<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<item xmlns="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5" itemId="4730" public="1" featured="0" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" xsi:schemaLocation="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5 http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5/omeka-xml-5-0.xsd" uri="http://repositorio.febab.libertar.org/items/show/4730?output=omeka-xml" accessDate="2026-04-21T20:35:42-07:00">
  <fileContainer>
    <file fileId="3798">
      <src>http://repositorio.febab.libertar.org/files/original/46/4730/SNBU2004_020.pdf</src>
      <authentication>327430a5f64d50ebe4664ca5010493ac</authentication>
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="4">
          <name>PDF Text</name>
          <description/>
          <elementContainer>
            <element elementId="92">
              <name>Text</name>
              <description/>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="52470">
                  <text>GRUPOS DE FOCO: O USO DA METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO
QUALITATIVA COMO SUPORTE À AVALIAÇÃO QUANTITATIVA
REALIZADA PELO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA USP.
Bárbara Júlia Menezello Leitão∗

RESUMO
Esse trabalho demonstra como a metodologia de pesquisa qualitativa denominada
grupo de foco oferece resultados consistentes para suplementar a avaliação
quantitativa realizada pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade de São Paulo.
Descreve como as bibliotecas utilizam a pesquisa quantitativa e acabam, por
motivos diversos, não empregando as técnicas disponíveis da pesquisa
qualitativa. Procura orientar como estruturar, aplicar e analisar os resultados dessa
ferramenta. Para a construção do referencial teórico foram selecionados e
descritos alguns experimentos em bibliotecas universitárias nacionais e
estrangeiras. Narra também a experiência conduzida por esta autora junto a
algumas bibliotecas integrantes do Sistema de Bibliotecas da Universidade de São
Paulo (SIBi/USP). Procura mostrar que o grupo de foco pode auxiliar as
bibliotecas a incrementarem seus serviços. Contribui, dessa forma, a melhorar
uma competência que é fundamental para toda equipe bibliotecária: a arte de ouvir
seus usuários. Visa, também, auxiliar os dirigentes das bibliotecas universitárias a
estruturar melhor seu planejamento, com diretrizes que possam atender melhor às
expectativas e necessidades de seus clientes.
PALAVRAS-CHAVE:
Universitárias.

Pesquisa

Qualitativa.

Grupos

de

Foco.

Bibliotecas

1 INTRODUÇÃO

A biblioteca é um espaço onde podemos verificar com muita clareza duas
formas de necessidades humanas, a de falar e ser ouvido. Entretanto, porque
herdamos da colonização ocidental uma cultura que valoriza a razão, é comum o
direcionamento do foco de nossas atenções principalmente para alguns aspectos
como, por exemplo, estimular a independência do usuário da biblioteca por meio
de buscas automatizadas, organização do acervo por meio de um sistema alfanumérico, padronização da identificação do acervo, entre outros recursos. São

�métodos funcionais, desenvolvidos ao longo da história do homem, e têm a
finalidade de viabilizar buscas e pesquisas bem-sucedidas.
Entretanto, a sintaxe dessa ‘linguagem’ é dominada principalmente pelo
bibliotecário, enquanto o usuário da biblioteca – quando não consegue se
expressar por ela – precisa simplesmente falar e ser ouvido para que sua busca
tenha um sucesso tão efetivo quanto aquele proporcionado pelo sistema
automatizado.
Para o profissional que atua neste campo de trabalho, a prestação dessa
assessoria personalizada pode ser entendida como um acréscimo em suas
atribuições diárias. Todavia, se ele estiver interessado em inovar e superar os
paradigmas sobre os quais estão calcados os princípios que estruturam os atuais
sistemas de bibliotecas, ele terá de se preocupar com o desenvolvimento de mais
uma competência: a de ouvir e interpretar os anseios de seus usuários,
promovendo um relacionamento cada vez mais significativo e relevante para
ambos.
Utilizar grupos de foco como método que promova, intensifique e amplie o
relacionamento entre os diversos públicos presentes na biblioteca é a experiência
que se encontra registrada nesse trabalho.
Iniciaremos esse texto apresentando o Sistema de Bibliotecas da
Universidade de São Paulo (SIBi/USP), faremos após uma explanação do que
vem a ser grupo de foco, citando dois exemplos de como essa técnica foi
empregada em outras bibliotecas universitárias. Demonstraremos a sua
aplicabilidade como suporte às avaliações quantitativas realizadas pelo SIBi/USP
e para encerrar apresentamos algumas contribuições que essa técnica pode trazer
se adotada como ferramenta para auxilio do planejamento das bibliotecas.
Esclarecemos que esse trabalho foi baseado na Dissertação de mestrado
defendida pela autora em 2003. Não é possível explicitar nessa publicação todas

�as etapas para a elaboração de um grupo de foco. A nossa proposta é divulgar a
ferramenta que pode auxiliar aos administradores de bibliotecas.1

2 SIBi/USP

O SIBI/USP, com a estrutura que prevalece até hoje, foi instituído pela
Resolução da Reitoria número 2226, em 8 de julho de 1981, com objetivo de servir
de apoio bibliográfico ao ensino e à pesquisa desenvolvidos na Instituição,
estabelecendo um conjunto sistêmico entre as bibliotecas da USP. Incorporou as
atividades da antiga Divisão de Bibliotecas e Documentação da Coordenadoria de
Atividades Culturais (CODAC) e iniciou as suas próprias atividades, em março de
1982.
A missão do SIBI/USP é “promover o acesso à informação, por meio de
programas cooperativos e de racionalização, com o estabelecimento de políticas,
compartilhamento de recursos, normalização de procedimentos, no âmbito das
Bibliotecas da USP”.
O estabelecimento da missão da organização é fundamental, para que
assim a instituição tenha um alinhamento de suas ações. As bibliotecas
universitárias, como integrantes da instituição maior, devem estabelecer sua
missão baseada naquela já existente e agregar suas metas específicas.
O Sistema é constituído de 39 bibliotecas, além de um Departamento
Técnico (DT/SIBi) que coordena suas atividades. Todas as bibliotecas
participantes do Sistema são subordinadas administrativamente às respectivas
Diretorias de suas unidades, entretanto ao DT/SIBi cabe coordenar as ações
cooperativas e sistêmicas.

1

Para informações complementares de como planejar, executar e aplicar um grupo de

foco acessar o site: http://www.saber.usp.br

�O SIBi/USP é um sistema especialmente interessante de ser estudado, pois
preserva características particulares de cada unidade: sua história e cultura
organizacional, o que determina a forma de atuação de cada biblioteca.
As bibliotecas do Sistema têm autonomia para as aquisições, regulamentos
e empréstimos tanto domiciliares, como entre bibliotecas integrantes do Sistema e
demais Instituições.

3 A AVALIAÇÃO QUANTITATIVA

O SiBi/USP publica o “Dados estatísticos do Sistema Integrado de
Bibliotecas”, no qual divulga – por meio de modelos estatísticos – informações
referentes aos serviços prestados, estruturas, recursos humanos e acervos.
Esses levantamentos são fundamentais, entretanto esse modelo confirma a
utilização de dados quantitativos como a única fonte para a avaliação dos serviços
prestados. Entendemos que esse é um modelo adequado para uma série de
medições, entretanto também defendemos a idéia que a ele deveriam ser
associadas outras formas complementares de análise, visando uma busca
qualitativa para auxiliar na avaliação dos serviços prestados pelo SIBi/USP.
A necessidade de instrumentos mais sensíveis de medição, capazes de
identificar e registrar elementos relativos à qualidade fez com que um grupo de
bibliotecários do SIBI/USP desenvolvesse e implementasse, em 2002, uma
avaliação apoiada em uma metodologia já adotada por outras bibliotecas principalmente as norte-americanas – chamada SERVQUAL. Esse modelo está
voltado para a análise de cinco dimensões que dizem respeito à qualidade:
tangibilidade, confiabilidade/credibilidade, receptividade, garantia e empatia.
Essa avaliação foi constituída por diversos questionários desenvolvidos
para acesso on-line (inseridos na homepage do SIBi/USP), divididos em cinco
blocos qualificando cada uma dessas dimensões. Além da publicação on line, foi

�feito um amplo trabalho de divulgação na universidade, estimulando a participação
dos usuários.
Reconhecemos essa proposta como uma renovação no sistema de
avaliações utilizado até então, porque permite o levantamento de dados capazes
de subsidiar análises diferenciadas daquela já existentes no relatório anual.
Dessa forma, entendemos que a metodologia de pesquisa qualitativa
denominada grupo de foco, que será explicitada a seguir, pode auxiliar as
avaliações quantitativa e qualitativa já existentes, permitindo assim uma nova
perspectiva por parte dos responsáveis pelas bibliotecas universitárias na arte de
ouvir seus usuários.
Souza (1989) enfatiza como o uso de métodos quantitativos e qualitativos
em Biblioteconomia pode ser problemático, por existir um privilégio do primeiro em
relação ao segundo. Via de regra, as bibliotecas estão mais preocupadas em
coletar dados quantitativos, pois são eles que demonstram o uso da coleção, o
número de usuários que a está freqüentando, o quanto e quais materiais estão
sendo emprestados, o número de solicitações realizadas por outras bibliotecas,
quantas pesquisas foram realizadas, quantas renovações ou atendimentos por
telefone, o número de livros processados etc. A autora alerta para as
conseqüências da tendência de se enfocar os dados quantitativos nas Ciências da
Informação.
Nessa mesma linha de raciocínio, Boekhorst (1995), mostra que existem
lacunas entre as estatísticas coletadas pelos bibliotecários e os dados necessários
para obter indicadores de desempenho. Os dados estatísticos têm a propriedade
de uniformizar e tornar estático um universo diverso e dinâmico, sem atribuir,
qualificar ou sequer registrar seus mais variados matizes.
Por

acreditarmos

na

construção

de

relacionamentos,

somos

assumidamente partidários da dialogicidade. Queremos, portanto, transformar
essa forma de contato que existe hoje entre a biblioteca e seus usuários em um
diálogo polifônico capaz de contemplar as mais diversas vozes.

�Consideramos fundamental a busca de mecanismos que permitam ouvir os
usuários de nossa comunidade, por meios mais abertos e diretos, instituindo
canais de comunicação entre a biblioteca e comunidade. Somente assim, as
ações gerenciais e administrativas encontrarão subsídios assertivos para suas
mais decisões sejam convergentes com expectativas de seus mais diversos
públicos.

4 PESQUISA QUALITATIVA

De acordo com Moreira (2002), algumas das características básicas da
pesquisa qualitativa são:
•

Foco na interpretação ao invés da quantificação;

•

Ênfase na subjetividade ao invés da objetividade

•

Flexibilidade no processo de condução da pesquisa;

•

Orientação para o processo, não para o resultado;

•

Preocupação com o contexto, entendendo que o comportamento das pessoas
e a situação ligam-se intimamente na formação da experiência;

•

Reconhecimento do impacto do processo de pesquisa sobre a situação de
pesquisa: admite-se que o pesquisador exerce influência sobre a situação de
pesquisa e que também é influenciado por ela.
Souza (1989) parte de um levantamento para afirmar que as metodologias

qualitativas parecem ser mais eficientes e adequadas para a natureza do objeto
das Ciências Humanas. Todavia, a autora esclarece que não se está propondo
exclusividade para esse tipo de método. A autora reitera a discussão, citando
Grover e Glazier, que diferenciam procedimentos quantitativos dos qualitativos
associando os primeiros a uma lógica matemática e os segundos a uma lógica
dialética,

amparada

por

dados

descritivos

e

indutivos

desencadeando, posteriormente, possíveis generalizações.

que

terminam

�São esses mesmos autores que definem a pesquisa qualitativa como
adequada àquelas experiências que têm a intenção de entender como e por quais
razões os indivíduos reagem e se comportam de uma ou outra maneira. Esse tipo
de

interesse

acaba

dando

mais

atenção

aos

aspectos

subjetivos

do

comportamento e da experiência humana. Resumindo, a pesquisa qualitativa
busca uma abordagem mais natural para a solução de problemas. (GLAZIER;
POWELL, 1992)
Abordando também a metodologia dos procedimentos qualitativos, Glitz
(1998), destaca a necessidade de ouvir, questionar e observar caminhos para a
coleta de dados. Outros procedimentos seriam as entrevistas profundas ou
individuais, documentos escritos, como diários, cartas, ou histórias de vida. O
pesquisador deve atuar como observador participante. Todas essas fontes estão
relacionadas a sentimentos, memórias, experiências e impressões, tanto faladas
como escritas, que completam e desencadeiam o dado a ser estudado. As
informações obtidas deverão ser analisadas com muito cuidado, permitindo-se
assim ao pesquisador sugerir, criar novas hipóteses ou modificar o conhecimento
já existente.

5 O QUE É UM GRUPO DE FOCO

Morgan (1996) conceitua o grupo de foco como uma técnica de pesquisa
para coletar dados através da interação do grupo sobre um tópico determinado
pelo pesquisador. O autor enfatiza três pontos relativos ao grupo de foco:
•

É um método de pesquisa consagrado à coleta de dados;

•

A técnica determina que a interação do grupo seja a fonte de informação dos
dados;

•

O pesquisador tem, via de regra, o propósito de criar os grupos para coletar
dados.

�No que se refere especificamente às bibliotecas, citamos a definição de
Hernon e Altman (1998) indicando de que forma essa técnica pode ser adotada:
Nas bibliotecas a ferramenta de pesquisa denominada grupo de
foco pode ser conceituada como uma forma de trazer as pessoas
em conjunto para discutir sobre um produto, um serviço ou um
assunto. As bibliotecas podem utilizá-lo para obter insights das
expectativas dos consumidores, analisar a disponibilidade dos
funcionários em atender a essas expectativas e segui-las, e a
habilidade para recuperar consumidores perdidos ou atrair aqueles
de “primeira viagem”. O grupo deverá ser formado por seis a dez
pessoas em discussões interativas que devem ser bem focadas
em assuntos ou problemas.

Morgan (1988) defende que o grupo de foco é o uso explícito da interação
para produzir dados e insights. Segundo o autor, pode-se encontrar pontos fortes
e fracos nessa pesquisas:
Pontos fortes: os grupos são fáceis de conduzir. A técnica não exige empenho
de muitos recursos financeiros. Mesmo que o pesquisador seja novato, poderá
obter muitas informações, pois o grupo permite que se explorem tópicos e
hipóteses gerais, possibilitando interação com os itens de interesse do
pesquisador.
Pontos fracos: não é baseado em colocações naturais. O grupo de foco não
atinge o potencial dos grupos de pesquisas individuais. Certas posições de
alguns participantes podem distorcer o estudo.
Assim com base nas definições citadas e outras encontradas na literatura
podemos afirmar que grupo de foco é uma modalidade de entrevista, estabelecida
de acordo com um roteiro que tem o propósito de atingir os objetivos pretendidos
pelo pesquisador. Envolve uma estrutura mínima de seis e não superior a doze
pessoas que tenham interesses comuns e que ficarão reunidas por período
máximo duas horas. Durante esse tempo, o moderador irá conduzir a entrevista
para que ela flua, sem necessidade de intervenção. O observador será o
responsável pelas anotações que auxiliarão no momento da análise da gravação
e/ou filmagem. Essa forma de entrevista pode ser adotada em conjunto com

�outras ferramentas qualitativas e quantitativas, utilizadas antes ou após para
averiguação ou confirmação dos dados. Nada impede, entretanto, que o grupo de
foco seja utilizado isoladamente como técnica de coleta de dados.
Convém alertar que a análise dos resultados obtidos em um grupo de foco,
por se tratar de pesquisa qualitativa, não estarão tão claros como quando
avaliamos uma pesquisa quantitativa. Porém, para bibliotecários a separação,
agrupamento e interpretação dos termos que aparecem com mais incidência
fazem parte do cotidiano da profissão.

6 A FERRAMENTA NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA

Na obra Service Quality in Academic Libraries, Hernon e Altman (1996)
desenvolvem todo o seu trabalho a partir das informações obtidas por meio de
grupo de foco. A pesquisa inicial desses autores foi dividida em cinco fases, sendo
que, em três delas, utilizaram a metodologia como pré-teste para avaliação dos
questionários que seriam empregados nas pesquisas com os usuários. Depois, a
metodologia de grupo de foco foi adotada também como ferramenta para
entrevistar os usuários das bibliotecas acadêmicas pesquisadas.
Uma pesquisa com os alunos e a equipe da Universidade de Kent,
realizada por Bex e Miller(1999) teve por objetivo analisar como esses clientes
estavam utilizando determinadas bases de dados. Os autores evidenciam a
importância do grupo de foco, pois essa ferramenta permite que o pesquisador
possa ouvir quais são os objetivos que os usuários estão pretendendo atingir, por
que pensam de determinada maneira e qual terminologia adotam no momento da
pesquisa. A interação entre os participantes pode fornecer um insight em suas
próprias experiências e trazer, além do lado racional, aspectos dificilmente
revelados nos questionários.
A literatura indica que, de acordo com os objetivos a serem alcançadas, a
quantidade de grupos realizados pode ficar entre três e quatro. Como nosso

�objetivo era verificar se a técnica de grupos de foco poderia ser adotada como
método auxiliar de avaliação da prestação de serviços realizada pelas bibliotecas
do SIBI/USP decidimos pela realização de cinco grupos, sendo que o primeiro
seria implementado em caráter de pré-teste. Desses cinco grupos, três foram
realizados com alunos de pós-graduação e dois com alunos de graduação.
Dessa forma, é importante enfatizar que a proposta aqui não é elogiar ou
criticar as bibliotecas que gentilmente cederam seu espaço e estrutura para que
esse trabalho pudesse ser realizado, mas, principalmente, mostrar que essa
ferramenta de pesquisa pode auxiliá-las, fornecendo informações que contribuam
significativamente para a implementação de propostas de melhorias, corrigindo
procedimentos, além de possibilitar o registro de feed-back do usuário de seus
serviços.
Apresentamos abaixo, um levantamento das observações apontadas pelos
usuários das bibliotecas participantes desta pesquisa. Consideramos viável
separar os resultados conforme o roteiro utilizado. Optamos por considerar os
pontos comuns tanto para a graduação como pós-graduação de uma única vez
para não tornar cansativa a apresentação dos resultados.

Pontos comuns – Graduação e Pós-graduação
1. A biblioteca deve divulgar mais e melhor seus serviços.
•

Todos os grupos consideram as ações de comunicação (desde comunicação visual
até a divulgação propriamente dita) com a comunidade muito aquém do desejado.

•

Os entrevistados afirmaram desconhecer os serviços oferecidos, por falta de
divulgação.

2. Ordem dos materiais nas estantes – classificação
•

Para todos os grupos é confuso. Consideram necessária uma explicação para que os
usuários possam se localizar. Isso é válido tanto para livros como para periódicos.

3. Serviço de atendimento ao usuário
•

Quatro grupos foram categóricos em relação ao problema de oscilação de humor dos
funcionários de atendimento.

•

Não compreendem a burocracia para o empréstimo de material entre bibliotecas.

�•

Os grupos sentiram dificuldade em diferenciar os técnicos de documentação dos
bibliotecários.

•

Não sabem a quem solicitar quando estão em dúvida ou com algum problema.

•

Percebem que existe falta de funcionários para um melhor atendimento, nesse caso
especifico ficamos com duas vertentes: a falta e a subutilização dos funcionários.

4. Acervo
•

Os grupos consideram os acervos não muito atualizados necessitando de novas
aquisições.

•

Quanto à coleção de periódicos, não compreendem os cortes nem as interrupções nas
coleções.

5. Estrutura física
•

A preocupação de todos é em relação ao crescimento de suas bibliotecas (percebem
que o espaço está se tornando limitado).

Podemos afirmar que os dois insights obtidos com essa amostra foram
realmente a falta de comunicação e a oscilação do humor ou, como citada por
alguns dos entrevistados, a postura do atendimento. Provavelmente a maioria dos
problemas seria solucionada com algum tipo de comunicação realizada pelas
bibliotecas, seja com procedimentos para uma melhor interação com a equipe
interna na solução dos problemas, seja na forma de relacionamento com os
usuários como, por exemplo, ampliando ou melhorando a comunicação visual
(sinalização) das bibliotecas.
Essas observações e análises são produtos que a implementação da
técnica de grupos de foco é capaz de oferecer. Podemos detectar que a aplicação
na prática é viável para as bibliotecas universitárias, porém a estruturação dessa
técnica de pesquisa, como de qualquer outra, deve ser planejada e na elaboração
de seu cronograma deve haver um tempo extra, pois imprevistos acontecem.
Citamos como maior dificuldade – inclusive encontrada na literatura – o
agendamento de uma data e horário compatíveis com os que irão participar do

�grupo. No caso específico de bibliotecas universitárias, conseguir arrolar as
pessoas para a entrevista demanda muitas vezes mais tempo do que todas as
outras tarefas.
Afirmamos por meio da experiência realizada, que o grupo de foco pode ser
totalmente estruturado pelas equipes bibliotecárias.
O grupo de foco pode ser usado como ferramenta auxiliar aos
levantamentos

quantitativos

realizados

pelo

SIBi/USP,

por

permitir

uma

aproximação entre os usuários e os gerenciadores da biblioteca. Seu custo é
praticável e seus resultados realmente podem contribuir para que os responsáveis
pelas bibliotecas entrem em contato com aspectos ignorados de seu trabalho.
Gostaríamos de reiterar que essas avaliações são de uma amostra
intencional, dizem respeito a aspectos específicos de atuação de algumas das
unidades e, portanto, os resultados não podem ser generalizados para o universo
total das bibliotecas do Sistema.
Para que se construa um perfil de todo o SIBI/USP por meio desta técnica,
julgamos necessária a estruturação de mais grupos de foco combinados à
aplicação de alguma ferramenta quantitativa, que trate de pontos comuns a todos
os grupos.

7 CONCLUSÃO

A utilização do grupo de foco também reitera e possibilita atender a uma
das expectativas mais elementares do ser humano: ser ouvido, na medida em que
destaca e habilita pessoas a conduzirem esse processo.
De antemão, a implementação de grupos de foco oferece abertura para o
surgimento de temas e questões não identificadas pelos seus idealizadores e
condutores. Muitas vezes, um assunto esclarecedor nasce espontaneamente da
própria dinâmica do grupo.

�A técnica é bastante eficaz para reagir à anestesia da rotina de trabalho
que, não raro, condiciona o comportamento dos gerenciadores de biblioteca,
tornando-os insensíveis a pequenos problemas. Os grupos de foco têm a
capacidade de promover a sinestesia, evidenciando esses problemas e seus
impactos. O gerenciador pró-ativo terá, assim, condições adotar soluções – às
vezes simples – para evitar que os pequenos problemas cotidianos ganhem
maiores proporções.
A experiência de ouvir os usuários de biblioteca, público com o qual temos
trabalhando durante boa parte de nossa carreira profissional, é extremamente
reveladora e, ao mesmo tempo, assustadora por nos fazer entrar em contato com
a falta de percepção sobre:
•

a complexidade que está envolvida na administração e no gerenciamento
de uma biblioteca

•

a falta de valorização da prestação de serviços realizada pela biblioteca

•

o desconhecimento de serviços a que o usuário tem direito.

E a possibilidade de transformação é maior contribuição que o grupo de
foco pode proporcionar. Transformação de todos aqueles que se envolvem nesse
esforço de busca de clareza sobre procedimentos que podem ser melhorados
para que haja uma maior satisfação entre prestadores e usuários de serviços de
bibliotecas.

REFERÊNCIAS

BEX, J.; MILLER, A. Users’ views on UK academic networked information
services. Education for Information, v. 17, p. 145-154, 1999.
BOEKHORST, P. Measuring quality: the IFLA guidelines for performance
measurement in academic libraries. IFLA Journal, v. 21, n. 4, p. 278-281, 1995.

�GLAZIER, J. D.; POWELL, R. R. Qualitative research in information
management. Englewood: Libraries Unlimited, 1992. P. xi-xii.
GLITZ, B. The focus groups for libraries and librarians. New York: Forbes,
1998. 144 p.
HERNON, P.; ALTMAN, E. Service quality in academic libraries. Norwood:
Ablex, 1996. 187 p.
MOREIRA, D. A. O método fenomenológico na pesquisa. São Paulo:
Thomson: Pioneira, 2002. 152 p.
MORGAN, D. L. Focus groups. Annual Review Sociology , n. 22, p. 129-152,
1996.
________. Focus groups as qualitative research. Newbury Park: Sage, 1988.
85p.
SOUZA, C. L. M. V. A problemática dos métodos quantitativos e qualitativos em
Biblioteconomia e Documentação: uma revisão de literatura. Ciência da
Informação, v. 18, n. 2, p. 174-182, jul./dez. 1989.

∗

Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Avenida Prof. Lucio Martins
Rodrigues, 443 – Cidade Universitária. São Paulo – Brasil. Email: bjulia@usp.br

�</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </file>
  </fileContainer>
  <collection collectionId="46">
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51369">
                <text>SNBU - Edição: 13 - Ano: 2004 (UFRN - Natal/RN)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51370">
                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51371">
                <text>Tema: Bibliotecas universitárias: (Re) Dimensão de bibliotecas universitárias: da gestão estratégica à inclusão social.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51372">
                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51373">
                <text>UFRN</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51374">
                <text>2004</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51375">
                <text>Português</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51376">
                <text>Evento</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51377">
                <text>Natal (Rio Grande do Norte)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
  </collection>
  <itemType itemTypeId="8">
    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
  </itemType>
  <elementSetContainer>
    <elementSet elementSetId="1">
      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
      <elementContainer>
        <element elementId="50">
          <name>Title</name>
          <description>A name given to the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="52462">
              <text>Grupos de foco: o uso da metodologia de avaliação qualitativa como suporte à avaliação quantitativa realizada pelo Sistema de Bibliotecas da USP.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="39">
          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="52463">
              <text>Leitão, Bárbara Júlia Menezello</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="38">
          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="52464">
              <text>Natal (Rio Grande do Norte)</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="45">
          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="52465">
              <text>UFRN</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="40">
          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="52466">
              <text>2004</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="51">
          <name>Type</name>
          <description>The nature or genre of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="52468">
              <text>Evento</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="41">
          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="52469">
              <text>Esse trabalho demonstra como a metodologia de pesquisa qualitativa denominada grupo de foco oferece resultados consistentes para suplementar a avaliação quantitativa realizada pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade de São Paulo. Descreve como as bibliotecas utilizam a pesquisa quantitativa e acabam, por motivos diversos, não empregando as técnicas disponíveis da pesquisa qualitativa. Procura orientar como estruturar, aplicar e analisar os resultados dessa ferramenta. Para a construção do referencial teórico foram selecionados e descritos alguns experimentos em bibliotecas universitárias nacionais e estrangeiras. Narra também a experiência conduzida por esta autora junto a algumas bibliotecas integrantes do Sistema de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SIBi/USP). Procura mostrar que o grupo de foco pode auxiliar as bibliotecas a incrementarem seus serviços. Contribui, dessa forma, a melhorar uma competência que é fundamental para toda equipe bibliotecária: a arte de ouvir seus usuários. Visa, também, auxiliar os dirigentes das bibliotecas universitárias a estruturar melhor seu planejamento, com diretrizes que possam atender melhor às expectativas e necessidades de seus clientes.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="44">
          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="68234">
              <text>pt</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
      </elementContainer>
    </elementSet>
  </elementSetContainer>
</item>
