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                  <text>6.8

O PADCT E AS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: O CASO DA BIBLIOTECA
COMUNITÁRIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS

Lourdes de Souza Moraes

*

RESUMO
Descreve a experiência de captação de recursos externos da Biblioteca Comunitária
da Universidade Federal de São Carlos nos últimos anos, por meio de apresentação
de projetos às agências financiadoras. Enfoca, sob vários pontos, a
sua
participação no Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico PADCT, como unidade executora de projetos específicos para o financiamento de
acervo, infra-estrutura e serviços.

1 INTRODUÇÃO

Primeiramente, gostaríamos de tecer algumas considerações a respeito deste
trabalho, que tem por objetivo divulgar as experiências, consideradas bem
sucedidas, da Biblioteca Comunitária (antiga Biblioteca Central) da Universidade
Federal de São Carlos - BC/UFSCar, junto ao Programa de Apoio ao
Desenvolvimento Científico e Tecnológico - PADCT.

Quando falamos em

bibliotecas universitárias estamos, na verdade, relatando a nossa experiência e
talvez a de algumas bibliotecas que vivenciaram a mesma prática. Portanto, não
podemos e nem temos autoridade para falar em nome das bibliotecas universitárias

*

Diretora da Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos, SP

�6.8

brasileiras, uma vez que podem existir instituições que não se enquadram neste
cenário que procuraremos refletir agora.
As bibliotecas universitárias têm sentido com grande intensidade, ao longo
da última década, uma antiga e eterna ameaça - a falta de recursos para garantir a
manutenção e atualização de seus acervos.
Apesar da ausência de estudos mais recentes nessa direção, podemos supor
que, atualmente, a grande maioria das bibliotecas universitárias não tem condições
de manter seus acervos atualizados, principalmente a coleção de periódicos, sem o
investimento de outras fontes de recursos além daqueles do Tesouro Nacional,
mais comumente chamados de Recursos Orçamentários, isto é, aqueles definidos
no orçamento global da universidade (CHASTINET, 1988).
Agravando mais a situação, aparece a
exige

um

grande

investimento

para

a

nova tecnologia de informação, que
infra-estrutura

de

informática

e

telecomunicações, além dos recursos necessários para a aquisição de bases de
dados em CD-ROM , o acesso a bases de dados remotas e os serviços on-line de
comutação. A automação dos serviços de bibliotecas também aparece,
contexto, necessitando de elevados

neste

recursos para a sua implantação e

manutenção.
Assim,
universitária

hoje, a manutenção do acervo e dos serviços da biblioteca
requer uma significativa aplicação de recursos

que dificilmente

poderão ser captados apenas por uma fonte de recursos - a orçamentária.
Entretanto, contrastando com esse panorama de escassez de recursos, nos
últimos anos algumas bibliotecas universitárias apresentaram um grande salto de

�6.8

qualidade na prestação de serviços, com a utilização dos mais modernos meios de
armazenamento e recuperação da informação, e conseguiram manter seus acervos
atualizados e acrescidos dos novos suportes de informação, além da sua integração
em redes e sistemas nacionais e internacionais de informação.
Na nossa avaliação, dois foram os fatores fundamentais para esse
desenvolvimento das bibliotecas. O primeiro, um fator interno: os investimentos em
bibliotecas tiveram prioridade zero nas administrações universitárias, o que
ocasionou uma

imediata

elevação do percentual dos recursos orçamentários

aplicados na aquisição de acervo e implementação de novos serviços, chegando ao
ponto de destinar quase que a totalidade dos recursos de capital para a compra de
periódicos e livros.
Mas isto não bastaria para financiar toda a infra-estrutura necessária para a
grande mudança tecnológica esperada por todos

porque, apesar do percentual

aplicado pela universidade ser significativo, o montante de recursos para capital é
sempre inexpressivo face as reais necessidades de investimento de uma instituição
em franco desenvolvimento (como é o caso de várias universidades brasileiras). Em
outras palavras: a fatia é grande, mas de um bolo pequeno. Então temos também
grandes investimentos dos recursos próprios na biblioteca.
O segundo fator, tão importante quanto o primeiro, é o que chamamos de
uma nova cultura de captação de recursos para as bibliotecas universitárias. Até
bem pouco tempo atrás era extremamente difícil encontrar em agências
financiadoras linhas que pudessem financiar projetos de infra-estrutura para
bibliotecas. Existia, como existe até hoje, financiamento para aquisição de material

�6.8

bibliográfico em alíneas específicas, com objetivo de dar suporte a determinados
projetos de pesquisa .

Apesar da forma indireta, esse

tipo de financiamento

colaborou enormemente para atualização de acervos e ainda tem contribuído.
Entretanto, fica sempre condicionado à atitude do pesquisador, coordenador do
projeto, de integrar ou não o material bibliográfico adquirido na coleção da biblioteca
universitária.
Felizmente, hoje, no País, as agências financiadoras já apresentam linhas de
financiamento para as bibliotecas, onde não só a atualização e manutenção do
acervo são objetos de projetos específicos como também de infra-estrutura física,
de equipamentos e

materiais permanentes e serviços necessários para o

fortalecimento e a modernização das bibliotecas universitárias. E elas aprenderam
este novo caminho para a captação de novos investimentos.
Assim, o paradoxo existente entre a escassez de recursos orçamentários e o
desenvolvimento das bibliotecas universitárias pode ser melhor compreendido, se
analisadas as fontes externas de recursos, que nos últimos anos têm colaborado
enormemente no financiamento de acervo e infra-estrutura de bibliotecas.

2 O FINANCIAMENTO DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS

Podemos supor que um relatório de aquisição de uma biblioteca universitária,
na década de 70,

mostrava apenas uma fonte de recursos aplicados no

desenvolvimento do acervo. Dificilmente a biblioteca, nessa época, teria outra forma
de captar recursos senão através do orçamento global da universidade.

�6.8

A partir da década de 80, mais especificamente em 1985, com o PNBU Programa Nacional de Bibliotecas Universitárias, surgem as chamadas fontes
externas ou recursos extra-orçamentários,

com alguns programas especiais de

financiamento de acervo. O PAP - Programa de Aquisição de Periódicos e

o

BIBLOS - Programa de Aquisição de Livros Nacionais para a Graduação são os
pioneiros e começam a despertar as bibliotecas para

uma nova diretriz no sentido

de ganhar novos parceiros para a sua manutenção (PLANO, 1986).
Assim, começam a surgir nas agências financiadoras linhas que permitiram
às bibliotecas elaborar projetos de acervo, serviços e infra-estrutura e apresentá-las
como unidades executoras.
Nesta direção, a BC-UFSCar inicia sua atividade de conquista de novos
recursos com um projeto apresentado à FINEP para subsidiar a incorporação de seu
acervo de periódicos no CCN - Catálogo Coletivo Nacional de Publicações Seriadas
por meio magnético. A concessão desse auxílio financeiro, além de permitir a
integração da BC-UFSCar em um sistema nacional de informação, deu também um
grande estímulo para apresentação de novos projetos. O segundo projeto, também
apresentado à FINEP, foi para completar a coleção básica de periódicos, através de
aquisições retrospectivas, cujo resultado foi o fortalecimento das coleções dos
principais títulos do acervo.
A partir daí, muitas mudanças ocorrem com relação à política de obtenção de
recursos para a manutenção do acervo. Além de tomar como básicas e essenciais
todas as orientações do PNBU, no sentido de ser adotado um percentual do
orçamento global da universidade para a manutenção do acervo, as

�6.8

direções das bibliotecas ficaram mais atentas para as novas possibilidades que se
abriram frente a nova política instaurada.
Atualmente, existem vários programas e linhas de financiamento que têm
contribuído enormemente para o fortalecimento das bibliotecas universitárias.
Além de outras formas de financiamento para os programas de pósgraduação, a CAPES tem, ao longo dos últimos três anos, subsidiado a aquisição da
coleção de periódicos estrangeiros, liberando desta forma os escassos recursos
orçamentários para outros investimentos, como por exemplo a compra de livrostexto para a graduação. Além disso, de forma indireta, mas muito positiva, a CAPES
destina 10% das chamadas taxas acadêmicas dos programas de pós-graduação
para a aquisição de material bibliográfico. Este percentual, bem gerenciado e
aplicado, tem resultado em grandes benefícios para o acervo de pesquisa e Pósgraduação.
A FAPESP (para as universidades paulistas) tem tido um papel fundamental
na atualização dos acervos de monografias para a pesquisa e Pós-graduação
através de um programa especial - o FAPLIVROS. Mais recentemente a FAPESP
lançou dentro do seu Programa Emergencial de Apoio à Recuperação e
Modernização da Infra-Estrurura de Pesquisa do Sistema Estadual de Ciência e
Tecnologia I e II, linhas de financiamento em que as bibliotecas puderam submeter
vários projetos diretamente: módulo 1 de Informática;

Ampliação e Modernização dos Recursos

módulo 2 - Bibliotecas: Restauração e Modernização da Infra-

Estrutura, e o módulo 4 - FAPLIVROS III (FAPESP, 1995).

�6.8

Outra nova parceria encontrada para financiamento de coleções especiais e
programas culturais foi o Ministério da Cultura, através do Fundo Nacional de
Cultura, que em 1995 apoiou um grande Programa de Incentivo à Leitura e de
Manutenção de Acervos Culturais para a Biblioteca Comunitária da UFSCar. Com
esta valiosa parceria foi possível a compra de um importante acervo de Literatura
Brasileira que, além de enriquecer uma área extremamente frágil, contribuiu para a
conservação e disponibilização de um patrimônio histórico e cultural brasileiro a toda
comunidade.
Entretanto, na nossa visão, o que realmente tem colaborado

mais

sistematicamente para a emancipação das bibliotecas universitárias na conquista
de novas formas de financiamento, através de apresentação e gerenciamento de
projetos específicos para o fortalecimento de acervos e implantação de novos
serviços de informação, é o PADCT - Programa de Apoio ao Desenvolvimento
Científico e Tecnológico, com seus vários subprogramas.
Apesar de muitas dificuldades encontradas na execução dos projetos, o PADCT , e
mais especificamente sua segunda fase - o PADCT II, tem oferecido grandes
oportunidades às bibliotecas universitárias de concorrer com projetos que propiciam
a retomada do seu desenvolvimento e da sua modernização. A BC - UFSCar
concorreu com vários projetos e tem uma experiência bastante interessante de
trabalho em parceria com vários departamentos acadêmicos da universidade, no
sentido de juntar esforços na captação de recursos para a aquisição de acervos e
de infra-estrutura.

�6.8

3 O PADCT - PROGRAMA DE APOIO AO DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E
TECNOLÓGICO

Resgatando rapidamente a sua história, o PADCT teve

início em 1984,

quando foi assinado o Acordo de Empréstimo entre o Governo Brasileiro e o Banco
Mundial, que previa implantar uma série de ações para fortalecer no País a pesquisa
científica e tecnológica em áreas estratégicas.
Os recursos seriam aplicados e gerenciados através das agências
financiadoras brasileiras: CNPq, CAPES e FINEP, distribuídos em vários
subprogramas, com coordenações específicas.
Atualmente o programa, já no final de sua segunda fase -

PADCT- II,

apresenta 11 subprogramas: Química e Engenharia Química/QEQ; Geociências e
Tecnologia Mineral/GTM; Biotecnologia/SBIO; Instrumentação/SINST;

Educação

para a Ciência/SPEC; Informação em Ciência e Tecnologia/ICT; Planejamento e
Gestão em Ciência e Tecnologia/PGCT; Tecnologia Industrial Básica/TIB;
Manutenção/SPM; Novos Materiais/SNM e Ciências Ambientais/CIAMB (INFORME,
1995).
Segundo Luiz Antônio Barreto de Castro, secretário executivo do PADCT,
todas as avaliações e questões levantadas no Workshop, realizado nos Estados
Unidos, em maio de 1995 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e pelo Banco
Mundial, levam a um possível PADCT III (CASTRO, 1995).

�6.8

3.1 O SUBPROGRAMA DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA

O Subprograma de Informação em Ciência e Tecnologia, coordenado pelo
GT/ICT, iniciado também em 1984,

previa o fortalecimento dos sistemas de

informação para dar suporte às atividades científica e tecnológica do país, através
de várias ações no sentido de criar uma rede nacional de ICT, tendo como diretriz
principal a cooperação e o compartilhamento de serviços e produtos de informação
(PADCT, 1980).
Nessa direção, a proposta inicial do subprograma ICT, que sofreu algumas
alterações, propôs a criação do Sistema Público de Acesso à Base de Dados,
atualmente a Rede de Serviços de Informação em Ciência e Tecnologia ANTARES; a Capacitação de Recursos Humanos; a Criação e Fortalecimento de
Bases de Dados Nacionais em C&amp;T e o Sistema Central de Duplicatas (PADCT).
A Rede ANTARES, coordenada pelo IBICT e composta por 11 Centros
Distribuidores e 168 Postos de Serviços localizados estrategicamente em todo
território nacional, tem o objetivo de disponibilizar para toda a comunidade científica,
tecnológica e empresarial os recursos informacionais em várias áreas do
conhecimento, através do uso da nova tecnologia de informação, ou como definido
pela própria coordenação da Rede: ‘organizar a oferta e estimular a demanda por
informações em Ciência e Tecnologia, criando infra-estrutura tecnológica de
serviços e de recursos humanos’ (IBICT).

4 O PADCT E AS

BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS:

A

EXPERIÊNCIA

�6.8

DA BC/UFSCar

Apesar de ter sido o Subprograma de Informação Científica e Tecnológica,
através do projeto da Rede ANTARES, o que mais diretamente beneficiou a grande
maioria das bibliotecas universitárias, outros subprogramas também tiveram um
papel muito importante na questão de financiamento para acervo e infra-estrutura.
A BC-UFSCar concorreu com cinco projetos do PADCT II, tendo conseguido
a aprovação de quatro projetos em três diferentes subprogramas: - Subprograma de
ICT, com o Projeto Implantação do Posto de Serviço (tipo A) da Rede Antares;
Subprograma de Novos Materiais, com o projeto Fortalecimento do Acervo de
Ciência e Engenharia de Materiais; e o Subprograma de Química e Engenharia
Química, com dois projetos, Fortalecimento do Acervo de Química e Engenharia
Química

e Implantação de Posto de Serviço Especializado em Química e

Engenharia Química da Rede Antares ( INFOQUIM II). Participou também do projeto
de criação e implantação do Núcleo de Informação Tecnológica de Materiais,
coordenado pelo Departamento de Engenharia de Materiais da UFSCar, dentro do
Subprograma Tecnologia Industrial Básica (PADCT, 1990).
Os benefícios e vantagens advindos da implantação destes projetos para a
BC-UFSCar não podem ser avaliados somente com base no valor absoluto dos
recursos aplicados para a aquisição de equipamentos e acervo, apesar de serem
significativos no total de investimentos efetuados nos últimos cinco anos.
Acreditamos que poderíamos tentar uma análise mais abrangente do impacto

�6.8

causado pelo PADCT na BC-UFSCar, nos seus produtos e serviços e na mudança
de postura

de seus profissionais frente ao uso das novas tecnologias no

armazenamento e acesso à informação. Para tanto tomamos quatro pontos básicos
para efeito de análise: acervo, infra-estrutura,

gerenciamento

e

produtos e

serviços.

4.1 ACERVO

A BC-UFSCar tem, dentre as suas diretrizes e políticas de alocação de
recursos para a aquisição de material bibliográfico, o compromisso de priorizar a
coleção de periódicos, as bases de dados em CD-ROM e o Banco de Livros-Texto
para o ensino de graduação. O acervo de monografias, que dá suporte ao ensino de
Pós-graduação, tem sido financiado, nos últimos anos, com recursos externos
captados por meio de vários projetos apresentados às agências brasileiras de
fomento à pesquisa e Pós-graduação.
Essa decisão é baseada em um pressuposto muito simples: a coleção básica
de periódicos é vital como suporte às atividades de pesquisa e ensino de Pósgraduação e, portanto, tem prioridade zero na aquisição. Da mesma forma, o Banco
de Livros-Texto tem também prioridade, pois oferece a infra-estrutura bibliográfica
básica para o ensino de Graduação, considerando também que não há grandes
linhas de financiamento de acervo para a Graduação,

que

as coleções de

periódicos necessitam de investimentos anuais e que existe uma certa

�6.8

facilidade em conseguir recursos para a aquisição de livros para a pesquisa e Pósgraduação através de projetos específicos.
Desta forma o PADCT II vem contribuindo com o fortalecimento do acervo de
livros e periódicos para a pesquisa e pós-graduação na UFSCar, através de dois
subprogramas: Novos Materiais e Química e Engenharia Química.

Os projetos

foram elaborados em parceria com os departamentos de Engenharia de Materiais,
Química e Engenharia Química e gerenciados pela BC-UFSCar. Os investimentos
priorizaram os livros técnico-científicos e alguns títulos de periódicos básicos para o
fortalecimento do acervo das áreas de abrangência dos projetos.
Outro ponto importante com relação ao acervo é que a BC-UFSCar tem
conseguido, através de projetos do PADCT II, além da aquisição das principais
bases de dados em CD-ROM em várias áreas do conhecimento, atualizar também a
sua área de obras de referência especializada, substituindo por edições em CDROM os dicionários,

enciclopédias etc. Assim, já dispomos de várias obras de

referência em suporte ótico.
Assim,

estamos colocando à

disposição de toda comunidade científica e

da

sociedade em geral um significativo acervo na área de Engenharia de Materiais,
talvez uma das mais completas coleções do País, e no mesmo sentido estamos
caminhando com a coleção da área de Química e Engenharia Química

�6.8

4.2 INFRA-ESTRUTURA

A medida que um sistema de informação se propõe a implantar e utilizar os
recursos da chamada nova tecnologia, necessita evidentemente de uma infraestrutura muito mais complexa, que vai desde os computadores, passando pelos
novos suportes de informação, e chegando até as redes de comunicações de
dados.
Tudo isso representa para a biblioteca universitária um grande desafio, tanto
na

aquisição do aparato tecnológico (equipamentos, software etc) quanto na

utilização correta dessas novas tecnologias.
A BC-UFSCar

iniciou em 1992

a implantação de seus serviços

automatizados. A sua primeira atividade automatizada surge com a implantação,
ainda que precária, do Posto de Serviço da Rede ANTARES, quando recebeu e
colocou em funcionamento os microcomputadores e as leitoras de CD-ROM, que
permitiram começar os levantamentos bibliográficos automatizados na primeira base
de dados, também recebida pelo projeto, o METADEX.
Atualmente, já dispomos de equipamentos mais sofisticados no Posto de
Serviço. Porém, o grande impulso foi dado, na verdade, com a criação do serviço
integrado a uma rede nacional, que incentivou e despertou a biblioteca e a
instituição para a implantação e uso das novas tecnologias de informação.
Com o programa INFOQUIM II estamos fortalecendo ainda mais o Posto de
Serviços, por meio da aquisição de novas bases de dados (principalmente as de
texto integral) e de novos equipamentos que permitem aumentar a capacidade

�6.8

atual de disponibilizar em rede interna as fontes de informação em suporte ótico e
magnético.
A infra-estrutura tecnológica tem também permitido uma racionalização na
aplicação dos recursos, otimização do uso, através de redes, das fontes de
informação disponibilizadas por outras instituições. Está planejado, através da
cessão de um ponto de acesso, o uso pela BC-UFSCar dos índices decenais do
Chemical Abstracts em CD-ROM, adquiridos pelo Instituto de Química da USP-São
Carlos no programa INFOQUIM I.

4.3 GERENCIAMENTO DA BIBLIOTECA

O novo cenário da área de Biblioteconomia e Ciência da Informação, abalado
pelas recentes

revoluções tecnológicas,

tem exigido dos profissionais de

informação uma nova postura, um novo perfil.
Acompanhando toda essa mudança, a biblioteca universitária também sofreu
alterações no seu velho e antigo modo de gerenciamento, ou melhor, pressupõe que
as bibliotecas adotaram, como fator básico de sobrevivência, os novos métodos de
planejamento e administração.
Os conceitos de planejamento e qualidade permeiam toda a administração da
biblioteca, buscando oferecer novos serviços e produtos, centrando sua atenção no
cliente - o seu novo usuário, muito mais exigente no acesso e uso da informação.

�6.8

O PADCT, abrindo novos espaços para a elaboração e apresentação de
projetos específicos de informação, exigiu dá parte das bibliotecas uma reflexão
sobre seus serviços e produtos, tanto no que se refere ao uso das novas tecnologias
como na sua própria organização e administração. Assim, a BC-UFSCar adota um
novo modelo de trabalho,

substituindo a administração por serviços pela

administração por projetos, ou seja: traça suas metas em função de grandes
projetos, onde a implementação de serviços são metas para atingir objetivos préestabelecidos. Neste sentido começa a definição objetiva das atividades e
estratégias para conquistar o planejado.
Um exemplo claro e que só viemos a perceber com clareza muito tempo mais
tarde foi a elaboração e implantação do projeto do Posto de Serviço da Rede
ANTARES na UFSCar. Inicialmente, tomamos o referido projeto apenas como uma
oportunidade valiosa de conseguir equipamentos e base de dados para a nossa
biblioteca, que na época dispunha de parcos recursos. Hoje, o Posto de Serviço,
para a biblioteca e para a UFSCar, é um grande projeto que representa um
expressivo conjunto de produtos e serviços de informação que estamos
disponibilizando à comunidade . Assim, tudo o que se relaciona com a recuperação
de informação por meio de acesso à base de dados (remotas e em CD-ROM) e
acesso ao documento por meio da comutação bibliográfica é função e
responsabilidade do Posto de Serviço, incluindo o treinamento e orientação aos
usuários. Como conseqüência temos hoje, na BC-UFSCar, não um serviço de
recuperação e acesso à informação, mas o Posto de Serviço da Rede Antares,
fazendo parte do planejamento e da estrutura organizacional.

�6.8

Neste sentido, estamos ainda fazendo investimentos no projeto, como por
exemplo, através do INFOQUIM II vamos aumentar a capacidade dos equipamentos
e fortalecer nossas bases de dados em CD-ROM, complementando os grandes
investimentos já efetuados pela universidade.
Outro ponto interessante e que merece ser analisado é, sem dúvida, a cultura
de parceria. A

BC-UFSCar descobriu que o trabalho conjunto com os

departamentos acadêmicos e programas de Pós-graduação pode resultar em
grandes benefícios para a biblioteca e, conseqüentemente, para toda a comunidade
universitária. Hoje, temos três grandes projetos do PADCT elaborados e
coordenados em parcerias, e têm

dado ótimos resultados, proporcionando a

otimização na aplicação de recursos e facilitando o trabalho de seleção e avaliação
de acervos e serviços.
O PADCT também tem representado um grande investimento na capacitação
de pessoal da BC-UFSCar, através dos cursos de especialização na área de
administração de sistemas automatizados de informação, oferecidos pelo Curso de
Pós-Graduação da PUCCAMP e dos cursos de treinamentos de geração e acesso a
bases de dados oferecidos, em várias oportunidades, pelo IBICT, contribuindo,
desta forma, para a mudança tão esperada no perfil dos profissionais da
informação.

�6.8

4.4 PRODUTOS, SERVIÇOS E USUÁRIOS

Muito poderíamos comentar a respeito dos novos serviços implantados na
BC-UFSCar, a partir dos vários convênios assinados no decorrer dos últimos anos,
com diversas agências e instituições, inclusive com os projetos do PADCT.
Entretanto, optamos por analisar aqui um outro lado da questão, pois acreditamos
que são axiomáticos, por exemplo, os benefícios advindos com a implantação do
serviço de levantamentos automatizados através do acesso às base de dados
remotas e em CD-ROM.
Muito se tem falado e discutido a respeito do novo perfil do profissional da
informação, onde os bibliotecários estão, logicamente, inseridos. Entretanto, não é
somente o perfil do bibliotecário que está mudando, mudando está também o perfil
do usuário da biblioteca universitária e a postura da instituição frente à informação.
Hoje, no rol dos usuários das bibliotecas universitárias, não consta apenas a
comunidade universitária interna, ou seja, alunos de Graduação e Pós-graduação,
professores/pesquisadores e servidores técnico-administrativos. A sociedade em
geral, e principalmente a comunidade empresarial, é uma clientela que a biblioteca
universitária não pode mais ignorar. Assim, os grandes projetos onde há uma
aproximação da universidade com a sociedade promovem, como reflexo imediato,
uma alteração no perfil do usuário e conseqüentemente na tipologia da informação
que a biblioteca universitária disponibiliza.

�6.8

O PADCT, em seus vários subprogramas, incentivou serviços e produtos que
pudessem criar e aumentar a demanda

de informação pela comunidade

empresarial, dando grande ênfase às pequenas e médias empresas. Como
resultado temos um novo tipo de informação, ou melhor: uma nova forma de utilizar
as informações armazenadas em nossa bibliotecas ou acessadas de outras
unidades e fontes de informação. Assim, a informação tecnológica, a informação
para negócios, as bases de dados referenciais não-bibliográficas e cadastrais, as
informações factuais e outras mais começam a surgir no meio até então puramente
acadêmico e científico.
Outra mudança é constatada no perfil do nosso usuário convencional. Com o
advento das novas tecnologias, e mais precisamente com as redes de
comunicações de dados, o usuário torna-se muito mais exigente com relação à
obtenção da informação - a velocidade de acesso e a qualidade da informação são
fatores determinantes para a satisfação do usuário.
Neste contexto, os serviços e produtos da biblioteca universitária tomam outra
dimensão. Sem deixar de cumprir a sua função básica e essencial de apoio ao
ensino, à pesquisa e à extensão da universidade, a BC-UFSCar tem procurado
renovar e inovar no sentido de se transformar em um grande centro de informação,
com o objetivo precípuo de disponibilizar a informação, que a universidade gera,
armazena e acessa, para todos os fins e em diferentes níveis.
Alguns projetos do PADCT tem nos auxiliado nesta visão de novos usuários,
serviços e produtos. Iniciando com o Posto de Serviço da Rede ANTARES, que tem
a diretriz de ser uma unidade de informação de acesso público, a BC-UFSCar

�6.8

tem atendido a um significativo segmento da comunidade, como profissionais
liberais e empresários de forma direta. Através do NIT-Materiais, ainda que de
forma indireta, a BC-UFSCar presta serviços de informação aos empresários da
região. O NIT-Materiais é um grande cliente do nosso Posto de Serviço e nesta
parceria estamos procurando não duplicar na universidade acervos e serviços de
informação.
E para finalizar este tema podemos colocar que, hoje, a UFSCar tem uma
grande preocupação com a informação, não somente como um insumo essencial
para a pesquisa e o ensino, mas também, como fonte produtora de conhecimento
que tem como uma das suas missões a disseminação da informação que gera,
armazena e acessa.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Concluindo esta reflexão, podemos afirmar que a parceria das bibliotecas
universitárias com o PADCT tem sido muito profícua. Como já se disse, a análise
dos benefícios advindos com a contratação de vários projetos não pode e não deve
ser baseada somente em cifras.
O

PADCT,

sobretudo,

representou

e

tem

representado

para

nós,

administradores de bibliotecas universitárias, um grande estímulo na conquista da
modernização de serviços e produtos informacionais. O prazer de ver que um
projeto elaborado com tanto empenho, e, muitas vezes, com enormes dificuldades,
foi aprovado é extremamente gratificante e estimulante. A perspectiva de contar

�6.8

com novos recursos para a melhoria e a implantação de novos serviços estimula e
gera novas propostas de trabalho, sem falar na segurança que se conquista à
medida em que se consegue transpor muitas barreiras, que vão desde a definição
do projeto até a sua execução.
A BC-UFSCar, conjuntamente com toda a comunidade acadêmica,
comemorou

por várias vezes a conquista de novos projetos, tendo um lugar

destacado no rol de financiamentos externos recebidos pela universidade.
Entretanto, a perspectiva de termos uma terceira fase do PADCT nos obriga a
uma nova reflexão. Diante de um futuro de mudanças rápidas e diante da exigência
de um novo modelo de biblioteca, temos, ainda, muito que avançar. A biblioteca
universitária, como qualquer unidade de informação, terá, além de suas tradicionais
e convencionais tarefas (não acreditamos somente em bibliotecas virtuais para o
futuro), que se remodelar frente às novas tendências da área.
Na nossa visão, dois grandes problemas ainda estão sem solução adequada.
O primeiro vem em decorrência do próprio investimento feito no serviço de
recuperação de informação por meio da implantação dos levantamentos
bibliográficos automatizados. Hoje estamos colocando à disposição do usuário os
mais modernos recursos para acesso aos grandes bancos de dados, nacionais e
internacionais, que agregam centenas de bases de dados das diversas áreas do
conhecimento, através do acesso remoto ou em CD-ROM.
Porém, o serviço de acesso ao documento não teve o mesmo investimento. A
comutação bibliográfica automatizada ou em linha, tão esperada, ainda é um sonho;
o empréstimo entre bibliotecas permanece como sempre foi, cheio de

�6.8

protocolos e papéis (ainda não se admite a remessa de um livro, quando a
solicitação é feita por fax ou e-mail). Conseqüentemente, o usuário anda muito
insatisfeito, pois tem na mão rapidamente a informação referencial, mas não
consegue a informação primária tão desejada.
O segundo problema, não menos importante, e que também tem muita
relação com o primeiro, é como as bibliotecas universitárias, que abrigam grande
parte do acervo do País, vão disponibilizar para consulta e uso as suas obras.
Atualmente, a localização de uma monografia, no País, é quase que impossível
(sem mencionar o material não-convencional). Uma das grandes responsabilidades
das bibliotecas universitárias é justamente tornar acessível o seu acervo, utilizando
as redes que aí estão. Qual a solução? Formar grandes catálogos coletivos? Ou
cada biblioteca colocar em rede seu acervo, desenvolvendo seu próprio sistema,
utilizando seus próprios recursos? Acreditamos que a descentralização é a melhor
solução. Mas para tanto é necessário que as instituições tenham infra-estrutura para
gerar e disponibilizar a sua informação em rede.
Assim, temos ainda grandes desafios. E esperamos que o PADCT, em sua
terceira fase, possa somar grandes investimentos aos já iniciados e também aos
que, isoladamente, têm sido efetuados por inúmeras instituições que realmente
estão preocupadas com a definição e implantação de uma moderna e eficiente
política de informação, que dará o suporte necessário e essencial para que nosso
País conquiste realmente a transição da sociedade industrial para a sociedade de
informação.

�6.8

ABSTRACT

This paper describes the experiences of the Community Library of the Federal
University of São Carlos (UFSCar), in obtaining external funds in recent years by
presenting projects to financing agencies. It describes the Library’s participation in
PADCT (Support Programme for Scientific and Technological Development), which
carries out specific projects for funding the Library’s collection, infrastructure and
services.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 CASTRO, Luiz Antônio Barreto. O futuro do PADCT. Informe PADCT,
v. 5, n. 21, p. 3-4, out.1995.
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Superior : remontar ou desmontar. Brasília : PNBU, 1988.
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ICT/PADCT (resumo). Brasília, 1990.
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8 PADCT. Subprograma de Informação em Ciência e Tecnologia. Documento básico, versão 9.0. Brasília, 1993.
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Brasília, 1989.
10 PADCT. Subprograma Tecnologia Industrial Básica/TIB. Documento
básico. Brasília, 1990.

�6.8

11 PADCT. Subprograma Química e Engenharia Química. Termos de
referência do INFOQUIM Fase II. Brasília, 1995.
12 PLANO Nacional de Bibliotecas Universitárias :1º PNBU. Brasília :
MEC/SESu, 1986. (SESu/BIBL./DOC PLAN/86-001)

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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Descreve a experiência de captação de recursos externos da Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos nos últimos anos, por meio de apresentação de projetos às agências financiadoras. Enfoca, sob vários pontos, a sua participação no Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico - PADCT, como unidade executora de projetos específicos para o financiamento de acervo, infrastrutura e serviços. </text>
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