno Complementar17.
Acredita-se, portanto, que iniciativas como as da Rede Sirius (mudança de
estrutura organizacional, implementação de ferramentas gerenciais, gestão
participativa,

etc.)

constituem-se

em

estratégias

para

superar

entraves

burocráticos e aproximar a realidade atual da visão, que poderão servir de
parâmetros a outras organizações comprometidas com a melhoria e inovação
constantes.
ABSTRACT
It discusses the opportunity introduced by the technological dimensions for Rede
Sirius, that congregates the libraries of Universidade do Estado do Rio de Janeiro
(UERJ), aiming to propose of a multidisciplinary integration model, that links the
results gained by specialists in Librarianship, Education, Information Systems and
Statistics. It correlates to the management of Rede Sirius, and the implementation
of a System of Management Information – SMI/ Rede Sirius to the postulates of
systemic thought, of Theory of Peter Senge’s 5 Disciplines and of the knowledge
creation standard of Nonaka and Takeuchi. According to these postulates, Rede
Sirius is characterized as an innovatory organization, in which many strategies
propitiate, among other benefits, a closer approach between the "present reality"
and "vision" (a desirable reality).
KEYWORDS: Rede Sirius – Rede de Bibliotecas UERJ. Knowledge Management.
University Libraries. Technological innovation.

REFERÊNCIAS
BERTALANFFY, Ludwig von. Teoria geral dos sistemas. 2.ed. Petrópolis:
Vozes; Brasília: INL, 1975.

17

Esta afirmação decorre da análise do Relatório de Atividades da Rede Sirius, nos últimos quatro
anos.

�BRAGA, Fabiane dos Reis. Um modelo de monitoramento ambiental
(environmental scanning) orientado para o planejamento estratégico da
CNEN. 1997. 96 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) –
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
CAMPOS, C. A organização inconformista: como identificar e transformar
mentes revolucionárias em um diferencial competitivo. Rio de Janeiro: FGV, 2001.
FONSECA, Nadia Lobo da et al. Dimensionamento de recursos humanos para a
Rede Sirius: uma contribuição. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 12., 2002, Recife. Anais... Recife: SNBU, 2002, 1 CD-Rom.
LANCASTER, F. W. Avaliação de serviços de bibliotecas. Brasília: Briquet de
Lemos/Livros, 1996.
MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.
NONAKA, I. A empresa criadora de conhecimento. ln: Gestão do Conhecimento.
Rio de Janeiro: Campus, 2000. p. 27 a 45.
NONAKA, I. ; TAKEUCHI, H. The knowledge-creating company: how Japanese
companies create the dynamics of innovation. New York: Oxford University Press,
1995.
SÁ, Nysia Oliveira de (coord.). Rede Sirius: uma proposta de gestão para as
bibliotecas da UERJ. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 10., 1998, Fortaleza. Anais... Fortaleza: SNBU,1998. 3
arquivos (657bytes) , disquetes de 3 1|2 polegadas.Word for Windows 6.0.
SENGE, P. A Quinta Disciplina: arte e prática da organização que aprende. São
Paulo: Best Seller, 2000.

rojas@ime.uerj.br Docente. Departamento de Informática e Ciência da Computação/UERJ
nlobo@uerj.brBibliotecária.
Rede
Sirius
–
Rede
de
Bibliotecas
UERJ

nysiasa@hotmail.br Bibliotecária. Conselho Regional de Biblioteconomia, 7ª Região (Av.
Rio
Branco, 277, 7° andar, sala 709. Centro – RJ. Brasil)
regina@ime.uerj.br Docente. Departamento de Estatística/ UERJ.
Universidade do Estado do Rio de Janeiro. R. São Francisco Xavier, 524, s. 3002, Bl.C Maracanã. Rio de Janeiro. RJ.CEP: 20530-013. Brasil.

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                <text>Tema: Bibliotecas universitárias: (Re) Dimensão de bibliotecas universitárias: da gestão estratégica à inclusão social.</text>
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                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Inovação tecnológica e gestão na Rede Sirius – Rede de Bibliotecas UERJ, a partir do desenvolvimento de um sistema de informações gerenciais.</text>
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              <text>Rojas, Alexandre; Fonseca, Nadia Lobo da; Sá, Nysia Oliveira de, Lanzillotti, Regina Serrão </text>
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              <text>Trata das oportunidades trazidas pelas dimensões tecnológicas para a Rede Sirius, órgão que congrega as Bibliotecas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), visando a proposição de um modelo de integração multidisciplinar que mescle os resultados obtidos por especialistas em Biblioteconomia, Educação, Sistemas de Informação e Estatística. Relaciona a gestão da Rede Sirius e a implementação do SIG/ Rede Sirius aos pressupostos do pensamento sistêmico, da Teoria das Cinco Disciplinas de Peter Senge e do modelo da criação do conhecimento de Ikujiro Nonaka e Hirotaka Takeuchi. De acordo com tais pressupostos, caracteriza-se a Rede Sirius como organização inovadora, na qual estratégias diversas propiciam, entre outros benefícios, aproximar "realidade atual" e "visão" (realidade pretendida).</text>
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